PARA A "TEOLOGIA DO SOFRIMENTO", VIVER ASSIM É "FELICIDADE".
Um "holocausto do bem". A definição irônica da Teologia do Sofrimento pode parecer extremamente cruel com essa ideologia religiosa, mas ela é bastante realista, na medida em que se observam suas "dóceis palavras" sobre o quanto o sofrimento é considerado "lindo" e o sofredor tenha que sofrer o que há de pior para obter as "graças do céu".
A Teologia do Sofrimento, num contexto religioso em que se fala em "união", é controversa até entre os católicos. A ideologia é própria de correntes medievais e ortodoxas, mas renegada por correntes mais progressistas. A Teologia da Libertação, que consiste num Catolicismo de esquerda, renega a ideia do "sofrimento lindo" ou do "bem sofrer" e busca meios para tirar os sofredores de seus infortúnios, até de maneira que incomode as alas mais conservadoras que dominam o Vaticano.
Fora do contexto católico, a Teologia do Sofrimento é defendida pelo "movimento espírita", de uma maneira não-assumida, e pela Cientologia, de uma forma mais complexa e engenhosa. Em ambos os casos, o verniz "científico" tenta camuflar a defesa dessa ideologia medieval e ultraconservadora.
No "espiritismo", a Teologia do Sofrimento é personificada pelo próprio Francisco Cândido Xavier, pela influência do Catolicismo ortodoxo que era a profissão de fé do "bondoso médium". Embora isso pareça uma "acusação indevida" contra o "pobre homem", ela se constata pelas frases deixadas pelo próprio anti-médium mineiro, uma lembrança para quem imagina, incauto, que os erros de Chico Xavier nunca foram de sua responsabilidade.
Chico Xavier sempre disse para as pessoas "sofrerem amando e em silêncio". Ele recomendava que os sofredores não fizessem questionamentos, queixas, contestações. Todos tinham que aguentar as piores coisas da vida, não se sabe até quando, mas visando o prêmio das "graças do Céu" e das "bênçãos da vida futura".
Tínhamos que acreditar na incerteza da vida futura como a "certeza" de benefícios que não temos certeza se realmente virão. A humanidade é golpeada por retrocessos sociais aqui e ali, e, se somos impedidos de aproveitar nossos potenciais de vida por causa de barreiras intransponíveis, não é em outra encarnação que haverá a garantia de que esses potenciais possam ser aproveitados.
Se hoje nossos ideais são bloqueados por tantos obstáculos difíceis de serem superados, amanhã poderá não haver oportunidades para esses ideais, mesmo que eles sejam liberados e banalizados. Se hoje temos pessoas que impedem nosso caminho, amanhã teremos oportunistas que usarão nosso caminho para passar a perna e tomar nossos ideais como sendo de criação deles.
A ideia do "bem sofrer" é descrita pelos católicos com um discurso pretensamente benevolente, mas muito prolixo e sem pé nem cabeça. Os defensores da Teologia do Sofrimento tentam argumentar que o sofrimento "não é defendido por Deus", e tentam convencer a opinião pública que a fé, ou seja, cruzar os braços e se apegar à devoção religiosa, poderiam "tirar" o sofredor de sua situação infeliz.
No "espiritismo", a retórica é bem mais sutil. Oficialmente, o "espiritismo" não segue a Teologia do Sofrimento e os palestrantes, feitos bobos alegres, tentam convencer as pessoas que "ninguém nasceu para sofrer". Tantos livros "espíritas" falam em "felicidade" e "propostas para a qualidade de vida", e até Divaldo Franco, sob o ditado de Joana de Angelis, lançou um livro chamado Vida Feliz.
É o habitual malabarismo discursivo dos "espíritas", e que mostram o caráter desumano que seus integrantes acabam tendo. Em uma entrevista no "auxílio fraterno", um paciente reclamava a dificuldade de atrair mulheres de sua afinidade pessoal, só atraindo aquelas com as quais ele não se identificava nem se sentia atraído. Hipócrita, o "bondoso" entrevistador pensou que o paciente era homossexual e insistiu nesse julgamento de valor, mesmo quando desmentido pelo entrevistado.
A Teologia do Sofrimento acaba, tanto através do Catolicismo, do "movimento espírita" e da Cientologia, criando um "holocausto" politicamente correto e a defesa do sofrimento como "algo lindo" não se refere aos privilegiados, porque a ideologia esconde um dado cruel de sua pregação.
Esse dado cruel consiste na ideia de que os privilegiados devem permanecer privilegiados e os sofredores devem permanecer sofredores. Quem é desgraçado, que fique nesta situação. O que as religiões fazem é apenas minimizar os efeitos nefastos e evitar as consequências fatais - ou, se não evitar, dar uma "justificação divina", como os "espíritas" fazem, atribuindo os sofrimentos pesados ao pretexto de "resgates espirituais" - com a chamada caridade paliativa.
Não se trata de lutar para superar o sistema de classes, mas cruzar os braços e apenas adotar soluções "moderadas" para resolver as coisas "sem choques". Donativos são fornecidos sem que possam transformar pobres em pessoas capazes de gerar suas próprias rendas. Sistemas educacionais são adotados sem que estimulasse nos estudantes uma postura crítica e criativa em relação ao mundo, mas apenas uma capacidade de ler, escrever e fazer algo sem ameaçar padrões do "estabelecido".
Fora essas atitudes inócuas que só resolvem parcialmente, e, podemos dizer, precariamente, os problemas humanos, a Teologia do Sofrimento católica, "espírita" e cientologista, ou de alguma crença similar, não se compromete em resolver as desigualdades humanas.
Na sua essência, a Teologia do Sofrimento defende a manutenção das desigualdades humanas, apenas evitando seus efeitos mais extremos. Se baseando na noção hierárquica do moralismo religioso, ela legitima privilégios de minorias se baseando na meritocracia e na intervenção divina. Com isso, a ideologia consiste em defender que os privilegiados e sofredores permaneçam em suas respectivas condições.
Isso pode gerar uma chamada "limpeza social", porque, ao defender a manutenção das desgraças dos sofredores, eles de uma forma ou de outra sucumbem, ainda que seja aos poucos. A caridade paliativa não resolve os problemas e, em dado momento, se torna escassa.
As pressões dos infortúnios levam pessoas a cometerem crimes ou suicídios e os obstáculos extremos levam as pessoas a serem vítimas das próprias privações, morrendo por causa da fome, do desemprego e até de conflitos diversos com outros desgraçados mais agressivos.
A força do sofrimento não contestado estimula o consumo de drogas, a prática de latrocínios, o rancor humano, daí a inutilidade dos apelos da "paz" e da "caridade", que berram por "aceitação" e "mais fé" para pessoas que, de tanto sofrer, acabam se tornando ríspidas, agressivas, apáticas, descrentes e violentas.
Não adianta, portanto, a "boa verborragia" das religiões, que com seus coraçõezinhos enfeitando textos bonitinhos, apelam para a "paz" a "solidariedade" e a fé, se deixam as pessoas morrerem ao defender que o sofrimento é "lindo" e um "caminho seguro para Deus".
A fé, na Teologia do Sofrimento, afirma que sofrer é "rota segura para bênçãos futuras". Só que, de tanto defender o sofrimento, acaba influindo, mesmo de forma indireta, nas tragédias que são mais frequentes "no lado de baixo". E mostra uma crueldade por parte de seus "bondosos" pregadores.
Desta forma, não são os pregadores da fé, que defendem a Teologia do Sofrimento, que sofrem. Eles são privilegiados, detém um status quo às avessas, através do estrelato religioso baseado no aparato de pretensa humildade. E a "bondade" deles de definir o sofrimento humano como "presente de Deus" e "caminho para a bênção", os aproxima mais dos condenadores de Jesus de Nazaré do que deste próprio.
E aí, vemos um processo sutil de "limpeza social", pois os sofredores, permanecendo na desgraça, morrerão em consequência da mesma, geralmente bem cedo e em grandes quantidades. A histeria religiosa que faz os sofredores correrem para igrejas, templos e até "centros espíritas" em busca de socorro não resolve, porque as desgraças continuam, ou talvez mudam, com a substituição de uma desgraça por outra, dando a falsa impressão de que o motivo anterior de sofrimento acabou.
Além disso, na medida em que os desgraçados morrem vítimas de seus infortúnios, os religiosos mostram mais uma crueldade. Alegres, eles apenas "lamentam" os óbitos "repentinos" e tentam "consolar" as pessoas dizendo que os desventurados da vida alcançaram o "seio de Deus", estando agora "protegidos" pela "força de Jesus". Hipocrisia e cinismo maiores que isto não há.
Afinal, isso significa um prazer oculto pelo sofrimento humano. Achar que fulano só será "feliz" se morrer, depois de aguentar tantas desgraças na vida, é uma perversidade que a doce retórica religiosa tenta em vão ocultar ou desmentir, mas deixa a nu se observarmos as coisas por trás das aparências.
E mais uma vez as pessoas têm que tomar muito cuidado com as aparências. Pois existem inúmeras formas de cometer perversidades, uma delas é se apoiar das mais belas, doces e admiráveis palavras e dos mais positivos pretextos. Convém tomarmos muito cuidado.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
domingo, 17 de janeiro de 2016
Adoração a Chico Xavier expressa conservadorismo de seus seguidores
Você gosta de Francisco Cândido Xavier? Sim, o Chico Xavier das mensagens publicadas no Facebook ou no WhatsApp, dos vídeos "adoráveis" curtidos em massa no YouTube? Pois você é uma pessoa bastante conservadora e não leva em conta essa condição.
Muitos seguidores de Chico Xavier parecem pessoas modernas, vanguardistas e progressistas, mas no âmago de suas almas, são na verdade indivíduos conservadores, moralistas, mistificadores, que talvez tenham embarcado em causas modernas e vanguardistas apenas por algum modismo ou relativa solidariedade.
O Brasil tem esse cacoete de apreciar parcialmente o novo e manter sempre velhas raízes. Constrói-se coisas novas a partir de bases velhas, como se não bastasse o país ter o hábito de sempre perceber novas tendências de maneira tardia. Ou seja, quando percebe, o potencial original já foi apagado e a causa já chega com algum nível ou potencial de deturpação.
Daí que muitos perguntam se determinadas pessoas são vanguardistas ou progressistas por um momentâneo arroubo de juventude. Ou porque convivem com pessoas mais arrojadas e ousadas e se tornam provisórios parceiros de suas atividades? Ou porque alguém considerado retrógrado demais é desqualificado, como um anel valioso que passou a apertar os dedos dos privilegiados de uma ocasião.
A verdade é que a adoração a Chico Xavier por uma considerável parcela da sociedade revela, nela, um sutil ou acentuado grau de conservadorismo ideológico e resíduos do velho fanatismo religioso e do deslumbramento fácil a estereótipos da fé e da bondade, emoções originárias de raízes católicas portuguesas, introduzidas no Brasil com suas concepções ainda medievais.
CHICO XAVIER FOI CONSERVADOR E RETRÓGRADO
A figura de Chico Xavier é a que há de mais conservadora e retrógrada existente no país. Até sua aparência remete a um ídolo cafona, e nada existe nele que possa ser considerado progressista, vanguardista ou avançado.
Até a crença do "médium" em extraterrestres é algo mais antiquado do que já se via nos países europeus e nos EUA no século XIX, e, no tempo do anti-médium, ficções científicas dos anos 1920 e 1930, com personagens como Flash Gordon e Buck Rogers, trabalhavam com muito mais competência e consistência.
Católico ortodoxo, que rezava terços e novenas, tão "espiritualizado" que colecionava imagens de santos (matéria física, objetos de idolatria fútil) e falava com elas - até que descobriu que podia manter contato com o reacionário jesuíta padre Manuel da Nóbrega, que se rebatizou como Emmanuel - , Chico sempre foi conservador em sua fé religiosa.
Ele era tão conservador que acabou defendendo uma ideologia obscurantista e medieval que os sacerdotes da Igreja Católica defendiam na chamada "Idade das Trevas": a Teologia do Sofrimento, que se baseava na ideia de que as pessoas que sofrem deveriam aceitar suas desgraças visando obter as "bênçãos do Céu".
Isso não é acusação indevida. Chico Xavier deixou claro em suas frases: o sofredor deveria "amar" seu sofrimento e não se queixar dele, não agir para superá-lo mas servir de maneira submissa a seus algozes para que, aguentando as piores coisas da vida, fosse designado a receber os "prêmios" da "vida futura" (como os "espíritas" definem a "vida eterna" dos católicos).
CHICO XAVIER DEFENDIA O SOFRIMENTO "SEM QUEIXUMES"
Chico Xavier disse com as próprias palavras: "sofrer amando", "sofrer em silêncio", "sofrer sem demonstrar sofrimento". Isso está claro. Nem gemer de dor era recomendável, mas a oração em silêncio para não perturbar o sossego dos algozes. Tudo feito sem queixumes, sem reclamações, sem constestações de qualquer espécie, mas apenas "com fé em Deus".
Chico Xavier defendeu a ditadura militar, também com suas próprias palavras, inclusive falando mal de operários e dos camponeses. E isso numa entrevista ao Pinga-Fogo da TV Tupi, em julho de 1971, para milhares de espectadores. Chico Xavier mostrando um golpismo das vésperas de 1964, de maneira ainda piorada.
Afinal, ele pedia para que orássemos para os generais e oficiais da ditadura, porque estavam construindo um "reino de amor" para o Brasil do futuro. Sim, isso mesmo. Um "reino de amor" feito sob o banho de sangue dos presos políticos. Isso é "amor", "paz" e "solidariedade"?
O próprio "patrulhamento" dos seguidores de Chico Xavier revela esse conservadorismo. Conservando o mito de Chico Xavier, às custas do apelo que se resume na ideia cínica de "tá certo, ele errou, mas deixe pra lá", tentativa desesperada de empurrar o anti-médium para o espiritismo mais genuíno, praticamente permanecendo "ocioso", por puro "enfeite", nos ambientes de trabalho de Allan Kardec.
Esquecemos como são os seguidores de Chico Xavier. Se são esquerdistas, não possuem muita convicção e só aderem a causas pouco desafiadoras. Se são vanguardistas, chegam a um ponto em que não podem ser muito audaciosos. Se são modernos, sempre têm um momento em que se mostram, na verdade, retrógrados.
SEGUIDORES DE CHICO XAVIER ACABAM DEMONSTRANDO CONSERVADORISMO
É isso que se vê. E a maioria dos seguidores de Chico Xavier é ainda de um conservadorismo mais acentuado: se submetem à influência da Rede Globo, leem a revista Veja, são moralistas e deslumbrados religiosos, são reacionários e impõem limites para os debates sobre os problemas existentes no Brasil.
Chico Xavier era uma figura conservadora pelas raízes sociais em que se formou a sua personalidade. Interiorano nascido no tempo da República Velha, onde prevalecia resíduos de escravidão e as eleições eram decididas pelo "voto de cabresto" (o povo já recebia as cédulas prontas com o nome do candidato do "coronel" da região), Chico sempre foi um fanático católico e moralista severo.
Ele personificou aspectos de submissão pessoal, pregação moralista, e uma falta de coragem de desafiar o poder dominante e vigente. Não era a melhor pessoa para se contar no combate às desigualdades sociais. Tido como "pacifista", ele era mais passivo que pacificador, preferia manter as injustiças sociais do que derrubar os tiranos e corruptos que delas construíam seus privilégios.
Até a ideia de que Chico Xavier "rompeu" com o Catolicismo é mentirosa. Ele continuou católico fervoroso, fanático e ortodoxo, até o fim da vida, e a verdade é que apenas alguns setores da Igreja Católica se tornaram hostis a ele.
E se os "espíritas" acham natural a influência católica em Chico Xavier, a realidade mostra que ela se tornou nociva, tanto quanto o roustanguismo abertamente defendido nos primórdios da Federação "Espírita" Brasileira, porque ambos contrariavam frontalmente o pensamento e as recomendações de Allan Kardec dadas em seu tempo.
O obscurantismo científico do "espiritismo" de Chico Xavier pode não ser tão explícito no tempo das cruzadas, mas sua pregação para "não questionar as coisas" intimida o avanço do pensamento científico e, em que pese a relativa aceitação das atividades científicas pelo "movimento espírita", a mistificação mesmo assim impõe limites e lança suas mentiras, como os supostos pioneirismos científicos do "médium" e seus "amigos do além".
Pois enquanto os brasileiros acreditam que Chico Xavier antecipou em 13 ou 60 anos as descobertas científicas sobre a glândula pineal, a verdade mostra o contrário, pois nos anos 1940 assuntos que só eram atribuídos ao livro "espírita" Missionários da Luz já eram estudados décadas antes e as teses alegadas estavam presentes nas obras de autores como o alemão Wolfgang Bargmann, já naquela década.
E se enquanto os brasileiros acreditam que Chico Xavier antecipou em até 80 anos descobertas de vida em Marte, presença de água e civilizações adiantadas e construção de canais fluviais artificiais, tudo isso era fartamente discutido antes do "médium" nascer, a ponto de Percival Lowell ter estudado o assunto no século XIX e lançado uma trilogia cujo livro mais recente foi de 1908, dois anos antes do nascimento do anti-médium de Pedro Leopoldo.
No entanto, temos que ser medievais e aceitar tudo isso, em nome da fé, da paz, da bondade e da solidariedade. Somos reféns do deslumbramento religioso e é isso que prejudica o Brasil. Se Chico Xavier comprovou ter sido uma pessoa conservadora e até reacionária, seus seguidores vão adiante em tais posturas, revelando um conservadorismo que pode ser acentuado ou sutil conforme o caso, mas é de certa forma um conservadorismo. Em nome da fé, o relógio para.
sábado, 16 de janeiro de 2016
A balança sempre pesa no lado mais digno
EMMA WATSON APARECE NUM DOS FILMES DA SAGA HARRY POTTER AO LADO DO ATOR ALAN RICKMAN, FALECIDO POR CÂNCER.
A sociedade atual, nesta era pós-moderna, costuma divinizar pessoas fúteis, indignas ou mesmo criminosas, enquanto tenta desqualificar pessoas que procuram defender um mínimo de dignidade para a espécie humana.
Desta forma, numa época marcada pela mediocridade e estupidez, pessoas de personalidade mais fútil são vistas como "autênticas". Nivela-se os valores por baixo e quem demonstra ser fútil, frívola, canalha ou cafajeste sempre tem mais chances de ser admirado e respeitado.
Daí que um mal-entendido acabou vitimando a atriz inglesa Emma Watson. Ela, que participou da saga Harry Potter, série de longas-metragens infanto-juvenis inspiradas nos livros da escritora J. W. Rowling, estava apenas homenageando o colega Alan Rickman, veterano ator que faleceu há poucos dias de câncer, e que fazia o professor Snape. Emma fez o papel de uma de suas alunas, Hermione.
Pois Emma, na sua conta do Twitter, ao mencionar uma frase feminista de Alan Rickman, foi chamada de oportunista com a causa que ela defende, o novo feminismo através da palavra-chave #HeForShe.
Rickman teria dito, antes: "Nada há de errado em um homem ser feminista, eu penso que isso é para nossa vantagem mútua". Muitos internautas acusaram Emma de empurrar sua causa ao utilizar uma frase de Rickman sobre o feminismo, quando apenas lembrou que o saudoso colega apoiaria a causa.
Nada demais. Emma é militante da causa #HeForShe e ela citou a frase do colega por curiosidade, não como uma forma de empurrar sua causa. Mas ela "paga o preço" de procurar ser correto num mundo onde o "correto" é agir errado.
No Brasil, mulheres que fazem o papel de objetos sexuais, transformando seus corpos em verdadeiras mercadorias de consumo simbólico de homens com impulsos sexuais desenfreados, são até elogiadas pela mídia do entretenimento.
Ninguém acusou, pelo menos por meio de comentários difundidos em grande quantidade, a funqueira Renata Frisson, a Mulher Melão, de ter empurrado sua "sensualidade" num evento como um toplesszaço no Rio de Janeiro, feito para alertar sobre problemas como a violência doméstica e o câncer de mama.
O evento, que aparentemente investe na exibição de seios nus, era uma forma de um grupo de feministas em chamar a atenção para o corpo feminino, sem fazer apelos eróticos baratos. No entanto, a Mulher Melão, que é empresariada por um machista, invadiu o evento e desviou a atenção de jornalistas, inclusive estrangeiros, por conta de seu grotesco sensacionalismo.
Para piorar, a Mulher Melão tentou fazer um discurso infeliz se autoproclamando "feminista", quando se sabe que ela simboliza a exploração machista da mulher, reduzida a um objeto de desejo de machos tomados de excitações sexuais desenfreadas.
Mas a funqueira é "sincera" e "autêntica" e até "corajosa" em se destacar num evento como aquele, enquanto as verdadeiras manifestantes se sentiram lesadas em ver a causa ser empastelada por uma funqueira oportunista que não sabe o que é o melhor papel que a mulher merece exercer na sociedade.
Isso faz sentido para uma sociedade onde o "correto" é ser errado, uma deturpação grosseira do termo "gente como a gente" que apela para a apologia do erro, das imperfeições e dos defeitos, confundindo simplicidade com inferioridade social, moral e cultural.
Infelizmente, a balança sempre pesa no lado mais digno, e se vê Emma Watson sendo criticada num esforço dela em promover uma nova visão de feminismo. Pessoas têm coragem de chamá-la de oportunista e impostora, só porque ela tenta ser diferente da mesmice fútil que domina o entretenimento nesses tempos caóticos de hoje. Infelizmente, os valores andam muito invertidos.
A sociedade atual, nesta era pós-moderna, costuma divinizar pessoas fúteis, indignas ou mesmo criminosas, enquanto tenta desqualificar pessoas que procuram defender um mínimo de dignidade para a espécie humana.
Desta forma, numa época marcada pela mediocridade e estupidez, pessoas de personalidade mais fútil são vistas como "autênticas". Nivela-se os valores por baixo e quem demonstra ser fútil, frívola, canalha ou cafajeste sempre tem mais chances de ser admirado e respeitado.
Daí que um mal-entendido acabou vitimando a atriz inglesa Emma Watson. Ela, que participou da saga Harry Potter, série de longas-metragens infanto-juvenis inspiradas nos livros da escritora J. W. Rowling, estava apenas homenageando o colega Alan Rickman, veterano ator que faleceu há poucos dias de câncer, e que fazia o professor Snape. Emma fez o papel de uma de suas alunas, Hermione.
Pois Emma, na sua conta do Twitter, ao mencionar uma frase feminista de Alan Rickman, foi chamada de oportunista com a causa que ela defende, o novo feminismo através da palavra-chave #HeForShe.
Rickman teria dito, antes: "Nada há de errado em um homem ser feminista, eu penso que isso é para nossa vantagem mútua". Muitos internautas acusaram Emma de empurrar sua causa ao utilizar uma frase de Rickman sobre o feminismo, quando apenas lembrou que o saudoso colega apoiaria a causa.
Nada demais. Emma é militante da causa #HeForShe e ela citou a frase do colega por curiosidade, não como uma forma de empurrar sua causa. Mas ela "paga o preço" de procurar ser correto num mundo onde o "correto" é agir errado.
No Brasil, mulheres que fazem o papel de objetos sexuais, transformando seus corpos em verdadeiras mercadorias de consumo simbólico de homens com impulsos sexuais desenfreados, são até elogiadas pela mídia do entretenimento.
Ninguém acusou, pelo menos por meio de comentários difundidos em grande quantidade, a funqueira Renata Frisson, a Mulher Melão, de ter empurrado sua "sensualidade" num evento como um toplesszaço no Rio de Janeiro, feito para alertar sobre problemas como a violência doméstica e o câncer de mama.
O evento, que aparentemente investe na exibição de seios nus, era uma forma de um grupo de feministas em chamar a atenção para o corpo feminino, sem fazer apelos eróticos baratos. No entanto, a Mulher Melão, que é empresariada por um machista, invadiu o evento e desviou a atenção de jornalistas, inclusive estrangeiros, por conta de seu grotesco sensacionalismo.
Para piorar, a Mulher Melão tentou fazer um discurso infeliz se autoproclamando "feminista", quando se sabe que ela simboliza a exploração machista da mulher, reduzida a um objeto de desejo de machos tomados de excitações sexuais desenfreadas.
Mas a funqueira é "sincera" e "autêntica" e até "corajosa" em se destacar num evento como aquele, enquanto as verdadeiras manifestantes se sentiram lesadas em ver a causa ser empastelada por uma funqueira oportunista que não sabe o que é o melhor papel que a mulher merece exercer na sociedade.
Isso faz sentido para uma sociedade onde o "correto" é ser errado, uma deturpação grosseira do termo "gente como a gente" que apela para a apologia do erro, das imperfeições e dos defeitos, confundindo simplicidade com inferioridade social, moral e cultural.
Infelizmente, a balança sempre pesa no lado mais digno, e se vê Emma Watson sendo criticada num esforço dela em promover uma nova visão de feminismo. Pessoas têm coragem de chamá-la de oportunista e impostora, só porque ela tenta ser diferente da mesmice fútil que domina o entretenimento nesses tempos caóticos de hoje. Infelizmente, os valores andam muito invertidos.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2016
Allan Kardec também alertou para a suposta "bondade" dos "médiuns"
MAIS UMA PROVA DE QUE CHICO XAVIER SERIA SEVERAMENTE REPROVADO POR ALLAN KARDEC.
O "espiritismo" brasileiro costuma ser bastante seletivo quando cita trechos de livros de Allan Kardec. Os "espíritas" só aproveitam o que lhes interessa, quando as ideias kardecianas não contrariam seus interesses mistificadores e manipuladores.
Em certos casos, até os recados de Erasto são tendenciosamente usurpados pelo "movimento espírita", tentando nos fazer esquecer que os "espíritas" brasileiros, mesmo o "renomado" Francisco Cândido Xavier, são os inimigos internos alertados pelo espírito do discípulo de Paulo de Tarso.
No entanto, quando as ideias de Allan Kardec se voltam claramente contra os "espíritas" brasileiros, eles as descartam. Deixam para lá, ignoram, não falam coisa alguma a respeito. Se omitem e ficam apenas com os pontos da literatura kardeciana que lhes são agradáveis.
Um dos livros evitados é O Livro dos Médiuns, que, na tradução de José Herculano Pires, apresenta um texto em português próximo da natureza original das palavras kardecianas. E o livro simplesmente mostra muitos aspectos que deixam os "espíritas" arrepiados.
Nem mesmo a tão festejada imagem de "bondade" atribuída ao mito de Chico Xavier escapa dos alertas do livro kardeciano. Aqui, mesmo alguns contestadores da deturpação "espírita" deixam passar esse aspecto, atribuindo ao suposto médium "sincera dedicação ao próximo", mas eles ignoram que muito dessa "bondade" não passa de publicidade armada pela mídia, nos moldes que se fez, lá fora, com Madre Teresa de Calcutá.
O referido trecho se encontra no capítulo 20 de O Livro dos Médiuns, intitulado Influência Moral dos Médiuns, na pergunta sexta do item 226, que em poucas palavras revela a armadilha que é atribuir "tanta bondade" a um suposto médium marcado pela deturpação doutrinária e pelas fraudes de seu trabalho:
6. Se as qualidades morais do médium afastam os Espíritos imperfeitos, porque um médium dotado de boas qualidades transmite respostas falsas ou grosseiras?
— Conheces todos os segredos da sua alma? Além disso, sem ser vicioso ele pode ser leviano e frívolo. E pode também necessitar de uma lição, para que se mantenha vigilante.
Chico Xavier já cometeu crueldades relacionadas à sua atividade "mediúnica". Muitas. Ele também foi adepto da Teologia do Sofrimento, ideologia maligna que defendia que os sofredores tinham que aguentar as piores coisas da vida com o objetivo de ganhar "bênçãos no céu".
O "médium" já fez julgamento de valor infundado, chamando o humilde povo, que foi assistir a um espetáculo de circo em Niterói e sofreu a tragédia do incêndio criminoso, no final de 1961, de "romanos sanguinários".
Além disso, o Chico Xavier que "nunca irritava" ficou visivelmente irritado quando amigos do falecido jovem Jair Presente, que conviveram com este rapaz, nunca acreditaram nas mensagens mediúnicas atribuídas a ele. Ríspido, Chico Xavier disse que esse ceticismo era "bobagem da grossa".
E outro aspecto que não devemos esquecer é a defesa de Chico Xavier pela ditadura militar. Enquanto ele disparava comentários golpistas contra operários e camponeses, num reacionarismo extremo, ele pedia para orarmos pelos generais e torturadores que, sob o banho de sangue das vítimas assassinadas, estavam construindo um "reino de amor" para o futuro.
Daí que as pessoas deveriam pensar duas vezes antes de reagir incomodadas com as críticas que se faz ao seu ídolo religioso. Chico Xavier acumulou um histórico triste de escândalos, confusões, fraudes e tudo o mais. A defesa da ditadura militar foi dita por ele mesmo, em um programa de TV de grande audiência.
Que pessoa "bondosa" é essa? Será que ninguém conhece as armadilhas que estão por trás das aparências? A fé religiosa é garantia contra enganos e ilusões traiçoeiras? Aí é que está o problema que o livro kardeciano nos alertou há mais de 150 anos.
O "espiritismo" brasileiro costuma ser bastante seletivo quando cita trechos de livros de Allan Kardec. Os "espíritas" só aproveitam o que lhes interessa, quando as ideias kardecianas não contrariam seus interesses mistificadores e manipuladores.
Em certos casos, até os recados de Erasto são tendenciosamente usurpados pelo "movimento espírita", tentando nos fazer esquecer que os "espíritas" brasileiros, mesmo o "renomado" Francisco Cândido Xavier, são os inimigos internos alertados pelo espírito do discípulo de Paulo de Tarso.
No entanto, quando as ideias de Allan Kardec se voltam claramente contra os "espíritas" brasileiros, eles as descartam. Deixam para lá, ignoram, não falam coisa alguma a respeito. Se omitem e ficam apenas com os pontos da literatura kardeciana que lhes são agradáveis.
Um dos livros evitados é O Livro dos Médiuns, que, na tradução de José Herculano Pires, apresenta um texto em português próximo da natureza original das palavras kardecianas. E o livro simplesmente mostra muitos aspectos que deixam os "espíritas" arrepiados.
Nem mesmo a tão festejada imagem de "bondade" atribuída ao mito de Chico Xavier escapa dos alertas do livro kardeciano. Aqui, mesmo alguns contestadores da deturpação "espírita" deixam passar esse aspecto, atribuindo ao suposto médium "sincera dedicação ao próximo", mas eles ignoram que muito dessa "bondade" não passa de publicidade armada pela mídia, nos moldes que se fez, lá fora, com Madre Teresa de Calcutá.
O referido trecho se encontra no capítulo 20 de O Livro dos Médiuns, intitulado Influência Moral dos Médiuns, na pergunta sexta do item 226, que em poucas palavras revela a armadilha que é atribuir "tanta bondade" a um suposto médium marcado pela deturpação doutrinária e pelas fraudes de seu trabalho:
6. Se as qualidades morais do médium afastam os Espíritos imperfeitos, porque um médium dotado de boas qualidades transmite respostas falsas ou grosseiras?
— Conheces todos os segredos da sua alma? Além disso, sem ser vicioso ele pode ser leviano e frívolo. E pode também necessitar de uma lição, para que se mantenha vigilante.
Chico Xavier já cometeu crueldades relacionadas à sua atividade "mediúnica". Muitas. Ele também foi adepto da Teologia do Sofrimento, ideologia maligna que defendia que os sofredores tinham que aguentar as piores coisas da vida com o objetivo de ganhar "bênçãos no céu".
O "médium" já fez julgamento de valor infundado, chamando o humilde povo, que foi assistir a um espetáculo de circo em Niterói e sofreu a tragédia do incêndio criminoso, no final de 1961, de "romanos sanguinários".
Além disso, o Chico Xavier que "nunca irritava" ficou visivelmente irritado quando amigos do falecido jovem Jair Presente, que conviveram com este rapaz, nunca acreditaram nas mensagens mediúnicas atribuídas a ele. Ríspido, Chico Xavier disse que esse ceticismo era "bobagem da grossa".
E outro aspecto que não devemos esquecer é a defesa de Chico Xavier pela ditadura militar. Enquanto ele disparava comentários golpistas contra operários e camponeses, num reacionarismo extremo, ele pedia para orarmos pelos generais e torturadores que, sob o banho de sangue das vítimas assassinadas, estavam construindo um "reino de amor" para o futuro.
Daí que as pessoas deveriam pensar duas vezes antes de reagir incomodadas com as críticas que se faz ao seu ídolo religioso. Chico Xavier acumulou um histórico triste de escândalos, confusões, fraudes e tudo o mais. A defesa da ditadura militar foi dita por ele mesmo, em um programa de TV de grande audiência.
Que pessoa "bondosa" é essa? Será que ninguém conhece as armadilhas que estão por trás das aparências? A fé religiosa é garantia contra enganos e ilusões traiçoeiras? Aí é que está o problema que o livro kardeciano nos alertou há mais de 150 anos.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Governo Federal sanciona Dia do Evangelho para favorecer igrejas
A presidenta Dilma Rousseff sancionou, ontem, a Lei 13.246, que institui o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho, "sem qualquer discriminação de credo entre igrejas cristãs". Já existe um outro Dia Nacional do Evangelho, celebrado em 30 de novembro. A data da nova efeméride, 31 de outubro, coincide com o Dia das Bruxas, conhecido no exterior como Halloween.
Embora aparentemente seja uma ótima notícia, sobretudo para aqueles que estão acostumados com a fé religiosa e com a associação da mesma a tudo de bom que acreditam, o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho reflete o lobby da bancada evangélica no Congresso Nacional.
Embora a palavra "evangelho" venha do grego "euangelion", que quer dizer "boa nova", o termo ficou banalizado pelo Catolicismo medieval como um repertório de mensagens mistificadoras na qual se destaca a submissão pela fé aos dogmas e ritos religiosos.
Evangelizar é, portanto, fazer proselitismo religioso, envolver as pessoas num repertório ideológico que envolve mitos surreais, ideias místicas e pregações moralistas. Embora a palavra "evangelho" fascine muitas pessoas, por representar uma ideia que acreditam "boa", como se fosse a "mensagem da bondade", ela tornou-se um processo de manipulação e dominação ideológica pela religião.
COMPETIÇÃO
O grande problema é que, embora haja a promessa de "não promover a discriminação", a iniciativa fortalece a já acirrada competição entre a Igreja Católica, as seitas neopentecostais e o "movimento espírita".
A ideia, portanto, que está por trás disso tudo não é a transmissão da "boa palavra" ou das "mensagens de amor e paz", mas na disputa de "rebanhos" dos três movimentos, como uma forma de estabelecer um poder teocrático no Brasil.
A influência da "bancada da Bíblia", fortalecida com a escolha do deputado carioca Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados, ele que é membro da Assembleia de Deus, põe as seitas neopentecostais, consideradas "evangélicas", em posição de vantagem na concorrência religiosa.
No entanto, observa-se também o entusiasmo do "movimento espírita", que com sua vocação igrejista sempre pautou pela "evangelização" como forma atualizada do antigo catecismo, aproveitando a influência do padre jesuíta Manuel da Nóbrega, que havia sido mentor de Francisco Cândido Xavier.
É notória a maneira com que Chico Xavier exaltava os dogmas religiosos, e a palavra "evangelho", no sentido em que foi trazido pelo Catolicismo medieval - base ideológica do "espiritismo" brasileiro - , lhe soa como uma música para seus ouvidos.
A própria ideia de "Pátria do Evangelho" inspira a comemoração dos "espíritas" quanto ao decreto da referida data, e imagina quantas palestras "encantadoras" serão feitas nos "centros espíritas" e quantos artigos em nos periódicos dessa doutrina, celebrando a efeméride, que sob a ótica "espírita" seria o primeiro passo para o que acreditam ser o cumprimento da "profecia de Chico Xavier" para o Brasil.
ALLAN KARDEC QUERIA ESTUDAR E NÃO ADORAR
O "espiritismo" brasileiro, no seu discurso ideológico, tenta confundir as ideias de estudo e culto, para garantir seu igrejismo dissimulado por um falso cientificismo. E definem, equivocadamente, o pedagogo Allan Kardec como "evangelizador", sem atentar sobre o verdadeiro histórico de um de seus principais livros.
O livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de 1864, cujo título francês é L'Évangile selon le spiritisme, inicialmente se intitularia Imitation de L'Évangile selon le spiritisme. Embora a palavra francesa "imitation" possa ser traduzida como "imitação", o termo, neste caso, é um falso cognato, por apresentar um outro significado, "interpretação".
Kardec estudava os evangelhos apócrifos do Novo Testamento, a partir de uma tradução francesa, de Leimastre de Sacy, mas considerando também as traduções em grego e hebraico. Ele também dedicava um capítulo para analisar o pensamento de Sócrates e Platão e, além disso, dedica um capítulo, no começo do livro, para o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos.
Portanto, é uma obra de questionamentos e argumentações, e não uma obra de louvor ou uma "Bíblia espírita". Kardec queria estudar, não adorar o Evangelho. O termo "evangelho" pouco tem da forma glamourosa que se conhece, e serve apenas para as análises de conteúdo trazidas pelo pedagogo francês.
Se os "espíritas" passaram a adotar o termo "evangelho" no sentido igrejista, é porque tomaram como partida a fonte de toda a catolicização do "espiritismo" brasileiro, o livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing, autor que, embora seja visto pelos "espíritas" como se fosse um "bicho-papão", forneceu as diretrizes que a doutrina brasileira adota até hoje.
Portanto, a "evangelização espírita" segue esse princípio de um "roustanguismo sem Roustaing" da fase dúbia do "espiritismo", em que o igrejismo se traveste de ciência para seduzir e ludibriar as pessoas, competindo com católicos e neopentecostais para ver quem promove a Teocracia no Brasil.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
"Espiritismo" e a manobra ideológica da "união fraterna"
O "movimento espírita", nos momentos em que a discordância e o conflito batem à sua porta e nas ocasiões em que as contestações a ele se tornam mais rigorosas, faz jogo de cena e, sob o pretexto de ser vítima de "lamentáveis campanhas de ódio", pede "união" e "solidariedade" ante "tamanhas tempestades".
Com isso, investe em declarações chorosas, reforçando seu igrejismo, pedindo "mais fé em Deus" e "mais amor em Cristo", e pregam a "união fraterna" e a "solidariedade" como forma de superar tais turbulências.
Só que a gente sabe que esse discurso de "união", tão vago quanto carregado de muita pieguice, é completamente inócuo. Afinal, de que forma nos "uniremos"? Para que causa iremos "nos solidarizar" que não sejam as causas abstratas da "fé em Deus" e do "amor em Cristo"?
Isso os "espíritas" não sabem explicar. É bem provável que não queiram. E, como o "espiritismo" brasileiro é movido por conceitos herdados do Catolicismo português, de herança medieval, a ideia que temos é a "união" no sentido de "juntar o rebanho", de "não deixar o gado se perder".
A ideia de "união", trazida por ideologias manipuladoras e com tendência dominante, esconde, na verdade, um mecanismo de juntar pessoas para obedecerem a alguma causa em jogo, atraindo o maior respaldo possível a alguma causa em jogo, no caso a deturpação "espírita".
Na história do "movimento espírita", campanhas de "união" e "solidariedade" sempre tiveram como propósito a supremacia da tendência religiosista da doutrina, e isso é coisa que vem desde os primeiros anos da Federação "Espírita" Brasileira.
O então presidente da FEB, o médico Adolfo Bezerra de Menezes - que ainda necessita de uma biografia imparcial e realista, despida de deslumbramentos religiosos e idolatrias sem nexo - é oficialmente tido como "unificador", resolvendo as discordâncias de forma que prevalecesse a causa roustanguista que transformou a Doutrina Espírita num engodo igrejista.
Com os incidentes e impasses ao longo dos anos, é risível o decorrer das manobras "unificadoras" do "movimento espírita". Em 1884, um falso Allan Kardec, em mensagem "espiritual" trazida estranhamente em língua portuguesa, pedia para as pessoas se unirem em torno da "Revelação da Revelação", alusão ao subtítulo do livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing.
Na crise do roustanguismo, que se acentuou sobretudo com a aposentadoria de Antônio Wantuil de Freitas, que no começo dos anos 1970 saiu da presidência da FEB e, doente, faleceu em 1974, um falso Bezerra de Menezes, em mensagem também tida como "espiritual", afirmava seu "arrependimento" pela postura roustanguista e pedia para as pessoas se unirem em torno de Allan Kardec e apelava para que todos se "kardequizarem".
Era, na verdade, uma postura tendenciosa. Dr. Bezerra "reaparecia" em mensagens diversas divulgadas por Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco. Roustanguistas, Chico Xavier e Divaldo Franco viram o navio da cúpula da FEB se naufragar e, portanto, tinham que "mudar de barco" e se aliarem aos "espíritas" tidos como "kardecistas autênticos".
Desconfiado, Carlos Imbassahy, o pai, um dos críticos mais enérgicos da deturpação "espírita", havia denunciado esta corrente do "movimento espírita", pelo oportunismo que representavam alguns roustanguistas "dissidentes". Também chama-se a atenção quanto ao verbo "kardequizar" (e não "kardecizar", que sugere um igrejismo sutil, por ser uma corruptela do termo "catequizar".
O verbo "catequizar", que corresponde à educação feita para converter laicos, pagãos e hereges à Igreja Católica, foi uma prática que a História do Brasil registra como o método de ensino dos jesuítas. Um dos jesuítas conhecidos, o padre Manuel da Nóbrega, reapareceu no "movimento espírita" através de Chico Xavier e usando o codinome Emmanuel, referente a "Ermano Manuel" ("Irmão Manuel", em português arcaico) dos tempos coloniais.
Foi a corrente dos "kardecistas autênticos" que passou a prevalecer no "movimento espírita" a partir dos meados da década de 1970. Uma corrente contraditória, da qual seus seguidores e ideólogos juravam a "fidelidade absoluta" a Allan Kardec, mas expressavam um igrejismo evidentemente de influência católica, que seus malabarismos discursivos tentaram, em vão, esconder.
Essa corrente se tornou traiçoeira porque seus ideólogos faziam de tudo para manter a aparência "kardeciana". permitindo que se façam textos com ligeiras abordagens "científicas" e que se até se use, desde que de maneira tendenciosa, os alertas de Erasto contra os "inimigos internos" do Espiritismo.
Essa apropriação era uma amostra da astúcia dos "kardecistas autênticos" que escondiam sua própria condição de deturpadores do Espiritismo. Eles, os verdadeiros inimigos internos, como lobos em pele de cordeiro, se passariam por "fiéis seguidores de Allan Kardec" ao "denunciar" os "outros inimigos", enquanto eles mancham o Espiritismo com seu igrejismo mal disfarçado de "espiritismo de verdade".
E aí é o que vemos na fase atual do "movimento espírita". Prevalece uma abordagem igrejista, de inspiração roustanguista, mas muito mal disfarçada na pretensa combinação entre Ciência, Filosofia e Moral. E, o que é pior, com os espertalhões "espíritas" fingindo "respeito rigoroso ao pensamento de Kardec" e até fazendo que "denunciam" os "igrejismos" e "vaticanizações" da Doutrina Espírita.
E é isso que o "movimento espírita" quer. Que nos "unamos" na deturpação dissimulada que eles fazem. Que aceitemos suas contradições e seus erros, seu moralismo, seu igrejismo, e fiquemos felizes porque eles são "bonzinhos" e ilustram seus textos e palestras com coraçõezinhos, crianças alegres ou ilustrações pseudo-científicas de seres humanos.
Daí que existem armadilhas até no discurso "unificador", em que a demagogia esconde processos de dominação e manipulação. A ideia é "unir as pessoas" como se fosse juntar um gado, um rebanho, para que sofrêssemos "felizes", como "ensinou" Chico Xavier, unidos num mesmo deslumbramento religioso e num modo de vida "qualquer nota".
Fora das felizes alegorias, isso quer dizer que, como na canção de Zé Ramalho, tenhamos que viver uma "vida de gado". Povo marcado, povo "feliz".
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Falecimento de David Bowie e o fracasso das predições "espíritas"
ÚLTIMO VÍDEO MUSICAL DE DAVID BOWIE, DA MÚSICA "LAZARUS".
O falecimento de David Bowie, pelo que ele representou para a humanidade nas últimas décadas, surpreendeu o mundo. Ele havia lançado um novo disco, Blackstar, e havia completado 69 anos no último dia 08, mas faleceu vítima de câncer dois dias depois.
Bowie era uma das personalidades mais avançadas que passaram na Terra, pela sua carreira artística bastante criativa e versátil, com trabalhos fundamentais como cantor, músico, compositor e até ator. Ele está associado a muitos trabalhos de vanguarda que produziu em sua carreira, como os álbuns Space Oddity (1969), The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), Low (1977), Heroes (também 1977) e Lodger (1979).
O impacto causado pela morte do "camaleão do rock" significa não apenas a perda de um músico ímpar, que deixa a música cada vez mais órfã e mais entregue à canastrice comercial que já domina nos últimos 25 anos, mas também a queda de um mito tão alardeado pelo "movimento espírita" brasileiro - sobretudo Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco - , a de que pessoas atrasadas estariam morrendo mais cedo que pessoas de perfil mais avançado.
É certo que há, no Brasil e no exterior, homicidas famosíssimos que, já idosos, estejam perto de morrer, e alguns deles, psicopatas, feminicidas ou assassinos de ativistas ambientais, mostram históricos que variam da combinação de intenso tabagismo, álcool e cocaína ou graves problemas de úlcera, passando por overdose de remédios.
Mas, descontando o medo da sociedade moralista, da qual a grande mídia é representante, de se preparar para as mortes desses assassinos, a tendência também não chega a ser comum, se comparado com tantas pessoas de brilhante talento que se vão, se não prematuramente, pelo menos no auge de sua produção artística e cultural.
E David Bowie faleceu em péssima hora, quando o entretenimento é cada vez mais dominado por ídolos musicais canastrões, mulheres "sensuais" que não tem o que dizer e só vivem de mostrar o corpo e subcelebridades que só querem saber de noitadas e curtição. A arte morre aos poucos e isso diz muito para a fracasso que, no Brasil, atinge as predições de "espíritas" quanto aos acontecimentos no país e no restante do planeta.
Eles afirmam que o que vai imperar são pessoas de grande elevação moral e intelectual, que haverá manifestações culturais e artísticas de alto conceito, já nestes anos. Mas, a ver como é essa doutrina brasileira que se baseia na herança do Catolicismo medieval, isso não passa de conversa para boi dormir.
Com suas apostas fantasiosas de datas fixas, os "espíritas" fracassam em suas apostas e inventam que imprevistos aconteceram e por isso "reuniões" com "autoridades espirituais" são feitas para "decidir uma nova data" para a recuperação moral da Terra. Algo que soa muito patético, e revela a insegurança que os próprios "espíritas" em não poder encarar a realidade dos fatos imprevisíveis.
Desde o ano 2000, uma série de óbitos relativamente precoces ou precipitados (quando pessoas com mais idade ainda estão com muitos projetos de atividade pela frente) deixou a humanidade da Terra quase acéfala, com várias lacunas de talentos que poderiam frear o avanço da mediocrização.
Enquanto isso, a mediocridade cultural atinge a música, entregue à canastrice dos ídolos "populares", a literatura, com seus livros fúteis que fazem dar pena chamar os antigos almanaques de "cultura inútil", na televisão, com as baixarias que conhecemos etc.
A mediocrização acontece de tal forma que uma banda como Guns N'Roses - pálido pastiche do Led Zeppelin - , ao anunciar sua presença no festival Coachella, fez seus ingressos se esgotarem rapidamente. Na sociedade do espetáculo e das subcelebridades, o poser metal acabou tendo o pretenso status de "rock clássico", até para atender aos interesses comerciais das revistas de rock pesado, que vendem mais com essa estética Menudo traduzida para nomes medianos do rock pesado.
É verdade que pessoas mais evoluídas nascem, mas as mudanças são lentas e graduais e não há tendência que alguma melhoria grande possa se efetivar em 2019, 2052 e 2057. As "profecias" de Chico Xavier e Divaldo Franco simplesmente não têm qualquer fundamento na realidade.
E a situação de crise mundial, na qual o Brasil e, acima de tudo, o Rio de Janeiro, estão sofrendo, marcadas pela estupidez política, pelo pedantismo tecnocrático e acadêmico e pela imbecilização cultural, parece estar muito forte para ser extinto a médio prazo.
Isso porque os maiores retrocessos sociais, culturais, políticos e acadêmicos acontecem sob o patrocínio de pessoas dotadas de poder de influência e decisão. E é a partir disso que, no plano artístico-cultural, torna-se mais raro haverem pessoas dotadas de personalidade e grande talento como David Bowie, e sejam mais comuns pessoas que não têm personalidade nem muito talento e se sobressaem pelo marketing e pelo sucesso financeiramente efetivado.
Resta pensarmos no problema da mediocridade cultural, no consumismo, nas futilidades, e em tantos problemas sócio-culturais. A perda de David Bowie mostra que o mundo ainda se encontra bastante atrasado e defasado. Espera-se que, pelo menos, seu legado sinalize novos talentos que possam ao menos reduzir o poder avassalador da canastrice cultural.
Na análise "espírita", a morte de David Bowie significa a falência de um otimismo confuso que tem a mania de fixar datas com o apetite de quem faz apostas em cassinos, como também derruba farsas tipo "crianças-índigo", "planetas chupões" e "culturas astrais".
O falecimento de David Bowie, pelo que ele representou para a humanidade nas últimas décadas, surpreendeu o mundo. Ele havia lançado um novo disco, Blackstar, e havia completado 69 anos no último dia 08, mas faleceu vítima de câncer dois dias depois.
Bowie era uma das personalidades mais avançadas que passaram na Terra, pela sua carreira artística bastante criativa e versátil, com trabalhos fundamentais como cantor, músico, compositor e até ator. Ele está associado a muitos trabalhos de vanguarda que produziu em sua carreira, como os álbuns Space Oddity (1969), The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), Low (1977), Heroes (também 1977) e Lodger (1979).
O impacto causado pela morte do "camaleão do rock" significa não apenas a perda de um músico ímpar, que deixa a música cada vez mais órfã e mais entregue à canastrice comercial que já domina nos últimos 25 anos, mas também a queda de um mito tão alardeado pelo "movimento espírita" brasileiro - sobretudo Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco - , a de que pessoas atrasadas estariam morrendo mais cedo que pessoas de perfil mais avançado.
É certo que há, no Brasil e no exterior, homicidas famosíssimos que, já idosos, estejam perto de morrer, e alguns deles, psicopatas, feminicidas ou assassinos de ativistas ambientais, mostram históricos que variam da combinação de intenso tabagismo, álcool e cocaína ou graves problemas de úlcera, passando por overdose de remédios.
Mas, descontando o medo da sociedade moralista, da qual a grande mídia é representante, de se preparar para as mortes desses assassinos, a tendência também não chega a ser comum, se comparado com tantas pessoas de brilhante talento que se vão, se não prematuramente, pelo menos no auge de sua produção artística e cultural.
E David Bowie faleceu em péssima hora, quando o entretenimento é cada vez mais dominado por ídolos musicais canastrões, mulheres "sensuais" que não tem o que dizer e só vivem de mostrar o corpo e subcelebridades que só querem saber de noitadas e curtição. A arte morre aos poucos e isso diz muito para a fracasso que, no Brasil, atinge as predições de "espíritas" quanto aos acontecimentos no país e no restante do planeta.
Eles afirmam que o que vai imperar são pessoas de grande elevação moral e intelectual, que haverá manifestações culturais e artísticas de alto conceito, já nestes anos. Mas, a ver como é essa doutrina brasileira que se baseia na herança do Catolicismo medieval, isso não passa de conversa para boi dormir.
Com suas apostas fantasiosas de datas fixas, os "espíritas" fracassam em suas apostas e inventam que imprevistos aconteceram e por isso "reuniões" com "autoridades espirituais" são feitas para "decidir uma nova data" para a recuperação moral da Terra. Algo que soa muito patético, e revela a insegurança que os próprios "espíritas" em não poder encarar a realidade dos fatos imprevisíveis.
Desde o ano 2000, uma série de óbitos relativamente precoces ou precipitados (quando pessoas com mais idade ainda estão com muitos projetos de atividade pela frente) deixou a humanidade da Terra quase acéfala, com várias lacunas de talentos que poderiam frear o avanço da mediocrização.
Enquanto isso, a mediocridade cultural atinge a música, entregue à canastrice dos ídolos "populares", a literatura, com seus livros fúteis que fazem dar pena chamar os antigos almanaques de "cultura inútil", na televisão, com as baixarias que conhecemos etc.
A mediocrização acontece de tal forma que uma banda como Guns N'Roses - pálido pastiche do Led Zeppelin - , ao anunciar sua presença no festival Coachella, fez seus ingressos se esgotarem rapidamente. Na sociedade do espetáculo e das subcelebridades, o poser metal acabou tendo o pretenso status de "rock clássico", até para atender aos interesses comerciais das revistas de rock pesado, que vendem mais com essa estética Menudo traduzida para nomes medianos do rock pesado.
É verdade que pessoas mais evoluídas nascem, mas as mudanças são lentas e graduais e não há tendência que alguma melhoria grande possa se efetivar em 2019, 2052 e 2057. As "profecias" de Chico Xavier e Divaldo Franco simplesmente não têm qualquer fundamento na realidade.
E a situação de crise mundial, na qual o Brasil e, acima de tudo, o Rio de Janeiro, estão sofrendo, marcadas pela estupidez política, pelo pedantismo tecnocrático e acadêmico e pela imbecilização cultural, parece estar muito forte para ser extinto a médio prazo.
Isso porque os maiores retrocessos sociais, culturais, políticos e acadêmicos acontecem sob o patrocínio de pessoas dotadas de poder de influência e decisão. E é a partir disso que, no plano artístico-cultural, torna-se mais raro haverem pessoas dotadas de personalidade e grande talento como David Bowie, e sejam mais comuns pessoas que não têm personalidade nem muito talento e se sobressaem pelo marketing e pelo sucesso financeiramente efetivado.
Resta pensarmos no problema da mediocridade cultural, no consumismo, nas futilidades, e em tantos problemas sócio-culturais. A perda de David Bowie mostra que o mundo ainda se encontra bastante atrasado e defasado. Espera-se que, pelo menos, seu legado sinalize novos talentos que possam ao menos reduzir o poder avassalador da canastrice cultural.
Na análise "espírita", a morte de David Bowie significa a falência de um otimismo confuso que tem a mania de fixar datas com o apetite de quem faz apostas em cassinos, como também derruba farsas tipo "crianças-índigo", "planetas chupões" e "culturas astrais".
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