quarta-feira, 5 de outubro de 2016
A insensibilidade do moralismo "espírita"
Desconfie quando os palestrantes "espíritas" lhes dizem que a desgraça é um "aprendizado". O tom paternal dessa seita igrejeira, diante dos sofrimentos e das angústias alheias, esconde uma insensibilidade que tais religiosos sentem, até porque eles são os remediados da vida, vivendo na fortuna das palavras bonitas, recebendo condecorações e vivendo dos louvores da Terra.
Eles não sabem, muitas vezes, que as dificuldades ocorrem acima de qualquer esforço. Em muitos momentos, os esforços são muitos para um resultado que se torna aquém do esperado, isso quando eles não foram feitos em vão.
Nem toda desgraça é um aprendizado, nem todo infortúnio é uma bênção, mas os palestrantes "espíritas", senhores da "palavra final", acham que toda dificuldade é fácil de se superada e os obstáculos intransponíveis podem ser derrubados com um sorriso e uma prece. Talvez eles nem falem de dificuldades, porque as piores dificuldades, para eles, são "facilidades"!
Isso demonstra o vínculo que o "espiritismo" tem com a Teologia do Sofrimento, o que se comprova mais e mais, a cada dia, através de ideias e práticas. Não é preciso assumir uma causa para ser defensor da mesma, pode-se negar mil vezes no discurso, que a prática confirma, afirma e comprova milhões de vezes mais.
A Teologia do Sofrimento é a maior herança que o Catolicismo medieval deixou no "movimento espírita". Sabe-se que o "movimento espírita" é reflexo de uma tendência dominante no Brasil, que é assimilar uma novidade de forma parcial, como se negociasse o legado de alguma nova tendência com as tendências obsoletas que deveriam ser rompidas, mesclando apenas alguns valores básicos da nova tendência com a essência de valores retrógrados e obsoletos.
É como se criasse um bolo novo, no qual apenas a cobertura e algum recheio são novos. Mas a massa do bolo se torna velha e mofada, e por mais que o sabor seja enjoado e sua ingestão causar problemas, a ideia é que tem que prevalecer sempre essa receita, fossem os danos que causassem.
O velho sempre impõe condições para o novo, que chega sem a essência original. E isso ocorre em muitas tendências, o que faz com que o Brasil permanecesse no mesmo quadro de atraso, porque novos valores, em vez de transformarem, são praticamente anulados pela deturpação em prol de velhos valores.
E assim a novidade trazida por Allan Kardec teve que se adaptar ao Catolicismo medieval que os jesuítas deixaram no Brasil colonial. A Igreja Católica se desfez da "mobília" medieval, se adaptando aos poucos aos contextos do século XX, enquanto que o velho Catolicismo medieval apenas se misturou com alguns conceitos básicos da Doutrina Espírita para estabelecer os postulados brasileiros.
O deturpador Jean-Baptiste Roustaing acabou tendo preferência sobre Kardec. O roustanguismo desenhou as bases doutrinárias do "espiritismo" brasileiro, estando presentes em Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, os deturpadores brasileiros da Doutrina Espírita.
Mas nem Chico Xavier nem Divaldo Franco assumiram o roustanguismo, e, por razões político-institucionais - se vingariam de uma denúncia de um dirigente da FEB dizendo que Divaldo plagiou Chico, abandonando formalmente Roustaing que era o "mestre" da cúpula da federação - , se autoproclamaram "kardecistas autênticos".
E é com base nos dois deturpadores que se observa que o "espiritismo" brasileiro se apoia na Teologia do Sofrimento, que no exterior está associado a Santa Teresa de Lisieux e Madre Teresa de Calcutá. A Teologia do Sofrimento influi mais nos postulados do "movimento espírita" do que os livros de Allan Kardec, que têm que ser filtrados por traduções igrejistas como as das editoras FEB e IDE, que "pasteurizam" os postulados kardecianos para um conteúdo mais católico.
E é isso que faz com que o moralismo "espírita" tente considerar o sofrimento humano como coisa positiva. Descrever infortúnios e desgraças como "aprendizados" e "desafios", a exemplo do que Madre Teresa falou sobre o sofrimento, como um "presente de Deus", só revela a insensibilidade e o desprezo dos prejuízos humanos.
A cada dia os palestrantes "espíritas" mostram seu superficialismo, quando seu desfile de belas palavras perde o seu sentido de estímulo. Falar em "felicidade" e "viver a vida", dizer ao sofredor que "o mundo é belo" torna-se insuficiente pela complexidade das desgraças humanas, nas quais o belo desfile de palavras não traz qualquer resposta para os sofredores de situações muito graves.
Madre Teresa já foi denunciada, acusada de maus tratos aos seus "assistidos", e a posturas um tanto desumanas, como pedir para que se perdoem os empresários que, por descaso, deixaram ocorrer um trágico acidente em Bophal, na Índia. "Perdoe, perdoe", disse ela, num tom que lembra o nosso Chico Xavier, só que dito em inglês.
A "santa" também comemorou quando milhares de seus assistidos morreram por causa da desnutrição, fome, falta de remédios e contaminações por seringas reutilizadas e pela exposição mútua de doentes graves, que facilitava o contágio. "São novos anjos ao encontro de Deus", pregava Madre Teresa.
O sadomasoquismo religioso mostra o quanto o mundo, e sobretudo o Brasil, hoje mergulhado num cenário político, já definido como Estado de Exceção, simbolizado pelo retrógrado governo de Michel Temer e sua agenda que lembra mais o projeto político do general Ernesto Geisel, está desgastado e como a moral, do ponto de vista do mais forte, seja ele um aristocrata ou um religioso, está cada vez mais desumana.
E tantos apelos para "aguentar o sofrimento" se multiplicam nos textos de palestrantes ou periódicos "espíritas", como numa falsa coincidência no qual o que está em jogo é pedir para que as pessoas aguentem todo um sistema de retrocessos sociais que está em andamento. Sinal que o "espiritismo" brasileiro está apoiando o governo de Michel Temer e seu projeto político ultraconservador.
segunda-feira, 3 de outubro de 2016
E, se lugar de Pompeia, estivesse o Rio de Janeiro?
SIMULAÇÃO DIGITAL DA TRAGÉDIA DE POMPEIA, NO ANO 79 DE NOSSA ERA.
O Brasil vive uma situação catastrófica, com um cenário político confuso marcado por um contexto sócio-econômico degradante e da atuação traiçoeira de setores da mídia e da Justiça. Vivemos retrocessos que serão indigestos demais para o vão otimismo da classe média movida por esperanças cegas e uma alegria imprudente e masoquista.
O Sul e Sudeste comandam esse cenário desolador, simbolizado pela ascensão política do impopular e retrógrado Michel Temer, garantido pela "República de Curitiba" dos partidarizados policiais, promotores, procuradores e juízes da Operação Lava Jato e pelo empenho das medievais bancadas BBB (evangélicos, militares e policiais e latifundiários) do Congresso Nacional, e pela grande imprensa reacionária e cada vez mais mentirosa e caluniadora.
Do Sul e Sudeste, destaca-se a decadência, em níveis avassaladores e em queda livre, do Estado do Rio de Janeiro, movido pelo neocoronelismo, pela pistolagem da Baixada Fluminense, pela monocultura do "funk" e do "sertanejo", sobretudo na ex-Cidade Maravilhosa simbolizada também pelos ônibus com pintura padronizada e pelos internautas agressivos com pensamento único, além do fanatismo futebolístico capaz de impedir cidadãos de dormirem à noite.
Todo esse cenário é deplorável, preocupante, e faz com que as forças reacionárias retomem o fôlego em vários aspectos. Não por acaso, já aumentaram drasticamente os casos de feminicídio conjugal que sempre marcaram a agressividade machista num Brasil que viu Domingos Montaigner morrer, mas que tem medo de imaginar Doca Street, mesmo no alto de 80 e tantos anos, figurando em algum obituário da grande imprensa.
De repente o Brasil andou para trás e o Rio de Janeiro tornou-se símbolo disso, retrocedendo tanto que teve que desfazer até de certos retrocessos, como o mercado cultural se desfazer da Rádio Cidade - um pastiche grosseiro de rádio de rock que não conseguia sequer criar um falso arremedo de rebeldia juvenil - e o cenário político se desfazer do tenebroso deputado Eduardo Cunha.
O pior é que o município do Rio de Janeiro ainda é oficialmente a "cidade-modelo" do Brasil. Seus retrocessos já foram exportados para o resto do país, como a pintura padronizada que sucateia frotas de ônibus em capitais como Recife e Florianópolis e os "bailes funk" que exportam orgias de sexo e violência até em cidades do interior gaúcho, catarinense e mineiro e introduzem "proibidões" até em cenas de "forró" no Ceará e do "pagodão" na Bahia.
O Rio de Janeiro jogou no lixo toda aquela reputação que esteve no auge entre 1958 e 1964. Tentou recuperar algumas das qualidades e avanços, mas desde os anos 1990 só caiu em vários aspectos da vida humana, social, econômica. Até a logística dos mercados decaiu, com os estoques cada vez mais demorando para serem repostos nos supermercados e outros estabelecimentos comerciais.
Há também a situação "confortável" de Niterói, finalmente conformada com a perda de seu posto de capital do Estado do Rio de Janeiro, há 41 anos, e feliz em se tornar uma cidade provinciana que nenhuma cidade provinciana do Brasil teria coragem de ser, mesmo na pior das hipóteses.
Ficamos imaginando se, no lugar do Pão de Açúcar, tivesse o Vesúvio se despertando, de repente, com toda sua fúria a expelir lavas e rochas encandescentes a ameaçar toda a área do Rio de Janeiro e parte de Niterói, que seria a "Herculano" da vez enquanto a ex-Cidade Maravilhosa seria a Pompeia da ocasião.
Será que um Maracanã lotado num clássico de futebol pararia seu espetáculo - cujo fanatismo faz pessoas gritarem por seus times até nas altas horas da noite, perturbando o sono de quem dorme para trabalhar no dia seguinte - diante da fumaça tóxica dos gases vulcânicos, das rochas de fogo jogadas a esmo e nas lavas que descem como caldas atingindo todo o lugar?
Será que, quando alguém tiver noção da catástrofe vesuviana, usaria Bíblias ou livros de Chico Xavier para afugentar as rochas cadentes a atingir pessoas e incendiar os lugares atingidos? Será que os sorrisos das pessoas serão suficientes para afastar ou eliminar esse espetáculo de horror e tragédia?
A preocupante indiferença das pessoas não sabe a crise que vive o país. A analogia da erupção vulcânica que soterrou duas cidades, Pompeia e Herculano, é apenas um comentário sobre o desprezo que a "boa sociedade" tem desse momento terrível em que vivemos, quando os setores mais atrasados da sociedade retomaram o poder com a ganância de reconquistar privilégios e abusos extremos. Isso é grave e nenhum otimismo cego irá resolver tal situação.
O Brasil vive uma situação catastrófica, com um cenário político confuso marcado por um contexto sócio-econômico degradante e da atuação traiçoeira de setores da mídia e da Justiça. Vivemos retrocessos que serão indigestos demais para o vão otimismo da classe média movida por esperanças cegas e uma alegria imprudente e masoquista.
O Sul e Sudeste comandam esse cenário desolador, simbolizado pela ascensão política do impopular e retrógrado Michel Temer, garantido pela "República de Curitiba" dos partidarizados policiais, promotores, procuradores e juízes da Operação Lava Jato e pelo empenho das medievais bancadas BBB (evangélicos, militares e policiais e latifundiários) do Congresso Nacional, e pela grande imprensa reacionária e cada vez mais mentirosa e caluniadora.
Do Sul e Sudeste, destaca-se a decadência, em níveis avassaladores e em queda livre, do Estado do Rio de Janeiro, movido pelo neocoronelismo, pela pistolagem da Baixada Fluminense, pela monocultura do "funk" e do "sertanejo", sobretudo na ex-Cidade Maravilhosa simbolizada também pelos ônibus com pintura padronizada e pelos internautas agressivos com pensamento único, além do fanatismo futebolístico capaz de impedir cidadãos de dormirem à noite.
Todo esse cenário é deplorável, preocupante, e faz com que as forças reacionárias retomem o fôlego em vários aspectos. Não por acaso, já aumentaram drasticamente os casos de feminicídio conjugal que sempre marcaram a agressividade machista num Brasil que viu Domingos Montaigner morrer, mas que tem medo de imaginar Doca Street, mesmo no alto de 80 e tantos anos, figurando em algum obituário da grande imprensa.
De repente o Brasil andou para trás e o Rio de Janeiro tornou-se símbolo disso, retrocedendo tanto que teve que desfazer até de certos retrocessos, como o mercado cultural se desfazer da Rádio Cidade - um pastiche grosseiro de rádio de rock que não conseguia sequer criar um falso arremedo de rebeldia juvenil - e o cenário político se desfazer do tenebroso deputado Eduardo Cunha.
O pior é que o município do Rio de Janeiro ainda é oficialmente a "cidade-modelo" do Brasil. Seus retrocessos já foram exportados para o resto do país, como a pintura padronizada que sucateia frotas de ônibus em capitais como Recife e Florianópolis e os "bailes funk" que exportam orgias de sexo e violência até em cidades do interior gaúcho, catarinense e mineiro e introduzem "proibidões" até em cenas de "forró" no Ceará e do "pagodão" na Bahia.
O Rio de Janeiro jogou no lixo toda aquela reputação que esteve no auge entre 1958 e 1964. Tentou recuperar algumas das qualidades e avanços, mas desde os anos 1990 só caiu em vários aspectos da vida humana, social, econômica. Até a logística dos mercados decaiu, com os estoques cada vez mais demorando para serem repostos nos supermercados e outros estabelecimentos comerciais.
Há também a situação "confortável" de Niterói, finalmente conformada com a perda de seu posto de capital do Estado do Rio de Janeiro, há 41 anos, e feliz em se tornar uma cidade provinciana que nenhuma cidade provinciana do Brasil teria coragem de ser, mesmo na pior das hipóteses.
Ficamos imaginando se, no lugar do Pão de Açúcar, tivesse o Vesúvio se despertando, de repente, com toda sua fúria a expelir lavas e rochas encandescentes a ameaçar toda a área do Rio de Janeiro e parte de Niterói, que seria a "Herculano" da vez enquanto a ex-Cidade Maravilhosa seria a Pompeia da ocasião.
Será que um Maracanã lotado num clássico de futebol pararia seu espetáculo - cujo fanatismo faz pessoas gritarem por seus times até nas altas horas da noite, perturbando o sono de quem dorme para trabalhar no dia seguinte - diante da fumaça tóxica dos gases vulcânicos, das rochas de fogo jogadas a esmo e nas lavas que descem como caldas atingindo todo o lugar?
Será que, quando alguém tiver noção da catástrofe vesuviana, usaria Bíblias ou livros de Chico Xavier para afugentar as rochas cadentes a atingir pessoas e incendiar os lugares atingidos? Será que os sorrisos das pessoas serão suficientes para afastar ou eliminar esse espetáculo de horror e tragédia?
A preocupante indiferença das pessoas não sabe a crise que vive o país. A analogia da erupção vulcânica que soterrou duas cidades, Pompeia e Herculano, é apenas um comentário sobre o desprezo que a "boa sociedade" tem desse momento terrível em que vivemos, quando os setores mais atrasados da sociedade retomaram o poder com a ganância de reconquistar privilégios e abusos extremos. Isso é grave e nenhum otimismo cego irá resolver tal situação.
sábado, 1 de outubro de 2016
Por respeito aos cidadãos, loja de Niterói deveria retirar retrato de Madre Teresa de Calcutá
Não se trata de intolerância nem de combate à liberdade religiosa, mas da consideração de muitos aspectos negativos que fazem com que uma loja localizada na Rua Gavião Peixoto, em Niterói, tenha que retirar a gravura com o rosto desenhado de Madre Teresa de Calcutá.
Em primeiro lugar, porque o estabelecimento comercial - uma papelaria - é um lugar laico, que atende a todo tipo de pessoa, independente de crença ou outro tipo de diferença. Em segundo lugar, porque nos últimos anos se revelou, com surpreendentes provas documentais, o caráter sombrio de Madre Teresa de Calcutá, que tira todo o mérito de idolatria a ela, apesar da "santidade".
Madre Teresa é acusada de desviar o dinheiro filantrópico, colhido de tiranos e magnatas corruptos, para os cofres do Vaticano. Ela tinha um temperamento autoritário e ranzinza, e era acusada de maus tratos aos doentes e velhos assistidos.
Entre as crueldades de Madre Teresa, se destacam: doentes expostos uns ao lado dos outros, facilitando o contágio de doenças graves. Má alimentação, que os deixava subnutridos. Doentes graves apenas tratados com paracetamol e aspirina. Falta de higiene nos alojamentos. Seringas reutilizadas que eram apenas lavadas com água de torneira, levemente contaminada.
Essa realidade dura, que choca a todo deslumbrado religioso que prefere a cegueira da fé do que o esclarecimento da realidade - alucinado, o deslumbrado religioso acha que sua cegueira é "esclarecimento", seu apego ao fanatismo religioso uma "libertação" e suas fantasias "a realidade" - , é fruto de trabalhos de pesquisas de documentos, fatos e entrevistas.
Os próprios "milagres" de Madre Teresa, que garantiram ao Vaticano conceder o título de "santa", são fraudulentos: um caso de tumor de uma dona de casa na Índia, Monica Besra, que foi curada não pela "medalha da santa", mas devido a um tratamento médico rigorosamente cumprido. E um suposto coágulo cerebral de graves proporções do qual um enfermo teria sido "incrivelmente curado".
O primeiro "milagre" foi facilmente desmentido. Mas o segundo tornou-se a base para a "santificação", um caso insólito, já que dois supostos milagres eram necessários e Madre Teresa foi declarada "santa" apenas pelo segundo deles, num processo tão duvidoso quanto os do Poder Judiciário e do Ministério Público brasileiros, que parecem usar as leis apenas ao sabor das conveniências políticas e socioeconômicas.
São fatos realistas demais para o religioso, na sua teimosia infantil, querer reagir como se recusasse tudo isso. É muito fácil dizer: "não importa a realidade, o que importa é a fé no Amor", "existem coisas que a realidade não consegue explicar", se utilizando da carteirada religiosa para rejeitar as denúncias de irregularidades.
Se a pessoa quiser idolatrar Madre Teresa, o faça em sua casa. A liberdade religiosa diz respeito à opção individual, não à "liberdade" da pessoa impor sua opção religiosa ou seu totem religioso aos outros. O respeito a essa liberdade deve ser contextualizado, e se a pessoa gosta tanto de Madre Teresa, que crie um altar e coloque a gravura dela nele. Ninguém vai reprimir alguém com isso.
O Brasil vive uma fase de fundamentalismo religioso, seja ele católico, neopentecostal ou "espírita", no qual as pessoas confundem liberdade religiosa com liberdade de impor crenças e totens religiosos para os outros. Isso acaba eliminando a verdadeira liberdade religiosa, e mostra a insegurança que muitos devotos religiosos têm nas suas posturas religiosas, incomodados porque suas crenças não são compartilhadas por outrem.
São seitas religiosas que permitem queimar grades de praças de tanto acender velas para orações (católicos), impor projetos políticos retrógrados no Congresso Nacional (neopentecostais) e desprezar a complexidade do sofrimento humano ("espíritas"). E cujos seguidores se sentem inseguros em ver que só eles realmente acreditam nos seus mitos e dogmas, e se enfurecendo quando são contrariados. Jesus de Nazaré teria dado uma séria bronca em todos eles.
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Situação do Brasil já invalidou, por antecipação, "profecia" da Data-Limite
Não tem alegações de "ciência" nem divagações "filosóficas" que deem jeito. A suposta profecia de Francisco Cândido Xavier, sobre a tal "data-limite", resultante de um simples sonho de quem dorme, já pode ser considerada fracassada por antecipação.
O caótico cenário do governo Michel Temer, que começa a desagradar até mesmo as forças conservadoras que o apoiaram desde quando se manifestavam pela derrubada de Dilma Rousseff, já define como falida a ilusão supostamente progressista que muitos acreditavam se tornar o Brasil a partir de 2019.
Mesmo que o Brasil possa melhorar a partir de 2052 ou 2057, como sugerem algumas correntes de interpretação da "profecia", isso não será da forma que Chico Xavier e Divaldo Franco sonharam. Paciência, eles não são os donos da verdade, e nunca terão razão nas suas supostas avaliações sobre o futuro. Se algo parecer confirmar o que eles "previam", é só mera coincidência.
Mas a tendência é que essa situação tenda a piorar ou, na melhor das hipóteses, permanecer na confusão em que está. O governo de Michel Temer, já considerado o pior da história da República, sempre foi marcado por confusões e incidentes graves, propostas retrógradas, medidas arbitrárias que pegam mal e fazem as autoridades recuarem de alguns pontos, o que não é bom.
O governo não tem representatividade popular, não entrou em exercício de maneira legítima, mas apoiado por um confuso e tendencioso movimento jurídico, parlamentar e midiático dos mais suspeitos, e em nenhum momento trouxe o inicial choque de otimismo que mesmo outros momentos retrógrados da política brasileira chegaram a inspirar na população.
O governo Temer, também popularmente classificado como "golpista", nem sequer deu margem ao habitual refrão dos "espíritas" que, com seu velho igrejismo, costumavam pedir para que orássemos pelo governante de plantão, mesmo o mais enérgico ditador, para "pensar no próximo" e agir "dentro dos princípios cristãos".
Isso porque tanto o governo Temer quanto o "movimento espírita" cometem irregularidades e retrocessos risíveis de tão extremos. Ou, se não risíveis, choráveis. Ambos se apoiam de procedimentos jurídicos de valor bem duvidoso. Sérgio Moro e a Lava Jato dispensam comentários. No caso de Chico Xavier, a omissão da Justiça permitiu legitimar as fraudes literárias aceitando um "espírito Humberto de Campos" com um estilo distante do verdadeiro autor maranhense.
O Brasil mergulhou num cenário confuso em que setores dos mais decadentes da sociedade brasileira tentam se reciclarem e impor suas forças diante da mudança dos tempos. A situação ficou complicada e imprevisível.
Pode ser até que seja complicada também para a plutocracia e seus seguidores e colaboradores, mas uma coisa é certa: nada de "coração do mundo" ou "pátria do Evangelho", porque até o igrejismo "espírita" dá sinais de desgaste com o fracasso dessa ilusão. Até porque o Brasil, virando mais uma vez um fantoche dos EUA, não irá mesmo ser o centro de qualquer coisa no mundo.
terça-feira, 27 de setembro de 2016
O Rio de Janeiro velho, poluído e atrasado
NÃO É FOTO ANTIGA, É O RETRATO REAL DO RIO DE JANEIRO POLUÍDO E ATRASADO DE HOJE.
É preocupante a situação do Rio de Janeiro, com uma situação de extremo atraso social em todos os aspectos, sofrendo uma decadência vertiginosa que faz a ex-Cidade Maravilhosa e o Estado do qual é capital estar abaixo até mesmo dos atrasados Estados do Norte e Nordeste.
O mais preocupante é que essa grave situação não é percebida pelas próprias pessoas. Antes que a imprensa reportasse parte (e apenas parte) de sua decadência, como a criminalidade, os desastres urbanos (como as explosões de bueiros e as destruições de prédios históricos por incêndios ou desabamentos) e o colapso político-administrativo, os cariocas reagiam a tais constatações com esnobismo e desprezo.
O Sul e Sudeste, que eram regiões associadas ao desenvolvimento social, cultural e econômico no Brasil, se tornaram símbolo da decadência avassaladora que é representada, pelo plano político, pelo atual governo de Michel Temer. E o preço caro de adotar essas regiões decadentes como "modelos" a serem seguidos se revela também em outras regiões.
Recife, capital de Pernambuco, Estado do Nordeste, é um exemplo. Querendo copiar o Rio de Janeiro assimilando suas medidas negativas - como os ônibus com pintura padronizada, o fanatismo do futebol, o direitismo político e o populismo midiatizado do "funk" - , a capital pernambucana é exceção no contexto do gradual progresso que as capitais nordestinas começam a desenvolver, depois de anos de atraso resultante da supremacia de grupos coronelistas.
O Rio de Janeiro se encontra em situação tão grave, gravíssima mesmo, que o Estado é responsável direto pela derrubada do governo Dilma Rousseff e a interrupção prematura de seu governo, a menos de dois anos de se encerrar.
O deputado Eduardo Cunha, hoje cassado, foi eleito pelos cariocas num surto de moralismo movido por sua tradição autoritária (infelizmente, os cariocas têm fama de autoritários e não gostam de serem contrariados, vide os casos de cyberbulling que predominam no Estado), que, pasmem, garantiram a eleição do problemático político sob a esperança de "recuperação ética" na política nacional.
Deu no que deu. Cunha lançou pautas retrógradas, propostas sociopolíticas que, mescladas com o programa eleitoral de Aécio Neves, viraram a "Ponte para o Futuro" de Michel Temer. As pautas de Cunha, de tão antipopulares, eram consideradas "pautas-bombas", pela ameaça que representaram para conquistas sociais históricas de nossa sociedade.
Cunha foi responsável por se vingar de Dilma Rousseff, que não o defendeu diante de acusações de corrupção contra ele, e tramou todo o processo de impeachment que extinguiu definitivamente o mandato que pôs no lixo 54,5 milhões de votos, trocados por 428 (367 da Câmara, 61 do Senado) votos de parlamentares em maioria enquadrados por escândalos graves de corrupção.
Foi uma trabalheira derrubar Cunha e o processo de cassação de seu mandato foi bastante demorado e o resultado final, ainda duvidoso e inseguro. Afinal, o legado de Cunha foi deixado em muitas propostas do Plano Temer (a tal "ponte") e em muitos nomeados de sua equipe política ou do quadro de funcionários dirigentes dos órgãos do governo. Sem falar que, como havia citado Romero Jucá em conversa de bastidores, "Temer é Cunha, Cunha é Temer".
Além disso, os cariocas só conseguem se mobilizar através de dois veículos: Jornal Nacional e o periódico impresso O Dia. Fora eles, tabloides como Meia Hora e igrejas pentecostais têm algum nível de influência. Infelizmente, o povo carioca abandonou o espírito de resistência e passou a ter o de desistência. Se não for o jornal O Dia, por exemplo, ninguém questiona coisa alguma na vida.
Existe até uma anedota do carioca dorminhoco, que resiste aos apelos maquinais do relógio despertador, que anuncia a chegada de um novo dia útil. Seria preciso, segundo a piada, que houvesse, no jornal O Dia, a manchete intitulada "ACORDA, CIDADÃO", em caixa alta, para o carioca decidir-se a levantar da cama.
O Rio de Janeiro poluído, com ruas velhas e sujas, com seu pessoal sem sensibilidade, desumanizado pela ideologia do consumismo e da espetacularização da vida, mas também sem capacidade de sentir o fedor do esgoto, dos caminhões de lixo, das fezes de cachorros, preso em sua "felicidade" que não é mais uma felicidade esperançosa ou perseverante, mas uma alegria viciada e entorpecida pela falta de consciência real dos problemas.
Vemos a Baixada Fluminense nunca saindo de seu ranço coronelista, há décadas apresentando a realidade da pistolagem, que os cariocas pensam ser um cotidiano distante do Norte do Brasil. E vemos Niterói resignada em ser uma cidade provinciana pior do que muita cidade do interior da Bahia, de Pará ou Goiás, resignada com sua baixa qualidade de vida e com o papel de capacho da cidade vizinha do outro lado da Baía da Guanabara.
O Rio de Janeiro já superou São Paulo em matéria de poluição do ar. A agência Reuters reportou que o ar respirado pelos cariocas é mortal. Isso não é comentário raivoso, como aquele que desqualificou os biscoitos Globo, por outro jornal estrangeiro: é só experimentar e cheirar os braços e ver um odor de fuligem de quem anda pelas ruas do Grande Rio.
A ex-Cidade Maravilhosa também é palco de fumantes inveterados, juntamente com São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, compondo as quatro capitais com mais fumantes no Brasil. Enquanto alimentos, bebidas saudáveis e laticínios ficam muito caros e seus estoques demoram a serem renovados nos mercados, há muito cigarro barato à venda nesses lugares.
A arrogância de muitos fumantes e o descaso que eles têm em relação aos não-fumantes, notável com as caras feias com que os tabagistas largam seus cigarros toda vez que entram num prédio ou num veículo de transporte, revela essa decadência social do Rio de Janeiro que O Dia e o Jornal Nacional não iriam de jeito algum noticiar.
A Baía da Guanabara também está suja, emporcalhada, não é de hoje que chamam essa porção de água de "poça" ou "esgoto", e discussões e promessas se multiplicam, em vão, para resolver um problema que, na verdade, muitos têm um medo enorme de tomar iniciativa, com um custo que aumenta cada vez mais.
Mas existe também a poluição sonora, sobretudo dos fanáticos do futebol carioca, cujos quatro times (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco) são os únicos que precisam estar em alguma situação favorável, por pior que estivessem nos campeonatos.
O fanatismo do futebol regula as relações sociais no Grande Rio, e muitas pessoas, quando conhecem alguém, perguntam o time antes de perguntar o próprio nome. Não raro, o fato de não gostar de futebol vira alvo de humilhações sociais ou, quando muito, de boicote, e servem até mesmo para assédio moral e motivo para demissão no emprego.
Sim, pode-se demitir alguém por não gostar de futebol, e, do jeito que estão as mobilizações pela "flexibilização" das relações de trabalho - ou seja, a lei não irá mais intervir nos abusos cometidos por patrões - , será cada vez mais difícil um demitido por esse motivo fútil acionar para processar o ex-patrão por danos morais.
O fanatismo do futebol carioca é, aliás, motivo de baixa no rendimento profissional, tamanha é a poluição sonora que os torcedores causam toda vez que um time de sua predileção faz um gol. Pode ser uma partida realizada a quinze minutos da meia-noite, que a gritaria atinge níveis ensurdecedores, não havendo condição alguma de controlar essa euforia berrante dos fanáticos futebolistas.
Mas há também os estabelecimentos mal-iluminados, com lâmpadas amarelas e fracas, que estranhamente não são trocadas. Supermercados que parecem viver em semi-escuridão, bares quase à penumbra, tudo isso dá a impressão de que os cariocas, fanáticos pela desumanizada vida noturna das boates, querem reproduzir as trevas desses ambientes para tudo quanto é lugar.
A falta de logística no comércio também é crônica. Em muitos casos, suspeita-se até de ágio, parecendo uma "metodologia" que permaneceu desde os tempos do Plano Cruzado, e que, trinta anos depois, parece permanecer nos mercados cariocas, em que determinadas marcas de produtos somem dos estoques, para forçar a venda de similares muito mais caros.
O jornal O Globo teve que admitir, em reportagem neste domingo, que o município do Rio de Janeiro aumentou a concentração de renda das classes mais ricas, em 40 anos. Os pobres só arrecadam 10% da renda gerada pelo município. Isso diz muito diante de uma plutocracia arrogante, furiosa e reacionária que são as elites cariocas, capazes de eleger um Eduardo Cunha e um Jair Bolsonaro.
A decadência do Rio de Janeiro, que acompanha a outra decadência, a de São Paulo, e já puxa ainda uma outra, a de Curitiba, comprovam o declínio destas capitais, antes associadas ao desenvolvimento e progresso, e que nem de longe podem servir de modelo algum para o resto do Brasil. São cidades atrasadas que merecem ser reavaliadas e cujos povos precisam ter uma postura autocrítica para admitir que muita coisa está errada, até coisas que parecem "corretas" e "bem-sucedidas".
E isso poderia partir do Rio de Janeiro, ainda conhecido como a "vitrine do Brasil", e que necessita urgentemente de uma reavaliação, porque os problemas que se acumulam estão muito acima do nível tolerado e considerado "natural numa complexidade urbana pós-moderna". Os problemas acumulados já atingem níveis de atrasos e retrocessos extremos, e em muitos aspectos vergonhosos e constrangedores.
Os problemas se acumulam como um grande entulho de retrocessos, tragédias e outros prejuízos, que fazem o Estado do Rio de Janeiro ser um dos mais atrasados e retrógrados do Brasil, talvez até o maior nestas lamentáveis condições. É preciso estômago forte e consciência autocrítica para perceber que esses problemas são graves e trágicos demais para aparecerem em O Dia e no Jornal Nacional, e não é esperando que essa imprensa noticie que se abrirão as consciências dos cariocas.
É preocupante a situação do Rio de Janeiro, com uma situação de extremo atraso social em todos os aspectos, sofrendo uma decadência vertiginosa que faz a ex-Cidade Maravilhosa e o Estado do qual é capital estar abaixo até mesmo dos atrasados Estados do Norte e Nordeste.
O mais preocupante é que essa grave situação não é percebida pelas próprias pessoas. Antes que a imprensa reportasse parte (e apenas parte) de sua decadência, como a criminalidade, os desastres urbanos (como as explosões de bueiros e as destruições de prédios históricos por incêndios ou desabamentos) e o colapso político-administrativo, os cariocas reagiam a tais constatações com esnobismo e desprezo.
O Sul e Sudeste, que eram regiões associadas ao desenvolvimento social, cultural e econômico no Brasil, se tornaram símbolo da decadência avassaladora que é representada, pelo plano político, pelo atual governo de Michel Temer. E o preço caro de adotar essas regiões decadentes como "modelos" a serem seguidos se revela também em outras regiões.
Recife, capital de Pernambuco, Estado do Nordeste, é um exemplo. Querendo copiar o Rio de Janeiro assimilando suas medidas negativas - como os ônibus com pintura padronizada, o fanatismo do futebol, o direitismo político e o populismo midiatizado do "funk" - , a capital pernambucana é exceção no contexto do gradual progresso que as capitais nordestinas começam a desenvolver, depois de anos de atraso resultante da supremacia de grupos coronelistas.
O Rio de Janeiro se encontra em situação tão grave, gravíssima mesmo, que o Estado é responsável direto pela derrubada do governo Dilma Rousseff e a interrupção prematura de seu governo, a menos de dois anos de se encerrar.
O deputado Eduardo Cunha, hoje cassado, foi eleito pelos cariocas num surto de moralismo movido por sua tradição autoritária (infelizmente, os cariocas têm fama de autoritários e não gostam de serem contrariados, vide os casos de cyberbulling que predominam no Estado), que, pasmem, garantiram a eleição do problemático político sob a esperança de "recuperação ética" na política nacional.
Deu no que deu. Cunha lançou pautas retrógradas, propostas sociopolíticas que, mescladas com o programa eleitoral de Aécio Neves, viraram a "Ponte para o Futuro" de Michel Temer. As pautas de Cunha, de tão antipopulares, eram consideradas "pautas-bombas", pela ameaça que representaram para conquistas sociais históricas de nossa sociedade.
Cunha foi responsável por se vingar de Dilma Rousseff, que não o defendeu diante de acusações de corrupção contra ele, e tramou todo o processo de impeachment que extinguiu definitivamente o mandato que pôs no lixo 54,5 milhões de votos, trocados por 428 (367 da Câmara, 61 do Senado) votos de parlamentares em maioria enquadrados por escândalos graves de corrupção.
Foi uma trabalheira derrubar Cunha e o processo de cassação de seu mandato foi bastante demorado e o resultado final, ainda duvidoso e inseguro. Afinal, o legado de Cunha foi deixado em muitas propostas do Plano Temer (a tal "ponte") e em muitos nomeados de sua equipe política ou do quadro de funcionários dirigentes dos órgãos do governo. Sem falar que, como havia citado Romero Jucá em conversa de bastidores, "Temer é Cunha, Cunha é Temer".
Além disso, os cariocas só conseguem se mobilizar através de dois veículos: Jornal Nacional e o periódico impresso O Dia. Fora eles, tabloides como Meia Hora e igrejas pentecostais têm algum nível de influência. Infelizmente, o povo carioca abandonou o espírito de resistência e passou a ter o de desistência. Se não for o jornal O Dia, por exemplo, ninguém questiona coisa alguma na vida.
Existe até uma anedota do carioca dorminhoco, que resiste aos apelos maquinais do relógio despertador, que anuncia a chegada de um novo dia útil. Seria preciso, segundo a piada, que houvesse, no jornal O Dia, a manchete intitulada "ACORDA, CIDADÃO", em caixa alta, para o carioca decidir-se a levantar da cama.
O Rio de Janeiro poluído, com ruas velhas e sujas, com seu pessoal sem sensibilidade, desumanizado pela ideologia do consumismo e da espetacularização da vida, mas também sem capacidade de sentir o fedor do esgoto, dos caminhões de lixo, das fezes de cachorros, preso em sua "felicidade" que não é mais uma felicidade esperançosa ou perseverante, mas uma alegria viciada e entorpecida pela falta de consciência real dos problemas.
Vemos a Baixada Fluminense nunca saindo de seu ranço coronelista, há décadas apresentando a realidade da pistolagem, que os cariocas pensam ser um cotidiano distante do Norte do Brasil. E vemos Niterói resignada em ser uma cidade provinciana pior do que muita cidade do interior da Bahia, de Pará ou Goiás, resignada com sua baixa qualidade de vida e com o papel de capacho da cidade vizinha do outro lado da Baía da Guanabara.
O Rio de Janeiro já superou São Paulo em matéria de poluição do ar. A agência Reuters reportou que o ar respirado pelos cariocas é mortal. Isso não é comentário raivoso, como aquele que desqualificou os biscoitos Globo, por outro jornal estrangeiro: é só experimentar e cheirar os braços e ver um odor de fuligem de quem anda pelas ruas do Grande Rio.
A ex-Cidade Maravilhosa também é palco de fumantes inveterados, juntamente com São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, compondo as quatro capitais com mais fumantes no Brasil. Enquanto alimentos, bebidas saudáveis e laticínios ficam muito caros e seus estoques demoram a serem renovados nos mercados, há muito cigarro barato à venda nesses lugares.
A arrogância de muitos fumantes e o descaso que eles têm em relação aos não-fumantes, notável com as caras feias com que os tabagistas largam seus cigarros toda vez que entram num prédio ou num veículo de transporte, revela essa decadência social do Rio de Janeiro que O Dia e o Jornal Nacional não iriam de jeito algum noticiar.
A Baía da Guanabara também está suja, emporcalhada, não é de hoje que chamam essa porção de água de "poça" ou "esgoto", e discussões e promessas se multiplicam, em vão, para resolver um problema que, na verdade, muitos têm um medo enorme de tomar iniciativa, com um custo que aumenta cada vez mais.
Mas existe também a poluição sonora, sobretudo dos fanáticos do futebol carioca, cujos quatro times (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco) são os únicos que precisam estar em alguma situação favorável, por pior que estivessem nos campeonatos.
O fanatismo do futebol regula as relações sociais no Grande Rio, e muitas pessoas, quando conhecem alguém, perguntam o time antes de perguntar o próprio nome. Não raro, o fato de não gostar de futebol vira alvo de humilhações sociais ou, quando muito, de boicote, e servem até mesmo para assédio moral e motivo para demissão no emprego.
Sim, pode-se demitir alguém por não gostar de futebol, e, do jeito que estão as mobilizações pela "flexibilização" das relações de trabalho - ou seja, a lei não irá mais intervir nos abusos cometidos por patrões - , será cada vez mais difícil um demitido por esse motivo fútil acionar para processar o ex-patrão por danos morais.
O fanatismo do futebol carioca é, aliás, motivo de baixa no rendimento profissional, tamanha é a poluição sonora que os torcedores causam toda vez que um time de sua predileção faz um gol. Pode ser uma partida realizada a quinze minutos da meia-noite, que a gritaria atinge níveis ensurdecedores, não havendo condição alguma de controlar essa euforia berrante dos fanáticos futebolistas.
Mas há também os estabelecimentos mal-iluminados, com lâmpadas amarelas e fracas, que estranhamente não são trocadas. Supermercados que parecem viver em semi-escuridão, bares quase à penumbra, tudo isso dá a impressão de que os cariocas, fanáticos pela desumanizada vida noturna das boates, querem reproduzir as trevas desses ambientes para tudo quanto é lugar.
A falta de logística no comércio também é crônica. Em muitos casos, suspeita-se até de ágio, parecendo uma "metodologia" que permaneceu desde os tempos do Plano Cruzado, e que, trinta anos depois, parece permanecer nos mercados cariocas, em que determinadas marcas de produtos somem dos estoques, para forçar a venda de similares muito mais caros.
O jornal O Globo teve que admitir, em reportagem neste domingo, que o município do Rio de Janeiro aumentou a concentração de renda das classes mais ricas, em 40 anos. Os pobres só arrecadam 10% da renda gerada pelo município. Isso diz muito diante de uma plutocracia arrogante, furiosa e reacionária que são as elites cariocas, capazes de eleger um Eduardo Cunha e um Jair Bolsonaro.
A decadência do Rio de Janeiro, que acompanha a outra decadência, a de São Paulo, e já puxa ainda uma outra, a de Curitiba, comprovam o declínio destas capitais, antes associadas ao desenvolvimento e progresso, e que nem de longe podem servir de modelo algum para o resto do Brasil. São cidades atrasadas que merecem ser reavaliadas e cujos povos precisam ter uma postura autocrítica para admitir que muita coisa está errada, até coisas que parecem "corretas" e "bem-sucedidas".
E isso poderia partir do Rio de Janeiro, ainda conhecido como a "vitrine do Brasil", e que necessita urgentemente de uma reavaliação, porque os problemas que se acumulam estão muito acima do nível tolerado e considerado "natural numa complexidade urbana pós-moderna". Os problemas acumulados já atingem níveis de atrasos e retrocessos extremos, e em muitos aspectos vergonhosos e constrangedores.
Os problemas se acumulam como um grande entulho de retrocessos, tragédias e outros prejuízos, que fazem o Estado do Rio de Janeiro ser um dos mais atrasados e retrógrados do Brasil, talvez até o maior nestas lamentáveis condições. É preciso estômago forte e consciência autocrítica para perceber que esses problemas são graves e trágicos demais para aparecerem em O Dia e no Jornal Nacional, e não é esperando que essa imprensa noticie que se abrirão as consciências dos cariocas.
domingo, 25 de setembro de 2016
Preocupante crescimento do número de fumantes no Grande Rio
Tendo superado, vergonhosamente, a Grande São Paulo, no quesito de região metropolitana mais poluída do Brasil, o Grande Rio de Janeiro vive a situação preocupante do crescimento do número de fumantes, como se observa nas ruas de suas cidades, não somente o Rio de Janeiro, mas outros municípios como Niterói, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
Que o Rio de Janeiro tornou-se um Estado de gente conformista que parece permitir o surgimento de estereótipos preconceituosos que definem o carioca como "grosseiro", "que aceita tudo de bandeja", "conformista", "anti-higiênico" e "portador da Síndrome de Riley-Day" (doença que faz a pessoa ser incapaz de sentir dor, o que dá um trocadilho como "Riley-Day Janeiro"), isso é evidente.
Mas a coisa é tão grave que o Rio de Janeiro virou um espetáculo trágico de inúmeros retrocessos sociais. Esses retrocessos praticamente invalidam a região metropolitana do Grande Rio como um modelo a ser seguido pelo resto do país, e fazem com que o eixo Rio-São Paulo cada vez mais percam o mérito de serem referenciais para a vida dos brasileiros nas demais regiões.
Cidades como Porto Alegre, São Paulo e Curitiba também mostram um alto número de fumantes, mas o Grande Rio parece competir com isso. Cigarros vendidos a preços baixos, enquanto alimentos diversos têm preços reajustados de maneira aberrante, como os laticínios.
Nota-se a arrogância com que várias pessoas andam pelas cidades com cigarros na mão ou dando tragadas que depois soltam um vapor tóxico que prejudica as demais pessoas em volta. Há muitos jovens, infelizmente, que vão na onda, mesmo quando hoje são proibidos comerciais de cigarros que os associem a qualidades positivas da vida em sociedade.
Isso é terrível, sobretudo se observarmos o narcisismo de muitos cariocas privilegiados, mesmo não sendo de altas elites econômicas, e que acham que fumar cigarro é expressão de prazer e afirmação individual.
Mal sabem eles que um único cigarro contém substâncias tóxicas de arrepiar qualquer um, como elementos químicos presentes em venenos de rato e nas fumaças expelidas pelos veículos sobre rodas. Acabam usando a vaidade de forma autodestrutiva.
O consumo constante de cigarro comum, considerado uma droga lícita, pode fazer o pulmão de alguém ficar coberto de fumo, reduzindo-se de tamanho e prejudicando os batimentos cardíacos. Em muitos casos, a aparência jovem das pessoas que fumam muito pode até não se alterar, mas por dentro seus físicos se tornam doentios, fracos e prematuramente envelhecidos.
Não raro pessoas acabam morrendo antes dos 65 anos por causa do cigarro. É muito comum, nas rodas de amigos no Grande Rio, ver pessoas lamentando a perda de amigos, de repente. É frequente, também, a surpresa que muitas pessoas relativamente jovens, entre 25 e 50 anos, morrendo subitamente de infarto ou câncer por causa do tabagismo.
A situação é tão preocupante que se observa, em ruas relativamente fechadas pelos edifícios que formam "muralhas" em seus perímetros, pessoas fumando que praticamente causam o mesmo mal estar a outros como se estivessem em recintos fechados, provocando o mesmo dano à saúde.
O que mais assusta também é não só a campanha pela liberação de cigarros de maconha, mas também pela redução de impostos para os cigarros. Embora tenham como motivo evitar o comércio clandestino e o tráfico, essas campanhas não dão ênfase nas restrições de consumo, e consta-se que os cigarros de maconha herdaram o glamour publicitário que antes era usado para os de nicotina.
A verdade é que os supermercados, bares, boates e bancas deveriam criar uma política de preços para encarecer drasticamente os cigarros, forçando os fumantes a gastar muito mais dinheiro para comprar um maço. Do jeito que as pessoas fumam e compram seus maços, o aumento dos preços dos cigarros poderá abater as despesas dos estabelecimentos comerciais, permitindo, assim, baixar os preços de alimentos ou outros bens de consumo bem mais essenciais.
Se nada consegue desestimular o hábito tabagista de muitas pessoas, pelo menos o aumento de preços, para índices bastante austeros poderia fazer com que os fumantes tenham que pagar mais para continuarem fumando, tendo consciência do dinheiro que perderão com isso.
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
A catástrofe do cenário político do Brasil de hoje
A situação que o Brasil vive hoje é simplesmente assustadora. E mais assustadora porque a sociedade considerada "mais influente" permance na sua indiferença, como pais de família que acham que o incêndio a atingir os quartos de dormir deles e dos filhos fossem apenas uma festinha com churrasco.
O quadro é caótico e o Brasil está à deriva. Setores do Poder Judiciário, do Ministério Pùblico e da Polícia Federal movidos pela compreensão tendenciosa e parcial das leis e pela condenação seletiva apenas de suspeitos "mais incômodos". Uma grande mídia de rádios e TVs decadentes, e de uma imprensa que cada vez mais esquece seu compromisso com a informação, publicando mentiras aberrantes e descaradas.
Capitais que sofrem sérios retrocessos sociais como Rio de Janeiro e Curitiba cada vez mais perdem a condição de servirem de "cidades-modelo" para qualquer coisa no país. Nem para popularizar campeonatos de cuspe à distância como se fossem a "última palavra do entretenimento" no Brasil essas capitais, e muito menos São Paulo, servem mais.
Desde que toda uma campanha para derrubar Dilma Rousseff, com base em acusações infundadas e muito vagas, referentes a práticas que seriam normais a qualquer presidente da República, o Brasil não só não resolveu sua crise econômica como a fez se agravar e, o que é mais grave, a ela acumulando uma série de crises de natureza política, social, institucional, jurídica e midiática.
Existe até a crise cultural, que há muito tempo fez a chamada cultura popular se degradar com fenômenos da música, da imprensa, das (sub)celebridades etc patrocinados pela mídia oligárquica e patronal como se fossem "representantes autênticos" das classes populares e apoiados por uma intelectualidade associada e pseudo-progressista.
O Brasil vive uma verdadeira catástrofe no qual as forças retrógradas sociais se extasiaram com a volta aos "bons tempos" (leia-se Era Geisel, quando a sociadade brasileira estava, aos olhos da plutocracia, num patamar ideal). Até a onda de feminicídios conjugais, que já intensificava desde 2013, voltou a todo o vapor, fazendo a festa de machistas que "brincam" com facas, revólveres ou, às vezes, venenos.
E toda essa catástrofe, que faz com que especialistas sérios afirmem que o Brasil entrou na Idade Média, deixa as pessoas indiferentes vivendo uma felicidade assustadora, não pelo suposto otimismo ou esperança que possam representar, mas pelo desprezo ou pela ignorância de coisas piores que já estão acontecendo e outras que têm sua vinda anunciada para 2017.
A degradação do mercado de trabalho, a entrega das riquezas brasileiras para corporações estrangeiras e projetos legislativos que tentam reverter os avanços e as conquistas sociais obtidos nos últimos 80 anos - embora se fala até na revogação da Lei Áurea, são a tônica desse "novo" país que se desenha com o fim da Era PT no Governo Federal.
Aliás, a revogação da Lei Áurea, que parece piada de Stanislaw Ponte Preta, não é tão anedótica assim. A "bancada do Boi" (ruralista) no Congresso Nacional pretende transformar em lei a PEC 3842, que retira as expressões "jornada exaustiva" e "condições degradantes de trabalho" das definições de crime de "trabalho escravo".
Isso é muito grave porque, através da reforma trabalhista do governo de Michel Temer, os patrões terão seus abusos autorizados por lei, como descumprir obrigações trabalhistas, fazer prevalecer seus interesses nos acordos coletivos de trabalho, pagar menos salários aos trabalhadores e forçá-los a trabalhar mais horas por mais anos de serviço, se aposentando (e mal) mais tarde.
É assustador o masoquismo um tanto alienado das pessoas, que pensam agir com esperança e otimismo diante desse cenário desolador. Acham que basta ter fé para sobreviver a qualquer retrocesso, e que podem entender a realidade sem poder compreender metade de sua natureza complexa, que nunca é difundida pela grande mídia nem pelo status quo plutocrático de hoje.
É assustadora a situação de catástrofe que atingirá o Brasil em dimensões trágicas. Atingirá não só as classes populares ou os novos agentes sociais - como a sociedade LGBT - mas as alegres elites felizes na areia da praia, que mal saberão que a felicidade cega das festas de hoje pode gerar uma ressaca trágica amanhã. O Brasil entrou em colapso e isso afetará sobretudo quem não está sequer preparado a admiti-lo.
É uma situação grave, com um país desgovernado por um presidente que chegou ao poder de maneira institucionalmente violenta, passando por cima das leis e sob a corrupção de setores legislativos e jurídicos.
É um quadro político aberrante, para o qual nenhum otimismo preguiçoso poderá resolver, pois o que vem por aí será duro demais para a "fé-licidade" cega das pessoas passar por cima. O Brasil está muito abaixo para poder passar por cima de nuvens trovejantes.
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