terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A verdade sobre as crianças-índigo


O texto que publicaremos é uma denúncia grave que os espíritas autênticos, postos à margem pelo "movimento espírita" original, descreveu sobre a farsa das "crianças-índigo" que, a julgar pelos fatos e pela forma com que os "espíritas" igrejeiros - ligados aos chamados "médiuns espíritas" como Chico Xavier e Divaldo Franco - veem as ocorrências no Brasil, parece se identificar com o perfil impetuoso de movimentos reacionários como o Movimento Brasil Livre.

A culpa não é nossa. Periódicos e palestrantes "espíritas" definiram as passeatas do "Fora Dilma" como "início da Regeneração" e, a julgar pelo que Divaldo Franco havia dito sobre as transformações da humanidade, somos obrigados, pelos fatos, a ver em figuras como Kim Kataguiri, Renan Santos, Rogério Chequer e Fernando Holiday, para não dizer Alexandre Frota, como as "crianças-índigo" sonhadas pelos "espíritas".

Deixamos então que o texto nos informe a respeito dessa ilusão das "crianças-índigo", lançada por Nancy Ann Tappe e, depois, por Lee Carroll e sua então esposa Jan Tober, que vemos uma discriminação contra pessoas de inteligência e iniciativa, jogadas no mesmo balaio de supostos rebeldes agressivos e reacionários. Uma gororoba que Divaldo Franco quis vender como "profecia de um Brasil melhor" e a complementou no projeto de "coração do mundo" sonhado pelo amigo Chico.

O texto apenas não menciona o nome de Divaldo, mas é explícita a sua participação na farsa, o que o desqualifica como espírita autêntico que muitos seguidores e tantos outros complacentes pensavam sobre ele, no seu wishful thinking de ver um deturpador "aprendendo as coisas" e tentando recuperar as bases doutrinárias. Vamos ao texto:

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Os obscuros conceitos de uma seita

Paulo Henrique Figueiredo - Casa Espírita Nova Era (Página em prol da fidelidade doutrinária espírita) - 09 de julho de 2007

As suspeitas levantadas sobre essa obra nos motivaram a investigar mais profundamente seus autores, a origem, as finalidades de sua publicação, e quem está divulgando seus conceitos no país em que surgiu, os Estados Unidos. O que encontramos é grave e é preciso esclarecer os fatos.     

Desde 2006, pesquisadores espíritas, como Rita Foelker, Dora Incontri, Heloísa Pires, e a Revista Universo Espírita vêm alertando para as inúmeras contradições entre a Doutrina Espírita e o best-seller Crianças Índigo, publicado nos Estados Unidos em 1999, e no Brasil em 2005.

Algumas das características das crianças índigo são alarmantes:

“Nascem, sentem-se e agem com realeza. (...) Conseguem inverter as situações, manipulando ao invés de serem manipulados, especialmente seus pais. (...) Não se relacionam bem com pessoa alguma que não seja igual a elas. (...) Alguns têm propensão ao vício, especialmente drogas durante a adolescência”.

Citada em Crianças Índigo como a primeira a supostamente reconhecer a aura azul dessas crianças, diz a vidente Nancy Ann Tappe:

“Todas as crianças que mataram colegas de escola ou os próprios pais, com as quais pude ter contato, eram índigos. Eles tinham uma visão clara de sua missão, mas algo entrou em seu caminho e elas quiseram se livrar do que imaginavam ser o obstáculo. Trata-se de um novo conceito de sobrevivência. Todos nós possuíamos esse tipo de pensamento macabro quando crianças, mas tínhamos medo de colocá- lo em prática. Já os índigos não têm esse tipo de medo”.

Esse é o novo conceito de sobrevivência das crianças índigo? Matar os pais e colegas de escola? O que isso tem a ver com o Espiritismo?

A pedra angular é a fraternidade

Os Espíritos da Codificação realmente anunciaram uma nova geração, mas nos seguintes termos: “Cabendo a eles fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma precoce inteligência e razão, juntas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, constituindo um sinal indiscutível de um adiantamento anterior”, explicaram em A Gênese.

Os Espíritos estão falando de progresso moral e de uma geração com o sentimento inato do bem. Isso pressupõe a habilidade de resolver conflitos, paciência, solidariedade e tolerância. Segundo o Espiritismo, “a fraternidade será a pedra angular da nova ordem social”. Já as crianças índigo descritas são revoltadas, agressivas e prepotentes. A chegada de uma nova geração anunciada na Doutrina Espírita nada tem a ver com o conceito de Crianças Índigo pertencente à seita estrangeira criada por Lee Carroll.

As suspeitas levantadas sobre essa obra nos motivaram a investigar mais profundamente seus autores, a origem, as finalidades de sua publicação, e quem está divulgando seus conceitos no país em que surgiu, os Estados Unidos. O que encontramos é grave e é preciso esclarecer os fatos.

O Grupo Iluminação Kryon

Um dos autores de Crianças Índigo é Lee Carroll, formado em Economia pela Universidade da Carolina do Norte. Durante 30 anos trabalhou em sua empresa de engenharia de som, em Del Mar, San Diego, onde vive até hoje.

O ano em que tudo começou foi1989, quando um sensitivo disse ter visto ao lado de Lee Carroll uma entidade extraterrestre que se identificou pelo nome “Kryon”.

Intrigado, Lee começou a “canalizar” (esse é o nome que ele dá para as psicografias) textos da entidade extraterrestre Kryon num grupo esotérico de sua cidade.

A co-autora do livro Crianças Índigo é a cantora Jan Tober, ex-mulher de Lee Carroll. Ela o ajudou a criar uma seita própria, o Grupo Iluminação Kryon, em 1991.

Durante 10 anos, as mensagens renderam a publicação de 12 livros, As edições, traduzidas para 23 línguas, venderam mais de um milhão de exemplares.

Os encontros do Grupo Iluminação Kryon, onde é possível consultar-se pessoalmente com Kryon por meio de Lee Carroll, reúnem platéias pagantes de 3 mil pessoas. Elas lotam caríssimos salões e teatros da Europa e Estados Unidos. Lá também são vendidos livros, filmes, souvenires e bijuterias. As mensagens do extraterrestre Kryon na internet recebem cerca de 20 mil visitas por dia.

Uma tese panteísta

Quem é esse ser que se diz extraterrestre e que revelou as crianças índigo?

O site oficial da seita dá sua versão: 

“Kryon é o mais evoluído ser de luz a que a Terra jamais teve acesso. Proveniente do ‘Sol Central’, com a função primordialmente técnica ligada ao ‘serviço eletromagnético’. Foi enviado por um grupo de ‘Mestres Extrafísicos’, chamado ‘A Irmandade’. Veio dessa vez para reordenar a ‘rede magnética planetária’, visando uma série de mudanças magnéticas no eixo da Terra, que se encerrará no ano de 2012”.

Em O Livro dos Espíritos, “Jesus foi o ser mais puro que já apareceu na Terra”.

Ainda há muito mais. De acordo com Kryon, Deus não existe. Ele propõe o panteísmo, ou seja, segundo ele, “todos os seres do Universo são parte de um todo e as individualidades são apenas ilusões”.

Esse pensamento panteísta se opõe claramente aos ensinamentos do Espiritismo. Basta ler a o seguinte diálogo em O Livro dos Espíritos: “Que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo, seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade; ou seja, que pensar da doutrina panteísta?”, perguntou Allan Kardec. E os Espíritos responderam: “Não podendo ser Deus, o homem quer pelo menos ser uma parte de Deus.”.

Quem são as crianças índigo

A doutrina do Grupo Iluminação Kryon vai ainda mais longe. Damos aqui apenas um resumo das palavras de Kryon:

“Os seres humanos que vivem na Terra eram anjos muito evoluídos que assinaram um contrato para vivenciar uma experiência humana no planeta Terra, motivo pelo qual seríamos honrados e celebrados em todo o Universo.”

De acordo com o “extraterrestre”, “a humanidade atingiu a ‘Convergência Harmônica’ necessária. Essa experiência é a de vivermos com um nível vibracional rebaixado para a terceira dimensão, sem as memórias ou lembranças de nossa origem divina”.

O que seria “Convergência Harmônica”? Nos livros psicografados por Lee Carroll, informações pseudocientíficas como essa estão por todo o texto, sem explicação alguma.

Segundo Kryon, desde 1987 estariam nascendo crianças com o DNA alterado, que seriam as tão comentadas “crianças índigo”. Há também referências às crianças cristal.

Todavia, de acordo com a Doutrina Espírita a moral é um atributo do Espírito e não do corpo. Nenhuma alteração do DNA transformaria moralmente indivíduo algum.

E quais as conseqüências dessa suposta mutação das crianças? Segundo o extraterrestre Kryon, “elas se tornarão uma nova raça que irá habitar uma galáxia que está sendo criada a 12 bilhões de anos-luz da Terra”. A astrofísica está bastante avançada e podemos afirmar que a idéia da criação tardia de uma galáxia não tem embasamento científico algum.

Mais uma vez, é Kardec quem alerta: “Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido”, em O Livro dos Médiuns.

Idéias estranhas

As mensagens publicadas no site da seita criada por Lee Carroll falam do novo acontecimento programado, segundo ele, para 2012: “Celebremos o fim do teste! As estrelas são nossas. Agora é chegado o momento de uma parte da família ir para casa, precisamente em 2012. E ele, Kryon, estará lá quando chegarmos”.

Sobre questões como essa, disse Kardec: “Os bons Espíritos nunca determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação”, em O Livro dos Médiuns.

Nos encontros do grupo, Kryon responde indagações do público que paga para ser atendido. Um adepto perguntou: “Querido Kryon, na Califórnia você nos falou que segurar pílulas na mão pode curar. Isso eliminará os efeitos colaterais? É seguro ficar segurando Prozac?”. A resposta foi:

“Seu corpo sabe que substância vocês estão segurando. Portanto, é possível impregnar as propriedades da intenção de usar a substância em suas células. Assim não há o efeito colateral de uma droga, por exemplo. Apenas pensem... um frasco de aspirina ou antiácidos durará anos!”.

Kardec alertou: “Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança”, em O Livro dos Médiuns.

A fragmentação de um meteoro

Outra questão intrigante proposta por um seguidor da seita é sobre o fim do mundo: “Algum planeta irá se chocar com a Terra? Irá haver extinção da raça humana?”. E Kryon respondeu:

“Depende do que os Humanos fizerem. Já revelamos que, antes de começar a canalizar, em 1989, o primeiro trabalho conjunto de Kryon e Lee Carroll foi fragmentar um meteoro (Myrva) que vinha, realmente, em rota de colisão com a Terra. Era um dos instrumentos das catástrofes previstas para o fim do século”.

O Espiritismo afirma com clareza que o mundo não será destruído fisicamente: “Não é racional se suponha que Deus destrua o mundo precisamente quando ele entre no caminho do progresso moral, pela prática dos ensinos evangélicos”, em A Gênese.

Além dos milhares de dólares arrecadados pela venda de produtos, nos encontros da seita, há outra fonte de renda: os tratamentos patenteados por Peggy Phoenix Dubro, parceira de Lee Carroll.

Segundo as idéias da seita, as pessoas que nasceram antes de 1987 não são índigo, mas para ganhar o direito de habitar a nova “galáxia” poderiam ter seu DNA alterado por meio do tratamento proposto por Peggy Dubro.Eles criaram uma empresa, A Energy Extension Incorporation (Empresa de Ampliação Energética) que detém os direitos da Universal Calibration Lattice® (Malha de Calibração Universal), e também da EMF Balancing Technique® (Técnica de Equilíbrio). São tratamentos pagos aplicados nas sedes espalhadas pelo mundo (inclusive no Brasil).

Acreditamos que as informações listadas são suficientes para dar uma idéia do que está por trás da obra Crianças Índigo. Quem ainda desejar conferir os volumosos livros e mensagens “canalizadas” por Lee Carrol e tudo mais sobre a seita Grupo Iluminação Kryon basta digitar “Kryon” nos sites de busca da internet.

A maquiagem na edição brasileira

As obras de Lee Carroll adotam o panteísmo, doutrina negada pelo Espiritismo. Mas na edição brasileira os trechos panteístas foram alterados

Lee Carroll, que com Jan Tober escreveu Crianças Índigo, publicou outros 11 livros. Dez deles são psicografados, com a autoria creditada ao “extraterrestre” Kryon.Esses volumosos livros trazem muitos conceitos conflitantes com a Doutrina Espírita.

Já no primeiro, Os Tempos Finais, publicado em 1990, Kryon descreve seu ensinamento panteísta: “Todos nós estamos vinculados. Eu assino Kryon, mas pertenço à totalidade. Você é uma parte de Deus. Todos somos coletivos em espírito, mesmo enquanto vocês estão encarnados na Terra”.

Allan Kardec explicou essa doutrina em O Céu e o Inferno: “O panteísmo propriamente dito considera o principio universal de vida e de inteligência como constituindo a Divindade. Todos os seres, todos os corpos da Natureza compõem a Divindade (...). Esse sistema não satisfaz nem a razão nem a aspiração humanas”.

Constatamos, porém, um fato intrigante: todos os livros de Lee Carroll trazerem afirmações panteístas, mas na edição brasileira não há uma só frase. Assim, consultamos a edição original em inglês, The Indigo Children, de 1999. Estava lá, no depoimento da psicóloga Doreen Virtue, a seguinte frase, que traduzimos: “Todas as crianças de Deus são iguais, porque todos são um só ser”. A mesma frase na edição brasileira, na página 153, foi alterada para: “Todas as crianças de Deus são iguais, pois somos todos iguais”.

Encontramos outra alteração na página anterior, na qual lemos a seguinte frase: “Não existem indivíduos, apenas uma ilusão de que somos diferentes”. Mas a tradução da versã original é mais extensa: “Não existem indivíduos separados, apenas a ilusão de que os outros estão separados de nós mesmos”. Esta reproduz o panteísmo do extraterrestre Kryon, mentor de Lee Carroll.

A constatação desse fato nos levou a folhear o livro para conferir o restante da tradução. No depoimento da reverenda Laurie Joy, na página 164 do livro brasileiro, lemos a seguinte frase: “Kathryn Elizabeth, fala sempre de seu anjo da guarda. Depois vai brincar com as outras crianças”. Mas a tradução da obra original é diferente: “Kathryn Elizabeth fala sempre de seu anjo da guarda.

Depois sorri, dá a mão ao anjo, e os dois vão cavar túneis na areia”.

Há uma menção em Crianças Índigo sobre os livros psicografados do “extraterreste” Kryon por Lee Carroll. Mas na tradução brasileira há uma alteração que modifica o sentido, e faz parecer que Kryon é um médium, e que nada tem a ver com Lee Carroll.

Veja: “I sent him all the Kryon books by Lee Carroll…” (Versão original, p. 147).

“Enviei todos os livros de Kryon por Lee Carroll...” (Tradução correta).

“Enviei todos os do médium Kryon e Lee Carroll...” (Trecho alterado da edição brasileira, p. 162).

Peggy Dubro é uma integrante da seita “Grupo Iluminação Kryon”, onde atua como médium. Os seres que dirigem o grupo teriam transmitido a ela o “tratamento magnético para alterar o DNA”, denominada EMF Balancing Technique. Na versão brasileira, o fato foi alterado:

“She also channeled the Phoenix Factor information, which contained the EMF Balancing Technique...”. (Versão original, p. 226)

“Ela também recebeu mediunicamente a informação Phoenix Factor, que inclui a EMF Balancing Technique...”. (Tradução correta).

“Desenvolveu, igualmente, a informação Phoenix Factor, que inclui a EMF Balancing Technique...”. (Trecho alterado da edição brasileira, p. 243)

Na descrição do comportamento do rapaz Mark, ele demonstra o comportamento esquizofrênico de não distinguir o certo do errado. Na versão brasileira do livro Mark se torna apenas irresponsável.

“... could never see the consequences of his intended actions. He literally just did not get it. After the fact, his face would always be so blank, as if he couldn’t believe he hadn’t realized that what he was doing would get him into trouble…” (Versão original, p. 145).

“... O problema é que não entendia as conseqüências de seus atos. Ele literalmente não compreendia. Depois do ocorrido, ficava com o rosto sem expressão, como se não acreditasse que tivesse feito algo que lhe trouxesse problemas...” (Tradução correta).

“... O problema é que não entendia as conseqüências de seus atos. Cometia erros, mas não percebia que teria que pagar por eles...” (Trecho alterado da edição brasileira, p. 161).

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

"Guru dos coxinhas" e farsante, Sri Prem Baba esteve no Você e a Paz

SRI PREM BABA E DIVALDO FRANCO, NO 3º VOCÊ E A PAZ EM SÃO PAULO.

No caso da "farinata" do João Dória Jr., um escândalo que só não foi maior porque a imprensa blindou o anti-médium baiano Divaldo Franco - mesmo a imprensa de esquerda, temos que deixar claro uma coisa: quando uma festa organizada por um anfitrião mostra alguma coisa errada, o anfitrião responde pelo ato, mesmo se foi praticado por terceiros.

Ao anfitrião de uma festa, se pergunta de que forma ele deixou que entrasse na festa algum suspeito, que interesses estão em jogo, se o anfitrião apoia o suspeito etc. A ocultação da responsabilidade de Divaldo Franco no escândalo da "farinata" do prefeito de São Paulo foi um silêncio que falou muito mais na complacência que a imprensa como um todo têm em relação aos "médiuns espíritas", mais blindados do que os mais blindados políticos do PSDB.

A lógica é essa. Divaldo Franco é o anfitrião do Você e a Paz. Ele inclui várias crenças místicas ou religiosas, mas o organizador do evento é ele. Ele é que fica com os louros, é o primeiro a ser entrevistado, é a pessoa que aparece nos anúncios publicitários do evento.

Até mesmo nas ocorrências infelizes que ocorrem durante o Você e a Paz, Divaldo Franco responde como anfitrião e responsável por apoiar ou, pelo menos, aceitar tudo isso de bandeja. Até agora Divaldo não processou Dória pelo uso do nome do "médium" para a "ração humana" e não é por ocorrências infelizes que o "médium" será visto como figurante porque ele responde por tudo o que ocorrer no evento. O Você e a Paz é de Divaldo, que responde até mesmo por ocorrências infelizes.

Todavia, foi constrangedora a cobertura da "farinata" do prefeito da capital paulista pela imprensa. A omissão do nome do evento e, sobretudo, de Divaldo, rompeu com a honestidade ou firmeza jornalística e, em nome de um festejado ídolo religioso, fez-se o possível para omiti-lo de qualquer responsabilidade. Ninguém quer abrir mão das verborrágicas oratórias com gosto de mel e "em nome da paz" que faz Divaldo divertir as massas.

SRI PREM BABA E DIVALDO FRANCO APERTANDO A MÃO - DIVALDO GOSTA MUITO DE ESOTERISMO.

Mas o que chama a atenção são outros aspectos. A sintonia de Divaldo com o "atual momento", homenageando Dória, apoiando a "farinata", sendo entrevistado pela imprensa reacionária, participando de congresso "espírita" promovido pela mesma PUC gaúcha que acolhe Sérgio Moro e outros plutocratas, tudo isso deve ser levado em conta pela mídia alternativa, que faz contraponto à mídia hegemônica. Deixem Globo, Band e Abril blindar os "médiuns espíritas" sozinhas!

Não dá para as esquerdas aceitarem os "médiuns espíritas" por causa das paisagens de cenário de Teletubbies que ilustram seus memes ou pelo açúcar das palavras e outros apelos emotivos. Ou pelo verniz de "caridade" cujos resultados sociais são muito inexpressivos. Há que se questionar os "médiuns espíritas" com o mesmo empenho com que se faz em relação aos pastores neopentecostais.

SRI PREM BABA EM BOA COMPANHIA - AÉCIO NEVES E JOÃO DÓRIA JR..

Um caso que chama a atenção é que Sri Prem Baba, o esotérico farsante que virou o guru midiático do momento, esteve no Você e a Paz. E, se ele esteve no evento, Divaldo o convidou, ou consentiu que o esotérico fosse convidado.

Sri Prem Baba é um daqueles farsantes esotéricos que prometem "proteção espiritual" a famosos. Como o Maharishi Yogi, farsante que os Beatles, na boa-fé, o escolheram como guru até ser desmascarado depois. E como tantos outros esotéricos que vieram na onda hippie, cujo legado negativo, além das drogas e da utopia da "nova era", estava a religiosidade híbrida de muito igrejismo e muito esoterismo.

O "espiritismo" brasileiro aproveitou muito esse triste legado hippie (cujo efeito negativo foi a ascensão da Família Manson, seita macabra de Charles Manson, falecido há pouco). Divaldo Franco alega que, através de "tele-transporte", recebeu em um hotel outro guru farsante, o ilusionista Sai Baba, que entretinha as massas com supostos rituais de materialização de objetos.

Mas, dentro do próprio "espiritismo", o "médium" goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus, também banca o dublê de guru, recebendo famosos e se autopromovendo até mesmo com celebridades de esquerda, pois João de Deus é goiano (Goiás é reduto político de Marconi Perillo, do PSDB) e o próprio "médium" é um poderoso latifundiário, com faixas de terra surpreendentemente extensas para a dimensão de um Estado que foi até dividido (uma antiga parte de Goiás hoje é o Estado do Tocantins).

Mas João de Deus deixou a máscara cair e o "médium-fazendeiro", que havia sido celebrado como "amigo de Lula", manifestou claramente seu desejo de ver Sérgio Moro, o arqui-inimigo do petista, como presidente da República.

Sri Prem Baba tornou-se mais um esotérico acolhido por um "médium espírita". Ele é conhecido por ser o "guru dos coxinhas", oferecendo "assistência espiritual" para famosos que, em 2016, se comprometeram a lutar contra o governo Dilma Rousseff, convidando as elites brasileiras a se vestirem com a camiseta da CBG e gritarem "Fora Dilma".

Prem Baba também apareceu ao lado de João Dória Jr. e Aécio Neves, este um político mineiro conhecido pelo seu arrivismo e seu perfil bonapartista que encontraram afinidade mútua com o "médium" Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, o qual exercia com o tucano conterrâneo uma admiração mútua.

Prem Baba, na verdade, se chama Janderson Ferreira. Foi office-boy e cursou Psicologia. Virou o guru das elites conservadoras. Presta "orientação" e "proteção espiritual" aos empresários que fazem parte do movimento Renova BR, de preparação de políticos neoliberais, cujo um dos organizadores é Luciano Huck, cuja "caridade", mais espetacularizada que eficiente, é comparada com a do próprio Chico Xavier, também admirado pelo apresentador e possível presidenciável.

Como se vê, isso é mais um item para a coleção de incidentes nada progressistas que envolvem o "espiritismo" brasileiro, que não apoia o cenário político simbolizado por Michel Temer, tucanos, patos da FIESP e companhia por acidente.

Há afinidades de sintonia e de interesses e será necessário que a imprensa progressista inclua os "espíritas" na sua pauta de questionamentos, dando a ela o mesmo empenho contestatório que dá aos neopentecostais. Antes que a farsa do "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" se revele uma tirania teocrática, como foi no Catolicismo da Idade Média.

domingo, 14 de janeiro de 2018

"Cartas mediúnicas" foram mais frequentes durante a ditadura militar. Estranho, né?

CENA DO FILME AS MÃES DE CHICO XAVIER, PRODUÇÃO DA GLOBO FILMES.

Um dado deve chamar a atenção das pessoas. A produção mais intensa de "cartas mediúnicas" atribuídas a pessoas comuns mortas foi durante a época de convulsões sociais durante a ditadura militar, entre os anos 1970 e início dos anos 1980.

Tal atividade se revelou não apenas irregular como perversa. As "cartas" trazidas por Francisco Cândido Xavier tinham a caligrafia pessoal dele até nas assinaturas atribuídas ao respectivo morto (facilmente comprováveis se comparadas com as caligrafias dos documentos de cada falecido), e começavam quase sempre no risível clichê "Querida mamãe", as vezes acrescido de um "querido papai, querida irmã Fulana, tia Sicrana etc".

Mas o dado mais cruel está na própria exploração das tragédias familiares. Mesmo com a aparente certeza da "vida após a morte", há o prolongamento dos lutos familiares e, o que ainda é mais grave, a sua ostentação. Matérias assim servem de "prato picante" da mídia sensacionalista, que não só se serve do grotesco da violência, como também apela para a pieguice da religião.

Essa que é tida como "a maior bondade" de Chico Xavier é uma grande perversidade. Ostentou tragédias familiares de maneira exótica, expôs muitas mães em situações patéticas, em histerias ensandecidas por nada. Enquanto senhoras pulavam, gritando "É meu filho, é meu filho!", elas mal sabem que houve fraudes nas mensagens "mediúnicas", se esquecendo até mesmo que as informações dadas nas mensagens contém dados previamente dados a elas nos "auxílios fraternos".

CONVULSÕES SOCIAIS

O que vemos de estranho é que essas mensagens foram produzidas com grande intensidade durante a época da ditadura militar, servindo de "cortina de fumaça" para muitos conflitos humanos existentes e servindo de gancho para a promoção pessoal de um ídolo religioso, no caso Chico Xavier, às custas do sensacionalismo e da ostentação da tragédia alheia.

Chico Xavier era promovido a um pretenso ativista-filantropo e um ídolo religioso para o poder dominante evitar dois riscos estratégicos: um é a ascensão de pastores evangélicos que usam a TV como meio de se projetarem, daí a blindagem que a Rede Globo passou a dar ao "espiritismo" brasileiro, sobretudo aos "médiuns", que simbolizam um modelo "oficial" de "bondade humana" que encanta muita gente mas não afeta os privilégios das classes dominantes.

Há muita coisa negativa nessas "sessões mediúnicas". Sobretudo se percebermos que Chico Xavier tinha um fetiche por mortos prematuros, tidos como "exóticos", e é por isso que muitos dos seguidores do "médium" sempre perdiam um filho por tragédia repentina, dando indícios da "maldição dos filhos mortos" relacionada ao "médium".

Embora saibamos que o mundo espiritual existe e reencarnação também, é leviano e até perverso ficar glamourizando mortes prematuras. Cria-se uma catarse emocional de tal forma que os pais acabam "desejando" as mortes de seus filhos. De repente, o que seria saudade passa a ser um prazer desumano, e um aspecto muitíssimo grave também deve ser levado em conta: as mortes prematuras são reservadas àqueles que teriam muito o que fazer numa encarnação.

Que ninguém suponha, sequer, que o que a pessoa deixou de fazer numa encarnação por causa do falecimento prematuro possa ter, na encarnação seguinte, as mesmas condições da encarnação interrompida. Se sabemos que as coisas mudam drasticamente em cinco, dez ou vinte anos, quanto mais em cerca de cem anos!

Um exemplo ilustrativo é esse: uma moça morre prematuramente e deixa o noivo desolado. Este vive sua vida longamente, contrai outro casamento etc, embora a paixão da falecida noiva fosse insuperável. Mas, digamos que, na encarnação posterior, os antigos noivos reencarnam como irmãos, ou seja, filhos do mesmo pai e/ou da mesma mãe. Mesmo que as regras sociais permitam o amor conjugal entre consanguíneos, as condições sociais se tornam extremamente diferentes.

É cruel ficar feliz porque pessoas com um futuro pela frente perdem a vida de forma prematura, antes sequer de iniciar seus planos. Se a vida terrena tem um limite, biologicamente estimado em 80 anos, o ideal é que se defenda que quem possa aproveitar bem a vida chegue a esse limite, e cumprindo um caminho a seguir, em vez de perder o caminho no começo e deixar tudo a perder.

CONSERVADORISMO SOCIAL: MATA-SE O FUTURO, PROLONGA-SE O PASSADO

O que também chama a atenção é que a glamourização das tragédias prematuras a partir do processo tendencioso de "mediunidade" por Chico Xavier é que há toda uma simbologia moralista por trás, dentro de uma sociedade brasileira que, morbidamente, parece querer que pessoas modernas e progressistas morram cedo, enquanto nutrem um medo surreal de ver assassinos ricos morrendo doentes antes dos 80, 90 anos, e talvez até com bem menos.

Mas isso tem um fundo bastante conservador, e derruba a tese de que Chico Xavier é "progressista", tese sem fundamento que foi dada de graça, sem qualquer motivo plausível e apenas com uns apelos meramente emocionais. Isso porque Chico Xavier sempre foi uma figura conservadora, reacionária e de direita - sim, é isso mesmo - , e preocupa que setores das esquerdas sociais e políticas tivessem tido uma complacência bovina em relação ao "médium" que apoiou a ditadura militar.

A ideia dos mortos prematuros é essa: mata-se o futuro. Que o futuro fique "pousando" nas esferas espirituais até que a sociedade conservadora se prepare para aceitar tais mudanças. Não vamos dizer que os idosos não possam prolongar sua vida, mas há uma ênfase em pessoas retrógradas prolongarem suas vidas, sob a desculpa de "aprender com a velhice", mas tudo o que conseguem é prolongar a vaidade, a ganância e a presunção que não se abalam com o esgotamento físico.

Essa glamourização dos mortos prematuros não existe na Doutrina Espírita original e foi inventada pelo "espiritismo" brasileiro através de valores punitivistas da Teologia do Sofrimento e algumas reminiscências moralistas trazidas por Jean-Baptiste Roustaing, que valem para os "espíritas" até hoje.

SOBRA PARA AS VÍTIMAS DA DITADURA MILITAR

O processo de "cartas mediúnicas", o espetáculo sensacionalista trazido por Chico Xavier, revela outro dado: com a glamourização das mortes prematuras se cria uma sensação de que a morte de um jovem é "boa" e que, com isso, se cria um "sentimento de alívio" que faz com que a sociedade ache bom jovens de perfil arrojado ou moderno terem morte prematura.

Isso, subliminarmente, significa um processo de anestesia social que tem um objetivo maior: tirar das pessoas a indignação pelas mortes precoces, ou, ao menos, no caso de mortes violentas, miminizar a revolta. Isso é uma forma de reeducação emocional? Não, necessariamente, porque a ideia é resignar as pessoas com as mortes prematuras, e, com isso, também dissolver as revoltas contra as vítimas da ditadura militar, muitas delas também jovens.

Com isso, a anestesia social, já reforçada com os apelos moralistas e conservadores (sim, conservadores) de Chico Xavier, que, com base na Teologia do Sofrimento, pedia para os sofredores aguentarem calados as desgraças da vida, sem esboçar um pingo de indignação (por isso Chico é conhecido pejorativamente como "AI-5 do bem") se desenvolve.

Através da glamourização dos mortos prematuros, faz-se com que a sociedade resignada, ao aceitar as mortes precoces dos jovens comuns, aceite também as mortes dos prisioneiros da ditadura militar. E, com isso, passe também a aceitar a ditadura militar ou os regimes "democráticos" mais conservadores (como o que hoje prevalece, desde 2016), anulando a revolta e aceitando sofrer desgraças e perdas, como numa sensação de masoquismo religioso.

sábado, 13 de janeiro de 2018

As sintonias mútuas de Chico Xavier e Aécio Neves

CHICO É AÉCIO, AÉCIO É CHICO.

Muitos "espíritas" podem torcer o nariz, mas dois mineiros aparentemente diferentes revelam não só afinidades de trajetórias como admiração mútua, e isso é comprovado por fatos e por ideias, e, queiram ou não queiram as pessoas, isso não é relato de invejoso nem invenção de fake news.

Francisco Cândido Xavier, para desespero de muitos, foi um arrivista no qual foram identificadas irregularidades diversas e muitas confusões em sua trajetória, que nunca teve a limpidez e a coerência que tanto se atribui.

Chico Xavier criou obras fake tidas como psicográficas, que uma leitura simples consegue ver que escapam dos estilos pessoais dos autores alegados, mas refletem o estilo pessoal do "médium". Chico também teve outros aspectos sombrios, como a defesa da ditadura militar em um programa de TV de grande audiência, com direito a comentários raivosos contra camponeses, operários e sem-teto, gente humilde que é "condenada" por organizar-se politicamente.

Mas outro aspecto sombrio que chama atenção é justamente o que oficialmente é definido como a "sua maior bondade": a divulgação de "cartas mediúnicas", atribuídas a familiares mortos, que, além de apresentarem indícios fortes de obras fake, com denúncias de "leitura fria" e copidescagem bibliográfica, exploram de maneira ostensiva as tragédias familiares, superexpondo os parentes vivos, prolongando o luto e alimentando os noticiários sensacionalistas com mais matérias.

Só esses aspectos sombrios, além da forte suspeita de revanche na usurpação do nome de Humberto de Campos por Chico Xavier - que, provavelmente, não deve ter gostado do texto irônico do cronista, quando este era vivo, a respeito de Parnaso de Além-Túmulo - , colocam Chico Xavier em situação semelhante a de Aécio Neves, político conhecido pelos fortes escândalos de corrupção.

Até no aspecto da "filantropia", Chico não escapa de Aécio, mesmo de forma indireta. Considerado um dos melhores amigos de Aécio Neves e sócio de muitos negócios, o apresentador de TV Luciano Huck, admirador confesso do "médium", também apela para a caridade paliativa do Assistencialismo e personifica os mesmos apelos "caridosos" que a Globo trabalhou na imagem do "médium" mineiro.

O próprio Huck, pré-candidato à Presidência da República, visitou a terra natal de Chico Xavier, a cidade de Pedro Leopoldo, para gravar um quadro do Lata Velha, que faz parte das atrações de Assistencialismo que se comparam à caridade paliativa do "médium", aquela caridade que traz poucos resultados sociais, mais servindo para a promoção pessoal do religioso, alvo de histérica idolatria.

Sabe-se que muito da imagem "caridosa" atribuída a Chico Xavier pelos seus admiradores foi um mito bem construído pela Rede Globo de Televisão e aceito sem críticas pelo forte apelo emocional, aos níveis piegas de várias de suas novelas. Esse mito remete de longe, vem de Malcolm Muggeridge, que fez o mesmo para inventar o mito de Madre Teresa de Calcutá e cujo discurso foi adaptado pela Globo para reinventar o mito do "médium" de Pedro Leopoldo e Uberaba.

Há depoimentos, tanto de parte de um quanto de outro, que indicam admiração mútua entre um e outro. No caso de Chico, mostramos uma suposta previsão, atribuída ao espírito André Luiz, que, na verdade, era fictício, que indica o desejo, desde 1952, do "médium" em ver na Presidência da República um político com as caraterísticas de Aécio Neves. A mensagem, em razão do Natal, foi dada no "centro espírita" Jesus de Nazareno, em Congonhas (MG), em 23 de dezembro de 1952:

No caso de Aécio, são dois depoimentos que foram dados em 30 de junho de 2002, em razão do falecimento do "médium", que no final da vida recebeu a visita do tucano, na qual houve uma calorosa recepção. Primeiro, mostraremos a "previsão", depois as frases do hoje senador tucano:

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MENSAGEM DE NATAL

Francisco Cândido Xavier - atribuído ao espírito André Luiz - "Centro espírita" Jesus de Nazareno, Congonhas, Minas Gerais, 23 de dezembro de 1952.

"O mundo caminha para grandes conquistas e também para grandes catástrofes. O engenho de guerra que assombrou o mundo com a destruição moral e material de Hiroshima e Nagashaki será a causa de desentendimentos no mundo inteiro. No Brasil, um líder operário terá morte violenta, pois as forças espirituais que vivem no cosmos pedem ao Supremo Criador justiça por tudo o que foi feito de bárbaro em nome do Supremo Criador e da Pátria.

Com o desaparecimento deste, o Brasil vai passar por momentos difíceis, diversos movimentos armados vão abalar profundamente a estrutura nacional. Em meio a isto virá um homem da terra do Mártir Tiradentes, e, apesar das pressões, muito irá fazer pelo Brasil, inclusive será o criador de uma Cidade Jardim, tal qual o Éden, diferente de todas as cidades, mas será substituído por outro que muita confusão irá criar e, na sua saída injustificada, vai deixar a nação abalada, e deste abalo vai começar o período crítico, até que o homem do patriotismo, vindo também da terra de Tiradentes, irá cercar-se de outros e vão derrubar a viga mestra da confusão e então muita coisa nova vai acontecer. 

Homens, mulheres e crianças vão sofrer conseqüências justas provocadas por erros anteriores. O regime será combatido e até abalado, mas, muitas nações darão crédito e respeito ao Brasil.
Com a mudança dos homens, muitos que foram o esteio da situação serão chamados a prestar contas a Deus, então o sol, as enchentes e o frio vão criar a fome e o desespero, não só no Brasil, mas também no mundo.

Mas, no fim de tudo, vai aparecer um homem franco, sincero e leal que, montado em seu cavalo branco e com sua espada, dará uma nova dimensão e personalidade aos destinos do Brasil, corrigindo injustiças e fazendo voltar a confiança e esperança no futuro do Brasil.

Será combatido e criticado por seu temperamento e atitudes, mas ele contará com a proteção das Forças Supremas que habitam o Cosmos, e o Brasil será verdadeiramente o coração do mundo e, apesar de crises e ameaças, internas e externas, que irão aparecer, ele será sempre o fiel da balança pela sua fé e esperança no destino do Brasil a ele confiado".

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DEPOIMENTOS DE AÉCIO NEVES À IMPRENSA EM RAZÃO DA MORTE DE CHICO XAVIER

30 de junho de 2002.

"Chico Xavier é uma referência única de trabalho e solidariedade não só para os mineiros, mas para todos os brasileiros. Mesmo estando em estágio avançado de sua doença, ele continuava recebendo peregrinos que viajavam para encontrá-lo. Ele será sempre um exemplo de vida e humanidade muito importante. Ele era uma figura muito confortadora para todos, independente da religião de cada um".

"Em sua grandiosa simplicidade, ele será sempre uma referência para todos que, de alguma forma, têm responsabilidade pública. Minas, o Brasil, o mundo ficou menor com a morte de Chico Xavier".

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Precisamos falar sobre a Teologia do Sofrimento


Em nome da fé religiosa, sobretudo em relação ao "espiritismo" brasileiro, as pessoas acabam dissimulando seus piores defeitos. Se apegam, de forma desesperada e doentia, à idolatria obsessiva pelos "médiuns", supostamente associados a uma bondade que as próprias pessoas têm preguiça em exercer.

As pessoas deixam de conhecer e entender o que realmente precisam, seus desejos e necessidades, e é costume no Brasil as pessoas jogarem fora o que mais necessitam enquanto se desesperam em se apegar ao supérfluo e ao entulho. E, com isso, acabam misturando pretensões em parecer progressistas ante a sociedade e manter preconceitos bastante retrógrados, como mulheres feministas que acham as mulheres-objetos, uma deturpação machista, símbolo de empoderamento feminino.

No caso do sofrimento humano defendido pela Teologia do Sofrimento, que os "espíritas" defendem muito mais do que os próprios católicos, as pessoas se confundem. Entendem a apologia do sofrimento como um ensinamento de Jesus, quando na verdade os partidários dessa infeliz ideia estão mesmo ao lado do seu condenador, Pôncio Pilatos, que condenou Jesus sem o "famoso" julgamento, porque a lógica do Império Romano era a condenação sumária, imediata.

Há até mesmo patéticas imagens de pessoas carregando a cruz, ou canções "espiritualistas" alegres falando em "carregar a cruz". O tema da instituição "espírita" Cavalheiros da Luz, comandada por José Medrado (que, por ironia, prefere, por opção pessoal,  a Teologia da Prosperidade do que a Teologia do Sofrimento, uma pequena exceção dentro do "movimento espírita"), tem um verso que diz "Vem me ajudar a carregar a cruz".

Isso é uma grande perversidade, mas o Brasil é uma sociedade conservadora, moralista, preconceituosa, rancorosa, dissimulada. Vendo as buscas da Internet, infelizmente a Teologia do Sofrimento não é vista como um problema para a sociedade nem como uma perversidade ideológica a níveis de crueldade insana, porque o aparato de palavras bonitas tranquiliza e conforta as pessoas.

"HOLOCAUSTO DO BEM"

A Teologia do Sofrimento é medieval. Ela segue a orientação do Catolicismo da Idade Média, criado pelo imperador romano Constantino. É, portanto, uma herança do punitivismo das autoridades romanas e nunca deve ser entendido como um ensinamento cristão. A apologia ao sofrimento humano é uma visão punitivista da vida, bastante severa, e defende as desgraças humanas como se a vida fosse uma competição cujo prêmio se supõe estar postumamente reservado.

A ideia da Teologia do Sofrimento é o "quanto pior, melhor". Quanto mais desgraças, mais garantias de "bênçãos futuras". O transe das paixões religiosas que leva muitos a uma cegueira emocional, dentro de ideais sado-masoquistas das seitas religiosas, faz com que muitos fiquem felizes com essa visão e encarem com "muita esperança e otimismo" as torturas do dia a dia.

Mas a Teologia do Sofrimento é um "holocausto do bem". Num mundo surreal em que vivemos, imaginamos que, para muitos, bastaria os piores tiranos defenderem essa ideologia para serem poupados da condenação mundial, podendo até receber, pasmem, o Nobel da Paz. Se tivessem sido "médiuns espíritas", melhor ainda, mesmo com seus diversos campos de extermínio.

Parece cruel falar nisso, mas o imaginário de muitas pessoas tem desses aspectos sombrios. No "espiritismo" em que se transformam em fetiches os mortos prematuros - os chamados "filhos mortos" que "foram para os braços do Alto" - e fazem com que muitas famílias acabem "desejando" a morte de seus entes queridos mais valiosos, o inconsciente cruel oculto pelos transes emotivos da fé cega (tida como "raciocinada") se ressalta, assustando as próprias pessoas.

É como alguém que se acha lindo, mas, quando se vê num espelho se horroriza com sua feiura. E são tantas as pessoas que não querem assumir seus aspectos ocultos. Quantas pessoas, por exemplo, de esquerda, não conseguem se livrar de valores de direita. Quantas feministas têm um machismo oculto, quando defendem, por um lado, as mulheres-objeto das baixarias popularescas ou quando se assustam quando se fala que um famoso feminicida conjugal sofre um câncer irreversível?

"FABRICAR BONDADE"

A apologia ao sofrimento humano da Teologia do Sofrimento tem mais adeptos do que se imagina, e isso é terrível. Teoriza-se e glamouriza-se as desgraças humanas, com um sentimento hipócrita de falsa piedade, e como uma ânsia de "fabricar bondade" com o prejuízo alheio.

Sim, existe a mania de "fabricar bondade". Os pregadores do sofrimento alheio defendem a manutenção da desgraça alheia, apelando para sentimentos como "paciência" e "resignação", ou mesmo "alegria e amor com o sofrimento". Criam todo um repertório discursivo para dar razão à "necessidade" do outro continuar sofrendo.

E o que isso tem de propósito? Reeducar as pessoas. Nem tanto. O propósito é que, no caso do "espiritismo", ao se transformar em "fábrica de sofredores", usa-se o "holocausto do bem" como meio para "fabricar bondade", dando atividade aos "filantropos de ocasião" que buscam promoção pessoal às custas da caridade paternalista e paliativa do Assistencialismo.

A ideia é "não ajudar demais" as pessoas, mas "aliviá-las". O sofrimento alheio é a moeda de promoção dos "filantropos" de plantão, por isso existe a visão, um tanto paranoica, de que certas pessoas dependem do sofrimento do outro para "fazerem alguma coisa útil na vida". É como se dissesse: "faça-se a desgraça do outro que eu produzirei a minha filantropia".

Essa visão não é caridosa. Espera-se o outro sofrer para ajudá-lo. Mas isso é o norte de muitos religiosos, pessoas em busca de vantagem pessoal e ávidas pelas glórias da Terra. Muita gente duvida que as religiões sejam um território livre de paixões materialistas, sobretudo um "espiritismo" a que se atribui "perfeição" até nas imperfeições.

Isso é um grande engano. É numa religião dissimulada como o "espiritismo" brasileiro, que comete traições aos ensinamentos espíritas originais para depois jurar falsa fidelidade, que as paixões materialistas se tornam bem mais fortes, de forma igual ou superior às das orgias do sexo, do dinheiro e das drogas. Quantos "médiuns" badalados, com suas oratórias mirabolantes, não se vestem da capa da "humildade" e da "dedicação ao próximo" para receber os mais pomposos prêmios da Terra?

QUEM DEFENDE O SOFRIMENTO ALHEIO É PORQUE NÃO SOFRE

A dissimulação humana também tem suas desculpas. Os apologistas do sofrimento alheio, ou seja, ideólogos formais e informais da Teologia do Sofrimento, chegam a dizer que "também sofrem", mas seu sofrimento é de nada. São apenas questionados por suas ideias injustas e "sofrem demais" com isso. Alguns praticam Assistencialismo, doando muito pouco aos necessitados, e acham que "dão duro demais" para mantê-los "numa vida digna e próspera".

Quem professa a Teologia do Sofrimento vive no conforto da venda de livros, da comercialização das palavras dóceis e a premiação fácil dada a esse palavreado com sabor de mel, do mundo fantasioso de palavras arrumadas que, num discurso bem montado, descrevem as "maravilhas" de vencer na vida aguentando perdas profundas e irreparáveis, aguentando impasses, perigos e traumas.

O fato de pessoas se alegrarem, aparentemente, com sofredores que superaram suas desgraças e alcançaram, por alguma sorte, a bonança, não os isenta de culpa pela visão perversa de se divertir com o sofrimento alheio. Afinal, existe a visão sádica de ver que "fulano sofreu e está aí".

Ninguém imagina que os sofredores são os que menos gostam desse marketing da superação. Os sofredores se sentem ofendidos, desrespeitados, porque até a superação que eles conseguiram conquistar foi dada com muito trabalho e angústia, e não raro eles querem esquecer até mesmo dos sacrifícios que tiveram que fazer para sair das situações deploráveis em que estavam.

Há muita dor, trauma, dificuldades no processo de superação. Não há como transformar isso em entretenimento para arrancar lágrimas do público, como numa "masturbação com os olhos" da comoção fácil e premeditada, uma comoção rebaixada a uma diversão de toda semana. Nos "centros espíritas", as pessoas recorrem às doutrinárias visando esse espetáculo catártico de ouvir estórias tristes com "finais felizes", como se fossem contos-de-fadas para adultos.

Quem prega o sofrimento alheio não sofre de verdade. Se sofresse, deixaria de desperdiçar páginas e páginas de escritos ou horas e horas de oratórias apelando para os sofredores suportarem suas desgraças. Até porque é muito chato para o sofredor aguentar ver alguém tido como "experiente" e "conselheiro" dizer para aguentar desgraças até não se sabe quando, o que, com certeza, mostra que esse "conselheiro" não é o "melhor amigo" que ele diz ser para os infortunados da sorte.

No "espiritismo", há o agravante de tantas pessoas sofredores viajarem de longe para os "centros espíritas", a procura de tratamento para seus problemas, gastando dinheiro com passagem e refeições, para depois, em vez de resolver seus problemas, obterem desgraças e infortúnios ainda mais graves. Se não fosse a seletividade de nossa Justiça, que blinda os privilegiados sociais (o prestígio religioso é um desses privilégios), os "espíritas" estariam falidos diante de tantos danos morais.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O vazio existencial de Divaldo Franco

NINGUÉM ESTRANHA TANTA VERBORRAGIA E DIVAGAÇÃO SOBRE PAZ E ALEGRIA, QUE FAZEM A PROMOÇÃO PESSOAL DE DIVALDO FRANCO EM SUAS AVENTURAS TURÍSTICAS.

Precisamos ter cuidado com a palavra humana. Quantas palavras com sabor de mel, quanta verborragia, quanto apelo igrejeiro, tudo feito em nome da "paz" e do "amor", tanta sobrecarga de mensagens que parecem, à primeira vista, tão belas, mas que só servem para alimentar o estrelato de um ídolo religioso como Divaldo Franco, o maior deturpador vivo do Espiritismo.

Enquanto ele fez turismo pelos quatro cantos do planeta, em troca das premiações da Terra, como um palavreador da "paz" - a "paz sem voz" que os "espíritas" tanto adoram defender - , os sofredores de Pau da Lima, em Salvador, convivem com a miséria e a violência, num contexto em que os "espíritas", moralistas e conservadores, confundem necessidades humanas com paixões materialistas.

Ah, mas quanto materialismo não pode haver nos próprios "espíritas", esperando em sua sonhada ilusão do "porvir" que, no retorno ao mundo espiritual, lhe concedam as benesses análogas às da Terra, arrogando-se a fazer questão da presença do próprio Jesus Cristo, obrigado a receber um "médium espírita" a cada desencarne, mediante autoridades celestiais e até corais de anjinhos.

Divaldo Franco é um dos maiores traidores dos ensinamentos espíritas, não por ter sido um espírita de verdade - ele sempre foi católico - , mas por assumir para si uma responsabilidade da qual não teve o menor escrúpulo em descumprir. Vende uma falsa imagem de "kardeciano autêntico" em programas de TV mas, em suas palestras, derrama igrejismo dos mais gosmentos, como a baba de uma saliva.

Ninguém estranha toda a divagação, tanta verborragia sobre a paz, um tema do qual não há a menor necessidade de se falar muito, de se teorizar em excesso. Devemos desconfiar de tantos discursos pela paz, assim como, nos comícios políticos, desconfiamos dos discursos sobre democracia e cidadania, de oratórias demagógicas cujo teor mirabolante não difere da oratória do "médium" baiano.

Dito isso, os desavisados devem pensar que essa constatação provém de alguma inveja ou algum sentimento de intolerância religiosa. Mas está na obra de Allan Kardec, que preveniu dos oradores oportunistas que, deturpando o Espiritismo, procuram caprichar no mel das palavras, nas evocações a ideias como "amor, caridade, paz e Deus", para iludir as pessoas e dar, de sobremesa, ideias levianas como as "crianças-índigo".

O texto que reproduzimos é de 2008, durante uma reunião "mediúnica" numa "casa espírita" de Salvador. A verborragia de Divaldo Franco apela para mil hipocrisias, condenando a alucinação midiática - Divaldo Franco é protegido da Rede Globo de Televisão, que blinda os "espíritas" - e o culto à personalidade, que é a prática que ele mesmo faz, tornando-se o centro das atenções tanto no Você e a Paz quanto das atividades da Mansão do Caminho.

O que Divaldo Franco não poderia ver de sórdido nas mensagens que dá aos outros, sem observar a si mesmo, um frenético acumulador de prêmios, um inútil malabarista das palavras, alimentador de paixões religiosas que são tão obsessivas quanto as orgias do sexo, do dinheiro e das drogas, criadoras de alucinações e transes tão perversos, que fazem as pessoas se tornarem reféns das palavras com sabor de mel, mas com apelo completamente mistificador.

Divaldo Franco personifica o que, com muita coerência, Allan Kardec reprovava com firmeza: os falsos sábios de textos empolados, de oratória rebuscada e prolixa, que até falam de "coisas boas, bonitas e agradáveis", mas usam isso como gancho para inserir ideias mistificadoras e anti-doutrinárias.

De forma bastante semelhante, Jesus também rejeitaria Divaldo, vendo nele um protótipo dos antigos sacerdotes, que vivem da extravagância da oratória enfeitada, se acham a poucos passos do Céu e se arrogam em sentar na frente de seus templos para, a pretexto de meditação, prestarem bajulação a si mesmos, ainda que sob o disfarce da falsa humildade.

Aconselhamos as pessoas a lerem o texto com cuidado, para não se deixarem levar pelo mel das palavras e por paixões religiosas. Deve-se ler esse texto abaixo com senso crítico, com a "frieza da alma" - este conselho vem de Erasto, um dos mensageiros do Espírito de Verdade - , e admitindo o teor rebuscado e prolixo dessa mensagem empolada, tão longa na forma e tão superficial em conteúdo, sendo teoria demais para tão pouco apelo moral.

Em tempo: o texto, que vemos identificação de conteúdo com as palestras de Divaldo, é de sua autoria pessoal, embora atribuída ao espírito Joana de Angelis. Consta-se que Joana, no entanto, nunca foi Joana Angélica, mas uma identidade usada pelo obsessor de Divaldo, o Máscara de Ferro, para fazer pregações igrejeiras. A prática é rejeitada por Kardec, que chamava a atenção da gravidade de uso de nomes ilustres para seduzir as pessoas ante a mistificação religiosa.

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VAZIO EXISTENCIAL

Divaldo Franco - Atribuído ao espírito Joana de Angelis reunião mediúnica (sic) de 29 de outubro de 2008, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia. 

A alucinação midiática, a serviço do mercantilismo de tudo, vem, a pouco e pouco, dessacralizando o ser humano, que perde o sentido existencial, tombando no vazio agônico de si mesmo. 

Numa cultura eminentemente utilitarista e imediatista, o tempo-sem-tempo favorece a fuga da autoconsciência do indivíduo para o consumismo tão arbitrário quão perverso, no qual o culto da personalidade tem primazia, desde a utilizaçào dos recursos de implantes e programas de aperfeiçoamento das formas, com tratamentos especializados e de alto custo, até os sacrifícios cirúrgicos modificando a estrutura da organização somática.

O belo, ou aquilo que se convencionou denominar como beleza, é um dos novos deuses do atual Olimpo, ao lado das arbitrariedades morais e emocionais em decantado culto à liberdade, cada vez mais libertina.

A ausência dos sentimentos de nobreza, particularmente do amor, impulsiona o comércio da futilidade e do ilusório, realizando-se a criatura enganosamente nos objetos e utensílios de marca, que lhe facultam o exibicionismo e a provocação da inveja dos menos favorecidos, disputando-se no campeonato da insensatez.

Em dias de utopia, nos quais se vale pelo que se apresenta e não pelo que se é, o eto convencional, os ideais que dignificam e trabalham as forças normais cedem lugar aos prazeres ligeiros e frustrantes que logo abrem espaço a novas mentirosas necessidades.

O cárcere do relógio, impedindo que se vivencie cada experiência em sua plenitude e totalidade, sem saltar-se de uma para outra apressadamente, torna os seus prisioneiros cada vez mais ávidos de novidades, por se lhes apresentar o mundo assinalado pela sua fugacidade. 

Exige-se que todos se encontrem em intérmino banquete de alegrias, fingindo conforto e bem-estar nas coisas e situações a que se entregam, distantes embora da realidade e dos significados existenciais. 

A tristeza, a reflexão, o comedimento já não merecem respeito, sendo tidos como transtornos de conduta, numa exaltação fantasiosa e sem limite em relação aos júbilos destituídos de fundamentos. 

Certamente, não fazemos apologia desses estados naturais, mas eles constituem pausas necessárias para refazimento emocional nas extravagâncias do cotidiano.

Sempre quando são recalcados e não logram conscientização, inevitavelmente se transformam em problemas orgânicos pelo fenômeno da somatização.

Muito melhor é a vivência da tristeza legítima e necessária, em caráter temporário, do que a falsa alegria, a máscara da felicidade sem conteúdos válidos.

Nesse contubérnio infeliz, tudo é muito rápido e passa quase sem deixar vestígio da sua ocorrência.

O agora, em programação de longo alcance, elaborado ao amanhecer, logo mais, à tarde, transforma-se em passado distante, sem recordações ou como impositivo de esquecimento para novas formulações prazerosas.

Quando não se vivencia o presente em sua profundidade, perdem-se as experiências que ficaram arquivadas no passado. E todo aquele que não possui o passado nos arquivos da memória atual é destituído de futuro, por faltarem-lhe alicerces para a sua edificação.

Nessa volúpia hedonista, o egotismo governa as mentes e condutas, produzindo o isolamento na multidão e a solidão nos escaninhos da alma.

Todo prazer que representa alegria real impõe um alto preço pela falta de espontaneidade, pela comercialização dos seus valores e emoções.

* * *

Não seja de estranhar-se que a juventude desorientada, sempre arrebatada pela música de mensagem rebelde e agressiva, de conteúdo deprimente e aterrorizante, com a INTERNET exibindo as imagens de adolescentes suicidas em demonstração de coragem e desprezo pela vida, ignore as possibilidades de um futuro risonho, que lhe parece falacioso.

Os esportes que os gregos cultivavam, assim como outros povos, como meios de recreação, arte e beleza – exceção feita aos espetáculos grosseiros nos circos de Roma imperial – vemos alguns deles hoje transformados em campos de batalha, nos quais os seus grupos de aficionados armam-se para rudes refregas com os opositores e em que os atletas não têm outro vínculo com os seus clubes, senão o interesse pelos altos rendimentos, favorecem a brutalidade e a barbárie com a destruição de imóveis, veículos e vidas, quando um deles perde na disputa nem sempre honorável… 

Aprendendo com os adultos a negar as qualidades do bem e da paz, na azáfama exclusiva do desfrutar, essa aturdida mocidade entrega-se à drogadição, em busca do êxtase que logo passa trazendo-a à realidade decepcionante. O desencanto, que se lhe instala, de imediato deve ser diminuído no tempo e no espaço, facultando-lhe buscar novos estimulantes ou entorpecentes para esquecer ou para gozar.

Nesse particular, a comercialização do sexo aviltado com os ingredientes do erotismo tecnicista, exaure os seus dependentes, consumindo-os.

É inevitável, nesta cultura pagà e perversa, a presença do vazio existencial nas criaturas humanas, suas grandes vítimas. 

Apesar da ocorrência mórbida, bem mais fácil do que parece é a conquista dos objetivos da reencarnação. 

Pessoa alguma encontra-se na indumentária carnal por impositivo do acaso ou por injunção de um destino cego e cruel. 

Existe uma finalidade impostergável no renascimento do Espírito na organização carnal, que se constitui da oportunidade para o autoburilamento por colisões e atritos, qual ocorre com as gemas preciosas que necessitam da lapidação para libertar a luminosidade adormecida no seu interior. 

Uma releitura atenta dos códigos de ética e de justiça de todos os tempos proporciona o reencontro com os reais valores que devem nortear a vida humana. 

O tecido social ora esgarçado e tênue ante uma revisão sistêmica dos objetivos de elevação moral em favor da aquisição da alegria real, sem as máscaras da mistificação, adquiriria resistência para os enfrentamentos, abrindo espaço para a justiça social, para o auxílio recíproco. 

Esse ser biopsicossocial é, antes de tudo, imortal, criado por Deus para viver em plena harmonia durante a viagem orgânica. 

Indispensável, pois, se torna a elaboração de programas educacionais e labores que propiciem a autoconsciência. 

As conquistas tecnológicas e midiáticas são neutras em si mesmas, considerando-se os inestimáveis benefícios oferecidos à sociedade terrestre, que saiu da treva e da ignorância para a luz e o conhecimento. 

A ganância e os tormentos interiores de alguns dos seus executivos e multiplicadores de opinião respondem pela fabricação de líderes da alucinação, de exibidores da rebeldia, de fanáticos da agressividade e da promiscuidade. 

Usadas de maneira adequada, encaminhariam com saudável conduta os milhões de vítimas que arrasta, especialmente na inexperiência da juventude rica de sonhos que se transformam em hórridos pesadelos. 

O vazio existencial consome o ser e atira-o na depressão, empurrando-o para o suicídio. 

Em uma cultura saudável, a alegria nào impede a tristeza, nem essa atormenta, por constituir-se um fenômeno psicológico natural do ser, profundo em si mesmo. 

* * *

Se experimentas esse vazio interior, desmotivado para viver ou para laborar em favor do bem-estar pessoal, abre-te ao amor e deixa-te conduzir pelas suas desconhecidas emoções que te plenificarão com legítimas aspirações, oferecendo-te um alto significado psicológico e humano. 

Reflexiona, pois, na correria louca para lugar nenhum e considera a vida a oportunidade de sorrir e produzir, descobrindo-te útil a ti mesmo e à comunidade. 

Mas, se insistir essa estranha sensação, faze mais e melhor, esquecendo-te de ti mesmo, auxilia outrem a lograr aquilo por que anela, e descobrirás que, ao fazê-lo feliz, preenchido de paz, estarás ditoso também. 

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Os Falsos Cristos, Falsos Profetas, Falsos Kardecs, Falsos Erastos e outras farsas

OS MAIORES TRAIDORES DO ESPIRITISMO.

Jesus havia advertido para os falsos cristos e falsos profetas. Por sua vez, Allan Kardec advertiu para os deturpadores do Espiritismo, que usariam de apelos como "amor e caridade" para dominar as pessoas e inserir ideias contrárias aos postulados originais da Doutrina Espírita.

Infelizmente, os deturpadores do Espiritismo conseguiram realizar seus objetivos de dominar a sociedade, apoiados por um engenhoso processo de Comunicação, inclusive com apoio de poderosos veículos midiáticos - TV Tupi e Rede Globo - e um forte lobby exercido no mercado editorial, enquanto o público era dominado pelos apelos emotivos mais fortes e pelo aparato de uma fajuta, porém apelativa, caridade paliativa do Assistencialismo.

Foi um longo trabalho de dominação que deu certo porque os brasileiros em geral são desinformados de muitas coisas e o Brasil é o país propício para certas armadilhas ideológicas que, no mundo desenvolvido, são facilmente identificadas e repudiadas, mas que aqui são vistas, erroneamente, como a "salvação da lavoura".

Aqui temos não só os falsos cristos e os falsos profetas, mas os falsos Kardecs, os falsos Erastos, os falsos Paulos de Tarso e até os falsos filhos pródigos, que cabem aqui serem identificados para compreendermos a farsa que é a deturpação espírita. Aqui estão:

OS FALSOS CRISTOS

Define-se como "falso cristo" aquele que não apenas se julga o "salvador da humanidade", mas também aquele que reage com vitimismo às críticas, criando uma cruz imaginária e fazendo dramalhão de si mesmo, acusando seus questionadores de "inquisidores perversos".

Francisco Cândido Xavier foi um dos primeiros "falsos cristos" brasileiros, no sentido em que reagia com vitimismo às acusações, dotadas de muito fundamento, fazia todo um jogo de cena ficando cabisbaixo e reagindo em silêncio, como se pudesse ser invencível com tais poses.

Como deturpador da pior espécie, cujas obras contrariam frontalmente os ensinamentos espíritas originais, Chico Xavier era uma espécie de Lula ao avesso, pois, enquanto o famoso petista é condenado sem provas por supostos esquemas de corrupção, o "médium" é inocentado até diante de comprovações sérias e fartas sobre suas irregularidades mediúnicas e seu reacionarismo ideológico.

O apoio à ditadura por parte de Chico Xavier é um fato comprovado pelo próprio depoimento que o "médium" deu no programa Pinga Fogo, para uma grande audiência e com forte repercussão na opinião pública. Mesmo assim, alguns setores das esquerdas, ignorando o direitismo do "médium", chegam a lhe dar consideração, iludidos com a imagem de "filantropo" construída pela grande mídia, sobretudo a nada progressista Rede Globo de Televisão.

No caso da usurpação do nome do escritor Humberto de Campos, apesar de todas as provas de que o estilo do autor maranhense "desapareceu" nas supostas psicografias, as pessoas insistem em definir tais "obras psicográficas" como "autênticas", apenas porque, pasmem, "não trazem mensagens ofensivas".

Não apenas Chico Xavier, mas Divaldo Franco e outros supostos médiuns têm no vitimismo um método para reagir às críticas, fingindo fraqueza, criando um jogo de cena no qual a pose de vítima é um apelo feito para forçar a comoção pública, como falsos cristos com suas cruzes imaginárias.

Outro aspecto do "falso cristo espírita" é que ele tenta comparar seus turismos para divulgar livros e palestras em lugares de luxo e nas mais badaladas cidades do planeta com a peregrinação de Jesus nos arredores da Judeia.

Uma coisa é um palestrante "espírita" viver de conforto, pegar aviões de primeira classe, hospedar-se em hotéis cinco estrelas, palestrar para ricos e receber prêmios. Outra é Jesus andar de casa em casa, sob um sol incandescente ou chuvas grossas, para divulgar ensinamentos diversos, não só os ditos "religiosos", mas conhecimentos políticos e sócio-culturais nem sempre socialmente aceitos então. E recebendo apenas modesta alimentação e leitos da mais pura simplicidade.

FALSOS PROFETAS

O falso profetismo dos "médiuns espíritas" se revela diante da pretensão de prever fatos futuros. Chico Xavier e Divaldo Franco foram conhecidos por tais pretensões, que Allan Kardec condenava, por não ver sentido lógico em prever fatos em épocas determinadas, podendo se esconder mistificadores e enganadores através de tamanha extravagância mística.

A tese da "data-limite" de 2019 é ilustrativa e, no caso de Xavier, a "profecia" é tão ridícula que existem erros de natureza geográfica e sociológica que supõem, por exemplo, que as catástrofes sísmicas e vulcânicas a atingir o Círculo de Fogo do Pacífico, afetando o Japão e a Costa Oeste dos EUA (incluindo a Califórnia), poupariam o Chile (o que seria impossível), ou que eslavos migrariam ao Nordeste brasileiro para morrerem de choque térmico com o calor da região brasileira.

Divaldo assina embaixo essas "profecias", que seu amigo mineiro havia previsto já no final dos anos 1930 e, também, antecipado alguns detalhes na entrevista ao Pinga Fogo. O "médium" baiano também é dado a tais palpites e tenta se sair da encrenca da primeira predição falha de 2012, quando Divaldo acreditava que a humanidade iria se regenerar e o que se seguiu foram graves crises.

É risível que os "espíritas" se confundem quando falam em transformações da humanidade, sem poder explicar com clareza se a regeneração envolve graves conflitos e crises ou se elas se encerrarão nessa fase. Hipócritas, eles são capazes de dizer, na véspera, que o progresso humanitário está certo e, quando isso não acontece, tentam enrolar dizendo que "forças obsessoras não deixaram".

FALSOS KARDECS

O "espiritismo" brasileiro já criou falsos Allan Kardec, em "psicografias" risíveis em que o Codificador fala português fluente e prosaico e, estranhamente, pede para que "prestemos atenção à Revelação da Revelação", uma alusão ao subtítulo de Os Quatro Evangelhos de J. B. Roustaing. Imagine Kardec pedindo para valorizar o seu próprio deturpador, em detrimento dele mesmo!

E quantos falsos Kardecs não são os "médiuns", que de forma contraditória até se arriscam a expor uma teoria espírita aparentemente correta, sobretudo em programas de TV ou em entrevistas à imprensa. No entanto, fora de tais ocasiões, os "médiuns" mergulham num igrejismo extremado, sem escrúpulos de trair os postulados espíritas originais, usando a desculpa dos "ensinamentos cristãos" que acabam permitindo todo tipo de igrejismo.

FALSOS ERASTOS

Há também os falsos Erastos, que fingem denunciar os deturpadores do Espiritismo, para reafirmar a própria deturpação ou o poder de alguns deturpadores. Temos o caso constrangedor e risível de Divaldo "denunciando" deturpadores como Ramatis, que, revelou-se depois, ele mesmo seguia.

Os falsos Erastos tentam falar dos "desfiguradores da Doutrina Espírita" para dar a falsa impressão de que eles zelam pelo legado de Kardec que eles mesmos traem. Apelam para uma fidelidade doutrinária que eles mesmos são os primeiros a descumprir, e criticam a "vaticanização" espírita que tanto praticam com muito entusiasmo.

FALSOS PAULOS DE TARSO

Divaldo Franco foi chamado de "Paulo de Tarso do mundo hodierno" por certo seguidor. Era a suposta atribuição de mensageiro cristão, de conselheiro da humanidade, que, no entanto, apresenta sérios problemas.

Esses problemas estão sobretudo ligados a um apelo igrejeiro, pois, sob o pretexto de esclarecer a humanidade e conduzi-la a um aperfeiçoamento moral genuíno, aglutina-se multidões para seguir o "espiritismo" de forte apelo igrejeiro, inserindo dogmas medievais e ideias sem pé nem cabeça, como "crianças-índigo", o indigesto prato principal dos banquetes verborrágicos "pela paz".

Aliás, devemos deixar de lado as paixões religiosas e verificar o equívoco de se falar tanto em paz. A expressão é abstrata e, numa sociedade complexa como a nossa, não há como perder tempo teorizando a paz, enquanto se deixam as desigualdades e sofrimentos alimentar ódios, rancores, depressões e angústias. E o próprio apelo dos "espíritas" para aceitar o sofrimento só piora as coisas.

FALSOS FILHOS PRÓDIGOS

A chamada "retratação" ao "espiritismo" brasileiro tem casos de arrepiar. Casos de pessoas antes consideradas céticas, ateias ou agnósticas que se rendem ao "espiritismo" brasileiro "movidos pela força do amor". Desconhecem eles que essa "força do amor" nada mais é do que a perigosa armadilha do "bombardeio de amor", que causa um transe emocional extremo e entorpecedor.

É notório que quantos ateus e céticos, que chegavam a fazer duras críticas aos "espíritas", depois se rendam ao canto-de-sereia dos "centros espíritas" e dos "médiuns" divinizados por suposta caridade, que é bem menos eficiente e expressiva do que se diz aos quatro cantos do mundo.

Isso pode, à primeira vista, aludir à parábola cristã do filho pródigo, daquele jovem que se perde pelo caminho e volta para os braços do pai, sendo recebido de forma bastante calorosa. Mas, neste caso, a associação é falsa. E como os falsos filhos pródigos, na verdade leigos capturados pelo igrejismo "espírita", eles servem de propaganda para esta doutrina catolicizada que prevalece no Brasil.

Só que a "retratação", ou seja, a rendição dos leigos ao "espiritismo" brasileiro, dominados por traiçoeiros e intensos apelos emocionais (como se fossem mancenilheiras de palavras e imagens, "belas" mas perigosas) se compara ao que ocorria na Idade Média, quando os hereges eram coagidos a se converter aos domínios da Igreja Católica. A única diferença é que o "espiritismo" brasileiro usa métodos aparentemente mais suaves para dominar tais pessoas.