COMO NO CONTO DA BELA ADORMECIDA, O "TEATRO DA BONDADE" TEM VILÕES, VÍTIMAS E HERÓIS.
Religião é um conto-de-fadas para adultos. E as religiões que professam a Teologia do Sofrimento, como o Catolicismo, o "espiritismo" e, de forma ainda mais engenhosa, a Cientologia, temperam com dramaticidade seus ideais de "recuperação moral".
Segundo essas religiões, as pessoas necessitam de sofrer o pior possível para obter o prêmio da "redenção futura", geralmente póstuma. Você tem que passar a vida tentando superar barreiras intransponíveis, sem reclamar, sem dar um pio e, de preferência, orando em silêncio, de preferência a oração que a religião de "sua preferência" indicou.
É o "teatrinho da bondade", em que as vítimas de infortúnios têm que provar que são "boazinhas", dentro daquela ideologia arcaica de pessoas obedientes e submissas que, se comportando quietinhas, poderão ganhar o prêmio futuro.
É como se crianças obedientes que nada têm na vida, que são privadas do melhor da vida, têm que se comportar caladas e quietas no seu castigo, sem gritar, sem reclamar e sem falar mal dos algozes, vão ter seu prêmio amanhã, depois de proibidas de curtir um dia que poderia ser brilhante.
Pouco importa se a criança ficou de castigo num dia de sol, com seus amiguinhos brincando na rua, seja liberada no dia seguinte, em que parte dos amigos estará ausente por um compromisso familiar ou se haverá chuva no dia seguinte. O algoz nem tem noção disso, tudo é "qualquer nota", tanto faz brincar na rua num dia de chuvas e trovoadas ou se a privação acaba se prolongando com a tempestade.
É assim nessas religiões. A pessoa perde uma encarnação em que o melhor de seus potenciais é privado e mesmo as oportunidades mais simples lhes escapam das mãos por uma série de incidentes, aos quais nem o mais árduo esforço consegue conquistar.
As energias trazidas pela moral religiosa, seus preceitos, crenças e preconceitos, acabam privando a pessoa de trabalhar suas qualidades diferenciadas da melhor forma. Tudo acaba sendo restringido até a pessoa só poder trabalhar seu potencial quando servindo-se a algum patrão mais estúpido ou agressivo, e a única coisa que se faz é a inteligência do servidor ser usada como marketing pessoal de seu patrão estúpido.
E o que será outra vida? Não se sabe. A "vida eterna" dos católicos ou a "vida futura" de "espíritas" e cientologistas? Isso é uma coisa qualquer nota, uma promessa baseada em fantasias, pouco importando se é o Espírito Santo, o "anjo" Ismael ou Xenu que garantirão isso.
Não é difícil entender que, quando se perde uma encarnação, a perde para sempre, sem poder ter oportunidades iguais em outra vida. Existem várias encarnações, mas nenhuma delas é igual e se a pessoa deixa de fazer uma coisa numa encarnação, dificilmente a fará na próxima, pelo menos da forma que esperaria na presente.
É como se você sair de casa para uma viagem de cinco anos. Voltando para o lar, certamente não será a mesma coisa que antes. A vizinhança mudou, alguns prédios foram construídos no lugar de antigas casas, o comércio mudou, só a sua casa parece ter sido a mesma, se bem que podem haver aranhas no lugar e baratas andaram pela área.
Você não vai guardar um alimento com um certo prazo de validade e, feliz da vida, esperar que o alimento permaneça o mesmo depois do fim desse prazo. E se o local onde mora houver um furacão o um terremoto? Há garantias de que a casa que deixou permanecerá no lugar?
Se a próxima encarnação for aquém do esperado, se em vez de castradores há usurpadores, Geralmente uma pessoa defende uma causa diferenciada e encontra barreiras na encarnação presente, que o impedem de levar a causa adiante.
Na outra encarnação, ele terá, em tese, maiores chances de defender a causa, já banalizada, e sob o risco de contrair usurpadores e oportunistas. Se na presente você tem que lutar para sua causa sair vitoriosa, na outra você tende a lutar para que ela não caia em mãos erradas.
Nada disso é considerado pelas ideologias religiosas. A ideia é você sofrer limitações mesmo e deixar o acaso decidir se você pode aproveitar ou não suas qualidades, e se a outra vida revelará benefícios ou novos malefícios. E você não pode reclamar, porque o que essas religiões querem é o "teatro da bondade", com todo o conformismo e misericórdia que se espera dos sofredores.
No "teatro da bondade", há três entes morais: a vítima, o vilão e o herói. A vítima é o sofredor que precisa provar que é o "mocinho da história", por isso precisa evitar irritação, revolta e contestação, cumprindo seu papel de subserviência e conformação, porque a aceitação é a máxima do bom-mocismo.
O vilão é aquele que triunfa abusando dos outros, se beneficiando com a dor alheia, causando prejuízos e puxando o tapete de quem tenta subir na vida. É o algoz, o estúpido, o estressado, o aborrecido, a "pedra no sapato" que gruda nos pés de suas vítimas.
Já o herói é aquele religioso que surge "humildemente" para salvar a vítima. "Aguente seu sofrimento, porque o socorro virá", promete o herói. Ele, como também é "bonzinho", também usa da aceitação, do conformismo e da misericórdia para agir, e aí a diferença acontece em relação aos contos-de-fadas.
Afinal, ele não é o caçador do conto de Chapeuzinho Vermelho que vai matar o Lobo Mau. O herói precisa também ser bonzinho como o mocinho da estória, a vítima é a protagonista e o herói o coadjuvante tão "bondoso" quanto o infeliz que é assistido, e por isso precisam adotar "costumes bons" como reza a cartilha do maniqueísmo, dentro de uma moral linear e binária.
Com isso, não podemos questionar, reagir, contestar, que são atos "maus". Temos que ter a aceitação, a alegria, a conformação, que são "atos bons". O "teatrinho da bondade" revela que a vítima é socorrida pelo herói, embora o vilão nem de longe seja punido, a punição só virá em "outra vida", em outra "peça". A cortina cai com o vilão ainda triunfante, apesar da vítima ter sido "salva" pelo herói.
É esse o teatro das religiões, e que a chamada "boa sociedade" pensar ser um grande exemplo de altruísmo, caridade e ação progressista. Nada disso. Tudo é um teatro em que os bonzinhos têm que ser bonzinhos e aceitar arbitrariedades e abusos e apenas reagir com a maior brandura possível. Deixe que raivas, revoltas e contestações sejam atributos exclusivos dos maus, dos vilões.
Nesta encenação toda, a complexidade da vida, em que maldades e bondades se relativizam diante de tantos e tão entranhados jogos de interesses e oportunismos e falsidades diversas, é ignorada. Estas fazem parte do âmbito da razão, que explica a sociedade fora das aparências e da ficção linear do "teatro da bondade", mas infelizmente a fé dominante no Brasil prefere a fantasia, não a realidade.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2016
quinta-feira, 31 de dezembro de 2015
Críticos da deturpação "espírita" e suas hesitações
OS CRÍTICOS DA DETURPAÇÃO "ESPÍRITA" COSTUMAM DEIXAR PASSAR FRAUDES COMO A FALSA PSICOGRAFIA ATRIBUÍDA A HUMBERTO DE CAMPOS.
Há uma espécie de mainstream (corrente principal) dos críticos da deturpação feita pelo "movimento espírita" que adota posturas bastante hesitantes a muitos problemas, mais graves e complexos, e isso contribui para o "espiritismo" brasileiro continuar na mesma pasmaceira de sempre.
Esses questionadores são corretos e consistentes quando apontam erros doutrinários em livros de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, numa comparação com os livros de Allan Kardec, e estabelecem pontos interessantes de análise e discussão de tais erros.
No entanto, eles não vão muito adiante e alguns chegam a dizer que a suposta mediunidade de Chico Xavier e Divaldo Franco são "confiáveis", que eles podem ser aproveitados pela Doutrina Espírita como "ícones de bondade" e que "não há como" questionar trabalhos atribuídos a espíritos do além.
Dessa maneira, eles deixam passar aberrações como a suposta obra "espiritual" atribuída a Humberto de Campos, uma fraude que a Justiça não teve a coragem de reconhecer e que está explícita na disparidade que o "espírito Humberto de Campos" escreveu nos livros e o que o verdadeiro autor maranhense escreveu em vida.
O Humberto de Campos que conviveu com os brasileiros escrevia com prosa fluente, culta mas acessível, constantemente descontraída, prazerosa de ler, e abordava temas laicos. O suposto espírito tinha outro estilo: prosa "muito pesada", forçadamente culta e cheia de vícios de linguagem, narrativa melancólica, difícil de ser lida e só tratava de temas religiosos.
O Humberto de Campos de carne e osso chegava a tratar de temas religiosos com os olhos de autor laico. Além do mais, ele era ateu. O "espírito Humberto de Campos" fazia o inverso, tratava os temas laicos, seja a viagem a Marte, seja uma "entrevista" com o espírito de Marilyn Monroe, sob o prisma religioso, abertamente igrejista.
Não há como ver legitimidade nisso, mas mesmo os contestadores menos vigilantes da deturpação "espírita" deixam isso passar e acham que Humberto de Campos iria mesmo voltar para escrever as bobagens igrejistas que tendenciosamente levaram o seu nome.
A "BONDADE" COMO ESCUDO
Mas a maior hesitação em torno dos contestadores menos vigilantes da deturpação "espírita" é a complacência que eles têm em relação à imagem de "bondosos" de Chico Xavier, Divaldo Franco e similares, quase um medo de questionar essa "qualidade admirável" dos dois ídolos religiosos.
"Temos que admitir que Chico e Divaldo são ligados à missão de muito amor e caridade". "Acho válido o 'Você e a Paz' porque é sempre lindo falar de paz e isso Divaldo tem de brilhante". "Pelo menos Chico Xavier ajudou muita gente, consolou muitos infelizes". Estas frases, de profundo deslumbramento, ignoram várias armadilhas e equívocos.
Pois até no âmbito da "bondade" os dois deixam dúvidas sérias. Divaldo Franco é considerado "um dos maiores filantropos do mundo" por nada. Cálculos foram feitos levando em conta os anos de existência da Mansão do Caminho, a população atual de Salvador e a média anual de atendidos, levando em conta o número total de 160.000 beneficiados oficialmente divulgado, e concluímos que a obra de Divaldo não merece sequer metade dessa festa toda.
Os cálculos deram uma porcentagem de 0,08% em relação à população de Salvador. Um índice inexpressivo, que não vale a reputação que se atribui a Divaldo Franco. Além disso, em termos mundiais, é sinônimo de nada. Como é que se faz um "maior filantropo do mundo" com ZERO POR CENTO de ajuda, em termos mundiais?
E a "caridade" de Chico Xavier? Se ele parecia "consolar as famílias que perderam entes queridos", ele no entanto cometeu duas crueldades: uma é a superexposição das famílias que poderiam chorar seus mortos na privacidade, prolongando muitas vezes os efeitos da tragédia, impedindo que as pessoas pudessem tocar a vida sossegadas diante de tanta exploração sensacionalista.
A outra é que as mensagens "mediúnicas" se revelaram uma fraude. Pouco importa se acadêmicos tentem enrolar dizendo que as mensagens eram "verídicas" porque começavam com "Querida mamãe" ou citavam o nome da vovó, em monografias corretas na forma mas irregulares em conteúdo. A fraude se observa pelo próprio conteúdo das cartas.
Elas apresentam o mesmo apelo igrejista de Chico Xavier. O mesmo estilo de mensagem, o mesmo apelo de "fraternidade cristã". Além disso, denúncias de "leitura fria", em que colaboradores do "médium" colhiam informações sutis em entrevistas ou até em conversas informais (como no final de doutrinárias) que seriam trabalhadas em supostas mensagens espirituais, se revelam verídicas.
Isso é fácil porque se analisa o conteúdo, a linguagem, a forma como são escritas as palavras. Se vemos fraude na suposta psicografia atribuída a Humberto de Campos ou a Jair Presente, citando dois exemplos, um de livros e outro de cartas, não é porque ficamos com raiva porque Chico Xavier era "bonzinho", mas porque analisamos conteúdo de texto, linguagem e situações associadas.
Vemos o nosso saudoso Humberto de Campos de deliciosa prosa escrever de uma forma e o suposto espírito do escritor escrever de outra completamente diferente e não podemos aceitar isso, mesmo que as questões do contato dos espíritos sejam mal resolvidas e Chico Xavier é considerado "bondoso".
Quando temos condições de questionar, derrubamos uma questão, como alguém que pode enxergar uma barreira sob o nevoeiro e evitá-la ou derrubá-la com algum trator. Praticamente está fechado o caso de fraude sob o nome de Humberto de Campos, só falta a Justiça dos homens declarar oficialmente que os livros de Chico Xavier que levam o nome do saudoso autor são FALSOS.
Isso não é arrogância. O questionamento e a análise pode ir distante pelo caminho natural da lógica. Não é calúnia, presunção, inveja, perseguição ou coisa parecida. É apenas análise, estudo, averiguação. E isso muitos contestadores da deturpação "espírita" não conseguem ter, hesitantes que estão em relação a certos problemas.
Eles se esquecem que, mesmo quando ainda é um mistério o contato com espíritos, podemos ter condições de identificar fraudes e armadilhas. Não vamos ficar complacentes e fingir que Humberto "mudou seu estilo" quando foi para o além, e achar que o "bondoso" Chico Xavier nunca iria enganar com livros de "mensagens positivas" sob o nome do autor maranhense.
Devemos ser firmes neste caso e perceber que os estilos do Humberto real e do suposto espírito são diferentes. O fato de escrever mensagens "edificantes" não é garantia contra a fraude, e o próprio espírito de Erasto, nos tempos de Kardec, sempre nos alertava para tomar cuidado justamente com as mensagens que transmitissem "coisas boas", por elas esconderem mistificações e outros equívocos.
A análise comparativa dos livros que Humberto deixou em vida e as "obras espirituais" que usaram seu nome é suficiente para identificar as fraudes. Apenas uma leitura. É por isso que Chico Xavier preferiu não usar o nome de Machado de Assis mas o de Humberto, porque este, embora popular, era bem menos badalado e conhecido que o falecido autor carioca. Usar o nome de Machado, portanto, seria escancarar demais e expôr com mais facilidade às identificações de fraude.
Não analisar problemas delicados da deturpação "espírita" e nos acanharmos diante da imagem de "bondosos" de Chico Xavier, Divaldo Franco e similares só faz os contestadores da deturpação menos corajosos e menos vigilantes. E acabam permitindo que os deturpadores continuem fortes, porque eles são poupados de questões bem mais severas.
É por isso que o "movimento espírita" consegue reagir, prometendo "ler melhor Allan Kardec" e bajulando figuras autênticas como José Herculano Pires e Carlos Imbassahy, em muitos casos tratados sob a mesma medida de "admiração" que Emmanuel e André Luiz.
Os deturpadores tentam se fazer de "espíritas autênticos" porque, num dado caminho, os contestadores, hesitantes, se afrouxam. O problema da deturpação é bem mais complexo do que simplesmente "entender errado" a obra de Allan Kardec.
Há uma espécie de mainstream (corrente principal) dos críticos da deturpação feita pelo "movimento espírita" que adota posturas bastante hesitantes a muitos problemas, mais graves e complexos, e isso contribui para o "espiritismo" brasileiro continuar na mesma pasmaceira de sempre.
Esses questionadores são corretos e consistentes quando apontam erros doutrinários em livros de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, numa comparação com os livros de Allan Kardec, e estabelecem pontos interessantes de análise e discussão de tais erros.
No entanto, eles não vão muito adiante e alguns chegam a dizer que a suposta mediunidade de Chico Xavier e Divaldo Franco são "confiáveis", que eles podem ser aproveitados pela Doutrina Espírita como "ícones de bondade" e que "não há como" questionar trabalhos atribuídos a espíritos do além.
Dessa maneira, eles deixam passar aberrações como a suposta obra "espiritual" atribuída a Humberto de Campos, uma fraude que a Justiça não teve a coragem de reconhecer e que está explícita na disparidade que o "espírito Humberto de Campos" escreveu nos livros e o que o verdadeiro autor maranhense escreveu em vida.
O Humberto de Campos que conviveu com os brasileiros escrevia com prosa fluente, culta mas acessível, constantemente descontraída, prazerosa de ler, e abordava temas laicos. O suposto espírito tinha outro estilo: prosa "muito pesada", forçadamente culta e cheia de vícios de linguagem, narrativa melancólica, difícil de ser lida e só tratava de temas religiosos.
O Humberto de Campos de carne e osso chegava a tratar de temas religiosos com os olhos de autor laico. Além do mais, ele era ateu. O "espírito Humberto de Campos" fazia o inverso, tratava os temas laicos, seja a viagem a Marte, seja uma "entrevista" com o espírito de Marilyn Monroe, sob o prisma religioso, abertamente igrejista.
Não há como ver legitimidade nisso, mas mesmo os contestadores menos vigilantes da deturpação "espírita" deixam isso passar e acham que Humberto de Campos iria mesmo voltar para escrever as bobagens igrejistas que tendenciosamente levaram o seu nome.
A "BONDADE" COMO ESCUDO
Mas a maior hesitação em torno dos contestadores menos vigilantes da deturpação "espírita" é a complacência que eles têm em relação à imagem de "bondosos" de Chico Xavier, Divaldo Franco e similares, quase um medo de questionar essa "qualidade admirável" dos dois ídolos religiosos.
"Temos que admitir que Chico e Divaldo são ligados à missão de muito amor e caridade". "Acho válido o 'Você e a Paz' porque é sempre lindo falar de paz e isso Divaldo tem de brilhante". "Pelo menos Chico Xavier ajudou muita gente, consolou muitos infelizes". Estas frases, de profundo deslumbramento, ignoram várias armadilhas e equívocos.
Pois até no âmbito da "bondade" os dois deixam dúvidas sérias. Divaldo Franco é considerado "um dos maiores filantropos do mundo" por nada. Cálculos foram feitos levando em conta os anos de existência da Mansão do Caminho, a população atual de Salvador e a média anual de atendidos, levando em conta o número total de 160.000 beneficiados oficialmente divulgado, e concluímos que a obra de Divaldo não merece sequer metade dessa festa toda.
Os cálculos deram uma porcentagem de 0,08% em relação à população de Salvador. Um índice inexpressivo, que não vale a reputação que se atribui a Divaldo Franco. Além disso, em termos mundiais, é sinônimo de nada. Como é que se faz um "maior filantropo do mundo" com ZERO POR CENTO de ajuda, em termos mundiais?
E a "caridade" de Chico Xavier? Se ele parecia "consolar as famílias que perderam entes queridos", ele no entanto cometeu duas crueldades: uma é a superexposição das famílias que poderiam chorar seus mortos na privacidade, prolongando muitas vezes os efeitos da tragédia, impedindo que as pessoas pudessem tocar a vida sossegadas diante de tanta exploração sensacionalista.
A outra é que as mensagens "mediúnicas" se revelaram uma fraude. Pouco importa se acadêmicos tentem enrolar dizendo que as mensagens eram "verídicas" porque começavam com "Querida mamãe" ou citavam o nome da vovó, em monografias corretas na forma mas irregulares em conteúdo. A fraude se observa pelo próprio conteúdo das cartas.
Elas apresentam o mesmo apelo igrejista de Chico Xavier. O mesmo estilo de mensagem, o mesmo apelo de "fraternidade cristã". Além disso, denúncias de "leitura fria", em que colaboradores do "médium" colhiam informações sutis em entrevistas ou até em conversas informais (como no final de doutrinárias) que seriam trabalhadas em supostas mensagens espirituais, se revelam verídicas.
Isso é fácil porque se analisa o conteúdo, a linguagem, a forma como são escritas as palavras. Se vemos fraude na suposta psicografia atribuída a Humberto de Campos ou a Jair Presente, citando dois exemplos, um de livros e outro de cartas, não é porque ficamos com raiva porque Chico Xavier era "bonzinho", mas porque analisamos conteúdo de texto, linguagem e situações associadas.
Vemos o nosso saudoso Humberto de Campos de deliciosa prosa escrever de uma forma e o suposto espírito do escritor escrever de outra completamente diferente e não podemos aceitar isso, mesmo que as questões do contato dos espíritos sejam mal resolvidas e Chico Xavier é considerado "bondoso".
Quando temos condições de questionar, derrubamos uma questão, como alguém que pode enxergar uma barreira sob o nevoeiro e evitá-la ou derrubá-la com algum trator. Praticamente está fechado o caso de fraude sob o nome de Humberto de Campos, só falta a Justiça dos homens declarar oficialmente que os livros de Chico Xavier que levam o nome do saudoso autor são FALSOS.
Isso não é arrogância. O questionamento e a análise pode ir distante pelo caminho natural da lógica. Não é calúnia, presunção, inveja, perseguição ou coisa parecida. É apenas análise, estudo, averiguação. E isso muitos contestadores da deturpação "espírita" não conseguem ter, hesitantes que estão em relação a certos problemas.
Eles se esquecem que, mesmo quando ainda é um mistério o contato com espíritos, podemos ter condições de identificar fraudes e armadilhas. Não vamos ficar complacentes e fingir que Humberto "mudou seu estilo" quando foi para o além, e achar que o "bondoso" Chico Xavier nunca iria enganar com livros de "mensagens positivas" sob o nome do autor maranhense.
Devemos ser firmes neste caso e perceber que os estilos do Humberto real e do suposto espírito são diferentes. O fato de escrever mensagens "edificantes" não é garantia contra a fraude, e o próprio espírito de Erasto, nos tempos de Kardec, sempre nos alertava para tomar cuidado justamente com as mensagens que transmitissem "coisas boas", por elas esconderem mistificações e outros equívocos.
A análise comparativa dos livros que Humberto deixou em vida e as "obras espirituais" que usaram seu nome é suficiente para identificar as fraudes. Apenas uma leitura. É por isso que Chico Xavier preferiu não usar o nome de Machado de Assis mas o de Humberto, porque este, embora popular, era bem menos badalado e conhecido que o falecido autor carioca. Usar o nome de Machado, portanto, seria escancarar demais e expôr com mais facilidade às identificações de fraude.
Não analisar problemas delicados da deturpação "espírita" e nos acanharmos diante da imagem de "bondosos" de Chico Xavier, Divaldo Franco e similares só faz os contestadores da deturpação menos corajosos e menos vigilantes. E acabam permitindo que os deturpadores continuem fortes, porque eles são poupados de questões bem mais severas.
É por isso que o "movimento espírita" consegue reagir, prometendo "ler melhor Allan Kardec" e bajulando figuras autênticas como José Herculano Pires e Carlos Imbassahy, em muitos casos tratados sob a mesma medida de "admiração" que Emmanuel e André Luiz.
Os deturpadores tentam se fazer de "espíritas autênticos" porque, num dado caminho, os contestadores, hesitantes, se afrouxam. O problema da deturpação é bem mais complexo do que simplesmente "entender errado" a obra de Allan Kardec.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2015
Por que o "espiritismo" despreza tanto a Ciência?
O "espiritismo" valoriza a Ciência? Não. Sua aparente apreciação aos assuntos científicos e à atividade de busca do Conhecimento é apenas tendenciosa e pedante, e não são os desfiles de fatos e personalidades científicas mais manjados que resolverá os problemas que o "espiritismo" comete em relação às ideias científicas.
O fato aberrante que é o desprezo a personalidades científicas sérias, como Franz Anton Mesmer - cuja obra foi crucial para o professor Rivail, depois conhecido como Allan Kardec, estudar a temática espírita - , Percival Lowell e Wolgang Bargmann, só porque não são tão conhecidas quanto Galileu Galilei, Isaac Newton e Charles Darwin, faz os "espíritas" inventarem falsas façanhas científicas.
É digno de uma gafe o que o presidente da Rádio Rio de Janeiro, o "espírita" Gerson Simões Monteiro, fez ao atribuir a Francisco Cândido Xavier um falso pioneirismo na suposta previsão de haver vida em Marte, atribuído a cerca de 80 anos.
Antes que os "espíritas" julguem "triste" e "lamentável" essa constatação, "ferindo" um radialista que "apenas promove o trabalho do bem", é bom deixar claro que a ideia que ele lançou sobre Chico Xavier é uma gafe por razões puramente lógicas, e não por raivinhas e condenações.
Bem antes de Chico Xavier nascer, o assunto da possibilidade de haver vida em Marte era fartamente discutido, no século XIX, por muitos cientistas. Até o amigo de Allan Kardec, Camille Flamarion, era um dos estudiosos.
Destaca-se o trabalho de Percival Lowell, astrônomo que fundou um observatório no Arizona, em analisar todos os elementos que, no Brasil, foram atribuídos tão tolamente a Chico Xavier: construção de canais fluviais artificiais, civilizações adiantadas, seres humanos bastante inteligentes.
Chico Xavier nasceu dois anos depois de Lowell lançar o último livro de sua trilogia de Marte. Os livros da trilogia foram Mars (1895), Mars and its Canals (1906) e Mars as the Abode of Life (1908), todos sem tradução em português, infelizmente.
Como é que ficam os "espíritas" diante de revelação tão verídica? Que moral eles têm para sustentar um suposto pioneirismo de Chico Xavier, diante de uma realidade que os envermelha de vergonha? Triste ver que o Brasil que brilhantemente foi pioneiro, na aviação, como Alberto Santos Dumont, ter que sucumbir a esse "mico".
Daí que os estadunidenses, que erram ao atribuir o pioneirismo da aviação para os irmãos Wilbur e Orville Wright, deram o troco quando o Brasil "pisou na bola" e inventou que Chico Xavier "descobriu vida em Marte". Pois neste caso os EUA quase ganharam a partida, pois em parte Percival Lowell é que fica com os louros, por sistematizar o trabalho do cientista italiano Giovanni Schiaparelli iniciou sobre a vida em Marte.
O que dirão os "espíritas", diante disso? Dirão que a visão foi "mal interpretada". Talvez se contradizessem quando falaram que Chico Xavier "não descobriu vida em Marte" mas a revelou "com brilhantismo, ainda que tardiamente", sem saber direito dizer se Chico foi ou não pioneiro ou porque deu uma abordagem "fraternal" da suposta descoberta.
O ridículo pioneirismo do suposto espírito de André Luiz em relação à glândula pineal pode não ser uma gafe aberrante como no caso da vida em Marte, mas também chama a atenção pelos equívocos de um trabalho acadêmico e da reação patética de um grupo de "espíritas" que "comemorou" o suposto "pioneirismo científico".
Sabe-se aqui, mas não custa repetir, que o livro Missionários da Luz, de 1945, é tido pelos "espíritas" como "pioneiro" nas pesquisas de glândula pineal, o que é totalmente ridículo. A razão, adotada pelos acadêmicos da Universidade Federal de Juiz de Fora comandados por Alexander Moreira-Almeida, foi que a bibliografia da época (anos 1940) sobre o assunto era "muito escassa".
O grande problema é que a equipe chegou a essa conclusão através de fontes de terceiros, sem adotar o rigoroso método de pesquisa nas próprias fontes da década. Eles se serviram de fontes secundárias, publicadas a partir de 1977, o que não é correto para acadêmicos que se comprometem em buscar embasamento científico para suas teses.
O caso patético foi por conta de um grupo de "espíritas", entre eles Marlene Nobre, já falecida, que comemoraram o "reconhecimento científico" de Chico Xavier como se fosse um "milagre", com um deslumbramento e uma euforia típicos de fanáticos religiosos. Extremamente constrangedor.
Esses são apenas dois casos, que deveriam ser amplamente divulgados. Afinal, no caso da glândula pineal, um assunto também discutido fartamente antes de Chico Xavier nascer, tinha uma bibliografia, nos anos 1940, significativa, se não na aparente quantidade, mas na qualidade, e um destacado autor do período foi o injustiçado cientista alemão Wolfgang Bargmann.
O "espiritismo", através desses dois exemplos, cometeu o ridículo de desprezar a Ciência quando ela foge dos clichês mais manjados. Os "espíritas" só apreciam assuntos e personagens manjados da História da Ciência, fazem abordagens superficiais e pedantes e não se aprofundam em estudos, sobretudo em artigos feitos às pressas e com pesquisas feitas de forma ligeira e sem conhecimento de causa.
Falar em Sol, em astros, em fenômenos biológicos e psicológicos é fácil, da maneira com que os "espíritas" tratam esses assuntos. Mas é tudo sem profundidade, e de maneira que apenas dê a impressão de uma compreensão no assunto que, para os leigos, soa aprofundada, mas na verdade é cientificamente superficial e sem embasamento teórico confiável.
Essa abordagem "espírita" só tem como objetivo dar o aparato "científico" de uma doutrina igrejista, que é o "espiritismo" brasileiro que se distanciou do pensamento de Allan Kardec e faz tudo errado ao confundir mistificação com conhecimento.
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
O preocupante coitadismo dos "espíritas"
Jesus de Nazaré advertiu sobre os falsos profetas e os falsos cristos que se proclamarão "crucificados" quando duramente criticados. Erasto, mais tarde, em mensagens divulgadas aos espíritas franceses, alertava sobre os inimigos internos da Doutrina Espírita e suas manobras traiçoeiras.
Poucos deram ouvidos. E aí veio o "movimento espírita" brasileiro que é difícil de ser desmascarado e difícil de ser atacado, não por se tratar de uma doutrina da transparência e da honestidade, mas por ser uma doutrina de lobos famintos que capricham no seu disfarce de bondosos cordeiros.
O "movimento espírita" cresceu como bola de neve e, de escândalo em escândalo, sobreviveu sem que investigações sérias pudessem confrontá-lo. Seus integrantes cometem traições terríveis ao pensamento e à coerência de Allan Kardec e ficam impunes diante de tantas e tantas irregularidades em níveis aberrantes.
A desonestidade doutrinária do "movimento espírita" é algo tão assustador que é usada uma das técnicas mais habilidosas, sutis e eficientemente traiçoeiras de persuasão, dominação e intimidação: o verniz da "bondade" e da "humildade".
Quando criticados, os líderes "espíritas", os mesmos que descumprem com gosto os ensinamentos de Kardec, se passam por "fiéis seguidores" do pensador francês e reagem com choro e tristeza, se passando por humildes e resignados derrotados. Tentam vencer pela lábia, se passando por vítimas, investindo no seu coitadismo.
O mito de Francisco Cândido Xavier se agigantou dessa forma. Chico Xavier era um católico ortodoxo que se tornou paranormal, e, promovido a um ídolo religioso às custas de muito sensacionalismo e tantas confusões, é a personificação desse preocupante coitadismo.
Diante de críticas recebidas, Chico Xavier e, nos últimos anos, seus discípulos, seguidores e simpatizantes, sempre reagiu de maneira contraditória, afinal a contradição era o princípio do anti-médium mineiro, o que prova que coerência e bom senso nunca foram o forte dele.
Daí que vemos essa falácia de que "é na derrota que vencemos" ou "quando mais ficamos fracos, mais fortes nos tornamos", o que é ridículo, sobretudo em relação a Chico Xavier, que quer passar por cima de tudo e de todas as situações.
Na crise aguda em que se encontra o "movimento espírita", seus líderes apelam para o mesmo coitadismo que marcou a vida de seu adorado "médium", um vitimismo que se torna o recurso de tentar tirar vantagem com a imagem de coitado, de vítima.
"Diante das perseguições que recebemos, oremos em silêncio, resignados e com a consciência tranquila, protegidos pela fé em Deus e confiantes no nosso trabalho de amor", é o que dizem os "espíritas" diante de tantas contrariedades.
Agindo assim, eles acham que sobreviverão a toda tempestade. Mas esse coitadismo demonstra uma série de estratégias oportunistas e a esperteza em se passar por vítima para obter uma vantagem, porque tudo o que contraria os "espíritas" é sempre visto como "perverso", "injusto" e "nocivo".
Os "espíritas", que traem o pensamento de Allan Kardec com um igrejismo antiquado, é que são os "bonzinhos", que "seguem fielmente" as lições do pedagogo francês, que estão "sempre certos" porque dizem promover a solidariedade, a humildade e a compaixão.
Os contestadores é que são sempre os maléficos, os nocivos, ou, quando muito, aqueles que "fortalecem" os "bondosos espíritas" ao desafiá-los com questionamentos e contestações que supostamente "comprovam" o quanto o "espiritismo" está no "bom caminho".
É um discurso traiçoeiro, um malabarismo discursivo em que o dominador tenta se passar por vítima, criando um jogo de contrastes retóricos no qual ele tenta vencer tudo não como um tirano, mas como pretensa vítima, dizendo, em um momento, que está sendo vítima de "lamentáveis reações de irmãos incompreensivos", de outro "agradece" a eles por estimulá-lo a "prosseguir o trabalho do bem".
Isso desarma as pessoas, porque é um recurso da retórica, em que o coitadismo, que é a falsa pose de injustiçado, e o vitimismo, que é a mania de atribuir desgraças contra si nos momentos em que é contestado, servem para desqualificar argumentos, investigações e inquéritos, fazendo do privilegiado que se passa por injustiçado um "vencedor" disfarçado de "derrotado resignado".
É uma trapaça ideológica, que se mostra uma armadilha das piores. E isso é horrível, sobretudo quando se transforma uma figura pitoresca como Chico Xavier numa espécie de "senhor absoluto", num "dono do Brasil" que se torna a obsessão e o flagelo de seus fanáticos seguidores.
Foi com essa pose de "coitado" e "vítima" que Chico Xavier tenta passar por cima de muitos obstáculos, ele que, de um católico paranormal esquisito, virou "líder absoluto" do Brasil, acima de tudo e de todos, quase um "imperador romano" às avessas, a dominar tudo e todos com estereótipos tendenciosos de "amor e bondade".
Um exemplo disso foi o caso Humberto de Campos, que poderia ter desmascarado por definitivo Chico Xavier, se não fossem duas coisas: o desconhecimento dos juristas da época (1944) quanto ao uso de nomes mortos para supostas psicografias, e a imagem de "bonzinho" trabalhada em torno do anti-médium.
Aí pronto. A cada escândalo, as pessoas tinham o medo de enfrentar Chico Xavier, o "monstro" que Humberto de Campos, autor de O Monstro e Outros Contos, de 1932 (ele lançava o livro quando fez a resenha de Parnaso de Além-Túmulo), não previu se formar, por causa do estereótipo de "amor e bondade" que intimida os corações mais fracos.
E vemos o quanto o verniz de "bondade e humildade", que Chico Xavier trabalhava desde quando era relativamente jovem, lá pelos 25, 30 anos, e se somou ao estereótipo de "bom velhinho" em tempos posteriores, foi um artifício para tentar intimidar seus contestadores.
Só que essa armadilha, a da "bondade" intimidadora, não é muito conhecida entre os brasileiros. Ela é vista ainda como uma qualidade positiva e não desperta suspeitas, estando imune a qualquer tipo de investigação, mesmo quando se consideram polêmicas e controvérsias relacionadas.
Daí que os questionadores mais fracos se sentem intimidados diante de pessoa "tão bondosa". As investigações param, porque os investigadores se sentem intimidados em desafiar uma "boa pessoa", e assim mesmo irregularidades das mais evidentes e com provas consistentes são deixadas de lado, pela sedutora tentação da complacência e do conformismo.
Isso é extremamente ruim, e deixa o Brasil num ciclo vicioso da subserviência religiosa, em que a coerência e o bom senso são deixados de lado, por mais que a retórica, esse espetáculo de palavras bem articuladas, tente dizer o contrário. Aliás, há formas sutis de dizer "não", apenas dizendo "sim", apresentando ideias que dizem afirmar os fatos, quando, em verdade, os contrariam.
O progresso do Brasil é comprometido com isso. Escravo do estereótipo de "amor e bondade" de figuras como Chico Xavier, o país se mantém no atraso, prisioneiro que está da fé religiosa, do deslumbramento fácil, da mistificação sedutora, em que as ideias de "bondade" e "humildade" mais parecem demonstrações de pieguice e até sensualismo emocional, corrompendo as emoções das pessoas.
A Prisão da Fé do "movimento espírita" torna-se nociva para o país, e o coitadismo que intimida quem queira levar adiante investigações sérias sobre as irregularidades da doutrina brasileira causam sérios danos na nossa busca de um mínimo de coerência e transparência para a sociedade de nosso país.
segunda-feira, 28 de dezembro de 2015
PMDB carioca e sua forma de dizer "Fora Dilma"
"DONA DILMA, QUEREMOS DINHEIRO", DIZEM O GOVERNADOR PEZÃO E O PREFEITO PAES.
O Rio de Janeiro anda falido, em todos os sentidos. O Estado e sua capital passam por uma decadência vertiginosa sem precedentes, inimaginável até nos tempos da República Velha, quando a antiga capital do país procurava fazer reformas urbanas e sociais para superar seu antigo provincianismo.
É o Rio de Janeiro da intolerância social dos "coxinhas", do fanatismo do futebol carioca, das baixarias intelectualmente consentidas do "funk", dos ônibus com pintura padronizada, do comercialismo pseudo-roqueiro da Rádio Cidade, do exibicionismo grotesco das "popozudas", do excesso de fumantes nas ruas, da poluição que supera São Paulo e faz o Grande Rio preocupantemente superaquecido.
Pois não é mais o Rio 40 Graus, mas o Rio rumo aos 50 graus, que sofre o caos da saúde pública e a violência que "acidentalmente" mata milhares de inocentes, principalmente pobres, o que faz técnicos e especialistas da ONU falarem em "limpeza social" com tantos e tão descontrolados incidentes que parecem terem sido feitos de propósito pela truculência policial.
É o Rio de Janeiro reacionário em que antigos baderneiros da Internet, os troleiros, passam agora a hostilizar famosos e influentes nas mídias sociais e até nas ruas, e geram episódios mais típicos de cidades primitivas do interior, com jovens "tudo de bom" linchando um vendedor de gelo na antes cosmopolita Ipanema.
Vive-se um contexto em que os cariocas só tardiamente se arrependeram de eleger como deputado federal o reacionário e prepotente Eduardo Cunha, um religioso que prometia moralizar o Legislativo e, transformado num Joseph McCarthy dos trópicos (alusão ao senador estadunidense que perseguia comunistas e que inspirou o termo "macartismo"), agora é investigado por corrupção.
O Rio de Janeiro teve um 2015 horrível, tragicômico, em que personalidades de destaque, com um histórico de tabagismo no passado, como a jornalista Sandra Moreyra e a atriz Marília Pera, morreram para avisar aos cariocas que não é divertido ficar fumando e espalhando fumaça de nicotina (que inclui substâncias usadas em combustíveis de carros e veneno de rato) nas ruas.
Foram tantas notícias que variavam entre gafes, tragédias, escândalos e graves transtornos, que puseram em xeque a condição de "cidade-modelo" que o Rio de Janeiro, depois da falência social de São Paulo, passou a ter para o resto do país.
Se os desastres do maluf-tucanato e da imprensa brutamontes (não só os Cidade Alerta e Brasil Urgente da vida, mas também a Veja e os jornalões paulistanos) tiraram da Av. Paulista o símbolo máximo do "paraíso brasileiro" de prédios imponentes e cidadãos engravatados decidindo por todo o país, é a vez da ex-Cidade Maravilhosa deixar de ser vista como o "paraíso brasileiro".
E aí vemos o decadente grupo político do prefeito carioca Eduardo Paes e do governador fluminense Luiz Fernando Pezão, tentando sobreviver sacrificando o amigo Eduardo Cunha, que se tornou um "anel" apertado demais para os dedos dos detentores do poder no Rio de Janeiro.
Nem a família Picciani - o presidente da Assembleia Legislativa estadual, Jorge Picciani e seus filhos, o líder do PMDB na Câmara Federal, Leonardo Picciani, e o secretário de Transportes carioca, Rafael Picciani (que queria eliminar a ligação direta Zona Norte X Zona Sul para "otimizar" o sistema de ônibus) - , que jurava eterna lua-de-mel com Eduardo Cunha, quer mais ficar com ele.
Todos os envolvidos agora passaram a posar de "progressistas" e pretensos "amigos" da presidenta Dilma Rousseff, sobretudo com as bajulações baratas de um demagogo como Eduardo Paes, que pouca gente se lembra ter sido uma cria do pouco expressivo PSDB carioca.
Esse falso engajamento em prol da tendenciosa postura "fica Dilma", se opondo aos empenhos do vice-presidente Michel Temer e Eduardo Cunha em se voltarem contra a chefe do Executivo federal, não é todavia uma postura gratuita, como se fosse uma jura de amor fiel à presidenta.
Toda essa postura "fica Dilma" do PMDB carioca tem um propósito: arrancar do Governo Federal as verbas públicas para socorrer o Estado do Rio de Janeiro, que com toda sua farra política usando como pretexto a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, deixou um grande rombo nos cofres públicos que quase pôs o setor da Saúde para a paralisação definitiva, transformando hospitais públicos em verdadeiros abatedouros de gente.
Foi revelado, por uma série de reportagens do Jornal da Record, em série intitulada "O Rio de Janeiro na Lama", que o grupo político de Eduardo Paes estabeleceu um esquema de favores e acordos com grandes empreiteiros, de forma que transferisse grandes somas de dinheiro para as fortunas pessoais dos envolvidos, políticos e empresários (sobretudo empreiteiros).
Os cariocas, geralmente marionetes da "imparcialidade midiática" dos jornais O Dia e Meia Hora, que pautam o "gosto cultural" do "povão" no Grande Rio, acharam que as denúncias não passavam de "lorotas" feitas pela Rede Record, cujo dono Edir Macedo apoia a carreira política do colega Marcelo Crivella, com intenções de vencer as próximas eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro, embora não se tenha ainda chegado sequer a hora de lançar pré-candidatos.
Só que os "parciais" jornalistas da Rede Record que denunciaram os escândalos de Paes e companhia são conhecidos por investigar vários escândalos políticos, independente de partidos políticos, tendo mostrado a corrupção de dirigentes esportivos da CBF e FIFA e o esquema de propinas e desvio de dinheiro público do PSDB paulista, através das concessões e obras do metrô paulistano e de alianças com empreiteiros que fizeram os tucanos turbinarem suas contas em paraísos fiscais no exterior.
Claro, a "boa sociedade" carioca, que sempre se achava com a palavra final para tudo - vide, sobretudo, a turma da trolagem na Internet - , acha que investigar dirigentes esportivos e políticos cariocas é "perda de tempo" de gente que "não pensa em favor do Rio de Janeiro".
Essa "boa sociedade" é que é responsável direta pela tragédia que acontece no Estado e consentiu com a falência de valores e princípios, que não quer que a crise seja denunciada e, irritada com as revelações da decadência do Rio de Janeiro, queria que nós esquecêssemos tudo isso e procurássemos os "anos dourados" cariocas até em videocassetadas no Whatsapp e nos glúteos das "popozudas".
Só que a "boa sociedade" tem que engolir a decadência do Estado do Rio de Janeiro, promovida pelos políticos cariocas que ela elegeu. A própria imprensa tem que relatar essa decadência, por mais que tenha vontade de esconder tudo sob o tapete.
Quanto ao PMDB carioca, seu aparente apoio a Dilma Rousseff, até pela associação com o desgastado grupo político de Eduardo Paes, soa como uma outra forma de dizer "Fora Dilma", forçando o agravamento político da crise do governo petista com o vínculo a autoridades estaduais tão corruptas, autoritárias e demagogas.
Enquanto isso, a crise fluminense se agrava mais e mais, derrubando a reputação do Estado do Rio de Janeiro e sua capital para os demais Estados do país. Alguém tem coragem de ver, na outrora imponente cidade do Rio de Janeiro, cidade-modelo para alguma coisa?
O Rio de Janeiro anda falido, em todos os sentidos. O Estado e sua capital passam por uma decadência vertiginosa sem precedentes, inimaginável até nos tempos da República Velha, quando a antiga capital do país procurava fazer reformas urbanas e sociais para superar seu antigo provincianismo.
É o Rio de Janeiro da intolerância social dos "coxinhas", do fanatismo do futebol carioca, das baixarias intelectualmente consentidas do "funk", dos ônibus com pintura padronizada, do comercialismo pseudo-roqueiro da Rádio Cidade, do exibicionismo grotesco das "popozudas", do excesso de fumantes nas ruas, da poluição que supera São Paulo e faz o Grande Rio preocupantemente superaquecido.
Pois não é mais o Rio 40 Graus, mas o Rio rumo aos 50 graus, que sofre o caos da saúde pública e a violência que "acidentalmente" mata milhares de inocentes, principalmente pobres, o que faz técnicos e especialistas da ONU falarem em "limpeza social" com tantos e tão descontrolados incidentes que parecem terem sido feitos de propósito pela truculência policial.
É o Rio de Janeiro reacionário em que antigos baderneiros da Internet, os troleiros, passam agora a hostilizar famosos e influentes nas mídias sociais e até nas ruas, e geram episódios mais típicos de cidades primitivas do interior, com jovens "tudo de bom" linchando um vendedor de gelo na antes cosmopolita Ipanema.
Vive-se um contexto em que os cariocas só tardiamente se arrependeram de eleger como deputado federal o reacionário e prepotente Eduardo Cunha, um religioso que prometia moralizar o Legislativo e, transformado num Joseph McCarthy dos trópicos (alusão ao senador estadunidense que perseguia comunistas e que inspirou o termo "macartismo"), agora é investigado por corrupção.
O Rio de Janeiro teve um 2015 horrível, tragicômico, em que personalidades de destaque, com um histórico de tabagismo no passado, como a jornalista Sandra Moreyra e a atriz Marília Pera, morreram para avisar aos cariocas que não é divertido ficar fumando e espalhando fumaça de nicotina (que inclui substâncias usadas em combustíveis de carros e veneno de rato) nas ruas.
Foram tantas notícias que variavam entre gafes, tragédias, escândalos e graves transtornos, que puseram em xeque a condição de "cidade-modelo" que o Rio de Janeiro, depois da falência social de São Paulo, passou a ter para o resto do país.
Se os desastres do maluf-tucanato e da imprensa brutamontes (não só os Cidade Alerta e Brasil Urgente da vida, mas também a Veja e os jornalões paulistanos) tiraram da Av. Paulista o símbolo máximo do "paraíso brasileiro" de prédios imponentes e cidadãos engravatados decidindo por todo o país, é a vez da ex-Cidade Maravilhosa deixar de ser vista como o "paraíso brasileiro".
E aí vemos o decadente grupo político do prefeito carioca Eduardo Paes e do governador fluminense Luiz Fernando Pezão, tentando sobreviver sacrificando o amigo Eduardo Cunha, que se tornou um "anel" apertado demais para os dedos dos detentores do poder no Rio de Janeiro.
Nem a família Picciani - o presidente da Assembleia Legislativa estadual, Jorge Picciani e seus filhos, o líder do PMDB na Câmara Federal, Leonardo Picciani, e o secretário de Transportes carioca, Rafael Picciani (que queria eliminar a ligação direta Zona Norte X Zona Sul para "otimizar" o sistema de ônibus) - , que jurava eterna lua-de-mel com Eduardo Cunha, quer mais ficar com ele.
Todos os envolvidos agora passaram a posar de "progressistas" e pretensos "amigos" da presidenta Dilma Rousseff, sobretudo com as bajulações baratas de um demagogo como Eduardo Paes, que pouca gente se lembra ter sido uma cria do pouco expressivo PSDB carioca.
Esse falso engajamento em prol da tendenciosa postura "fica Dilma", se opondo aos empenhos do vice-presidente Michel Temer e Eduardo Cunha em se voltarem contra a chefe do Executivo federal, não é todavia uma postura gratuita, como se fosse uma jura de amor fiel à presidenta.
Toda essa postura "fica Dilma" do PMDB carioca tem um propósito: arrancar do Governo Federal as verbas públicas para socorrer o Estado do Rio de Janeiro, que com toda sua farra política usando como pretexto a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, deixou um grande rombo nos cofres públicos que quase pôs o setor da Saúde para a paralisação definitiva, transformando hospitais públicos em verdadeiros abatedouros de gente.
Foi revelado, por uma série de reportagens do Jornal da Record, em série intitulada "O Rio de Janeiro na Lama", que o grupo político de Eduardo Paes estabeleceu um esquema de favores e acordos com grandes empreiteiros, de forma que transferisse grandes somas de dinheiro para as fortunas pessoais dos envolvidos, políticos e empresários (sobretudo empreiteiros).
Os cariocas, geralmente marionetes da "imparcialidade midiática" dos jornais O Dia e Meia Hora, que pautam o "gosto cultural" do "povão" no Grande Rio, acharam que as denúncias não passavam de "lorotas" feitas pela Rede Record, cujo dono Edir Macedo apoia a carreira política do colega Marcelo Crivella, com intenções de vencer as próximas eleições para a Prefeitura do Rio de Janeiro, embora não se tenha ainda chegado sequer a hora de lançar pré-candidatos.
Só que os "parciais" jornalistas da Rede Record que denunciaram os escândalos de Paes e companhia são conhecidos por investigar vários escândalos políticos, independente de partidos políticos, tendo mostrado a corrupção de dirigentes esportivos da CBF e FIFA e o esquema de propinas e desvio de dinheiro público do PSDB paulista, através das concessões e obras do metrô paulistano e de alianças com empreiteiros que fizeram os tucanos turbinarem suas contas em paraísos fiscais no exterior.
Claro, a "boa sociedade" carioca, que sempre se achava com a palavra final para tudo - vide, sobretudo, a turma da trolagem na Internet - , acha que investigar dirigentes esportivos e políticos cariocas é "perda de tempo" de gente que "não pensa em favor do Rio de Janeiro".
Essa "boa sociedade" é que é responsável direta pela tragédia que acontece no Estado e consentiu com a falência de valores e princípios, que não quer que a crise seja denunciada e, irritada com as revelações da decadência do Rio de Janeiro, queria que nós esquecêssemos tudo isso e procurássemos os "anos dourados" cariocas até em videocassetadas no Whatsapp e nos glúteos das "popozudas".
Só que a "boa sociedade" tem que engolir a decadência do Estado do Rio de Janeiro, promovida pelos políticos cariocas que ela elegeu. A própria imprensa tem que relatar essa decadência, por mais que tenha vontade de esconder tudo sob o tapete.
Quanto ao PMDB carioca, seu aparente apoio a Dilma Rousseff, até pela associação com o desgastado grupo político de Eduardo Paes, soa como uma outra forma de dizer "Fora Dilma", forçando o agravamento político da crise do governo petista com o vínculo a autoridades estaduais tão corruptas, autoritárias e demagogas.
Enquanto isso, a crise fluminense se agrava mais e mais, derrubando a reputação do Estado do Rio de Janeiro e sua capital para os demais Estados do país. Alguém tem coragem de ver, na outrora imponente cidade do Rio de Janeiro, cidade-modelo para alguma coisa?
domingo, 27 de dezembro de 2015
A aberrante ascensão dos fascistas mirins
O reacionarismo em doses cavalares que parte de jovens abastados ou emergentes, em maioria moradores das capitais e cidades do interior no Sul e Sudeste - destacam-se o eixo Rio-São Paulo, sobretudo os bairros ricos das duas capitais e a classe média emergente dos subúrbios - é um fato preocupante que pode pôr em risco a democracia no país.
Recentemente, Chico Buarque, famoso compositor brasileiro, discutiu com dois jovens reacionários que o provocaram dizendo: "Petista, vai morar em Paris. O PT é bandido!". Só que os dois não são meros internautas a fazer trolagem, mas dois ilustres membros da alta sociedade.
Um é o inexpressivo rapper Túlio Dek, que fez seus quinze minutos de fama como namorado da atriz Cléo Pires. Túlio é neto de Jairo Andrade Bezerra, um dos idealizadores da Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, passeata patrocinada pela CIA (órgão de informações do governo dos EUA) e que impulsionou o golpe militar de 1964.
Conhecido fazendeiro e empresário brasileiro, fiel defensor da ditadura militar, Jairo, falecido em 2003, é acusado de explorar trabalho escravo, mandar matar opositores e fazer "grilagem", ou seja, obtenção de terrenos para fazendas feita através de modos fraudulentos.
Outro é o empresário Álvaro Garnero Filho, cujo pai é conhecido empresário e conquistador amoroso muito em evidência nas colunas sociais, Álvaro Garnero, que, por sua vez, é filho de Mário Garnero, empresário que também defendeu a ditadura militar e, durante o governo José Sarney, se envolveu no escândalo da NEC, esquema de favorecimentos político-empresariais que incluiu o então ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, e Roberto Marinho, das Organizações Globo.
Os dois não hesitaram em xingar Chico Buarque, e pareciam bem mais irritados que o cantor, que, com toda a sua indignação diante de tanta estupidez, procurou manter sua dignidade. A estupidez dos jovens reacionários tornou-se um fenômeno conhecido no Brasil, depois de tantos incidentes.
Os ataques feitos por integrantes nas mídias sociais à jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju, e às atrizes Taís Araújo, Cris Vianna e Sheron Menezzes, além de um blogue ofensivo feito para parodiar a blogueira Lola Aronovich, expuseram o problema da atuação reacionária que pôs por terra a ilusão de que todo jovem é "progressista" e "moderno" até quando é retrógrado e reacionário.
O reacionarismo juvenil na Internet e até nas ruas - os troleiros (de trolls - encrenqueiros digitais) tinham seus grupos de agressores preparados para violentar as mesmas vítimas dos ataques virtuais - se expressa em comentários irônicos compartilhados por esses grupos, que depois viram ameaças às vítimas que questionam valores e decisões elitistas vigentes.
Do anti-petismo cego à defesa de fenômenos estabelecidos pela mídia ou pelo mercado, como a gíria "balada" (associada a Luciano Huck, Rede Globo e a reacionária Jovem Pan, já apelidada por Klu Klux Pan), a programação "roqueira" (de péssima qualidade) da Rádio Cidade carioca e a pintura padronizada nas empresas de ônibus municipais do Rio de Janeiro estão entre as causas defendidas pelos troleiros da Internet.
Eles também estão associados ao "patrulhamento" de modismos diversos e de ídolos musicais que simbolizam a mediocrização cultural no país. Nomes como Zezé di Camargo & Luciano, Alexandre Pires, Ivete Sangalo, Banda Calypso, Mr. Catra, Belo e até Michael Sullivan eram apoiados por agressivos troleiros que não aguentavam uma crítica sequer a eles.
Um grupo de troleiros chegou a esculhambar o jornalista Artur Xexéo por ele ter feito críticas ao cantor Leonardo (membro vivo da antiga dupla de irmãos Leandro & Leonardo). No caso das mulheres-frutas, os troleiros humilhavam quem falasse mal das grotescas musas que só se ocupam fazendo poses "sensuais" e exibindo corpos exagerados. Os troleiros são também racistas e machistas.
A extrema-direita juvenil, os fascistas mirins que tomam conta da Internet, há muito tempo agiam nas mídias sociais e nos fóruns de Internet, ou mesmo em mensagens divulgadas em e-mail. Havia até mesmo um núcleo de reacionários dentro da populosa comunidade "Eu Odeio Acordar Cedo" no antigo Orkut.
Veículos midiáticos como a Rede Globo, a revista Veja, as rádios Transamérica, Jovem Pan e a "rádio rock" carioca Rádio Cidade são redutos dessa juventude extremamente reacionária, cujos ídolos variam entre Luciano Huck e Olavo de Carvalho, passando por Jair Bolsonaro e Rodrigo Constantino e, machistas (mesmo as mulheres são assim) elegem como "musas" a Mulher Melão e Solange Gomes.
Os fascistas mirins que odeiam quem pensa diferente e defendem o que é estabelecido pelo poder midiático, pelo mercado e pela política - sempre as grandes corporações, sempre as grandes autoridades polítias - , eles se enfurecem quando alguém tenta pensar ou agir diferente do restrito e fétido horizonte mental dos trogloditas digitais.
Daí que eles, nas mídias sociais, se reúnem em grupo para, num horário combinado, invadir páginas de recados, fóruns e até petições na Internet para fazer comentários ofensivos e jocosos contra aquele que discorda com o que pensa esse grupo. Os comentários geralmente vão das ironias às ameaças, com o tom ofensivo subindo aos poucos.
A situação ficou tão séria que mesmo a mídia de direita já começa a se preocupar com os "monstros" que havia criado, a exemplo da ditadura militar diante do crescimento descontrolado do poder dos coronéis e subordinados do DOI-CODI, órgão que inicialmente surgiu para zelar pelos "ideais democráticos" da "revolução" (nome pelo qual a ditadura se autodefiniu durante muito tempo).
Os troleiros inicialmente serviam como "patrulha" para defender o "estabelecido" pela mídia, política e mercado dominantes. Seus ataques inicialmente eram aceitos porque os contestadores eram vistos como "ridículos" diante de tantas "novidades" lançadas pelos detentores do poder.
Mas quando a coisa começou a se tornar mais evidente, ante os atos de desrespeito humano mais aberrantes, os troleiros passaram a serem vistos como uma ameaça, além do fato de que as causas e ídolos que eles defendiam eram retrógrados e medíocres, por mais bem sucedidos que fossem.
O fato preocupante é que essas pessoas tentam se ascender no poder. Afinal, por trás de muitos troleiros há filhos de advogados e empresários, dirigentes de fãs-clubes, produtores culturais, professores e pessoas com alguma ascensão social na vida, que acham que podem crescer rápido "atropelando" os outros com sua fúria depreciativa sem freio.
Daí o alerta que os casos de Eduardo Cunha, político reacionário envolvido em corrupção, e Jair Bolsonaro, militar e político famoso por suas truculências, significam. Os troleiros de hoje poderão ser os políticos corruptos, autoritários e desordeiros de amanhã.
Felizmente a opinião pública começa a se despertar diante de tantos reacionários antes vistos como "divertidos". Mas o alerta ainda é insuficiente, cabendo a todos os internautas não se iludirem com a falsa imagem de "legal" de certas pessoas e pegar carona numa trolagem que, no futuro, pode soar maléfica como os feitiços que se voltam contra seus feiticeiros.
Cabe ver o ovo da serpente e identificar os tiranos de amanhã, que nem sempre parecerão "divertidos" e "legais". Cabe, acima de tudo, repudiá-los em vez de pegar carona na sua aparente alegria e embarcar numa farra que pode trazer traumas no futuro.
sábado, 26 de dezembro de 2015
A incapacidade da religião "espírita" em resolver problemas
Por que o "espiritismo" brasileiro não consegue resolver problemas? Pessoas fazem tratamentos espirituais e só atraem infortúnios, mesmo que seja o "pagamento" de uma tragédia para "benefícios" concedidos (como, por exemplo, ganhar na loteria e, num passeio com o filho, ver ele ser morto num assalto).
Adepta da Teologia do Sofrimento - apesar dos palestrantes tolamente dizerem que "ninguém nasceu para sofrer", seu mestre Francisco Cândido Xavier apelava para "sofrermos em silêncio, sem queixumes" - , o "espiritismo" brasileiro não compreende a complexidade humana, as tensões cotidianas e as injustiças existentes.
Seu método de ação é o mais patético possível, com "caridades" - como concessão de donativos e cursos de alfabetização e formação profissional - que não interferem no sistema de desigualdades vigente, e ideologicamente a doutrina brasileira comprova que prefere passar por cima de problemas e pedir para que todos déssemos sorrisos amarelos para nossos próprios problemas.
Os "espíritas" acham que basta sorrir, ser bonzinho e tranquilo para ser beneficiado e ter sorte na vida. A pessoa sofre horrores, é acuada ou "sacrifica" algum ente querido pelos infortúnios da vida para ser "beneficiado" e todos temos que sorrir, dar as mãos e cantar canções piegas de louvor. Tudo parece simples e fácil quando se diz, mas na prática tudo se torna inútil.
O "espiritismo" teoriza demais o amor e a bondade de forma que só ele seja considerado a religião que trata com mais "imparcialidade" e "objetividade" os ideais de "amor e bondade". Como se teorizar demais tudo isso fosse um diferencial, o que é uma grande hipocrisia.
Perde-se tempo escrevendo poeminhas pedindo para darmos as mãos, ilustrando textos com flores, crianças sorridentes e tudo o mais - isso quando não se comete a besteira de envolver uma imagem de Chico Xavier com coraçõezinhos e jardins floridos - , enquanto as tensões da vida acontecem e as injustiças "devoram" até o que nos havia de essencialmente necessário.
Há disputas de espaços, em que pessoas sem a menor competência se tornam representantes e especialistas de uma causa que só defendem por oportunismo, seja para obter vantagens financeiras, seja para impressionar os outros.
O Brasil tornou-se um péssimo país para quem tem personalidade diferenciada, para quem não quer viver uma vida "qualquer nota", e pessoas que poderiam contribuir com seus potenciais são obrigadas a aguentar longas décadas de infortúnios e limitações pesadas, das quais só podem sair se submeterem ao jugo de alguém mais estúpido do que elas.
Fora do que "espíritas" escrevem das tintas de mel de suas canetas, dos dedos perfumados de flores campestres que digitam no computador e das bocas sorventes de açúcar, das quais saem sempre palavras dóceis e suaves, a vida mostra sua amargura e somos proibidos por essa religião de sequer reagirmos a tantos infortúnios.
É como se os "espíritas" usassem uma camiseta com estilo Johnny Walter, que diz: "Fique Calmo: Aguente qualquer tranco e SORRIA!". Só que a "bondosa" doutrina não consegue lidar com a complexidade humana e prefere que passemos por cima de nossos problemas sorrindo para nossos algozes.
Os "espíritas" prometem que os algozes "terão o que merecem". Mas daí para outra encarnação, dentro de uns cem anos. Até lá, o algoz já cometeu abusos e se vendeu como "exemplo a ser seguido" por seus semelhantes ou até por gerações posteriores, que confundem maldade com rebeldia.
E se os jovens algozes confundem maldade com rebeldia, o "espiritismo" confunde contestação com ódio. Os "espíritas" se limitam a dizer para que "não nos revoltemos", sem perceber se realmente estamos agindo com ódio ao questionar algum infortúnio ou desgraça.
Os "espíritas" não sabem que, muitas vezes, reagimos contra os infortúnios com senso de humor, que não deve ser confundido com resignação. E que muito da "resignação" que muitos de nós somos aconselhados a sentir é, na verdade, o acobertamento de nossa indignação natural.
Quantas vezes "engolimos sapos" e aceitamos os arbítrios de nossos algozes, forjando uma misericórdia tão falsa quanto forçada, e temos que reagir descontando nossas raivas contra alguém mais inocente?
Muitos dos assaltantes surgem porque eles, de origem pobre, não podem reagir contra os abusos que os mais ricos fazem contra eles. "Desestimulados" a reagir contra as injustiças sociais, eles acabam dirigindo sua revolta contra a classe média, roubando o que lhe é necessário e essencial.
Muitos dos estelionatários surgem diante de sérios infortúnios, porque pessoas que não conseguem obter um emprego pelo azar da vida - até um concurso público apresenta um programa de estudo e um formulário de questões "puxado demais" - veem na prática de golpes financeiros uma forma de ganhar dinheiro com facilidade.
Muitos dos homens que não conseguem obter mulheres de sua afinidade, mas atraem aquelas que não correspondem ao que eles necessitam para convívio são alvo de sua violência, porque eles querem impor às mulheres aquilo que elas não são, baseado no modelo ideal da mulher inacessível.
E isso quando não ocorrem atentados terroristas, vandalismos contra bens públicos, linchamentos que são estimulados pelo vácuo da Justiça na impunidade fácil, nas violências de torcedores em que o futebol é o único meio de entretenimento que lhes é disponível, e esses problemas não podem ser explicados somente por uma simples "falta de solidariedade".
Poucas pessoas obtém privilégios sem merecimento nem competência para tais. Acabam sendo donos de uma causa que não defendem com naturalidade, mas por oportunismo. Outras são privadas de ter até o que precisam, o que mais necessitam, e orações são feitas em vão para que nenhum benefício seja obtido, a não ser com algum prejuízo como brinde.
A realidade é complexa. O "espiritismo" brasileiro, por outro lado, é simplório. A doutrina brasileira não consegue entender o pensamento científico de Allan Kardec, alvo de intensa bajulação, e perde muito tempo pedindo para sermos bonzinhos, sorrirmos até quando sentimos dor intensa, a cantar louvores e tudo o mais.
Isso é grave, mas não é o "espiritismo" que será capaz de resolver se caso fizer algum esforço. Sua incompetência é extrema, sua incapacidade em resolver problemas humanos é notória e muito imensa, e um simples apelo de "bondade", "amor" e "compaixão" são muito inócuos para resolver injustiças e tensões.
Daí que, num "centro espírita" de Salvador, um membro do chamado "auxílio fraterno" não entendeu por que um assistido reclamava de não atrair mulheres de sua afinidade para a vida amorosa, e pensou que o cara era um homossexual, fazendo um juízo de valor equivocado e obrigando o pobre coitado a "sair do armário".
O que os "espíritas" querem é que deixemos tudo para lá e vamos sorrir. É lindo ver passarinhos e árvores com suas folhas mexidas pela brisa, mas não é para isso que viemos. Encarar tragédias e infortúnios como um fim em si mesmos, sofrer por sofrer e ainda agradecer ao Alto por isso é de uma leviandade cruel, e os "espíritas", com esse apelo, acabam se tornando "docilmente" sádicos.
É a Teologia do Sofrimento. Madre Teresa de Calcutá foi chamada de "anjo do inferno" ao deixar seus assistidos à mercê de graves sofrimentos, e ao dizer que o "sofrimento é presente de Deus". Mas aqui Chico Xavier é considerado "progressista" e "ativista" dizendo a mesma coisa.
O sado-masoquismo é uma prática constante no Brasil, e é lamentável que muitas pessoas ainda não abram mão disso, presas a paixões de cunho religioso. E é isso que faz o Brasil se emperrar, preso em preconceitos moralistas e religiosos que fazem com que problemas não sejam vistos como problemas, e, por isso, bloqueiam soluções que poderiam vir se incompetentes abrissem mão de seus privilégios e infortunados tenham algum benefício a mais em suas vidas.
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