MISS BUMBUM: "FEMINISMO DE GLÚTEOS"?
O Brasil tem muitos problemas para que tenha alguma condição de liderar o mundo com sua "lição de fraternidade" e de "ideias progressistas". A perspectiva econômica já ruiu pela crise econômica que vivemos depois do fiasco da Copa do Mundo de 2014, que agravou ainda mais a já problemática situação do nosso país.
Nos valores sociais, então, o que chama a atenção são os valores confusos e conflituantes em torno de machismo e feminismo ocorrentes no Brasil. Um machismo já decadente, mas que tenta transferir sua herança, pasmem, a um tipo de "feminismo popular" do qual as mulheres são consideradas "emancipadas", mas trabalham estereótipos "sensuais" próprios do machismo.
É uma situação louca, surreal, embora seu surrealismo estivesse próximo do surrealismo festivo e patético do Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País) de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto, 1923-1968) do que do surrealismo dramático de Franz Kafka e do surrealismo poético de Luís Buñuel.
Por exemplo, há, entre os machistas, e mesmo entre os moralistas em geral, um grande medo de verem morrer dois símbolos do machismo vingativo, homens já idosos que se tornaram famosos depois que assassinaram suas próprias mulheres, e que hoje se encontram no pano de fundo de contraírem doenças gravíssimas e incuráveis, Doca Street e Pimenta Neves.
É algo surreal que ocorre entre os machistas mais radicais, que acham que as mulheres podem encarar tragédias até pela ação de seus companheiros "traídos", mas eles ignoram que muitos desses feminicídios (perto de serem considerados crimes hediondos) ocorrem em função das debilidades desses machistas sanguinários, muitos deles alcoolistas, drogados, tabagistas ou mesmo péssimos motoristas e que podem perder a cabeça até quando rendidos por ladrões.
Doca Street, aliás Raul Fernando do Amaral Street, foi um empresário paulista frequentador do colunismo social que, numa discussão conjugal numa pousada em Búzios, assassinou, no final de 1976, a socialite mineira Ângela Diniz (que chegou a aparecer numa edição de A Cigarra, em 1961, como modelo), com dois tiros.
O crime de Doca, pela sua impunidade, inspirou uma série de assassinatos de mulheres pelos próprios namorados, maridos ou noivos ao longo de pelo menos 15 anos, a ponto de inspirar até uma minissérie da Rede Globo de Televisão, Quem Ama Não Mata.
Doca era famoso também pelo tabagismo intenso que, pouco após o crime que tirou a vida de Ângela, causava preocupação em seus próprios amigos. Ele tinha 42 anos no final de 1976 e já era um pouco envelhecido para sua idade. No passado, usou também cocaína e álcool e, nos últimos anos, apenas fuma "socialmente". Doca ainda tentou doar, nos anos 90, um rim para um sobrinho, que não resistiu ao órgão recebido e faleceu.
Com 81 anos, já surgem rumores de que ele tem poucos anos de vida. Não se sabe se ele já está fazendo quimioterapia, mas a título de comparação, o humorista Chico Anysio, com um histórico tabagista mais modesto, faleceu na mesma faixa de idade. Recentemente, com um histórico tabagista também muito singelo, perdemos Leonard Nimoy, o Spock do seriado Jornada nas Estrelas.
Dizer, porém, que Doca Street já está no final de sua vida soa, para muitos, bastante ofensivo, como dizer que Antônio Marcos Pimenta Neves, de 78 anos, que matou, também com dois tiros, em agosto de 2000, a colega e namorada Sandra Gomide, poderá sofrer falência múltipla de órgãos em consequência dos efeitos de uma overdose de comprimidos.
De repente, tirar a vida de alguém virou atestado para uma respeitabilidade surreal de homicidas impunes. É ofensivo dizer que eles poderão morrer em breve pelos estragos que eles mesmos fizeram ao organismo. Para muitos, seria mais confortável dizer que Doca chegará aos 100 anos com um pulmão em frangalhos e que Pimenta Neves é mais resistente a remédios que o jovem e altivo Heath Ledger.
Mas, paciência, eles já viveram bem mais que suas vítimas, mortas na casa de uns 30 e tantos anos. E se alguém fala na tragédia que envolve esses machistas idosos, isso nada tem de ofensivo, mas uma constatação realista de que não é matando alguém que livrará alguém que cometeu excessos contra sua saúde de sofrer suas consequências naturais.
"Também morre quem atira", diz o sucesso "Hey Joe", na versão de O Rappa, ironicamente versão de um antigo blues homônimo composto por Billy Roberts e que foi endereçado a um homem que matou sua namorada e que foi gravado pelo Jimi Hendrix Experience.
ACORDOS IDEOLÓGICOS
Se os machistas têm medo de ver assassinos de mulheres no obituário de jornais, então o Brasil ainda vive um quadro de surrealismo que faz com que machistas e feministas se repilam em muitos aspectos, mas em outros estabeleçam acordos ideológicos.
Por exemplo, a emancipação feminina, num Brasil onde, historicamente, as ideias iluministas foram assimiladas sem romper com os ideais escravistas que o Iluminismo francês condenava, tem que se condicionar duplamente com as condições impostas direta ou indiretamente pelo machismo.
Se a mulher busca uma emancipação na essência, desenvolvendo o intelecto, se aprimorando culturalmente e sem bancar a "mulher-objeto", é "recomendável" pelo "sistema" vigente no Brasil que ela se case com um homem, de preferência dotado, este, de algum cargo de liderança ou comando, desde um grande empresário a um diretor de TV ou de cinema, passando por profissões liberais (médico da rede particular, economista, advogado etc).
Essa é uma forma de condicionar a emancipação plena e real brasileira aos ditames do machismo, quando a mulher moderna não pode exercer seus papéis sociais modernos, estando ela vinculada às velhas estruturas patriarcais familiares simbolizadas pelo marido "poderoso".
Mas se a mulher se submete a estereótipos machistas, como a mocinha submissa que vive para seu lar ou a moça atrevida que só quer saber de se "sensualizar" até mesmo "na marra" (quando usa roupas curtas ou apelativas até em faculdades ou mesmo em funerais), então o "sistema" libera a mulher para viver "solteira" e, em tese, sem estar "sob a sombra de um homem". Quando muito, é permitido a elas namorar homens mais novos e de perfil profissional mais modesto.
Só que isso na verdade é mito. Observando as "musas populares" que predominam nos sítios de celebridades e sub-celebridades na Internet, essas mulheres, que parte da intelectualidade atribui como símbolos de um "feminismo popular" voltado a pretextos como "liberdade do desejo" e "direito à sensualidade", são empresariadas por homens, tão machistas quanto aqueles que as "musas" estão liberdadas de se casarem ou até terem uma "ficada".
O ativismo feminista brasileiro hoje passa por uma fase confusa, Até os anos 2000, o feminismo parecia consistente e realista nos seus propósitos, mas nos últimos anos o movimento passou por uma "espetacularização" que lançou propostas confusas e até contraditórias, muitas nem tão opostas ao machismo como se imagina.
Por exemplo, uma de suas "ativistas", a funqueira Valesca Popozuda, é associada a um modelo de "sensualidade feminina" imposto pelo machismo. O que não se entende é como esse combate ao machismo se dará através de um paradigma machista de sensualidade.
Da mesma maneira, não dá para entender como é que mulheres falam em "liberdade do desejo" como desculpa para certas mulheres ficarem exibindo seus corpos o tempo inteiro, sem medir a situação certa ou errada, mas desenvolvendo um erotismo que estimula no seu público masculino um potencial de impulsos sexuais que não raro dá margem a casos de estupros.
Ou seja, como combater o estupro se a "sensualidade" obsessiva e exagerada é a "bandeira de luta" de parte de supostas feministas? E a atribuição da prostituição feminina como uma "profissão permanente", que feminismo isso representa se no fundo sua "profissionalização" atende mais ao recreio sexual de intelectuais e até de investidores estrangeiros?
Daí o feminismo confuso brasileiro, que permite até que uma outra funqueira, a Mulher Melão (outro protótipo machista de mulher "sensual") se infiltrar numa manifestação pró-topless e desviar a atenção da mídia.
O "ESPIRITISMO" DE CHICO XAVIER E O MACHISMO
Na Doutrina Espírita original, confrontada com o "espiritismo" feito no Brasil, uma amostra do que escreveu o jesuíta Emmanuel sobre o feminismo, que derruba de vez a ilusão de que ele e seu pupilo Francisco Cândido Xavier estão associados a ideais "progressistas e avançados", como alardeiam seus chorosos seguidores.
Allan Kardec defendia o feminismo, ele que havia sido marido e parceiro da pedagoga e artista plástica Amèlie Gabrielle Boudet, nove anos mais velha que ele. Ela havia apoiado o marido em momentos difíceis e na apreciação de pesadas polêmicas que Kardec enfrentava através da repercussão de suas ideias.
Eis o que ele escreveu na Revista Espírita de janeiro de 1866, ao comentar o papel das mulheres na sociedade contemporânea, numa postura considerada avançada naqueles tempos em que o machismo imperava nas estruturas familiares:
"(...) com a Doutrina Espírita, a igualdade da mulher não é mais uma simples teoria especulativa; não é mais uma concessão da força à fraqueza, é um direito fundado nas mesmas Leis da Natureza. Dando a conhecer estas leis, o Espiritismo abre a era de emancipação legal da mulher, como abre a da igualdade e da fraternidade."
Já Emmanuel, numa época em que os primeiros movimentos feministas aconteciam no Brasil - havia sobretudo a poetisa e jornalista Patrícia Galvão, que tardiamente se envolveu com integrantes do movimento modernista (era criança na época da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em 1922) - , escreveu o seguinte no livro O Consolador, de 1941, por intermédio de Chico Xavier:
"A ideologia feminista dos tempos modernos, porém, com as diversas bandeiras políticas e sociais, pode ser um veneno para a mulher desavisada dos seus grandes deveres espirituais na face da Terra. Se existe um feminismo legítimo, esse deve ser o da reeducação da mulher para o lar, nunca para uma ação contraproducente fora dele. É que os problemas femininos não poderão ser solucionados pelos códigos do homem, mas somente à luz generosa e divina do Evangelho".
Declaração mais machista do que isso não há. Como Emmanuel, o ultraconservador padre jesuíta Manuel da Nóbrega, poderia definir como "feminismo legítimo" o que se submete aos valores machistas? É verdade que ele falava das "escravas do lar", estereótipo hoje restrito à forma com que a mídia impõe às jovens suburbanas para serem resignadas mães solteiras fãs do romantismo piegas da música brega e do religiosismo exagerado da devoção extrema e chorosa.
Diferente de 1941, o "feminismo legítimo" do Brasil de hoje segue um outro tipo de submissão ao machismo, a um machismo decadente mas com medo de ver seus velhos totens morrerem. O Brasil que prefere o bolor à flor, mostra mais uma incapacidade de liderar o mundo, porque sempre tem a mania de trabalhar os valores novos compactuando com valores velhos e perecidos.
Daí haver o "feminismo" de hoje que só consegue se manifestar dentro dos limites ideológicos do machismo, mesmo com toda a repulsa que suas manifestantes dizem se expressar contra os machistas.
domingo, 8 de março de 2015
sábado, 7 de março de 2015
O "Exército de Cristo" evangélico: soa o sinal de alarme
Um dos fenômenos preocupantes do Brasil e que soa como um sinal de alarme para aqueles que acreditam que o país será "potência mundial" ou "coração do mundo" é o movimento chamado "Exército de Cristo", uma das piores aberrações ocorridas no âmbito da religião do país.
Trata-se de uma interpretação equivocada de certas traduções deturpadas e surreais da Bíblia, ou ao menos do Novo Testamento, que, não bastassem definir Jesus como o "Deus filho" ou o "Deus reencarnado", o definem como "Senhor dos Exércitos".
Os "Gladiadores do Altar", criado pela Igreja Universal do Reino de Deus, são um movimento evangélico que define aquilo que seus seguidores entendem como "cristão" como uma espécie de "guerreiro", e não raro aparecem cartazes com fotos de soldados em guerra ou mesmo de cavaleiros com armadura, à maneira medieval.
Existe até uma camiseta que inclui frases "cristãs" dentro de uma estampa que lembra os trajes em tons verdes de um soldado em missão de guerra. Vídeos também reforçam o caráter militaresco - que poderia dar até em problemas na Justiça, porque os "Gladiadores do Altar" insinuam um caráter paramilitar, o que é inconstitucional - , com alusões a batalhas e combates.
Para piorar as coisas, já existem, pelo menos, duas canções "gospel" com esse título, um do cantor Wilson Rocha e outro da banda Conexa, dos quais há todo um trocadilho entre a devoção religiosa que acreditam e a analogia da guerra. Vejamos:
Exercito de Cristo - Wilson Rocha (composição do próprio)
Pelo Senhor marchamos, sim
O seu exercito, poderoso é.
Sua glória será vista em toda terra.
Vamos cantar o canto da vitória:
GLORIA A DEUS
Vencemos a batalha
Toda arma contra nós, perecerá
O nosso general é Cristo
Seguimos os seus passos
Nenhum inimigo nos resistirá
O nosso general é Cristo
Seguimos os seus passos
Nenhum inimigo nos resistirá
Pelo Messias, marchamos (sim)
Em suas mãos a chave da vitória
que nos leva a construir a terra prometida
Vamos cantar o canto da vitória:
GLORIA A DEUS
Vencemos a batalha
Toda arma contra nós, perecerá
O nosso general é Cristo
Seguimos os seus passos
Nenhum inimigo nos resistirá
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Exército de Cristo - Conexa (composição de Pitter di Laura)
Todo guerreiro também sente medo
Isso é tão normal
Todo guerreiro também tem vontade de desistir
Nesses momentos tudo é tão escuro
Mas não é esse o fim
Quem é do exército de Jesus Cristo encontrará
A luz que está sempre a brilhar dentro dos corações
A luz que está sempre a brilhar dentro dos corações!
Sou guerreiro e não desisto
Sou do exército de Cristo (bis)
Não, eu não desisto!
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Com tanto surrealismo que acontece no Brasil, a situação é preocupante. Afinal, Jesus Cristo não teve o propósito de criar religiões - ele sabia que isso causaria ainda mais conflitos do que aqueles que viu em seu tempo e de um dos quais foi vítima fatal - , e muito menos pensava em formar um exército.
A evocação de Jesus Cristo ou mesmo de Deus como um líder de algum exército veio de traduções medievais da Bíblia, das quais surgiram as visões surreais e absurdas que hoje conhecemos, como um "mar se partindo ao meio" da história de Moisés ou o exagero de uma enchente que a arca de Noé enfrentou ter sido atribuída a um cataclisma que atingiu o mundo inteiro, não uma região específica.
Essa visão de Jesus Cristo ou Deus - o Catolicismo medieval chegava a creditá-los como uma mesma pessoa - como líder de algum exército foi o pretexto usado pelo Catolicismo Apostólico Romano, a religião totalitária criada pelo imperador Constantino, para permitir a realização das chamadas Cruzadas.
As Cruzadas eram verdadeiras forças bélicas, com soldados montados a cavalo que promoviam carnificinas sob o pretexto de combater os hereges e garantir a supremacia da "religião de Cristo" que era o sustentáculo religioso do Império Romano na época.
Em certo período da Idade Média, mais precisamente no século V, no ano 476 da nossa era, o Império Romano do Ocidente caiu e o Império Romano do Oriente, do qual Constantino era governante no seu tempo, se transformou no Império Bizantino e durou cerca de mil anos.
Esse cenário não representou o fim da Idade Média. Muito pelo contrário. A Idade Média durou até cerca do século XV, quando surgiram os primeiros conceitos que romperam com paradigmas sociológicos e religiosos que conduziam o padrão de vida medieval e a economia se transformava com as grandes navegações oceânicas, uma delas relacionada à origem do Brasil.
Mas a Idade Média influenciou práticas sanguinárias observadas sobretudo na Segunda Guerra Mundial e nos conflitos atuais do Oriente Médio. Do nazi-fascismo ao fundamentalismo islâmico, a herança do Catolicismo medieval é explícita.
O Brasil, virgem de tais manifestações - o máximo de obscurantismo de grande escala que tivemos foi a fase do AI-5 da ditadura militar e a violência do narcotráfico, da contravenção e do latifúndio, além de pequenos focos de neo-nazismo de grupos juvenis - , corre o sério perigo de virar um celeiro de movimentos de fanatismo religioso diversos.
A disputa do Catolicismo com os movimentos "protestante" e "espírita" pela supremacia religiosa criam um quadro preocupante no Brasil, contrariando todas as expectativas de país destinado à prosperidade e à liderança fraterna mundial.
O auge de uma crise de valores resultante do colapso social da ditadura militar e da corrupção generalizada surgida após seu fim, que cresceu de forma generalizada nos anos 90, revela ainda um grande risco de uma calamidade social a atingir o próprio Brasil.
A crise econômica e as diversas crises institucionais dão o sinal de um país que mais parece uma panela de pressão prestes a explodir ao lado de um barril de pólvora com o rastro aceso e uma garrafa de querosene adiante.
Isso se observa por diversos cantos e nos noticiários diversos e independente de qualquer plano ideológico. Portanto, a boa perspectiva de um Brasil paradisíaco a comandar um mundo em ruínas vinda de um simples sonho dorminhoco de Chico Xavier, é praticamente impossível de ser realizada, conforme o que vemos na dura realidade existente em nosso país.
sexta-feira, 6 de março de 2015
"Espiritismo" transforma o amor em "mercadoria"
O "espiritismo" brasileiro virou uma indústria de "palavras de amor" e pregações moralistas. Tudo se perde em palestras que, em sua maioria esmagadora, falam de Família, problemas emocionais, conflitos sentimentais etc, indo muito longe da essência da Doutrina Espírita.
Nem mesmo a desculpa da Psicologia, muito mal assimilada pelos pregadores "espíritas", convence para tentar justificar esse rol de discussões sem muito sentido, porque são temas banais, que por si só não resolvem, de tão genéricos, vagos e ideologicamente pouco edificantes.
Ninguém entende coisa alguma da realidade espírita, da vida após a morte e da reencarnação. Ainda descreveremos toda essa ignorância, que se torna a pior ignorância porque ela tenta se passar por uma pretensa sabedoria, afirmando entender bem uma ideia da qual nem mesmo se possui uma noção vaga ou provável.
Por isso, entre eventuais surtos de pseudo-ciência e de palestras ilustradas por cartazes mostrando o universo cósmico e uma silhueta de um humanoide de braços e pernas abertos, ou de cabeças humanoides em posições "reflexivas", o que impera são sempre as tais "palavras de amor".
E por que o "amor" virou uma grande mercadoria "espírita", se no "movimento espírita" seus ideólogos, líderes e seguidores sempre alardeiam de que seu maior princípio (em tese) é "dar de graça o que de graça receber".
Mas a "mercadoria" não aparece no sentido de um objeto do qual precisamos trocar por alguma quantidade de dinheiro. O "amor" é dado "de graça", mas seu preço está em outras unidades de troca, não necessariamente financeiras e, certamente, nada a ver com os fictícios "bônus-hora" de Nosso Lar.
PREÇO MUITO CARO
Há um preço muito caro para receber o "gratuito amor" das pregações "espíritas" no Brasil. Em primeiro lugar, é a conformação do sofrimento que se tornou um dos pilares da ideologia de Francisco Cândido Xavier. Se você é um desgraçado, fique "feliz" com isso e, quando a dor é insuportável, não gema de dor, mas ore em silêncio e sofra "amando".
Se você é um conformista e um conservador, as coisas ficam muito, muito fáceis. Não pensar em resolver as injustiças pessoais, ou, quando muito, só resolvê-las com a distribuição de sopinhas e donativos (roupas, alimentos, utensílios de limpeza etc), sem fazer uma ameaça ao status quo, garante que o "amor" venha pleno e distrubuído em abundância.
Basta o açúcar em doses diabéticas das palavras de Chico Xavier, um açúcar condimentado de valores católico-medievais, com seus ácidos que ardem diante da menor contrariedade. Porque as pessoas que seguem Chico Xavier são as mesmas que são incapazes de se alegrarem quando um seguidor seu no Facebook lhes encontra pessoalmente.
Sim, porque o amor do "espiritismo" não é um sentimento que exista no interior das pessoas. É uma mercadoria, ora! Uma ideia material, um amontoado de palavras, ritos, gestos e dogmas que nada têm a ver com a natureza do espírito, mas a uma forma materializada de "bem", só acessível diante da submissão a certos procedimentos.
Por exemplo, onde a lógica contraria certos procedimentos "espíritas", ela não pode ser exercida. A ciência só serve para legitimar as irregulares práticas de Chico Xavier, através de alguns critérios malandros, como os de acadêmicos da UFJF e outras instituições, que, sem consultar um único livro da década de 1940, se arrogaram a dizer que "André Luiz" antecipou conhecimentos científicos em seis décadas.
Se você, no entanto, duvidar da tese de que "André Luiz", em 1945, antecipou descobertas científicas, numa constatação acadêmica em que NENHUM LIVRO DA DÉCADA DE 1940 foi consultado, você não pode se manifestar. a tese mais lógica tem que ser descartada, senão aquele "amor" que você tanto espera dos "espíritas" não vem.
Mas se você acreditar neste e em outros absurdos, tudo bem. Seja travesseirinho com recorde de revista colado, fingindo materialização de algum falecido, em supostas psicografias que só apresentam a caligrafia do suposto médium, ou supostas psicofonias em que o dito médium faz um falsete alegando ser algum falecido que não deixou registros sonoros ao nosso dia, Se você achar que tudo isso é mediunidade autêntica, você "será amado".
Caso contrário, você será condenado à humilhante condição de "apegado aos juízos terrenos", à "severa avaliação das paixões materiais" e à "condenadora avaliação dos tiranos (sic) da razão", e não compartilhará da "inabalável força do amor".
É assim que funciona a ideologia surreal do "espiritismo" brasileiro, que busca criar um território só para si, cheio de fantasias, mistificações e mitificações. Sendo racional, o homo sapiens "espírita" é proibido de raciocinar. Não pensemos, apenas oremos e amemos.
No "espiritismo", o que vale são apenas os "olhos do coração". Só que o coração não funciona sem o cérebro. E, bem ou mal, somos seres dotados de capacidade de raciocínio, uma prática considerada "perigosa" pelo "movimento espírita". Mas o raciocínio humano tem razões que o "espiritismo" desconhece.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Parágrafo do espírito Erasto derrota de uma vez por todas FEB, Chico Xavier e Divaldo Franco
O espírito Erasto, que havia sido discípulo de São Paulo (o Paulo de Tarso que havia se convertido de anti-cristo a divulgador do Cristianismo primitivo), havia enviado uma mensagem a um dos médiuns consultados por Allan Kardec, em Paris, em 1862;
Sabe-se do teor da mensagem, um alerta grave sobre os perigos da Doutrina Espírita ser deturpada por seus aparentes seguidores, sendo vários deles, na verdade, inimigos da doutrina de Kardec e empenhados em eliminar dela toda sua essência.
Pois um dos parágrafos da referida mensagem se refere aos erros cometidos pela deturpação do Espiritismo, e que mostra a firmeza do espírito de Erasto, que nesta mensagem não iria enganar nem mistificar, diante de graves palavras de advertência que, infelizmente, não foram devidamente seguidas.
Pior: o que vimos foi o Espiritismo encontrar, no Brasil, um terreno propício para as mais pérfidas deturpações, para o mais deplorável canalhismo e a mais vergonhosa canastrice travestidas de "lições de amor e fraternidade", resultando num sistema moralista dos mais rígidos, porém hipócritas.
A hipocrisia é tanta que os astros do "espiritismo" brasileiro, como Chico Xavier e Divaldo Franco, chegam mesmo a dizer que "condenam a hipocrisia", quando são eles os envolvidos nas mais vergonhosas fraudes e mistificações que iludem muitos seguidores.
O parágrafo de Erasto, se fosse devidamente seguido e honestamente interpretado, derrotaria de uma vez por todas, num nocaute fulminante, qualquer chance de mérito para Chico Xavier, Divaldo Franco e outros astros e líderes da Federação "Espírita" Brasileira. Não tem sequer como discutir. Eis o parágrafo:
"Mas há ainda muitos outros meios de os reconhecer. Os Espíritos da ordem a que eles dizem pertencer, devem ser não somente muito bons, mas também eminentemente racionais. Pois bem: passai os seus sistemas pelo crivo da razão e do bom-senso, e vereis o que restará. Então concordareis comigo em que, sempre que um Espírito indicar, como remédio para os males da Humanidade, ou como meios de realizar a sua transformação, medidas utópicas e impraticáveis, pueris e ridículas, ou quando formula um sistema contraditado pelas mais corriqueiras noções científicas, só pode ser um Espírito ignorante e mentiroso".
A princípio, Erasto se refere aos espíritos desencarnados, mas também podem se referir aos anti-médiuns e ao resto do "movimento espírita", porque eles mesmos se submetem a todo um sistema de mistificações e fraudes decididos por espíritos traiçoeiros, que, segundo Erasto, "fingindo amor e caridade", "para melhor fascinar os que desejam enganar, e para dar maior importâncias às suas teorias, disfarçam-se inescrupulosamente com nomes que os homens só pronunciam com respeito".
Se passarmos os sistemas de ideias desenvolvidas por Chico Xavier e Divaldo Franco para a mais rigorosa apreciação lógica, se verá que eles não têm a menor validade. Os erros que os dois cometeram não dá margem a relativismos, e é assustador que há quem acredite em recuperar as bases kardecianas lendo as obras fraudulentas desses dois, cheias de plágios, inverdades e erros de informação e dados históricos.
Se um espírito indica, como remédio para os males da Humanidade, ou como medidas para transformá-la, ideias fantasiosas e impraticáveis, pueris e ridículas diante da complexidade do mundo em que vivemos, ele é ignorante e mentiroso, consistindo num erro a ser eliminado com a máxima firmeza.
Se esse espírito formula um sistema de ideias cujo conteúdo é desmentido pela mais simples noção científica e pelo mais singelo, porém honesto, raciocínio lógico, ele constitui num mistificador e enganador da pior espécie.
CHICO E DIVALDO
Vamos então explicar, antes que a torrente de lágrimas e o barulho de ranger dos dentes anuncie o desespero psicótico dos seguidores de Chico Xavier e Divaldo Franco, os erros que os dois basicamente cometeram em suas trajetórias (e Divaldo continua cometendo).
Chico Xavier é associado a práticas supostamente mediúnicas que não são dificilmente contestáveis ao menor apreço da lógica. Sendo o livro Parnaso de Além-Túmulo, que explicitamente destoa dos estilos originais dos poetas creditados, ou as supostas materializações em que até pequenos travesseiros são usados para neles colar recortes de revistas, entre tantas coisas, o que se observa é que Chico cometeu inúmeras fraudes.
Uma de suas "soluções" para transformar e salvar a Humanidade é o tal "silêncio da prece". Se alguém sofre o pior flagelo do sofrimento, a pessoa terá que aguentar tudo isso sem reclamar, bastando apenas "sofrer amando" (?!) e orando esperando que o tempo afaste tamanho infortúnio. Eis a "medida pueril e ridícula" que tanto nos advertiu Erasto.
Divaldo Franco também fez plágios em livros, e ainda comete o descaramento de realizar falsetes, sob o pretexto de realizar psicofonias, se aproveitando de personalidades do século XIX que não deixaram registros sonoros, já que o fonógrafo era uma invenção recente (1877) e pouquíssimo acessível.
Ele também compartilha do "silêncio da prece" e ainda recomenda o "Pai Nosso" até às pessoas que estão na beira da revolta. Mas sabe-se que não é assim que se resolvem sentimentos de raiva e essas "doces recomendações" mais aumentam a fúria do que criam condições para acalmar os revoltados.
Esses dois anti-médiuns são figuras nada confiáveis para a transmissão de ideais espíritas. Os erros que eles cometeram foram muitos e muito graves. Mentiras e mistificações foram servidas por eles com suas dóceis retóricas, e não há relativização que possa reabilitá-los como representantes brasileiros da doutrina de Allan Kardec.
Chico e Divaldo foram REPROVADOS e não merecem crédito como líderes espíritas nem como ativistas sociais. Os dois fizeram muito pouco pela caridade, quase nada, e, quando a fizeram, foi sob o preço da mistificação religiosa e da pregação moralista. Eles cometeram os erros advertidos muito antes por Erasto, e, uma vez cometidos, esses erros apontam para a mais firme reprovação.
terça-feira, 3 de março de 2015
Chico Xavier e a "felicidade" da Copa de 2002
RICARDO TEIXEIRA - O brasileiro que realmente ficou feliz no dia em que Chico Xavier morreu.
Consta-se, quando Francisco Cândido Xavier faleceu, em 30 de junho de 2002, que veio à tona uma antiga declaração do anti-médium mineiro, de que ele morreria no dia de muita felicidade para o Brasil.
A Seleção Brasileira de Futebol venceu pela quinta vez uma Copa do Mundo, vencendo uma partida contra a Seleção da Alemanha (que "daria o troco" numa humilhante derrota em 2014). Mas o time brasileiro nem de longe teve um desempenho confiável ou exemplar, tendo feito, justamente na Copa do Mundo de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, a pior campanha de sua carreira.
A seleção jogou mal tanto nas partidas preparatórias para a Copa de 2002 no ano anterior, quanto em todo o evento, com incidentes que incluíram irregularidade de um juiz coreano em favor dos jogadores brasileiros e um desempenho desastroso contra a Seleção da Inglaterra quando Ronaldinho Gaúcho perdeu a cabeça e foi expulso do campo. Os brasileiros, apesar disso, venceram a partida.
A vitória da Seleção Brasileira de Futebol em 2002 teve um sabor de derrota. Mais tarde, quando livros sobre a corrupção do futebol revelaram os bastidores do esporte, soube-se que a "histórica vitória" de 2002 não foi mais do que uma armação montada por Ricardo Teixeira e João Havelange para alavancar seu poder, respectivamente, na CBF e na FIFA.
É só ler os livros O Lado Sujo do Futebol, de Amaury Ribeiro Jr., Luiz Carlos Azenha e outros, e Jogo Sujo e Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, estes dois livros do repórter britânico Andrew Jennings, para perceber as negociações e acordos que vão desde manipulação de resultados de partidas a compras de dirigentes esportivos regionais.
A "vitória brasileira" foi um resultado que mais serviu aos interesses dos dirigentes esportivos do que aos torcedores de futebol, enganados pela mídia esportiva que exaltava uma equipe insegura, sem jogadas confiáveis, com jogadores "estrangeiros" (que jogavam em clubes fora do Brasil) que não tinham entrosamento entre si
As vitórias em partidas só ocorreram por uma questão de "sorte". Ou não seria "$orte"? Em todo caso, o "penta do Brasil", aliado ao falecimento do dito "maior líder espírita" do país, representa a tese tendenciosa de um país supostamente destinado a ser o "Coração do Mundo".
E A VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS?
Para o "espiritismo", os torneios mundiais de futebol seriam uma forma do Brasil promover a "solidariedade dos povos", mostrando a aparente hospitalidade brasileira que impulsionaria a nação a se ascender na comunidade das nações por conta dessa "lição de fraternidade".
Com base nessa tese, leva-se a crer que o futebol, não bastasse ser um entretenimento supervalorizado pela grande mídia, seria, a partir das pregações de Chico Xavier, uma das chaves para impulsionar o Brasil para a liderança mundial, graças ao mito de que o futebol seria uma forma de promover a fraternidade, a cidadania e o desapego aos instintos criminosos.
Então tá. Mas essa tese não consegue explicar por que existem "irmãozinhos sofredores" que se reúnem em torcidas organizadas para cometer vandalismos e atos de violência , não raro homicidas. Os chiquistas, neste caso, fazem o coro dos porta-vozes do cartolato eletrônico, fantoches televisivos de Ricardo Teixeira e similares, alegando que esses truculentos "não gostam de futebol".
Isso, além de ser um grande equívoco - as torcidas organizadas gostam de futebol, sim, até mais do que qualquer coisa na vida - , cria um preconceito cruel contra quem não curte futebol, que é visto como "socialmente intolerante", "psicologicamente problemático" e "chato", para não dizer coisas bem piores.
Como é que o "espiritismo" poderá explicar como os "irmãozinhos sofredores" das torcidas organizadas querem impedir o "espetáculo da fraternidade" que transformará o Brasil na "nação mais iluminada do planeta" é algo que fica muito complicado.
Mas no rol de surrealismos que envolve o "espiritismo" brasileiro, Chico Xavier, falecido 14 anos depois do falecimento de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, foi realmente o homem que veio para confundir e não para explicar.
Coitado do falecido apresentador, que era bem menos complicado do que o anti-médium, este marcado pelo jogo de contradições que transformou Chico Xavier em um quase deus, endeusado às custas da exposição sensacionalista e exótica de suas fragilidades.
FELICIDADE?
Que "felicidade" sugere uma campanha de futebol da Seleção Brasileira? A ilusão de que o futebol necessariamente tira jovens e crianças da criminalidade, e promove a solidariedade dos diferentes povos do planeta tem caraterísticas bastante duvidosas para tais pretensões virtuosas.
Primeiro, porque nos bastidores do futebol, conforme o jornalismo investigativo revelou, aponta para esquemas de corrupção que envolvem até associações com a Máfia, além de um grande esquema de roubalheira que alimenta fortunas através de esquemas que envolvem até empresas "fantasmas".
Segundo, porque a própria natureza competitiva do futebol estimula rivalidades e cria nos jogadores práticas que envolvem até uso ilegal de estimulantes, que é o doping. Sem falar que o estrelato revela depois a tentação do álcool, do qual o jogador brasileiro Mané Garrincha e o inglês George Best são dois exemplos trágicos, e drogas, do qual o argentino Diego Maradona é um exemplo.
O fanatismo esportivo é um efeito da histeria que o futebol causa no Brasil, com a pressão midiática que envenena os instintos dos torcedores. E que mostra o lado infeliz que pouco tem a ver com "irmãozinhos sofredores que não gostam de futebol" e usam o esporte para agredir inimigos, mas com a natureza do futebol como um ninho de rivalidades e competições nem sempre justas.
Daí que não dá para usar o futebol para confirmar as supostas previsões de Chico Xavier de que, a partir de espetáculos como a Copa do Mundo de 2014, o Brasil construiria a sua missão mundial de promover a solidariedade e a fraternidade. O que o referido evento da FIFA fez foi apenas criar mais crise entre tantas que assolam o nosso país.
Consta-se, quando Francisco Cândido Xavier faleceu, em 30 de junho de 2002, que veio à tona uma antiga declaração do anti-médium mineiro, de que ele morreria no dia de muita felicidade para o Brasil.
A Seleção Brasileira de Futebol venceu pela quinta vez uma Copa do Mundo, vencendo uma partida contra a Seleção da Alemanha (que "daria o troco" numa humilhante derrota em 2014). Mas o time brasileiro nem de longe teve um desempenho confiável ou exemplar, tendo feito, justamente na Copa do Mundo de 2002, no Japão e na Coreia do Sul, a pior campanha de sua carreira.
A seleção jogou mal tanto nas partidas preparatórias para a Copa de 2002 no ano anterior, quanto em todo o evento, com incidentes que incluíram irregularidade de um juiz coreano em favor dos jogadores brasileiros e um desempenho desastroso contra a Seleção da Inglaterra quando Ronaldinho Gaúcho perdeu a cabeça e foi expulso do campo. Os brasileiros, apesar disso, venceram a partida.
A vitória da Seleção Brasileira de Futebol em 2002 teve um sabor de derrota. Mais tarde, quando livros sobre a corrupção do futebol revelaram os bastidores do esporte, soube-se que a "histórica vitória" de 2002 não foi mais do que uma armação montada por Ricardo Teixeira e João Havelange para alavancar seu poder, respectivamente, na CBF e na FIFA.
É só ler os livros O Lado Sujo do Futebol, de Amaury Ribeiro Jr., Luiz Carlos Azenha e outros, e Jogo Sujo e Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, estes dois livros do repórter britânico Andrew Jennings, para perceber as negociações e acordos que vão desde manipulação de resultados de partidas a compras de dirigentes esportivos regionais.
A "vitória brasileira" foi um resultado que mais serviu aos interesses dos dirigentes esportivos do que aos torcedores de futebol, enganados pela mídia esportiva que exaltava uma equipe insegura, sem jogadas confiáveis, com jogadores "estrangeiros" (que jogavam em clubes fora do Brasil) que não tinham entrosamento entre si
As vitórias em partidas só ocorreram por uma questão de "sorte". Ou não seria "$orte"? Em todo caso, o "penta do Brasil", aliado ao falecimento do dito "maior líder espírita" do país, representa a tese tendenciosa de um país supostamente destinado a ser o "Coração do Mundo".
E A VIOLÊNCIA DAS TORCIDAS?
Para o "espiritismo", os torneios mundiais de futebol seriam uma forma do Brasil promover a "solidariedade dos povos", mostrando a aparente hospitalidade brasileira que impulsionaria a nação a se ascender na comunidade das nações por conta dessa "lição de fraternidade".
Com base nessa tese, leva-se a crer que o futebol, não bastasse ser um entretenimento supervalorizado pela grande mídia, seria, a partir das pregações de Chico Xavier, uma das chaves para impulsionar o Brasil para a liderança mundial, graças ao mito de que o futebol seria uma forma de promover a fraternidade, a cidadania e o desapego aos instintos criminosos.
Então tá. Mas essa tese não consegue explicar por que existem "irmãozinhos sofredores" que se reúnem em torcidas organizadas para cometer vandalismos e atos de violência , não raro homicidas. Os chiquistas, neste caso, fazem o coro dos porta-vozes do cartolato eletrônico, fantoches televisivos de Ricardo Teixeira e similares, alegando que esses truculentos "não gostam de futebol".
Isso, além de ser um grande equívoco - as torcidas organizadas gostam de futebol, sim, até mais do que qualquer coisa na vida - , cria um preconceito cruel contra quem não curte futebol, que é visto como "socialmente intolerante", "psicologicamente problemático" e "chato", para não dizer coisas bem piores.
Como é que o "espiritismo" poderá explicar como os "irmãozinhos sofredores" das torcidas organizadas querem impedir o "espetáculo da fraternidade" que transformará o Brasil na "nação mais iluminada do planeta" é algo que fica muito complicado.
Mas no rol de surrealismos que envolve o "espiritismo" brasileiro, Chico Xavier, falecido 14 anos depois do falecimento de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, foi realmente o homem que veio para confundir e não para explicar.
Coitado do falecido apresentador, que era bem menos complicado do que o anti-médium, este marcado pelo jogo de contradições que transformou Chico Xavier em um quase deus, endeusado às custas da exposição sensacionalista e exótica de suas fragilidades.
FELICIDADE?
Que "felicidade" sugere uma campanha de futebol da Seleção Brasileira? A ilusão de que o futebol necessariamente tira jovens e crianças da criminalidade, e promove a solidariedade dos diferentes povos do planeta tem caraterísticas bastante duvidosas para tais pretensões virtuosas.
Primeiro, porque nos bastidores do futebol, conforme o jornalismo investigativo revelou, aponta para esquemas de corrupção que envolvem até associações com a Máfia, além de um grande esquema de roubalheira que alimenta fortunas através de esquemas que envolvem até empresas "fantasmas".
Segundo, porque a própria natureza competitiva do futebol estimula rivalidades e cria nos jogadores práticas que envolvem até uso ilegal de estimulantes, que é o doping. Sem falar que o estrelato revela depois a tentação do álcool, do qual o jogador brasileiro Mané Garrincha e o inglês George Best são dois exemplos trágicos, e drogas, do qual o argentino Diego Maradona é um exemplo.
O fanatismo esportivo é um efeito da histeria que o futebol causa no Brasil, com a pressão midiática que envenena os instintos dos torcedores. E que mostra o lado infeliz que pouco tem a ver com "irmãozinhos sofredores que não gostam de futebol" e usam o esporte para agredir inimigos, mas com a natureza do futebol como um ninho de rivalidades e competições nem sempre justas.
Daí que não dá para usar o futebol para confirmar as supostas previsões de Chico Xavier de que, a partir de espetáculos como a Copa do Mundo de 2014, o Brasil construiria a sua missão mundial de promover a solidariedade e a fraternidade. O que o referido evento da FIFA fez foi apenas criar mais crise entre tantas que assolam o nosso país.
segunda-feira, 2 de março de 2015
Erasto previu a calamidade do "espiritismo" brasileiro
Erasto, o discípulo de São Paulo, teria se manifestado em 1862 num dos médiuns consultados por Allan Kardec, em Paris, e havia dado um alerta a respeito de quem seriam os verdadeiros inimigos da Doutrina Espírita.
Sem especificar nomes, até porque ele não quis denominar as pessoas, pois isso não importa, já que o que importa é toda uma série de atitudes, procedimentos e crenças, Erasto, em grave advertência, preveniu que os piores inimigos do Espiritismo estavam dentro da doutrina.
Kardec já havia descrito sobre charlatães e falsos profetas, enumerando desde espíritos traiçoeiros do além até mesmo supostos médiuns que cobravam dinheiro para fazer consultas ou curas, mas sem excluir aqueles que se fazem por "honestos" mas que em dado momento sempre aprontam alguma irregularidade.
Os piores inimigos do Espiritismo, que ensaiaram a deturpação da doutrina de Allan Kardec na própria França, após o falecimento do pedagogo, foram os responsáveis pelo engodo religioso que se constituiu no "movimento espírita" brasileiro.
Que piores inimigos a Doutrina Espírita pode encontrar, senão os "renomados" Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, roustanguistas que adotam uma postura "suave" e forjam uma reputação de pseudo-sábios, para enganar as pessoas com uma retórica pretensamente fraternal e uma missão supostamente filantrópica?
Através deles e de um rol de seguidores e colaboradores, o "espiritismo" brasileiro trai o cientificismo de Allan Kardec através de um moralismo religioso de moldes medievais, expresso até mesmo em mensagens apócrifas de cartas, livros e até quadros e outros recursos de linguagem que usurpam os nomes dos mortos para dizerem as mesmas pregações.
Toda fraude, todo tipo de mistificação acontece, em que o manto da "caridade" e da "fraternidade" cobrem como um forro comprido a acobertar com sua longa roupagem as sujeiras que se faz em nome do "espiritismo".
Erasto havia prevenido tudo isso, e nada foi feito para fazer a devida prevenção. Pelo contrário: se a França não se escravizou totalmente à leviandade roustanguista, o Brasil se subjugou às suas influências, dentro de todo um rol de mentiras e fraudes engenhosamente armadas de modo que nem a Justiça e nem a Ciência possam derrotar seus lobos fantasiados nos mais tenros cordeiros do bem.
Segue o texto de Erasto, que preveniu, duas décadas antes da fundação da Federação "Espírita" Brasileira, sobre as armadilhas que, no Brasil, fizeram a Doutrina Espírita se transformar num celeiro de "bezerras de ouro", "francos-aliciadores", jesuítas falsamente "kardecizados" e "chiqueiros de mensagens dóceis e meigas":
"Os falsos profetas não existem apenas entre os encarnados, mas também, e muito mais numerosos, entre os Espíritos orgulhosos que, fingindo amor e caridade, semeiam a desunião e retardam o trabalho de emancipação da Humanidade, impingindo-lhe os seus sistemas absurdos, através dos médiuns que os servem. Esses falsos profetas, para melhor fascinar os que desejam enganar, e para dar maior importâncias às suas teorias, disfarçam-se inescrupulosamente com nomes que os homens só pronunciam com respeito.
São eles que semeiam os germes das discórdias entre os grupos que os levam isolar-se uns dos outros e a se olharem com prevenções. Bastaria isso para os desmascarar. Porque, assim agindo, eles mesmos oferecem o mais completo desmentido ao que dizem ser. Cegos, portanto, são os homens que se deixam enganar de maneira tão grosseira.
Mas há ainda muitos outros meios de os reconhecer. Os Espíritos da ordem a que eles dizem pertencer, devem ser não somente muito bons, mas também eminentemente racionais. Pois bem: passai os seus sistemas pelo crivo da razão e do bom-senso, e vereis o que restará. Então concordareis comigo em que, sempre que um Espírito indicar, como remédio para os males da Humanidade, ou como meios de realizar a sua transformação, medidas utópicas e impraticáveis, pueris e ridículas, ou quando formula um sistema contraditado pelas mais corriqueiras noções científicas, só pode ser um Espírito ignorante e mentiroso.
Lembrai-vos, ainda, de que, quando uma verdade deve ser revelada à Humanidade, ela é comunicada, por assim dizer, instantaneamente, a todos os grupos sérios que possuem médiuns sérios, e não a este ou aquele, com exclusão dos outros. Ninguém é médium perfeito, se estiver obsedado, e há obsessão evidente quando um médium só recebe comunicações de um determinado Espírito, por mais elevado que este pretenda ser. Em conseqüência, todo médium e todo grupo que se julguem privilegiados, em virtude de comunicações que só eles podem receber, e que, além disso, se sujeitam a práticas supersticiosas, encontram-se indubitavelmente sob uma obsessão bem caracterizada. Sobretudo quando o Espírito dominante se vangloria de um nome que todos, Espíritos e encarnados, devemos honrar e respeitar, não deixando que seja comprometido a todo instante.
É incontestável que, submetendo-se ao cadinho da razão e da lógica toda a observação sobre os Espíritos e todas as suas comunicações, será fácil rejeitar o absurdo e o erro. Um médium pode ser fascinado e um grupo enganado; mas, o controle severo dos outros grupos, com o auxílio do conhecimento adquirido, e a elevada autoridade moral dos dirigentes de grupos, as comunicações dos principais médiuns, marcadas pelo cunho da lógica e da autenticidade dos Espíritos mais sérios, rapidamente farão desmascarar esses ditados mentirosos e astuciosos, procedentes de uma turba de Espíritos mistificadores ou malfazejos".
ERASTO
Discípulo de São Paulo
Paris, 1862
domingo, 1 de março de 2015
Como os cientistas irão se virar no "Coração do Mundo"?
O FÍSICO ALEMÃO ALBERT EINSTEIN É VULGARMENTE CONHECIDO MAIS POR ESSE GESTO DO QUE POR SUAS IDEIAS.
Oficialmente, a "maravilhosa profecia" sonhada por Francisco Cândido Xavier em 1969 sugere que a nata da comunidade científica irá se reunir e florescer no Brasil, com muitos cientistas estrangeiros fugindo de catástrofes e atos terroristas no exterior e vários cientistas brasileiros se destacando plenamente em suas atividades.
É uma ideia maravilhosa, que lota "centros espíritas" e faz muitos deslumbrados continuarem compartilhando frases de Chico Xavier no Facebook, enquanto especialistas em Photoshop correm imediatamente para a busca do Google para procurar fotos de um céu azul com nuvens e sol brilhando para inserir uma foto recortada de Chico e uma de suas frases dóceis junto.
No entanto, como nós somos realistas, ficamos perguntando: como se dará esse quadro fantástico, se os cientistas no Brasil sofrem muito preconceito de boa parte da opinião pública, é desprezado pela grande mídia e não recebe sequer verbas para realizar pelo menos metade de suas pesquisas urgentes?
A imagem dos cientistas é tão negativa que o que mais marca na mente dos leigos a respeito da lembrança do físico alemão Albert Einstein é tão somente a foto em que ele aparece mostrando a língua. "Deve estar zoando com a gente", diria um internauta médio.
Indo para as livrarias, observa-se que o que as pessoas menos leem são livros de ciências, pelo menos as Ciências Humanas. Quando prestam concursos públicos ou estudam para a faculdade, ainda leem livros sobre leis, fatos históricos ou conceitos de Matemática. Mas, fora isso, o hábito de leitura, que já não é tão regular, é qualitativamente deprimente.
O que se costuma ler são livros sobre diários juvenis sobre coisa nenhuma, aventuras de terror e fantasia ambientados na Idade Média - Emmanuel iria adorar - e (bingo!) livros de auto-ajuda, incluindo os tenebrosos livros de Chico Xavier e Divaldo Franco, ou de figuras recentes e atrapalhadas como Robson Monteiro e João Carlos de Lucca.
Enquanto isso, as mídias sociais rejeitam todo tipo de trabalho intelectual. Mas o pior não é isso, esse preconceito que atinge pessoas que aproveitam melhor sua capacidade de raciocinar e as faz vítimas de cyberbullying, mas a própria leviandade que é feita dentro dos meios intelectuais brasileiros.
Isso ocorre sobretudo nas Ciências Humanas. Nos últimos anos, houve uma onda de jornalistas, cineastas documentaristas e cientistas sociais, que se julgavam especializados em cultura popular brasileira, etnografia, história social e tudo o mais, que fizeram campanha para que o Brasil aceitasse todo tipo de degradação cultural, sob a desculpa de "romper o preconceito".
E as ciências propriamente ditas? Pessoas preocupadas em saber se tocar a macarena vai fazer os tomates crescerem melhor ou não ou se um jato de água posicionado ao Leste influi na melhor irrigação da grama.
Enquanto isso, há gente orgulhosa em odiar ler livros, pessoas que entram na Universidade apenas visando o diploma e gente que, movida pela ilusão de que "já nasceu inteligente" - estimulada apenas porque consome mais "informações" na Internet desde a infância - , não precisa mais conhecer melhor as coisas, sem perceber que se tornam ainda mais burras e estúpidas.
E como é que um quadro desses, muito comum no Brasil, vai fazer com que nossos cientistas e intelectuais florescessem a partir da tal "data-limite", com toda a nata da sociedade pensante aterrizando no Galeão, Congonhas e Cumbica, para se instalar em nossas terras e apoiar os irmãos tão ou mais sapientes?
E os nossos melhores cientistas, como é que vão arrumar dinheiro para que, a partir de 2019, tenham o merecido destaque, capazes de desviar as atenções das sub-celebridades que acumulam milhares e milhares de seguidores do Instagram, só porque inventam sentido a coisas sem a menor importância?
Tudo parece lindo, fascinante, confortador e animador na "profecia" de Chico Xavier. Mas o Brasil impõe suas limitações que prejudicam as atividades intelectuais e científicas, que vão da depreciação da imagem do cientista no país e na falta de investimentos financeiros à essa classe em seus diversos tipos e atividades.
O próprio Chico Xavier também nunca ajudou. Afinal, ele defendeu a ditadura militar que acabou com nossos melhores pensadores e, quando muito, desmoralizou, marginalizou ou empobreceu vários deles. O próprio "reino de amor" que Chico afirmava ser construído pelos generais impediu a ascensão do que temos de melhor entre cientistas e pensadores.
Além do mais, Chico sempre preferiu a oração em silêncio do que a mobilização e o questionamento. O máximo de mudanças estava na caridade paliativa das esmolas e donativos, ou de "cursos escolares" dados "gratuitamente", mas sob o preço caríssimo do proselitismo religioso. Claro, ninguém é obrigado a ser "espírita", mas acaba fatalmente aprendendo suas crenças.
O que esperar dessa condenação ao questionamento, à contestação e ao exame, tão conhecido das frases dóceis de Chico e dos argumentos severos de Emmanuel, senão a campanha severa contra o pensamento científico, o debate e o argumento lógico?
Só isso já derruba a tese de que, depois da "data-limite", o Brasil trará fatalmente momentos positivos para a ciência e, se algum avanço ocorrer, não será ainda de maneira fabulosa e será em função de muito trabalho, muita conscientização que passará a anos-luz de distância das pregações e visões surreais do anti-médium de Pedro Leopoldo.
Para o "movimento espírita", a atividade científica só é válida nos limites que não atingem os absurdos e as irregularidades do "espiritismo", com sua "mediunidade" feita no mais completo grau de corrupção e falsidade ideológica, limites nos quais só cabe à ciência, neste caso, dizer "amém" e ficar na sua.
Infelizmente, o "espiritismo" brasileiro cria um território todo seu de absurdos, surrealismos e corrupção, que têm que ser aceitas sob a desculpa da "tolerância religiosa" e do "respeito da fé". Podem ocorrer mil prejuízos, que o surrealismo não pode se ceder sequer às mais rigorosas provas do questionamento científico e do exame investigativo.
O "mistério" da "fé espírita", para seus seguidores, tem que ser preservado intocável, com todas suas contradições, irregularidades e equívocos, mesmo graves. Qualquer investigação científica que vier, com todas suas provas rigorosas e seus argumentos precisos, será desqualificada e rebaixada a "julgamento material dos homens da terra".
Portanto, a ciência do supostamente futuro "coração do mundo" continuará em situação tão problemática quanto agora.
Oficialmente, a "maravilhosa profecia" sonhada por Francisco Cândido Xavier em 1969 sugere que a nata da comunidade científica irá se reunir e florescer no Brasil, com muitos cientistas estrangeiros fugindo de catástrofes e atos terroristas no exterior e vários cientistas brasileiros se destacando plenamente em suas atividades.
É uma ideia maravilhosa, que lota "centros espíritas" e faz muitos deslumbrados continuarem compartilhando frases de Chico Xavier no Facebook, enquanto especialistas em Photoshop correm imediatamente para a busca do Google para procurar fotos de um céu azul com nuvens e sol brilhando para inserir uma foto recortada de Chico e uma de suas frases dóceis junto.
No entanto, como nós somos realistas, ficamos perguntando: como se dará esse quadro fantástico, se os cientistas no Brasil sofrem muito preconceito de boa parte da opinião pública, é desprezado pela grande mídia e não recebe sequer verbas para realizar pelo menos metade de suas pesquisas urgentes?
A imagem dos cientistas é tão negativa que o que mais marca na mente dos leigos a respeito da lembrança do físico alemão Albert Einstein é tão somente a foto em que ele aparece mostrando a língua. "Deve estar zoando com a gente", diria um internauta médio.
Indo para as livrarias, observa-se que o que as pessoas menos leem são livros de ciências, pelo menos as Ciências Humanas. Quando prestam concursos públicos ou estudam para a faculdade, ainda leem livros sobre leis, fatos históricos ou conceitos de Matemática. Mas, fora isso, o hábito de leitura, que já não é tão regular, é qualitativamente deprimente.
O que se costuma ler são livros sobre diários juvenis sobre coisa nenhuma, aventuras de terror e fantasia ambientados na Idade Média - Emmanuel iria adorar - e (bingo!) livros de auto-ajuda, incluindo os tenebrosos livros de Chico Xavier e Divaldo Franco, ou de figuras recentes e atrapalhadas como Robson Monteiro e João Carlos de Lucca.
Enquanto isso, as mídias sociais rejeitam todo tipo de trabalho intelectual. Mas o pior não é isso, esse preconceito que atinge pessoas que aproveitam melhor sua capacidade de raciocinar e as faz vítimas de cyberbullying, mas a própria leviandade que é feita dentro dos meios intelectuais brasileiros.
Isso ocorre sobretudo nas Ciências Humanas. Nos últimos anos, houve uma onda de jornalistas, cineastas documentaristas e cientistas sociais, que se julgavam especializados em cultura popular brasileira, etnografia, história social e tudo o mais, que fizeram campanha para que o Brasil aceitasse todo tipo de degradação cultural, sob a desculpa de "romper o preconceito".
E as ciências propriamente ditas? Pessoas preocupadas em saber se tocar a macarena vai fazer os tomates crescerem melhor ou não ou se um jato de água posicionado ao Leste influi na melhor irrigação da grama.
Enquanto isso, há gente orgulhosa em odiar ler livros, pessoas que entram na Universidade apenas visando o diploma e gente que, movida pela ilusão de que "já nasceu inteligente" - estimulada apenas porque consome mais "informações" na Internet desde a infância - , não precisa mais conhecer melhor as coisas, sem perceber que se tornam ainda mais burras e estúpidas.
E como é que um quadro desses, muito comum no Brasil, vai fazer com que nossos cientistas e intelectuais florescessem a partir da tal "data-limite", com toda a nata da sociedade pensante aterrizando no Galeão, Congonhas e Cumbica, para se instalar em nossas terras e apoiar os irmãos tão ou mais sapientes?
E os nossos melhores cientistas, como é que vão arrumar dinheiro para que, a partir de 2019, tenham o merecido destaque, capazes de desviar as atenções das sub-celebridades que acumulam milhares e milhares de seguidores do Instagram, só porque inventam sentido a coisas sem a menor importância?
Tudo parece lindo, fascinante, confortador e animador na "profecia" de Chico Xavier. Mas o Brasil impõe suas limitações que prejudicam as atividades intelectuais e científicas, que vão da depreciação da imagem do cientista no país e na falta de investimentos financeiros à essa classe em seus diversos tipos e atividades.
O próprio Chico Xavier também nunca ajudou. Afinal, ele defendeu a ditadura militar que acabou com nossos melhores pensadores e, quando muito, desmoralizou, marginalizou ou empobreceu vários deles. O próprio "reino de amor" que Chico afirmava ser construído pelos generais impediu a ascensão do que temos de melhor entre cientistas e pensadores.
Além do mais, Chico sempre preferiu a oração em silêncio do que a mobilização e o questionamento. O máximo de mudanças estava na caridade paliativa das esmolas e donativos, ou de "cursos escolares" dados "gratuitamente", mas sob o preço caríssimo do proselitismo religioso. Claro, ninguém é obrigado a ser "espírita", mas acaba fatalmente aprendendo suas crenças.
O que esperar dessa condenação ao questionamento, à contestação e ao exame, tão conhecido das frases dóceis de Chico e dos argumentos severos de Emmanuel, senão a campanha severa contra o pensamento científico, o debate e o argumento lógico?
Só isso já derruba a tese de que, depois da "data-limite", o Brasil trará fatalmente momentos positivos para a ciência e, se algum avanço ocorrer, não será ainda de maneira fabulosa e será em função de muito trabalho, muita conscientização que passará a anos-luz de distância das pregações e visões surreais do anti-médium de Pedro Leopoldo.
Para o "movimento espírita", a atividade científica só é válida nos limites que não atingem os absurdos e as irregularidades do "espiritismo", com sua "mediunidade" feita no mais completo grau de corrupção e falsidade ideológica, limites nos quais só cabe à ciência, neste caso, dizer "amém" e ficar na sua.
Infelizmente, o "espiritismo" brasileiro cria um território todo seu de absurdos, surrealismos e corrupção, que têm que ser aceitas sob a desculpa da "tolerância religiosa" e do "respeito da fé". Podem ocorrer mil prejuízos, que o surrealismo não pode se ceder sequer às mais rigorosas provas do questionamento científico e do exame investigativo.
O "mistério" da "fé espírita", para seus seguidores, tem que ser preservado intocável, com todas suas contradições, irregularidades e equívocos, mesmo graves. Qualquer investigação científica que vier, com todas suas provas rigorosas e seus argumentos precisos, será desqualificada e rebaixada a "julgamento material dos homens da terra".
Portanto, a ciência do supostamente futuro "coração do mundo" continuará em situação tão problemática quanto agora.
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