sábado, 24 de junho de 2017

"Caridade espírita" quase nada ajudou o Brasil


Principal argumento para blindar a deturpação da Doutrina Espírita e proteger a reputação dos "médiuns" que vivem do culto à personalidade, a "caridade espírita" não faz jus a sua fama de "transformadora" e "revolucionária" que seus adeptos tanto alardeiam por aí.

A "caridade" praticada pelo "espiritismo" brasileiro se limita a tarefas pontuais, dentro das definições do Assistencialismo. Até aí, nada demais, diante de "casas espíritas" que fazem projetos assistenciais e acolhem um grupo de pessoas pobres. O problema é o fato de que a medida é usada para proteger os deturpadores e tentar abafar qualquer questionamento, além de servir para a propaganda e promoção pessoal de seus ídolos religiosos, sobretudo "médiuns".

Para começar, nem tudo que é considerado oficialmente "caridade" no "espiritismo" brasileiro deve ser considerada como tal. As "cartas dos mortos" de Francisco Cândido Xavier, por exemplo, foram um processo pernicioso e perigoso que mistura fraudes com obsessão, além de alimentar o sensacionalismo através da divulgação da grande mídia.

Em primeiro lugar, isto é um ato de obsessão, na qual se evoca o nome do falecido sem muita necessidade, dentro de um clima de emotividade ao mesmo tempo piegas e mórbida, e ignorando se o espírito do falecido realmente está ou não disponível para trazer tal mensagem. Em certos casos, mas poucos, talvez estivesse disponível, não fosse o fato do "médium" Chico Xavier produzir mensagens fake, da mente do próprio mineiro.

A fraude foi diagnosticada por diversas fontes, e se torna, para desespero dos chiquistas, verídica. Há o estranho aspecto de muitas mensagens começarem com "Querida mamãe" e apresentarem propagandismo religioso explícito. Além do mais, muitas das mensagens apresentam claramente problemas de caráter pessoal do respectivo autor, como assinaturas diferentes das originais e aspectos de personalidade que contradizem com o que a respectiva pessoa foi em vida.

É a mesma queixa que se dá em relação aos autores famosos, quando Humberto de Campos, Olavo Bilac, Auta de Souza, Casimiro de Abreu, Augusto dos Anjos e outros "aparecem" nos livros de Chico Xavier com graves falhas quanto aos respectivos estilos e personalidades, praticamente refletindo, invariavelmente, a mesma linguagem e o mesmo pensamento pessoal do "médium", trazendo fortes indícios de terem sido obras fake.

As "mensagens dos mortos" não podem ser consideradas "caridade" porque acabam prolongando as tragédias humanas. Em vez das pessoas poderem encarar as tragédias de seus entes queridos no sossego da privacidade e num luto que poderia ser mais curto, a situação se prolonga e se complica com a exploração pitoresca e sensacionalista dessas supostas mensagens e pelo fato delas apresentarem indícios de fraudes, alimentados pela "leitura fria".

Para quem não sabe, a "leitura fria" é um método psicológico no qual o entrevistador colhe informações do entrevistado por meio de uma conversa em tom intimista. Com isso, o entrevistador não colhe apenas as informações que são ditadas pelo entrevistado, mas colhe também outras, mais sutis ou subliminares, que são trazidas pelo modo com que as pessoas falam ou reagem a respeito de alguma ideia.

Além disso, há várias denúncias de que as supostas mensagens espirituais seriam compostas de diversas informações colhidas não só da "leitura fria" ou das fontes diversas (imprensa, diários pessoais, conversas informais durante eventos "espíritas"), mas até mesmo dos formulários preenchidos pelos pacientes quando recorrem ao "auxílio fraterno".

Foi aí que veio uma pegadinha, num "centro espírita" em Campo Grande, Rio de Janeiro, em que a atriz Márcia Brito - que foi a Flora Própolis da Escolinha do Professor Raimundo - afirmou ter se impressionado quando a suposta mensagem atribuída ao falecido filho Ryan Brito citou o celular e RG da mãe. Ela se esqueceu que forneceu essas informações quando preencheu o formulário que sempre se faz num "auxílio fraterno".

Há muitas estranhezas nisso, não bastasse o fato do Brasil ter mais "médiuns" do que naturalmente se poderia ter. E também pelo fato dos "médiuns" não terem o caráter intermediário, mas serem sempre as atrações principais, com direito ao culto à personalidade, apesar de toda a roupagem de pretensa humildade. Além disso, os "médiuns", no Brasil, viram dublês de pensadores e de filantropos, garantindo assim seu estrelato.

E isso se reflete também na forma como os "espíritas" veem a "caridade", mais preocupados com o prestígio religioso do "benfeitor espírita", quase sempre um "médium", do que com os resultados alcançados, que, através de minuciosas pesquisas, se revelam bastante medíocres.

As próprias ações apresentam caraterísticas de Assistencialismo e não de Assistência Social. Só para entender a diferença dos dois, Assistência Social é uma caridade que transforma e o Assistencialismo é apenas uma caridade paliativa, que minimiza efeitos drásticos. Numa comparação mais metafórica, a Assistência Social elimina a doença da pobreza, o Assistencialismo apenas alivia suas dores e seus sintomas, sem no entanto trazer a cura.

O que vemos é o aspecto constrangedor de todo o estardalhaço que se faz com a "caridade espírita" diante de tão pouca coisa. As "caravanas" de Chico Xavier foram um espetáculo bastante ostensivo, exibicionista, mas cujo objetivo é muito frouxo: doar roupas e cestas básicas e oferecer sopas, um ato meramente paliativo, só considerado urgente em situações de calamidade pública.

Há muita diferença entre calamidade pública e pobreza extrema, porque na calamidade pública - recentemente houve um trágico incêndio num edifício residencial em Londres, mas a História registra o drama da Segunda Guerra Mundial - as perdas são inevitáveis em situações drásticas, de graves conflitos e catástrofes naturais.

Na pobreza extrema, o que ocorre são distorções sociais consequentes do descaso político, mas próprias de situações de aparente paz social e que podem ser resolvidas não pela caridade paliativa, mas por políticas profundas de emprego, educação e assistência social que instituições não-religiosas, envolvendo sindicatos e entidades de trabalhadores rurais, estão mais preparadas para fazer.

O grande problema dessa "caridade espírita" é que os mantimentos que a população recebe se esgotam em três semanas, se levarmos em conta que muitos pobres compõem famílias numerosas. Enquanto os "espíritas" saem comemorando por meses uma "caridade" feita num fim de semana ou numa efeméride, seus "beneficiados" voltaram à mesma situação carente de antes.

Há também outro problema, que se refere ao estrelato dos "médiuns". Enquanto a Mansão do Caminho não consegue ajudar, ao longo de seus 65 anos de existência, sequer 1% da população de Salvador (em índices nacionais, a coisa seria pior), Divaldo Franco faz turismo para fazer palestras para ricos e poderosos no Primeiro Mundo, promovendo a deturpação e espalhando as traições doutrinárias que o baiano fez ao legado kardeciano.

A realidade em que vive o Brasil não conseguiu superar a pobreza extrema e os moradores de rua só crescem, diante desse quadro político neoconservador que promove a exclusão social através das reformas trabalhista e previdenciária do governo Michel Temer.

Por sua pretensão de grandeza e pelo alto prestígio dos "médiuns", que se autoproclamam "os maiores ativistas sociais" do Brasil, se a "caridade espírita" tivesse realmente funcionado, o Brasil teria atingido níveis impressionantes de desenvolvimento social.

Não adianta os "espíritas" dizerem que a "tarefa é complexa", ou que "houve obstáculos no caminho", "os espíritos inferiores não deixaram" ou coisa parecida, porque a pretensão de grandeza faz com que muitos palestrantes "espíritas" digam, num dia, que "estão vencendo os obstáculos", mas, no dia seguinte, desmentem dizendo que "não foi possível realizar a tarefa".

O que concluímos é que a "caridade espírita", seja de forma quantitativa e qualitativa, só trouxe resultados medíocres. Houve ajuda, mas ela está bem abaixo das expectativas e ela não traz mérito algum à doutrina deturpadora, porque não se pode usar a "caridade" como escudo para trair Allan Kardec, porque usar o "pão dos pobres" como justificativa para a deturpação é rebaixar a "bondade" como um ato permissivo a qualquer leviandade. Isso não é "bondade" verdadeira.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

"Espiritismo" e a lógica do marido traíra

MUITOS IMAGINAM QUE ALLAN KARDEC ACEITARIA AS TRAIÇÕES À SUA DOUTRINA.

O "espiritismo" brasileiro é deturpado e movido à desonestidade doutrinária. Comete deslizes por opção, decidindo por más escolhas que, tardiamente, são dissimuladas pela vergonha causada pela repercussão negativa.

Extremamente igrejista, o "espiritismo" brasileiro se rebaixou a um sub-Catolicismo de cunho medieval, um clone mais mofado da Igreja Católica. As desculpas, usadas aqui e ali, atribuídas sobretudo à "afinidade com os ensinamentos cristãos" não procede, porque essa desculpa é meramente de cunho religioso e institucional.

As pessoas aceitam que o "espiritismo" traia Allan Kardec por uma série de desculpas: as "tradições religiosas" brasileiras, a "afinidade com Jesus Cristo", a "proteção espiritual de padres, freiras e santos", e, principalmente, "a opção pela caridade". Neste último item, é impossível evitar a seguinte pergunta: "Como assim"?

Quer dizer, é então possível deturpar o Espiritismo, com sua catolicização sem batina nem ouro mas com suas ambições à parte, pregando moralismo medieval, defendendo a Teologia do Sofrimento que Kardec nunca iria defender, falando bobagens como "combater o inimigo em si mesmo" que só incentivam o suicídio que os "espíritas" tanto condenam, e no entanto uma mera "filantropia" pode ser vista como "atestado de fidelidade a Allan Kardec"?

Imagine um homem que trai a própria mulher com suas aventuras na vida noturna. Ele tenta disfarçar, diz que fará uma "hora extra" de trabalho, e, por isso, não poderá voltar para casa cedo. Enquanto a esposa imagina que o marido está no seu rigor profissional que o obriga a ter mais tempo para a sua atividade, ele se esbalda em orgias ao lado da mulherada, eventualmente levando uma das amantes para o hotel.

Mas esse homem também é conhecido por atividades assistenciais (leia-se Assistencialismo). Doa mantimentos com regularidade, compra um enxoval de roupas para os pobres, entrega tudo isso numa casa de "caridade", joga bola com meninos pobres, compra cobertor que ele coloca em mendigos que estão dormindo na ocasião etc.

Será que estas atividades fariam do homem um marido fiel? Ele traindo a esposa é uma coisa, é um ato desonesto. Não haveria lógica em usar a "caridade" para atribuir a ele uma fidelidade conjugal, porque tal atitude é completamente diferente da infidelidade conjugal. Ele continua sendo um traidor ou, como a linguagem mais corrente, um "traíra".

As pessoas falam que o "espiritismo" brasileiro, só pela roupagem de "caridade", está sendo "fiel aos ensinamentos de Allan Kardec". Só que isso é falso, apesar da referência a uma de suas famosas frases, "fora da caridade não há salvação". Mas isso é muito mal interpretado e usado levianamente para defender a deturpação igrejeira, a "catolicização" que vai contra os conhecimentos trazidos pela Codificação.

Além disso, a "caridade" acaba sendo apenas um artifício para que se legitimem as pregações de ideias contrárias aos postulados kardecianos, e remetem mais a um bom-mocismo que serve para a promoção pessoal dos "médiuns". A "caridade" acaba sendo apenas um pano de fundo para práticas nada honestas do "espiritismo" brasileiro, nos quais até devaneios esotéricos são defendidos como "postulados espíritas", quando eles se encontram inexistentes na Codificação.

A metáfora do marido traíra é, portanto, bastante ilustrativa. Assim como a do político corrupto que não vai virar "honesto" distribuindo cestas básicas em campanhas eleitorais. Daí a necessidade de compreender que a suposta filantropia em nenhum momento inocenta os deturpadores do Espiritismo de seus atos levianos e nem os deixa imunes de sofrer os efeitos dessas más atitudes.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

"Espiritismo" e a analogia da consulta médica


O seguinte texto pode esclarecer como reagem os "espíritas" brasileiros em relação ao sofrimento humano.

Um paciente no consultório médico faz sua queixa de uma grave doença que lhe causa dores insuportáveis. Ele recorreu ao doutor confiante de que pudesse obter alguma receita ou remédio para cura, e por isso estava ali na sua exposição.

- Eu não consigo andar, de tanta dor!! Não consigo fazer as coisas do dia a dia, mas também tenho dificuldades para descansar. Perco o sono todas as noites, diante da dor que eu sinto, preciso de sua ajuda para me dar um remédio para a cura. Faço todas as recomendações que o senhor lhe der.

O médico, porém, responde com uma pergunta:

- Amigo, eu acho que você deve conviver com a dor. Deve aceitá-la, talvez até gostar dela, e ter paciência o máximo que puder.

- Como assim, doutor? Eu peço a cura e tento me esforçar para aguentar as dores que sinto agora, com a força da minha mente para evitar gemer, e você me diz para eu gostar da dor?

- Meu amigo, isso é um desafio que você tem que ter. Se eu curar você da doença, como é que você irá aprender com a vida?

- Eu estou deixando de fazer até as coisas mais desafiadoras, doutor! Só estou sentindo dor! Até as coisas mais simples estou tendo dificuldade para fazer! Perco sono toda noite!

- Já reservou um tempo para preces?

- Olha, doutor, faço preces o tempo inteiro. Digo sempre para Jesus me ajudar a suportar a dor, mas a coisa é difícil, é angustiante. Nem dá para mentalizar direito, com tanta dor no corpo!

- Amigo, confie e tenha paciência. Aguente a dor. Aguente quantos anos forem necessários. Se morrer, é porque você recebeu o abraço de Deus.

- Mas eu sinto dor. Eu gastei transporte e reservei um tempo para sua consulta, para você dizer para eu aceitar a dor até não se sabe quando, ou talvez até o fim da vida? E acha que vou perder essa vida, na qual eu nasci para alguma missão, assim de bandeja, jogando a vida no lixo?

- Entenda, amado amigo. Sua missão é sentir dor, que irá moldar sua alma. Se eu lhe desse a cura, como você se comportaria com isso?

- Eu me comportaria bem, seria feliz e prestativo, faria todo tipo de atividade, não teria medo de desafios, aprenderia a vida da melhor forma.

- Por que você não faz tudo isso sentindo dor? Veja o céu azul, os pássaros cantando, o rio mantém seu curso mesmo com os gritos de dor e os conflitos das espécies.

- Por que está me dizendo isso?

- Veja bem. Todos sentem os piores flagelos e a Terra gira, as flores nascem, crescem e morrem, os passarinhos voam e os belos ruídos da Natureza ressoam harmoniosamente.

- Mas eu sinto dor. Como é que posso me relaxar para ver o céu azul e os passarinhos? Meu corpo sofre de intensa dor.

- Mude seus pensamentos que a dor logo sai.

- Não dá. É orgânico. Tento mentalizar o fim da dor e ela só se agrava. Só para andar até aqui tive dificuldades, e ainda vim de longe, pegando mais de um ônibus!

- Meu amigo, tenha paciência e fé em si mesmo...

- Não posso. Tentei tudo. Que médico é esse que tem a cura nas mãos mas prefere que eu fique aguentando a dor? Depois eu critico o seu trabalho e o senhor não gosta e sai chorando. Se eu soubesse a sua resposta, nunca teria vindo aqui. Teria ficado em casa convivendo com a dor.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Brasil ainda é um país preconceituoso

CENA DE "BAILE FUNK" DE UNIVERSITÁRIOS EM PERNAMBUCO - PRECONCEITO SE ROMPE COM... PRECONCEITO.

O Brasil é um país ainda marcado de muito preconceito. São preconceitos que existem até em pessoas que se dizem "contra o preconceito", como na recente onda da pretensa cultura popular de mercado, em que uma imagem caricatural do povo pobre era defendida por uma facção de intelectuais e celebridades como se fosse "fim do preconceito", confundindo "romper o preconceito" com aceitação passiva, não raro bem mais preconceituosa que qualquer rejeição.

Na onda conservadora dos últimos dois anos, houve várias demonstrações de preconceitos e humilhações sociais, partindo de cyberbullyings ou de relatos de teor machista, racista e homofóbico. A coisa ficou tão aberrante que vieram fenômenos pitorescos como o "pobre de direita", que defende o privilégio dos ricos, e o "patriota entreguista", capaz de parar para ouvir o Hino Nacional Brasileiro, mas que defende a venda de nossas riquezas para empresas estrangeiras.

Até a imagem da mulher solteira é depreciada, de maneira mais agressiva do que se imagina. A campanha da mídia do entretenimento de promover uma imagem depreciativa da mulher solteira, que só curte noitadas e praia, se "sensualiza" demais e enche o corpo de tatuagem, piercing e silicone, mas que comete gafes quando tenta opinar sobre alguma coisa, é um "convite" para a mulher que quiser se emancipar procurar um marido com algum cargo de liderança ou poder.

A arrogância com que certas mulheres siliconadas se projetam, com um falso feminismo e um suposto empoderamento não esconde que essas mulheres, que são as que mais vendem a imagem pejorativa da "solteiríssima", abusando de seu narcisismo e caindo em contradição quando, num momento, se afirmam serem "solteiras e felizes" e, em outro, soltam bordões como "estou à procura de um príncipe encantado" e "os homens fogem de medo de mim".

A cultura popular é a que mais sofre com a imagem preconceituosa, e não é pela rejeição aos "sucessos do povão", mas à própria expressão de uma imagem caricatural das classes populares, nas quais se legitimam como "qualidades positivas" situações que, em verdade, são bastante negativas para o povo pobre: a prostituição, o comércio de produtos piratas ou contrabandeados, o alcoolismo, a pedofilia, as moradias precárias nas favelas, a ignorância, entre outros.

É chocante que, durante muito tempo, prevaleceu um discurso de "ruptura do preconceito" que recomendava a aceitação dessa imagem degradada do povo pobre. Um discurso que era difundido pela Rede Globo mas foi também inserido na mídia de esquerda. Era, portanto, um discurso hipócrita, mas cujo apelo emotivo fazia atrair o apoio de muita gente e fabricar uma pretensa unanimidade entre as pessoas que se achavam progressistas e modernas.

A hipocrisia era tanta que, se alguém rejeita o "funk" por conhecê-lo profundamente, é "preconceituoso", mas se outro acha o "funk" genial sem ouvir e sem saber do que se trata, ele é tido como "sem preconceitos", quando na verdade o primeiro é que estabeleceu um conceito ao gênero e o último é que estabeleceu uma visão pré-concebida da coisa.

Os movimentos LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros ou travestis) também ainda são muito estereotipados. A "mulher sapatão" de comportamento agressivo e o gay estereotipado que se veste de drag queen revela ainda uma visão espetacularizada da coisa, muito diferente da sobriedade que se vê nas relações homoafetivas que acontecem no exterior. Até as passeatas LGBT que ocorrem nas capitais são presas a uma estética "carnavalizada" que não raro compromete a causa.

O preconceito é tanto que poucos imaginam que as mulheres siliconadas que "sensualizam demais" são crias do machismo. O Brasil ainda se apega tão selvagemente ao machismo que muitos ainda têm medo de ver um feminicida conjugal, desses que mataram mulheres pela "defesa da honra", falecerem de repente. Se eles morrem mesmo, nem a imprensa se dispõe a noticiar, diante desse medo.

Há até o preconceito que leva as pessoas a adotar uma postura seletiva a tipos sociais que cometem o mesmo descuido de saúde. Digamos que três tipos de homens fumam demais: o ator de teatro, o roqueiro e o feminicida conjugal e todos morrem de infarto na casa dos 55 anos.

A sociedade moralista vê a morte do primeiro com resignação, a do segundo com alívio e a do terceiro com desespero. Há quem diga, pasmem, sobre o óbito do feminicida: "Mas já, assim tão cedo?". E isso quando suas mulheres teriam sido mortas, quase sempre, com bem menos idade.

No caso do racismo, a expressão de grupos musicais de "pagode", seja ele "romântico" ou "sensual", também revela esse preconceito contra os próprios negros que interpretam tais canções. Seja a imagem auto-ridicularizada de certos conjuntos, letras sobre "macacos" e "baratas da vizinha", seja o apelo "sensual" de negros caricatos da Bahia, que trabalham o estereótipo pejorativo do "tarado abobalhado", a negritude que tais intérpretes dizem defender é, na verdade, bastante depreciada.

E isso tudo ainda é temperado com a ideia restritiva de "bondade" ao institucionalismo religioso. Embora o discurso apele para defender a "bondade" como uma "virtude de todos e de qualquer um", com ídolos religiosos "reconhecendo" até a generosidade de muitos ateus, a verdade é que sempre existe um empenho para privatizar a "bondade" como uma virtude que tenha sempre um selo religioso, como nos selos de garantia de produtos industrializados.

Mas isso ainda é pouco, se percebermos, no caso do "espiritismo" brasileiro, a "bondade" serve de escudo para proteger os deturpadores. O "espiritismo" brasileiro agora conhece o preço caríssimo da catolicização, expressa na quase totalidade das "casas espíritas" e em quase toda a literatura produzida, de romances "mediúnicos" a livros teóricos, e tenta abafar os questionamentos profundos com todas as alegações de "bondade" e "caridade", por meio de apelos emocionais.

Só que isso mostra mais preconceito. A ideia das pessoas de que todo apelo emocional é "positivo" e "saudável" as conforta e qualquer religião que venha com ilustrações de corações fofinhos é sempre "digna de confiança". Só que esquecemos que esse gênero de apelos emocionais, o Ad Passiones, é reconhecido como um tipo de falácia, que é a mentira veiculada como se fosse "verdade indiscutível".

Da mesma forma, também poucos imaginam que o "espiritismo" possa fazer Assistencialismo. Mas faz. Poucos percebem, quando defendem os "médiuns" pela suposta caridade que fazem, que os resultados obtidos são muito medíocres e bastante inexpressivos, afinal se essa "caridade" funcionasse, o Brasil teria atingido padrões escandinavos de qualidade de vida, até pela grandeza e triunfalismo que se costuma associar aos ídolos "espíritas".

Isso cria uma postura bastante ridícula. É muito comum os "espíritas", diante de um suposto progresso humanitário, dizer num momento que "já estamos progredindo" e, em outro, desmentir isso, dizendo que "não foi possível". Dizer taxativamente uma coisa e depois desmentir é um hábito e isso também é usado para mascarar o Assistencialismo, diante dos resultados medíocres obtidos: alegam "terem dificuldades" para "levar adiante os progressos sociais".

A figura do "médium" acaba sendo distorcida diante de tantos preconceitos que se tem da atividade. Perdendo o caráter intermediário original da atividade, o "médium" vira um sacerdote do "espiritismo", sendo o centro das atenções e dublê de pensador e ativista social. E, através de "mediunidades" que claramente soam fake, os "médiuns" nem precisam receber os mortos, diante da arrogância deles em "falar em nome deles" e se promover às custas dos nomes dos falecidos.

O Brasil tem três problemas que permitem tantos preconceitos, aberrações e retrocessos. Um é a desinformação generalizada, combinada com a baixa escolaridade. Outro é o moralismo severo que quer controlar demais a liberdade humana. Terceiro, oposto ao segundo, é a libertinagem que quer condenar até a moral mais prudente.

Isso cria sentimentos surreais como ter medo de ver feminicidas conjugais falecerem e aparecerem nos obituários de imprensa, ou de exaltar a "caridade espírita" em função mais do prestígio do "benfeitor" do que o "mero detalhe" dos "beneficiados". E isso quando funkeiras dançam com os glúteos exibidos para a plateia enquanto se autoproclamam a "melhor definição de feminista" que se tem no Brasil. Depois acusam as feministas do Primeiro Mundo de verem Harry Potter demais...

terça-feira, 20 de junho de 2017

"Médiuns" e palestrantes "espíritas" repetem orgulho dos fariseus

A PRETENSÃO DE QUERER TER RESPOSTAS PARA TUDO - O "MÉDIUM" DIVALDO FRANCO E SUA EXTRAVAGÂNCIA DE QUERER POSSUIR A VERDADE.

O "espiritismo" brasileiro repete práticas, crenças e procedimentos que não apenas causaram vergonha e constrangimento ao pedagogo Allan Kardec como refletem os mesmos vícios dos antigos sacerdotes fariseus que viveram nos tempos de Jesus de Nazaré.

A extravagância da pose "ilustrada", o discurso verborrágico, a falsa humildade, a pretensão de sabedoria absoluta, a pressa em estar mais perto de Deus, tudo isso Jesus reprovava, com muita energia, dos antigos sacerdotes em sua época.

Pode parecer chocante aos brasileiros, desinformados de tudo hoje em dia, verificar esse vício nos oradores e escritores do "movimento espírita", mas eles demonstram, até com certa evidência, esses vícios bastante extravagantes, que só não causam constrangimento às pessoas porque elas estão entorpecidas e seduzidas pelo apelo emotivo das paixões religiosas.

Mas um texto, extraídi de O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec (tradução de José Herculano Pires), do Capítulo 07, Bem-Aventurados os Pobres de Espírito, no texto Quem Se Elevar Será Rebaixado, um trecho retirado do Novo Testamento nos alerta para a presunção de encurtar o caminho para o céu, que domina as ambições de muitos palavreadores "espíritas", mesmo aqueles que buscam o tempo todo simular o máximo de humildade nas poses, gestos e palavras:

 "Então se chegou a ele a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, adorando-o e pedindo-lhe alguma coisa. Ele lhe disse: Que queres? Respondeu ela: Dize a estes meus dois filhos que se assentem no teu Reino, um à tua direita e outro à tua esquerda. E respondendo Jesus, disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu hei de beber? Disseram-lhe eles: Podemos. Ele lhes disse: É verdade que haveis de beber o meu cálice; mas, pelo que toca a terdes assento à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence conceder-vos, mas isso é para aqueles a quem meu Pai o tem preparado. E quando os dez ouviram isto, indignaram-se contra os dois irmãos. Mas Jesus os chamou a si e lhes disse: Sabeis que os príncipes das nações dominam os seus vassalos, e que os maiores exercitam sobre eles o seu poder. Não será assim entre vós; mas aquele que quiser ser o maior, esse seja o vosso servidor, e o que entre vós quiser ser o primeiro, seja o vosso escravo; assim como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em redenção de muitos. (Mateus, XX: 20-28)".

Os "espíritas", em vez de servir, querem ser servidos. Eles falam tanto que as pessoas aguentem o sofrimento, mudem seus pensamentos, abram mão de suas habilidades e se submetam a sacrifícios extremos. Falam tanto em defesa da servidão dos outros, mas eles mesmos, os "espíritas", nem de longe querem ajudar os sofredores, apenas criando um discurso prolixo cuja mensagem poderia se resumir a poucas palavras: "Se vira!".

Os sofredores, evidentemente, fazem sua parte. Tudo o que os "espíritas" pedem aos sofredores, estes já o fizeram. Tiveram jogo de cintura, meteram a cara, mudaram seus pensamentos, forjaram sorriso e alegria em momentos tristes, perdoaram algozes, ampliaram a paciência, tiveram perseverança e até oraram, oraram e oraram muitas preces. Assumiram arrependimentos, reconheceram erros e tudo o mais. Fizeram o inimaginável para vencerem na vida e não venceram.

Quando os sofredores reclamam da falta de sorte, não é por estarem de braços cruzados. Eles fizeram sua parte no serviço que até lhes foi excessivo. O sofrimento que, em tese, se impôs "dentro de suas capacidades de suportá-lo", ultrapassou tais capacidades. Foi como uma dívida que, mesmo totalmente paga, se renova em juros exorbitantes.

O sofredor acaba encarando uma espécie de estelionato moral. Já não é mais encarar dificuldades, mas suportar encrencas e até danos morais pesados, com as circunstâncias ocorrendo para esmagar suas almas e reduzi-las a uma apatia e uma depressão intensas, e, mesmo assim, o "espiritismo" ainda recomenda alegria e esperança nesses momentos de asfixia.

Confundindo desafios com desgraças, aprendizados com prejuízos, os ideólogos "espíritas" parecem não ver a diferença entre natação e afogamento. Uma coisa é a pessoa encarar novas habilidades em tarefas complicadas mas não degradantes, outra coisa é a pessoa ser alvo de humilhação e empecilhos só para obter um menor e relativo benefício.

Uma coisa é nadar contra a correnteza com energia e cautela, para conseguir um caminho para a superfície. Outra coisa é se afogar ao ser tragado pelo mar em onda ameaçadora, com tubarões nas proximidades a devorar o indivíduo, diante de enrascadas sem fim.

O "espiritismo" se revela uma religião desumana, tamanho foi o grau de deturpação que fez, na religião brasileira, mais próxima do imperador Constantino do que de Allan Kardec. E a hipocrisia gritante de tantos palestrantes "espíritas" assusta, porque eles traem Kardec o tempo inteiro, mas também juram com insistência que lhe são "absolutamente fiéis".

Os "espíritas", mesmo forjando "sincera humildade", se tornam extravagantes e presunçosos. Querem ter a posse da verdade, mesmo que não assumam isso no discurso. Lutam para ficar com a palavra final em qualquer coisa, mesmo sob o preço de dizerem uma coisa em um texto ou palestra e, em outra exposição escrita ou falada, dizer uma coisa completamente diferente.

Se acham "sábios" e querem conquistar o céu com seu balé de palavras lindas. Mas às vezes os "espíritas" ferem, com seus juízos de valor em torno do sofrimento alheio. Acham que é fácil um sofredor se dividir entre o trabalho na enxada e a prece, sobrecarregando a mente já estressada que, não raro, é capaz de ferir o pé com a enxada, por um erro de atenção.

Os "espíritas" juram que praticam "caridade plena", e posam cercados de crianças saltitantes durante os festejos da doutrina igrejeira. Fazem uma caridade que só traz resultados medíocres e pequenos, mas comemora demais como se tivesse feito "até demais" pelos necessitados. Quanta leviandade comemorar demais pelo quase nada que se faz!

E como os "espíritas", aparecendo ao lado de personagens ilustres nas fotos de imprensa, querem tanto alcançar o céu. Já imaginam que Divaldo Franco, por exemplo, já tem uma cerimônia pronta para quando retornar à "pátria espiritual".

Acham que Francisco Cândido Xavier já conquistou o "céu". Quanta ingenuidade! Diante de tantas confusões que o grande deturpador da causa espírita fez, não se espera dele que, na volta ao mundo espiritual e na preparação para o reencarne, tenha se revelado o mais ordinário dos ordinários, decepcionado em ver as promessas de ingresso ao Céu se comprovarem muito distantes.

Os "espíritas", se nos basearmos nas parábolas contadas por Jesus, se encaixam naqueles extravagantes religiosos que se exaltam, se não no discurso, mas nas posturas e nos artifícios mais sutis. Os "médiuns", deixando o papel intermediário que lhes deveria caber como obrigação, vivem no culto à personalidade e bancam os dublês de pensadores e ativistas, virando eles mesmos versões atuais dos antigos sacerdotes reprovados firmemente por Jesus.

Desta maneira, os sofredores que tanto recorreram ao "espiritismo" para pedir pão e levaram serpentes, têm o maior mérito de serem consolados, porque tudo fizeram de receita para vencer na vida, e muitos não puderam vencer.

Mas os verdadeiros perdedores são aqueles oradores e escritores que vivem no turismo das belas cidades, exibindo suas coreografias de palavras lindíssimas, investindo num arremedo de caridade só para serem vistos como "bondosos" e fazendo todo um teatro de boas palavras e boas emoções visando o ingresso mais rápido ao Céu. Muitos que pensaram assim já foram rebaixados, ao retornarem ao além-túmulo. Quem sabe o umbral não está cheio desses "bons espíritas"?

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O lugar dos espíritas autênticos, segundo os deturpadores do Espiritismo


De repente, houve uma onda de deturpadores do Espiritismo fazendo "emocionados elogios" aos espíritas autênticos. Não se trata apenas da habitual bajulação a Allan Kardec, nem na apropriação tendenciosa dos alertas do espírito Erasto, mas de evocar os nomes de espíritas brasileiros autênticos, como José Herculano Pires e Deolindo Amorim.

Os deturpadores andam publicando textos de espíritas autênticos ou fazendo relatos biográficos dos mesmos. Aparentemente, atendem a uma necessidade de lembrar dos espíritas que lutaram pela valorização dos postulados espíritas originais, mas sendo essa atitude vinda justamente daqueles que praticam o igrejismo e exaltam também outros deturpadores, isso é para desconfiar.

Afinal, é bom demais para ser verdade. A ideia é evitar os conflitos nos bastidores do "movimento espírita" que eclodiram depois que o presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, se aposentou, em 1970, quatro anos antes de morrer.

Sem Wantuil, começaram a se revelar irregularidades a respeito do poder centralizado da Federação "Espírita" Brasileira e sua ganância financeira em torno das vendas de seus livros. Isso criou um conflito entre as federações regionais e a federação nacional que deu origem à "fase dúbia", um "roustanguismo com Kardec" que reagiu ao nome de J. B. Roustaing, símbolo da FEB.

Desta feita, as federações regionais, que passaram a comandar o "movimento espírita" nos últimos tempos, com a FEB apenas atuando de maneira formal, sem intervir nos interesses gerais do movimento, já que a atual fase do "movimento espírita" priorizaria a autonomia das federações regionais.

O que chama a atenção, no entanto, é o simulacro de recuperação das bases doutrinárias, feito pela "fase dúbia". Os ideais igrejeiros originários de Jean-Baptiste Roustaing passaram a coexistir com a aparente apreciação do pensamento kardeciano original. Igrejismo e cientificismo se misturaram e uma promiscuidade ideológica se viu surgir e crescer, dissimulada por apelos à "caridade" e à "fraternidade", tipicamente igrejeiros.

Diferente da Era Wantuil, o "movimento espírita" fez um pacto mais áureo do que o Pacto Áureo de 1949. As federações regionais conquistaram autonomia, influenciadas pelo prestígio dos "médiuns" Francisco Cândido Xavier, mineiro, e Divaldo Pereira Franco, baiano. Um acordo foi feito também para evitar qualquer desavença com os espíritas autênticos, como Herculano Pires e, em tese, até mesmo os mais entusiasmados igrejeiros tinham que se autoproclamar "kardecistas".

O termo "kardecismo" surgiu aí, depois de supostas mensagens espirituais de Adolfo Bezerra de Menezes, um dos fundadores da FEB, alegar "arrependimento" por ter sido roustanguista e passar a apelar para todos "kardequizarem", o que dá o tom da mensagem, já que a expressão "kardequizar" soa como uma corruptela do termo "catequizar", termo referente à pedagogia católica trazida pelos antigos jesuítas, no período colonial.

Só que o termo "kardecista" acabou se desvinculando da essência kardeciana original, daí que os verdadeiros espíritas sempre se afirmam "kardecianos" e não "kardecistas". Isso porque o "kardecismo", que é a "fase dúbia" do "movimento espírita", enfatizou ainda mais ideais roustanguistas, trazidos sobretudo por meio de romances "espíritas" e pelas palestras dos "médiuns" que já descaraterizaram a atividade original e intermediária do médium espiritual.

A "fase dúbia" representou a ascensão de Divaldo Franco, então um emergente entre os astros do "movimento espírita". Mas representou também a reinvenção do mito de Chico Xavier, antes pupilo de Wantuil de Freitas, e desfez-se, no "médium" mineiro, aquela imagem pitoresca e sensacionalista que causou confusões, vide episódios como o julgamento do caso Humberto de Campos e as fraudes da farsante Otília Diogo.

Até o fim da Era Wantuil, Chico era blindado pela TV Tupi. Geralmente, nos Diários Associados, Chico "levava surra" da revista O Cruzeiro e era "socorrido" pela TV Tupi. Mas como o "médium" sempre trouxe energias estranhas - Chico está associado à "maldição dos filhos mortos" por boa parte de seus seguidores verem seus filhos morrerem de repente - , a proteção da TV Tupi também teve seu preço muito caro.

Depois que até a revista O Cruzeiro fez as pazes com Chico Xavier, e após o desfecho do caso Otília Diogo, em que Chico, espécie de "Aécio Neves pré-delação da JBS" dos "espíritas" no sentido da blindagem absoluta, foi inocentado apesar da cumplicidade, a TV Tupi ainda veiculou uma novela "espírita" que a dramaturga Ivani Ribeiro adaptou livremente do livro Nosso Lar, a famosa A Viagem.

Aí os Diários Associados naufragaram na crise, a revista O Cruzeiro se descaraterizou em 1975 - mudou seu projeto gráfico para algo mais simplório e com linha editorial copiada da revista Visão - e a TV Tupi entrou em decadência, forçando a empresa fundada por Assis Chateaubriand (aposentado em 1960 e morto em 1968) a vender boa parte de seu espólio e enfrentar uma greve de funcionários que tinham o pagamento salarial atrasado.

Diante desse quadro, a blindagem de Chico Xavier passou a ser das Organizações Globo, que romperam com a antiga animosidade ao "médium" e contribuíram para reinventar seu mito, enfatizando a suposta caridade com base no que o inglês Malcolm Muggeridge fez com Madre Teresa de Calcutá.

Sem enfatizar façanhas como ser um suposto porta-voz de intelectuais já falecidos ou de supostas práticas de psicofonia e materialização, deixou-se de lado os "dons fantásticos" para reduzir o "médium" a um "carteiro de Deus", forjando mensagens igrejeiras supostamente em nome de pessoas anônimas mortas, prestando um "serviço" aos parentes desses entes queridos.

Era uma construção ideológica que deu mais certo do que apelar para a literatura "espiritual", que soava claramente fake. Não sendo mais os "mortos famosos", mas os "anônimos", os escândalos eram minimizados. Fora esse apelo, Chico ainda seguiu rigorosamente o roteiro que Muggeridge fez para inventar o mito de Madre Teresa.

Com isso, também forçou-se a associação de Chico Xavier com a Doutrina Espírita original, num recurso próprio da "fase dúbia". O maior ídolo do "movimento espírita", oriundo da fase Wantuil, era reinventado e reembalado de forma a ser "digestível" não só por espíritas autênticos, mas também por ateus, esquerdistas e outros perfis ideológicos.

Com a recente estratégia de bajular os espíritas autênticos, os deturpadores do Espiritismo usam uma tática habilidosa, a de estabelecer um vínculo tendencioso com os verdadeiros nomes brasileiros da Doutrina Espírita, para o caso de uma grave crise atingir o "movimento espírita". Mas isso é como políticos do PSDB exaltando personalidades do PT, um oportunismo que não tem a menor credibilidade.

Essa estratégia, no entanto, revela o verdadeiro lugar que os deturpadores do Espiritismo no Brasil reservam aos espíritas autênticos: a "morada" teórica dos livros e do passado biográfico, já que eles estão mortos. Eles que se reduzam à letra "desencarnada" das exposições teóricas, enquanto a "prática espírita" se volta ao mais escancarado igrejismo. Tenta-se ser "kardeciano" na teoria, mas na prática continua-se sendo roustanguista, até mais do que quando se assumia o nome de Roustaing.

A "fase dúbia", com suas múltiplas dissimulações, tentava aproveitar todo tipo de oportunismo. Isso não faz do "espiritismo" uma religião melhor. Pelo contrário, confundir contradição e equilíbrio é algo deplorável, e o que se observa no "espiritismo" brasileiro é um grande engodo doutrinário que só parece "apresentável" para o público leigo. Até este conhecer a podridão nos bastidores, vai achar que "tudo é lindo" no "espiritismo" brasileiro.

domingo, 18 de junho de 2017

A bajulação dos deturpadores aos espíritas autênticos


Nada como um deturpador igrejeiro do "movimento espírita" sair bajulando e exaltando os espíritas autênticos. Não bastassem as bajulações um tanto tendenciosas a Allan Kardec e seus espíritos relacionados - de Jesus de Nazaré a Erasto - , as adulações envolvem também espíritas brasileiros autênticos, como José Herculano Pires e Deolindo Amorim.

Na crise em que vive o "espiritismo" brasileiro, não são poucos os "médiuns" e os palestrantes que deturpam o Espiritismo a correr para o barco adversário, como piratas que migram para o navio inimigo. Assim, tentam "exaltar" a sabedoria e a coerência dos autênticos batalhadores da Doutrina Espírita, como se isso representasse um serviço exemplar para a propagação do verdadeiro Espiritismo.

Mas não é. A bajulação a Herculano, Deolindo, Carlos Imbassahy e outros não é garantia que o deturpador aprendeu realmente a lição e vai se tornar "espírita para valer". A aparente confraternização esconde, sob a beleza do seu discurso e a aparente pureza de seus gestos, objetivos bastante levianos de arrivismo e até de vínculo com causas que lhes são contrárias.

Quantas vítimas dessa adulação viscosa, essa baba de ovo, essa saliva escorrendo pela boca, de pessoas que deturpam o sentido de fraternidade, pregando uma espécie de "fraternidade para mim mesmo", na qual se exalta todo mundo que representa algo positivo e avançado para se obter vantagens pessoais e estabelecer vínculo com as personalidades realmente valiosas que passaram pela Terra.

Quantos bajuladores baratos se escondem em livros, palestras e títulos tão nobres. No "espiritismo" brasileiro, abrigo para tantas mentes medíocres, trapaceiras e canastronas, tantos são os que bajulam todo mundo que estiver ligado a algo positivo. Há aqueles que bajulam até mesmo Ernesto Che Guevara e Jimi Hendrix, talvez para causar impressão no público mais jovem.

Ah, quanta falta de observação de muitos brasileiros, iniciantes, leigos ou mesmo habituais no "espiritismo" brasileiro, de quantas incoerências existem em muitos palestrantes, em parte "médiuns", em outra parte apenas pretensos intelectuais, que com seu balé de palavras bonitas veiculam ideias que se chocam entre si, sendo capazes de escrever uma coisa num texto e outra completamente diferente em outro.

Quantos bajuladores arrancam aplausos com suas belas palavras! Ah, que veneno pode representar um elogio vindo de um bajulador barato, ferindo mais do que uma maledicência aberta! Quantos traidores não estão por trás daqueles que apertam a mão de pessoas de perfil mais avançado, dando-lhe os mais elaborados louvores verbais, para depois apunhalá-los pelas costas praticando ideias contrárias as dos bajulados.

Os brasileiros não observam isso com cautela e aceitam que escritores e palestrantes "espíritas" digam uma coisa num momento e outra depois. Num momento, ficam com o cientificismo de Kardec e juram fidelidade absoluta. Num outro momento, o traem com igrejismo extremado, e ficam com os deturpadores que usam a "caridade" como escudo para seus trabalhos de catolicização do Espiritismo.

Quanta podridão há nos bastidores do "movimento espírita". Quantos roustanguistas de carteirinha se dizem "absolutamente fiéis" a Kardec. Quantos exércitos de palavras são feitos para mostrar o bom mocismo dos deturpadores, que pensam que se pode falar em "caridade" e "fraternidade" para legitimar ideias contrárias à Codificação.

Diante desse esforço hercúleo dos Golias da palavra, dos Constantinos da fé a pregar mistificação, o "espiritismo", que tanto se gaba em "valorizar o Conhecimento", ainda condena o questionamento aprofundado, que tão levianamente define como "falta de perdão", usando expressões fortes como "tóxico do intelectualismo" para esconder seu medo de ser questionado.

Pois Kardec, que aceitava o debate e a controvérsia, nunca aprovaria esse engodo doutrinário, essa "lavagem de porco" a que se reduziu o "espiritismo" no Brasil, misturando igrejismo e cientificismo, ideias fantasiosas e outras realísticas, teorias mediúnicas corretas com mediunidade fake, e pregando a Teologia do Sofrimento sem assumir no discurso essa teoria medieval. O amor não pode proteger a hipocrisia.

sábado, 17 de junho de 2017

Confusão no "espiritismo" não é diversidade


De alguma forma, o governo Michel Temer serviu para trazer as pessoas a gravidade de muitas confusões e erros que eram consentidos por serem associados a elites antes associadas à qualidades positivas referentes à administração, moderação política, austeridade e transparência.

Neste caso, o atual cenário político, manchado por uma série de gravíssimos escândalos que deixam o Brasil numa posição vulnerável, é revelada a podridão que o topo da pirâmide social tanto escondeu e que era fruto de um método ilícito de ascensão social, que ia do clientelismo ás propinas.

Isso ensina às pessoas o fato de que os erros não se medem pela posição social de quem pratica. Graves erros não recebem como atenuantes o prestígio social de seu praticante e as pessoas comuns também não podem ficar indiferentes a eles, porque em muitos casos os erros podem afetar a vida das pessoas.

No "espiritismo", há um monte de aspectos bastante sombrios e extremamente negativos. O pecado original do "movimento espírita" foi a preferência dada ao igrejismo de Jean-Baptiste Roustaing, que criou uma série de problemas, confusões, dissimulações. Ele criou as bases catolicizadas das quais o "espiritismo" brasileiro finge ter superado, mas que pratica até com maior intensidade do que antes.

Os arrivismos e jogos de interesses aqui e ali passaram a ser ainda mais perniciosos e levianos do que antes, há cem anos. Pelo menos a catolicização do Espiritismo no Brasil tinha como justificativa atrair o apoio da Igreja Católica para proteger a outra doutrina da repressão policial que sofreu naqueles tempos.

Hoje, porém, nada justifica o "outro Catolicismo" a que se rebaixou o legado de Kardec no Brasil. E o mais grave é que uma parcela de igrejeiros, incluindo influentes palestrantes e, em parte, "médiuns espíritas", se diz "rigorosamente fiel" a Allan Kardec, mesmo traindo com seus postulados.

Tem gente que fala mal da "vaticanização da Doutrina Espírita" mas elogia todo tipo de igrejeiro. Elogia até a Legião da Boa Vontade, uma espécie de neo-catolicismo enrustido e "eclético". Elogia até Roustaing, mas depois pede para que "se valorizem" os espíritas autênticos como José Herculano Pires e Deolindo Amorim.

É tanta confusão no "movimento espírita" que mesmo os adeptos de Francisco Cândido Xavier não se entendem completamente. Uns acreditam que Chico Xavier fez a "profecia da Data-Limite", outros dizem que isso é absurdo, uns dizem que Chico foi reencarnação de Kardec, outros acham isso improcedente etc.

Divaldo Franco havia feito um falsete, tido como psicofonia, atribuído ao marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente da República no Brasil. Mas Chico Xavier havia dito que Deodoro havia se reencarnado na pessoa do hoje senador Fernando Collor de Mello.

Chico Xavier era defensor explícito da Teologia do Sofrimento, embora não assumisse essa denominação. Divaldo era mais sutil na defesa dessa corrente medieval. Já o conterrâneo e amigo de Divaldo, José Medrado, se aproxima mais da Teologia da Prosperidade dos neopentecostais, até porque a Cidade da Luz é vizinha a uma filial da Igreja Universal do Reino de Deus, em Pituaçu, em Salvador.

Confusão não é diversidade e contradição não é equilíbrio. Os bastidores do "espiritismo" brasileiro ocorrem de forma que poderia chocar os seguidores que forem informados de tais deslizes. Mas a postura do "deixa pra lá", movida pelo prestígio social dos "espíritas" - o prestígio religioso, que, apesar do verniz de "humildade", os coloca no "alto da pirâmide", como braço religioso da plutocracia - , sempre consente com esse engodo doutrinário.

Essa confusão até poderia fazer sentido se não fosse a pretensão dos deturpadores da Doutrina Espírita em geral de defender "não vários espiritismos, mas um único Espiritismo, o de Allan Kardec". Essa pretensão invalida qualquer consentimento com os erros cometidos pelos "espíritas", porque no discurso se pede "respeitar" o Espiritismo original, mas na prática comete-se traições de arrancar os cabelos.

Ter coerência não é questão de estufar o peito, falar grosso e firme e escrever com aparato de erudição em belas palavras. Quantas terríveis incoerências, omissões, fraudes, dissimulações foram feitas pelos "espíritas", da literatura fake das pretensas psicografias de Chico Xavier - que mostraram um suposto Olavo Bilac que perdeu seu talento poético - , de fantasias materialistas (colônias espirituais) feitas para justificar o sofrimento na Terra, e tantas coisas aberrantes?

Esse é o problema que faz o "espiritismo" brasileiro entrar numa aguda crise e que pode fazer os "espíritas" terem que assumir que romperam com Allan Kardec. Eles poderiam se assumir neo-católicos, roustanguistas, se associar à Legião da Boa Vontade, só não podem mais dizer que "defendem totalmente Kardec" porque isso já causou muito vexame e pode piorar as coisas.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

"Médiuns" acabam ofendendo mortos ao se apropriar deles para propaganda religiosa

ATRAVÉS DE OBRAS FAKE, HUMBERTO DE CAMPOS E RAUL SEIXAS PASSARAM A DEFENDER IDEIAS QUE NÃO DEFENDERIAM.

Muitos se recusam a admitir, mas o "espiritismo" brasileiro cometeu deslizes e equívocos da mais extrema gravidade, como a mediunidade fake e as ideias fundamentadas no livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing.

Esconder Roustaing e o articulador de muitos erros, o ex-presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, debaixo do tapete, não resolve as coisas, porque muitos dos ídolos do "movimento espírita" foram e ainda são cúmplices de muitos procedimentos levianos e até ilícitos. No histórico do "espiritismo" brasileiro, existe até uma morte suspeita, do sobrinho de Francisco Cândido Xavier, Amauri Xavier, possivelmente envenenado por "queima de arquivo".

Isso é muito chocante para os leitos que recorrem à grande imprensa para conhecer o que é o "espiritismo" e observa um "céu de brigadeiro" no qual coexistem com supostas paz e equilíbrio o cientificismo de Allan Kardec e o igrejismo de Chico Xavier.

Muitos se recusam a perceber o quanto esses erros diversos nos bastidores do "espiritismo" brasileiro são muito graves, desmoralizando o legado trabalhoso que o pedagogo francês teve para difundir e explicar a Codificação. Mesmo quando admitem os erros, os seguidores, simpatizantes e leigos do "espiritismo" brasileiro chegam mesmo a acreditar que pode haver coerência numa seita de tantas confusões, impasses e até mentiras.

Como um PSDB da religião, blindado ao máximo e evitando a denúncia de uma tosse que venha de um "espírita", o "espiritismo" brasileiro se valeu de uma mediunidade fake, constatação esta que pode assustar e indignar muitos, mas é feita pela análise comparativa das obras "mediúnicas" com os estilos e outros aspectos pessoais dos mortos alegados, famosos ou não.

Essa pretensa mediunidade mostra irregularidades imensas que o fato de deixar "certos problemas" debaixo do tapete, sob a desculpa dos "mistérios da espiritualidade", não demonstra uma cautela no tema da manifestação espiritual, mas antes uma perigosa e irresponsável omissão.

As irregularidades de muitas pretensas psicografias e psicopictografias, para não dizer as psicofonias que mais parecem falsetes de stand up comedy, podem ser facilmente identificadas por análises de conteúdo, da mesma forma que podemos identificar fraudes em cartas apócrifas de sequestradores imitando a caligrafia de suas vítimas.

No caso das supostas psicografias de Chico Xavier, que o marketing religioso fez vender uma falsa imagem de "caridade plena", com toda a mitificação própria das paixões religiosas, as irregularidades podem ser identificadas por uma simples atenção nos textos dos supostos autores mortos e compará-los com o que eles haviam deixado em vida.

No caso de Auta de Souza, jovem poetisa potiguar que viveu no final do século XIX, o estilo peculiar da artista desaparece diante das supostas mensagens espirituais trazidas por Chico Xavier. Em vez do estilo feminino e quase infantil de Auta, observa-se o estilo masculino e igrejeiro do "médium" e, em certos momentos, a suposta Auta expressa pensamentos próprios de Chico em relação à Teologia do Sofrimento, da qual o "médium" foi sempre devoto.

Humberto de Campos também fez desaparecer seu estilo, em que pese eventuais pastiches que parodiam sua forma de narrar. Note-se que, no lugar do autor de escrita culta, mas acessível, de prosa coloquial e descontraída, há um moralista religioso de texto melancólico e rebuscado, com um estilo totalmente diferente. Através de Chico Xavier, o nome de Humberto também foi usado para vínculo com a Teologia do Sofrimento defendida pelo "médium".

No caso de Raul Seixas, outro suposto médium, Nelson Moraes, tentou imitar, mas de forma grosseira e caricatural, o estilo do roqueiro, em suposta psicografia usando o pseudônimo Zílio, que claramente não condiz ao estilo do roqueiro baiano. Além disso, a "mensagem espiritual" força a barra ao acentuar uma mística religiosa que Raul havia abandonado nos últimos anos de vida.

Nelson cometeu um grande erro que derruba qualquer hipótese de autenticidade na atribuição do seu Zílio à identidade de Raul Seixas, apelando também para a Teologia do Sofrimento na parte do não-questionamento da vida, algo que vai contra os ensinamentos kardecianos que buscam o questionamento como meio de resolver os problemas:

"Antes de questionar a vida, questione a si mesmo, analise seus conceitos, seus sentimentos, sua gratidão por aqueles que o ajudaram a renascer na Terra e, com certeza, você encontrará uma grande razão para viver e lutar contra o único inimigo que pode derrotá-lo: você mesmo!".

OFENSA À MEMÓRIA DOS MORTOS

Agindo desta forma, usurpando os nomes dos mortos para produzir imagens fake, os "médiuns" fazem dois tipos de oportunismo. Um é quando os mortos foram pessoas famosas, a apropriação tem por objetivo chamar a atenção com um nome ilustre, um tipo de pretensiosismo fraudulento que havia sido previsto no século XIX pela obra O Livro dos Médiuns, de Kardec.

Neste caso, a apropriação de um nome famoso rende sensacionalismo e atrai para o "movimento espírita" a adesão de muitos fãs da celebridade morta, criando assim um sucesso literário que rende dinheiros para a federação "espírita" nacional (FEB) ou regional, dando também publicidade para o suposto médium de plantão, que garante assim o seu estrelato.

No caso do morto não-famoso, o oportunismo é outro, desenvolvendo um outro sensacionalismo através da exploração ostensiva da comoção familiar, assim como serve para propaganda do suposto médium, que tenta se passar por alguém mais confiável e familiar para seus seguidores e adeptos. Isso também atrai muitas pessoas que desenvolvem uma devoção ao "médium", que se transforma em ídolo religioso, desenvolvendo um perigoso tipo de estrelato e presunção.

Mas o que chama a atenção, tanto em um quanto em outro tipo, é que a memória dos mortos acaba sendo alvo de séria ofensa. Afinal, se as mensagens "espirituais" destoam dos aspectos pessoais dos mortos alegados, isso é bem mais do que um simples deslize, mas uma desonestidade que não raro causa sérios danos à memória do falecido.

No caso de Chico Xavier, caso gravíssimo envolve Cartas e Crônicas, de 1966, quando o juízo de valor pessoal do "médium" contra as humildes vítimas do incêndio em um circo de Niterói, cinco anos antes, já era gravíssimo por si mesmo e piora ainda mais quando Chico põe a responsabilidade toda para Humberto, mal disfarçado pelo pseudônimo Irmão X.

Neste caso, ofende-se seriamente a memória de Humberto de Campos, avacalhado por Chico Xavier da maneira mais leviana possível. E Chico ainda praticou aquela farsa toda de atrair, em 1957, Humberto de Campos Filho para uma exibição de Assistencialismo e Ad Passiones, incluindo um tendencioso abraço "fraternal" na qual o anti-médium mineiro arriscou até um falsete, depois de hipnotizar e forçar o filho do autor maranhense a chorar de maneira copiosa, se usando do perigoso recurso do love bombing ("bombardeio de amor", um tipo de manipulação da mente humana).

Mas ofensas são feitas da parte de outros "médiuns", seja pelo juízo de valor, seja pela apropriação indébita, seja pela suposição de encarnações antigas através do "achismo", já que, sabemos, o "espiritismo" brasileiro nem está aí para a Ciência Espírita. Ou então pela malandragem do "médium" usar os nomes dos mortos de sua escolha para "forçá-los", simbolicamente, a "concordarem" com ele.

Transformar um morto em garoto-propaganda da religião "espírita" é muito comum, tal como botar na conta do falecido ideias que este nunca defenderia. Raul Seixas, por exemplo, nunca iria defender ideias medievais como a do "inimigo de si mesmo". Quem acompanhou as últimas entrevistas de Raul Seixas sabe muito bem que Zílio era uma fraude construída a partir de estereótipos que o roqueiro baiano recebeu das páginas de fofocas e de programas de variedades da TV aberta.

Isso é terrível e traz uma falsa impressão de que toda pessoa, quando morre, vira funcionário de igreja. E isso desmoralizou e arruinou completamente com a atividade mediúnica no Brasil, transformada numa terrível brincadeira de faz de conta, e fez também os espíritos do além-túmulo se tornarem praticamente incomunicáveis com os brasileiros, diante da desconfiança quanto a fraudes e receio de promover as vaidades pessoais dos "médiuns".

quinta-feira, 15 de junho de 2017

"Espiritismo" e desinformação no Brasil


O Brasil virou o paraíso da pós-verdade, na qual o poder midiático se utiliza para criar uma "realidade paralela" que, mesmo com muitas contradições, cria uma falsa lógica que dá no grande público a falsa impressão de uma "realidade objetiva e imparcial".

Constrói-se um discurso no qual se misturam alhos com bugalhos e tarefas humanas são descritas de maneira confusa e contraditória, servindo-se do apelo à emoção para legitimá-las nesta forma completamente fora da lógica, do bom senso e, muitas vezes, sob o risco de lesar milhares e milhares de pessoas.

Uma dessas confusões permitiu o estrelato do juiz Sérgio Moro, alvo de uma compreensão confusa e cheia de falhas. Mesmo sendo apenas um juiz de Direito, Moro tinha atributos estranhos, podendo bancar advogado, xerife ou mesmo um tira urbano das produções de Hollywood. E essa visão maluca era servida pela grande imprensa, tida como "reduto máximo da objetividade, da imparcialidade e da transparência".

No "espiritismo", o que se vê é que a figura do "médium" virou uma grande aberração. "Coisa de louco", como diria o anedotário popular. O "médium" virou uma coisa monstruosa de apelo sensacionalista e um propagador de valores igrejeiros dos mais conservadores, mas rotulados de "valores positivos de caridade plena", um discurso que lembra muito o Catolicismo medieval nos seus primórdios, antes de cair a máscara de ferro das cruzadas e das condenações sangrentas.

Primeiro, o "médium" deixou de ter o valor intermediário da comunicação entre vivos e mortos. Depois, passou a ser o centro das atenções, sofrendo o culto à personalidade. Virou dublê de pensador e filantropo, veiculando ideias prolixas e mistificadoras e apenas ajudando pouca gente, mais preocupado de desenvolver uma "bondade" que lhes dê mais cartaz do que progresso social aos necessitados.

A desinformação deixa as pessoas caírem não só no ridículo. Ela também faz com que as redes sociais virem redutos de burrice e fanatismo extremo, quando compreensões equivocadas da realidade se tornam ferrenhamente defendidas, sob pena de ofensas, chantagens e ameaças.

No "espiritismo", seguidores dos "médiuns" deturpadores da Doutrina Espírita chegaram a recorrer da carteirada para ofender quem questionava esses ídolos religiosos. "Quem é você para falar alguma coisa sobre Chico Xavier?", disse uma "espírita" fanática a uma questionadora da deturpação.

A desinformação vem até mesmo de revistas que prometem didatismo para explicar certas coisas e explicam tudo errado. Um mercado editorial marcado pelo pedantismo e pelos dados superficiais e estereotipados, não raro misturando meias-verdades com fatos verídicos, num engodo jornalístico que serve mais para confundir as pessoas.

Por exemplo, há um volume da revista Ciência & Foco intitulado "Espíritos", nos quais cita a ideia de glândula pineal. Vão atribuir o "pioneirismo" ao fictício "André Luiz", quando sabemos que o assunto era fartamente discutido desde o século XVI e de maneira ainda mais sistematizada desde 1928.

Se acadêmicos "espíritas" alegam que a literatura referente à glândula pineal nos anos 1940 - sendo 1945 o ano de Missionários da Luz, livro que Chico Xavier publicou atribuindo ao fictício médico - era "escassa e conflituosa", cometeram eles dois graves equívocos:

1) Eles apenas pesquisaram o que lhes estava disponível dentro de seus lugares de pesquisa. Além disso, mesmo que a bibliografia fosse escassa, isso não significava que o tema não era debatido nos bastidores do mundo científico. Quanto ao outro aspecto, é da natureza científica ser conflituosa, porque se trata de um embate de ideias e discussão de hipóteses.

2) Eles atribuíram o "pioneirismo" de André Luiz em 1945 a descobertas sobre a glândula pineal em 1958 e em 2008 quando se sabe que essas descobertas, na verdade, eram objetivos cogitados bem antes de Missionários da Luz, levando em conta hipóteses que podem ter sido tardiamente divulgadas, mas cujo debate, nos bastidores da Ciência, é coisa muitíssimo antiga.

O "espiritismo", tão tido como "defensor do Conhecimento", se deixa valer por tais desinformações. E outro aspecto foi a risível atribuição a Chico Xavier pelo suposto pioneirismo da descoberta de água em Marte, em 1935 em relação a descobertas recentes realizadas em 2004, porque o assunto já era velho na década de 1930 e fartamente debatido no século XIX. O astrônomo estadunidense Percival Lowell falava do assunto bem antes do "médium" brasileiro nascer.

No final da vida, o radialista "espírita" Gerson Simões Monteiro cometeu uma grande gafe ao atribuir tal pioneirismo da "vida em Marte" a Chico Xavier. Foi algo que se valeu apenas por causa da desinformação das pessoas, que nunca ouviram falar da verdade a respeito dos debates que aconteceram no meio científico em torno da existência de água em Marte.

A desinformação faz com que as pessoas tendam a possuir uma compreensão umbiguista, fora da realidade do planeta e que causaria arrepio nas pessoas mais informadas e inteligentes do Primeiro Mundo. E no caso do "espiritismo", cria-se uma realidade paralela na qual uma literatura fake é tida como "autêntica", pinturas falsificadas são tidas como "verdadeiras" e informações equivocadas e fictícias são dadas como "realistas".

E tudo isso, pasme, tem como pretexto o "pão dos pobres", que permite qualquer mentira e mistificação. O pior é que as pessoas, tomadas de um perigoso transe emocional, o das paixões religiosas, ainda não suportam que se questione isso, contentes em ver o "espiritismo" criar e manter uma realidade paralela onde aberrantes atentados à lógica e ao bom senso são tidos como "verdades indiscutíveis". Depois dizem que são "rigorosamente fiéis" aos ensinamentos de Allan Kardec.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Crise política revela a crise do "topo da pirâmide"


A recente crise política que envolve os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de setores do empresariado, mostra que o chamado "topo da pirâmide", no qual a sociedade brasileira ainda atribui uma superioridade faraônica, está sofrendo o seu mais grave colapso.

O Brasil viveu um contexto em que o arrivismo, o clientelismo, a ambição e a dissimulação se tornaram as regras para se "vencer na vida", da parte de uma parcela de "iniciados". Nessa competição da vida, a maioria das pessoas é condenada ao sofrimento e à mediocridade, em nome do prestígio de uns poucos.

As denúncias da empresa JBS, revelando os escândalos que os irmãos Joesley e Wesley Batista fizeram com a classe política brasileira, e o pífio julgamento do Tribunal Superior Eleitoral sobre irregularidades da chapa eleitoral Dilma Rousseff-Michel Temer confirmam a crise de elites que eram associadas a qualidades administrativas, legislativas e por uma suposta visão objetiva do mundo.

Hoje o "topo da pirâmide" arde em chamas, num incêndio que tenta ser combatido com querosene. Os privilégios dos mais diversos, entre o porte de armas e o prestígio religioso e envolvendo o poder político, a grande mídia e o grande empresariado, estão sendo postos em xeque, e todos os esforços são feitos para, se não abafar a crise, minimizar ou neutralizar seus efeitos.

O "espiritismo" também não está fora desta crise e é a religião que está mais sofrendo por seus defeitos. Hoje está sendo cobrada a conta da "vaticanização" e das dissimulações que os igrejeiros da doutrina brasileira fazem para fingir "rigoroso respeito" a Allan Kardec, enquanto praticam a "vaticanização" que tanto criticam e reprovam no discurso.

A recente erosão doutrinária que reduz a prática "espírita" se reduzir a um receituário moralista e a um simulacro de filantropia sinaliza o quanto o "movimento espírita" fez uma verdadeira farra com os postulados kardecianos e o "espiritismo" virou a religião da mediocridade, em que desde físicos frustrados até romancistas ruins viram "dedicados intelectuais" da doutrina.

Os próprios "médiuns", como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, mostram também que o "espiritismo" brasileiro também se situa no alto da pirâmide social. A doutrina igrejeira virou uma fogueira de vaidades que deturpou o sentido de "caridade" para ações de menor expressividade que serviam mais para a promoção pessoal dos "filantropos", que festejam mais e ajudam menos.

A própria função de "médium" virou uma grande aberração. Deixou a função intermediária e quase anônima para adotar o culto à personalidade e a idolatria religiosa. A situação chega ao ponto mais vergonhoso se compararmos que os discretos médiuns que colaboraram com Kardec eram aristocratas e, no entanto, tinham um senso de humildade muito maior do que os supostos equivalentes brasileiros, que tanto se gabam pela pose de "humildes".

O poder midiático também favoreceu muito essa idolatria religiosa, sabendo que a TV Tupi e a Rede Globo trabalharam para expandir o mito de Chico Xavier. As pessoas aceitam tudo naturalmente, sobretudo desde os tempos do poder da Rede Globo, que se insere nas pessoas de tal maneira que até parte dos que odeiam a emissora televisiva adotam costumes e crenças próprios da mesma. Daí a piada de que "o Brasil é uma concessão da Globo".

Essa aliança não ocorre por acaso e não é a Globo que está "pegando carona" na "perfeição moral" do "espiritismo" brasileiro. Pelo contrário. É o "espiritismo" brasileiro que, hoje reduzido a uma versão repaginada do velho Catolicismo jesuíta, tem o gosto de ter um poderoso veículo midiático como aliado, reforçando e até reelaborando mitos religiosos, como se viu quando a Globo fez de Chico uma versão brasileira de Madre Teresa de Calcutá.

Não vamos nos esquecer que Madre Teresa - curiosamente, sósia da vilã em quadrinhos da turma do Popeye, a Bruxa do Mar (Sea Hag, no original) - foi denunciada por deixar seus alojados em condições sub-humanas, atitude feita de propósito com base na perversa Teologia do Sofrimento, corrente medieval católica que hoje tornou-se a base ideológica do "espiritismo" brasileiro.

O mito de "caridade" que se trabalha através do poder midiático e do moralismo da sociedade conservadora mais parece propaganda do suposto benfeitor do que uma campanha de ajuda aos necessitados. Os baixos resultados de transformação revelam a farsa, embora os fanáticos religiosos tentem arrumar desculpas para continuar glorificando os "benfeitores" que comemoram demais o quase nada que fizeram ou fazem.

Isso faz a máscara cair e nivela o "espiritismo" brasileiro às velhas extravagâncias dos sacerdotes dos tempos de Jesus de Nazaré, que reprovava sua arrogância travestida de humildade, seu pedantismo intelectual, seu misticismo mistificador e outras práticas que os "humildes médiuns", que tanto adoram exaltar Jesus, praticam, sem perceber o quanto "seu mestre" reprovaria energicamente o que fazem.

A confusão doutrinária feita com tantos igrejismos e esoterismos inseridos sob o rótulo de "espiritismo" acentuaram a crise, na qual a chamada "fase dúbia" - uma falsa promessa de recuperação do Espiritismo original, feita nos últimos anos - tentava abafar a "torre de babel espírita" forjando uma falsa diversidade doutrinária e uma falsa estabilidade no pretenso equilíbrio entre Ciência, Filosofia e Religião, na qual sobressaía esta última.

A crise se torna extrema e não se pode mais prometer, pela enésima vez, "estudar melhor Kardec", porque, com todo esse igrejismo, o que mais se fez foi desfilar a boa teoria de Kardec, exposta pela letra "desencarnada", com seus presunçosos palestrantes falando em "Kardec total", pedindo para "não só lermos Kardec, mas vivermos Kardec" e até para "tirar o Espiritismo dos ambientes fechados das casas espíritas".

Mas tudo isso foi como, diante da comida apodrecida de muito tempo, misturasse com a comida nova e saudável, acreditando que isso vá resolver o problema. Ou como plantar um jardim de flores por cima do lodo fétido. A crise do "espiritismo" é parte da crise do "topo da pirâmide" em que os privilegiados se esqueceram de suas responsabilidades, cometendo erros dos mais graves em busca de obter vantagens sociais das mais diversas.

terça-feira, 13 de junho de 2017

"Espiritismo", Assistencialismo e Escola Sem Partido


O que salva os deturpadores do Espiritismo é a alegação de "caridade plena", erroneamente associada a eles. A ajuda que os "médiuns", em seu culto à personalidade, supostamente estão associados é exaltada com certo exagero, mais parecendo uma publicidade para a promoção pessoal desses pretensos pensadores do "espiritismo" brasileiro.

Se os festejados "médiuns", ou melhor, anti-médiuns, tivessem realmente ajudado muita gente, o Brasil teria atingido padrões escandinavos de qualidade de vida, se observarmos a pretensão de grandeza - mesmo sob o pretexto da "humildade" - que ídolos como Divaldo Pereira Franco e Francisco Cândido Xavier possuem entre seus fanáticos seguidores.

Mas isso não ocorreu. E não há como usar como desculpa falácias como "os amiguinhos pouco esclarecidos não deixaram", "dificuldades impediram" ou coisa parecida, porque a grandeza com que Divaldo Franco e Chico Xavier, tão tidos como "triunfantes" a tudo, estão associados em sua idolatria religiosa tinha esse compromisso de mudar a sociedade.

Tudo não passa, portanto, de uma grande falácia. A "caridade" dos dois sempre foi medíocre, para não dizer, em certos aspectos, bastante traiçoeira. As "cartas dos parentes mortos" de Chico Xavier se revelou uma grande armação para sua promoção pessoal de pretenso filantropo, dentro de uma perspectiva que a grande mídia, em especial a Rede Globo, desenvolveu bem no imaginário das pessoas.

O que muitos pensam ser "caridade transformadora" ou "filantropia revolucionária" são apenas atitudes inexpressivas que, na melhor das hipóteses, são apenas ajudas pontuais. Analistas sérios definem tal "filantropia" como Assistencialismo e seus projetos educacionais se equiparam aos padrões ideológicos que vimos na Escola Sem Partido proposta pela direita sócio-política nos últimos anos.

O Assistencialismo é definido como uma "caridade" que são resolvidos apenas casos pontuais. Doação de roupas e alimentos, atendimento a um número limitado de pessoas etc. Será preciso uma comparação ligeira para definir a diferença entre Assistencialismo e Assistência Social.

No âmbito da saúde, existe a cura de uma doença e o efeito paliativo da doença que não é curada mas a dor é aliviada. A Assistência Social "cura" doenças. O Assistencialismo alivia a dor. O que vemos no "espiritismo", embora ele se gabe em praticar "Assistência Social", é apenas Assistencialismo. Mesmo quando as pessoas se "emancipam", os efeitos, mesmo assim, são socialmente os mais inócuos possíveis.

O projeto pedagógico, que tornou-se a publicidade da Mansão do Caminho de Divaldo Franco, é na verdade algo que não difere muito da Escola Sem Partido: uma educação "básica", que apenas ensina tarefas e princípios inócuos para as pessoas, como ler, escrever e exercer algum trabalho, mas sem estimular o senso crítico e a compreensão questionadora da vida.

Embora os "espíritas" se assustem com tal comparação, a própria Escola Sem Partido promete um ensino "comprometido com a cidadania e as boas qualidades do indivíduo", apenas estimulando o aprendizado de coisas básicas como saber fazer contas, saber falar etc. Parece um projeto completo e bem intencionado, mas ele desencoraja a compreensão crítica da sociedade e permite a crença em fantasias religiosas.

A sociedade brasileira, mesmo uma parcela que se define "progressista", não consegue entender o problema disso. Acha que a associação da ideia aparente de "caridade" a uma religião só pode representar algo positivo e transformador, e chega-se ao absurdo das pessoas pouco se importarem com os resultados, apegadas à idolatria cega a um figurão religioso.

Nas redes sociais, um seguidor de Divaldo Franco infiltrado numa comunidade de ateus insistiu que a "caridade" dele era "transformadora", e a persistência dele em rebater questionamentos - sabe-se que a Mansão do Caminho não ajudou sequer 1% da população de Salvador - revela uma preocupação em defender um ídolo religioso, pouco importando se os resultados da "caridade" foram inexpressivos ou não. Os "beneficiados" são apenas um detalhe, diante dos holofotes a um ídolo religioso.

O Assistencialismo e o projeto pedagógico tipo Escola Sem Partido (ensinar a ler, escrever e trabalhar com alguma "eficácia", mas sem estimular o pensamento crítico e, todavia, permitindo crenças religiosas das mais surreais como se fossem a "realidade") refletem o quanto boa parte dos brasileiros ainda tem uma noção bastante conservadora de "bondade".

Isso é ruim. O que está por trás disso são conceitos igrejeiros, moralistas, elitistas e uma série de preconceitos sociais, nas quais se prefere que as classes populares sejam domesticadas por uma religião do que avançassem em qualidade de vida.

A "qualidade de vida" da "caridade" religiosa é apenas uma situação mediana, dentro dos limites tolerados pelas elites do dinheiro e do poder, que até aceitam que pessoas possam viver por conta própria, mas de maneira que não represente riscos aos privilégios abusivos que as classes mais ricas possuem e que aumentaram desde que a onda conservadora retomou o Brasil e o mundo.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Quando os "espíritas" descobrem que são roustanguistas


A "fase dúbia" do "espiritismo" brasileiro criou uma situação bastante insossa. Professando um estranho "roustanguismo com Allan Kardec", a doutrina igrejeira brasileira praticamente escondeu o nome de Jean-Baptiste Roustaing no armário, de forma a fazer com que o nome do autor de Os Quatro Evangelhos se tornasse um desconhecido pelos próprios adeptos e até por parte de seus palestrantes.

Mas todo o ideário roustanguista está preservado, com a exceção de dois pontos controversos: a ideia do Jesus "fluídico", que desmente a sua famosa encarnação, e a tese dos "criptógamos carnudos", na qual pessoas moralmente infratoras reencarnariam na forma de insetos, plantas ou vermes.

Fora isso, tudo de Roustaing é mantido e poucos imaginam: colônias espirituais, crianças-índigo (ou "cristais", "luzes" ou "estrelas" e o que vier de rótulo), resignação com o sofrimento e outros princípios que as casas e as obras "espíritas" tanto difundem sob o rótulo de "kardecismo".

Não raro vemos "espíritas" chocados com a acusação de serem roustanguistas. E, o que é pior, se vasculharmos bem os bastidores de toda a história do "movimento espírita", concluiremos que no Brasil houve (e, num dos casos, ainda há) dois adeptos entusiasmados, porém nem sempre assumidos, de Jean Baptiste Roustaing: ninguém menos que Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco.

Sim, isso mesmo. Chico Xavier e Divaldo Franco sempre foram roustanguistas, e seguiram com entusiasmo as ideias de J. B. Roustaing, que tinha mais afinidade com a formação católica ortodoxa dos dois "médiuns" do que as ideias científicas do pedagogo de Lyon.

Isso choca os desinformados, que conhecem o "espiritismo" através de revistas de qualidade duvidosa vendidas nas bancas e que prometem "ensinar timtim por timtim" a "doutrina kardeciana". As revistas nunca falam em Roustaing, e, quando mencionam, falam como se fosse uma coisa superada. Só que não.

O roustanguismo nunca foi tão forte nos últimos 45 anos, quando seu nome era "engavetado" nos escritórios do alto clero da Federação "Espírita" Brasileira. Chico e Divaldo, diante dos conflitos entre a federação nacional e as federações regionais, passaram a fingir que eram "kardecianos legítimos" só para agradar os espíritas científicos que lhes eram amigos, como José Herculano Pires e Deolindo Amorim. Mas, como diz o ditado, "amigos, amigos...".

Isso os "iniciados" não sabem, e, quando são informados, vão correndo para o quarto chorar. Acham que aquilo que aprenderam, uma doutrina igrejeira e mistificadora, era associada "verdadeiramente" aos postulados originais da Doutrina Espírita e não conseguem admitir o equívoco de tudo isso.

O "espiritismo" brasileiro parecia viver um falso equilíbrio nesta "postura dúbia", praticamente distribuindo o cientificismo kardeciano para a teoria e o igrejismo roustanguista para a prática. Ninguém percebia o quão patético era ver palestrantes "espíritas" bajularem Erasto, num texto, e exaltarem Emmanuel, o oposto daquele, em outro texto.

Cometem tantas contradições e acham que estão sendo equilibrados e coerentes. Defendem ideias próprias do roustanguismo mas se apavoram só de ouvir o nome de Jean-Baptiste Roustaing. E, por outro lado, ainda se dizem "rigorosamente fiéis" a Kardec, mas praticam o igrejismo que muitas vezes vai na contramão dos postulados kardecianos. Que "coerência espírita" é essa?

domingo, 11 de junho de 2017

O maior lesado do "espiritismo" brasileiro: Allan Kardec


Qual o maior lesado, o maior prejudicado e o maior esculhambado pelos "espíritas" brasileiros? Qual é a vítima mais humilhada, depreciada, desmoralizada pelo "movimento espírita" em toda sua trajetória?

Com toda a certeza, é o pedagogo Hippolyte Leon Denizard Rivail, o Allan Kardec, o maior prejudicado pelo "movimento espírita" brasileiro. O "espiritismo" que se faz no Brasil é marcado pela profunda hipocrisia e pelas dissimulações diversas, e a erosão doutrinária é maquiada pelo receituário moral e pelo Assistencialismo (caridade paliativa que só atende casos pontuais e parciais), que muitos acham natural e até admirável.

O "espiritismo" que se faz no Brasil nada tem a ver com a "embalagem" bonita e agradável que se apresenta principalmente ao público leigo, que adere sem despertar um pingo de desconfiança. O "espiritismo" virou um rol de contradições, escândalos, confusões e fraudes, que são mascarados de todo e qualquer jeito.

Tudo isso é feito para iludir e enganar as pessoas, e não são poucos os "médiuns" que chegam com mensagens fake que não refletem a natureza pessoal dos autores mortos alegados. Podem apresentar até um grande número de semelhanças, mas sempre existe uma diferença que derruba qualquer indício de veracidade.

Para piorar, muitos palestrantes, que realizam turnês para promover seu balé de belas palavras, estufam o peito dizendo serem "fiéis seguidores" de Allan Kardec e "rigorosos cumpridores" de seus ensinamentos. Dizem isso para depois praticarem o mais derramado igrejismo roustanguista, tão praticado quanto tão convictamente renegado, expressando falta de sinceridade.

Hoje a crise do "espiritismo" brasileiro é tão grande que se encontra num grave impasse. A doutrina que prometia melhorar a sociedade brasileira se perde em intermináveis contradições, sem poder resolvê-las, e entregue a eterna promessa de "compreender melhor Kardec". Sim, como cães correndo atrás dos próprios rabos, os "espíritas" deturpadores, mais uma vez, apelam para promessas de "conhecer melhor a obra de Kardec", coisa que já vimos antes e que deu na crise que se vive hoje.

É a promessa que tenta fazer os deturpadores manterem as rédeas. O Brasil virou refém desse "espiritismo" deturpado, que se transforma até num engodo, numa grande porcaria religiosa na qual se mistura a podridão do roustanguismo com a boa teoria de Kardec, criando teorias e práticas que se chocam em um conflito grave e insustentável.

É como se misturassem a comida podre do dia anterior com a comida nova, mesclando conceitos igrejistas com ideias científicas e filosóficas, emporcalhando com o legado de Allan Kardec, que com certeza não merece essa avacalhação toda que se faz com o seu trabalho.

Allan Kardec fez sozinho todo o trabalho de divulgação da Doutrina Espírita. Diferente dos festejados "médiuns" e "intelectuais" do "espiritismo" brasileiro, que viajam em aviões de primeira classe e se hospedam em hotéis de luxo para fazer palestras tolas sobre temas emocionais e receber medalhinhas, o pedagogo de Lyon pagava suas próprias viagens, não tinha patrocínios e só as fazia para realizar pesquisas e entrevistar pessoas a fins de estudo dos fenômenos espíritas.

É um horror o que ocorre no "movimento espírita", em que os próprios deturpadores, sob o pretexto de "aprenderem melhor as lições", reciclam seu igrejismo, apenas expondo uma teoria "kardecista" politicamente correta, imaginando que uma mera exposição da teoria espírita autêntica pudesse resolver as contradições.

Afinal, tudo o que se viu foi essa interminável contradição entre prática igrejista e um falso aprendizado da Doutrina Espírita. Essa promessa de "aprender Kardec" já foi estada há mais de 40 anos e resultou nesse lodo religioso que hoje vemos. Será que temos sempre que ser "fraternos" na deturpação, diante dessa postura "dúbia" que tanto envergonha o trabalhoso legado de Kardec?

A crise no "movimento espírita" só tende a se agravar com tantos impasses. Não se trata de uma crise provocada pela "maledicência dos outros" mas das más escolhas que os próprios "espíritas", sejam eles dirigentes, "médiuns" e autoridades, fizeram ao longo dos anos, acumulando as sujeiras que se tornam mais evidentes, por mais que o discurso da "união fraterna" tente mascarar.

sábado, 10 de junho de 2017

"Protegido" por suposta colônia espiritual, Rio de Janeiro sofre com a violência


Não bastassem os incidentes trágicos que atingem a população no Complexo do Alemão, no Complexo da Maré e no entorno da Linha Vermelha, o Rio de Janeiro sofre com a escalada da violência que já eliminou as vidas de muitas gentes.

A conveniência dos interesses turísticos é que fez com que o Rio de Janeiro estivesse ausente no ranking de 30 cidades ou capitais mais violentas, seja do Brasil ou do mundo. Afinal, os noticiários, independente do nível ideológico dos mesmos, sejam de direita ou esquerda, afirmam que o Rio de Janeiro se comporta como se fosse a capital mais perigosa do Brasil e uma das cinquenta do mundo.

O Complexo do Alemão não é apenas um subúrbio qualquer, mas uma grande área que fica no caminho entre o Aeroporto Internacional Tom Jobim, conhecido como Galeão, e o Centro do Rio, sendo um percurso obrigatório para quem vem de outras partes do Brasil e do mundo para se chegar à outrora conhecida Cidade Maravilhosa.

No entanto, o Alemão e a vizinha Maré, quase colada no outro complexo, não são as únicas áreas que sofrem graves surtos de violência carioca. Na Rocinha, uma gigantesca favela localizada entre Leblon, Gávea e São Conrado, estando no caminho entre a Zona Sul e a Barra da Tijuca, também a violência já mostrou episódios bastante dramáticos, sendo um dos mais recentes o misterioso desaparecimento de um trabalhador chamado Amarildo.

Na última semana, um jovem ator foi assassinado por um desafeto por golpes de taco, em São Cristóvão. Na Cidade Nova, a sede da Prefeitura do Rio foi assaltada, havendo tiroteio, e os ladrões levaram uma modesta soma de dinheiro. Diante disso, é constrangedor ver que o Rio de Janeiro está em 23º lugar entre as capitais violentas, quase um índice paradisíaco. Nosso estatísticos parecem estar distraídos demais com o mar de Copacabana.

O Rio de Janeiro sofreu retrocessos profundos nos últimos 25 anos. O momento mais crítico foi durante a vigência do grupo político do prefeito carioca Eduardo Paes e do governador fluminense Sérgio Cabral Filho, o que fez com que o eleitor carioca médio tivesse voto podre, movido pelas conveniências políticas.

Da pintura padronizada nos ônibus (que derrubou o sistema através dos "ônibus iguaizinhos" com a "pintura de consórcios" que ainda confundem os passageiros e acobertavam a corrupção político-empresarial) aos esquemas de propinas com empreiteiras, o grupo político de Paes provocou uma falência financeira do Estado do Rio de Janeiro e sua capital, mas também mostrou o erro dos cariocas em elegerem um candidato movidos pela emoção.

Foi assim quando o inexpressivo político Eduardo Cunha foi eleito "em nome da moralidade" e a catarse coletiva permitisse vitórias eleitorais a qualquer reacionário da família Bolsonaro, revelando o quanto os cariocas chegam mesmo a arruinar o resto do Brasil diante da combinação da catarse com o pragmatismo (que é a mania de valorizar não coisas melhores, mas aquilo que "atende o básico").

Culturalmente, o Rio de Janeiro sofre a tirania da Rede Globo, a opção "teocrática" da Record Rio, e derrubou a MPB com a supramacia do "funk" (caminhando para ser a axé-music carioca) e o "sertanejo", enquanto o rock, símbolo da cultura arrojada juvenil, sucumbiu ao ridículo sob o comando midiático da Rádio Cidade, que saiu do FM mas ainda é transmitida pela Internet, e reduziu a divulgação do rock à mesmice do hit-parade.

Há um cenário sociológico estranho no Rio de Janeiro, em que a população em sua maioria confunde precaridade com simplicidade, modéstia com mediocridade, e mistura prepotência com pragmatismo, tentando impor sua decadência cultural ao resto do país.

A mania do Rio de Janeiro, mesmo em sua decadência, virar "modelo" para o Brasil teve seu efeito nefasto quando Eduardo Cunha, eleito deputado federal, passou a presidir a Câmara dos Deputados, impondo uma pauta reacionária que se tornou conhecida como "pauta-bomba" e que foi o embrião das reformas trabalhista e previdenciária do governo Michel Temer.

Aliás, Cunha contribuiu para a derrubada do governo Dilma Rousseff através de um intrincado jogo de intrigas. causando sérios problemas no cenário sócio-político. A influência megalomaníaca da Rede Globo também criou uma catarse coletiva que fez muitos brasileiros pedirem, "se preciso", uma intervenção militar para prender Lula e Dilma, colocando um ditador no poder.

Devido a esse "pragmatismo carioca", setores da sociedade brasileira passaram a defender até a redução dos salários, sob a desculpa de "ensinar o povo pobre a gastar", além do fim dos direitos trabalhistas e das garantias sociais, sob a desculpa da "austeridade" e do "combate à crise". Tudo porque prevaleceu o princípio carioca de que o Brasil tem que se contentar com o "básico", dentro daquela velha "síndrome de vira-lata".

No "espiritismo", o Rio de Janeiro é "protegido" pela famosa "colônia espiritual" de Nosso Lar, que os "espíritas" acreditam se localizar no céu da Região Metropolitana carioca. Há também uma rádio "espírita", a Rádio Rio de Janeiro, e um periódico, o "Correio Espírita", que "zelam" pela "energia espiritual" do Grande Rio.

Como se vê nesta confusa doutrina igrejeira e roustanguista, o Rio de Janeiro não poderia estar além de energias contraditórias e confusas, que fazem com que o Estado e sua capital sucumbissem até mesmo a um provincianismo que nem o isolado Estado do Acre vive mais.

Enquanto isso, moradores são vítimas de uma violência sem fim, sem que as sucessivas mortes coloquem o Rio no ranking de cidades mais violentas, o que seria um alerta para o mundo inteiro. Para o "espiritismo" brasileiro, então, isso não vem ao caso: talvez somente os "romanos" sejam vítimas desta violência, por causa dos tais "resgates morais"...

sexta-feira, 9 de junho de 2017

"Espiritismo" e o homem acuado


Muitas pessoas reclamam depois que fazem tratamentos espirituais em "casas espíritas" ou leem os livros tidos como "mais conceituados" do "espiritismo" brasileiro. Acabam contraindo azar, de diversas formas, e isso é coincidência demais para se considerar "injusto" responsabilizar os "espíritas" pelo mau agouro.

Mas o mau agouro é trazido pelo "espiritismo", sim, por diversos motivos. É uma doutrina de raiz fincada no livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing. Se comporta como se fosse uma versão repaginada do velho Catolicismo jesuíta do período colonial, que tem matizes medievais. Institucionalmente, funciona como um clone da Legião da Boa Vontade, com suas práticas de Assistencialismo, com atrações musicais, literatura e entretenimento igrejeiros e coisa e tal.

No entanto, há uma desonestidade doutrinária na qual os "espíritas" juram que "seguem rigorosamente" os postulados kardecianos, dizem "combinar com equilíbrio" os princípios de Ciência, Filosofia e Moral e juram que estão em dia com as compreensões da Ciência Espírita. Dizem praticar "ativismo social" que julgam ser "revolucionário" e de "resultados amplamente transformadores".

Esse festival de mentiras e dissimulações atrai energias confusas que abrem caminho para espíritos atrasados. As contradições em torno do "espiritismo" brasileiro atraem não só jesuítas medievais, como acaba atraindo também, devido a diversos equívocos, espíritos que vão de feiticeiros também medievais até espíritos atrasados ligados a contextos menos antigos, como o fascismo europeu e o macartismo estadunidense.

Isso traz energias aqui e ali, e a coisa piora quando os palestrantes "espíritas" abraçam a Teologia do Sofrimento, corrente medieval católica que faz apologia da desgraça humana como "meio de alcançar as bênçãos futuras". Isso cria um senso moralista ainda mais retrógrado, que faz com que os tratamentos espirituais não sejam apenas inócuos no propósito de resolver problemas, mas também viram fontes de maldição e azar.

O "espiritismo" também atrai más energias quando tenta ser arremedo de qualquer coisa. Arremedo de "filosofia", com seus "médiuns" verborrágicos bancando dublês de pensadores. Arremedo de grupos literários, como os primórdios da Federação "Espírita" Brasileira (1884-1932) com seus dirigentes e escritores posando como se fossem genéricos da Academia Brasileira de Letras.

Há arremedos de folhetins, os romances "espíritas". Há arremedos de textos científicos, uma masturbação teórica que mistura compreensões básicas com pedantismo. Há arremedos de ativismo social, com um Assistencialismo que serve mais de propaganda para os "benfeitores" das "casas espíritas" ou dos "médiuns" sedentos pelo culto à personalidade.

De repente, até idosas donas de casa passam a falar de "universos cósmicos", alunos medíocres de Física passam a ser "cientistas" em palestras "espíritas" e tudo que for de intelectual frustrado e escritor medíocre passa a ser "pensador espírita" às custas de umas palavrinhas belas, mas ocas.

Tudo isso gera um clima de muito pretensiosismo, presunção, arrivismo e falta de sinceridade. Os "espíritas" pedem para os outros aceitarem dificuldades e "mudarem os pensamentos", mas eles mesmos precisam se autoconhecer, antes de levarem um choque quando são definidos por outrem como roustanguistas e adeptos da Teologia do Sofrimento.

Tem palestrante "espírita" que prega a Teologia do Sofrimento, mas fica chocado quando alguém lhe alerta sobre isso. Recolhe num canto, chora e diz "eu não quis defender isso". Mas defendeu, sem prestar atenção às ideias expressas, ao discurso do "inimigo de si mesmo" tão abertamente medieval.

Outro repositório de más energias é a mediunidade fake. Combinando ignorância aos ensinamentos da Ciência Espírita e o típico vício brasileiro da falta de concentração (tem-se falta de concentração para ler livros e ouvir música, por exemplo), a mediunidade se reduz ao faz-de-conta em que o suposto médium faz, criando mensagens da própria mente, mas imitando (mal) o estilo do morto de sua escolha, e jogando propaganda religiosa para evitar desconfianças.

O mais chocante disso tudo é que essas irregularidades graves não partem de "casas espíritas" de fundo de quintal ou de "médiuns" de alfaiataria, que "só veem fantasminhas de cobertor". Isso vem de gente tida como "a mais gabaritada", "médiuns", palestrantes e dirigentes que aparecem em colunas sociais, são aparentes unanimidades no Brasil e no mundo e são tidos como "de altíssimo conceito e confiabilidade".

Daí que as pessoas que recorrem ao "espiritismo" acabam sofrendo de uma forma. Em muitos casos, um sofrimento que é maior do que tais pessoas poderiam aguentar, que as faz abrir mão de suas próprias habilidades, de seus planos de vida e fazem compactuar até com pessoas desonestas, fúteis ou prepotentes para vencer na vida.

Terrível saber que muitas pessoas acabam ficando acuadas depois de fazerem tratamentos espirituais ou leem obras "espíritas" brasileiras - incluindo muitas tidas como "conceituadas" - , sofrendo dificuldades e aflições sem fim, estando em becos sem saída e ainda ouvindo a falácia de "combater a si mesmo", que é uma sutil condenação dos "espíritas" à individualidade humana.

Mas o mais deplorável é ver que as pessoas sofrem dificuldades demais diante dessas más energias e os "espíritas" ainda esperam receber agradecimento com isso. Eles não querem se responsabilizar pelos erros gravíssimos cometidos por suas múltiplas más escolhas e ainda choram quando alguém lhes diz para assumir de verdade seus erros.