domingo, 25 de fevereiro de 2018

Ideologia de gênero é mais espiritualista que homofobia "espírita"


OS CASAIS LGBT PAULO GUSTAVO E THALES BRETAS, DANIELA MERCURY E MALU VERÇOSA E FERNANDA GENTIL E PRISCILA MONTANDON.

Extremamente infeliz o comentário de Divaldo Franco, que manifestou sua homofobia radical durante um "congresso espírita" de Goiania, numa entrevista coletiva ao lado do juiz Haroldo Dutra Dias. Divaldo chamou a ideologia de gênero de "imoralidade ímpar" e falou num tom de reacionarismo ranzinza que derrubou a figura melíflua e sempre sorridente que aparecia nas fotos.

No entanto, a postura de Divaldo Franco condiz à corrente hegemônica no "movimento espírita", a dos "místicos", que cada vez mais levaram o Espiritismo para o abismo do igrejismo, ainda que à custa de bajulações tendenciosas à figura do precursor Allan Kardec, muito bajulado e pouco estudado.

Seja Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco, João Teixeira de Farias - o João de Deus - e outros "médiuns" ou palestrantes (estes sob o ofício de juristas, advogados, funcionários públicos etc) que expressam algum igrejismo de raiz roustanguista, ter posturas reacionárias como a homofobia, o elogio às manifestações do "Fora Dilma" e a exaltação a figuras reacionárias como o juiz Sérgio Moro, não podem ser vistos como aspectos pontuais entre os "espíritas místicos".

Lembremos de Chico Xavier, para prevenir do risco de um Fla X Flu "espírita" admitir que Divaldo é reacionário, mas sugerir que "Chico não pensaria assim, ele pelo menos era progressista". Engano. Chico Xavier também foi muito reacionário, defendeu a ditadura militar na sua pior fase e ele mesmo manifestou sua homofobia, definindo o homossexualismo como "confusão mental das pessoas encarnadas".

MATERIALISMO

O que poucos percebem é que as justificativas que os "espíritas" como Divaldo e o periódico "Correio Espírita" se utilizam para condenar a ideologia de gênero - como se chama a ideologia que abraça a causa LGBT, embora também seja simpatizante de causas feministas, por exemplo - é comprovadamente materialista.

O "Correio Espírita" descreve o homossexualismo como uma "desistência" de espíritos encarnados cumprirem uma missão carnal através de uma opção sexual, desafiando a condição biológica original. Já Divaldo Franco descreve a ideologia de gênero como "alucinação", aludindo a crianças que não sabem discernir e veem os órgãos genitais como "desconhecidos".

Só que essas abordagens são puramente materialistas. Elas levam mais em conta o aspecto físico, se esquecendo que, em muitos casos, relações homossexuais podem ter mais amor do que muitas relações heterossexuais que mais parecem operações bélicas ou acordos mercantis celebrados nos altares das igrejas, muitos casos movidas por interesses mesquinhos e até desumanos.

A ideologia de gênero, portanto, permite relações espiritualizadas. Casos como o do ator Paulo Gustavo - que convence no papel feminino de Dona Hermínia na sua criação Minha Mãe é uma Peça - , casado com o dermatologista Thales Bretas, a cantora baiana Daniela Mercury e sua esposa jornalista Malu Verçosa e as namoradas e jornalistas esportivas Fernanda Gentil e Priscila Montandon.

Daniela e Fernanda tiveram experiência com relacionamentos com maridos. As relações terminaram amigavelmente e cada uma resolveu assumir relação com outra mulher. Nota-se nos dois casos, assim como no de Paulo Gustavo com seu marido, que as relações são marcadas pelo respeito humano e pelo amor, sendo portanto uma sintonia espiritual mais ativa do que, por exemplo, a do presidente Michel Temer com sua jovem esposa Marcela, claramente um "casamento por conveniência".

As relações homossexuais são muitas vezes movidas pela liberdade de escolha do que casamentos heterossexuais movidos pelo jogo de interesses ou por aspectos pontuais, porque nestes a escolha é de natureza material, e não espiritual, constituindo no convívio conjugal de pessoas que não se amam, visando alguma vantagem financeira, social ou mesmo superestimando pequenos fetiches sexuais.

E quantos casais homossexuais se formam porque as relações heterossexuais ou foram fracassadas ou simplesmente não aconteceram. Nos EUA, a atriz de Top Gun, Kelly McGillis, que havia sido vítima de estupro e passou por dois casamentos fracassados com homens, encontrou a felicidade quando se casou com uma garçonete que conheceu quando esta trabalhava no restaurante administrado pela outra. A causa LGBT tende a ter mais humanismo do que tudo que se diz de Divaldo Franco.

A hipocrisia do "espiritismo" brasileiro então se revela quando eles, ao condenarem o aborto, achassem mais preferível que a estuprada se casasse com o estuprador, visando os princípios da "Lei de Causa e Efeito". Que espiritualismo teremos que esperar numa religião que prefere que estuprador e estuprada se casem, vivendo o resto da vida em conflitos, do que pessoas do mesmo sexo que se apaixonam e se sentem muito bem formando um casal?

Com isso, os "espíritas" dessa linha igrejeira de Chico Xavier, Divaldo Franco e afins comprovaram seu reacionarismo de caráter puramente materialista, na qual se preocupam mais com a formação corporal das pessoas do que com as opções espirituais. Com isso, a preocupação com a evolução do espírito está em segundo plano, na medida em que o espírito terá que viver e encarnação como um castigo, aceitando as imposições da matéria, sem poder intervi-la para viver melhor.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Confusão de ideias marca trajetória do "espiritismo" brasileiro


"Que importa a coerência, tudo é Amor!!!!!!", diz um deslumbrado e idiotizado seguidor do "espiritismo" brasileiro, fascinado (obsessivamente, vale lembrar) pelos "médiuns espíritas" e seduzido pelo aparato da caridade e da beleza.

Tudo parece lindo, mas é de uma leviandade e de uma aberração muito grande. O Amor não pode estar a serviço da incoerência, da mistificação, nem estar acima da honestidade e da ética. O Amor nunca pode ser usado para justificar mensagens fake falsamente mediúnicas, igrejismo conservador ou qualquer outra irregularidade.

O "espiritismo" brasileiro - cujas aspas os distinguem do Espiritismo original de Allan Kardec, quase nunca devidamente praticado no Brasil, reduzido a alvo de bajulação barata dos deturpadores - se desenvolveu às custas de muita deturpação, de muita dissimulação e muitas fraudes.

O que vemos é que o "espiritismo" brasileiro reflete o múltiplo pretensiosismo, sendo a religião que mais reflete a desonestidade e o pretensiosismo humanos. É um sub-Catolicismo sem os ritos aparentes da pompa e a indumentária extravagante dos padres e sacerdotes. Mas seu conteúdo é medieval, apenas "negociado" com práticas e procedimentos trazidos por seitas hereges ligadas à feitiçaria ou ao ocultismo.

Isso contaminou severamente o legado de Allan Kardec no Brasil. Não foi por falta de aviso. Seja na Revista Espírita, seja nos vários livros, o Codificador e seus mensageiros espirituais apresentaram caraterísticas nocivas que, mais tarde, se encaixaram surpreendentemente em figuras como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, oficialmente associados a pretensas ideias de "amor" e "caridade".

Textos rebuscados, aparato de "amor e caridade", ideias truncadas, narrativas prolixas, linguagem empolada, conceitos mistificadores, alegação de ideias aparentemente sublimes, todas essas armadilhas alertadas pela literatura espírita original foram difundidas ainda no século XIX, décadas antes dos nascimentos de Chico Xavier (1910) e Divaldo Franco (1927).

Infelizmente, porém, um forte lobby envolvendo a grande mídia, o meio jurídico, a imprensa, os meios religiosos de diversas correntes, e mesmo uma parcela dos movimentos sociais resolveu se articular, ainda no auge da ditadura militar, para fazer crescer uma religião com caraterísticas semelhantes às do Catolicismo mas contava com uma roupagem de "ecumenismo" e "despretensão".

O "espiritismo" brasileiro, dessa forma, tornou-se a "frente ampla" para concorrer com as seitas evangélicas do tipo "neopentecostal", como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Igreja Internacional da Graça de Deus, com forte apelo midiático.

Vendo a ascensão dos pastores eletrônicos como R. R. Soares e Edir Macedo - este mais tarde realizando a façanha de adquirir todo o espólio da Record - , a Rede Globo passou a blindar os "médiuns espíritas" Chico Xavier e similares para transformá-los em "sacerdotes modernos", à paisana e sem os ritos tradicionalmente católicos.

Além disso, lançou toda sorte de ideias difusas e confusas, para atrair todo tipo de seguidor e criar nas pessoas um wishful thinking que tem na fé a sua forma religiosa. Idealizou-se os "médiuns" e o próprio "espiritismo" igrejista como se fosse possível praticar igrejismo e se dizer "lógico e científico" ou trair os ensinamentos espíritas originais e alegar "fidelidade absoluta" a Kardec.

De repente, tudo virou uma gororoba. Supostos profetismos de Chico Xavier que quase provocam desentendimentos entre os seguidores do "médium". Ideias sem pé nem cabeça que se vendem, aqui e ali, como "lógica e bom senso". Psicografias fake se multiplicavam, alimentadas pela "leitura fria" e pelas fontes bibliográficas ou jornalísticas. Muito sensacionalismo religioso. Verdadeiras orgias da fé em reuniões "mediúnicas". Manifestações de pieguice nas mensagens "espíritas" em geral.

Tudo virou um vale-tudo religioso, da pior espécie. O "espiritismo" brasileiro virou uma bagunça. "Médiuns" aparecem usando nomes de mortos da moda e saindo impunes com isso. Eventualmente até estrangeiros eram usados para "eleger o Brasil como pátria maior do futuro na Terra".

Recentemente, um oportunista chamado Adriano Correia Lima, que divulga "psicografias" no reduto das fake news que são as redes sociais, usou até Hannah Arendt para essa patriotada - que remete à "pátria do Evangelho" sonhada por Chico Xavier - e, da mesma forma, divulgou um Erich Fromm e um Alfred Schutz que "escrevem" como se fossem clones do youtuber Whindersson Nunes.

Tudo virou uma permissividade, dentro de um aparato em que a "caridade" é tida como "assistência social" mas não passa de mero Assistencialismo como nos quadros "filantrópicos" do Caldeirão do Huck, cujo apresentador, Luciano Huck, é adorado pelos "espíritas" e ele mesmo é admirador de Chico Xavier. Diferente da Assistência Social, o Assistencialismo não "cura" a pobreza e traz resultados pífios da caridade, considerada paliativa, servindo mais para propaganda pessoal do "benfeitor".

A "caridade" era usada como escudo para a deturpação dos "médiuns". Falácias de pura arrogância e de notável carteirada religiosa como "você fala mal da deturpação dos médiuns, mas eles fazem caridade (sic), e você, faz alguma caridade?", são ditas, até com certa agressividade, garantindo assim que os deturpadores do Espiritismo façam o que querem, porque "fazem caridade".

Só que, de acordo com a lógica e o bom senso, mais desgraçado é aquele que age assim. Mais desgraçado é quem usa a caridade para camuflar e blindar práticas desonestas. Na política, existe um crime eleitoral que se refere à prática eleitoreira de doações de alimentos e bens, visando dar maior vantagem nos votos do "benfeitor" do momento.

Nem mesmo a caridade deve servir de pretexto para proteger os deturpadores do Espiritismo. Até porque essa caridade nunca trouxe grandes resultados. Se tivesse, o Brasil teria atingido, há muito e muito tempo, padrões mais elevados de desenvolvimento humano. Infelizmente, o que ocorreu é o contrário, com o país em plena crise. E se adora e aprecia demais os "médiuns espíritas", que recebem até atenção mais do que merecida e são supervalorizados até o limite.

Pela confusão doutrinária, pelas contradições, pela dissimulação, pela desonestidade de posições e práticas, pelo igrejismo praticado até pelos que dizem abominar a "vaticanização", o "espiritismo" brasileiro atrai energias tão maléficas que áreas onde se situam "casas espíritas" são onde mais se intensificam ações criminosas das mais diversas, em muitos casos se tornando lugares mais perigosos do que antes dessas instituições ali se instalarem.

A coisa é tão grave que muitas pessoas contraem azar quando passam a apreciar o "espiritismo", virando vítimas de assaltos, de tragédias, de ataques de cyberbullying, de assédio de pessoas traiçoeiras e de perda de objetos importantes etc. A desonestidade doutrinária transforma o "espiritismo" brasileiro num sombrio engodo vibratório, e essa constatação está longe de ser uma invencionice de supostos caluniadores ou invejosos.

Afinal, a simples posição do "espiritismo" brasileiro praticar um igrejismo roustanguista que se recusa a assumir já abre um enorme portão para espíritos levianos, brincalhões e até traiçoeiros, que acabam tomando as rédeas do que é conhecido como "espiritismo" no Brasil. Juntando isso a conceitos moralistas ultraconservadores e a apreciação de teorias medievais como a Teologia do Sofrimento (defendida abertamente por Chico Xavier), isso piora ainda mais as coisas.

Hoje o "espiritismo" brasileiro vive sua mais aguda crise e, recentemente, há a repercussão chocante do próprio Divaldo Franco, considerado "o mais importante espírita vivo" pelos adeptos da Deturpação, que deu opiniões bastante reacionárias num "congresso espírita" de Goiânia, condenando o aborto radicalmente, repudiando a ideologia de gênero, reprovando o marxismo e exaltando o duvidoso juiz Sérgio Moro.

Só isso põe por terra a suposta imagem progressista que a deturpação igrejeira do Espiritismo recebia de graça, praticamente pelo apelo publicitário das imagens de crianças pobres. A confusão doutrinária do "espiritismo" brasileiro - que, extremamente religioso, ainda teve a hipocrisia de se dizer "não necessariamente uma religião, mas um movimento filosófico (?!)" - ainda teve o descaramento de que, mesmo ultraconservador, conseguir arrancar a simpatia das esquerdas.

Hoje vemos que o "espiritismo" brasileiro foi o fenômeno que mais longe foi no acúmulo de dissimulações, desonestidades, hipocrisias, desculpas e tudo o que for de falseamento e arrivismo humano. Em muitos casos, tornou-se pior que as seitas "neopentecostais", porque estas podem até ser radicalmente retrógradas e reacionárias, mas pelo menos não praticam desonestidade doutrinária nem dissimulam seus valores obscurantistas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Espíritas de esquerda reagem à posturas reacionárias de Divaldo Franco


A máscara caiu para aqueles que achavam que os "médiuns espíritas" eram progressistas. A exemplo do que Francisco Cândido Xavier fez no programa Pinga-Fogo na TV Tupi, em 1971, e numa declaração recente de João Teixeira de Faria, o João de Deus, em favor do juiz Sérgio Moro, Divaldo Franco demonstra, nessa entrevista num "congresso espírita" em Goiás (reduto de João de Deus), posturas firmemente homofóbicas.

Divaldo, alem disso, elogia o juiz Sérgio Moro e em várias ocasiões é aplaudido pelas suas posições reacionárias, nas quais a alegação de desejar uma sociedade "mais justa" é típica das forças ultraconservadoras, e qualquer membro do Movimento Brasil Livre ou mesmo um fã de Jair Bolsonaro é capaz de tal tirada.

Divaldo, que em sua palestra usa e abusa do prestígio de Allan Kardec, também adota posturas reacionárias próprias da deturpação do Espiritismo no Brasil, como o aborto. Fala que "matar é crime", mas sabemos que, no caso dos homicídios de jovens adultos, os próprios "espíritas" ficam condescendentes, em muitos casos criminalizando a vítima e atenuando a culpa do criminoso, supondo que ele tenha cometido o crime movido pela "lei de Causa e Efeito".

Os espíritas autênticos assinaram esse manifesto abaixo, publicado no Jornal GGN, que, felizmente, começa também a publicar contrapontos aos textos complacentes. Considerar que Chico Xavier e Divaldo Franco sempre foram figuras ultraconservadoras e até reacionárias, e nunca representaram de forma alguma o Espiritismo autêntico, é um dever que nenhuma relativização em favor deles pode evitar.

Chico e Divaldo comprovadamente são deturpadores do Espiritismo, com obras dotadas de desvios doutrinárias muitíssimo graves. Não há como recuperar as bases doutrinárias, mesmo que se aproveitem apenas uma parte dos memes de suas frases adocicadas, porque elas nem de longe têm essa serventia sequer. Vamos agora ao texto abaixo.

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Espíritas progressistas respondem à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra

Extraído do Espiritismo com Kardec

Espíritas progressistas respondem à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra no congresso de Goiás

Nota de resposta à entrevista coletiva de Divaldo Franco e Haroldo Dutra no congresso de Goiás

Espíritas que somos, os abaixo-assinados, tornamos pública a nossa desaprovação a diversas opiniões que foram expostas no vídeo que circulou essa semana nas redes sociais, e que depois foi retirado do Youtube.

Declaramos que elas não nos representam e não representam o espiritismo, pois são apenas opiniões pessoais de seus autores, e que, em nosso entender, carecem de fundamento teórico e científico.

Aliás, médiuns e oradores não têm autoridade para falar em nome do espiritismo.
Ninguém tem essa autoridade, nem mesmo instituições federativas.

O espiritismo é uma ideia livre, cuja maior referência é Kardec.

Mas cujos livros também não podem ser citados como bíblia.

Para manifestarmos ideias e posições do ponto de vista espírita, segundo a própria metodologia proposta por Kardec, temos de dialogar com a ciência de nosso tempo, usar argumentos racionais e adotar de preferência posturas que estejam de acordo com os princípios básicos da ética espírita, que são os da liberdade de consciência, amor ao próximo, fraternidade, entre outros.

O movimento espírita brasileiro está longe da unanimidade em todos os temas, sobretudo os que se referem a questões contemporâneas e, por isso, é importante delimitar as posições, para deixarmos claro que declarações como as que foram feitas neste vídeo não representam o espiritismo.

Dessa forma, rebatemos alguns pontos da referida entrevista:
Divaldo referiu-se à República de Curitiba e a seu suposto “presidente”, Sérgio Moro. Não existe uma República de Curitiba, pois segundo nossa Constituição só há uma República a ser reconhecida em nosso território, e é a República Federativa do Brasil.
E a referência a um juiz federal de primeiro grau como o Presidente desta acintosa República é um grave desrespeito ao Estado, à nação brasileira, atribuindo a tal república poderes inexistentes em nossa Constituição.
Além dessa nociva postura marcadamente messiânica e de culto à personalidade, pode dar a entender que o restante do povo brasileiro não presta e que não há pessoas boas espalhadas pelo Brasil dando o melhor de si.
Divaldo chama esse mesmo juiz de “venerando” – o que é altamente questionável, dadas as críticas de grandes juristas nacionais e internacionais à parcialidade desse juiz e a seus atos de ilegalidade, que feriram a Constituição, e às notícias que correm na mídia de seu conluio com determinados segmentos e partidos.
Divaldo assume uma postura claramente partidária, contrária ao PT – o que é de seu pleno direito, mas nunca em nome do espiritismo – fazendo, porém, uma crítica rasa, com uma miscelânea conceitual, chamando o governo desse partido de marxista e assumindo um discurso próprio da polarização extremista, manipulada e sem consistência que invade nossas redes sociais e nossa vida política, contribuindo para os momentos de incertezas e de medos em que vivemos.
Há uma fala extremamente problemática que se refere à chamada “ideologia de gênero”. Não existe “ideologia de gênero” – este é um termo criado por setores fundamentalistas da Igreja Católica e depois adotado pelas Igrejas Evangélicas. Existe sim uma área de pesquisa no mundo que se chama “Estudos de Gênero” – que teve influência de Michel Foucault, Simone de Beauvoir e Judith Buttler. Os “Estudos de Gênero” se dedicam a procurar entender como se constitui a feminilidade e a masculinidade do ponto de vista social, se debruçam sobre questões de orientação sexual, hétero, homo, transsexualidade – ou seja, todos fenômenos humanos, que estão diariamente diante de nossos olhos. Podemos concordar com algumas dessas conclusões, discordar de outras, deixar em suspenso outras tantas. Esse olhar é muito recente na história e ainda estamos apalpando questões profundas e complexas – e em nosso ponto de vista espírita, não é possível ter plena compreensão delas sem a chave da reencarnação. Uma abordagem puramente materialista jamais vai dar conta do pleno entendimento do psiquismo humano. Mas estamos muito longe de ter gente reencarnacionista competente, fazendo pesquisa séria, para dialogar com pesquisadores com abordagens meramente sociológicas ou psicológicas. Então, nós espíritas, não temos ainda melhores respostas que os outros e não podemos, por cautela, seguir a cartilha dos setores conservadores mais radicais de generalizar esses estudos sob o termo, usado aqui pejorativamente, de ideologia, para desqualificá-los como “imoralidade ímpar”. Parece-nos que uma dose de humildade científica, prudência filosófica e bom-senso faria bem a todos nesse ponto, especialmente quando o domínio sobre os corpos e a sexualidade sempre foi um ponto central para as religiões ocidentais.
Divaldo revela também completo desconhecimento dessa área de estudos de gênero, alinhando-a ao marxismo e ao comunismo. As grandes lideranças desses estudos estão nos Estados Unidos e na Europa. Aliás, os estudiosos desse tema encontram-se em diversas correntes de pensamento, desde marxistas até pós-modernos de diferentes matizes e até liberais. Ao fazer isso, mais uma vez, mostra a adesão a um discurso pronto, midiático, que ressoa nos setores evangélicos e católicos mais radicais, que primam por taxar qualquer ideia ou debate que lhes desagrade com o termo “comunista” – um grande espantalho generalizante, simplista e esvaziado de sentido, mas que tem sido eficaz, ao longo dos tempos, para dar forma a medos sociais e, assim, orientar o ódio e o ressentimento das pessoas contra certos alvos.
Por fim, deixamos aqui as seguintes afirmações:
Nenhum médium ou orador pode falar em nome de todos os espíritas ou em nome do espiritismo. Isso é, por si só, desonestidade intelectual;
Quando um espírita, sobretudo se tem influência sobre a comunidade, manifesta uma ideia ou uma opinião, tem por dever se informar sobre os temas de que está falando, usar referências confiáveis e estar em consonância com a lógica, com a ciência e com o bom senso.
Deve também, preferencialmente, defender os direitos dos mais fragilizados socialmente, no caso, as mulheres, as crianças, os membros da comunidade LGBT+, que são objeto dessas discussões dos estudos de gênero, justamente por estarem vulneráveis a todo tipo de violência e desrespeito em nossa sociedade, além dos negros e negras, as juventudes periféricas e as pessoas com deficiência.
Não deve alimentar discursos de ódio partidário e nem medidas punitivas contra quem quer que seja: nossa bandeira é a da educação, da fraternidade entre todos e da paz, comprometidos com a democracia, a justiça social e a regeneração da sociedade.
Abaixo Assinaram:
Adriana Jaeger Santos, RS

Agnes Vitória Cabral Rezende, MT

Alana de Andrade Santana, BA

Alessandro Augusto Arruda Basso, SP

Alessandro Cesar Bigheto, SP

Alexandre Mota, SP

Alexandro Chazan, SP

Álvaro Aleixo Martins Capute, MG

Carlos Augusto Pegurski, PR

Carlos Sérgio da Silva, SP

Claudia Gelernter, SP

Claudia Mota, SP

Cynthia Maria Fiorini Santos, SP

Dalva de Souza Franco, SP

Dalva Radeschi, SP

Dennylson de Lima Sepulvida, SP

Dora Incontri, SP

Douglas Neman, SP

Eduardo Alves de Oliveira, SP

Eduardo Lima, CE

Erica de Oliveira, SP

Felipe Gonçalves, SP

Felipe Sellin, ES

Fernando Fernandes, SP

Franklin Felix, SP

Gilmar da Cunha Trivelatto, SP

Glauco Ribeiro de Souza, SP

Hélio Ribeiro, MG

Izaias Lobo Lannes, MG

João Carlos de Freitas, SP

Jandyra Abranches, ES

Juçara Silva Volpato, ES

Leandro Piazzon Correa, SP

Litza Amorim, SP

Lorisani Marisa de Leão de Souza, RS

Luciano Sérgio Ventin Bomfim, BA

Luis Gustavo Carvalho Ruivo Andrade, SP

Luis Márcio Arnaut, SP

Luziete Maria da Silva del Poggetto, SP

Marcel Pordeus, CE

Marcelo Henrique Pereira, SC

Marcos Wilian Silva MT

Maristela Viana França de Andrade de Aragarças GO

Maristela Viana França de Andrade, GO

Maurício Zanolini, SP

Murilo Negreiros, SP

Patrícia Imperato Malite, SP

Pedro Camilo, BA

Raphael Faé, ES

Roberto Colombo, SP

Samantha Lodi, SP

Sebastião do Aragão, SC

Sérgio Aleixo, RJ

Silvia Bueno, SP

Sinuê Neckel Miguel, RS

Suzana Leão, RS

Tatiane Braz Comitre Basso, SP

Thiago Rosa, SP

Tiago Fernandes, PR

Vinicius Lara, MG

Willan Silva, ES

Yuri David Esteves, SP

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Depois de expressar homofobia e exaltar juiz Sérgio Moro, Divaldo Franco acumula mais prêmios

DEPOIS DO "PAPELÃO" REACIONÁRIO, DIVALDO FRANCO RECEBE MAIS PRÊMIO PARA ACUMULAR SEUS TESOUROS NA TERRA.

A sociedade é complacente aos "médiuns espíritas", sobretudo pela sua pretensa caridade, de baixíssimos efeitos sociais e pela alta promoção pessoal dos "filantropos". No caso de Divaldo Franco, por exemplo, não falta recursos: a medíocre caridade da Mansão do Caminho e do bairro de Pau da Lima, em Salvador, não condiz ao turismo que ele tanto fez pelo planeta, palestrando para ricos e poderosos e recebendo prêmios pomposos que não refletem na filantropia, mas na promoção pessoal dele.

Pois mais um prêmio está à espera dele, que é mais um título de Honoris Causa pela Universidade Federal do Piaui, a ser concedido amanhã à tarde, quase neste mesmo "bat-horário". O irônico é que é a mesma UFPI que havia condecorado, no ano passado, o ex-presidente Lula, que, mesmo de forma não nominal, teve seu governo reprovado pelo "médium", que por outro lado exaltou o algoz do petista, o juiz Sérgio Moro.

Embora a UFPI não tenha compromissos ideológicos, ela age de maneira equivocada ao dar um título a um suposto humanista que havia oferecido o Você e a Paz para homenagear o decadente político João Dória Jr. e permitir o lançamento de uma "farinata", que nutricionistas e ativistas sociais definiram como "ofensa à dignidade humana". Um "humanista" apoiando um composto alimentar desumano e suspeito de ter envenenado internos numa instituição em Jarinu, no interior paulista!

Vamos reproduzir, primeiro, a nota publicada na página da UFPI sobre a premiação programada ao anti-médium baiano, e, em seguida, publicar todo o depoimento de Divaldo no 3º Congresso Espírita (sic) de Goiânia, no qual, participando de uma entrevista coletiva ao lado do juiz Haroldo Dutra Dias, esculhambou a ideologia de gênero, o marxismo e os governos do PT, mas exaltou o midiático e duvidoso juiz Sérgio Moro por "desnudar a hipocrisia" neste país.

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UFPI concede nesta sexta título Doutor Honoris Causa a Divaldo Pereira Franco

Da página da Universidade Federal do Piauí

A Universidade Federal do Piauí (UFPI), por meio do Conselho Universitário (CONSUN), segundo a Resolução Nº 023/17, realizará a entrega do título de Doutor “Honoris Causa” ao humanista, educador, comunicador, espiritualista e espírita baiano Divaldo Pereira Franco, em solenidade no Cine Teatro da Universidade, às 17h00min, do dia 23 de fevereiro .

A indicação de Divaldo Franco ao título foi feita pela Prof. Kátia Marabuco e aprovada pelo CONSUN no dia 30 de maio de 2017. A concessão do título se deu como prova inconteste do reconhecimento da Universidade Federal do Piauí à contribuição nacional e internacional de Divaldo Franco em favor da paz, da causa social, da educação e do bem comum.

Biografia

Divaldo Pereira Franco é filantropo, educador, comunicador, espírita baiano e um dos maiores médiuns e oradores espíritas da atualidade. Boa parte de sua vida e trabalho foi dedicada à causa social, com a prestação de atendimento a crianças de baixa renda. Com mais de duzentos livros escritos e dez milhões de exemplares vendidos, Divaldo Franco já visitou diversos países dos cinco continentes e foi no Piauí, durante um evento das Juventudes Espíritas, que portas se abriram para que Divaldo viajasse para o exterior.

Em solo piauiense, Divaldo Franco já proferiu dezenas de palestras, a maioria ocorreu na cidade de Teresina. Também concedeu entrevistas a emissoras de rádio e TV, acumulando cerca de quatro horas no ar. No Canadá, o médium já recebeu o título Doutor “Honoris Causa” e na Suíça ele foi nomeado Embaixador da Paz. Agora, em Teresina, ele recebe o título Doutor “Honoris Causa” pela Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Agenda em Teresina

Divaldo Pereira Franco participa também em Teresina de uma grande festa em sua homenagem no Teresina Hall. Será no sábado, dia 24, às 19 horas, evento realizado pela Federação Espírita do Piauí (FEPI). A entrada é kg de alimento não perecível. Cerca de 4 mil pessoas são aguardadas para o evento.


Mais informações sobre o agraciado estão disponíveis no site:  www.divaldofranco.com.br.

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DEPOIMENTO DE DIVALDO PEREIRA FRANCO SOBRE IDEOLOGIA DE GÊNERO E SÉRGIO MORO

Congresso Espírita (sic) de Goiás, 13 de fevereiro de 2018, em Goiânia

Fernando, 18 - O que dizer sobre a ideologia de gênero?


DIVALDO - Eu diria em frase muito breve, que é um momento de alucinação psicológica da sociedade. (Aplausos) Em uma entrevista que recomendamos, Iraci Campos, do Centro Espírita (sic) Joana de Ângelis, na Barra da Tijuca, entrevistou um nosso aluno a esse respeito, e as respostas como as perguntas, muito bem elaboradas, propiciaram a Haroldo (Dutra Dias) a abordar a questão no ponto de vista legal, moral, espírita e social. Vale a pena, portanto, procurar na Internet, esse encontro de Iraci Campos com Haroldo Dutra. Haroldo disse em síntese, eu peço licença a ele, que se trata de um momento muito grave da cultura social da Terra, e que é naturalmente algo que deveremos examinar em profundidade, mesmo porque nós vamos olhar a criança, graças à sua anatomia, como sendo o tipo ideal. E a criança, nesse período, não tem discernimento sobre o sexo. A tese é profundamente comunista. E ela foi lançada por Marx sob outras condições, que a melhor maneira de submeter um povo não é escravizá-lo economicamente, era escravizá-lo moralmente. Como nós vemos, através de vários recursos que vêm sido aplicado no Brasil nos últimos nove anos, dez, em que o poder central tem feito todo o esforço para tornar-se o padrão de uma sociedade em plena miséria, econômica e moral, porque os exemplos de algumas dessas personalidades são tão aviltante e tão agressivo (sic) que se constítuíram legais, e, porém, nunca morais. Todas essas manifestações que estamos vendo graças à República de Curitiba, cujo presidente é o dr. Moro (aplausos), e deve ser o desnudar da hipocrisia e da criminalidade. Aliás, o Evangelho recomenda que não deveremos provocar escândalo, e o nosso venerando juiz não provocou escândalo, atendeu a uma denúncia muito singela e no entanto levantou o véu que ocultava crimes hediondos, profundos, desvio de dinheiro que poderia acabar no Brasil com a tuberculose, com as enfermidades que vêm atacando recentemente, poderia educar toda a população e dar-lhe o que nossa Constituição exige, trabalho, repouso, dignidade, cidadania. Mas determinados comportamentos de alguns do passado muito próximo estabeleceram o marxismo disfarçado e a corrupção sob qualquer aspecto como princípio ético. A teoria de gênero é para criar, na criança, no futuro cidadão, a ausência de qualquer princípio moral. Uma criança não sabe discernir, somente tem curiosidade. No mesmo banheiro, um menino e uma menina irão olhar-se biologicamente, sorrir e perguntar o de que se tratava aquele aparelho genésico, que é desconhecido. Então nós defendemos repudiar de imediato e apelar para aqueles em quem nós votamos e somos responsáveis e gritar para eles que somos contra, totalmente contra, essa imoralidade ímpar. (aplausos) Vão me perdoar uma blasfêmia, agora, para adultos. Os espíritas somos muito omissos. No nome falso e na capa da humildade, achamos que tudo está bem, mas nem tudo está bem. É necessário que nós tenhamos vós. O apóstolo Paulo jamais silenciou ante o crime e a imoralidade, e Jesus, muito menos. Ele deu a César o que era de César, mas não deixou de dar a Deus o que é de Deus. Muitas aberrações nós silenciamos. Afinal, disfarçadamente, vivemos numa república democrática, e os nossos representantes lá chegaram pelo nosso voto. Já está na hora de acabar de votar por uma alpercata japonesa, já está na hora de deixar de votar por causa do emprego que vai dar ao nosso filho, pensarmos na comunidade, numa comunidade justa não faltará emprego para todos, uma sociedade justa, de homens de bem, de mulheres dignas, naturalmente estabelecerá as leis de justiça e de equidade, então nós evitaremos essas aberrações, o aborto provocado, esse crime hediondo, que está sendo tentado tornar-se legal, por mais que seja legal, nunca será moral. Nós somos contra quem aborta por essa ou aquela razão, falamos, em tese, matar é crime, seja qual for a aparente justificativa. E agora, com a tese de gênero, estamos indiferentes e, de momento para outro pela madrugada, os nossos dignos representantes adotam. Falávamos ontem a respeito de cartilhas do Ministério da Educação, depravadas, para corromper as crianças, e que as escolas estão demovendo ao Ministério. Que Ministério da Educação é esse, que estabelece fatos (aplausos) de uma indignidade muito grande. Os pais devem vigiar os livros dos seus filhos, e naturalmente recusarem. Nós temos o direito de recusar. Nós temos o dever de recusar. Vítor Hugo hoje, já nos falava há mais de 150 anos, "o grande pecado é a omissão". E Kardec nos falou que não era nobre apenas o fazer o mal, porque não fazer o bem é um crime muito grande. Então precisamos ser mais audaciosos, espíritas, definidos, termos opinião. A Doutrina nos ensina e, para os jovens, eu direi que há uma ética: liberdade. O sexo é livre. Livre-se (?). Mas ele não tem a liberdade de indignificar a sociedade. Poderemos, sim, exercer o sexo, é uma função do corpo e também da alma, mas com respeito e com a presença do amor. Portanto, à teoria de gênero, 'jamais'.

"Espiritismo" brasileiro e sua mania de vitimismo


O "espiritismo" brasileiro tem mania de triunfalismo, dando a impressão de que seus deturpadores são tão poderosos que possuem um "poder de Fênix", se recuperando facilmente de cada decadência. Como se a deturpação do legado de Allan Kardec tivesse um poder sem controle que nem as derrotas pudessem derrotar em definitivo os deturpadores.

A mania de vitimismo se manifesta de diversas maneiras. Uma é a falsa modéstia misturada com falsa autocrítica: "As críticas à nossa religião nos ajudam muito, contribuem para que possamos melhorar sempre", dizem os deturpadores, como se aquilo que eles fazem de traição aos ensinamentos de Allan Kardec fosse um ato sem propósito.

Só que eles traem, de propósito e sem o menor escrúpulo. Desvios doutrinários explícitos e gravíssimos são observados nos livros lançados por Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, e a deturpação que os dois fizeram nos livros não é um ato feito sem querer ou por acidente. O que eles fizeram não foi uma questão de "entusiasmo demais com o cristianismo" mas um plano proposital de desfigurar o legado kardeciano com Catolicismo medieval.

Chico e Divaldo não deturparam o "espiritismo" porque "se empolgaram demais" com suas origens católicas. Nada disso. Eles inseriram conceitos igrejistas de propósito, para desfazer o cientificismo kardeciano original. Os dois sempre foram ligados a J. B. Roustaing, e nos seus livros há desvios doutrinários que se chocam com os ensinamentos espíritas originais.

Criticar o "espiritismo" não consiste em querer que os deturpadores permaneçam e finjam que estão aprendendo as lições direitinho. Não adianta haver a promessa de "aprender melhor a obra de Allan Kardec", mesmo com a obrigação de interpretar corretamente suas ideias, se depois há a volta ao mais entusiasmado igrejismo, com apetite redobrado e tudo.

O "espiritismo" brasileiro está decaindo porque houve um caminho aparentemente conciliador que se revelou desastroso: a aparente coexistência de deturpadores e autênticos, na promessa de recuperação das bases kardecianas, apenas dentro dos pontos normais do Cristianismo, sem igrejismos. Só que o igrejismo não só continuou como se ampliou severamente e tudo da deturpação do Espiritismo se manteve, como muitas práticas, ritos e dogmas.

Não há como o "espiritismo" brasileiro de base roustanguista se achar triunfalista, julgando que pode sobreviver a todo tipo de crise, até mesmo no momento em que é derrotado. Os deturpadores chegaram ao ponto de se acharem acima de tudo, e acima do próprio Allan Kardec, e esperam que seus críticos recuem e corram para os braços deles em plena retratação.

Não, isso não é possível. Os deturpadores do legado kardeciano não podem estar acima da Codificação, sob a desculpa de "promover a caridade" - na verdade, uma caridade de resultados pífios - , e não podem fazer o Espiritismo autêntico ser refém da deturpação de seus próprios postulados, pois isso seria impor a supremacia do Contrassenso sobre o Bom Senso.

A crise do "espiritismo" brasileiro se torna grave pelas más escolhas cometidas. Se o "espiritismo" brasileiro se tornou conservador e não progressista, se traiu os ensinamentos kardecianos com igrejismo e tudo o mais, não há como abafar isso com relativismos inúteis.

O que se vê é que o "império dos místicos" no "movimento espírita" está ruindo de vez e todo aquele rol de dissimulações está se dissolvendo, porque hoje, apesar de vivermos um período socialmente frágil no Brasil, ainda se pode difundir ideias, diferente da ditadura militar que fez com que a deturpação do Espiritismo se reciclasse com tamanhas dissimulações.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

"A caridade espírita é pouca porque há poucos recursos". Será mesmo?


O diferencial do "espiritismo" brasileiro é que ele sempre tem uma desculpa pronta para qualquer coisa. No caminho da deturpação do Espiritismo que foi longe demais, até situações complicadas são resolvidas não pela coerência ou pelo acordo, mas pela forma persuasiva das desculpas usadas.

Por exemplo. Se um tarefeiro de um "centro espírita" for acusado de estuprar ou ao menos assediar uma adolescente, um ato que se sabe de grave desrespeito à integridade física humana, o tarefeiro, mesmo assim, tende a ser inocentado, pela alegação de que a culpa "seria" da adolescente, que ofereceu as "energias tentadoras do sensualismo" que desviaram do caminho um "servidor do bem".

No que se diz à "caridade espírita", que, com base no comentário contundente do autêntico espírita José Herculano Pires sobre o verborrágico deturpador Divaldo Franco - "conduta condenável no terreno da caridade", declarou o jornalista numa carta - , serve mais para promover os "médiuns espíritas", há uma desculpa pronta para quem comprovar que os resultados dessa "caridade" são baixíssimos e bastante inexpressivos.

Essa desculpa consiste na falsa pobreza, em um discurso que convence a muitos: "Nossa caridade traz menos resultados porque recebemos poucos recursos, os colaboradores são escassos e os donativos se escasseiam". Tudo isso seria verdadeiro se não fossem os seguintes problemas:

1) OS "BENFEITORES" SÃO PESSOAS MUITO PRESTIGIADAS

Os "filantropos" do "espiritismo" brasileiro são pessoas muito prestigiadas e muito badaladas. Aparecem em fotos ao lado de pessoas da alta sociedade. Fazem palestras para ricos. Recebem medalhas. Os "médiuns espíritas" se julgam "cidadãos do mundo" e detentores de uma grandeza que, aparentemente, é reconhecida no mundo inteiro.

Com esses atributos, evidentemente que se espera que eles recebam as mais generosas doações financeiras e suas "casas de caridade" se transformariam em oásis de prosperidade humana. Mas as "casas de caridade" sustentadas pelos "médiuns" não trazem uma realidade excepcional, tendo uma rotina sem muita prosperidade, embora sem grave pobreza.

Portanto, a sensação de grandeza dos "médiuns espíritas" desmente seriamente a hipótese de "falta de recursos", porque a altíssima reputação, construída pela campanha midiática e faz os "médiuns" serem considerados oficialmente "unanimidade", sugere que a sociedade está disposta a jogar rios de dinheiro e de donativos para as instituições "espíritas", tamanha a solidariedade que se dá aos "médiuns".

2) "BENFEITORES" NÃO AJUDAM. A AJUDA VÊM DOS "MÉDIUNS". VÊM DOS FREQUENTADORES

O dado chocante que a propaganda "espírita" esconde é que os recursos não vêm de iniciativa dos "médiuns" nem dos membros das "casas espíritas". Eles constroem seus prestígios pela ajuda dos outros. São os frequentadores que fazem compras, gastam seu dinheiro para adquirir mantimentos e outros donativos (como cremes dentais e roupas) para as instituições "espíritas". Ou seja, os "filantropos" se reduzem a ser meros distribuidores da caridade dos outros.

Isso faz com que a "caridade" se torne limitada. Os "espíritas" não querem abrir mão de seu conforto. Há "médiuns" que vivem em lugar ignorado, um bom apartamento ou uma casinha de classe média. No seu tempo, Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, apenas não tocava em dinheiro sujo, mas era sustentado e tratado sempre de maneira confortável.

A sua pobreza foi uma realidade que morreu em 1932. Chico Xavier teve vida aristocrática nos padrões "modestos" de um ídolo religioso. Não houve denúncias de abandono ou de Chico jogado no chão sujo e molhado de um hospital público. O "médium" mineiro, portanto, não morreu pobre, ele apenas não tocava em dinheiro, até o "filho" Eurípedes Higino foi administrador de Chico no fim de carreira, quase no mesmo papel que Antônio Wantuil de Freitas teve com o "médium" antes.

Quanto à "filantropia", Chico Xavier fazia um espetáculo de pura ostentação, as "caravanas do Amor", exibidas com muito alarde e festas, mas quando se observa as coisas com atenção, todo esse estardalhaço é feito com a caridade dos outros, porque os donativos e mantimentos foram trazidos por terceiros, mas acabam servindo para a promoção pessoal do "médium", como falaremos depois.

3) A "CARIDADE" É FEITA PARA ATRAIR MAIS DINHEIRO PÚBLICO

Como instituições registradas por lei como filantrópicas, as "casas espíritas" estão isentas de pagamento de impostos. Além disso, como várias instituições religiosas, é bem fácil pedir um monte de dinheiro do qual apenas uma menor parte é destinada realmente para ações ditas filantrópicas. O resto vai para o conforto de seus membros ou mesmo dos "médiuns espíritas", que na prática são aristocratas da fé religiosa, que acumulam prêmios volumosos na vida terrena.

É fácil uma instituição "espírita", que precisa de R$ 100 mil para sustentar seus trabalhos e serviços, pedir um valor dez ou vinte vezes menor. Chegam mesmo a carregar no apelo publicitário das imagens de crianças pobres, para forçar a comoção pública dos homens do Estado e assim serem concedidas verbas públicas que, em boa parte, "permitirão", pelo "mérito de luz", que "médiuns" comprem bons carrões, bons apartamentos e viajem para fazer turismo na Europa, a pretexto de "divulgar a boa palavra cristã".

4) A CARIDADE SERVE PARA A PROMOÇÃO PESSOAL DOS "MÉDIUNS"

A "filantropia" tem poucos resultados porque não é o propósito do "espiritismo" brasileiro, que faz apologia do sofrimento humano, pedindo para os sofredores aceitarem as desgraças com resignação e sem queixumes, trazer profundas transformações sociais.

As ações de "caridade" servem mais como um gancho para os "médiuns espíritas" obterem prestígio social, se valendo de uma suposta ação generosa, feita mais para abafar as críticas feitas a eles - que incluem desde obras "mediúnicas" fake até desvios doutrinários em relação aos ensinamentos espíritas originais - do que para realizar uma transformação social na vida das pessoas pobres.

Nota-se, aliás, que, pela grandeza com que se autoproclamam os "médiuns espíritas", seria certo que eles recebessem muitos recursos e, com sua "caridade", o Brasil inteiro atingisse níveis escandinavos de vida, com profundo desenvolvimento social que faria com que os lugares protegidos tivessem baixíssimos índices de criminalidade e pobreza.

A realidade, porém, mostra o contrário, e locais onde se situam "casas espíritas" diversas são os que mais veem crescer e piorar a violência, seja o Jacarezinho (próximo de onde fica o Centro Tupyara) e Bento Ribeiro (onde fica o Leon Denis) no Rio de Janeiro, o Fonseca (onde fica o Centro Dr. March), em Niterói e Nordeste de Amaralina (perto de onde fica o Centro Paulo e Estêvão), em Salvador.

Locais como Uberaba e o bairro de Pau da Lima, também em Salvador, também são os que sofrem grande decadência social e onde a violência cresce de maneira descontrolada, havendo ocorrências até mesmo durante a luz do dia. Isso revela o fracasso que é a "caridade espírita", pois nem nos redutos de Chico Xavier e Divaldo Franco a melhoria veio para as populações pobres. Isso mostra o fracasso da suposta filantropia de uma doutrina deturpada que é o "espiritismo" brasileiro.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Chico Xavier e os Ovnis


Com muita certeza, Francisco Cândido Xavier fez mal à humanidade. Ele fez o Espiritismo se rebaixar a uma coleção infindável de mistificações, conceitos conservadores e falsas mediunidades, criando toda uma desordem vibratória que só fez alegrar os espíritos inferiores, que podem até se disfarçarem de "espíritos de luz" apenas por dominarem a técnica das "mensagens sublimes".

O referido texto, extraído do Facebook, mostra os devaneios que Chico Xavier tinha em relação aos extra-terrestres, pegando carona na Ufologia, que é reconhecida por especialistas sérios como uma pseudo-ciência, suposta área do Conhecimento humano movida por especulações e apelos sensacionalistas.

Se valendo da ignorância coletiva, Chico Xavier investia no "desconhecido" até para justificar suas supostas psicografias - que não refletem, senão, os aspectos pessoais do próprio "médium" - e, mais tarde, para forjar pretenso profetismo ao anunciar "naves-mães" que iriam levar as pessoas "pouco evoluídas" da Terra e trazer extra-terrestres que iriam supostamente trazer sabedoria e progresso espiritual para a humanidade.

Uma série de invencionices, especulações e crenças como estas vão contra os ensinamentos de Allan Kardec, que, sem uma gota de dúvida ficaria extremamente horrorizado com o que fazem com seu legado no Brasil. E ficaria mais indignado, ainda, se soubesse que os deturpadores tentam se passar, até com significativo êxito, pelos "mais corretos discípulos do pedagogo francês".

Vamos ao texto:

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FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER E OS OVNIS

“Nunca se conjeturou, se fantasiou, se abusou, e se exagerou tanto, como hoje, um tema delicado qual o dos discos voadores e o das conquistas da Astronáutica.” ( Seareiros de Volta, Waldo Vieira, pelo Espírito Pinheiro Guedes, pág. 72, Ed. Feb.)

Nas entrevistas concedidas a Fernando Worm, por Francisco Cândido Xavier/Emmanuel, as quais originaram  o livro “Janela para a Vida”, concluímos que Emmanuel se reserva o direito de não comentar abertamente o propósito das visitas de seres do espaço, mais ao mesmo tempo não as nega. vejamos:

Pergunta Fernando Worm:

“De algumas décadas a esta parte vem se acentuando, nos mais variados países e continentes, os testemunhos, alguns insuspeitos, de pessoas que mantiveram contatos diretos com seres de outras civilizações do Espaço Sideral. Seriam seres de mundos mais evoluídos que o nosso, aqui vindos com propósitos ainda não definidos. Você crê que num futuro mais ou menos próximo esses seres venham a estabelecer contatos oficiais com pessoas ou grupos organizados do nosso Planeta? Em que aspecto isso iria contribuir para a maior elevação do pensamento humano?R.: _Consideramos que o problema proposto pertence ao domínio da ciência, mesmo porque, nós outros, os Espíritos desencarnados, somos habitantes de outras faixas evolutivas do Planeta, quase que em comunicação constante com os irmãos corporificados no Plano Físico, sem que muitos companheiros da Humanidade estejam conscientizados a respeito disso.(Emmanuel).

            Da mesma forma dissertando sobre as possíveis visitas e contatos do homem com seres de outros planetas, através das conquistas espaciais, sua resposta mais uma vez é sutil, muito embora em diversos livros de sua autoria as citações e alusões a vida e as comunidades planetárias são enormes, mas sempre abordando o assunto com extremo cuidado de modo a não polemizar estas questões como é o caso das visitas de seres de outras comunidades planetárias ao planeta Terra. Vejamos, o que responde na questão 74 do Consolador:

 P:__O homem científico poderá encarar com êxito as possibilidades de uma viagem interplanetária? R: Pelo menos, enquanto perdurar a sua atitude de confusão, de egoísmo e rebeldia, a humanidade terrestre não deve alimentar qualquer projeto de viagem interplanetária. Que dizermos do homem que, sem dispor a ordem na sua própria casa, quisesse invadir a residência dos vizinhos? Se tantas vezes as criaturas terrestres têm menosprezado os bens que a Providência Divina lhes colocou nas mãos, não seria justo circunscrevê-las ao seu âmbito acanhado e mesquinho?O insulamento da Terra é um bem inapreciável.Observamos as expressões do progresso humano, movimentadas para a guerra e para a destruição, nos triunfos da força, e rendamos louvores ao Pai Celestial pôr não haver dilatado no orbe terreno os processos de observação das suas valiosos criaturas.”(O Consolador, Francisco Cândido Xavier  pelo Espírito Emmanuel, Cap. III, Questão 74).

            Diante dessa resposta de Emmanuel, mais uma vez entendemos que ele não nega, apenas, penso eu, não deve achar coerente tecer  comentários mais pormenorizados a esse respeito. Uma opinião mais do que abalizada é a do médium Francisco Cândido Xavier no livro as “As Vidas de Chico Xavier”. Vejamos:

“Como candidato ao Nobel, Chico voltava a ser notícia.  E, dez anos depois do Pinga Fogo da TV Tupi, surpreendia o público com revelações estapafúrdias. Do alto de seus setenta anos e sob o peso de sucessivas crises coronarianas, ele exibia a coragem de quem sente a morte cada vez mais próxima. Já não pensava tanto antes de confessar sua crença em discos-voadores ou antes de contabilizar a “população flutuante desencarnada” da Terra: 20 bilhões de Espíritos espalhados por diversas áreas invisíveis em torno da crosta terrestre, à espera de voltar ao planeta e resgatar as dívidas de “existências” anteriores. (As Vidas de Chico Xavier, Marcel Souto Maior,Pág. 209, Ed. Rocco Ltda.)

         Logo após a conquista da Lua pelo homem em 20 de julho de 1969, Chico Xavier informou que as Potencias Angélicas estavam muito preocupadas com o crescimento do arsenal nuclear das grandes nações da Terra. Logo após um grande debate ocorrido em uma reunião,ocorrida nas esferas superiores ao planeta Terra, na qual participaram grandes seres  responsáveis por nosso sistema solar, Jesus Cristo nosso governador planetário, mais uma vez intercedeu pela humanidade terrestre, nos concedendo uma moratória de 50 anos. Desta forma, se as grandes potencias terrestres conseguissem nesse período suportarem-se mutuamente não lançando mão de suas ogivas nucleares e optando pelo diálogo, o respeito e a fraternidade entre as nações. Optando pela Paz,  as comunidades extraterrestres que já nos visitam e nos monitoram, poderiam e estariam liberadas  a partir desta data, a se apresentaram mais diretamente ao homem terreno, fornecendo benefícios inimagináveis em todas as áreas de conhecimento da humanidade, ajudando os seres humanos a acelerarem o progresso do Planeta como um todo. O fim desse período ficou conhecido como a Data Limite, que se completa em 20 de julho de 2019.