quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
A aberrante mercantilização do corpo feminino
Uma grande aberração acontece na chamada mídia "popular". A profusão de musas "sensuais" que nada fazem na vida senão "mostrar demais", que acontece numa quantidade e com uma persistência preocupantes, expressam a resistência de valores machistas remanescentes.
Musas como Mulher Melão, Mulher Melancia, Solange Gomes, Geisy Arruda e centenas de outras nada fazem senão "sensualizar", e, mesmo quando tentam investir em outras situações e atitudes, sempre as vinculam a seus "corpos avantajados", que ainda contam com o respaldo de internautas machistas e dotados de impulsos sexuais desenfreados.
Muitas dessas "musas" são arrogantes e temperamentais, cometeram muitas gafes e ainda por cima ridicularizam a imagem da mulher solteira no Brasil, que através da mídia popularesca é associada ao erotismo obsessivo, o apego a noitadas, os péssimos referenciais culturais e uma pouca responsabilidade com as coisas da vida.
Até agora elas insistem em permanecer em evidência, com suas fotos no Instagram e, pasmem, alimentam um mercado aberrante, em que o corpo feminino é tratado como um simples objeto de consumo, uma mera mercadoria "oferecida de bandeja" para tarados de plantão.
Há uma grande diferença entre uma mulher inteligente que eventualmente se torna sensual e uma "musa" que trata a sensualidade como um fim em si mesmo. Atrizes, modelos e até jornalistas de televisão alternam sessões de fotos sensuais com discretas aparições públicas, sobretudo em aeroportos, em que elas chegam a usar roupões compridos, dependendo do caso.
São mulheres que não dependem da sensualidade para se afirmarem, e nem possuem os corpos exagerados, artificiais e plastificados das "musas populares", conhecidas como "boazudas" ou "popozudas". E é lamentável que é justamente nas classes populares e na classe média que esse mercado de glúteos e bustos "oferecidos" persiste e corrompe o paradigma da mulher popular.
As mulheres das classes populares são induzidas pelo poder midiático a ver nessas "exóticas" mulheres um "modelo de sucesso e prestígio" e várias delas embarcam na onda sem saber do mal a que se expõem.
Esse mercado perverso, apesar da "felicidade" com que as "musas" mostram seus corpos siliconados com tamanha persistência e obsessão, mostra o quanto a hipersexualização do corpo feminino deprecia a busca das mulheres das classes populares por qualidade de vida.
A "sensualização" é um múltiplo processo de ridicularização das mulheres. Há a esculhambação da imagem da solteira, tida como "vadia", "fútil" e "exibida". Há a depreciação da mulher negra, geralmente de glúteos mais redondos, ou de mulheres mais "cheinhas", o que sugere um sutil racismo ou outro processo de humilhação social. E há a desmoralização da mulher nas classes populares, com esse "modelo" associado à sensualidade obsessiva e forçada.
E há nisso uma grande contradição. Uma parcela da intelectualidade comprometida em defender a decadência da cultura popular sob a desculpa da "ruptura do preconceito" e da "rebelião do mau gosto" defende que a mulher das classes populares seja exposta ao erotismo gratuito, enquanto a mulher da classe média é que pode se proteger dos abusos do assédio masculino.
Enquanto a mulher de classe média levanta bandeiras contra as chamadas "cantadas", mulheres consideradas de "forte apelo popular" se tornam as "oferecidas" e pedem mesmo para internautas "as desejarem".
É um processo estranho, e que ameaça até as mulheres de classe média porque as "musas populares", com seu erotismo obsessivo e compulsório, estimulam o apetite e a ação de tarados que podem se converter em estupradores que irão atacar as mulheres da "casa grande". É um tiro no pé que a intelectualidade festiva deu, ao defender, no "lado de cima", o "chega de fiu-fiu" e, no "lado de baixo", o "direito à sensualidade" das "musas que mostram demais".
Com esses aspectos remanescentes de ideais machistas, da forma como prevaleciam durante a ditadura militar, o avanço das conquistas femininas é comprometido, diante de um grande número de subcelebridades femininas que se alegram em se reduzirem a meras mercadorias sexuais, promovendo o consumismo erótico expondo seus corpos siliconados como se fosse carne de rua.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
Mercado da visibilidade atrapalha o progresso no Brasil
LUCIANO HUCK, UM DOS "PRÍNCIPES" DO MERCADO DA FAMA E DO PRESTÍGIO.
O mercado da visibilidade no Brasil é um dos mais injustos do mundo. A predominância de pessoas inexpressivas e incompetentes, incapazes de representar o interesse público de forma plena e sem o compromisso de realizar progressos sociais, faz com que o mercado de gente influente e formadora de opinião e hábitos seja um dos piores do planeta.
Graças a esse mercado, a mediocrização sócio-cultural, que atinge da música brasileira ao serviço público, influíram decisivamente na crise que o Brasil sofre, diferente da leviana e futilmente simplória ideia de que "a culpa é do PT".
O mercado da visibilidade é responsável pela seleção de pessoas que devem influir na consolidação ou mudança de hábitos, nas atitudes cotidianas, na formação do comportamento, na discussão de ideias e tudo o mais que poderia trazer um avanço para a sociedade brasileira. Mas não traz.
São personalidades que variam de jornalistas e apresentadores elitistas, subcelebridades e mulheres siliconadas que "mostram demais", cantores e conjuntos musicais canastrões, pessoas em geral que não têm o que dizer e só aparecem em noitadas e tecnocratas dotados de visões conservadoras mas que querem se meter até em causas e correntes progressistas.
Temos, portanto, um mercado da visibilidade bastante doentio, no qual emergiram até mesmo figuras do reacionarismo midiático, como Danilo Gentili, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade e Olavo de Carvalho, que influenciaram a imbecilização de extrema-direita, com "revoltados" rasgando a Constituição pedindo "fora Dilma" sem qualquer motivo coerente e pateticamente vestidos com a camisa da seleção, como se não houvesse corrupção na CBF.
Temos um mercado midiático retrógrado, que ainda sofre reflexos da ditadura militar. Aliás, há muitos reflexos da mentalidade ditatorial: os troleiros de Internet lembram o antigo Comando de Caça aos Comunistas. A grande mídia faz autocensura e investe num jornalismo que deforma em vez de informar. E até no "funk" e nas "boazudas" em geral as siliconadas lembram as "musas" de revistas eróticas de "ultimésima" categoria.
Com isso, quem pode formar opinião e influir em hábitos populares é geralmente gente reacionária vinda das elites ou ídolos "populares" que variam entre a canastrice e o oportunismo, pessoas sem talento nem visão de mundo mas que fazem de tudo para ficarem em evidência, mesmo quando tentam contradizer a si próprios e embarcar em mudanças de contextos.
Isso é ruim. E pior ainda quando vemos que, no âmbito nacional, veículos como a Rede Globo, a Folha de São Paulo e a Veja exercem supremacia no mercado da visibilidade, e as trilhas sonoras de novela da Globo, ao lado de rádios FM controladas por grandes grupos empresariais, se impõem como formadoras do gosto musical dos brasileiros.
No âmbito regional, é aberrante o monopólio da Rádio Metrópole e seu proprietário, o canastrão Mário Kertêsz, no mercado da visibilidade regional. O ex-prefeito de Salvador, que criou esta rádio cuja origem remete a um vergonhoso esquema de corrupção, é conhecido pelos "espíritas" por empregar o anti-médium baiano José Medrado.
Temos uma mídia incompetente que investe em formadores de opinião incompetentes. Por isso o Brasil não pode ter grandes artistas, grandes intelectuais e isso cria uma situação impotente para resolver tantos problemas.
Por exemplo, em relação a fraudes religiosas, o Brasil tem equivalentes a Christopher Hitchens para denunciá-las, mas esses equivalentes não possuem a visibilidade que o falecido jornalista britânico teve em sua carreira.
Existem intelectuais com visão de mundo capazes de questionar fenômenos de "massa" de gosto duvidoso e derrubar a supremacia do "mau gosto popular" que vicia a "cultura popular" manejada pelo mercado e pela mídia. Mas esses intelectuais, não bastassem serem boicotados pelo meio acadêmico (são barrados já nas inscrições para o Mestrado), também padecem por não exercer uma visibilidade plena que influencie um grande público.
Temos problemas diversos que vão desde "boazudas" que transformam seus corpos em mercadorias, como Mulher Melão e Solange Gomes, tão arrogantemente exibicionistas. até a falta de coragem dos formadores de opinião de analisar fraudes e irregularidades da trajetória de Francisco Cândido Xavier.
O Brasil se torna o país da complacência fácil, do consentimento confortável, que permite a corrupção e a degradação de valores sócio-culturais e o fanatismo religioso e até esportivo, como a obsessão doentia dos cariocas pelos quatro times de futebol (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco).
O nosso país torna-se mais vulnerável às armadilhas diversas do que o "velho e decadente" Primeiro Mundo. O "mundo velho" já passou por desilusões que fizeram seus povos se prepararem melhor para questionar as coisas, diferente do Brasil em que as armadilhas deixam muitos deslumbrados, como diante de cavalos de Troia que escondem soldados violentos.
E é isso que prejudica o nosso país. Temos pessoas influentes que nada fazem ou, quando fazem, é no pior sentido. Um Luciano Huck buscando manipular e desqualificar nossa linguagem, através da gíria "balada", que ele criou sob o respaldo da Rede Globo e da ultrareacionária Jovem Pan FM. Ou intelectuais diversos que aproveitam o prestígio facilmente obtido para reivindicar a decadência da cultura popular usando a desculpa da "ruptura do preconceito" contra o "mau gosto".
Também complica, nos casos regionais, o exemplo de Mário Kertèsz se apropriando de personalidades dos mais diversos tipos e se passando por "dono das esquerdas", castrando e usurpando a diversidade social enquanto ele deixa "solto" o coronelismo midiático no qual ele faz parte e que sustenta o mercado "monocultural" da axé-music.
Isso compromete o progresso do Brasil e transforma os debates que ocorrem na Internet em "queixas fúteis de internautas desocupados". Enquanto isso, a imbecilização sócio-cultural prevalece porque são pessoas de muita visibilidade que a difundem, e o mercado da fama do prestígio é corrompido pela supremacia de incompetentes e medíocres, canalhas e canastrões, a tentar nos influenciar de qualquer forma e na marra. Não há país que vá para frente com pessoas desses tipos.
O mercado da visibilidade no Brasil é um dos mais injustos do mundo. A predominância de pessoas inexpressivas e incompetentes, incapazes de representar o interesse público de forma plena e sem o compromisso de realizar progressos sociais, faz com que o mercado de gente influente e formadora de opinião e hábitos seja um dos piores do planeta.
Graças a esse mercado, a mediocrização sócio-cultural, que atinge da música brasileira ao serviço público, influíram decisivamente na crise que o Brasil sofre, diferente da leviana e futilmente simplória ideia de que "a culpa é do PT".
O mercado da visibilidade é responsável pela seleção de pessoas que devem influir na consolidação ou mudança de hábitos, nas atitudes cotidianas, na formação do comportamento, na discussão de ideias e tudo o mais que poderia trazer um avanço para a sociedade brasileira. Mas não traz.
São personalidades que variam de jornalistas e apresentadores elitistas, subcelebridades e mulheres siliconadas que "mostram demais", cantores e conjuntos musicais canastrões, pessoas em geral que não têm o que dizer e só aparecem em noitadas e tecnocratas dotados de visões conservadoras mas que querem se meter até em causas e correntes progressistas.
Temos, portanto, um mercado da visibilidade bastante doentio, no qual emergiram até mesmo figuras do reacionarismo midiático, como Danilo Gentili, Rodrigo Constantino, Reinaldo Azevedo, Rachel Sheherazade e Olavo de Carvalho, que influenciaram a imbecilização de extrema-direita, com "revoltados" rasgando a Constituição pedindo "fora Dilma" sem qualquer motivo coerente e pateticamente vestidos com a camisa da seleção, como se não houvesse corrupção na CBF.
Temos um mercado midiático retrógrado, que ainda sofre reflexos da ditadura militar. Aliás, há muitos reflexos da mentalidade ditatorial: os troleiros de Internet lembram o antigo Comando de Caça aos Comunistas. A grande mídia faz autocensura e investe num jornalismo que deforma em vez de informar. E até no "funk" e nas "boazudas" em geral as siliconadas lembram as "musas" de revistas eróticas de "ultimésima" categoria.
Com isso, quem pode formar opinião e influir em hábitos populares é geralmente gente reacionária vinda das elites ou ídolos "populares" que variam entre a canastrice e o oportunismo, pessoas sem talento nem visão de mundo mas que fazem de tudo para ficarem em evidência, mesmo quando tentam contradizer a si próprios e embarcar em mudanças de contextos.
Isso é ruim. E pior ainda quando vemos que, no âmbito nacional, veículos como a Rede Globo, a Folha de São Paulo e a Veja exercem supremacia no mercado da visibilidade, e as trilhas sonoras de novela da Globo, ao lado de rádios FM controladas por grandes grupos empresariais, se impõem como formadoras do gosto musical dos brasileiros.
No âmbito regional, é aberrante o monopólio da Rádio Metrópole e seu proprietário, o canastrão Mário Kertêsz, no mercado da visibilidade regional. O ex-prefeito de Salvador, que criou esta rádio cuja origem remete a um vergonhoso esquema de corrupção, é conhecido pelos "espíritas" por empregar o anti-médium baiano José Medrado.
Temos uma mídia incompetente que investe em formadores de opinião incompetentes. Por isso o Brasil não pode ter grandes artistas, grandes intelectuais e isso cria uma situação impotente para resolver tantos problemas.
Por exemplo, em relação a fraudes religiosas, o Brasil tem equivalentes a Christopher Hitchens para denunciá-las, mas esses equivalentes não possuem a visibilidade que o falecido jornalista britânico teve em sua carreira.
Existem intelectuais com visão de mundo capazes de questionar fenômenos de "massa" de gosto duvidoso e derrubar a supremacia do "mau gosto popular" que vicia a "cultura popular" manejada pelo mercado e pela mídia. Mas esses intelectuais, não bastassem serem boicotados pelo meio acadêmico (são barrados já nas inscrições para o Mestrado), também padecem por não exercer uma visibilidade plena que influencie um grande público.
Temos problemas diversos que vão desde "boazudas" que transformam seus corpos em mercadorias, como Mulher Melão e Solange Gomes, tão arrogantemente exibicionistas. até a falta de coragem dos formadores de opinião de analisar fraudes e irregularidades da trajetória de Francisco Cândido Xavier.
O Brasil se torna o país da complacência fácil, do consentimento confortável, que permite a corrupção e a degradação de valores sócio-culturais e o fanatismo religioso e até esportivo, como a obsessão doentia dos cariocas pelos quatro times de futebol (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco).
O nosso país torna-se mais vulnerável às armadilhas diversas do que o "velho e decadente" Primeiro Mundo. O "mundo velho" já passou por desilusões que fizeram seus povos se prepararem melhor para questionar as coisas, diferente do Brasil em que as armadilhas deixam muitos deslumbrados, como diante de cavalos de Troia que escondem soldados violentos.
E é isso que prejudica o nosso país. Temos pessoas influentes que nada fazem ou, quando fazem, é no pior sentido. Um Luciano Huck buscando manipular e desqualificar nossa linguagem, através da gíria "balada", que ele criou sob o respaldo da Rede Globo e da ultrareacionária Jovem Pan FM. Ou intelectuais diversos que aproveitam o prestígio facilmente obtido para reivindicar a decadência da cultura popular usando a desculpa da "ruptura do preconceito" contra o "mau gosto".
Também complica, nos casos regionais, o exemplo de Mário Kertèsz se apropriando de personalidades dos mais diversos tipos e se passando por "dono das esquerdas", castrando e usurpando a diversidade social enquanto ele deixa "solto" o coronelismo midiático no qual ele faz parte e que sustenta o mercado "monocultural" da axé-music.
Isso compromete o progresso do Brasil e transforma os debates que ocorrem na Internet em "queixas fúteis de internautas desocupados". Enquanto isso, a imbecilização sócio-cultural prevalece porque são pessoas de muita visibilidade que a difundem, e o mercado da fama do prestígio é corrompido pela supremacia de incompetentes e medíocres, canalhas e canastrões, a tentar nos influenciar de qualquer forma e na marra. Não há país que vá para frente com pessoas desses tipos.
terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Chico Xavier levou os Diários Associados à falência?
UM ANO APÓS A FARSA DE OTÍLIA DIOGO, SEU MAIOR CÚMPLICE VIROU "COLABORADOR" DE O CRUZEIRO.
A trajetória dos Diários Associados mostrou a tendência dominante de duas posturas diferentes. Geralmente O Cruzeiro batia pesado em Francisco Cândido Xavier e a TV Tupi pegava leve, tratando-o com carinho.
No entanto, houve uma situação em que O Cruzeiro resolveu "acariciar" Chico Xavier, um ano depois dele ter sido revelado cúmplice da farsa de Otília Diogo. um escândalo tão grave de ilusionismo circense disfarçado de materialização que a ocorrência foi decisiva para o rompimento de Waldo Vieira com seu antigo amigo. Foi aí que Waldo pulou fora e fundou a Conscienciologia.
Chico Xavier era portador de más energias. Tal constatação, embora cause muitas lágrimas nos "espíritas" e até nos religiosos em geral, por soar "ofensivo" para alguém considerado "de bem", é realista e verídica.
Afinal, Chico Xavier fez plágios e pastiches literários. Criava verdadeiras mentiras impressas ou manuscritas, além de deturpar a Doutrina Espírita fingindo-se "fiel seguidor" de Allan Kardec e cometendo, contra este, traições das mais graves e das mais preocupantes. Que energias boas se esperará de uma pessoa assim? Nenhuma!
Evidentemente, existem interesses mesquinhos por trás da imagem de "bondade" associada a Chico Xavier. Ele cometia fraudes mas as camuflava com "mensagens positivas" e "lindas palavras de amor". Essa armadilha já foi alertada pelo espírito Erasto, quando divulgou sua mensagem a médiuns que prestavam serviço a Allan Kardec.
Erasto advertia para que tenhamos muito cuidado com as mensagens que transmitem "coisas boas", porque é nelas que o perigo da mistificação se torna muito maior, o veneno é muito mais mortal e perigoso quando ele se apresenta com uma aparência atraente e um sabor delicioso, como na mancinela, uma árvore totalmente venenosa com seus frutos de sabor muito agradável.
Pois Chico Xavier é a mancinela religiosa que os brasileiros insistem em tocar. O apego a Chico Xavier é tanto que as pessoas preferem arruinar suas vidas, desde que estejam "protegidas" pelas "lindas palavras de amor" do anti-médium mineiro.
A hipocrisia dessas pessoas se torna notória: precisam de um "velhinho bondoso" para camuflar os maus tratos que fazem contra os velhinhos de seu próprio convívio, como pais, mães, sogras, avós etc. Precisam de um "amigo de verdade" para dissimular o desprezo que dão a amigos próximos. Precisam de um "exemplo de amor e bondade" para compensar a falta de amor e bondade nos seus corações.
E aí Chico Xavier, o pupilo do traiçoeiro medieval Padre Manuel da Nóbrega, que retornou sob o codinome Emmanuel, passou a ser o ídolo maior da preguiça mental, moral e existencial das pessoas, sem saber do grande e perigoso deturpador que ele foi e das energias negativas que ele transmitiu sem que seus seguidores tivessem a menor coragem em admitir.
Até Juscelino Kubitschek atraiu para si energias negativas quando entrou em contato com Chico Xavier. Juscelino ajudou Chico Xavier, transformou a Federação "Espírita" Brasileira em entidade de utilidade pública e tudo o mais e o que o então presidente brasileiro recebeu em troca? Foi amaldiçoado.
Ele não conseguiu ser eleito novamente presidente do Brasil, que era sua meta, o que lhe permitiria iniciar o mandato na Brasília que ele mandou construir. Foi um dos primeiros políticos cassados pela ditadura militar, mesmo depois de assumir oposição ao seu antigo vice, João Goulart. Não foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (que hoje é capaz de eleger uma nulidade como Merval Pereira) e ainda morreu num acidente de carro suspeito mas considerado "normal".
As más energias contagiaram até os que estavam próximos dele. A filha, Márcia Kubitschek, morreu cedo, de câncer, aos 56 anos. O marechal Henrique Teixeira Lott, que garantiu a posse de Juscelino em 1956 e se candidatou como seu sucessor, teve sua filha, Edna Lott, assassinada numa discussão à toa. E até o ator José Wilker, que o interpretou em uma minissérie de TV, faleceu de um estranho infarto.
O CRUZEIRO E TV TUPI
Pois o "bondoso" Chico Xavier, que traz mais azar do que passar debaixo de escada e muito mais do que cruzar no caminho com um gato preto (que preconceito cruel com um bichano!), também acabou trazendo mau agouro para os Diários Associados.
Com a "colaboração permanente" publicando "verdades eternas" - ou seja, aquelas mesmas mensagens igrejistas, várias delas inspiradas na Teologia do Sofrimento, ideologia sado-masoquista tomada de empréstimo da Igreja Católica - , na revista O Cruzeiro e com sua influência "positiva" na TV Tupi, Chico Xavier botou os Diários Associados pra quebrar. No pior sentido.
É só ver como ficaram a revista O Cruzeiro, que publicou as "bondosas" mensagens trazidas pelo anti-médium, e a TV Tupi, que transmitiu pela primeira vez a novela A Viagem, que Ivani Ribeiro escreveu baseada no livro Nosso Lar, a ficção científica medíocre de Chico Xavier.
A colaboração na revista, em 1971, e a novela transmitida em 1975 deram desfechos nada generosos para os dois maiores veículos dos Associados: a revista O Cruzeiro, uma das mais antigas revistas de informação geral e curiosidades do Brasil, encerrou suas atividades morrendo aos poucos, mas de 1975 a 1985 a revista já não tinha mais o estilo histórico de sua trajetória.
Já a Tupi, que inaugurou a história da televisão no Brasil, faliu de maneira vergonhosa em 1980, mas já em 1979 sua agonia era notória, com funcionários fazendo manifestação contra demissões e salários atrasados.
E olha que o empresário Assis Chateaubriand, fundador dos Associados, era tão a favor do golpe militar quanto Chico Xavier, e defendeu a ditadura militar em doses semelhantes (embora sabemos que Chatô não viveu para ver o AI-5).
A TV Tupi não parecia destinada ao mesmo "naufrágio" da TV Excelsior (que era bem administrada, mas faliu porque a ditadura, vendo a ligação do seu antigo dono com Jango, "perseguiu" e "estrangulou" a rede televisiva e a empresa aérea Panair).
Claro, os "espíritas" vão desmentir tudo isso e vão fazer o seu juízo de valor, tanto por conta de sua visão medieval de punições morais como pela tese da Teologia do Sofrimento. Vão dizer que fulano se deu mal na vida só por culpa dele, que havia sido um romano sanguinário e que por isso tinha que pagar "nesta encarnação" para "aprender" porque o "sofrimento" é a faculdade da vida e blablablá.
No "espiritismo" funciona assim. Você é um peixe e isso não importa para eles. Você tem que pular da água e subir para o topo de uma árvore. O sacrifício é só seu. Se não conseguir, a culpa é sua. E, se na primeira tentativa de pulo, uma garça lhe pega e lhe devora, a culpa também é sua, porque deixou que a garça lhe comesse. Você tinha que pular mais alto e brigar com a garça, senão é falta de perseverança, fé e jogo de cintura.
A trajetória dos Diários Associados mostrou a tendência dominante de duas posturas diferentes. Geralmente O Cruzeiro batia pesado em Francisco Cândido Xavier e a TV Tupi pegava leve, tratando-o com carinho.
No entanto, houve uma situação em que O Cruzeiro resolveu "acariciar" Chico Xavier, um ano depois dele ter sido revelado cúmplice da farsa de Otília Diogo. um escândalo tão grave de ilusionismo circense disfarçado de materialização que a ocorrência foi decisiva para o rompimento de Waldo Vieira com seu antigo amigo. Foi aí que Waldo pulou fora e fundou a Conscienciologia.
Chico Xavier era portador de más energias. Tal constatação, embora cause muitas lágrimas nos "espíritas" e até nos religiosos em geral, por soar "ofensivo" para alguém considerado "de bem", é realista e verídica.
Afinal, Chico Xavier fez plágios e pastiches literários. Criava verdadeiras mentiras impressas ou manuscritas, além de deturpar a Doutrina Espírita fingindo-se "fiel seguidor" de Allan Kardec e cometendo, contra este, traições das mais graves e das mais preocupantes. Que energias boas se esperará de uma pessoa assim? Nenhuma!
Evidentemente, existem interesses mesquinhos por trás da imagem de "bondade" associada a Chico Xavier. Ele cometia fraudes mas as camuflava com "mensagens positivas" e "lindas palavras de amor". Essa armadilha já foi alertada pelo espírito Erasto, quando divulgou sua mensagem a médiuns que prestavam serviço a Allan Kardec.
Erasto advertia para que tenhamos muito cuidado com as mensagens que transmitem "coisas boas", porque é nelas que o perigo da mistificação se torna muito maior, o veneno é muito mais mortal e perigoso quando ele se apresenta com uma aparência atraente e um sabor delicioso, como na mancinela, uma árvore totalmente venenosa com seus frutos de sabor muito agradável.
Pois Chico Xavier é a mancinela religiosa que os brasileiros insistem em tocar. O apego a Chico Xavier é tanto que as pessoas preferem arruinar suas vidas, desde que estejam "protegidas" pelas "lindas palavras de amor" do anti-médium mineiro.
A hipocrisia dessas pessoas se torna notória: precisam de um "velhinho bondoso" para camuflar os maus tratos que fazem contra os velhinhos de seu próprio convívio, como pais, mães, sogras, avós etc. Precisam de um "amigo de verdade" para dissimular o desprezo que dão a amigos próximos. Precisam de um "exemplo de amor e bondade" para compensar a falta de amor e bondade nos seus corações.
E aí Chico Xavier, o pupilo do traiçoeiro medieval Padre Manuel da Nóbrega, que retornou sob o codinome Emmanuel, passou a ser o ídolo maior da preguiça mental, moral e existencial das pessoas, sem saber do grande e perigoso deturpador que ele foi e das energias negativas que ele transmitiu sem que seus seguidores tivessem a menor coragem em admitir.
Até Juscelino Kubitschek atraiu para si energias negativas quando entrou em contato com Chico Xavier. Juscelino ajudou Chico Xavier, transformou a Federação "Espírita" Brasileira em entidade de utilidade pública e tudo o mais e o que o então presidente brasileiro recebeu em troca? Foi amaldiçoado.
Ele não conseguiu ser eleito novamente presidente do Brasil, que era sua meta, o que lhe permitiria iniciar o mandato na Brasília que ele mandou construir. Foi um dos primeiros políticos cassados pela ditadura militar, mesmo depois de assumir oposição ao seu antigo vice, João Goulart. Não foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras (que hoje é capaz de eleger uma nulidade como Merval Pereira) e ainda morreu num acidente de carro suspeito mas considerado "normal".
As más energias contagiaram até os que estavam próximos dele. A filha, Márcia Kubitschek, morreu cedo, de câncer, aos 56 anos. O marechal Henrique Teixeira Lott, que garantiu a posse de Juscelino em 1956 e se candidatou como seu sucessor, teve sua filha, Edna Lott, assassinada numa discussão à toa. E até o ator José Wilker, que o interpretou em uma minissérie de TV, faleceu de um estranho infarto.
O CRUZEIRO E TV TUPI
Pois o "bondoso" Chico Xavier, que traz mais azar do que passar debaixo de escada e muito mais do que cruzar no caminho com um gato preto (que preconceito cruel com um bichano!), também acabou trazendo mau agouro para os Diários Associados.
Com a "colaboração permanente" publicando "verdades eternas" - ou seja, aquelas mesmas mensagens igrejistas, várias delas inspiradas na Teologia do Sofrimento, ideologia sado-masoquista tomada de empréstimo da Igreja Católica - , na revista O Cruzeiro e com sua influência "positiva" na TV Tupi, Chico Xavier botou os Diários Associados pra quebrar. No pior sentido.
É só ver como ficaram a revista O Cruzeiro, que publicou as "bondosas" mensagens trazidas pelo anti-médium, e a TV Tupi, que transmitiu pela primeira vez a novela A Viagem, que Ivani Ribeiro escreveu baseada no livro Nosso Lar, a ficção científica medíocre de Chico Xavier.
A colaboração na revista, em 1971, e a novela transmitida em 1975 deram desfechos nada generosos para os dois maiores veículos dos Associados: a revista O Cruzeiro, uma das mais antigas revistas de informação geral e curiosidades do Brasil, encerrou suas atividades morrendo aos poucos, mas de 1975 a 1985 a revista já não tinha mais o estilo histórico de sua trajetória.
Já a Tupi, que inaugurou a história da televisão no Brasil, faliu de maneira vergonhosa em 1980, mas já em 1979 sua agonia era notória, com funcionários fazendo manifestação contra demissões e salários atrasados.
E olha que o empresário Assis Chateaubriand, fundador dos Associados, era tão a favor do golpe militar quanto Chico Xavier, e defendeu a ditadura militar em doses semelhantes (embora sabemos que Chatô não viveu para ver o AI-5).
A TV Tupi não parecia destinada ao mesmo "naufrágio" da TV Excelsior (que era bem administrada, mas faliu porque a ditadura, vendo a ligação do seu antigo dono com Jango, "perseguiu" e "estrangulou" a rede televisiva e a empresa aérea Panair).
Claro, os "espíritas" vão desmentir tudo isso e vão fazer o seu juízo de valor, tanto por conta de sua visão medieval de punições morais como pela tese da Teologia do Sofrimento. Vão dizer que fulano se deu mal na vida só por culpa dele, que havia sido um romano sanguinário e que por isso tinha que pagar "nesta encarnação" para "aprender" porque o "sofrimento" é a faculdade da vida e blablablá.
No "espiritismo" funciona assim. Você é um peixe e isso não importa para eles. Você tem que pular da água e subir para o topo de uma árvore. O sacrifício é só seu. Se não conseguir, a culpa é sua. E, se na primeira tentativa de pulo, uma garça lhe pega e lhe devora, a culpa também é sua, porque deixou que a garça lhe comesse. Você tinha que pular mais alto e brigar com a garça, senão é falta de perseverança, fé e jogo de cintura.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Sociólogo admite "religiosização" do Sudeste brasileiro
Em entrevista à revista Carta Capital, o sociólogo Jessé de Souza, presidente do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA) e autor do livro A Tolice da Inteligência Brasileira, admite que o Sudeste vive a predominância de uma visão religiosa trazida pelas seitas neopentecostais.
Para entender essa visão, reproduzimos um trecho desta entrevista, em que o autor analisa o problema de muitos trabalhadores atribuírem sua ascensão social através do mito do mérito pessoal ou da intervenção divina:
CC: Muitos dos novos trabalhadores têm ficado alheios à atuação sindical, e explicam sua ascensão social mais por méritos próprios ou pela intervenção divina do que pelo sucesso de políticas públicas. Isso fragiliza a base de apoio a um governo popular?
JS: Se a esquerda não construir uma alternativa, a única narrativa válida para os batalhadores será o pentecostalismo, que atrela em grande medida essa classe aos interesses de mercado. Isso não é, contudo, chapado. No Nordeste, essa classe percebe a relação da ascensão com os programas sociais, até porque lá a miséria anterior era muito maior. Sabem que devem a Lula. No Sudeste, a visão de que Deus ou o mérito pessoal foram mais relevantes é mais forte. Têm uma visão egoísta de mundo, atrelada a interesses de mercado. Essa própria classe não percebe quem são seus aliados políticos. O que mostra a pobreza de narrativa da própria esquerda.
O sociólogo Jessé José Freire de Souza representa uma nova tendência da intelectualidade, que inclui outros pensadores e jornalistas como José Arbex Jr., da Caros Amigos, e Vladimir Safatle, professor de Filosofia da Universidade de São Paulo, que rompe com posturas complacentes com o mercado de uma geração de intelectuais "festivos" que dominou o país.
A intelectualidade "festiva" era simbolizada por "pensadores" como Paulo César Araújo, Pedro Alexandre Sanches, Denise Garcia, Ronaldo Lemos, Hermano Vianna e Milton Moura, entre outros, que reproduziam o mito da "cordialidade humana" e "mistura étnica" de Gilberto Freyre de acordo com clichês pós-tropicalistas que apoiam a utopia do "mau gosto popular" como fenômeno supostamente libertário das classes populares.
Com a publicação de muitos textos na Internet questionando o pensamento desta geração - que se esforçou em trabalhar suas visões mistificadoras sob o suporte "sério" de monografias e documentários, nos quais até aberrações como É O Tchan e o "funk carioca", com suas profusões de glúteos siliconados, eram vistos como se fossem "ativismo etnográfico" - , esses intelectuais perderam a influência que tinham, apesar de manter a alta visibilidade e parte de seu prestígio.
Jessé de Souza já personifica uma outra abordagem, ao lado de Safatle e Arbex Jr., que do contrário da geração "festiva" aponta a possibilidade de haver conflito de classes no âmbito das periferias, mesmo no entretenimento, em que ídolos "populares demais" estão a serviço de um mercado comandado por barões da mídia, multinacionais e até por latifundiários e rentistas.
Ironicamente, Jessé chegou a ser professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, a mesma que mantém um núcleo "espírita" que, adotando metodologias bastante falhas, atribuiu erroneamente a Francisco Cândido Xavier suposto pioneirismo científico em relação à "previsão" de descobertas recentes.
Em outra ironia, Jessé leciona na Universidade Federal Fluminense, onde o escritor Gustavo Alonso Ferreira, espécie de Leandro Narloch (reacionário escritor paulista, ex-editor das revistas Veja e Superinteressante e autor dos "guias politicamente incorretos" sobre vários assuntos) da cultura musical brasileira, realizou suas teses de pós-graduação, uma delas sobre a "música sertaneja".
Curiosamente, Gustavo Alonso é um dos "braços direitos" da intelectualidade "festiva", pupilo de Paulo César Araújo (autor de um livro sobre os primeiros ídolos bregas, Eu Não Sou Cachorro Não, e vítima de processos judiciais devido a uma biografia não-autorizada de Roberto Carlos) e amigo de Pedro Alexandre Sanches (cria do neoliberal Projeto Folha, metido a "intelectual de esquerda").
Com sua visão expressa no trecho da entrevista de Carta Capital, Jessé admite que o Sudeste é marcado por uma visão "religiosista" das coisas. A combinação de crenças na meritocracia e na ideia teocrática da intervenção divina - que é defendida até pelo "espiritismo" a partir do exemplo de Chico Xavier - como fatores de ascensão pessoal é o que faz o Sudeste, sobretudo o Estado do Rio de Janeiro, atribuir a "religiosização" das coisas.
A "religiosização" combina ideias conservadoras, interesses egoístas e objetivos de mercado a procedimentos e medidas autoritárias e antipopulares, ou fenômenos de qualidade duvidosa que prevalecem não porque suas qualidades são consideradas melhores, mas porque atendem a um modelo de status e de relações sociais que o Sudeste quer que todos aceitem como "válidos" e até como "verdades absolutas".
Daí a defesa ferrenha de ídolos musicais popularescos, que nada fazem senão pastiches grosseiros e precários de música brasileira. Daí a defesa, no sistema de ônibus, da pintura padronizada em diferentes empresas, algo prejudicial aos passageiros, mas vista como uma "verdade absoluta" por causa da divinização do status quo de seu idealizador, o arquiteto paranaense Jaime Lerner, que havia sido político na ditadura militar.
Há, no Rio de Janeiro, o endeusamento aos quatro times cariocas de futebol (Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo), que alimentam um fanatismo descomunal na sociedade fluminense. Mas o endeusamento envolve até mesmo o perfil "roqueiro" da Rádio Cidade, FM sem tradição nem vocação para o rock, mas que trabalha o gênero por atender aos interesses estratégicos de grandes empresários do turismo e de espetáculos de ponta, entre eles o conservador Roberto Medina.
O "funk carioca", expressão de espetáculos pagãos, também tornou-se alvo da "religiosização", como "doutrina ativista" que, tomando emprestado ideias da Teologia do Sofrimento católica e "espírita", promovia a glamourização da pobreza, da ignorância e do grotesco, defendendo o mito da ascensão social das classes pobres através da manutenção de valores retrógrados vinculados à inferioridade sócio-cultural trazida pelo sistema de exploração capitalista.
Até mesmo a reação jocosa e humilhante dos troleiros da Internet, "cães-de-guarda" do "estabelecido" que se tornaram conhecidos depois de despejar ofensas raciais a negras famosas que se destacam na mídia, segue esse fanatismo divinizado diante de valores retrógrados associados ao status quo, ao prestígio social e à visão reacionária do que devem fazer e pensar os estratos diversos da sociedade brasileira.
E é isso que se leva em conta, quando Jessé de Souza alerta para o vício do Sudeste brasileiro em pensar o prestígio social através de aparatos como o diploma, a fama e o sucesso imediato de mercado, e relações com a meritocracia - ideologia do mérito pessoal ou institucional determinada pelo status quo - e com a intervenção divina.
É por isso que o Sudeste tornou-se foco de intenso reacionarismo social, o que mostra que regiões outrora associadas às ideias de modernidade e progresso sócio-cultural, como os Estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, se revelaram, nos últimos 25 anos, uma vertiginosa decadência de valores, atitudes e princípios, motivados pela predominância da visão religiosista que ultrapassa os limites litúrgicos, invadindo o terreno do laico e até do pagão.
domingo, 3 de janeiro de 2016
Valem pastiches, plágios e falsificações como "pão para os pobres"?
NA ESQUERDA, O VERDADEIRO QUADRO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS, DE CÂNDIDO PORTINARI. À DIREITA, A ATRIBUIÇÃO DE AUTORIA AO MESMO PINTOR, DA PARTE DO "MÉDIUM" JOSÉ MEDRADO, É FALSA.
É muito perigoso acreditar que o "amor permite tudo", o "amor pode tudo". É bem mais traiçoeiro e leviano do que se pode acreditar. A atitude do "movimento espírita" em combater a lógica e o bom senso pode ser menos rígida que a do Catolicismo medieval, mas nem por isso deixa de ser grave e preocupante.
É estarrecedor que a Justiça dos homens tenha se acanhado diante das falsidades trazidas pelos "espíritas", desde que um processo judicial movido por herdeiros de Humberto de Campos (1886-1934) colocou Francisco Cândido Xavier e a Federação "Espírita" Brasileira nos bancos dos réus. A hesitação de juízes e juristas foi precedente para atitudes aberrantes diante das fraudes "espíritas".
Chico Xavier acabou se transformando em "dono" de Humberto de Campos. O legado original deste genial autor maranhense mal consegue ser divulgado pelos membros da Academia Brasileira de Letras, onde Humberto fez parte, e hoje mesmo seu legado original não consegue sobreviver sem a sombra perniciosa de Chico Xavier.
Num país de pouca leitura - recentemente, os "livros para colorir" chegaram a dominar o mercado de livros de textos, com pelo menos três títulos nas listas dos vinte mais vendidos - , as pessoas acreditam que o Humberto de Campos que escrevia como autor laico teria "voltado", como espírito, escrevendo como se fosse um padre, com uma qualidade literária inferior à que teve em vida.
Há quem tente justificar essa diferença com alegações do tipo "ele passou a estudar, no além, as obras religiosas e a vida do Cristo", para não dizer bobagens como "tomado de tanto amor, ele se esqueceu de seu próprio estilo, doando como pôde na missão de transmitir a 'sabedoria cristã'".
Recentemente, pintores "mediúnicos" tentam camuflar sua capacidade de parodiar estilos diversos com a alegação de que são "obras espirituais". Cria-se uma insólita e duvidosa reunião de diferentes pintores falecidos e marca-se um "festival" de pinturas que, numa observação simples, não seguem o estilo original dos artistas atribuídos.
A dúvida já está no fato de ser "fácil demais" chamar tantos pintores diferentes. Se é muito difícil reunir todos os colegas de colégio de uma turma de 25 anos atrás, maior dificuldade estará em chamar todos os pintores impressionistas, expressionistas, barrocos e cubistas, de diversos lugares, tendências díspares e que, muito provavelmente, dificilmente poderiam ir a esse encontro.
Vemos essas pinturas e elas se revelam falsas. Mas o problema é que é impossível acionar a Justiça para tais fraudes. Os juristas, no Brasil, têm o rabo preso, e os casos de Joaquim Barbosa e Sérgio Moro são exemplos de como a Justiça ainda é medrosa para certos "peixes grandes".
Imagine jogar para o banco dos réus uma figura como José Medrado, o "bondoso médium" da Cidade da Luz (cujo terreno foi adquirido irregularmente, como "invasão de colarinho branco"), que faz de suas "psicopictografias" o suposto "pão dos pobres", para crianças que são alojadas e isoladas do convívio humano, durante as palestras na "iluminada casa espirita"!
Os juristas de 1944 já acharam "muito doloroso" botar no banco dos réus um "caipira humilde" como Chico Xavier, mesmo quando ele, esperto, tenha se aproveitado da popularidade de Humberto de Campos para usurpar seu nome e promover o sensacionalismo através de supostas psicografias, nas quais nada do estilo original de Humberto se observa, nem mesmo em uma vírgula!
Será que a bondade pode ser motivo para práticas fraudulentas? Mentira de amor não dói? É válido transformar em "pão para as crianças" e "abrigo para os velhinhos" a fraude, o pastiche, o plágio? E provar tais aberrações, mesmo que jogue "figuras de bem" contra a parede, pode ser visto como "calúnia" e "perseguição"?
Isso causa um grande problema. Não só com Humberto de Campos, Cândido Portinari, Auta de Souza, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, ou, mais recentemente, Raul Seixas e Cazuza. Tantas almas do além são usurpadas nesses processos fraudulentos, e os juízes deixam passar numa boa. Se tudo for "pela caridade", vale qualquer farsa.
O Brasil está refém do deslumbramento religioso e dos estereótipos igrejistas de "amor e bondade". Como Malcolm Muggeridge, com seu documentário sobre Madre Teresa de Calcutá, conseguiu dar sua contribuição para o misticismo brasileiro, é coisa admirável. Os estereótipos do documentário Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God) ajudaram a fortalecer o já intenso misticismo religioso, que permite tantas farsas e tantas aberrações.
E o pior é que eles podem falsificar tudo e saírem impunes nessa. E nós, quando queremos apenas investigar tais irregularidades, ainda somos considerados "perseguidores de homens de bem". Afinal, quem é mais leviano nessa situação? Os "espíritas", é claro, que usam o amor para cometerem seus abusos e desonestidades.
É muito perigoso acreditar que o "amor permite tudo", o "amor pode tudo". É bem mais traiçoeiro e leviano do que se pode acreditar. A atitude do "movimento espírita" em combater a lógica e o bom senso pode ser menos rígida que a do Catolicismo medieval, mas nem por isso deixa de ser grave e preocupante.
É estarrecedor que a Justiça dos homens tenha se acanhado diante das falsidades trazidas pelos "espíritas", desde que um processo judicial movido por herdeiros de Humberto de Campos (1886-1934) colocou Francisco Cândido Xavier e a Federação "Espírita" Brasileira nos bancos dos réus. A hesitação de juízes e juristas foi precedente para atitudes aberrantes diante das fraudes "espíritas".
Chico Xavier acabou se transformando em "dono" de Humberto de Campos. O legado original deste genial autor maranhense mal consegue ser divulgado pelos membros da Academia Brasileira de Letras, onde Humberto fez parte, e hoje mesmo seu legado original não consegue sobreviver sem a sombra perniciosa de Chico Xavier.
Num país de pouca leitura - recentemente, os "livros para colorir" chegaram a dominar o mercado de livros de textos, com pelo menos três títulos nas listas dos vinte mais vendidos - , as pessoas acreditam que o Humberto de Campos que escrevia como autor laico teria "voltado", como espírito, escrevendo como se fosse um padre, com uma qualidade literária inferior à que teve em vida.
Há quem tente justificar essa diferença com alegações do tipo "ele passou a estudar, no além, as obras religiosas e a vida do Cristo", para não dizer bobagens como "tomado de tanto amor, ele se esqueceu de seu próprio estilo, doando como pôde na missão de transmitir a 'sabedoria cristã'".
Recentemente, pintores "mediúnicos" tentam camuflar sua capacidade de parodiar estilos diversos com a alegação de que são "obras espirituais". Cria-se uma insólita e duvidosa reunião de diferentes pintores falecidos e marca-se um "festival" de pinturas que, numa observação simples, não seguem o estilo original dos artistas atribuídos.
A dúvida já está no fato de ser "fácil demais" chamar tantos pintores diferentes. Se é muito difícil reunir todos os colegas de colégio de uma turma de 25 anos atrás, maior dificuldade estará em chamar todos os pintores impressionistas, expressionistas, barrocos e cubistas, de diversos lugares, tendências díspares e que, muito provavelmente, dificilmente poderiam ir a esse encontro.
Vemos essas pinturas e elas se revelam falsas. Mas o problema é que é impossível acionar a Justiça para tais fraudes. Os juristas, no Brasil, têm o rabo preso, e os casos de Joaquim Barbosa e Sérgio Moro são exemplos de como a Justiça ainda é medrosa para certos "peixes grandes".
Imagine jogar para o banco dos réus uma figura como José Medrado, o "bondoso médium" da Cidade da Luz (cujo terreno foi adquirido irregularmente, como "invasão de colarinho branco"), que faz de suas "psicopictografias" o suposto "pão dos pobres", para crianças que são alojadas e isoladas do convívio humano, durante as palestras na "iluminada casa espirita"!
Os juristas de 1944 já acharam "muito doloroso" botar no banco dos réus um "caipira humilde" como Chico Xavier, mesmo quando ele, esperto, tenha se aproveitado da popularidade de Humberto de Campos para usurpar seu nome e promover o sensacionalismo através de supostas psicografias, nas quais nada do estilo original de Humberto se observa, nem mesmo em uma vírgula!
Será que a bondade pode ser motivo para práticas fraudulentas? Mentira de amor não dói? É válido transformar em "pão para as crianças" e "abrigo para os velhinhos" a fraude, o pastiche, o plágio? E provar tais aberrações, mesmo que jogue "figuras de bem" contra a parede, pode ser visto como "calúnia" e "perseguição"?
Isso causa um grande problema. Não só com Humberto de Campos, Cândido Portinari, Auta de Souza, Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir, ou, mais recentemente, Raul Seixas e Cazuza. Tantas almas do além são usurpadas nesses processos fraudulentos, e os juízes deixam passar numa boa. Se tudo for "pela caridade", vale qualquer farsa.
O Brasil está refém do deslumbramento religioso e dos estereótipos igrejistas de "amor e bondade". Como Malcolm Muggeridge, com seu documentário sobre Madre Teresa de Calcutá, conseguiu dar sua contribuição para o misticismo brasileiro, é coisa admirável. Os estereótipos do documentário Algo Bonito para Deus (Something Beautiful for God) ajudaram a fortalecer o já intenso misticismo religioso, que permite tantas farsas e tantas aberrações.
E o pior é que eles podem falsificar tudo e saírem impunes nessa. E nós, quando queremos apenas investigar tais irregularidades, ainda somos considerados "perseguidores de homens de bem". Afinal, quem é mais leviano nessa situação? Os "espíritas", é claro, que usam o amor para cometerem seus abusos e desonestidades.
sábado, 2 de janeiro de 2016
De palavra em palavra, desvia-se do foco
O que é ser espírita? O "espiritismo" brasileiro não sabe, evidentemente. Afastado dos ensinamentos de Allan Kardec, o "movimento espírita" usa mil artifícios para compensar a ignorância e a desonestidade doutrinárias com palavras bonitinhas, ideais para camuflar a incompetência mediúnica e o desprezo à Ciência.
O que se observa é uma avalanche de "palavras de amor", "mensagens edificantes" e todo o mel e o açúcar da retórica sentimentalista, voltada a uma fé igrejista, e ilustrada por coraçõezinhos e tantas imagens de forte apelo emotivo, como crianças brincando, pobres sorrindo etc.
Tudo isso parece admirável, confortável e animador à primeira vista, que mesmo os críticos da deturpação doutrinária menos vigilantes conseguem defender e apoiar. Mas tudo isso é um desvio de foco, não é este o propósito da Doutrina Espírita, e nunca foi.
Como lembrava Allan Kardec, a Doutrina Espírita tem três princípios fundamentais: Ciência, Filosofia e Moral. Este terceiro elemento foi confundido com Religião e isso abriu o caminho para as deturpações que conhecemos.
E aí o que se observa é que os outros dois princípios caíram no esquecimento e só são lembrados para bajulações e abordagens bastante tendenciosas. Enquanto isso, o elemento Religião, e não mais Moral, permite não só todo tipo de igrejismo como faz com que o "espiritismo" enrole as pessoas através de seu bom-mocismo doutrinário.
De repente, o "espiritismo" virou a "religião da solidariedade", o que é um grande absurdo. Isso porque a doutrina brasileira transforma ideias genéricas como bondade, caridade, fraternidade, amor e solidariedade como "diferenciais" e isso é um grave erro, porque torna tais qualidades uma "vantagem específica" do "movimento espírita".
Isso desvia totalmente o foco porque o Espiritismo não tem como natureza prioritária promover a "solidariedade". A solidariedade deveria ser uma qualidade de qualquer instituição, independente de que crença ou ideologia seja. Se ela vira um "diferencial" de certos movimentos, então isso se torna um processo pernicioso, que nivela por baixo os valores normais da humanidade.
Tal ideia de usar o "amor e a caridade" como "diferenciais" do "espiritismo" brasileiro, além de representar um ideal oportunista e discriminatório, mascara toda a incompetência dos seus integrantes em lidar com seriedade os temas trazidos por Allan Kardec. Como os "espíritas" brasileiros têm dificuldade de entender a Doutrina Espírita, então eles apelam para "serem bonzinhos".
E aí, haja "palavras de amor" e toda mensagem ou imagem de apelo sentimentalista, em que a pieguice vira um artifício para disfarçar a infidelidade doutrinária. Os "espíritas" gostam de usar a desculpa de que "o amor tudo permite", para que assim possam atropelar "com amor" a lógica e o bom senso, para não dizer a ética.
Verdadeiras atrocidades em relação à lógica, ao bom senso ou mesmo à ética, como a usurpação dos nomes dos mortos, são feitas. Plágios e pastiches literários são feitos impunemente. Julgamentos de valor sobre presumidas encarnações passadas são feitos sem exame, e tudo isso é feito sob o véu da "doutrina do amor e da caridade".
Muitas mistificações são feitas sob o verniz do "conhecimento", verdadeiros atos de obscurantismo e persuasão pelos absurdos, e isso é feito porque "o amor tudo permite", toda aberração é válida sendo ela protegida pelo rótulo de "amor e luz".
Daí que o "amor" vira uma desculpa para o desvio de foco, para uma fuga do propósito original. Daí o grande problema do "movimento espírita". Ele tenta enfatizar o "amor" porque é incapaz de abordar, com honestidade e abrangência, a verdadeira Doutrina Espírita.
Tudo fica sendo um festival de discursos, de retóricas, de palavras bonitinhas. Fora isso, apenas atos paliativos de caridade inexpressiva, que pouco transforma e não intervém de maneira definitiva nem decisiva contra as desigualdades sociais.
Ou seja, um "espiritismo" que muito fala e pouco faz, que praticamente nada entende do pensamento de Allan Kardec, não pode ser considerado válido por causa da imagem de "bonzinho". Uma doutrina "boazinha" pode mostrar coisas lindas, mas se ela é inócua em seus propósitos, ela se torna, portanto, inútil. E é isso que o "espiritismo" brasileiro acabou sendo: inútil.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
O "teatro da bondade"
COMO NO CONTO DA BELA ADORMECIDA, O "TEATRO DA BONDADE" TEM VILÕES, VÍTIMAS E HERÓIS.
Religião é um conto-de-fadas para adultos. E as religiões que professam a Teologia do Sofrimento, como o Catolicismo, o "espiritismo" e, de forma ainda mais engenhosa, a Cientologia, temperam com dramaticidade seus ideais de "recuperação moral".
Segundo essas religiões, as pessoas necessitam de sofrer o pior possível para obter o prêmio da "redenção futura", geralmente póstuma. Você tem que passar a vida tentando superar barreiras intransponíveis, sem reclamar, sem dar um pio e, de preferência, orando em silêncio, de preferência a oração que a religião de "sua preferência" indicou.
É o "teatrinho da bondade", em que as vítimas de infortúnios têm que provar que são "boazinhas", dentro daquela ideologia arcaica de pessoas obedientes e submissas que, se comportando quietinhas, poderão ganhar o prêmio futuro.
É como se crianças obedientes que nada têm na vida, que são privadas do melhor da vida, têm que se comportar caladas e quietas no seu castigo, sem gritar, sem reclamar e sem falar mal dos algozes, vão ter seu prêmio amanhã, depois de proibidas de curtir um dia que poderia ser brilhante.
Pouco importa se a criança ficou de castigo num dia de sol, com seus amiguinhos brincando na rua, seja liberada no dia seguinte, em que parte dos amigos estará ausente por um compromisso familiar ou se haverá chuva no dia seguinte. O algoz nem tem noção disso, tudo é "qualquer nota", tanto faz brincar na rua num dia de chuvas e trovoadas ou se a privação acaba se prolongando com a tempestade.
É assim nessas religiões. A pessoa perde uma encarnação em que o melhor de seus potenciais é privado e mesmo as oportunidades mais simples lhes escapam das mãos por uma série de incidentes, aos quais nem o mais árduo esforço consegue conquistar.
As energias trazidas pela moral religiosa, seus preceitos, crenças e preconceitos, acabam privando a pessoa de trabalhar suas qualidades diferenciadas da melhor forma. Tudo acaba sendo restringido até a pessoa só poder trabalhar seu potencial quando servindo-se a algum patrão mais estúpido ou agressivo, e a única coisa que se faz é a inteligência do servidor ser usada como marketing pessoal de seu patrão estúpido.
E o que será outra vida? Não se sabe. A "vida eterna" dos católicos ou a "vida futura" de "espíritas" e cientologistas? Isso é uma coisa qualquer nota, uma promessa baseada em fantasias, pouco importando se é o Espírito Santo, o "anjo" Ismael ou Xenu que garantirão isso.
Não é difícil entender que, quando se perde uma encarnação, a perde para sempre, sem poder ter oportunidades iguais em outra vida. Existem várias encarnações, mas nenhuma delas é igual e se a pessoa deixa de fazer uma coisa numa encarnação, dificilmente a fará na próxima, pelo menos da forma que esperaria na presente.
É como se você sair de casa para uma viagem de cinco anos. Voltando para o lar, certamente não será a mesma coisa que antes. A vizinhança mudou, alguns prédios foram construídos no lugar de antigas casas, o comércio mudou, só a sua casa parece ter sido a mesma, se bem que podem haver aranhas no lugar e baratas andaram pela área.
Você não vai guardar um alimento com um certo prazo de validade e, feliz da vida, esperar que o alimento permaneça o mesmo depois do fim desse prazo. E se o local onde mora houver um furacão o um terremoto? Há garantias de que a casa que deixou permanecerá no lugar?
Se a próxima encarnação for aquém do esperado, se em vez de castradores há usurpadores, Geralmente uma pessoa defende uma causa diferenciada e encontra barreiras na encarnação presente, que o impedem de levar a causa adiante.
Na outra encarnação, ele terá, em tese, maiores chances de defender a causa, já banalizada, e sob o risco de contrair usurpadores e oportunistas. Se na presente você tem que lutar para sua causa sair vitoriosa, na outra você tende a lutar para que ela não caia em mãos erradas.
Nada disso é considerado pelas ideologias religiosas. A ideia é você sofrer limitações mesmo e deixar o acaso decidir se você pode aproveitar ou não suas qualidades, e se a outra vida revelará benefícios ou novos malefícios. E você não pode reclamar, porque o que essas religiões querem é o "teatro da bondade", com todo o conformismo e misericórdia que se espera dos sofredores.
No "teatro da bondade", há três entes morais: a vítima, o vilão e o herói. A vítima é o sofredor que precisa provar que é o "mocinho da história", por isso precisa evitar irritação, revolta e contestação, cumprindo seu papel de subserviência e conformação, porque a aceitação é a máxima do bom-mocismo.
O vilão é aquele que triunfa abusando dos outros, se beneficiando com a dor alheia, causando prejuízos e puxando o tapete de quem tenta subir na vida. É o algoz, o estúpido, o estressado, o aborrecido, a "pedra no sapato" que gruda nos pés de suas vítimas.
Já o herói é aquele religioso que surge "humildemente" para salvar a vítima. "Aguente seu sofrimento, porque o socorro virá", promete o herói. Ele, como também é "bonzinho", também usa da aceitação, do conformismo e da misericórdia para agir, e aí a diferença acontece em relação aos contos-de-fadas.
Afinal, ele não é o caçador do conto de Chapeuzinho Vermelho que vai matar o Lobo Mau. O herói precisa também ser bonzinho como o mocinho da estória, a vítima é a protagonista e o herói o coadjuvante tão "bondoso" quanto o infeliz que é assistido, e por isso precisam adotar "costumes bons" como reza a cartilha do maniqueísmo, dentro de uma moral linear e binária.
Com isso, não podemos questionar, reagir, contestar, que são atos "maus". Temos que ter a aceitação, a alegria, a conformação, que são "atos bons". O "teatrinho da bondade" revela que a vítima é socorrida pelo herói, embora o vilão nem de longe seja punido, a punição só virá em "outra vida", em outra "peça". A cortina cai com o vilão ainda triunfante, apesar da vítima ter sido "salva" pelo herói.
É esse o teatro das religiões, e que a chamada "boa sociedade" pensar ser um grande exemplo de altruísmo, caridade e ação progressista. Nada disso. Tudo é um teatro em que os bonzinhos têm que ser bonzinhos e aceitar arbitrariedades e abusos e apenas reagir com a maior brandura possível. Deixe que raivas, revoltas e contestações sejam atributos exclusivos dos maus, dos vilões.
Nesta encenação toda, a complexidade da vida, em que maldades e bondades se relativizam diante de tantos e tão entranhados jogos de interesses e oportunismos e falsidades diversas, é ignorada. Estas fazem parte do âmbito da razão, que explica a sociedade fora das aparências e da ficção linear do "teatro da bondade", mas infelizmente a fé dominante no Brasil prefere a fantasia, não a realidade.
Religião é um conto-de-fadas para adultos. E as religiões que professam a Teologia do Sofrimento, como o Catolicismo, o "espiritismo" e, de forma ainda mais engenhosa, a Cientologia, temperam com dramaticidade seus ideais de "recuperação moral".
Segundo essas religiões, as pessoas necessitam de sofrer o pior possível para obter o prêmio da "redenção futura", geralmente póstuma. Você tem que passar a vida tentando superar barreiras intransponíveis, sem reclamar, sem dar um pio e, de preferência, orando em silêncio, de preferência a oração que a religião de "sua preferência" indicou.
É o "teatrinho da bondade", em que as vítimas de infortúnios têm que provar que são "boazinhas", dentro daquela ideologia arcaica de pessoas obedientes e submissas que, se comportando quietinhas, poderão ganhar o prêmio futuro.
É como se crianças obedientes que nada têm na vida, que são privadas do melhor da vida, têm que se comportar caladas e quietas no seu castigo, sem gritar, sem reclamar e sem falar mal dos algozes, vão ter seu prêmio amanhã, depois de proibidas de curtir um dia que poderia ser brilhante.
Pouco importa se a criança ficou de castigo num dia de sol, com seus amiguinhos brincando na rua, seja liberada no dia seguinte, em que parte dos amigos estará ausente por um compromisso familiar ou se haverá chuva no dia seguinte. O algoz nem tem noção disso, tudo é "qualquer nota", tanto faz brincar na rua num dia de chuvas e trovoadas ou se a privação acaba se prolongando com a tempestade.
É assim nessas religiões. A pessoa perde uma encarnação em que o melhor de seus potenciais é privado e mesmo as oportunidades mais simples lhes escapam das mãos por uma série de incidentes, aos quais nem o mais árduo esforço consegue conquistar.
As energias trazidas pela moral religiosa, seus preceitos, crenças e preconceitos, acabam privando a pessoa de trabalhar suas qualidades diferenciadas da melhor forma. Tudo acaba sendo restringido até a pessoa só poder trabalhar seu potencial quando servindo-se a algum patrão mais estúpido ou agressivo, e a única coisa que se faz é a inteligência do servidor ser usada como marketing pessoal de seu patrão estúpido.
E o que será outra vida? Não se sabe. A "vida eterna" dos católicos ou a "vida futura" de "espíritas" e cientologistas? Isso é uma coisa qualquer nota, uma promessa baseada em fantasias, pouco importando se é o Espírito Santo, o "anjo" Ismael ou Xenu que garantirão isso.
Não é difícil entender que, quando se perde uma encarnação, a perde para sempre, sem poder ter oportunidades iguais em outra vida. Existem várias encarnações, mas nenhuma delas é igual e se a pessoa deixa de fazer uma coisa numa encarnação, dificilmente a fará na próxima, pelo menos da forma que esperaria na presente.
É como se você sair de casa para uma viagem de cinco anos. Voltando para o lar, certamente não será a mesma coisa que antes. A vizinhança mudou, alguns prédios foram construídos no lugar de antigas casas, o comércio mudou, só a sua casa parece ter sido a mesma, se bem que podem haver aranhas no lugar e baratas andaram pela área.
Você não vai guardar um alimento com um certo prazo de validade e, feliz da vida, esperar que o alimento permaneça o mesmo depois do fim desse prazo. E se o local onde mora houver um furacão o um terremoto? Há garantias de que a casa que deixou permanecerá no lugar?
Se a próxima encarnação for aquém do esperado, se em vez de castradores há usurpadores, Geralmente uma pessoa defende uma causa diferenciada e encontra barreiras na encarnação presente, que o impedem de levar a causa adiante.
Na outra encarnação, ele terá, em tese, maiores chances de defender a causa, já banalizada, e sob o risco de contrair usurpadores e oportunistas. Se na presente você tem que lutar para sua causa sair vitoriosa, na outra você tende a lutar para que ela não caia em mãos erradas.
Nada disso é considerado pelas ideologias religiosas. A ideia é você sofrer limitações mesmo e deixar o acaso decidir se você pode aproveitar ou não suas qualidades, e se a outra vida revelará benefícios ou novos malefícios. E você não pode reclamar, porque o que essas religiões querem é o "teatro da bondade", com todo o conformismo e misericórdia que se espera dos sofredores.
No "teatro da bondade", há três entes morais: a vítima, o vilão e o herói. A vítima é o sofredor que precisa provar que é o "mocinho da história", por isso precisa evitar irritação, revolta e contestação, cumprindo seu papel de subserviência e conformação, porque a aceitação é a máxima do bom-mocismo.
O vilão é aquele que triunfa abusando dos outros, se beneficiando com a dor alheia, causando prejuízos e puxando o tapete de quem tenta subir na vida. É o algoz, o estúpido, o estressado, o aborrecido, a "pedra no sapato" que gruda nos pés de suas vítimas.
Já o herói é aquele religioso que surge "humildemente" para salvar a vítima. "Aguente seu sofrimento, porque o socorro virá", promete o herói. Ele, como também é "bonzinho", também usa da aceitação, do conformismo e da misericórdia para agir, e aí a diferença acontece em relação aos contos-de-fadas.
Afinal, ele não é o caçador do conto de Chapeuzinho Vermelho que vai matar o Lobo Mau. O herói precisa também ser bonzinho como o mocinho da estória, a vítima é a protagonista e o herói o coadjuvante tão "bondoso" quanto o infeliz que é assistido, e por isso precisam adotar "costumes bons" como reza a cartilha do maniqueísmo, dentro de uma moral linear e binária.
Com isso, não podemos questionar, reagir, contestar, que são atos "maus". Temos que ter a aceitação, a alegria, a conformação, que são "atos bons". O "teatrinho da bondade" revela que a vítima é socorrida pelo herói, embora o vilão nem de longe seja punido, a punição só virá em "outra vida", em outra "peça". A cortina cai com o vilão ainda triunfante, apesar da vítima ter sido "salva" pelo herói.
É esse o teatro das religiões, e que a chamada "boa sociedade" pensar ser um grande exemplo de altruísmo, caridade e ação progressista. Nada disso. Tudo é um teatro em que os bonzinhos têm que ser bonzinhos e aceitar arbitrariedades e abusos e apenas reagir com a maior brandura possível. Deixe que raivas, revoltas e contestações sejam atributos exclusivos dos maus, dos vilões.
Nesta encenação toda, a complexidade da vida, em que maldades e bondades se relativizam diante de tantos e tão entranhados jogos de interesses e oportunismos e falsidades diversas, é ignorada. Estas fazem parte do âmbito da razão, que explica a sociedade fora das aparências e da ficção linear do "teatro da bondade", mas infelizmente a fé dominante no Brasil prefere a fantasia, não a realidade.
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