domingo, 21 de janeiro de 2018

Os "médiuns espíritas" cometem traições e você nem liga. Deveria ligar


Nas relações pessoais, é comum reagir com muita indignação quando antigos entes queridos cometem traições. A sociedade registra casos de traições sérias que geram rompimentos e até crimes, transformando antigas afeições em ódios violentos.

Recentemente, no Canadá, um selfie desvendou um crime bárbaro, em que duas antigas amigas, Cheyenne Rose Antoine e Brittney Gargol, apareciam sorrindo, com a primeira delas, a autora do selfie, usando o cinto que teria servido para enforcar a segunda.

Brittney, que aparece no famoso selfie no lado direito da foto, teria sido esfolada porque as duas estavam bêbadas e dopadas pela maconha e talvez tivessem discutido na ocasião, numa boate. Cheyenne tentou escrever mensagens como "Cadê Você? Não deu mais notícias. Espero que tenha chegado bem em casa", aparentemente para despistar.

A Justiça entendeu como assassinato de segundo grau, mas depois o definiu como homicídio culposo. Cheyenne se arrependeu do ato, de maneira sincera. Mas no calor do momento pode ter sido movida por impulso de uma discussão momentânea e partido para cometer o crime.

Incidentes de poucos minutos resultam também em inimizades declaradas, em feminicídios, em parricídios ou em disputas judiciais por danos morais ou heranças de um genitor falecido. As tensões sociais mostram que as pessoas podem reagir com indignação extrema durante situações de alguma traição ou desavença séria.

CHEYENNE ANTOINE (ESQ.) E BRITTNEY GARGOL.

É claro que trair não é bom, assim como se vingar de uma traição também não. Mas o bom senso deveria ser levado em conta, em vez do sentimento de vingança, ainda que provisório e movido pelo impulso emocional do momento. Embora seja recomendável o diálogo, admite-se impedir que alguém faça alguma coisa se ela tornou-se uma tarefa malfeita.

No "espiritismo" brasileiro, temos dois grandes exemplos de traidores da Doutrina Espírita, com um surpreendente e preocupante grau de gravidade. Os "médiuns" Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, que se encaixam no perfil de "inimigos internos" que haviam sido descritos, com muita antecedência, por Allan Kardec, são casos de profunda traição que muitos têm medo de admitir, mas que são fatos comprovados.

São traições graves, porque remetem à desonestidade doutrinária e a irregularidades apontadas em trabalhos supostamente mediúnicos. São problemas que não devem ser subestimados, porque seu nível de gravidade envolve o uso de pretextos como "caridade" e "mensagens positivas" como artifícios para mascarar e ocultar essas práticas levianas, e sabe-se que a pior mentira é aquela que se camufla por atitudes aparentemente bondosas e agradáveis.

FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO, MAS FORA DA HONESTIDADE TAMBÉM NÃO

Embora isso ainda seja chocante para muitos, assim como atitudes que ainda fazem coçar a cabeça - como Chico Xavier defendendo a ditadura militar num antigo programa de TV e Divaldo Franco apoiando a "farinata" de João Dória Jr. -  , as provas de tantas traições são verídicas e contundentes, por mais que a Justiça ou a opinião pública adotem critérios "objetivos" que mais servem para botar tais sujeiras debaixo do tapete.

Usam-se essas desculpas "objetivas" para tudo. Está comprovado que a obra espírita original diz valores e conceitos que nas obras os dois "médiuns" soam divergentes. Juntos, Chico e Divaldo lançaram conceitos anti-doutrinários muito graves, como supor, por paixões materialistas, que o mundo espiritual é "análogo" ao da Terra e discriminar pessoas diferenciadas sob o rótulo duvidoso de "crianças-índigo".

Os dois "médiuns" sempre foram católicos e, na verdade, haviam sido "adotados" pelo "movimento espírita". Chico e Divaldo são considerados traidores da Doutrina Espírita não porque eram espíritas que falharam, mas porque assumiram um compromisso de representar a herança kardeciana na qual nunca tiveram o interesse de cumprir corretamente, só eventualmente expondo corretas teorias espíritas mais para manter as aparências do que mostrar que "aprenderam alguma coisa".

O aparato de "caridade", e "belas palavras", os apelos emotivos "agradáveis" e todo o verniz de "suavidade", "positividade", "humildade" e "despretensão" não podem ser vistos como atenuantes, mas como agravantes da desonestidade doutrinária que os "médiuns espíritas" cometem contra o legado kardeciano.

Essa constatação não é caluniosa nem ofensiva, porque a fidelidade doutrinária deveria vir em primeiro lugar. Não é uma questão de dizer-se "fiel" aos postulados espíritas originais, pois de que adianta seguir a máxima "Fora da caridade não há salvação" se ignora a outra frase: "Fora da honestidade não há salvação"?

Se a "caridade" serve para ocultar a desonestidade, seu sentido de ajuda ao próximo se anula completamente. Se o deturpador do Espiritismo usa a filantropia como artifício para obter a credibilidade que sua traição doutrinária não oferece, mais desgraçado é esse deturpador, mais deplorável é sua figura, mais indigna de credibilidade é sua pessoa, por mais que o açúcar de suas palavras ou de outros apelos emotivos cause sensação de aparente conforto em multidões.

TOLERÂNCIA NÃO É COMPLACÊNCIA

Chico e Divaldo cometeram desonestidades sérias e traições gravíssimas. Ainda que pudéssemos perdoá-los, não podemos admitir que eles possam ter a mínima representatividade no Espiritismo. Há 40 anos, acreditávamos que os dois deturpadores iriam colaborar para a recuperação das bases doutrinárias, mas tudo isso foi em vão. Os dois continuaram igrejistas até o fim, e Divaldo continua sendo.

Como vamos reagir a isso? Com indignação, é claro. Ainda que não pudéssemos reagir com fúria ensandecida, devemos, ao menos, tolerá-los como pessoas mas renegá-los firmemente como pregadoes espíritas. Tolerância não é complacência, não é permissividade.

Devemos ignorar seus textos e palestras totalmente, fecharmos olhos e ouvidos aos dois "médiuns", até porque, se eles eventualmente dizem alguma coisa aparentemente boa ou agradável, há muitas outras pessoas que diriam a mesma coisa com mais propriedade, sinceridade e profundidade.

O apego doentio aos "médiuns", motivado pelas tentações do "bombardeio de amor" - um tipo perigoso de apelo emocional próprio do discurso falacioso - , faz com que a sociedade brasileira adote uma complacência assustadora em relação a esses ídolos religiosos, que acabam exercendo um poder descomunal através de formas graves de obsessão, já previamente descritas na obra kardeciana: a fascinação obsessiva e a subjugação.

A fascinação obsessiva impede as pessoas comuns de abrirem mão dos "médiuns". Em muitos casos as pessoas parecem conviver sem eles, mas é só eles aparecerem na televisão ou em alguma outra imagem que elas se rendem, como se estivessem sido dominadas por um canto de sereias. Os "médiuns" nem bonitos eram ou são, mas parecem estar dotados de um tipo muitíssimo perigoso de sedução e dominação das mentes humanas.

No caso de juízes, jornalistas e acadêmicos que deveriam analisar as traições doutrinárias dos "médiuns", ocorre a subjugação. "Recusamos a investigar pessoas de bem", dizem eles. Fora uns poucos corajosos, não há coragem em verificar as irregularidades cujos indícios sugerem alta possibilidade de comprovação.

O caso de Humberto de Campos é notório. A usurpação de seu nome teria sido leviana - Chico Xavier não gostou da resenha que o autor maranhense deu a Parnaso de Além-Túmulo e por isso o "médium" teria se "vingado" transformando-o num "autor do além" - , comprovadamente irregular (o estilo atribuído ao autor maranhense na "obra espiritual" difere grosseiramente do original) e motivada por interesses comerciais, ainda que sob a desculpa da "caridade".

A seletividade da Justiça é notória. Temos uma justiça tendenciosa que, dependendo do status quo de alguém, pode condenar um indivíduo sem provas de um crime e inocentar um outro cujo crime tem provas comprováveis. 

Se hoje vemos a Justiça cometer o papelão de poder condenar o ex-presidente Lula por um prédio que nunca foi de sua propriedade e foi penhorado em nome da empreiteira OAS, no passado essa mesma Justiça foi capaz de inocentar Chico Xavier mesmo quando há provas claras de que as "psicografias", no caso referentes ao nome de "Humberto de Campos", eram evidentemente fraudulentas.

O caso mais grave, embora muitos considerem "lindo e comovente", foi o assédio religioso que Chico fez ao filho do escritor, o produtor Humberto de Campos Filho. Ele o convidou em 1957, para uma reunião "espírita" em Uberaba, usou de artifício emocional (o perigoso "bombardeio de amor") para dominá-lo durante um abraço e mostrou atividades aparentemente filantrópicas, que indicam Assistencialismo (caridade fajuta que ajuda pouco e promove mais a imagem pessoal do "benfeitor").

Embora oficialmente esse episódio fosse definido como "linda lição de misericórdia e amor", ele foi um ato de extrema leviandade. Chico se aproveitou que a viúva de Humberto, dona Catarina Vergolino de Campos, havia falecido para fazer assédio ao filho dela, também levando em conta que o filho do autor maranhense começava a conhecer o "espiritismo", por influência de amigos e colegas de televisão.

Isso só agrava as coisas e, quando se usa a "caridade" para a promoção de ídolos religiosos marcados por traições doutrinárias, isso se torna mais deplorável e não digno de relativização ou admiração. O assédio a Humberto de Campos Filho só mostra o lado mais grave e mais traiçoeiro de Chico Xavier, um ato de dominação por motivos tendenciosos, feitos para sepultar um processo judicial do caso Humberto de Campos que havia se mantido em sentenças recorrentes após o desfecho de 1944.

Da mesma forma, tão deplorável é o caso da "farinata" de Divaldo Franco. Ele que sempre foi o centro das atenções e o foco primeiro do evento Você e a Paz (é sempre o primeiro a ser procurado para entrevistas e é a pessoa que aparece em todas as propagandas do encontro "ecumênico"), ao decidir homenagear um político decadente (o prefeito de São Paulo, João Dória Jr.) e um produto alimentar de valor duvidoso ("farinata" ou "ração humana"), Divaldo tentou se esconder.

As reportagens sobre a "farinata" mal creditavam o nome "Você e a Paz" e procuravam omitir o nome do seu maior responsável. Mesmo a imprensa esquerdista ignorou Divaldo, que pôde sair de fininho num contexto em que ele personificou um "fantasma às avessas": alguém vivo e encarnado que "desapareceu" das vistas das pessoas vivas. E isso apesar de Divaldo ter aparecido ao lado de Dória nas fotos - uma delas Divaldo é o que olha para a frente - e do nome dele e do evento aparecerem na camiseta do prefeito de São Paulo.

Essa atitude é conhecida como omissão. Divaldo ofereceu seu evento para o lançamento oficial de um alimento condenado por nutricionistas e visto por ativistas sociais como "atentado à dignidade humana", algo vergonhoso para um "médium" tido como "humanista". No entanto, a responsabilidade que ele deveria ter foi omitida e Divaldo pôde depois voltar para dar depoimentos e mensagens faladas ou escritas.

Há muito o que falar das traições dos "médiuns espíritas". Se muitas pessoas são capazes de se indignar com as traições de cônjuges, parentes e amigos de infância, por que logo no caso dos "médiuns" que deturpam o Espiritismo se tem que fazer como aquele marido "corno-manso" que acredita que a esposa que o trai está saindo com os "priminhos"? Isso seria coisa de muita preocupação e cautela. Não nos prendamos à cegueira das paixões religiosas e seus apelos emotivos.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Como explicar a deturpação do Espiritismo para os leigos?

PÁGINA DE COMUNIDADE "ESPÍRITA" NO FACEBOOK - Gororoba doutrinária.

Como explicar para o público leigo e como divulgar para fora dos meios espíritas, autênticos ou não, o problema da deturpação que atinge frontalmente a Doutrina Espírita, desmoralizando o legado kardeciano original?

Nos bastidores do "movimento espírita" e nos meios de debates nas redes sociais e na Internet, a deturpação é muito questionada, mas, fora desses meios, o que se vê ainda é uma ideia equivocada de que o Espiritismo, no Brasil, é uma doutrina sóbria, equilibrada e dotada da mais pura simplicidade e despretensão.

Isso tudo é uma ilusão. Mesmo assim, prevalece a narrativa, digna de ficção novelesca, que descreve Allan Kardec criando uma doutrina a partir de estudos sobre a espiritualidade, que depois ganhou contornos religiosos no Brasil e tudo resultou numa equilibrada religião cristã marcada pela simplicidade, pelo ecumenismo, pela tolerância e pela despretensão.

Tudo isso é falso. Afinal, por trás dessa embalagem tão agradável, há muita podridão. Acusações de mediunidades fake que atingem até os ditos renomados "médiuns" Chico Xavier e Divaldo Franco, pregação a favor do sofrimento alheio, defesa não só de valores morais conservadores mas também de governos reacionários, tudo isso mostra o lado sombrio do "espiritismo" brasileiro que escapa das compreensões do público médio.

O rol de escândalos que envolve o "movimento espírita" é coisa de arrancar os cabelos e se comparam aos escândalos dos pastores das seitas neopentecostais. Chico Xavier fazendo "leitura fria" para "rechear" falsas psicografias de "informações". O renomado espírita José Herculano Pires definindo a "caridade" de Divaldo como "condenável", chocando o desavisado que se habitua a ver no "médium" baiano um símbolo pleno de "filantropia e fraternidade". E por aí vai.

Como divulgar todas essas irregularidades e como apontar que os livros de Xavier e Franco destoam, em muitos aspectos, dos ensinamentos kardecianos? Como dizer aos leigos que o "espiritismo" brasileiro é deturpado e cometeu desonras sérias à doutrina francesa original?

Seria preciso furar o bloqueio de uma mídia complacente com os "espíritas" e, pelo menos, pedir à imprensa progressista, que serve de contraponto à imprensa dominante, que aborde o "movimento espírita" brasileiro sem complacência com os deturpadores, suficientemente blindados por uma Globo, Veja, SBT ou Band. Não há necessidade do Brasil 247, por exemplo, blindar Chico Xavier, e o Diário do Centro do Mundo fazer vista grossa no caso Divaldo Franco-farinata do Dória.

Há uma imprensa de baixa qualidade que ensina Espiritismo tudo errado, glorificando os deturpadores, explicando errado a mediunidade e cultuando os "médiuns" que não merecem a menor confiabilidade, pela forma com que eles "vaticanizam" a doutrina kardeciana, não raro agindo com a pior das hipocrisias.

Seria necessário, portanto, essa furada de bloqueio. Buscar denunciar a deturpação do Espiritismo na mídia alternativa, apontando seus aspectos principais e, depois, indo mais adiante. O que não pode é manter o deslumbramento com os "médiuns", sob a desculpa da "fraternidade", até porque essa conciliação aparente só age em favor dos deturpadores, sobretudo os próprios "médiuns", que se aproveitam da ingenuidade das pessoas para impor seu poder sob o verniz da "humildade".

Não se pode poupar os "médiuns" sob a desculpa da tolerância e conciliação, porque o que se tolera na verdade são as práticas da mentira, da mistificação e das fraudes feitas por eles. E a suposta conciliação é, na verdade, um sinal verde para a divulgação de ideias e conceitos anti-doutrinários, que são defendidos ao arrepio da lógica espírita original.

Deixemos que a blindagem aos "médiuns espíritas" se limite à Globo, Veja, Band, SBT ou outros veículos solidários da mídia patronal. A mídia alternativa, como o DCM, Brasil 247, Carta Capital e outros, deveriam ser veículos para se questionar e repudiar a deturpação do Espiritismo.

Não se pode usar a desculpa da "fraternidade" e outros conceitos bonitos para se permitir a deturpação e o poder dos "médiuns", porque isso é consentir com a deturpação que desmoraliza gravemente todo o trabalho árduo que Kardec fez na Codificação. Glorificar os "médiuns" brasileiros é ofender, desonrar e repudiar o trabalho deixado pelo pedagogo lionês.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

O que faz muitos brasileiros se apegarem aos "médiuns espíritas"?


O que faz muitos brasileiros se apegarem aos "médiuns espíritas"? As palavras dóceis? A suposta caridade? O alegado contato com os mortos? A aparente despretensão e suposta humildade? O pretenso intelectualismo?

O "espiritismo" brasileiro representou, mais do que nunca, não a combinação equilibrada das diversas ideias relacionadas à virtude, à bondade e à inteligência humanas, mas a combinação dos mais intrincados artifícios de argumentação falaciosa e manipulação das mentes humanas, às custas de inúmeros apelos emocionais e linguísticos que dificultam a compreensão da realidade, que se torna refém das mistificações desta religião.

Existem desculpas para tudo, até para o "espiritismo" brasileiro deturpar o legado de Allan Kardec. Deturpa-se os ensinamentos originais do pedagogo francês, sob a desculpa de que no Brasil prevalecem as tradições religiosas cristãs. Deturpa-se, mas finge-se "fidelidade absoluta" e "respeito rigoroso" ao legado kardeciano, sob a desculpa de "modernização" ou "adequação à realidade brasileira".

Nunca um fenômeno ou instituição conseguiram ir tão longe na manipulação das mentes humanas e no uso de argumentos tão tendenciosos e hipócritas, porém agradáveis e verossímeis. Até mesmo a valorização de Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco serve para colocar o nome do mestre de ambos, Jean-Baptiste Roustaing, debaixo do tapete.

Os brasileiros vivem um período de profunda crise nas instituições, além da decadência de muitos paradigmas. No entanto, se apega a eles de maneira doentia, a ponto de se abrir mão de ideias e personalidades inovadoras em prol de coisas velhas e obsoletas mas que durante muitos anos foram aceitas e apoiadas por setores influentes da sociedade.

Essa crise não se trata de uma mera tempestade moderada que tratá susto com chuva forte, trovões e raios para, depois, dar lugar a uma noite de céu estrelado. Essa tempestade será devastadora e velhos paradigmas cairão, e eles não serão o Modernismo, a Bossa Nova e nem o Partido dos Trabalhadores, usualmente classificados como "velhos".

Paradigmas associados ao ultraconservadorismo social estão ruindo, e mesmo pessoas que se dizem "progressistas" estão assustadas. Os entulhos de acumulam nos porões mentais das pessoas e elas resistem a se livrar deles.

Só o medo da sociedade brasileira até de ver assassinos ricos morrerem, mesmo doentes ou vulneráveis, mostra o quanto o Brasil não abre mão do cheiro forte de mofo de muitos valores e personalidades. Para pessoas assim, é preferível até que personalidades jovens e inovadoras morram, em detrimento de algozes velhos e doentes.

"ESPIRITISMO" E A MANIA DE TRIUNFALISMO

O "espiritismo" brasileiro vive a mais aguda crise, quando suas contradições diversas vêm à tona. Tido como "progressista", o "espiritismo" sinalizou o apoio ao golpe político de 2016 e o cenário sócio-político dele resultante, fato comprovado em diversas ocasiões.

Mesmo assim, volta à tona a velha combinação de vitimismo e triunfalismo, com os "espíritas" se dizendo "confiantes" com sua vitória em momentos extremamente delicados. Acham que, perto da derrota, os deturpadores do Espiritismo serão mais uma vez beneficiados pela complacência geral e pela retratação dos seus opositores e tudo voltará à mesma estabilidade de antes.

E as pessoas que se apegam aos "médiuns espíritas" mais uma vez se sentem "esperançosas" com o triunfalismo deles, como se eles pulassem um túnel de fogo e saíssem ilesos, sem queimaduras. Eles aprontam com escândalos resultantes de suas decisões arrivistas e, se passando por vítimas, tentam passar por cima pelos obstáculos que eles mesmos criaram para si.

Vendo Chico Xavier com suas frases "cruas" de meros jogos de palavras opostas, mas enfeitadas com ilustrações floridas ou celestes, e Divaldo Franco com sua oratória rebuscada e cheia de pompa, se vê o quanto os apelos emotivos associados a eles e similares entorpecem os instintos humanos, dominados pelas paixões religiosas aos "médiuns espíritas".

A divinização dos "médiuns espíritas" é feita de maneira assustadora, mas é uma ilusão feita pelas paixões terrenas que envolvem o âmbito das religiões que, sabemos, são criações humanas, as quais se sujeitam, com igual ou mais intensidade, aos mesmos caprichos ambiciosos e orgiásticos das paixões do sexo, das drogas e do dinheiro.

APEGO DOENTIO E INSEGURANÇA

O apego aos "médiuns espíritas" é doentio. Ele se serve de uma mistura de transe emocional e êxtase religioso, criando um simulacro de elevação emocional que, do contrário da emotividade saudável, não traz uma sensação natural e forte de serenidade. Diante da menor contrariedade, os seguidores dos "médiuns" explodem em fúria e agressividade, mesmo quando reagem com irônicas poses de falsa calma e aparente diálogo.

Até que ponto as pessoas podem até mesmo aceitar serem prejudicadas na vida, em nome da idolatria cega aos "médiuns"? Que tipo de "caridade" elas defendem para justificar a divinização obsessiva de seus ídolos? A que utilidade terá, realmente, nas suas vidas, o entretenimento das palestras "espíritas", com "médiuns" oradores como Divaldo Franco, destilando mel até na saliva, com sua verborragia de palavras enfeitadas e textos rebuscados e prolixos, cheios de mistificação?

As pessoas chegam a abrir mão de tudo. Da ética, da lógica, do bom senso, da coerência, do respeito a si mesmos, da qualidade de vida, porque para os "médiuns" se deve ter a idolatria cega e submissa. Ainda que a casa de cada pessoa caia mediante um deslizamento, ainda que a fome passe a debilitar os órgãos a ponto de fazer o coração parar, a idolatria aos "médiuns" é a única coisa a ser mantida, como se fosse o único patrimônio de seus seguidores.

Isso é extremamente grave e as pessoas se apegam aos "médiuns espíritas" sem saberem os equívocos em que se metem. Num país onde se dissimula tudo, as pessoas ignoram que, com essa idolatria, elas expressam sua beatitude retrógrada e medieval e se revelam pessoas bastante conservadoras, e não é raro haver pessoas que se dizem "progressistas" que se revelam terrivelmente conservadoras e até reacionárias.

O apego aos "médiuns espíritas" revela, portanto, um inconsciente medieval que prende muitos brasileiros, pela carga emotiva que suas crendices lhes sugerem. A catarse emotiva e a submissão mental das pessoas faz com que elas se apeguem a um "médium espírita" como um pedaço de madeira enferrujada ao qual se agarram num naufrágio.

Mas é uma ilusão considerar que elas se sentem protegidas com isso, porque isso é apenas uma falsa sensação de alívio diante da zona de conforto da submissão a um ídolo religioso. A adoração dos brasileiros aos "médiuns espíritas" revela, com o seu apego obsessivo a eles, um triste defeito que eles não conseguem admitir: a INSEGURANÇA.

As pessoas não conseguem tocar a vida por si mesmas, não sabem o que querem na vida, defendem valores conservadores mas se horrorizam quando alguém lhes aponta essa qualidade, e são tão confusas que querem ser católicas sem encarar seus ritos e sacramentos. O "espiritismo" brasileiro acaba lhes sendo ótimo, porque ele atua como um "catolicismo para preguiçosos".

Se as pessoas não abrirem mão dessa idolatria e encarar com isenção e sem medo os aspectos sombrios dos "médiuns", que no fundo são severos e graves deturpadores do Espiritismo já alertados previamente pela obra kardeciana original, se tornarão escravas da mistificação dos "médiuns", que com seu culto à personalidade usam de todo artifício para se tornarem os semi-deuses aos olhos da multidão na Terra. E isso não é bom.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

As pessoas não estranham o mel das palavras de certos oradores


Ninguém estranha quando alguns oradores, como Divaldo Franco, adotam uma linguagem por demais melíflua, açucarada demais para as condições normais da natureza humana. Não se trata de uma voz de alguém evoluído, até porque são apenas aparatos materiais de palavras enfeitadas, que mais sugerem mistificação do que sabedoria e fazem o orador se autopromover com teorizações excessivas e desnecessárias sobre temas como paz e fraternidade.

Numa sociedade conflituosa em que vivemos, ideias pacifistas não podem se tornar prisioneiras de todo um ritual de palavras bonitinhas. Em muitos casos, falar demais sobre paz pode irritar as pessoas, e o excesso de teoria só se torna admissível numa sociedade marcada pelo deslumbramento religioso, da adoração aos pregadores da fé religiosa e de uma certa preguiça de ação da maioria das pessoas.

Há aspectos estranhos, sim. Parece cruel dizer isso, mas não é. Há mercadores das palavras que buscam as glórias da Terra através de uma carreira em que a voz tem sabor de mel e a escrita, perfume de flores. Quantas ambições não estão por trás desse aparato de "lindas mensagens", quantas promoções pessoais não estão por trás dessa diabetes de ideias, que se tornam entretenimentos de acomodação e anestesia social, mais do que convites para a ação e transformação?

Divaldo Franco é o maior deturpador vivo do Espiritismo. Ajudou a rebaixar o legado kardeciano a um sub-Catolicismo medieval. Suas aparentes virtudes, a "caridade" e a "oratória", já foram vistas com muita desconfiança por ninguém menos que José Herculano Pires, renomado estudioso espírita. Seus ocmentários sobre o anti-médium baiano, publicados em uma carta, não devem ser subestimados:

"Do pouco que lhe revelei acima você deve notar que nada sobrou do médium que se possa aproveitar: conduta negativa como orador, com fingimento e comercialização da palavra, abrindo perigoso precedente em nosso movimento ingênuo e desprevenido; conduta mediúnica perigosa, reduzindo a psicografia a pastiche e plágio – e reduzindo a mediunidade a campo de fraudes e interferências (caso Nancy); conduta condenável no terreno da caridade, transformando-a em disfarce para a sustentação das posições anteriores, meio de defesa para a sua carreira sombria no meio espírita".

Pesquisamos o que é o "caso Nancy" e vemos que Herculano Pires se refere a Nancy Ann Tappe, criadora da farsa das "crianças-índigo", juntamente com o ex-casal Lee Carroll e Jan Tober, um modismo esotérico que se tornou a "bandeira" adotada pelo "médium" baiano para descrever a "evolução planetária" e conduzir a "herança" de seu amigo mineiro Francisco Cândido Xavier a respeito de outra farsa, "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", uma patriotada religiosa.

As pessoas se deixam serem dominadas por oratórias com sabor de mel. Se deixam levar pelos apelos emocionais associados aos "médiuns" deturpadores do Espiritismo, que nunca possuíram a função intermediária e discreta dos verdadeiros médiuns.

Para aumentar ainda mais o aspecto vergonhoso, os médiuns do tempo da Codificação eram, apesar de aristocráticos, pessoas bem mais discretas e humildes que os "médiuns" brasileiros, que vivem da ostentação, da falsa modéstia e do culto à personalidade.

Quanta hipocrisia ver Divaldo Franco falando mal do culto à personalidade e das paixões religiosas, se esses dois processos se voltam tranquilamente à sua pessoa, através do entretenimento da "paz" muito falada e muito menos praticada.

ENTRETENIMENTO QUE PODE GERAR EFEITOS CONTRÁRIOS

O malabarismo discursivo apela para a prática constante da paz, mas é somente o "fazer falar". Tudo vira uma questão de retórica: o embelezamento das palavras e o desnecessário excesso de teorização da paz, através de conceitos abstratos que dão uma retórica aparentemente linda e empolgante, mas que se perde no vazio das palestras igrejeiras que produzem o divertimento viciado das palavras bonitas.

O grande problema que isso trás é que a realidade comprova que paz não se teoriza demais, não há a menor necessidade de investir num excesso de palavras porque a resolução de conflitos não passa pelo turbilhão de oratórias.

Em muitos casos, a excessiva exposição de "mensagens" sobre a paz, além de indicar forte grau de pieguice - que é o sentimentalismo excessivo e enjoado - , pode trazer irritação para pessoas que vivem com algum conflito ou tensão mental, podendo trazer efeitos contrários e fortalecer o ódio e o aborrecimento de muitas pessoas.

Do lado daqueles que gostam desse tipo de oratória, há outro efeito negativo, que, no entanto, parece à primeira vista preservar as boas emoções e os belos sentimentos. Mas, nesse caso, ocorre uma espécie de anestesia social, onde as palavras funcionam como água com açúcar, criando uma espécie de "diabetes mental", que é o transe e a sensação analgésica de aparente conforto emocional, algo que no entanto parece narcótico e movido mais pelo deslumbramento religioso do que pelo senso de altruísmo e serenidade.

Falar sobre a "paz" acaba se tornando um mero divertimento sem muito efeito prático. E cria falsas sensações de que "algo está funcionando". Mas se realmente isso funcionasse, o Brasil não teria vivido esse clima de ódio que hoje vemos. E vendo que a retórica melíflua sobre a "paz" vem de um deturpador do Espiritismo, de alguém que traiu severamente o legado espírita original, isso deve ser visto com muita estranheza e desconfiança.

Afinal, trata-se de uma "paz" anestesiante, mistificadora e dopante. Uma "paz sem voz" que depende da "superioridade" do orador em questão, que com seu malabarismo de palavras se impõe como um pretenso sábio e alegado possuidor da verdade.

Isso não está de acordo com a natureza normal da vida humana, onde os verdadeiros sábios não têm mel na boca e não falam necessariamente de forma suave, e muito menos têm a pretensão de dizer a verdade absoluta ou de trazer respostas para tudo.

Os verdadeiros sábios estão muito longe de terem como símbolo um mistificador como Divaldo, que está mais próximo dos antigos sacerdotes reprovados por Jesus de Nazaré, que muito energicamente alertava contra os manipuladores da palavra e mistificadores de oratórias de palavras enfeitadas e postura extravagante feitas para dominar o público e exercer influência total sobre ele. Portanto, tem razão Herculano quando alertou sobre a "conduta negativa" de Divaldo como orador.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Divaldo Franco e o seu silêncio em artigo equivocado


O verborrágico roustanguista Divaldo Pereira Franco, insistindo na mistificação de um falso espiritismo com apelos igrejeiros e supostamente pacifistas, escreveu um artigo "sensível" sobre a crise do Brasil que mostra mais uma vez os equívocos cometidos pelo "médium".

O artigo, que começa bajulando Dom Hélder Câmara, tem como tema o silêncio, e deveria ser dirigido ao próprio, que reagiu em silêncio e com gritante omissão ao escândalo da "farinata" de João Dória Jr.. O próprio Divaldo decidiu, consciente dos riscos, o lançamento do terrível alimento (feito por restos de comida de procedência e valor nutricional duvidosos, que teriam matado por intoxicação alimentar internos de uma casa no interior paulista), e tentou sair pela porta dos fundos.

Ele teve sorte porque houve outro silêncio, o da imprensa como um todo, que neste caso omitiu que o evento que lançou a "farinata" de João Dória Jr. é o Você e a Paz que, de forma explícita, credita Divaldo como seu maior responsável. De repente os jornalistas mais complacentes fizeram de conta que o evento havia sido criado pela Arquidiocese de São Paulo, que é apenas coadjuvante do encontro.

O artigo, sempre com aquele apelo piegas e igrejeiro, também tem como equívoco grave considerar que houve o julgamento de Jesus por Pôncio Pilatos. Ele nunca houve, segundo historiadores conceituados. Não existem registros históricos que mostrem sequer indícios desse julgamento e quem entende da ciência política grotesca mas peculiar do Império Romano sabe que as autoridades condenavam pessoas de forma rápida e sumária, sem julgamentos.

Divaldo Franco tenta questionar o silêncio dos acomodados e a ganância dos privilegiados. Deveria olhar para si, que apoiou um político decadente, João Dória Jr. e fica cortejando autoridades ricas e poderosas. Deveria ver o quanto Divaldo manteve seu silêncio criminoso quando não cobrou das autoridades algum empenho pelo próximo, antes preferindo bajular os poderosos em troca de medalhas e condecorações.

Reproduzimos esse vergonhoso artigo, no qual Divaldo Franco não esboça a menor autocrítica, que foi publicado no jornal A Tarde, do dia 11 de janeiro último, semanas após o fiasco do Você e a Paz de Salvador, cidade na qual o povo começa a se despertar contra os deturpadores do Espiritismo e passa a abandoná-los gradualmente. Peço que leiam este texto, aparentemente cheio de "boas mensagens", mas vindo de um mistificador que fez propaganda à farsa das crianças-índigo:

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SILÊNCIO

Artigo de Divaldo Franco publicado no jornal A Tarde, coluna Opinião, em 11/01/2018

Num memorável discurso, pronunciado pelo Bispo de Recife e Olinda, Dom Hélder Câmara, em San Michel, em Paris, referiu-se com muita sabedoria e coragem que Mohandas Gandhi costumava dizer que “ele falava pelo povo sofrido do seu querido país. Ele, no entanto, fazia silêncio para que o povo pudesse falar”, expressando suas dores e a lamentável situação de miséria em que vivia.

O silêncio pode representar várias posturas comportamentais das criaturas humanas.

Em determinado momento significa muita coragem para poder suportar situações calamitosas, evitando torná-las piores; noutras situações pode expressar sabedoria para aguardar o momento adequado, quando poderá enunciar conceitos libertadores, falando por aqueles que se encontram amordaçados por impositivos perversos. 
Invariavelmente, porém, trata-se de postura covarde para não desagradar impostores, governos arbitrários, mantendo anuência com ações infelizes, pensando apenas nos interesses pessoais...

Vivemos, no mundo moderno, momentos muito graves, diante dos quais o silêncio dos justos e dos que pensam transforma-se em covardia moral, porque os seus portadores que poderiam contribuir para uma situação melhor, tendo medo de perder as migalhas vergonhosas ou usufruir do benefício das barganhas degradantes, terminam por minar as resistências dos mais fracos e submetê-los na sua ignorância a mais demorado cativeiro.

Proliferam em toda parte a decadência dos valores éticos, a prosperidade dos astutos e corruptos que desfrutam de cidadania e de popularidade como benfeitores dos humildes e humilhados, as expressões da degradação humana, os espetáculos assustadores da violência, o horror da miséria moral, econômica e social, ante a desfaçatez dos gozadores de ocasião, que os desprezam sem qualquer disfarce.

Homens e mulheres de bem que deveriam contribuir para que a situação se modificasse para melhor, não o fazem, mantêm-se silenciosos.

É comum ouvir-se dizer, repetindo o covarde Pilatos em referências a Jesus no Seu arbitrário julgamento, “que lavam as mãos”, mas não escaparam certamente da consciência ultrajada.

A coragem dos sofredores representa o poder de Deus no imo de cada ser, significando os divinos códigos do amor, da justiça, da solidariedade.

Uma sociedade que se olvida dos seus membros mais fracos, não é digna de subsistir, qual aconteceu com as grandes Nações do passado que edificaram sua glória e grandeza através da sórdida escravidão, da crueldade e dos privilégios de alguns em detrimento dos outros. Cuidado, pois, com o seu silêncio, que pode ser responsável pelo sofrimento de milhões de vidas.

Este é o nosso momento de construir o futuro.

DIVALDO P. FRANCO
Professor, médium e conferencista (sic)

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

A verdade sobre as crianças-índigo


O texto que publicaremos é uma denúncia grave que os espíritas autênticos, postos à margem pelo "movimento espírita" original, descreveu sobre a farsa das "crianças-índigo" que, a julgar pelos fatos e pela forma com que os "espíritas" igrejeiros - ligados aos chamados "médiuns espíritas" como Chico Xavier e Divaldo Franco - veem as ocorrências no Brasil, parece se identificar com o perfil impetuoso de movimentos reacionários como o Movimento Brasil Livre.

A culpa não é nossa. Periódicos e palestrantes "espíritas" definiram as passeatas do "Fora Dilma" como "início da Regeneração" e, a julgar pelo que Divaldo Franco havia dito sobre as transformações da humanidade, somos obrigados, pelos fatos, a ver em figuras como Kim Kataguiri, Renan Santos, Rogério Chequer e Fernando Holiday, para não dizer Alexandre Frota, como as "crianças-índigo" sonhadas pelos "espíritas".

Deixamos então que o texto nos informe a respeito dessa ilusão das "crianças-índigo", lançada por Nancy Ann Tappe e, depois, por Lee Carroll e sua então esposa Jan Tober, que vemos uma discriminação contra pessoas de inteligência e iniciativa, jogadas no mesmo balaio de supostos rebeldes agressivos e reacionários. Uma gororoba que Divaldo Franco quis vender como "profecia de um Brasil melhor" e a complementou no projeto de "coração do mundo" sonhado pelo amigo Chico.

O texto apenas não menciona o nome de Divaldo, mas é explícita a sua participação na farsa, o que o desqualifica como espírita autêntico que muitos seguidores e tantos outros complacentes pensavam sobre ele, no seu wishful thinking de ver um deturpador "aprendendo as coisas" e tentando recuperar as bases doutrinárias. Vamos ao texto:

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Os obscuros conceitos de uma seita

Paulo Henrique Figueiredo - Casa Espírita Nova Era (Página em prol da fidelidade doutrinária espírita) - 09 de julho de 2007

As suspeitas levantadas sobre essa obra nos motivaram a investigar mais profundamente seus autores, a origem, as finalidades de sua publicação, e quem está divulgando seus conceitos no país em que surgiu, os Estados Unidos. O que encontramos é grave e é preciso esclarecer os fatos.     

Desde 2006, pesquisadores espíritas, como Rita Foelker, Dora Incontri, Heloísa Pires, e a Revista Universo Espírita vêm alertando para as inúmeras contradições entre a Doutrina Espírita e o best-seller Crianças Índigo, publicado nos Estados Unidos em 1999, e no Brasil em 2005.

Algumas das características das crianças índigo são alarmantes:

“Nascem, sentem-se e agem com realeza. (...) Conseguem inverter as situações, manipulando ao invés de serem manipulados, especialmente seus pais. (...) Não se relacionam bem com pessoa alguma que não seja igual a elas. (...) Alguns têm propensão ao vício, especialmente drogas durante a adolescência”.

Citada em Crianças Índigo como a primeira a supostamente reconhecer a aura azul dessas crianças, diz a vidente Nancy Ann Tappe:

“Todas as crianças que mataram colegas de escola ou os próprios pais, com as quais pude ter contato, eram índigos. Eles tinham uma visão clara de sua missão, mas algo entrou em seu caminho e elas quiseram se livrar do que imaginavam ser o obstáculo. Trata-se de um novo conceito de sobrevivência. Todos nós possuíamos esse tipo de pensamento macabro quando crianças, mas tínhamos medo de colocá- lo em prática. Já os índigos não têm esse tipo de medo”.

Esse é o novo conceito de sobrevivência das crianças índigo? Matar os pais e colegas de escola? O que isso tem a ver com o Espiritismo?

A pedra angular é a fraternidade

Os Espíritos da Codificação realmente anunciaram uma nova geração, mas nos seguintes termos: “Cabendo a eles fundar a era do progresso moral, a nova geração se distingue por uma precoce inteligência e razão, juntas ao sentimento inato do bem e das crenças espiritualistas, constituindo um sinal indiscutível de um adiantamento anterior”, explicaram em A Gênese.

Os Espíritos estão falando de progresso moral e de uma geração com o sentimento inato do bem. Isso pressupõe a habilidade de resolver conflitos, paciência, solidariedade e tolerância. Segundo o Espiritismo, “a fraternidade será a pedra angular da nova ordem social”. Já as crianças índigo descritas são revoltadas, agressivas e prepotentes. A chegada de uma nova geração anunciada na Doutrina Espírita nada tem a ver com o conceito de Crianças Índigo pertencente à seita estrangeira criada por Lee Carroll.

As suspeitas levantadas sobre essa obra nos motivaram a investigar mais profundamente seus autores, a origem, as finalidades de sua publicação, e quem está divulgando seus conceitos no país em que surgiu, os Estados Unidos. O que encontramos é grave e é preciso esclarecer os fatos.

O Grupo Iluminação Kryon

Um dos autores de Crianças Índigo é Lee Carroll, formado em Economia pela Universidade da Carolina do Norte. Durante 30 anos trabalhou em sua empresa de engenharia de som, em Del Mar, San Diego, onde vive até hoje.

O ano em que tudo começou foi1989, quando um sensitivo disse ter visto ao lado de Lee Carroll uma entidade extraterrestre que se identificou pelo nome “Kryon”.

Intrigado, Lee começou a “canalizar” (esse é o nome que ele dá para as psicografias) textos da entidade extraterrestre Kryon num grupo esotérico de sua cidade.

A co-autora do livro Crianças Índigo é a cantora Jan Tober, ex-mulher de Lee Carroll. Ela o ajudou a criar uma seita própria, o Grupo Iluminação Kryon, em 1991.

Durante 10 anos, as mensagens renderam a publicação de 12 livros, As edições, traduzidas para 23 línguas, venderam mais de um milhão de exemplares.

Os encontros do Grupo Iluminação Kryon, onde é possível consultar-se pessoalmente com Kryon por meio de Lee Carroll, reúnem platéias pagantes de 3 mil pessoas. Elas lotam caríssimos salões e teatros da Europa e Estados Unidos. Lá também são vendidos livros, filmes, souvenires e bijuterias. As mensagens do extraterrestre Kryon na internet recebem cerca de 20 mil visitas por dia.

Uma tese panteísta

Quem é esse ser que se diz extraterrestre e que revelou as crianças índigo?

O site oficial da seita dá sua versão: 

“Kryon é o mais evoluído ser de luz a que a Terra jamais teve acesso. Proveniente do ‘Sol Central’, com a função primordialmente técnica ligada ao ‘serviço eletromagnético’. Foi enviado por um grupo de ‘Mestres Extrafísicos’, chamado ‘A Irmandade’. Veio dessa vez para reordenar a ‘rede magnética planetária’, visando uma série de mudanças magnéticas no eixo da Terra, que se encerrará no ano de 2012”.

Em O Livro dos Espíritos, “Jesus foi o ser mais puro que já apareceu na Terra”.

Ainda há muito mais. De acordo com Kryon, Deus não existe. Ele propõe o panteísmo, ou seja, segundo ele, “todos os seres do Universo são parte de um todo e as individualidades são apenas ilusões”.

Esse pensamento panteísta se opõe claramente aos ensinamentos do Espiritismo. Basta ler a o seguinte diálogo em O Livro dos Espíritos: “Que pensar da opinião segundo a qual todos os corpos da Natureza, todos os seres, todos os globos do Universo, seriam partes da Divindade e constituiriam, pelo seu conjunto, a própria Divindade; ou seja, que pensar da doutrina panteísta?”, perguntou Allan Kardec. E os Espíritos responderam: “Não podendo ser Deus, o homem quer pelo menos ser uma parte de Deus.”.

Quem são as crianças índigo

A doutrina do Grupo Iluminação Kryon vai ainda mais longe. Damos aqui apenas um resumo das palavras de Kryon:

“Os seres humanos que vivem na Terra eram anjos muito evoluídos que assinaram um contrato para vivenciar uma experiência humana no planeta Terra, motivo pelo qual seríamos honrados e celebrados em todo o Universo.”

De acordo com o “extraterrestre”, “a humanidade atingiu a ‘Convergência Harmônica’ necessária. Essa experiência é a de vivermos com um nível vibracional rebaixado para a terceira dimensão, sem as memórias ou lembranças de nossa origem divina”.

O que seria “Convergência Harmônica”? Nos livros psicografados por Lee Carroll, informações pseudocientíficas como essa estão por todo o texto, sem explicação alguma.

Segundo Kryon, desde 1987 estariam nascendo crianças com o DNA alterado, que seriam as tão comentadas “crianças índigo”. Há também referências às crianças cristal.

Todavia, de acordo com a Doutrina Espírita a moral é um atributo do Espírito e não do corpo. Nenhuma alteração do DNA transformaria moralmente indivíduo algum.

E quais as conseqüências dessa suposta mutação das crianças? Segundo o extraterrestre Kryon, “elas se tornarão uma nova raça que irá habitar uma galáxia que está sendo criada a 12 bilhões de anos-luz da Terra”. A astrofísica está bastante avançada e podemos afirmar que a idéia da criação tardia de uma galáxia não tem embasamento científico algum.

Mais uma vez, é Kardec quem alerta: “Toda heresia científica notória, todo princípio que choque o bom-senso, aponta a fraude, desde que o Espírito se dê por ser um Espírito esclarecido”, em O Livro dos Médiuns.

Idéias estranhas

As mensagens publicadas no site da seita criada por Lee Carroll falam do novo acontecimento programado, segundo ele, para 2012: “Celebremos o fim do teste! As estrelas são nossas. Agora é chegado o momento de uma parte da família ir para casa, precisamente em 2012. E ele, Kryon, estará lá quando chegarmos”.

Sobre questões como essa, disse Kardec: “Os bons Espíritos nunca determinam datas. A previsão de qualquer acontecimento para uma época determinada é indício de mistificação”, em O Livro dos Médiuns.

Nos encontros do grupo, Kryon responde indagações do público que paga para ser atendido. Um adepto perguntou: “Querido Kryon, na Califórnia você nos falou que segurar pílulas na mão pode curar. Isso eliminará os efeitos colaterais? É seguro ficar segurando Prozac?”. A resposta foi:

“Seu corpo sabe que substância vocês estão segurando. Portanto, é possível impregnar as propriedades da intenção de usar a substância em suas células. Assim não há o efeito colateral de uma droga, por exemplo. Apenas pensem... um frasco de aspirina ou antiácidos durará anos!”.

Kardec alertou: “Jamais os bons Espíritos aconselham senão o que seja perfeitamente racional. Qualquer recomendação que se afaste da linha reta do bom-senso, ou das leis imutáveis da Natureza, denuncia um Espírito atrasado e, portanto, pouco merecedor de confiança”, em O Livro dos Médiuns.

A fragmentação de um meteoro

Outra questão intrigante proposta por um seguidor da seita é sobre o fim do mundo: “Algum planeta irá se chocar com a Terra? Irá haver extinção da raça humana?”. E Kryon respondeu:

“Depende do que os Humanos fizerem. Já revelamos que, antes de começar a canalizar, em 1989, o primeiro trabalho conjunto de Kryon e Lee Carroll foi fragmentar um meteoro (Myrva) que vinha, realmente, em rota de colisão com a Terra. Era um dos instrumentos das catástrofes previstas para o fim do século”.

O Espiritismo afirma com clareza que o mundo não será destruído fisicamente: “Não é racional se suponha que Deus destrua o mundo precisamente quando ele entre no caminho do progresso moral, pela prática dos ensinos evangélicos”, em A Gênese.

Além dos milhares de dólares arrecadados pela venda de produtos, nos encontros da seita, há outra fonte de renda: os tratamentos patenteados por Peggy Phoenix Dubro, parceira de Lee Carroll.

Segundo as idéias da seita, as pessoas que nasceram antes de 1987 não são índigo, mas para ganhar o direito de habitar a nova “galáxia” poderiam ter seu DNA alterado por meio do tratamento proposto por Peggy Dubro.Eles criaram uma empresa, A Energy Extension Incorporation (Empresa de Ampliação Energética) que detém os direitos da Universal Calibration Lattice® (Malha de Calibração Universal), e também da EMF Balancing Technique® (Técnica de Equilíbrio). São tratamentos pagos aplicados nas sedes espalhadas pelo mundo (inclusive no Brasil).

Acreditamos que as informações listadas são suficientes para dar uma idéia do que está por trás da obra Crianças Índigo. Quem ainda desejar conferir os volumosos livros e mensagens “canalizadas” por Lee Carrol e tudo mais sobre a seita Grupo Iluminação Kryon basta digitar “Kryon” nos sites de busca da internet.

A maquiagem na edição brasileira

As obras de Lee Carroll adotam o panteísmo, doutrina negada pelo Espiritismo. Mas na edição brasileira os trechos panteístas foram alterados

Lee Carroll, que com Jan Tober escreveu Crianças Índigo, publicou outros 11 livros. Dez deles são psicografados, com a autoria creditada ao “extraterrestre” Kryon.Esses volumosos livros trazem muitos conceitos conflitantes com a Doutrina Espírita.

Já no primeiro, Os Tempos Finais, publicado em 1990, Kryon descreve seu ensinamento panteísta: “Todos nós estamos vinculados. Eu assino Kryon, mas pertenço à totalidade. Você é uma parte de Deus. Todos somos coletivos em espírito, mesmo enquanto vocês estão encarnados na Terra”.

Allan Kardec explicou essa doutrina em O Céu e o Inferno: “O panteísmo propriamente dito considera o principio universal de vida e de inteligência como constituindo a Divindade. Todos os seres, todos os corpos da Natureza compõem a Divindade (...). Esse sistema não satisfaz nem a razão nem a aspiração humanas”.

Constatamos, porém, um fato intrigante: todos os livros de Lee Carroll trazerem afirmações panteístas, mas na edição brasileira não há uma só frase. Assim, consultamos a edição original em inglês, The Indigo Children, de 1999. Estava lá, no depoimento da psicóloga Doreen Virtue, a seguinte frase, que traduzimos: “Todas as crianças de Deus são iguais, porque todos são um só ser”. A mesma frase na edição brasileira, na página 153, foi alterada para: “Todas as crianças de Deus são iguais, pois somos todos iguais”.

Encontramos outra alteração na página anterior, na qual lemos a seguinte frase: “Não existem indivíduos, apenas uma ilusão de que somos diferentes”. Mas a tradução da versã original é mais extensa: “Não existem indivíduos separados, apenas a ilusão de que os outros estão separados de nós mesmos”. Esta reproduz o panteísmo do extraterrestre Kryon, mentor de Lee Carroll.

A constatação desse fato nos levou a folhear o livro para conferir o restante da tradução. No depoimento da reverenda Laurie Joy, na página 164 do livro brasileiro, lemos a seguinte frase: “Kathryn Elizabeth, fala sempre de seu anjo da guarda. Depois vai brincar com as outras crianças”. Mas a tradução da obra original é diferente: “Kathryn Elizabeth fala sempre de seu anjo da guarda.

Depois sorri, dá a mão ao anjo, e os dois vão cavar túneis na areia”.

Há uma menção em Crianças Índigo sobre os livros psicografados do “extraterreste” Kryon por Lee Carroll. Mas na tradução brasileira há uma alteração que modifica o sentido, e faz parecer que Kryon é um médium, e que nada tem a ver com Lee Carroll.

Veja: “I sent him all the Kryon books by Lee Carroll…” (Versão original, p. 147).

“Enviei todos os livros de Kryon por Lee Carroll...” (Tradução correta).

“Enviei todos os do médium Kryon e Lee Carroll...” (Trecho alterado da edição brasileira, p. 162).

Peggy Dubro é uma integrante da seita “Grupo Iluminação Kryon”, onde atua como médium. Os seres que dirigem o grupo teriam transmitido a ela o “tratamento magnético para alterar o DNA”, denominada EMF Balancing Technique. Na versão brasileira, o fato foi alterado:

“She also channeled the Phoenix Factor information, which contained the EMF Balancing Technique...”. (Versão original, p. 226)

“Ela também recebeu mediunicamente a informação Phoenix Factor, que inclui a EMF Balancing Technique...”. (Tradução correta).

“Desenvolveu, igualmente, a informação Phoenix Factor, que inclui a EMF Balancing Technique...”. (Trecho alterado da edição brasileira, p. 243)

Na descrição do comportamento do rapaz Mark, ele demonstra o comportamento esquizofrênico de não distinguir o certo do errado. Na versão brasileira do livro Mark se torna apenas irresponsável.

“... could never see the consequences of his intended actions. He literally just did not get it. After the fact, his face would always be so blank, as if he couldn’t believe he hadn’t realized that what he was doing would get him into trouble…” (Versão original, p. 145).

“... O problema é que não entendia as conseqüências de seus atos. Ele literalmente não compreendia. Depois do ocorrido, ficava com o rosto sem expressão, como se não acreditasse que tivesse feito algo que lhe trouxesse problemas...” (Tradução correta).

“... O problema é que não entendia as conseqüências de seus atos. Cometia erros, mas não percebia que teria que pagar por eles...” (Trecho alterado da edição brasileira, p. 161).

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

"Guru dos coxinhas" e farsante, Sri Prem Baba esteve no Você e a Paz

SRI PREM BABA E DIVALDO FRANCO, NO 3º VOCÊ E A PAZ EM SÃO PAULO.

No caso da "farinata" do João Dória Jr., um escândalo que só não foi maior porque a imprensa blindou o anti-médium baiano Divaldo Franco - mesmo a imprensa de esquerda, temos que deixar claro uma coisa: quando uma festa organizada por um anfitrião mostra alguma coisa errada, o anfitrião responde pelo ato, mesmo se foi praticado por terceiros.

Ao anfitrião de uma festa, se pergunta de que forma ele deixou que entrasse na festa algum suspeito, que interesses estão em jogo, se o anfitrião apoia o suspeito etc. A ocultação da responsabilidade de Divaldo Franco no escândalo da "farinata" do prefeito de São Paulo foi um silêncio que falou muito mais na complacência que a imprensa como um todo têm em relação aos "médiuns espíritas", mais blindados do que os mais blindados políticos do PSDB.

A lógica é essa. Divaldo Franco é o anfitrião do Você e a Paz. Ele inclui várias crenças místicas ou religiosas, mas o organizador do evento é ele. Ele é que fica com os louros, é o primeiro a ser entrevistado, é a pessoa que aparece nos anúncios publicitários do evento.

Até mesmo nas ocorrências infelizes que ocorrem durante o Você e a Paz, Divaldo Franco responde como anfitrião e responsável por apoiar ou, pelo menos, aceitar tudo isso de bandeja. Até agora Divaldo não processou Dória pelo uso do nome do "médium" para a "ração humana" e não é por ocorrências infelizes que o "médium" será visto como figurante porque ele responde por tudo o que ocorrer no evento. O Você e a Paz é de Divaldo, que responde até mesmo por ocorrências infelizes.

Todavia, foi constrangedora a cobertura da "farinata" do prefeito da capital paulista pela imprensa. A omissão do nome do evento e, sobretudo, de Divaldo, rompeu com a honestidade ou firmeza jornalística e, em nome de um festejado ídolo religioso, fez-se o possível para omiti-lo de qualquer responsabilidade. Ninguém quer abrir mão das verborrágicas oratórias com gosto de mel e "em nome da paz" que faz Divaldo divertir as massas.

SRI PREM BABA E DIVALDO FRANCO APERTANDO A MÃO - DIVALDO GOSTA MUITO DE ESOTERISMO.

Mas o que chama a atenção são outros aspectos. A sintonia de Divaldo com o "atual momento", homenageando Dória, apoiando a "farinata", sendo entrevistado pela imprensa reacionária, participando de congresso "espírita" promovido pela mesma PUC gaúcha que acolhe Sérgio Moro e outros plutocratas, tudo isso deve ser levado em conta pela mídia alternativa, que faz contraponto à mídia hegemônica. Deixem Globo, Band e Abril blindar os "médiuns espíritas" sozinhas!

Não dá para as esquerdas aceitarem os "médiuns espíritas" por causa das paisagens de cenário de Teletubbies que ilustram seus memes ou pelo açúcar das palavras e outros apelos emotivos. Ou pelo verniz de "caridade" cujos resultados sociais são muito inexpressivos. Há que se questionar os "médiuns espíritas" com o mesmo empenho com que se faz em relação aos pastores neopentecostais.

SRI PREM BABA EM BOA COMPANHIA - AÉCIO NEVES E JOÃO DÓRIA JR..

Um caso que chama a atenção é que Sri Prem Baba, o esotérico farsante que virou o guru midiático do momento, esteve no Você e a Paz. E, se ele esteve no evento, Divaldo o convidou, ou consentiu que o esotérico fosse convidado.

Sri Prem Baba é um daqueles farsantes esotéricos que prometem "proteção espiritual" a famosos. Como o Maharishi Yogi, farsante que os Beatles, na boa-fé, o escolheram como guru até ser desmascarado depois. E como tantos outros esotéricos que vieram na onda hippie, cujo legado negativo, além das drogas e da utopia da "nova era", estava a religiosidade híbrida de muito igrejismo e muito esoterismo.

O "espiritismo" brasileiro aproveitou muito esse triste legado hippie (cujo efeito negativo foi a ascensão da Família Manson, seita macabra de Charles Manson, falecido há pouco). Divaldo Franco alega que, através de "tele-transporte", recebeu em um hotel outro guru farsante, o ilusionista Sai Baba, que entretinha as massas com supostos rituais de materialização de objetos.

Mas, dentro do próprio "espiritismo", o "médium" goiano João Teixeira de Faria, o João de Deus, também banca o dublê de guru, recebendo famosos e se autopromovendo até mesmo com celebridades de esquerda, pois João de Deus é goiano (Goiás é reduto político de Marconi Perillo, do PSDB) e o próprio "médium" é um poderoso latifundiário, com faixas de terra surpreendentemente extensas para a dimensão de um Estado que foi até dividido (uma antiga parte de Goiás hoje é o Estado do Tocantins).

Mas João de Deus deixou a máscara cair e o "médium-fazendeiro", que havia sido celebrado como "amigo de Lula", manifestou claramente seu desejo de ver Sérgio Moro, o arqui-inimigo do petista, como presidente da República.

Sri Prem Baba tornou-se mais um esotérico acolhido por um "médium espírita". Ele é conhecido por ser o "guru dos coxinhas", oferecendo "assistência espiritual" para famosos que, em 2016, se comprometeram a lutar contra o governo Dilma Rousseff, convidando as elites brasileiras a se vestirem com a camiseta da CBG e gritarem "Fora Dilma".

Prem Baba também apareceu ao lado de João Dória Jr. e Aécio Neves, este um político mineiro conhecido pelo seu arrivismo e seu perfil bonapartista que encontraram afinidade mútua com o "médium" Francisco Cândido Xavier, o Chico Xavier, o qual exercia com o tucano conterrâneo uma admiração mútua.

Prem Baba, na verdade, se chama Janderson Ferreira. Foi office-boy e cursou Psicologia. Virou o guru das elites conservadoras. Presta "orientação" e "proteção espiritual" aos empresários que fazem parte do movimento Renova BR, de preparação de políticos neoliberais, cujo um dos organizadores é Luciano Huck, cuja "caridade", mais espetacularizada que eficiente, é comparada com a do próprio Chico Xavier, também admirado pelo apresentador e possível presidenciável.

Como se vê, isso é mais um item para a coleção de incidentes nada progressistas que envolvem o "espiritismo" brasileiro, que não apoia o cenário político simbolizado por Michel Temer, tucanos, patos da FIESP e companhia por acidente.

Há afinidades de sintonia e de interesses e será necessário que a imprensa progressista inclua os "espíritas" na sua pauta de questionamentos, dando a ela o mesmo empenho contestatório que dá aos neopentecostais. Antes que a farsa do "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" se revele uma tirania teocrática, como foi no Catolicismo da Idade Média.