quarta-feira, 11 de janeiro de 2017
Vida adulta não é garantia de sabedoria e revela imaturidades infantis
Os adultos são considerados mais responsáveis e dotados de experiência, sabedoria e prudência, correto? Errado. Nem sempre isso é assim e hoje os fatos mostram que a vida adulta, mesmo a meia-idade e a fase idosa, estão cada vez mais vulneráveis a teimosias e imprudências que antes estavam associadas à infância e à adolescência.
O governo do presidente Michel Temer, no Brasil, é um exemplo claro disso. Sua "equipe de notáveis", incluindo o próprio presidente, é dotada em sua grande maioria por homens com mais de 55 anos de idade, pessoas que o "senso comum" define como "amadurecidas". O próprio Temer personifica paradigmas de maturidade, elegância, disciplina e rigor paternal.
No entanto, é esse governo que comete uma série de atos, ao mesmo tempo confusos e contraditórios, incluindo vários recuos, como se o Governo Federal tivesse sido tomado por delinquentes baderneiros em torno dos 15 anos de idade. Atos desastrosos como o corte de gastos públicos - quando o ideal para combater a recessão é limitar a dívida aos bancos, o chamado "juro da dívida pública", e não as verbas para Educação e Saúde - , indicam essa imaturidade.
A cada vez mais se observam notícias de casais se divorciando de maneira turbulenta, ricos cometendo assassinato, políticos cometendo corrupção e gafes, pessoas dando declarações equivocadas e tendo que se explicar depois, pessoas recebendo broncas de outrem, outras cometendo decisões das mais vergonhosas, outras cometendo vandalismo e acidentes de trânsito.
Quem imagina que tais atitudes são privilégio da juventude ou que ocorrem com menos intensidade entre idosos, ficará assustado ao saber que elas se tornam cada vez mais constantes e em nível preocupante entre pessoas de aparência grisalha e protegidas por algum tipo de reputação conquistada pelo acúmulo cronológico de experiências profissionais, sociais e acadêmicas.
Isso derruba de vez o mito que um simples embranquecer de cabelos ou formar de rugas fosse garantia de obtenção de sabedoria e bom senso. O mito do "mestre da geração" se torna cada vez mais distante diante de gerações de idosos ou "coroas", nascidos sobretudo dos anos 1940 até os 1960, está cada vez mais distante, na medida em que a meia-idade e a velhice apresentam cada vez mais vestígios de imaturidade e insensatez.
MITO DO "VELHO SÁBIO"
A ideia do "velho sábio", garantida pelo acúmulo de experiências temporais, criou um mito que, no Brasil, foi reforçado por gerações de escritores, diplomatas, juristas e estadistas nascidos nas duas primeiras décadas do século XX, e que pareciam, depois dos 60 anos de idade, expressar exemplos de razoável segurança pessoal e um espírito de prudência, sensatez e sabedoria, por mais que cometessem erros aqui e ali, e mesmo assim erros sem muita gravidade.
Isso criou uma visão glamourizada da velhice que, no sistema moralista e ultraconservador vigente no Brasil, acoberta a realidade de que pessoas distintas, que se encaixariam na figura do "idoso com sabedoria", são na verdade um número bem mais seleto e que os pobres mortais são imaturos e inconsequentes até depois das rugas crescerem e após os cabelos ficarem totalmente brancos.
Mas, mesmo nas melhores hipóteses, o que se observa é que a meia-idade e a velhice se tornam revelações de desejos reprimidos na juventude, decisões equivocadas, anseios frustrados e problemas mal resolvidos. É surpreendente, por exemplo, que casamentos que pareciam promissores, estáveis e sólidos na casa dos 30 anos, se encerrem aos 55 de maneira bastante turbulenta e tensa.
Em muitas famílias, há o perfil dos pais que vivem no seu mundinho doméstico, no qual repousam dogmas morais que parecem atemporais. A mãe que trata o quarto dos filhos como sua casa de bonecas, o pai que espera do filho um "super-herói", valorizando mais o sacrifício do que a conquista de uma meta, na luta do descendente para "vencer na vida".
O acúmulo material de anos de vida e a suposição de que esse acúmulo traz aos idosos uma segurança de vida com menor risco de erros revela uma ilusão na qual o aparato de "vida adulta", voltado à "racionalidade" e "objetividade", escondem vícios e apegos a práticas e abordagens infantis.
A mãe busca intervir nos filhos como se fossem bonecas de brinquedo da velha infância. O pai, escondido na "vida racional" das leituras de jornais e em quatro horas assistindo a noticiários de TV, o que lhe faz um rudimentar arremedo de intelectual, mal consegue perceber que possui também teimosias infantis e idealizações maiores da vida.
No caso das dificuldades que os filhos enfrentam para "vencer na vida", encarando concursos públicos com programa de estudo pesado e questões de prova surrealmente difíceis - onde gabaritos têm margem de erro em pelo menos cinco questões - ou entrevistas de emprego nas quais os patrões não exigem talento, mas "boa aparência" e "talento humorístico" (sim, é isso mesmo que você lê), os pais pensam que os filhos "podem tudo" e exigem sacrifícios descomunais.
É muito fácil exigir dos mais jovens um sacrifício descomunal por pouco e nada. E, se algo não dá certo, é culpa da vítima. O filho perdeu o emprego porque ficou "esfregando as mãos" diante de uma pergunta tola. Ou teria que estudar demais para o concurso público, porque das 60 questões de prova, 12 das 56 que acertou foram rejeitadas pelo "robô" que faz leitura ótica dos cartões de resposta.
As famílias cujos pais e mães se preocupam mais com casa arrumada, com regras de etiqueta e exigem dos filhos mais sacrifícios, mais jogo de cintura e mais sorrisos diante de um bombardeio dificuldades e frustrações revelam o quanto não é necessariamente do lado de quem tem pouca idade é que estão os equívocos e os exageros de quem idealiza ou exige demais das coisas.
A ilusão do status quo, então, agrava a situação, quando vemos, no cenário político atual, pessoas dotadas de formação acadêmica, prestígio econômico, jurídico e empresarial, que são tidas como "responsáveis", "experientes" e "prudentes", cometendo imprudências e outros deslizes de arrancar os cabelos até de quem já é careca.
Vemos empresários que precisam aprender a se vestir na hora de lazer - nem toda situação requer um traje de colarinho e sapatos de couro - , assim como homens de 60 anos que têm que adotar posturas mais joviais. É um processo duro a perda das ilusões de uma velhice "sábia" e "experiente", o que faz irritar muitos sessentões que ainda tratam os mais jovens de forma sutilmente jocosa, fazendo piadas irônicas sobre o que a juventude anda fazendo no dia a dia.
No âmbito da religião, incluindo o "espiritismo", o que se vê é o deslumbramento das pessoas com estórias que glamourizam o sofrimento humano, que lembram o conto da Gata Borralheira que virou Cinderela, com apenas suas devidas variações dramáticas.
O mito de Francisco Cândido Xavier tornou-se absoluto por essa exploração de fraquezas emocionais humanas que chegam à velhice muito mal resolvidas. Através dos livros e de atividades "filantrópicas" de Chico Xavier, as pessoas o endeusaram pela ilusão de uma "bondade" espetacularizada que lembra o saudosismos infantil das fábulas e dos contos de fadas.
A quebra dessas ilusões cria um clima de impasse, sobretudo no Brasil. Temos hoje uma geração de idosos em sua grande maioria acéfala, incapaz de trazer um norte definido para o país. As pessoas que chegam aos 60 anos hoje estão associadas a uma juventude vivida nos tempos da ditadura militar, onde o instinto de sobrevivência falava mais alto do que qualquer idealismo.
Daí ser compreensível que teremos idosos sem sabedoria, precisando mais aprender a vida hoje do que ensinar aquilo que eles viveram mal. O contexto social e político que defendeu a repressão ao desejo, ao pragmatismo da vida e outras limitações produziu "coroas" e velhos que, se não totalmente irresponsáveis, estão longe de representar algum modelo de experiência e sabedoria.
O Brasil está tomado de insegurança porque os paradigmas de experiência, prestígio e maturidade andam em crise, extremamente velhos e obsoletos. A insegurança é generalizada e convém as pessoas terem consciência dessa insegurança e da imaturidade dos "amadurecidos", porque os contextos sociais, culturais e políticos do passado produziram "coroas" e velhos medíocres, incapazes de trazer lições concretas e aprofundadas da vida.
Cabe repensar tudo isso e verificar se os "mais experientes" também não possuem suas neuroses, seus desejos reprimidos, suas incompreensões, suas inseguranças e suas inquietações. E ver como o país lidará com sua situação quando se assumir com firmeza que a imaturidade também ocorre na meia-idade e na velhice.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2017
Surtos fascistas e preconceitos sociais no Sul e Sudeste preocupam o Brasil
Algo preocupante ocorre no Brasil e contradiz - ou melhor, "corrobora", se abrirmos mão de abordagens oficiais - a "profecia" de Francisco Cândido Xavier sobre os rumos sociais e políticos em ocorrência no país. É a ascensão do fascismo e a liberação dos preconceitos sociais que mostram que nossas elites estão cada vez mais psicopatas.
Quando falamos "corrobora", é porque o "projeto" do "Brasil Coração do Mundo" revela uma perspectiva totalitária, e, partindo de um Chico Xavier que havia defendido a ditadura militar, na sua pior fase, para milhares de telespectadores - e, recentemente, para milhões e milhões de internautas no mundo inteiro - revela o lado obscurantista do "espiritismo" brasileiro.
Para quem não sabe, a "profecia" da Data-Limite, embora tenha uma roupagem "futurista" e "filosófico-cientista" por parte de seus divulgadores, Geraldo Lemos Neto e Juliano Pozati, revela um projeto roustanguista que claramente remete ao projeto da "religião-síntese", a "religião espírita" (Catolicismo medieval redivivo) de Os Quatro Evangelhos de Jean Baptiste Roustaing.
A reboque disso tudo, há a perspectiva sombria de que uma "religião unificadora", repetindo o exemplo do Catolicismo na Idade Média, se transforme num sistema político-religioso totalitário, que tantas atrocidades e tantos genocídios fizeram contra a humanidade. E nada disso estava escrito no roteiro, porque todo movimento totalitário sempre se apresenta pelo seu aspecto positivo, omitindo o problema maior, que são os "obstáculos" a serem combatidos.
O "espiritismo" cada vez mais mostra sua vocação ultraconservadora. Publicações "espíritas" definem os protestos anti-Dilma que ocorreram em 2015 e 2016 como "libertadores" e "símbolos da regeneração da humanidade", chegando ao ponto de atribuir a tais manifestações uma suposta intuição de "espíritos benfeitores" ou "de considerável elevação moral".
Só que essas manifestações, se sabe, demonstram não uma "regeneração", mas uma "degeneração". Sinais da mais baixa evolução espiritual se observam facilmente, a partir de nomes como "Revoltados On Line" - logo os "espíritas", que dizem contra a revolta, apoiam tais manifestações - , do endeusamento de facínoras como Jair Bolsonaro, da exibição de suásticas nazistas e de cartazes vingativos pedindo intervenção militar ou pregando a morte aos petistas.
Ver que o "espiritismo" brasileiro está apoiando os movimentos fascistas é o cúmulo de sua trajetória de deturpações tão vis e tão deploráveis, desde que Chico Xavier ofendeu as humildes vítimas do incêndio num circo em Niterói e esculhambou os humildes operários e camponeses no Pinga Fogo da TV Tupi, mesmo programa no qual defendeu abertamente a ditadura militar, naquela época muito mais cruel e repressiva.
Ver que tínhamos que orar por gente como o coronel Brilhante Ustra, que estava construindo um "reino de amor" assassinando acusados de subversão, num contexto em que gente honesta era presa e levada à tortura e morte até quando denunciada levianamente por um desafeto, bastando uma pequena desavença para o dedo-duro de ocasião entregar o outro para os "anjos da morte", é assustador.
Numa época de pós-verdade (mentiras veiculadas como "verdades indiscutíveis"), pós-ética (desonestidades socialmente aceitáveis) e pós-lógica (teses ou opiniões sem pé nem cabeça que viram "certezas absolutas" e "fatos comprovados"), é assustador a ascensão do fascismo e a liberação dos preconceitos sociais não só nas redes sociais, mas também vindos de gente famosa e gabaritada.
Pessoas como o empresário Flávio Rocha (da rede de lojas Riachuelo), o publicitário baiano de "alma paulista-carioca" Nizan Guanaes, o diretor teatral Cláudio Botelho e os roqueiros Lobão e Roger Rocha Moreira (Ultraje a Rigor) passaram a defender abertamente preconceitos sociais contra pobres e mulheres. Por outro lado, internautas despejam ofensas racistas desconhecendo que isso é crime, ou acreditando que a lei não irá prendê-los por prática de "brincadeiras inocentes".
Há casos de pessoas espancando políticos de esquerda, xingando músicos progressistas, agredindo mulheres nas ruas. Recentemente, dois homens que perseguiram um travesti espancaram até a morte um vendedor que o defendia, numa estação de Metrô em São Paulo. Mais tarde, um homem matou 12 pessoas numa festa de Ano Novo em Campinas. Recentemente, um motoqueiro agrediu uma jornalista do portal Vermelho, em São Paulo.
Isso são só alguns dos inúmeros episódios. Enquanto isso, no cenário político, há quem queira censurar a Internet e calar as vozes contrárias ao cenário político obscurantista e confuso de Michel Temer, que quer porque quer manter seu projeto e até pessoas nefastas como o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, mesmo com a grave crise penitenciária.
Esta crise, já anunciada pela rebelião de presos em Pedrinhas, na cidade de São Luís, no Maranhão. eclodiu com a chacina de um presídio em Manaus, Amazonas, e outro em Boa Vista, Roraima, revelando organizações criminosas que tiveram raiz na ditadura militar, quando presos políticos e bandidos perigosos conviviam juntos na mesma cela, o que fazia os bandidos aprenderem macetes de organização política.
O Brasil está numa situação extremamente vulnerável e não será um débil otimismo religioso que irá resolver essa tragédia. O discurso religioso dos "espíritas" indica a ideia de que a "melhor forma" de resolver o problema é esquecê-lo, o que se revela um equívoco. "Esquecemos" demais de deixamos a situação piorar cada vez mais.
Os movimentos fascistas e os surtos elitistas revelam a reação furiosa de setores sociais retrógrados, antes detentores dos mais plenos privilégios sociais. Muitas dessas pessoas, antes símbolos de prestígio social impecável, se mostram desequilibradas e dotadas de níveis aberrantes de estupidez, ao adotarem posturas e atitudes antes inimagináveis em gente desse nível.
São pessoas que se enlouqueceram quando viram os pobres obtendo ascensão social antes nunca cogitável. Despejam comentários brutais e cometem agressões de pura intolerância social, paranoicos por perderem os privilégios que obtiveram de gerações e gerações de elitistas.
É lamentável que o "espiritismo", cada vez mais moldado na Teologia do Sofrimento, esteja conivente com tudo isso. Mesmo quando seus apelos se apoiam em mensagens sorridentes e "amigas" sobre "solidariedade" e "perdão", os "espíritas" se tornam um tanto deslocados, se agem por boa-fé diante da situação dramática do país. Se agem por má-fé, cometem uma mentira mistificadora irresponsável.
A onda de "convulsões sociais" está tomando o Brasil, diante do enlouquecimento das elites com medo de perder privilégios e vantagens que há muito detinham. E mostra o quanto o Brasil possui estruturas sócio-culturais e morais arcaicas, que sempre obrigavam o país a assimilar novidades que eram filtradas pelos valores conservadores que deveriam ser obsoletos, mas são assimilados na deturpação das novas tendências.
O próprio "espiritismo" brasileiro faz parte dessa mania, e o que vemos é o duro trabalho de Allan Kardec ser desmoralizado no Brasil, quando o "movimento espírita" prefere usar a Doutrina Espírita como fachada para suas deturpações de raiz roustanguista e voltadas para a restauração dos valores do Catolicismo medieval que a própria Igreja Católica hoje descartou. Como muita coisa neste país, o "espiritismo" brasileiro é uma embalagem nova de um conteúdo podre de tão velho.
"Espiritismo" estabelece limites para a caridade
A CARIDADE DOS "ESPÍRITAS" APENAS MINIMIZA CASOS EXTREMOS DE MISÉRIA E FOME, SEM NO ENTANTO AJUDAR PROFUNDAMENTE NA VIDA DE ALGUÉM.
O "espiritismo" se considera a "religião da bondade". Um movimento religioso conservador e com práticas irregulares, para as quais se usa o pretexto da "caridade" para permiti-las e manter as contradições graves que fazem os "espíritas" estarem em desvantagem com católicos e evangélicos que, pelo menos, não cometem desonestidade doutrinária.
Os "espíritas" bajulam Allan Kardec, pedagogo de formação iluminista, mas praticam um igrejismo medieval herdado do Catolicismo do Brasil colonial, por sua vez introduzido por jesuítas portugueses de práticas medievais muito rigorosas e cruéis. Essa constatação é confirmada pela prática que o "movimento espírita" faz como a evocação de espíritos de jesuítas e católicos diversos.
Diante dessa desonestidade doutrinária que faz os "espíritas" estarem mais próximos do imperador romano Constantino, fundador da Igreja Católica na Idade Média, do que de Kardec, o "movimento espírita" só pode se apoiar num perfil e numa conduta conservadores, comprovada pelos artigos, palestras e publicações associadas a essa doutrina.
E isso influi no estabelecimento de restrições para a caridade, o que indica a surpreendente afinidade que o projeto educativo da Mansão do Caminho, do festejado Divaldo Franco - considerado "maior filatropo do Brasil" sem beneficiar mais do que 0,01% da população brasileira - , com a retrógrada Escola Sem Partido proposta pelo governo do presidente Michel Temer.
Sim, a caridade "espírita" tem limites, embora seus palestrantes façam todo tipo de esforço para dizer o contrário. Afinal, diante da apologia ao sofrimento humano e à condenação da individualidade, vista como um suposto capricho materialista de cada pessoa, o "espiritismo" já estabelece um padrão de "caridade" a ser aceito, praticado e estimulado. Vejamos:
1) AJUDAR OS NECESSITADOS DE FORMA PATERNALISTA E PALIATIVA - O "espiritismo" apela para determinar papéis para o teatro da filantropia: pobres e miseráveis pateticamente resignados e submissos, ricos paternalistas que apenas "ajudam um pouco". A ideia é ajudar apenas de forma a evitar efeitos extremos das desigualdades sociais, fazendo com que estas fossem mantidas dentro de níveis socialmente aceitáveis.
2) ACEITAR A EXPLORAÇÃO DE ALGOZES - A "caridade" estranhamente festejada pelos "espíritas" é aquela em que a pessoa de menor status está sujeita à exploração abusiva e tirânica de algozes de algum status superior. Ser escravo da tirania alheia e alvo de humilhações parece divertir os "espíritas" que, no seu juízo de valor, acham que submeter-se aos abusos de alguém é "caridade" e uma "excelente prova para a evolução espiritual".
3) CONVIVER COM ARRIVISTAS - Ajudar os pobres? Só dentro de duas condições: seja o pobre extremo, em condições frágeis, só para evitar os efeitos extremos das desigualdades sociais, (efeitos que trariam dívidas sociais sérias para as elites), seja o pobre arrivista que se entrega a valores e métodos retrógrados de ascensão social. Como o pobre rapaz de vida modesta e digna que é forçado pelas circunstâncias a aceitar as chamadas "periguetes" a pretexto de ensinar "valores nobres" a elas, normalmente surdas da valores que fogem do recreio orgiástico a que elas estão acostumadas.
Os "espíritas" apelam para aceitar infortúnios e desgraças e até a agradecer a quem deixa os sofredores em desgraças. A cada vez mais os "espíritas" se mostram identificados com a Teologia do Sofrimento católica e o quanto isso é comprovado em textos, palestras e publicações, da forma mais explícita possível, embora nunca assumida no discurso.
Isso mostra que o "espiritismo" nunca foi uma religião progressista, e que ele está muitíssimo distante de Allan Kardec, por mais que tente bajulá-lo. Mas as traduções igrejistas de Guillon Ribeiro e Salvador Gentile ajudam na brincadeira, oferecendo um Kardec "catolicizado" que serve para os roustanguistas enrustidos brincarem de serem "kardecianos". E tudo isso criando uma roupagem de "bondade" que, mesmo assim, só se manifesta de maneira restritivae condicional.
O "espiritismo" se considera a "religião da bondade". Um movimento religioso conservador e com práticas irregulares, para as quais se usa o pretexto da "caridade" para permiti-las e manter as contradições graves que fazem os "espíritas" estarem em desvantagem com católicos e evangélicos que, pelo menos, não cometem desonestidade doutrinária.
Os "espíritas" bajulam Allan Kardec, pedagogo de formação iluminista, mas praticam um igrejismo medieval herdado do Catolicismo do Brasil colonial, por sua vez introduzido por jesuítas portugueses de práticas medievais muito rigorosas e cruéis. Essa constatação é confirmada pela prática que o "movimento espírita" faz como a evocação de espíritos de jesuítas e católicos diversos.
Diante dessa desonestidade doutrinária que faz os "espíritas" estarem mais próximos do imperador romano Constantino, fundador da Igreja Católica na Idade Média, do que de Kardec, o "movimento espírita" só pode se apoiar num perfil e numa conduta conservadores, comprovada pelos artigos, palestras e publicações associadas a essa doutrina.
E isso influi no estabelecimento de restrições para a caridade, o que indica a surpreendente afinidade que o projeto educativo da Mansão do Caminho, do festejado Divaldo Franco - considerado "maior filatropo do Brasil" sem beneficiar mais do que 0,01% da população brasileira - , com a retrógrada Escola Sem Partido proposta pelo governo do presidente Michel Temer.
Sim, a caridade "espírita" tem limites, embora seus palestrantes façam todo tipo de esforço para dizer o contrário. Afinal, diante da apologia ao sofrimento humano e à condenação da individualidade, vista como um suposto capricho materialista de cada pessoa, o "espiritismo" já estabelece um padrão de "caridade" a ser aceito, praticado e estimulado. Vejamos:
1) AJUDAR OS NECESSITADOS DE FORMA PATERNALISTA E PALIATIVA - O "espiritismo" apela para determinar papéis para o teatro da filantropia: pobres e miseráveis pateticamente resignados e submissos, ricos paternalistas que apenas "ajudam um pouco". A ideia é ajudar apenas de forma a evitar efeitos extremos das desigualdades sociais, fazendo com que estas fossem mantidas dentro de níveis socialmente aceitáveis.
2) ACEITAR A EXPLORAÇÃO DE ALGOZES - A "caridade" estranhamente festejada pelos "espíritas" é aquela em que a pessoa de menor status está sujeita à exploração abusiva e tirânica de algozes de algum status superior. Ser escravo da tirania alheia e alvo de humilhações parece divertir os "espíritas" que, no seu juízo de valor, acham que submeter-se aos abusos de alguém é "caridade" e uma "excelente prova para a evolução espiritual".
3) CONVIVER COM ARRIVISTAS - Ajudar os pobres? Só dentro de duas condições: seja o pobre extremo, em condições frágeis, só para evitar os efeitos extremos das desigualdades sociais, (efeitos que trariam dívidas sociais sérias para as elites), seja o pobre arrivista que se entrega a valores e métodos retrógrados de ascensão social. Como o pobre rapaz de vida modesta e digna que é forçado pelas circunstâncias a aceitar as chamadas "periguetes" a pretexto de ensinar "valores nobres" a elas, normalmente surdas da valores que fogem do recreio orgiástico a que elas estão acostumadas.
Os "espíritas" apelam para aceitar infortúnios e desgraças e até a agradecer a quem deixa os sofredores em desgraças. A cada vez mais os "espíritas" se mostram identificados com a Teologia do Sofrimento católica e o quanto isso é comprovado em textos, palestras e publicações, da forma mais explícita possível, embora nunca assumida no discurso.
Isso mostra que o "espiritismo" nunca foi uma religião progressista, e que ele está muitíssimo distante de Allan Kardec, por mais que tente bajulá-lo. Mas as traduções igrejistas de Guillon Ribeiro e Salvador Gentile ajudam na brincadeira, oferecendo um Kardec "catolicizado" que serve para os roustanguistas enrustidos brincarem de serem "kardecianos". E tudo isso criando uma roupagem de "bondade" que, mesmo assim, só se manifesta de maneira restritivae condicional.
sábado, 7 de janeiro de 2017
Periódico "espírita" diz que escândalos financeiros chegam ao fim. Fala sério!
AÉCIO NEVES, JOSÉ SERRA E FERNANDO HENRIQUE CARDOSO FAZEM A FESTA.
O jornal "Correio Espírita" deste mês publicou, entre as matérias de capa, um dado aparentemente otimista de que os escândalos financeiros que abalaram o país estão chegando ao fim. A impressão é de que a vida econômica dos brasileiros estará entrando num período de prosperidade e transparência.
No entanto, não é bem assim que acontece. O que ocorre é justamente o contrário. Depois da aprovação da PEC dos Gastos Públicos, que agora virou emenda constitucional, os investimentos públicos estarão cada vez mais limitados, só podendo crescer dentro dos índices da inflação do ano anterior, o que indica também uma defasagem.
Com isso, os investimentos para Saúde, Educação, Previdência Social, Infraestrutura e outros setores estarão prejudicados. Não se poderá investir em melhorias nem aperfeiçoamentos no setor público, nem na melhoria da qualidade de vida da população.
Pode parecer que o limite dos gastos públicos represente, aos olhos dos incautos - que se limitam a se informar pelos nada confiáveis noticiários de televisão, jornais impressos diários e revistas da grande imprensa hegemônica que circulam nos fins de semana - , simbolize disciplina e austeridade por parte dos governantes.
No entanto, há um grande equívoco por trás disso, porque o corte de gastos é desnecessário, porque tais setores não representavam muita despesa para as autoridades e elas mesmas já não investiam a quantia necessária para os mesmos.
Em compensação, o verdadeiro fator da recessão econômica, os juros da dívida pública - destinados a alimentar as finanças exorbitantes de banqueiros, rentistas e especuladores financeiros, entre outros manipuladores de capital - , continua em alta e a tendência é aumentar suas taxas e usar o corte de gastos públicos para desviar o que deveria ser investido na sociedade para as fortunas astronômicas das elites financeiras.
A farra financeira também beneficiará os políticos conservadores que cercam o governo de Michel Temer, composto de políticos enquadrados em vergonhosos escândalos de corrupção. O PSDB, partido da base aliada, também será beneficiado e o que se verá é a repetição da chamada "farra da privataria", quando políticos tucanos desviarão o dinheiro público, obtido sobretudo em privatizações e outras manobras econômicas, para as contas pessoais e familiares nos chamados "paraísos fiscais".
O "Correio Espírita" parece ter ido no sentido de Miguel Reale Jr., jurista que foi um dos organizadores do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Reale Jr. disse que "não há corrupção" no governo Michel Temer e o escândalo do edifício de luxo de Geddel Vieira Lima era "prevaricação", quando se sabe que a pressão que Geddel havia feito no Ministério da Cultura para aprovação do edifício se encaixa perfeitamente no caso de corrupção.
O que se observa, portanto, é que os escândalos financeiros irão aumentar drasticamente, e não o contrário. Privatizações, doações financeiras às grandes corporações de Comunicação - o dinheiro que Temer corta para a Educação ajuda nas doações astronômicas de dinheiro publico para a Rede Globo e seus donos marajás e sonegadores de impostos - e generosas "gorjetas" aos rentistas revelaram escândalos futuros de fazer um careca arrancar os cabelos que não tem.
A plutocracia irá revelar, daqui a uns anos, novos e vergonhosos escândalos financeiros, coisas que assustarão a população, que acreditava que seus integrantes iriam repartir o "bolo" com a população, depois da saída do PT do poder. Concentração de renda gera escândalo financeiro, é bom lembrar.
Enquanto os hospitais e escolas públicos continuarão com falta de materiais, de profissionais e de recursos para melhoria de seus serviços, os grandes banqueiros multiplicarão suas já estratosféricas fortunas, fazendo turismo na Europa como quem caminha na esquina de casa. E temos que acreditar que as migalhas que a "repatriação de recursos" do "combate à corrupção" irá compensar as perdas financeiras que teremos até com mais uma desnacionalização da economia.
Diante disso, só poderemos esperar mais e mais escândalos financeiros. E mais e mais vergonhosos do que se pode imaginar numa perspectiva pessimista. Se bem que isso não é pessimismo, é realismo, diante da constatação de um cenário político marcado pela confusão e pela irresponsabilidade do governo do presidente Michel Temer.
O jornal "Correio Espírita" deste mês publicou, entre as matérias de capa, um dado aparentemente otimista de que os escândalos financeiros que abalaram o país estão chegando ao fim. A impressão é de que a vida econômica dos brasileiros estará entrando num período de prosperidade e transparência.
No entanto, não é bem assim que acontece. O que ocorre é justamente o contrário. Depois da aprovação da PEC dos Gastos Públicos, que agora virou emenda constitucional, os investimentos públicos estarão cada vez mais limitados, só podendo crescer dentro dos índices da inflação do ano anterior, o que indica também uma defasagem.
Com isso, os investimentos para Saúde, Educação, Previdência Social, Infraestrutura e outros setores estarão prejudicados. Não se poderá investir em melhorias nem aperfeiçoamentos no setor público, nem na melhoria da qualidade de vida da população.
Pode parecer que o limite dos gastos públicos represente, aos olhos dos incautos - que se limitam a se informar pelos nada confiáveis noticiários de televisão, jornais impressos diários e revistas da grande imprensa hegemônica que circulam nos fins de semana - , simbolize disciplina e austeridade por parte dos governantes.
No entanto, há um grande equívoco por trás disso, porque o corte de gastos é desnecessário, porque tais setores não representavam muita despesa para as autoridades e elas mesmas já não investiam a quantia necessária para os mesmos.
Em compensação, o verdadeiro fator da recessão econômica, os juros da dívida pública - destinados a alimentar as finanças exorbitantes de banqueiros, rentistas e especuladores financeiros, entre outros manipuladores de capital - , continua em alta e a tendência é aumentar suas taxas e usar o corte de gastos públicos para desviar o que deveria ser investido na sociedade para as fortunas astronômicas das elites financeiras.
A farra financeira também beneficiará os políticos conservadores que cercam o governo de Michel Temer, composto de políticos enquadrados em vergonhosos escândalos de corrupção. O PSDB, partido da base aliada, também será beneficiado e o que se verá é a repetição da chamada "farra da privataria", quando políticos tucanos desviarão o dinheiro público, obtido sobretudo em privatizações e outras manobras econômicas, para as contas pessoais e familiares nos chamados "paraísos fiscais".
O "Correio Espírita" parece ter ido no sentido de Miguel Reale Jr., jurista que foi um dos organizadores do pedido de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. Reale Jr. disse que "não há corrupção" no governo Michel Temer e o escândalo do edifício de luxo de Geddel Vieira Lima era "prevaricação", quando se sabe que a pressão que Geddel havia feito no Ministério da Cultura para aprovação do edifício se encaixa perfeitamente no caso de corrupção.
O que se observa, portanto, é que os escândalos financeiros irão aumentar drasticamente, e não o contrário. Privatizações, doações financeiras às grandes corporações de Comunicação - o dinheiro que Temer corta para a Educação ajuda nas doações astronômicas de dinheiro publico para a Rede Globo e seus donos marajás e sonegadores de impostos - e generosas "gorjetas" aos rentistas revelaram escândalos futuros de fazer um careca arrancar os cabelos que não tem.
A plutocracia irá revelar, daqui a uns anos, novos e vergonhosos escândalos financeiros, coisas que assustarão a população, que acreditava que seus integrantes iriam repartir o "bolo" com a população, depois da saída do PT do poder. Concentração de renda gera escândalo financeiro, é bom lembrar.
Enquanto os hospitais e escolas públicos continuarão com falta de materiais, de profissionais e de recursos para melhoria de seus serviços, os grandes banqueiros multiplicarão suas já estratosféricas fortunas, fazendo turismo na Europa como quem caminha na esquina de casa. E temos que acreditar que as migalhas que a "repatriação de recursos" do "combate à corrupção" irá compensar as perdas financeiras que teremos até com mais uma desnacionalização da economia.
Diante disso, só poderemos esperar mais e mais escândalos financeiros. E mais e mais vergonhosos do que se pode imaginar numa perspectiva pessimista. Se bem que isso não é pessimismo, é realismo, diante da constatação de um cenário político marcado pela confusão e pela irresponsabilidade do governo do presidente Michel Temer.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
"Convulsões sociais" expõem Brasil extremamente retrógrado
Qual a relação entre o linchamento de um ambulante, até ele ser morto, por dois agressores de um travesti que o vendedor defendeu, numa estação de metrô em São Paulo, com a chacina familiar cometida por um homem rancoroso na festa de virada de ano em Campinas?
Isso é fácil de responder. Difícil é relacionar isso também com fatos que aparentemente nada têm a ver com o machismo recreativo de mulheres siliconadas que só vivem de mostrar o corpo (como Solange Gomes e Mulher Melão) e com as passeatas que pediram o "Fora Dilma" nas ruas brasileiras.
Tudo isso tem relação, e mostra um Brasil apegado a velhos tempos. a valores obsoletos, a medidas prejudiciais à população, a um reacionarismo que, pasmem, arrasta multidões que aderem a tudo que é retrógrado nas redes sociais da Internet, derrubando definitivamente o mito de que a Internet seria um processo de revolução social na sociedade brasileira. Só se for a "revolução" de 1964.
Marcado por um moralismo medieval e quase pré-histórico, que volta e meia mostra atos de barbárie até em cidades consideradas "evoluídas" como Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba - cidade com complexo de superioridade por causa dos ônibus visualmente padronizados e pela prepotência de juízes anti-PT da Lava Jato, que fazem da capital paranaense ser apelidada de "República de Curitiba" - , o Brasil teve um 2016 bastante melancólico e preocupante.
Um país ainda machista, é irônico o sentido ambíguo da lembrança dos 40 anos do assassinato da socialite Ângela Diniz pelo empresário Doca Street, ocorrido no final de 1976, e cuja repercussão influenciou uma infinidade de crimes semelhantes até os dias de hoje. Graças à "defesa da honra" de Doca, o Brasil se tornou um dos países com maior ocorrência de feminicídio no mundo.
Ao mesmo tempo em que não é divulgada informação se Doca morreu ou não - em tese, ele atingiu, em 2016, a mesma idade em que o cantor Leonard Cohen encerrou sua vida, 82 anos, mesmo com passado de cocaína e tabagismo inveterado - , as reportagens de O Globo e Folha de São Paulo narram o fato como um passado distante como se o assassino (cuja última aparição ocorreu em 2006, para divulgar um livro) fosse "tão desaparecido" quanto, por exemplo, Ulysses Guimarães.
Na sociedade machista, parece proibido expor tragédias dos machos, enquanto as mulheres são vítimas constantes de tragédias violentas. É uma sociedade em que o homem que é capaz de acuar a própria namorada num quarto e esfaqueá-la até a morte é o mesmo que, quando sofre um infarto fulminante antes dos 60 anos de idade, apela, apavorado, para Jesus impedir que ele "seja levado para o além".
Machismo, racismo, elitismo, homofobia, bullying. A catarse social em prol de pontos de vista reacionários mostra um saudosismo doentio por momentos obscuros do Brasil: um padrão de mercado de trabalho anterior a 1930, e que o Executivo e o Legislativo buscam recuperar com as reformas trabalhista e previdenciária, além do estrangulamento social do "teto dos gastos públicos".
Socialmente, as pessoas tentam, quando muito, girar o relógio para 1970 ou 1974, e não é à toa que o evento da Copa do Mundo FIFA de 2014 parecia, para muitos, uma chance de "reviver o Tri". Usinas como Belo Monte e hidrovias em construção no Mato Grosso também lembram os "imponentes" projetos "desenvolvimentistas" da Era Médici.
O rentismo dos grandes bancos e das empresas de grande porte, principalmente as multinacionais, também refletem o perigoso espírito do tempo dos dias atuais, em que uma parcela considerável de brasileiros, mesmo de classe média, aceita que nossas riquezas sejam entregues a empresas estrangeiras. Lembra 1500, perdendo o pau-brasil para o comércio nas Índias...
Estamos numa situação que é comparável ao das galinhas fazendo campanha para a raposa controlar o galinheiro ou, em alguns aspectos radicais, para que o lobo venha cuidar do alojamento das galinhas. O frango não pode ser responsável porque é "corrupto" e os radicais querem que o lobo cuide do galinheiro porque "tem austeridade". Jair Bolsonaro?
Hoje já se fala em censurar a Internet, de um lado, enquanto, de outro, ocorre a libertinagem de valentões da Internet em criar páginas de ofensas contra quem discorda do "estabelecido". Em ambos os casos, as pessoas de bem saem prejudicadas, porque não poderão criar páginas ou armazenar conteúdo que vai contra "certas normas" e também não podem controlar os abusos de quem as ofendem de maneira mais agressiva e destrutiva.
Voltando ao machismo, até a vida da mulher solteira é ridicularizada pelo poder midiático, de maneira sutil e imperceptível. A solteira é humilhada pelas páginas de entretenimento "popular", porque é vista como uma "vadia" que só curte noitadas ou fica se sensualizando por aí. É uma mulher capaz de encher bustos e glúteos de silicone e tatuar o corpo, mas é incapaz de ter referenciais culturais de boa qualidade, não tendo escrúpulos de cometer sérias gafes intelectuais.
A emancipação feminina tem que ser duplamente negociada com o machismo. Ou a mulher busca aprimoramento intelectual e cultural sob a vigilância de um marido empresário ou de algum tipo de liderança, ou ela segue a cartilha machista da hipersexualização ou da devoção do lar sem precisar viver sob a sombra sequer de um pretendente.
Daí que existem aberrações como modelos, jornalistas e apresentadoras de TV que, casadas, aparecem quase todo o tempo sozinhas. Podem estar "muito bem casadas" e ao mesmo tempo quase nunca aparecer na companha do marido, porque os "negócios" dele permitem uma "solidão" a dois e um convívio conjugal bastante restrito, limitado a eventos de extrema formalidade e o breve convívio noturno doméstico do jantar e do sono, e os passeios com os filhos.
Por outro lado, há, no âmbito do "popular", mulheres siliconadas que escondem namorados e maridos, por causa daquela regra de mercado de que "solteiro vende mais", bancando as "encalhadas" só para atrair mais seguidores na sua conta do Instagram e vender mais CDs, no caso delas serem também "cantoras" (geralmente de "funk"). Há casos de siliconadas que inventam uma dengue ou pneumonia para ver seus maridos, que vivem em locais distantes e nunca revelados.
Esse cenário que, em casos extremos, é marcado pelas convulsões sociais, surtos de conflitos humanos que, em parte, servem para proteger ou impor valores e medidas reacionários, embora haja também convulsões que atingem a própria plutocracia, até porque, como todo conflito, também os algozes não são poupados, até porque eles pagam o preço por irem "longe demais" em vários momentos.
A verdade é que, perto de 2019, o "espiritismo" brasileiro se derrotou diante de tão precipitadas predições, de que o país estaria rumando a um progresso magnífico para liderar o concerto das nações e promover a evolução humanitária. Em vez disso, só o limite dos gastos públicos imposto pelo governo Temer para duas décadas causará enormes prejuízos sociais e servirá de pano de fundo para muitas tragédias e incidentes gravíssimos resultantes de tantos e tantos retrocessos sociais.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Por que não há uma Leah Remini do "espiritismo" brasileiro?
Quanta diferença entre o exterior e o Brasil. Na vida política, enquanto lá fora especialistas sérios conseguem repercutir com seus graves alertas sobre o desastre que é o governo do presidente Michel Temer, em todos os aspectos, aqui há quem veja alguma validade nesse projeto político bastante catastrófico, nocivo à população e realizado sob o arrepio da lei.
Atores conceituados fizeram manifestos contra a votação do impeachment que tiraria de vez a presidenta Dilma Rousseff e o Senado não deu ouvidos. Estudioso da ONU fez um relatório dizendo que a PEC dos Gastos Públicos é uma afronta aos direitos humanos e, mesmo assim, a proposta foi aprovada, virou lei e irá estrangular a economia brasileira por vinte anos.
Lá fora, a ex-adepta da Cientologia, a atriz Leah Remini, exigiu da seita uma indenização de US$ 1,5 milhão (equivalente a R$ 5,1 milhões, no câmbio atual) por danos morais e como devolução das doações que ela deu à religião. Ela denuncia, também, que a Cientologia teria recorrido a uma rede de TV a cancelar o documentário dela sobre a seita.
E aqui no Brasil? No momento, o Rio de Janeiro - que, mesmo decadente, ainda insiste com a ilusão de bancar a "cidade-modelo" do país - vive um catastrófico calor de 43°, perigoso para a saúde da população, e as pessoas felizes achando que estão vivendo no paraíso. Com temperatura infernal?
Ficamos imaginando como seria se o Rio de Janeiro estivesse no lugar de Pompeia. A despreocupação dos brasileiros, sobretudo os cariocas, é preocupante, e ficamos pensando o que os cariocas veriam com as pedras de lava do Vesúvio caíssem sobre elas, e a lava escorrendo pelas ruas. Alguém teria coragem de rir com isso?
O Brasil é um país tão absurdo que, aqui, mulher-objeto pode ser considerada "feminista" mesmo se "sensualizando demais" como se fosse carne de rua. Só porque a mulher-objeto não tem, em tese, algum namorado ou marido, ou porque não é escrava do lar, não significa que ela seja feminista, até porque trabalha uma imagem claramente machista de sensualidade e exploração do corpo feminino.
No âmbito da religião, não bastasse a ameaça dos evangélicos em instaurar uma teocracia no Brasil, consolidando sua supremacia no Poder Legislativo e já invadindo setores do Poder Executivo, há a blindagem do "espiritismo" em que é possível usar falsidade ideológica sem que a Justiça mexa e, o que é pior, com ampla chance de obter o consentimento dos familiares do morto usurpado.
O Brasil é um país ensandecido, em que há insegurança jurídica, vulnerabilidade ética e social de todos os tipos, e não há um movimento para combater em larga escala as catástrofes sociais que existem. Questionamentos existem aqui e ali, mas eles não repercutem o suficiente para combater os aberrantes retrocessos que ocorrem no país, que beneficiam os que mais cometem abusos por impulso do egoísmo.
O "espiritismo" já se equipara aos movimentos neopentecostais pela combinação de erros, ambição e blindagem sócio-jurídica, se bem que no caso dos neopentecostais, a Justiça ainda pega em cima deles dependendo das circunstâncias. Entre os "espíritas", salvo uns "peixes pequenos" aqui e ali, como a pediatra de Rondonópolis, que se recusou a atender uma criança vítima de estupro por causa do moralismo "espírita" que sempre coloca a vítima é a culpada.
Não há um documentário oficial denunciando as irregularidades do "espiritismo". Mas há documentários sobre bobagens em prol da seita, embora não sejam crenças unânimes. A suposta profecia da Data-Limite, por exemplo, não é aceita por todos os seguidores de Francisco Cândido Xavier, havendo quem veja nelas um absurdo, por crer que seu ídolo seria incapaz de tal aventura.
E isso já é grave. Põe-se um documentário sobre supostas profecias que nem todos os seguidores do suposto médium concordam. O "espiritismo" mostra irregularidades muito piores do que a Cientologia ou a vida de Madre Teresa de Calcutá. que possuem documentários denunciando suas irregularidades.
Um produtor que decida, por exemplo, denunciar as irregularidades de Chico Xavier, provando, entre outras farsas "mediúnicas", a maior delas, a de Humberto de Campos - que em verdade se afastou, horrorizado, de qualquer assédio do anti-médium mineiro - , dificilmente receberia um centavo dos anunciantes e mesmo um crowdfunding, financiamento independente pela Internet, seria muito difícil e atingiria uma arrecadação longe de pagar os mais singelos custos de produção.
Não há uma Leah Remini com visibilidade e prestígio para denunciar. O que Chico Xavier fez com Humberto de Campos é algo que nem um inimigo teria coragem de fazer, um revanchismo barato só porque Humberto, em vida, não fez um comentário elogioso com um livro de Xavier, e, morto, foi usurpado da maneira mais leviana, oportunista e obsessiva possível, com o esperto "médium" ainda aliciando os familiares do autor morto, não bastasse a impunidade dada pela Justiça.
As irregularidades cometidas pelo "espiritismo" brasileiro são muito mais graves e preocupantes do que uma mera predileção ao igrejismo de Jean-Baptiste Roustaing, hoje tendenciosamente descartado (como o ex-deputado Eduardo Cunha no âmbito político). Envolve fraudes "mediúnicas" que não podem ser aceitas sob o pretexto da carteirada religiosa, porque elas destoam seriamente dos estilos e aspectos pessoais dos mortos a que tais obras são atribuídas.
Esquece-se, por causa do deslumbramento religioso, que as obras de falsificação buscam o máximo de semelhanças com as obras autênticas. Não são as semelhanças que conferem autenticidade, se existem diferenças que podem derrubar qualquer presunção neste sentido. As supostas obras mediúnicas são autenticadas apenas levando em conta as semelhanças, mas existem diferenças que vão contra a natureza de cada falecido que é atribuído a essas obras.
É preciso que as pessoas abram mão de tantos apegos a paradigmas, dogmas e totens que já não fazem mais sentido. Deixar a arrogância de manter esses apegos só porque o Brasil não é a Europa e os EUA. O problema não é o Brasil ser Europa ou EUA, mas devem ser aproveitados procedimentos e posturas adotados pelo povo desses lugares que freia a ascensão e combate a supremacia daqueles que agem em torno do abuso, da desonestidade e do arrivismo.
Temos que deixar a doença infantil de aceitarmos tudo porque, na primeira denúncia, o acusado vem com imagens de crianças pobres tomando sopa ou velhinhos doentes dormindo nas ruas. É um vício grave recorrer à carteirada religiosa para acobertar fraudes de seitas e crenças e garantir aos ídolos religiosos a impunidade, por causa de suas desonestidades feitas "em prol da caridade". Caridade não é cúmplice da fraude e do engano, vale lembrar.
É essencial deixar de lado fantasias, deslumbramentos e teimosias que parecem confortáveis, mas trazem muito prejuízo para o nosso país. Vide o desastrado governo de Michel Temer, instituído por causa de tantas fantasias e ilusões em torno das pessoas de algum status quo elevado, seja ele jurídico, econômico, empresarial, midiático e político. Pagamos o preço do apego a essas ilusões de atribuir valor a alguns "iluminados" do diploma, dinheiro, fama etc.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Revista insiste em abordagem confusa do "espiritismo" da fase dúbia
O Brasil vive marcado tanto na incompreensão das pessoas sobre tudo quanto ao apego a paradigmas velhos e duvidosos de "superioridade social". As pessoas endeusam juízes, empresários de mídia, ídolos religiosos, tecnocratas achando que eles detém "responsabilidades maiores" e, contraditoriamente, minimizam e sentem complacência quando eles cometem erros muito graves.
O "espiritismo" é beneficiado por essa complacência que garante a mais absoluta blindagem. E, é claro, a grande mídia comercial, que adora romover os ícones "espíritas" como "símbolos de bondade", faz com que o "movimento espírita" tente prevalecer sempre, como se fosse a doutrina dos "donos da verdade", sempre preocupados em ficar com a palavra final para tudo.
A própria mídia diz a que vem quando prefere exaltar supostos médiuns que cultivam o "culto à personalidade" mas dissimulam com aparente filantropia. É uma "caridade" que ajuda muito pouco, beneficiando antes o benfeitor do que o necessitado, mas que por isso mesmo a mídia exalta porque é uma "bondade" que não ameaça os privilégios das elites. A Rede Globo, por exemplo, tem como donos um trio de irmãos que sonegam impostos e acumulam fortunas exorbitantes e crescentes.
A Rede Globo, aliás, reinventou o "movimento espírita" que, depois do roustanguismo da FEB, se propagou sob o apoio da TV Tupi. Até o desfecho do caso Otília Diogo, havia uma coisa gozada nos Diários Associados: geralmente o "médium" Francisco Cândido Xavier "levava surra" da revista O Cruzeiro e era "consolado" pela TV Tupi.
Chico Xavier foi um mito que, até os anos 1970, era trabalhado de maneira confusa, à mercê de escândalos. Foi preciso o inglês Malcolm Muggeridge criar um modelo "limpo" de marketing da filantropia, que moldou uma imagem "agradável" de Madre Teresa de Calcutá, para a FEB e a Globo fazerem as pazes e relançar Chico Xavier como um pretenso filantropo, copiando os elementos lançados pelo documentário britânico Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God).
Era o começo da fase dúbia no "movimento espírita" brasileiro, um suposto equilíbrio entre as correntes "mística" e "científica", uma "união de cima", decidida pelos "místicos", através de uma parcela que fingiu renegar o roustanguismo e passou a bajular os "científicos", atrapalhando os esforços de recuperação das bases doutrinárias kardecianas.
REVISTA "GRANDES MÉDIUNS"
A fase dúbia do "movimento espírita" está em declínio, mas não irá desaparecer. Ela talvez cumpra um papel menor, quando o "espiritismo" brasileiro assumir de vez o neo-roustanguismo, embora sem citar um pingo de "i" do nome de Jean-Baptiste Roustaing.
Mesmo assim, a fase dúbia é, certamente a mais popular do "movimento espírita", por causa de seu apelo quase popularesco de romances "espíritas" que parecem novelas da TV, além dos naturais apelos igrejistas herdados da Igreja Católica e um sensacionalismo esotérico que permite evocar tendenciosamente personalidades científicas e forjar até profetismo.
Só que as contradições se tornam cada vez mais evidentes e mais um veículo apresenta tais deslizes. A revista Grandes Médiuns, da Editora Escala, que tem o "médium" João de Deus na capa, mas apresenta também uma foto de Chico Xavier e uma contraditória citação de nomes, já que José Herculano Pires, um dos poucos espíritas autênticos no Brasil, aparece ao lado dos grandes deturpadores, como Divaldo Franco.
Evidentemente, um mercado editorial assim é muito pouco confiável. São revistas que vivem mais de sensacionalismo do que de transmissão de conhecimento. Informam alguma coisa, mas misturam teses sensacionalistas e não são feitos por gente especializada. E, quando o Brasil vive o próprio problema do status quo, quando os "especialistas" da tecnocracia, do meio jurídico, da grande imprensa etc, mostram seus graves deslizes, isso se complica mais ainda.
A revista sinaliza o último apelo de "mediunidade espírita" dentro do marketing que mistura igrejismo, suposta filantropia e "culto à personalidade" ("virtude" muito comum nos "médiuns" brasileiros), envolvendo agora João de Deus, que, embora idoso, é a "última aposta" do "movimento espírita" com Chico Xavier já morto e Divaldo Franco beirando os 90 anos de idade.
Só que João de Deus, na verdade João Teixeira de Faria, o "médium" de Abadiânia, Goiás, é latifundiário, foi capa da revista Veja (que reprova tudo que é ativismo social, se a publicação exalta "filantropos" é porque tem alguma coisa estranha aí), é latifundiário e, "médium cirúrgico", se recusou a fazer auto-cirurgia quando estava sofrendo de câncer. Nem para receber o espírito do dr. Leonid Rogozov, que havia feito uma auto-cirurgia gravíssima há 55 anos?
A revista não deixará marca alguma e é apenas mais um apelo desesperado para salvar o "movimento espírita", cuja crise se agrava cada vez mais, sobretudo pelo caso da pediatra de Rondonópolis. Foi o crime dela, de usar a "moral espírita" para recusar atendimento a uma criança, que mostrou a péssima escola moral do "espiritismo" brasileiro e expôs as sérias contradições da doutrina que só evoca Allan Kardec no nome, mas se afasta dele no conteúdo.
Assinar:
Postagens (Atom)






