sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Brasil e o "feminismo de glúteos"


Existe uma grande aberração no Brasil. Há tipos de mulheres, espécie de subcelebridades, que se voltam exclusivamente à exibição de corpos exagerados pelo silicone, de forma bastante obsessiva, como se seus corpos fossem mercadorias em oferta de liquidação.

"Boazudas", "siliconadas", "turbinadas", "popozudas", "proibidas" ou "liberadas", "mulheres-frutas", "peladonas", e tantos outros rótulos correspondem a esse "exército de "musas sensuais" com suposto apelo "popular" que povoam o imaginário machista brasileiro, mas vendem a falsa imagem de um "novo tipo de feminismo popular".

Recentemente, "personalidades" como Geisy Arruda, Solange Gomes e Renata Frisson, a Mulher Melão, se destacam nessa hipersexualização do corpo feminino, de forma bastante constrangedora se percebermos a luta que as mulheres brasileiras tiveram ao longo das décadas.

Parece um processo sem freio. As "musas" exibem seus corpos de forma obsessiva e compulsiva, e ainda agem como "oferecidas", falando em coisas como "querer ficar pelada na rua" ou "bumbum no coração" como apelos de uma pretensa sensualidade forçada, grotesca e repetitiva.

Isso não é a mesma coisa com o que se vê com atrizes, modelos ou até jornalistas de televisão, que fazem poses sensuais conforme o contexto, mas não se vendem como "mercadorias sexuais" nem usam a sensualidade como um fim em si mesmo.

O mais preocupante é que essas "musas" surgem em centenas. Num só dia, cerca de dez "musas" exibem seus corpos de uma forma ou de outra. Uma exibe o decote "generoso", outra usa um vestido "apertado", outra deixa o biquíni cair na praia, outra tem dificuldade de vestir uma calça justa, outra vê o vento levantar o vestido e exibir sua calcinha, outra posa com o bumbum para cima etc etc etc.

O que esperar de um país desses? Esse é um dos quadros retrógrados que persistem no Brasil em crise de valores. E, embora a aparente solteirice dessas "musas" indique um falso feminismo, elas representam a resistência de alguns valores lúdicos do machismo, uma ideologia que decai vertiginosamente, mas tenta "cair de pé".

Afinal, é muito estranho que elas falem em "liberdade do corpo" ou "direito à sensualidade", porque elas poderiam muito bem se exibirem na privacidade. Se elas gostam tanto de seus corpos, por que elas não mostram para si mesmas, no íntimo de sua vida particular? Por que tanta exibição física?

O mais grave é que esse sensualismo obsessivo alimenta e agrava os instintos machistas de seu público, de baixo nível intelectual, embora em parte integrante da classe média. É através da exploração obsessiva da imagem das mulheres-objetos, estimulando os impulsos sexuais, que se criam condições para estupradores em potencial.

A hipersexualização, expressa em corpos exagerados pelo silicone e pela exibição sem controle nem interrupção de peitos e glúteos "turbinados", esse "feminismo de glúteos" que não passa de uma recreação machista, é o que, no lado das periferias, favorece que estupradores e maníacos atuem diante de um ideal fantasioso do "sexo sem limites".

E quem imagina que essas "musas" afirmam seu sucesso sem a sombra de um homem ignora que elas são empresariadas por homens nitidamente machistas, que tentam dissimular seu machismo pelo aparente apelo "popular" que isso significa, atribuído a uma falsa imagem de liberdade popular.

Essa imagem falsamente libertária é reforçada por discursos ligados à causa LGBT, ou a outros movimentos de conscientização. A Mulher Melão chegou a invadir um "toplessaço" que originalmente era feito para alertar a opinião pública sobre problemas como estupro e câncer de mama, mas a funqueira desviou a atenção pela sua figura grotesca e pitoresca para tentar desviar a atenção do movimento.

As "musas" agem com muita arrogância e exibicionismo, muitas delas são temperamentais, e elas tentam se vender como "referências ideais", ainda que exóticas, de sucesso feminino para as moças pobres, que são induzidas, pela manipulação midiática, a usar seus corpos como "mercadorias", favorecendo um mercado de prostituição e tráfico de mulheres.

Em Salvador, esse perverso mercado chegou a ser apoiado por emissoras de rádio FM locais, que inventaram o termo "periguete" para impulsionar moças pobres a erotizarem-se demais e assediarem todo tipo de homem, sem medir afinidades pessoais e sem perceber o risco de serem capturadas por homens que elas mesmas são "estimuladas" a assediar.

O machismo que sutilmente insere seus valores decadentes no imaginário das classes populares, com o apoio do coronelismo midiático e sob o consentimento de uma classe de intelectuais "culturalmente provocativos", tem intenções ainda mais sombrias diante desse mercado de "bumbuns no coração".

Isso mostra uma grande desigualdade social. Enquanto, na classe média, as mulheres se preocupam em combater os abusos do assédio masculino, no âmbito do "popular" midiático uma senhora como Solange Gomes, de 41 anos, se oferece como "objeto de desejo" para seus fãs e como "modelo de sucesso" para moças pobres que veem na exibição de glúteos e bustos um meio mais lucrável do que ser professoras, costureiras, cozinheiras ou servidoras públicas.

Por trás disso, podem haver processos sutis de "limpeza social". Afinal, a relativa "proteção" das mulheres de classe média e alta através de campanhas anti-assédio como "Chega de Fiu-fiu" - que no entanto, não as livram dos mesmos assédios quando estão nas boates e bares - se contrasta com a permissividade erótica que simbolicamente se promove "no lado de baixo" da pirâmide social.

Assim, as moças pobres se espelham na "liberdade do corpo" de Geisy Arruda, Solange Gomes e Mulher Melão, divulgadas sob um "divertido sensacionalismo" pela mídia popularesca, e com isso acham que "é tudo permitido", ignorando os riscos que a hipersexualização pode causar, diante de tarados afoitos e cafetões ávidos por dinheiro, que tratam as mulheres como escravas no "livre e belo mercado da prostituição".

É até estranho que, até pouco tempo atrás, uma parcela de intelectuais, inclusive mulheres que se diziam "ativistas feministas", tenham defendido a prostituição como um processo de "inclusão social", defendendo a prática quando as próprias prostitutas queriam se livrar desse ofício humilhante. Por trás desse discurso "libertário", havia interesses de criar um mercado do sexo para clientes de alto poder aquisitivo, camuflados pelo discurso "ativista-etnográfico" dado pelos intelectuais.

Outro caso que chama a atenção é a forma depreciativa com que se trabalha a imagem da mulher solteira, que duplamente favorece o machismo. A "solteira" trabalhada pela mídia é a da "vagabunda" que só vive de curtição e erotismo, em contrapartida da mulher que busca aprimorar conhecimentos e emancipação profissional e intelectual, mas que é "aconselhada" pelo mercado e pela mídia a se casar com algum homem dotado de poder e liderança.

Esse aspecto também revela o poder do machismo, que parece não querer sair de cena completamente, deixando como legado a sua influência mesmo na emancipação da mulher brasileira, condicionada pela figura de um marido poderoso, seja ele empresário, profissional liberal, executivo, político ou dirigente esportivo.

É uma forma também de neutralizar o feminismo, como em todo movimento de vanguarda que no Brasil é quase sempre neutralizado por forças retrógradas. A mulher que não segue o machismo tem que viver sob a sombra de um marido poderoso. Já a mulher que segue ideais machistas de mulher-objeto, em que pese ser empresariada por um machista, é dispensada de viver com um marido ou namorado.

Daí que, por trás desse processo maravilhoso de corpos femininos siliconados e alegações como "bumbum no coração", há um plano perverso que envolve perpetuação do machismo em formas mais sutis, higienização social que torne as mulheres pobres mais vulneráveis e um retrocesso social no qual os paradigmas de feminismo nunca devem ultrapassar os limites do machismo.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

O aparato de "bondade" e seus artifícios


A bondade que intimida, o amor que assusta. Essas ideias, que enchem de tantos júbilos os deslumbrados da fé religiosa, para o qual não cabem provas lógicas nem questionamentos, porque tudo é só questão de amor e fé, revelam algo bem mais traiçoeiro e perigoso do que se pensa.

A desculpa de que o amor "tudo permite" e que este sentimento e o da fé desafiam qualquer tipo de lógica é o maior perigo que ameaça o Brasil. Trata-se de uma armadilha perigosa, e esse perigo cria uma cegueira emocional nas pessoas que mantém tais sentimentos.

O deslumbramento religioso que permite essa "boa tirania" do amor e da fé - na verdade, um "amor" que intimida, um "amor-daçar", e uma "fé" que amedronta e censura, um "mel de fé-l", o "fel" das fantasias que querem se sobrepôr à realidade - faz com que o "espiritismo" seja um dos piores exemplos desse gravíssimo vício.

As pessoas insistem nessa doença infantil da bondade estereotipada. Acreditam que a bondade não tem a ver com a lógica e que as qualidades relativas à caridade e ao amor ao próximo se resumem a clichês do imaginário religioso, sempre com assistencialismo paliativo e nem sempre muito eficiente.

E é isso que se torna o escudo para Francisco Cândido Xavier, o homem que começou fazendo pastiches literários, se apropriou indevidamente dos nomes dos mortos, realizou plágios, apoiou fraudes de materialização, abriu caminho para aberrantes traições à doutrina de Allan Kardec e saiu imune de tudo isso.

Por que ele saiu imune? Porque Chico Xavier era realmente uma das pessoas mais avançadas e evoluídas do país? Nem de longe!! Se ele realizou plágios e pastiches literários, delito comprovado por provas comparativas, então ele não pode ser evoluído. Dizer isso é realista e verídico, mas é visto como ofensa por muitos dos fanáticos seguidores do anti-médium.

Chico Xavier
saiu imune porque foi protegido pelo seu próprio estereótipo. Um mito forjado pelos chefões da Federação "Espírita" Brasileira, realimentado depois pelas Organizações Globo, e que atendia os interesses comerciais da federação, através da evocação de elementos ideológicos que estimulassem o sentimentalismo religioso das pessoas, uma espécie de "santo" informalmente constituído, sem o formalismo católico.

Vale lembrar que o "movimento espírita" não constitui uma oposição real ao Catolicismo, tanto que identificamos a influência decisiva do Catolicismo português, de inclinação medieval nos tempos em que a FEB foi fundada. O que o "movimento espírita" diverge do Catolicismo é o excesso de pompa e de formalismos a este inerentes, mas fora isso e alguns outros aspectos o "espiritismo" brasileiro é essencialmente católico até a medula.

Os estereótipos ideológicos de "bondade" e "humildade", que na verdade são uma atualização flexível de antigos mitos católicos, cercam Chico Xavier e revelam uma visão utópica do "caipira simpático", do "interiorano pueril" e, mais tarde, do "velhinho bondoso". Junto a isso, outros aspectos ideológicos, alguns bastante retrógrados, favorecem seu mito.

Um deles é o coitadismo, a pose de vítima, uma espécie de "agressão" às avessas em que a pessoa "aceita" ser duramente atacada, porque é uma "pessoa de bem", e com isso tenta neutralizar o agressor com uma pose de "derrotado resignado", dando a falsa impressão de que, sendo derrotado, sairá vencedor.

Chico Xavier trabalhava esses aspectos contraditórios, que se sabe terem sido usados para manipular o imaginário coletivo das pessoas, intimidar juristas e jornalistas e deixar impunes ou mal-resolvidos muitos impasses e confusões trazidos pelo anti-médium brasileiro.

O fato de que Chico Xavier é visto como "bonzinho" e que, por isso, não pode ser responsabilizado de forma alguma pelos erros que ele cometeu, é extremamente grave. É preocupante que uma pessoa como essa, causadora de tantos escândalos, saia imune e impune a tudo, até pelos erros que cometeu de propósito.

No caso da farsante ilusionista Otília Diogo, que se passou por supostos espíritos materializados, dentre eles a Irmã Josefa, Chico Xavier acompanhou toda a farsa, esteve nos bastidores falando animadamente com toda a equipe, e ninguém diz que ele apoiava todo o processo, quando em verdade ele apoiou, sim.

A coisa torna-se tão grave que, se supormos que Chico Xavier tivesse, por exemplo, criado uma empresa "fantasma", dessas que só servem para arrancar dinheiro do Estado, o pessoal mesmo assim aceitaria isso de bom grado? Muitos vão dizer que Chico seria incapaz disso. Ou, se o admitirem, deixassem isso para lá.

Mas essas fraudes Chico não fez. Mas ele fez outras. A aberrante apropriação indébita de Humberto de Campos é um claro exemplo disso. O prestígio do falecido membro da Academia Brasileira de Letras foi usurpado de tal forma que hoje Chico Xavier virou "dono" de Humberto, sob os aplausos de muitos, pasmem!

E como é que vamos comprovar que a imagem da bondade estereotipada pode ser nociva? Como o mito de "fazer o bem" pode se revelar enganador? Como a redução da ideia de bondade e solidariedade a "produtos" do "movimento espírita", incapaz de trabalhar a própria natureza da Doutrina Espírita e, por isso, recorre ao "bom mocismo", pode seduzir as pessoas?

Citamos alguns casos que mostram esse lado perigoso de trabalhar a ideia de "bondade", fruto de um complexo processo de manipulação ideológica que é capaz de seduzir e convencer as pessoas com uma certa eficácia, que se torna maior e mais bem sucedida num contexto de desinformação e alienação social.

OS CASOS

Alguns casos tendenciosos ou traiçoeiros de exploração ideológica da "bondade" podem ser identificados e analisados como processos que não trazem benefícios reais para o indivíduo, embora apresente falsos benefícios para almas resignadas.

1) O "AMOR-DAÇAR" - A ideia do "amor que tudo pode" é bastante perigosa. A ideia de um "amor" que desafia a lógica, a coerência, a busca de provas, uma ideia que conforta as mentes das pessoas, estimula a preguiça mental, desmoraliza o dom do ser humano de usar o raciocínio, se revela deplorável diante de uma observação mais apurada. O "amor" que intimida não pode ser um sentimento admirável e imune às críticas mais severas.

2) A INTIMIDAÇÃO PELA "SOLIDARIEDADE" - Nota-se que a ideologia "espírita" mostra uma forma de assistência que esconde um processo de dominação. "Espíritas" que parecem bondosos mas exercem, com seu "carinho" e "benevolência" paternalistas, um domínio sobre a alma sofredora que aparentemente assistem. Nas supostas colônias espirituais, nota-se a imagem sisuda de assistentes que "socorrem" sofredores com uma "solidariedade" que dissimula um certo complexo de superioridade do "socorrista" em relação ao sofredor.

3) JUÍZO DE VALOR - Muitos "espíritas", que se presumem saber das encarnações passadas - tarefa, em verdade, não apenas difícil mas impossível diante das irregularidades do "movimento espírita" no Brasil - , fazem o "morde-e-assopra" de seu juízo de valor. Como eles se acham "os bondosos", primeiro acusam os sofredores de terem sido algozes em outra vida, e depois rogam "misericórdia infinita" a eles. Esse discurso é traiçoeiro, porque primeiro culpa as vítimas e depois afirma o "bom mocismo" dos "espíritas". A vítima é sempre o "mal", os "espíritas" são o "bem", eles é que ajudam, ela é que "pagou pelo que fez".

4) VITIMISMO - Sabemos que o coitadismo é uma pose de vítima em qualquer situação, independente de focar o motivo alegado para isso. O vitimismo é mais específico, quando o motivo é focalizado. No "espiritismo", e, sobretudo nas figuras de Chico Xavier e Divaldo Franco, tornou-se típica a postura um tanto hipócrita de aceitar os ataques e fingir resignação, enquanto alega aparente tristeza e misericórdia ou, quando muito, diz que os ataques são "benéficos" para testar a "força do bem".

Essas caraterísticas são muito graves, porque escondem vaidades, interesses de poder, omissões e falta de auto-crítica. E esse verniz de "bondade" pode ser perigoso porque pode permitir qualquer corrupção que houver no "movimento espírita", porque seus líderes usarão de todo malabarismo discursivo para passar por cima de qualquer denúncia. Afinal, eles são os "bonzinhos".

É preocupante o quanto as pessoas se apegam a esses estereótipos de "bondade" e "humildade". Se perdem em ideias infantis relacionadas a estas qualidades, e preferem ficar no reino da fantasia chiquista do que encarar a dura realidade e aceitar os questionamentos que são lançados não como frutos de raivas pessoais, mas de análises e observações que, apresentando provas, identificaram irregularidades.

Perdidas nessas fantasias e apegadas nos seus estereótipos, as pessoas acabam demonstrando sua insegurança, sua baixa auto-estima, sua falta de auto-crítica e outros defeitos sérios. Isso faz dos brasileiros complacentes com Chico Xavier as pessoas mais atrasadas e despreparadas para encarar as mudanças dos tempos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Quando troleiros são os "cães de guarda" do "estabelecido"

IVETE SANGALO, ALEXANDRE PIRES, ZEZÉ DI CAMARGO & LUCIANO, MULHER MELÃO, RÁDIO CIDADE "ROQUEIRA" E ÔNIBUS COM PINTURA PADRONIZADA TAMBÉM ERAM APOIADOS PELOS TROLLS DA INTERNET.

Os casos das campanhas difamatórias contra famosas negras, como Maria Júlia Coutinho, Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes, ou contra pessoas como Bela Gil e Lola Aronovich, voltadas às causas, respectivamente, nutricionista e feminista, revelam a truculência dos chamados troleiros (do inglês troll) nas mídias sociais.

O fenômeno não é recente, mas foi só a repercussão das atrizes e da jornalista negras que fez a delinquência digital se tornar crime. Os suspeitos dos ataques racistas a Maria Júlia Coutinho começam a ser investigado e um deles disse negar ter feito o delito, mas prometeu denunciar todos os que participaram dos ataques.

Diante do começo da criminalização destas práticas, que envolvem não apenas ataques nas mídias sociais - não somente no hoje extinto Orkut e no atual Facebook, mas na invasão de fóruns de Internet e até em petições digitais - , fica a impressão de que a trolagem se resume a atos de desmoralização por si só.

Todavia, boa parte da trolagem corresponde aos chamados "cães de guarda" do "estabelecido", e é irônico que eles tenham se tornado famosos por atacar atrizes e jornalista da Globo, porque boa parte das causas que os delinquentes digitais defendem corresponde a modismos e ídolos consagrados pelo mercado, pela mídia e pelo poder político.

Pesquisas observam que a trolagem envolve não apenas valores racistas ou machistas, ou mal-entendidos referentes a uma má compreensão de uma frase de uma intelectual, como Simone de Beauvoir, "massacrada" por conta de uma metáfora de caráter sociológico, mas valores considerados "consagrados" e "na moda", tidos como pretensas novidades.

Em muitos momentos, os troleiros são "cães de guarda" do "estabelecido" e, com casos como os de Maju e das atrizes da Globo, eles acabam se voltando para seus "criadores", já que muito de sua ação era em defesa de valores estabelecidos pela mídia, pelo mercado e por autoridades políticas influentes.

A gíria "balada" (criada por uma parceria entre Rede Globo e Jovem Pan FM), a pintura padronizada nos ônibus do Rio de Janeiro (decidida por autoridades do retrógrado PMDB carioca), a programação "roqueira" da Rádio Cidade (defendida pelos grandes empresários do ramo do turismo e dos grandes eventos culturais e esportivos) e as "musas siliconadas" (defendidas por empresários do entretenimento "popular" em parceria com a grande midia) são algumas das causas apoiadas pelos mesmos que acham que cabelo cacheado é sinônimo de "esponja de lavar louça".

Por que eles agem assim? Simples. Eles são o retrato conservador que estava latente na juventude brasileira desde os anos 90. São filhos de adultos que eram felizes durante a ditadura militar ou eram esquerdistas frustrados que passaram para a oposição de caráter direitista. Geralmente jovens de classe média, membros das elites ou suburbanos com sonho de ascensão social, que endeusam tudo aquilo que vira "moda" ou é tido como "novidade".

Eles geralmente reagem aos estigmas que contrariam seu horizonte fechado de ideais e valores. Por isso esculhambam tanto internautas que questionam a pintura padronizada nos ônibus cariocas como a mudança de orientação de uma FM pop, a Rádio Cidade, para o rock (num desempenho, aliás, bastante sofrível e caricato), quanto esculhambam negras que se tornam atrizes e jornalistas bem sucedidas.

Os troleiros pensam como se estivessem isolados em algum escritório. Seu horizonte de valores é pequeno. Se limitam a raciocinar conforme suas convicções pessoais, e sua concepção de mundo é retrógrada, ultrapassada, o que revela o contraste da pouca idade, que à primeira vista sugeriria rebeldia e apreço ao novo e ao moderno, e os valores retrógrados e dominantes que defendem.

Eles são "rebeldes" na forma, mas extremamente retrógrados e reacionários no conteúdo. Se inserem no mesmo contexto em que se destacam movimentos do nível como Revoltados On Line e Movimento Brasil Livre, comentaristas da mídia como Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Marco Antônio Villa e Rachel Sheherazade e políticos como os deputados cariocas Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro.

O "mundo perfeito" em que vivem combina valores que misturam uma falsa modéstia, uma resignação com a mediocridade cultural e uma esperança de progressos econômicos. Daí que os troleiros sempre reagiram às críticas feitas a sucessos "populares" como Ivete Sangalo, Alexandre Pires, Bell Marques e Zezé di Camargo & Luciano e contra modismos como a gíria "balada" e os ônibus com pintura padronizada para diferentes empresas.

Acham que, só por serem "novidades" ou "fenômenos bem sucedidos", esses ícones e ídolos não podem ser repudiados. Se o são, os troleiros reagem com campanhas combinadas de difamação, ou com mensagens ofensivas difundidas ou enviadas de qualquer forma na Internet. Isso quando a reação não culmina com algum blogue ofensivo dedicado à vítima ou mesmo a organização de grupos para promover agressões físicas às vítimas de trolagem.

Sem medir consequências contrárias contra si, os troleiros agiam acreditando na perfeita impunidade. Acham que nada lhes pode atingir e, quando são contrariados em alguma coisa ou advertidos dos riscos da delinquência digital, eles gracejam ou aumentam o teor dos ataques. Acham que estão protegidos pela reputação que acham ter - se acham "divertidos" e "populares" - e que nada lhes pode deter, e, quando vem alguma encrenca, eles ainda acham que podem agir com represália.

Eles acreditam num mundo fantasioso em que só existe curtição e consumismo. Acham, por exemplo, que é fácil ir e voltar de uma boate à noite, pouco importando se será difícil voltar de ônibus com segurança de madrugada.

Acham que o tipo de mulher ideal é a "mulher-fruta" - ou então subcelebridades como Solange Gomes e Geisy Arruda - , que homens não podem se queixar de carência amorosa, que todo mundo é obrigado a torcer por um time de futebol mais popular e que todos têm que apoiar decisões de autoridades, executivos de mídia e empresários que comandam o mercado.

Pouco importa estupidez, incoerências, perda de direitos. serviço mal feito, fim de tradições valiosas. ou mesmo a questão de direitos humanos ou segurança. Pouco importa se a pessoa não pode ir para a boate porque o caminho de volta fica perigoso de madrugada. Para o troleiro, espécie de ditador em potencial, a pessoa tem que seguir o "esquema" porque a vida "já oferece tudo de bom" e se há problema, o outro que "se vire".

O "mundo perfeito" dos troleiros não tem injustiças nem problemas ou, quando existem, são apenas "coisas corriqueiras" ou "casos isolados". Para eles, quem tem status quo sempre tem razão e às pessoas cabem apenas determinados papéis sociais, como nerds sendo "aconselhados" a namorar "mulheres-frutas" ou negros e negras se limitando a serem, quando muito, porteiros de prédios.

Daí o caráter obscurantista desses internautas encrenqueiros, aparentemente arrojados e modernos, dotados a despejar palavrões e mensagens sarcásticas na Internet. Protegidos pela relativa juventude, eles se passam por gente avançada e há quem se autoproclame "alternativo", "vanguardista", "diferenciado" ou mesmo "progressista", às vezes por ironia, outras por pretensiosismo e forma de tentar impressionar os outros.

Numa época em que os troleiros começam a ser enquadrados criminalmente, a prática começa a ter uma outra projeção. O mercado, o poder político e a mídia, que tinha nos troleiros seus "cães de guarda" - vários deles são funcionários de prefeituras ou governos estaduais, membros de fãs-clubes, produtores de rádios, assessores de imprensa, jornalistas ou produtores de TV - , acabam vendo neles, tardiamente, como Frankensteins que perdem o controle com suas delinquências.

A analogia pode ser comparada com o DOI-CODI, órgão da ditadura militar que surgiu para zelar por um modelo de "democracia" condizente ao mercado capitalista e ao poder hemisférico dos EUA. Quando os membros do temível órgão passaram a agir por conta própria, sem consultar os generais, o órgão se tornou uma ameaça ao regime, o que acabou sendo, diante das mortes dos prisioneiros políticos Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho, em 1975 e 1976, sem a autorização dos generais.

Os abusos de encrenqueiros e delinquentes que, em primeiro momento, agem em defesa do "sistema", acabam produzindo seu inferno astral, porque, num dia, eles agem sem controle e ignorando as consequências e efeitos de seus atos, e em outro são as consequências que surgem sem que eles possam controlar. Os destemidos troleiros de hoje se tornam as "vidraças apedrejadas" do dia seguinte, pelos efeitos naturais de seus atos arrogantes e agressivos.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Onde tem confusão, a coerência não encontra morada


Sinceramente, perguntamos: há algum valor ou utilidade no "espiritismo" brasileiro? Falamos não da doutrina de Allan Kardec, mas da doutrina brasileira que combina valores do Catolicismo português com misticismo herege de natureza ocultista, com suas aberrantes contradições.

Pois a doutrina que pratica muito mal as lições do pedagogo francês agora virou a "doutrina da solidariedade". Deveria deixar de ser Espiritismo e passar a se chamar outra coisa, Igreja da Solidariedade Cristã, Fraternidade Astral ou tudo o mais. Espiritismo não é mesmo.

A preocupante porção de contradições que se observa em 131 anos de suposta Doutrina Espírita no Brasil revela o preço caro da péssima escolha de seus líderes, incapazes de explicar ou esclarecer as hesitações e deslizes doutrinários que cometem diariamente, em publicações ou em atividades diversas, principalmente nos "centros espíritas".

Só o caso de Francisco Cândido Xavier revela um histórico de confusões, escândalos, controvérsias e sensacionalismos que, definitivamente, põem em xeque-mate todo o mérito que o anti-médium mineiro teria como propagador da Doutrina Espírita e mesmo como filantropo e ativista social.

O que explica todo o endeusamento em torno de Chico Xavier são os preconceitos da crendice religiosa, a temerosidade em questionar totens e dogmas, o fanatismo em torno de um ídolo religioso, suposta personificação de aparente conduta moral e filantrópica.

Só que poucos têm coragem de admitir que a trajetória de Chico Xavier foi, na melhor das hipóteses, bastante irregular e confusa, cheia de contradições e causadora de sérios problemas, e que sua suposta psicografia é dotada de gravíssimas irregularidades.

São pastiches literários, supostas cartas mediúnicas produzidas pela "leitura fria" - recurso de colher informações sutis através de um interrogatório "intimista" ou de conversas formais - , entre tantas outras coisas como a usurpação de nomes diversos, como Humberto de Campos ou qualquer cidadão comum falecido, ou as opiniões em favor da ditadura militar.

Só que evocar tudo isso é considerado "ofensivo" a Chico Xavier, considerar que ele designava seus assistentes a fazer "leitura fria" nos parentes de falecidos para forjar falsa mediunidade em "cartas marcadas". Não podemos sequer mostrar provas a respeito. Tudo tem que ser favorável a Chico Xavier, que antes fosse tudo na contramão da lógica e do bom senso!

TESE ABSURDA

Uma das teses absurdas que acreditam os defensores de Chico Xavier é que toda a confusão que veio de suas atividades seria "culpa" da revolta dos incrédulos e perseguidores da "boa figura" do "humilde médium".

Como um falso cristo armado pelo "movimento espírita", o Chico Xavier que é responsável por uma das piores e mais deploráveis deturpações da doutrina de Allan Kardec - em quatro centenas de livros o nome do mineiro é associado às piores e aberrantes contrariedades ao pensamento do professor francês - , é tido como "vítima" da "fúria" dos que duvidam de suas atividades.

É uma tese absurda, ridícula. Se Chico Xavier causou confusão, é pelas irregularidades que suas atividades representam, sob diversos aspectos. Fraudes, astúcia, conservadorismo ideológico, oportunismo. Isso não é ser ofensivo, difamador, desrespeitoso ou caluniador.

Paciência. Observamos as coisas à luz da lógica. Isso não é uma questão de materialismo, mas questão de nós, seres racionais, não nos rendermos a visões absurdas. Se tivéssemos que dar autenticidade a Chico Xavier, levando em conta sua figura "boazinha" que foi, teríamos que aceitar coisas surreais e aberrantes, em muitos casos sobrenaturais.

Não tem outra escolha. Ou contestamos Chico Xavier em nome da coerência dos fatos e da realidade, por mais dolorosa que esta seja, ou aceitamos tudo e fiquemos felizes e deslumbrados com tantos absurdos e fantasias dignas da ficção surrealista.

Só que não pensamos assim. Se questionamos Chico Xavier, apresentamos provas e argumentos. O mais doloroso é que essas provas e argumentos vão CONTRA a imagem deslumbrada de Chico Xavier, um velhinho de contos-de-fadas que havia sido encarnado, mas mesmo assim repousa até hoje nas mentes infantilizadas e teimosas de seus seguidores deslumbrados.

Temos que admitir que, analisando as obras de Chico Xavier, vemos contradições muito graves. São coisas preocupantes, desde fraudes nas supostas psicografias até mesmo transmissão de ideias que contrariam severamente o pensamento de Allan Kardec. E ainda dizem que o "médium" mineiro havia sido reencarnação do professor francês, e muitos acreditam nessa tolice!

É tanta confusão e muita incoerência, e elas não partem dos opositores de Chico Xavier. Não, não se trata de campanha contra uma "figura do bem". Trata-se de uma série de questionamentos e contestações, feitas calmamente em análises cuidadosas, e elas apontam sempre para hipóteses que prejudicam a reputação do até hoje festejado anti-médium brasileiro.

Não há como ver em Chico Xavier qualquer exemplo de coerência e bom senso. Até a tão alegada honestidade falha em muitos casos, como a usurpação tendenciosa de Humberto de Campos que soa como uma vingança de Chico com a resenha nada generosa que o autor maranhense fez em vida.

Como se fosse um feiticeiro de contos-de-fadas, Chico Xavier parecia ter dito: "Vou 'transformar' Humberto de Campos em padre. Vou escrever tudo como se fosse vindo de pároco de igreja e botar tudo no nome dele".

Era como uma revanche contra Humberto, que criticou a concorrência que teriam os autores vivos com obras atribuídas a autores mortos. Ironicamente, o Humberto das obras produzidas em vida foi passado para trás pelas obras supostamente atribuídas à sua "autoria espiritual".

E Chico Xavier, num único caso em que a usurpação indevida do nome de outrem não só é autorizado pela Justiça como também é estimulado e legitimado pelos seus seguidores, representa o quanto a impunidade pode ser apoiada até com entusiasmo, dependendo da pessoa.

Pois Chico Xavier foi o pioneiro nos fakes fazendo o mesmo que muitos internautas irresponsáveis fizeram, escrevendo textos próprios mas botando autoria de escritores falecidos ou, às vezes, até vivos, mas é poupado de qualquer crítica e as pessoas não desconfiam sequer do conteúdo das mensagens, aceitando a autoria "espiritual" mesmo quando ela destoa dos estilos originais dos autores alegados.

E isso deu origem a uma série de confusões e contradições, criando conflitos até entre os próprios seguidores de Chico Xavier, uns definindo ele como "profeta" e "cientista", outros o creditando apenas como "filantropo", quando muito "ativista" e "filósofo".

A partir de Chico Xavier, o próprio "espiritismo" brasileiro virou um rol de confusões, escândalos, conflitos, divergências e tudo isso levando em conta apenas as correntes igrejistas. Se diante desse quadro de muita confusão, em que num certo momento até Chico Xavier e Divaldo Franco se desentendem em vários pontos, onde encontrar coerência nisso?

Não há como. Onde existe confusão, não há como encontrar morada segura e confortável na coerência. O bom-mocismo "espírita" faz de tudo para arrumar aposento para a coerência dentro de seu cortiço doutrinário de confusões, escândalos e controvérsias.

Mas é impossível. A coerência é irmã da lógica e do bom senso, e se observarmos bem, toda a trajetória do "movimento espírita" é marcada por atitudes e procedimentos que contrariam o legado de Allan Kardec. Ele, a verdadeira personificação da coerência e do bom senso.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

"Espíritas" brasileiros acendem velas para forças antagônicas


Os "espíritas" insistem em contradições. Se contradizem o tempo todo, achando que dizer uma coisa e fazer outra é "ter equilíbrio". Como se hesitação fosse sinônimo de moderação, como se a incoerência pudesse ser o remédio certo contra supostos radicalismos.

Os líderes "espíritas", com sua habitual mania de serem os mercadores da "boa palavra", sempre dando a impressão de quererem passar "coisas boas", sempre se contradizem, como se estivessem acendendo velas a duas forças antagônicas: o Espiritismo original e a sua forma deturpada que conhecemos no Brasil.

É muito fácil que um escritor ou palestrante do "movimento espírita" venha com textos contraditórios aqui e ali, achando que não existem critérios para transmitir mensagens de "amor e bondade". Medem o teor de cada mensagem pelo sabor de mel que produz, e se satisfazem em confundir as pessoas aqui e ali, desde que o que ele transmitiu para leitores e ouvintes seja "em prol da ação do bem".

As doses diabéticas de açúcar que estão nestas mensagens "elevadas" de "amor e paz", em verdade, carregam o teor nada nutritivo da pieguice que conforta e acomoda, que tranquiliza e alegra, mas que nada traz de útil nem de proveitoso e, muito menos, de honesto e transparente.

De um lado os palestrantes e articulistas "espíritas" devotam "completa e rigorosa fidelidade" ao pensamento de Allan Kardec. Estufam seus peitos e se orgulham em dizer ou fazer-nos crer de que sempre tiveram fidelidade ao pensamento e às recomendações do professor lionês.

De outro lado, os mesmos palestrantes e articulistas se felicitam em publicar frases de Francisco Cândido Xavier, Emmanuel, André Luiz, ou de Divaldo Franco e seus consortes, gente que comprovadamente difunde ideias contrárias ao pensamento de Allan Kardec, queiram ou não queiram os "espíritas" brasileiros.

Pior é que esses palestrantes e articulistas não desistem. Eles são dotados da vaidade dissimulada pela roupagem "humilde" e "bondosa" que a capa da religião reveste com verossimilhança perfeita, em que o faz-de-conta do bom-mocismo "espírita" chega a parecer acima de qualquer suspeita, o que surpreende como a roupagem de "bondade" pode intimidar as pessoas.

Com essa vaidade dissimulada, eles acreditam que possuem a consciência tranquila. Eles acham que não cometem qualquer contradição, porque tudo o que escrevem é "puro amor e bondade". Se acham no direito de se julgar que estão "de acordo com Kardec" só porque são "bonzinhos".

Daí que eles se acham no direito de evocar Erasto, citar o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos e tudo, mas só os usam de maneira tendenciosa, Ninguém percebe o quanto os palestrantes e articulistas do "movimento espírita" só selecionam o que acham "interessante" dos textos de Allan Kardec e os usam em causa própria.

Isso se torna traiçoeiro e o leitor não percebe o quanto as palavras melífluas escondem tantas mentiras. Há mistificações, fantasias, atentados à lógica e à coerência, e tudo isso é disfarçado por uma roupagem "benevolente", de frases bonitas, palavras boazinhas e recados alegrinhos.

Quanto são criticados, os "dóceis" palestrantes e articulistas reagem com "muita tristeza", diante de "lamentáveis reações" contra suas obras em "prol do bem". Eles cometem atrocidades em relação às lições arduamente desenvolvidas por Kardec e ainda se passam por vítimas, quando são duramente criticados.

Isso cria um ciclo vicioso. Os "espíritas" deturpam as lições de Allan Kardec e dissimulam tudo com toda uma roupagem de "amor e bondade" em mensagens supostamente "positivas". Quando são criticados, fazem sua choradeira e acham que estão sendo injustiçados. E ainda julgam estar com a consciência tranquila pelo que fazem. Assim fica muito complicado, se não contestá-los de vez.

domingo, 13 de dezembro de 2015

Três grandes razões para não levar 'Parnaso de Além-Túmulo' a sério


Para quem não entende ainda as irregularidades na "mediunidade" de Francisco Cândido Xavier, mostramos nesta postagem as razões da inutilidade e do desvalor da primeira suposta psicografia em livro feita pelo anti-médium mineiro, Parnaso de Além-Túmulo, de 1932.

Um dos "ovos da serpente" de tantas mistificações e deturpações que o "movimento espírita" fez contra a doutrina de Allan Kardec, constituindo nos inimigos internos alertados por Erasto em mensagens espirituais na França, o livro poético é, comprovadamente, uma coleção de pastiches literários.

Deixamos aqui três grandes motivos que mostram o quanto o livro não tem a menor serventia e, seguramente, merece o lixo das péssimas publicações literárias, e o fato de ninguém ter combatido o livro de forma firme e decidida permitiu que o mito do charlatão Chico Xavier crescesse em proporções altamente preocupantes.

Se este livro tivesse sido descartado e tomado como uma coleção deplorável de plágios literários, o mito de Chico Xavier talvez nem tivesse nascido. O católico paranormal pararia por aí, como um moleque de 22 anos que tentou enganar as pessoas com obras poéticas tidas como "espirituais" e que não condizem com os estilos dos autores originais.

Várias considerações confirmam, sem raivas nem rancores - qualidades negativas que os fanáticos seguidores de Chico Xavier tanto atribuem a quem reage contra o trabalho deixado pelo anti-médium - , mas com observação apurada e precisa, que o livro poético não tem a menor serventia e merece o esquecimento e o total desprezo dos que procuram obras literárias verdadeiras. Destacamos três:

1) O pastiche não consiste em apontar semelhanças, mas as diferenças que se chocam com as fontes originais.

A intenção do falso é sempre parecer verdadeiro. É evidente e indiscutível que o esforço de alguma falsificação seja de se assemelhar com o verdadeiro, de "lembrar o verdadeiro", de buscar a melhor semelhança possível com o autêntico, o genuíno. Portanto, não são as semelhanças que indicam que o que soa falso é ou não autêntico, mas as diferenças e os pontos sutis que destoam das fontes originais, quando o falso falha - e sempre falha - diante da reprodução das caraterísticas do original.

O não reconhecimento deste detalhe fez com que Parnaso de Além-Túmulo fosse tido como "verdadeiro" porque as pessoas só notaram as semelhanças, e não as diferenças, entre os estilos poéticos dos autores alegados e as obras que estes deixaram em vida.

2) O livro, tido como "obra acabada da espiritualidade superior", foi remendado cinco vezes.

Um aspecto que contraria, definitivamente, a ideia de que Parnaso de Além-Túmulo, como se poderia esperar se considerarmos a "figura evoluída" de Chico Xavier, seria uma "obra acabada" enviada por "benfeitores espirituais", é o fato de que o livro teve que ser reparado cinco vezes.

Não são revisões editoriais inocentes nem necessárias, e nem por motivações nobres. Umas revisões foram feitas porque críticos apontaram erros poéticos. outros porque acharam determinado poema muito agressivo, e havia também os acréscimos poéticos baseados em algum oportunismo. As revisões, além disso, foram muitas e extremas e a mais longa foi a última.

Cinco edições foram lançadas antes da "definitiva": a primeira em 1932, seguida das de 1935, 1939, 1944 e 1945. Para a última, de 1955, foi feito um longo trabalho de revisão, por dez anos, e o que mais causou escândalos e polêmicas pelo caráter longo e tendencioso do "trabalho".

Foi através da elaboração da sexta e última edição que Chico Xavier, em carta ao presidente da Federação "Espírita" Brasileira, Antônio Wantuil de Freitas, deixou vazar que o trabalho era feito por editores da FEB, o que confirma a "inconcebível" tese de Alceu Amoroso Lima que tanto ofende os "espíritas".

Em uma carta de 1947, Chico cita Wantuil e o editor da FEB, Luís da Costa Porto Carreiro Neto, como colaboradores da revisão de Parnaso de Além-Túmulo. O "médium" admite, nesta carta, "não ter tempo" para rever cuidadosamente o conteúdo do livro, e agradecia a Wantuil e Porto Carreiro por ajudarem na revisão do livro.

A elaboração da sexta edição também revelaria o escândalo do sobrinho de Chico Xavier, Amauri Xavier Pena, que foi convidado a participar da elaboração do volume, e depois denunciou a "mediunidade" do tio como uma fraude. Estranhamente, Amauri foi morto poucos anos depois, uma tragédia precoce até para os padrões biológicos de quem apenas bebia muito álcool. Há indícios de "queima-de-arquivo" ordenada pelos líderes da FEB, mas ninguém se interessa a investigar o caso.

3) A qualidade poética dos textos é sofrível e mostra o estilo pessoal de Chico Xavier.

Analisando cuidadosamente o conteúdo do livro poético, nota-se que, em que pese a tentativa de semelhança poética, principalmente na forma, dos poemas "espirituais" com o legado de seus supostos autores deixado em vida, nota-se uma queda de qualidade poética muito grande.

Em que pese a imitação de clichês estilísticos - como a postura abolicionista de Castro Alves e as lembranças da infância de Casimiro de Abreu - , há uma queda da expressão poética, que mostra ainda o caráter monotemático referente à religiosidade de Chico Xavier, praticamente uma obsessão em toda a sua obra "mediúnica".

Nota-se, por exemplo, que os poemas se tornam mais cansativos e sem musicalidade. Olavo Bilac "aparece" sem a métrica caraterística de seus poemas belamente escritos. Auta de Souza "deixa" de lado seu estilo ao mesmo tempo feminino e infantil de lirismo poético para "reaparecer" escrevendo versos iguais às famosas frases de Chico Xavier que hoje enfeitam as mídias sociais na Internet.

Décadas mais tarde, avaliando o caso dos pastiches poéticos de Chico Xavier, o jornalista da revista Realidade, Léo Gilson Ribeiro, fez um comentário bastante irônico sobre as supostas psicografias: "o espírito sobe, o talento desce".

CONCLUSÃO

Estas considerações mostram o quanto não se pode levar Parnaso de Além-Túmulo a sério. Não há como dar crédito usando o critério de bondade, porque isso não serve. Não dá para recorrer ao bom-mocismo para legitimar a fraude e a mentira, se elas se mostram evidentes diante da menor observação.

Se tivéssemos invalidado o livro poético de 1932, certamente o mito de Chico Xavier não teria crescido. Ele se limitaria a um católico paranormal que ficaria limitado às antologias das aberrações e dos fatos pitorescos. Não seria o mito difícil de ser derrubado de hoje, através de um lobby que envolve de líderes religiosos a oligarquias midiáticas.

Dessa forma, teríamos cortado o mal pela raiz e não precisaríamos recorrer aos esforços do argumento lógico e do bom senso para mostrar o quanto Chico Xavier nunca passou de um charlatão metido a "bonzinho", que fazia pastiches literários e outras fraudes acobertadas por estereótipos viscosos e melosos de "amor e bondade".

O Brasil seria outro sem Chico Xavier. Seria um país bem melhor.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Interesses comerciais norteiam produção de livros "espíritas"

"ESPIRITISMO" SEM KARDEC - Feira de livros em Resende enfatizou as obras mistificadoras de Chico Xavier.

Num país sem hábito regular de leitura, como o Brasil, é estranho que o "movimento espírita" invista na literatura como ênfase para sua suposta caridade. A partir da figura de Francisco Cândido Xavier, num Brasil ainda com altos índices de analfabetismo, como foi antigamente, lançar livros constituiu numa pretensa e estranha campanha filantrópica.

Por que tanto destaque à produção literária, se no Brasil ainda é problemática a cultura de leitura de livros? Mesmo quando o mercado literário se tornou mais popular nos últimos anos, a situação ainda é problemática, pelo próprio contexto em que vivemos.

Recentemente, tivemos o fenômeno dos "livros para colorir", dando cores surreais ao mercado literário que é, evidentemente, para publicações com textos, livros para serem lidos. A desculpa da "busca ao tesouro antiestresse" não colou, e os muitos jardins e florestas murcharam depois de estarem nas listas de 20 mais pedidos.

Muitos tomaram conhecimento que o papel é um material caro, e a produção de livros para colorir foi um grande desperdício. Afinal, são gravuras que podem ser baixadas na Internet com facilidade e, ainda assim, os "leitores" de livros para colorir nunca têm paciência para pintar todos os desenhos presentes em suas páginas. Eles geralmente pintam, quando muito, dez páginas, e param por aí.

Com o fim desse modismo, como atestam as listas de livros mais vendidos este mês, manteve-se outros que se referem à literatura água-com-açúcar ou, quando muito, por mero entretenimento, sem o compromisso de aprimorar o conhecimento.

Dessa forma, vieram livros sobre biografias de cachorros com nomes de músicos, puxando a onda do cinematográfico Beethoven, depois consagrada pelo livro Marley e Eu e culminada num livro chamado John & George que não fala dos dois falecidos ex-Beatles, mas de um sujeito chamado John com seu fiel cão chamado George.

Ao lado de "livros para colorir" e "biografias de cachorros com nomes de músicos", percorrem livros de auto-ajuda, obras de padres aeróbicos e livros de vlogueiros ou youtubers (pessoas que fazem sucesso no YouTube) que geralmente combinam frivolidades com senso de humor cínico.

Livros que contam fatos históricos, que apontam crises no cenário político e cultural, que produzem uma ampla e fundamental gama de conhecimento, não conseguem ser vendidos, e, quando seus autores são emergentes, o fracasso é praticamente certo.

KARDEC LANÇOU POUCOS LIVROS

Dentro desse cenário de erosão cultural que o crescimento do mercado literário não conseguiu amenizar, até porque a quantidade de livros a serem lidos não corresponde à qualidade de seu conteúdo, o "movimento espírita" cria um mercado literário próprio, mas também muito perigoso, que praticamente desmoraliza todo o trabalho feito por Allan Kardec.

Kardec era detentor de uma bibliografia quantitativamente modesta. Como o pedagogo Leon Rivail (seu nome de batismo), não lançou mais do que nove livros, que reúnem suas ideias em prol da educação pública e dos programas de ensino na França.

Com o famoso codinome do pensador espírita, publicou cerca de oito livros, dos quais cinco são considerados "obras básicas": O Livro dos Espíritos (1857 / edição definitiva em 1860), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).

A consideração dos cinco títulos como básicos é controversa, e equivocadamente definida pelos "espíritas" brasileiros como "pentateuco", numa alusão a cinco livros da Bíblia (Gênese, Êxodo, Números, Levítico e Deuteronômio).

Afinal, muitos especialistas na Doutrina Espírita original afirmam que os livros O Que É O Espiritismo, de 1859, e Obras Póstumas, de 1890, também apresentam conceitos fundamentais para quem quer iniciar-se no Espiritismo, já que o primeiro traz uma síntese do pensamento kardeciano e o segundo acrescenta dados importantes aos cinco livros.

Portanto, se a quantidade de livros produzidos por Allan Kardec é modesta, ela primava pela honestidade e abrangência de seu conteúdo. Se Kardec escreveu intensamente, foi para esclarecer o máximo possível sobre o assunto, muito complexo no seu tempo, que era o Espiritismo. Além disso, ele escreveu para a Revista Espírita, entre janeiro de 1858 até o mês de seu falecimento, março de 1869,

Além de Revista Espírita, que virou uma compilação de vários volumes que aprofundavam o pensamento kardeciano, Kardec também lançou Viagem Espírita em 1862, em 1867, no qual relata as viagens feitas entre 1860 e 1867 - principalmente no ano de 1862 - para fazer palestras e conferir a repercussão da Doutrina Espírita na Bélgica e no interior da França.

O FALSO LIVRO ATRIBUÍDO A ALLAN KARDEC

Convém tomar muito cuidado com o livro A Prece Segundo o Evangelho, supostamente uma seleção de preces contidas em O Evangelho Segundo o Espiritismo. além de dois de seus capítulos. A publicação é tendenciosa e feita sob o ponto de vista da tradução da Federação "Espírita" Brasileira e, de forma hipócrita, ainda usa o livro-fonte como título original da pretensa publicação.

Além do mais, A Prece Segundo o Evangelho, tem um agravante. Uma mensagem de um falso Allan Kardec aos brasileiros é publicada, com uma linguagem diferente, pois, em vez de um pedagogo de frases objetivas e análises simples, surge um padre de discurso ufanista, apelos piegas e pretensa erudição nas palavras.

O pseudo-Kardec aparece sob o título Instruções de Allan Kardec aos Espíritas do Brasil,
ditadas ao médium Frederico Júnior, em 1888 e 1889, na Sociedade espírita "Fraternidade", no Rio de Janeiro, em 05 de fevereiro de 1889. O suposto Kardec exaltava o "anjo" Ismael, tido como o "protetor" do "movimento espírita" brasileiro.

O "Kardec da FEB", citando expressões estranhas e jargões tipicamente próprios à federação, como "casa-máter", "Templo de Ismael", "Revelação da Revelação" (alusão ao livro Os Quatro Evangelhos de Jean-Baptiste Roustaing, que o verdadeiro Allan Kardec reprovou), "em Espírito e Verdade" (jargão roustanguista) e ainda por cima adotava posturas roustanguistas. Além disso, o "Kardec da FEB" usava jargões como "espíritos das trevas" que o professor lionês nunca usaria.

Embora o pseudo-Kardec fale de "coisas boas" como Caridade e Fraternidade, o discurso soa agressivo, além de bastante prolixo, em que quase nada se diz em 11 páginas. Curiosamente, o verdadeiro Allan Kardec estava prevenido de "falsos Cristos e falsos profetas", e provavelmente saberia que também surgiriam "falsos Kardec". Alguns trechos:

"Mas, infelizmente, meus amigos, não pudestes compreender ainda a grande significação da palavra — Fraternidade!

Não é um termo, é um fato; não é uma palavra vazia, é um sentimento, sem o qual vos achareis sempre fracos para essa luta que vós mesmos não podeis medir, tal a sua extraordinária grandeza!

Ismael tem o seu Templo, e sobre ele a sua bandeira — Deus, Cristo e Caridade! Ismael tem a sua pequenina tenda, onde procura reunir todos os seus irmãos — todos aqueles que ouviram a sua palavra e a aceitaram por verdadeira: e chama-se Fraternidade!

Pergunto-vos: Pertenceis à Fraternidade? Trabalhais para o levantamento desse Templo cujo lema é: Deus, Cristo e Caridade?

(...)

Entretanto, dar-se-ia o mesmo se estivésseis unidos? Porventura acreditais na eficiência de um grande
exército dirigido por diversos generais, cada qual com o seu sistema, com o seu método de operar e com pontos de mira divergentes? Jamais! Nessas condições só encontrareis a derrota, porquanto — vede bem —, o que não podeis fazer com o Evangelho: unir-vos pelo amor do bem, fazem os vossos inimigos, unindo-se pelo amor do mal!

Eles não obedecem a diversas orientações, nem colimam objetivos diversos; tudo converge para a
Doutrina Espírita — Revelação da Revelação — que não lhes convém e que precisam destruir, para o que empregam toda a sua inteligência, todo o seu amor do mal, submetendo-se a uma única direção!"

A LITERATURA "ESPÍRITA" NO BRASIL: TUDO POR DINHEIRO

Os livros "espíritas" se tornaram um filão comercial não-assumido, feito "para a caridade", e se tornaram uma literatura de péssima qualidade, apesar dos clamores de muita gente que acredita que tais publicações do gênero sejam "de altíssimo nível".

Mesmo obras dos "renomados" Chico Xavier e Divaldo Franco são de péssima qualidade. A desonestidade doutrinária diz muito a respeito dessa constatação. Além do mais, são livros de narrativa prolixa e pedante, pretensamente eruditas, que não raro consistem de eventuais plágios literários e de vícios de linguagem diversos.

Quando as obras ainda são atribuídas, tendenciosamente, a nomes ilustres, como Humberto de Campos, a coisa torna-se desastrosa, pois nota-se a disparidade do estilo dos "autores espirituais" com o que eles faziam em vida, o que rendeu, do jornalista Léo Gilson Ribeiro, na época da revista Realidade, um comentário irônico: "O espírito sobe, o talento desce".

Fora a pompa dos anti-médiuns que atingem o estrelado, as obras "espíritas" geralmente são folhetins ou romances de ficção científica, de péssima qualidade, conteúdos piegas e pregação moralista, de conflitos emocionais, ajudas paternalistas, além de apelos ao conformismo e à devoção religiosa.

Existem até clichês de romances "espíritas", nos quais se criam pastiches de Em Algum Lugar do Passado (Somewhere in Time), filme definido como ficção científica e que, sendo estrangeiro, não compartilha com as delirantes abordagens "espíritas" brasileiras, com Nosso Lar, além de seguir uma fórmula de narrativa trazida pela novela A Viagem, de Ivani Ribeiro.

Veio uma onda de folhetins que eram lançados com entusiasmo pela imprensa "espírita" pelo menos regional, mas que sumiram na poeira do tempo. É certo que os líderes "espíritas" tentam minimizar o problema, dizendo que "existem obras ruins, sim", mas eles não percebem que até Chico Xavier e Divaldo Franco merecem ir para o lixo, da mesma forma que os "autores menores".

A literatura "espírita", com seus romances e seus tratados "teóricos", com seus livros de auto-ajuda enrustidos, com suas obras pseudo-científicas, simplesmente não passou de um engodo que deprecia o esforço árduo de Allan Kardec de lançar ideias que, no caso do Brasil, foram praticamente ignoradas.

E, quem imagina que a literatura "espírita" é feita para a caridade, é bom prestar atenção para a euforia maior que a festa. Afinal, alguém acha que as pessoas ficariam realmente eufóricas por saberem que a renda da venda de seus livros iria, de fato, para o sustento dos pobres e desamparados?

Muitos autores "espíritas" se enriqueceram e obtiveram conforto com isso. Até Divaldo Franco se diverte viajando, com as passagens pagas pelo dinheiro da "caridade" - não muito diferente de políticos viajando pagos pelo dinheiro público - , e nota-se, nos "centros espíritas", seus membros exibindo carrões e deixando joias brilhando dentro de seus apartamentos de luxo.

Tudo isso é comércio, é exploração da fé alheia em nome do lucro financeiro. Quase nada vai para os pobres e desamparados. É como naquelas estórias de desenho animado, em que um personagem ganancioso, ao distribuir o dinheiro para seus subordinados, comete desigualdade quando faz e diz: "um pra você, outro pra você, dois, três, dez para mim". Para o "movimento espírita", é um punhado de dinheiro para os pobres, um montão para suas lideranças.