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sábado, 27 de janeiro de 2018
"Centro espírita" de Salvador possui a mesma insegurança da Boate Kiss
Há cinco anos, uma explosão foi causada por rojões atirados por um grupo "sertanejo" na Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. A estrutura da casa, fechada, sem saídas de emergência e sem qualquer segurança, fez com que o incêndio matasse 242 pessoas.
Mas pelo menos um "centro espírita" de Salvador apresenta as mesmas condições de insegurança aos seus frequentadores, numa área tomada de "gatos" (como são conhecidos fios clandestinos que "roubam" energia elétrica fornecida pelos serviços especializados).
Localizado no bairro do Uruguai, na Península de Itapagipe, zona suburbana de Salvador, o Grupo "Espírita" Bezerra de Menezes, GEBEM, que já foi uma unidade do Cavaleiros da Luz e depois passou a ser controlada por um grupo dissidente do "centro espírita" Paulo e Estevão, em Amaralina, é um atestado dessa insegurança e outros incômodos.
Nas sessões de sábado à noite, o lugar fica trancado e os frequentadores são proibidos de sair. É preciso apresentar um motivo muito forte para sair da sessão antes da hora, solicitando ao funcionário da casa a abertura da porta.
A sessão termina pouco antes das 22 horas, mas é suficiente para causar angústia para quem depende de ônibus. A espera é muito longa para um veículo da linha 0207 Massaranduba / Itaigara - atualmente sob responsabilidade da Plataforma Transportes - , o último do horário, e que, quando chega, roda em alta velocidade pela Rua Direta do Uruguai, paralela à Rua Seis de Janeiro, onde fica o "centro espírita".
E SE OCORRER UM INCÊNDIO?
Suponhamos a seguinte situação. Vazamentos de água vindos do teto no andar de cima da sede do GEBEM caem sobre a tomada de uma geladeira, provocando um curto-circuito que provoca um incêndio. Explosões na geladeira provocados por outros curtos espalham faíscas que fazem o fogo aumentar.
O fogo então aumenta, se tornando uma labareda que derrete o chão, atingindo o teto do andar inferior, onde se realiza uma doutrinária. O teto desaba, afetado pelas chamas, atingindo vários frequentadores pegos de surpresa que, sem poder reagir a tempo, morrem queimados ou soterrados.
Os palestrantes e mediadores não conseguem se salvar. São os primeiros a morrerem na tragédia. Poucas pessoas se salvam, e, mesmo assim, precisam correr pelo acesso estreito à sala principal, e, com a porta trancada, torna-se ainda mais difícil a fuga. No saldo final, a chance mais provável é de poucos sobreviventes.
As instalações são apertadas, sem saída de emergência, sem qualquer proteção. É ingenuidade dizer que os "amigos de luz" (os chamados protetores espirituais) garantem a segurança absoluta do lugar, que, em horário noturno, ainda sofre o risco de assaltos constantes que existem no lugar. Vide o caso do trágico assalto que ocorreu num "centro espírita" de Jaboatão de Guararapes, em Pernambuco.
OUTRAS QUEIXAS
Não bastasse as condições de insegurança similares àquelas que propiciaram a tragédia da Boate Kiss, outras queixas ocorrem de pessoas que fizeram tratamentos espirituais no GEBEM. De cyberbullying até morte de namorada, passando por assaltos em pleno dia, infortúnios passaram a ocorrer depois que várias pessoas fizeram tratamentos no local.
Isso se deve, vale lembrar, ao fato do "espiritismo" brasileiro ser cheio de irregularidades e marcado pela desonestidade doutrinária, já que segue o igrejismo de base jesuíta-roustanguista mas finge exercer "respeito rigoroso" aos postulados espíritas originais. Essa atitude desonesta atrai energias negativas, trazidas por espíritos inferiores identificados com essa falta de sinceridade.
FALSA MEDIUNIDADE
Um grupo de familiares apostou na ideia infeliz de financiar um livro com mensagens supostamente mediúnicas de parte das 242 vítimas fatais da tragédia da Boate Kiss. Intitulada Nossa Nova Caminhada, ela apostou num arremedo grosseiro do que recomenda o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (C. U. E. E.), recorrendo a diferentes "médiuns" de lugares diferentes, três de Uberaba e um do interior de São Paulo. Um deles foi Carlos Baccelli, ex-dirigente da FEB e discípulo de Chico Xavier.
No entanto, são "médiuns" com relação entre si, mesmo sob uma mesma afinidade ideológica com o igrejismo. As mensagens são de puro mershandising religioso e apontam pretenso profetismo do "terceiro milênio", com a estranha inclinação dos supostos mortos a um panfletarismo igrejista, pretensamente messiânico e cheio de teorias sobre "mudanças nos tempos".
Uma assinatura que chamou a atenção foi uma suposta mensagem atribuída a uma jovem morta, Stéfani Posser Simeoni, que apresentou uma grave rasura, inconcebível para um espírito que estaria mandando uma mensagem serena, que era o que se divulgou na ocasião. Isso indica um trabalho fraudulento, desqualificando o trabalho e colocando os familiares que financiaram o livro em situação ridícula.
sábado, 20 de janeiro de 2018
Como explicar a deturpação do Espiritismo para os leigos?
PÁGINA DE COMUNIDADE "ESPÍRITA" NO FACEBOOK - Gororoba doutrinária.
Como explicar para o público leigo e como divulgar para fora dos meios espíritas, autênticos ou não, o problema da deturpação que atinge frontalmente a Doutrina Espírita, desmoralizando o legado kardeciano original?
Nos bastidores do "movimento espírita" e nos meios de debates nas redes sociais e na Internet, a deturpação é muito questionada, mas, fora desses meios, o que se vê ainda é uma ideia equivocada de que o Espiritismo, no Brasil, é uma doutrina sóbria, equilibrada e dotada da mais pura simplicidade e despretensão.
Isso tudo é uma ilusão. Mesmo assim, prevalece a narrativa, digna de ficção novelesca, que descreve Allan Kardec criando uma doutrina a partir de estudos sobre a espiritualidade, que depois ganhou contornos religiosos no Brasil e tudo resultou numa equilibrada religião cristã marcada pela simplicidade, pelo ecumenismo, pela tolerância e pela despretensão.
Tudo isso é falso. Afinal, por trás dessa embalagem tão agradável, há muita podridão. Acusações de mediunidades fake que atingem até os ditos renomados "médiuns" Chico Xavier e Divaldo Franco, pregação a favor do sofrimento alheio, defesa não só de valores morais conservadores mas também de governos reacionários, tudo isso mostra o lado sombrio do "espiritismo" brasileiro que escapa das compreensões do público médio.
O rol de escândalos que envolve o "movimento espírita" é coisa de arrancar os cabelos e se comparam aos escândalos dos pastores das seitas neopentecostais. Chico Xavier fazendo "leitura fria" para "rechear" falsas psicografias de "informações". O renomado espírita José Herculano Pires definindo a "caridade" de Divaldo como "condenável", chocando o desavisado que se habitua a ver no "médium" baiano um símbolo pleno de "filantropia e fraternidade". E por aí vai.
Como divulgar todas essas irregularidades e como apontar que os livros de Xavier e Franco destoam, em muitos aspectos, dos ensinamentos kardecianos? Como dizer aos leigos que o "espiritismo" brasileiro é deturpado e cometeu desonras sérias à doutrina francesa original?
Seria preciso furar o bloqueio de uma mídia complacente com os "espíritas" e, pelo menos, pedir à imprensa progressista, que serve de contraponto à imprensa dominante, que aborde o "movimento espírita" brasileiro sem complacência com os deturpadores, suficientemente blindados por uma Globo, Veja, SBT ou Band. Não há necessidade do Brasil 247, por exemplo, blindar Chico Xavier, e o Diário do Centro do Mundo fazer vista grossa no caso Divaldo Franco-farinata do Dória.
Há uma imprensa de baixa qualidade que ensina Espiritismo tudo errado, glorificando os deturpadores, explicando errado a mediunidade e cultuando os "médiuns" que não merecem a menor confiabilidade, pela forma com que eles "vaticanizam" a doutrina kardeciana, não raro agindo com a pior das hipocrisias.
Seria necessário, portanto, essa furada de bloqueio. Buscar denunciar a deturpação do Espiritismo na mídia alternativa, apontando seus aspectos principais e, depois, indo mais adiante. O que não pode é manter o deslumbramento com os "médiuns", sob a desculpa da "fraternidade", até porque essa conciliação aparente só age em favor dos deturpadores, sobretudo os próprios "médiuns", que se aproveitam da ingenuidade das pessoas para impor seu poder sob o verniz da "humildade".
Não se pode poupar os "médiuns" sob a desculpa da tolerância e conciliação, porque o que se tolera na verdade são as práticas da mentira, da mistificação e das fraudes feitas por eles. E a suposta conciliação é, na verdade, um sinal verde para a divulgação de ideias e conceitos anti-doutrinários, que são defendidos ao arrepio da lógica espírita original.
Deixemos que a blindagem aos "médiuns espíritas" se limite à Globo, Veja, Band, SBT ou outros veículos solidários da mídia patronal. A mídia alternativa, como o DCM, Brasil 247, Carta Capital e outros, deveriam ser veículos para se questionar e repudiar a deturpação do Espiritismo.
Não se pode usar a desculpa da "fraternidade" e outros conceitos bonitos para se permitir a deturpação e o poder dos "médiuns", porque isso é consentir com a deturpação que desmoraliza gravemente todo o trabalho árduo que Kardec fez na Codificação. Glorificar os "médiuns" brasileiros é ofender, desonrar e repudiar o trabalho deixado pelo pedagogo lionês.
Como explicar para o público leigo e como divulgar para fora dos meios espíritas, autênticos ou não, o problema da deturpação que atinge frontalmente a Doutrina Espírita, desmoralizando o legado kardeciano original?
Nos bastidores do "movimento espírita" e nos meios de debates nas redes sociais e na Internet, a deturpação é muito questionada, mas, fora desses meios, o que se vê ainda é uma ideia equivocada de que o Espiritismo, no Brasil, é uma doutrina sóbria, equilibrada e dotada da mais pura simplicidade e despretensão.
Isso tudo é uma ilusão. Mesmo assim, prevalece a narrativa, digna de ficção novelesca, que descreve Allan Kardec criando uma doutrina a partir de estudos sobre a espiritualidade, que depois ganhou contornos religiosos no Brasil e tudo resultou numa equilibrada religião cristã marcada pela simplicidade, pelo ecumenismo, pela tolerância e pela despretensão.
Tudo isso é falso. Afinal, por trás dessa embalagem tão agradável, há muita podridão. Acusações de mediunidades fake que atingem até os ditos renomados "médiuns" Chico Xavier e Divaldo Franco, pregação a favor do sofrimento alheio, defesa não só de valores morais conservadores mas também de governos reacionários, tudo isso mostra o lado sombrio do "espiritismo" brasileiro que escapa das compreensões do público médio.
O rol de escândalos que envolve o "movimento espírita" é coisa de arrancar os cabelos e se comparam aos escândalos dos pastores das seitas neopentecostais. Chico Xavier fazendo "leitura fria" para "rechear" falsas psicografias de "informações". O renomado espírita José Herculano Pires definindo a "caridade" de Divaldo como "condenável", chocando o desavisado que se habitua a ver no "médium" baiano um símbolo pleno de "filantropia e fraternidade". E por aí vai.
Como divulgar todas essas irregularidades e como apontar que os livros de Xavier e Franco destoam, em muitos aspectos, dos ensinamentos kardecianos? Como dizer aos leigos que o "espiritismo" brasileiro é deturpado e cometeu desonras sérias à doutrina francesa original?
Seria preciso furar o bloqueio de uma mídia complacente com os "espíritas" e, pelo menos, pedir à imprensa progressista, que serve de contraponto à imprensa dominante, que aborde o "movimento espírita" brasileiro sem complacência com os deturpadores, suficientemente blindados por uma Globo, Veja, SBT ou Band. Não há necessidade do Brasil 247, por exemplo, blindar Chico Xavier, e o Diário do Centro do Mundo fazer vista grossa no caso Divaldo Franco-farinata do Dória.
Há uma imprensa de baixa qualidade que ensina Espiritismo tudo errado, glorificando os deturpadores, explicando errado a mediunidade e cultuando os "médiuns" que não merecem a menor confiabilidade, pela forma com que eles "vaticanizam" a doutrina kardeciana, não raro agindo com a pior das hipocrisias.
Seria necessário, portanto, essa furada de bloqueio. Buscar denunciar a deturpação do Espiritismo na mídia alternativa, apontando seus aspectos principais e, depois, indo mais adiante. O que não pode é manter o deslumbramento com os "médiuns", sob a desculpa da "fraternidade", até porque essa conciliação aparente só age em favor dos deturpadores, sobretudo os próprios "médiuns", que se aproveitam da ingenuidade das pessoas para impor seu poder sob o verniz da "humildade".
Não se pode poupar os "médiuns" sob a desculpa da tolerância e conciliação, porque o que se tolera na verdade são as práticas da mentira, da mistificação e das fraudes feitas por eles. E a suposta conciliação é, na verdade, um sinal verde para a divulgação de ideias e conceitos anti-doutrinários, que são defendidos ao arrepio da lógica espírita original.
Deixemos que a blindagem aos "médiuns espíritas" se limite à Globo, Veja, Band, SBT ou outros veículos solidários da mídia patronal. A mídia alternativa, como o DCM, Brasil 247, Carta Capital e outros, deveriam ser veículos para se questionar e repudiar a deturpação do Espiritismo.
Não se pode usar a desculpa da "fraternidade" e outros conceitos bonitos para se permitir a deturpação e o poder dos "médiuns", porque isso é consentir com a deturpação que desmoraliza gravemente todo o trabalho árduo que Kardec fez na Codificação. Glorificar os "médiuns" brasileiros é ofender, desonrar e repudiar o trabalho deixado pelo pedagogo lionês.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
"Espiritismo" faliu porque falhou o discurso da "Nova Era"
A falência do "espiritismo" brasileiro se deu porque seu discurso sobre a "entrada na Nova Era", que até hoje tenta ser veiculado com muita persistência, simplesmente falhou, mediante os inúmeros resultados negativos que a humanidade, não só brasileira, mas mundial, contraiu mediante diversos fatores.
O discurso de "Nova Era" não necessariamente foi criado pelos "espíritas" brasileiros, mas pegando carona em movimentos esotéricos de valor bastante duvidoso criados nos EUA que criavam pastiches de orientalismo religioso ou apostavam em profetismo místico, daí tendências que vão da Cientologia a movimentos de influência da Astrologia.
São movimentos que aproveitam, de maneira tendenciosa, o misticismo professado pelo movimento hippie e as perspectivas que a humanidade tinha de avanços humanos prometidos no final da década de 1980 e, depois, no triplo final da década de 1990, do século XX e do segundo milênio. A ideia da "sociedade de Aquário" e da "fraternidade do Terceiro Milênio" causou uma catarse emocional em milhões de pessoas.
O "espiritismo" brasileiro, que tinha problemas em assumir o legado deturpador do francês Jean-Baptiste Roustaing, resolveu suas crises usando o "jeitinho brasileiro". Sob o pretexto, que se revela cheio de falsidades, de equilibrar a atuação de "científicos" e "religiosos", duas facções em disputa no "movimento espírita", criou-se a "fase dúbia", que investe num "roustanguismo com Kardec".
A hipocrisia aumentou no "movimento espírita", mas de forma - o tal "jeitinho brasileiro" - que parecesse "equilibrada" e "coerente". Pratica-se igrejismo de base roustanguista sob a desculpa de "seguir as tradições religiosas brasileiras" e usa-se a "afinidade com os ensinamentos cristãos" como alegação para "catolicizar" o Espiritismo.
No entanto, esse processo, que consiste em deturpação e vai contra muitos ensinamentos espíritas originais, é feito sob a pretensão de "rigoroso respeito" e "fidelidade absoluta" a Allan Kardec, sem que se meçam escrúpulos em dizer uma coisa e depois dizer ou fazer outra coisa. Chega-se ao cúmulo de deturpadores do Espiritismo expuserem corretamente a Teoria Espírita em certos eventos, enquanto, em outros, professam o mais gosmento igrejismo.
Há tanta hipocrisia que muitos palestrantes e "médiuns" do "movimento espírita" chegam a se dizer "contra a vaticanização e a catolicização", e uns igrejeiros chegam ao ponto de, mesmo professando a tendência "religiosa", se autoproclamam "científicos" e fazem de tudo para manter as aparências: escrevem artigos pedantes sobre Física, Filosofia e Ciências Humanas nos periódicos "espíritas", bajulam Erasto e ilustram textos místicos com fotos de anatomia humana ou cenários cósmicos.
Aliás, são esses textos místicos que, combinando pedantismo científico com devaneios esotéricos e pretensa profecia, prometiam a "Nova Era" que, num contexto muitíssimo antiquado, era prenunciado em 1937-1938 por Francisco Cândido Xavier no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho.
PATRIA DO EVANGELHO? OU A VOLTA DO CATOLICISMO MEDIEVAL?
O referido livro foi escrito a quatro mãos com Antônio Wantuil de Feritas, então presidente da FEB, apesar do crédito tendencioso do espírito do escritor maranhense Humberto de Campos, que nunca seria capaz de escrever um til desse livro (desconta-se o risível plágio que Chico e Wantuil fizeram com um capítulo do livro cômico de Humberto, O Brasil Anedótico).
Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho é constrangedor como livro pretensamente profético. Como livro de História do Brasil, ele se baseia nos livros medíocres e numa visão historiográfica preconceituosa, elitista e tendenciosa, como nos piores livros do gênero.
Como um pretenso documento de "previsão" de que o Brasil teria uma posição destacada no mundo, o livro apresenta equívocos, uns bastante perigosos. Primeiro, porque é uma patriotada literária própria de um interiorano que sonhava ver o Brasil dominando o mundo. Segundo, porque isso pressupõe uma volta tanto do Império Romano (supremacia política) quanto do Catolicismo medieval (sob o rótulo de "espiritismo"), através de uma "teocracia imperialista".
Isso é confirmado pelos indícios de que o "espiritismo" - que, no Brasil, reduziu-se a uma forma repaginada do Catolicismo jesuíta que dominou o país no período colonial - se tornaria a religião dominante do mundo e o Brasil iria "comandar os processos de transmissão dos ensinamentos cristãos" na humanidade planetária.
O discurso de "nação-líder", politicamente falando, resultou, nas décadas recentes, no imperialismo dos EUA e no projeto imperialista do nazismo de Adolf Hitler, revelando os males de uma nação dominante na humanidade da Terra.
Já o discurso religioso, da "pátria do Evangelho", o próprio caso do Catolicismo medieval confirma o perigo desse discurso, por mais que se fale no "desenvolvimento da fraternidade e da misericórdia", na "união em Cristo" e na "promoção da paz dentro da fé cristã". O problema não está na beleza dócil desse discurso, mas do "outro lado", pois crenças que não compartilharam dos "ideais cristãos" eram exterminadas de forma sangrenta e desumana.
O grande perigo é esse, porque os próprios "espíritas" têm uma visão punitivista do sofrimento humano, falando em "reajustes espirituais" e "resgates morais" e a acusação de que vítimas da violência e outras tragédias, feitas ao arrepio da Ciência Espírita e baseadas em julgamentos de valor, teriam sido "gauleses" em outras encarnações.
Chico Xavier e Divaldo Franco fizeram perversos juízos de valor. Em 1966, Chico Xavier acusou as humildes vítimas do incêndio do Gran Circo Norte-Americano, ocorrido em Niterói, em 17 de dezembro de 1961, de terem sido gauleses sanguinários. Para piorar, Chico Xavier jogou a culpa em Humberto de Campos, creditado sob o tendencioso pseudônimo "Irmão X". Em 2016, Divaldo acusou, com um discurso dócil, os pobres refugiados do Oriente Médio de terem sido colonizadores sanguinários e, levianamente, os acusou também de quererem recuperar os tesouros da Europa.
Dante disso, junta-se o perigo do discurso da Nova Era do "espiritismo", aliado à perspectiva do Brasil como "coração do mundo e pátria do Evangelho", o que nos faz concluir que o papo é cheio de contradições e que, por trás do suposto profetismo futurista, existe um discurso conservador de resgate de tempos medievais.
Os "espíritas" sinalizaram apoiar cenários políticos ultraconservadores. O "espiritismo" brasileiro apoiou o golpe político de 2016 e fez pregações elogiando o "atual momento político" e pedindo aos sofredores "se conformarem com as desgraças da vida". Se isso é a Nova Era que os "espíritas" tanto falaram, então a Nova Era, sinceramente... já era!
sábado, 13 de maio de 2017
"Espíritas" ainda confiam em mais uma retratação dos contestadores
A crise no "espiritismo" brasileiro atinge níveis críticos e seus membros, para manter a deturpação do legado kardeciano, recorrem a inúmeros apelos. Recentemente, estão apelando para a "música espírita", como forma de usar as melodias piegas e excessivamente dóceis para manipular e atrair os leigos, diante do vazio doutrinário que não pode ser preenchido com as falácias de antes.
Diante da crise que a "fase dúbia" do "movimento espírita", vigente há quatro décadas, não consegue mais evitar, os "espíritas" correm atrás do próprio rabo e acreditam que a solução a ser encontrada é justamente aquela que adotaram na crise do roustanguismo assumido e que gerou justamente a própria "fase dúbia" que apresentou contradições graves em relação ao Espiritismo original.
Ou seja, os "espíritas" sempre apelam para a tão surrada promessa de "entender melhor Kardec". coisa que não convence sequer uma pedra. E os apelos à "fraternidade" que povoam a retórica "emotiva" adotada diante do vazio doutrinário - na boa, os "espíritas" brasileiros são analfabetos na doutrina kardeciana original - só revela o agravamento desta crise.
Setores do "movimento espírita" já começam a apedrejar os questionadores. "Alterados! Obsediados! Invejosos! Inimigos do trabalho do bem (sic)!", são os apelos mais conhecidos. Se achando "possuidores da Verdade" ou "predestinados ao Céu", apenas pelo espetáculo das "belas palavras" que pregam ou compartilham, os "espíritas" tentam evitar que a deturpação fracasse diante de questionamentos tão aprofundados.
Tentativas de combater a deturpação vêm desde os tempos de Angeli Torteroli, há mais de um século atrás. Mas sempre os problemas foram empurrados com a barriga, e a deturpação espírita, baseada no igrejismo de Jean-Baptiste Roustaing, se evoluiu (ou involuiu) para um roustanguismo cada vez mais envergonhado e dissimulado, que hoje finge ser "rigorosamente fiel a Kardec".
Os "espíritas", achando que podem tudo, estão confiantes em mais uma retratação dos contestadores. Tentam resistir em suas contradições, em sua abordagem igrejista, mais próxima do Catolicismo medieval do que do Espiritismo propriamente dito, e fazem todo tipo de apelo. Chegam mesmo até a "comprar matéria" na imprensa de esquerda, para afastar as acusações, verídicas e explícitas, de que o "espiritismo" brasileiro é a "religião da Rede Globo".
A resistência dos "espíritas" e sua falsa misericórdia em "acolher" os contestadores que fizerem alguma retratação e pedirem desculpas para os "bondosos" deturpadores, é ainda uma hipótese plausível e perigosa. A falta de firmeza dos questionadores da deturpação espírita, que elevou ao estrelato extremo os supostos "médiuns" brasileiros, deve ser combatida e os recados de Erasto devem ser ouvidos sem complacência nem más interpretações.
O espírito Erasto havia dito para combater, "sem dó" (ou seja, sem complacências nem ressalvas), a deturpação espírita, mesmo quando os deturpadores falam em "amor e caridade". Aliás, Erasto sempre havia dito que é nesses momentos que se deve ter cautela ainda maior, porque todo apelo emotivo pode esconder o desejo de inserir ideias levianas e desmoralizar o legado de Kardec.
São justamente os apelos a ideias como "bondade", "amor", "caridade" e "fraternidade" que são os mais perigosos e foi o Ad Passiones do "movimento espírita", sobretudo através das figuras de Chico Xavier e Divaldo Franco, com suas imagens supostamente bondosas e sensíveis, que permitiu que estes e outros deturpadores da Doutrina Espírita ficassem em pé, fazendo o que querem com o legado kardeciano.
Daí que ouvir Erasto não é estar complacente com Chico e Divaldo. É questionar até a aparente "bondade", se ela não pode ser um processo de mistificação e de autopromoção de ídolos religiosos. Nos lembremos de Moisés, que abominou os ídolos religiosos, de Jesus de Nazaré, que abominou os falsos sábios, de Allan Kardec e Erasto, que alertavam sobre os mistificadores.
Pois o próprio "espiritismo" e seus "mais conceituados" ídolos é que estão povoados de falsos sábios, falsos cristos, falsos profetas, malabaristas das palavras, que dizem condenar a "falsidade dos outros" e cujas ideias que transmitem esbarram nos postulados de Kardec, que os contradizem.
Desta forma, convém deixar de lado a complacência muito comum entre os brasileiros e questionar com firmeza qualquer apelo dos deturpadores do Espiritismo. Qualquer vírgula a favor dos ídolos "espíritas" é um ponto a favor da deturpação e menos chance para recuperarmos os postulados espíritas originais, há muito abandonados no Brasil.
quarta-feira, 19 de abril de 2017
Millôr Fernandes nocauteou Chico Xavier e Divaldo Franco
No malabarismo das belas palavras, o "espiritismo" sempre cai em contradição. Cai quando assume posturas que, no dia seguinte, irá desmentir. Cai por cometer erros de propósito que no momento posterior são tidos como acidentais.
Cria-se todo um faz de conta de pretensa sabedoria, com os supostos médiuns promovidos a dublês de pensadores e beneficiados pelo culto à personalidade. Aberrações como a série de livros "Divaldo Responde" são ilustrativas sobre o quanto o "espiritismo" deturpado arroga-se a se achar "possuidor da verdade".
Uma frase de Millôr Fernandes, este, sim, alguém que pôde transmitir o saber através do humor, Em pelo menos duas frases, Millôr pode ser tomado emprestado para questionar o irregular "espiritismo" e seus médiuns dotados de um estrelismo messiânico mal disfarçado de humildade.
Uma frase é "Quem sabe tudo, é porque anda mal informado". Só essa frase faria com que os volumes pedantes do anti-médium Divaldo Franco, os tais "Divaldo Responde", tenham vergonha até de serem jogados nos sebos, porque ninguém vai querer ficar com livros igrejistas que prometem "respostas prontas" para tudo.
A realidade é muito complexa para haver pseudo-sábios oferecendo respostas para todas as coisas, arrogando uma perfeição descomunal. Além do mais, o verdadeiro sábio não é aquele que oferece respostas, mas questões. Ou dúvidas, como uma outra versão da frase de Millôr que circula na Internet: "Se você não tem dúvidas, é porque está mal informado".
Ha um malabarismo discursivo em que os "espíritas" primeiro assumem posições taxativas que depois vão relativizando. Eles ficam fazendo um interminável jogo de palavras que tenta dar a falsa impressão de tanto oferecer certezas como adotar autocríticas. Falam sem saber, iludidos com sua sensação de "posse da verdade" e, quando são desmascarados, tentam reconhecer os erros mas é tarde demais.
A doutrina marca por um festival interminável de contradições. Os seguidores, tomados de uma emotividade extrema, deixam tudo passar. Pensam que o a coerência pode montar uma ilha num mar revolto de tantas contradições e confusões. que o bom senso e o contrassenso podem ser falsamente conectados por uma palavra solta chamada "amor". Seria um falso equilíbrio que, na verdade, atestaria a vitória do contrassenso sobre o bom senso.
Outra frase de Millôr é a de que "Heróis nunca me iludiram". Os supostos "médiuns espíritas", que já destoam violentamente do que os médiuns do tempo de Allan Kardec eram, pois em vez de serem pessoas discretíssimas e quase anônimas, tornaram-se portadores do mais aberrante culto à personalidade, da forma mais cafajeste, disfarçada de humildade, mas inspiradora dos mais levianos gozos terrenos, que ocorrem sob a lona das paixões religiosas.
Os "médiuns" viraram pretensos heróis, pretensos santos canonizados de maneira informal, um agravante em relação à canonização católica, porque, com todo o tendenciosismo e leviandade de muitos processos - pessoas que se revelaram perversas como o padre José de Anchieta e Madre Teresa de Calcutá viraram "santos" - , há pelo menos uma formalização e uma organização. No "espiritismo", basta o "achismo" para atribuir santidade a fulano ou sicrano.
O que parece lindo, confortante, animador e admirável é, na verdade, uma leviandade. "Médiuns" que viram objetos de adoração extrema, pelo malabarismo das palavras, pelo espetáculo de suas atividades religiosas, pela pretensa sabedoria e por uma aparente filantropia que mais expõe o "benfeitor" do que realiza benefícios, por sinal, bastante inexpressivos.
Ainda há uma outra frase de Millôr Fernandes que também pode ser interpretada, não exatamente ao pé da letra, mas diante de uma mania muito comum no Brasil, que é de abraçar novidades e compactuá-las com conceitos velhos: "Quando uma ideologia fica bem velhinha, ela vem morar no Brasil".
Na verdade, a ideologia em si não é o sistema original de ideias contido numa corrente que, no exterior, surgiu inovadora, mas a forma com que ela foi recebida no Brasil. Tivemos vários exemplos de quanto as novidades "perecem" pela compactuação com aspectos retrógrados da corrente que deveria ser rompida, mas que sobrevive na essência quase oculta da novidade deturpada.
Tivemos, no Brasil, um Iluminismo que compactuou com a escravatura. Mais recentemente, tivemos uma cultura rock'n'roll que compactuou com velhos paradigmas de diluições comportadas dos EUA e Itália assimiladas pela Jovem Guarda, e rádios de rock que se deturparam em prol de uma linguagem "jovem", ou melhor, Jovem Pan, espécie de rádio pop mofada.
E temos um feminismo que tem que negociar com o machismo, seja "aconselhando" mulheres com inteligência, opinião e sem sensualismo obsessivo a se casarem com homens de liderança, enquanto aquelas que se contentam em ser meros objetos sexuais são "dispensadas" até de ter um namorado.
O Espiritismo entra nesse bolo de bolor, com cobertura nova e recheio podre, que se faz muito no Brasil. O que se vê na doutrina de Allan Kardec, no Brasil, é sua desfiguração total: em lugar do cientificismo original kardeciano, influenciado pelo Iluminismo francês, o que se vê é um igrejismo extremado e um receituário moralista inspirado na Teologia do Sofrimento do Catolicismo medieval.
Diante de tantas análises, Millôr Fernandes, que embora desagrade muitas pessoas por ter sido ateu, foi um grande intelectual que usava do humorismo para trazer boas lições para a humanidade. Não se preocupava em ser santo, sábio ou herói, e com isso tinha a liberdade de trazer ideias consistentes.
Muito diferente dos "médiuns espíritas" que, no Brasil, vivem o culto à personalidade, se passando por pretensos sábios e supostos filantropos, para promover um igrejismo velho e cansado, mas que ainda arrasta multidões seduzidas pela tentação fácil das paixões religiosas.
Com suas frases, Millôr Fernandes nocauteou os "médiuns" Divaldo Franco e Chico Xavier e outros que seguem linhas semelhantes.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Desesperados, deturpadores do "espiritismo" apelam para espíritas autênticos
A deturpação da Doutrina Espírita tornou-se uma armação tão bem sucedida que, até certo ponto, todo um repertório de contradições é mantido coexistindo ideias antagônicas entre si apenas pela desculpa da "fraternidade" e do "equilíbrio".
Como lobos em pele de cordeiro, os deturpadores do Espiritismo podem ser roustanguistas e dizer que "são fiéis a Allan Kardec", praticando um igrejismo extremado que vai contra a Codificação. Têm a sorte da desinformação constante entre os brasileiros e o discurso de apelo à emoção que usa palavras agradáveis como "fraternidade".
Com o agravamento da crise no "movimento espírita", os seus membros mais prestigiados em seu meio tentam agora correr para evocar figuras realmente humanistas e, ironicamente, de outras religiões, como Dom Paulo Evaristo Arns e Martin Luther King, e espíritas autênticos como Deolindo Amorim (pai do jornalista Paulo Henrique Amorim) e José Herculano Pires (sobrinho do contador caipira Cornélio Pires).
Apavorados ao ver que suas ideias foram identificadas como a leitura "espírita" da Teologia do Sofrimento e, por conseguinte, também ao moralismo de Jean-Baptiste Roustaing, os deturpadores não se satisfizeram em exaltar Allan Kardec, Jesus de Nazaré e Erasto, mas criar outros alvos de bajulação, dos mais diversos, atingindo personalidades íntegras e progressistas.
É muito constrangedor ver que tais palestrantes ora dizem para o povo "deixar de ser besta", fazendo de seu público um bando de bestas. Ou elogiar, em um momento, a "surpreendente atualidade" de Kardec e, em outro, exaltar a "luminosidade" de Chico Xavier. Ou reproduzir alertas de Erasto, num dia, e textos inteiros de Emmanuel, em outro.
Ser contraditório não é ter equilíbrio e ninguém é fraterno pela contradição. Não dá para costurar ideias antagônicas com o aparato da "solidariedade". É muito fácil criar um balé de belas palavras, misturando ideias antagônicas e argumentos confusos e dizer que faz "coerência espírita" apenas porque pronuncia palavras como "amor" e "fraternidade".
Mas isso vai contra os postulados de Allan Kardec e em seus livros há muitos alertas sobre os deturpadores, principalmente pelo fato destes apelarem para o "amor" e a "caridade" para impor sua mistificação, seduzindo facilmente as pessoas que se deixam levar pelo mel das palavras. Não foi por falta de aviso que o legado de Kardec foi desmontado no Brasil. E a hipocrisia só aumenta quando os deturpadores tentam se apoiar nos espíritas autênticos para sobreviver.
sábado, 8 de abril de 2017
"Amor" e "caridade" não transformam engodo retórico em coerência
As pessoas estão acostumadas com o "espiritismo" deturpado, que evoca Allan Kardec apenas no discurso. Na prática, elas se conformam com um engodo igrejeiro que nada diz em relação aos postulados espíritas originais, e que reduzem a Doutrina Espírita a um mero receituário moralista, mais parecendo um Catolicismo à paisana.
A prevalência do "espiritismo" brasileiro se dá pela confusão de ideias e pela falta de esclarecimento na sociedade. O pouco conhecimento das ideias de Allan Kardec, apenas mal apreciadas através de terceiros - inclusive revistas e reportagens que só descrevem errado a Doutrina Espírita e a oferecem deturpada aos leitores - , e a conformação com o igrejismo que remete a um saudosismo religioso do passado.
O engodo igrejeiro que mistura ideias genéricas de mediunidade e vida espiritual com valores do igrejismo católico, incluindo toda a carga piegas e sentimentalista de seus ritos e mitos, faz as pessoas acharem que há coerência quando todo esse engodo está "destinado ao bem". Mistura-se ideias místicas e fora de lógica com imagens de crianças pobres e jardins floridos e, pronto, acredita-se que a coerência encontrou morada nessa bagunça ideológica.
Não é assim. Imagine você se hospedar num hotel sujo, mal construído, com serviços irregulares, mas com a equipe toda dando um atendimento cordial, simpático e alegre. O ambiente fica limpo só porque gerente e funcionários são simpáticos a seus hóspedes?
E quando um encanador é contratado, ele tenta consertar um vazamento num cano de cozinha, o trabalho é malfeito, o cano se encaixa, mas, em poucas horas, ele estoura e molha toda a cozinha. E o eletricista, fazendo um trabalho semelhante, mas depois do resultado ocorre um sério curto-circuito. Se esses trabalhadores são simpáticos e trazem palavras de alegria e otimismo, eles se tornam bons trabalhadores com isso, apesar dos péssimos resultados causados?
Mas no "espiritismo", em que valores moralistas conservadores se mesclam a visões fantasiosas da vida espiritual, como as "colônias espirituais" concebidas pelos caprichos materialistas de quem quer acreditar que a encarnação presente é sempre um lixo, as pessoas aceitam toda a confusão de ideias por causa de "mensagens bonitas" e outras ideias agradáveis.
"Vazam" ideias reacionárias por trás de alegações moralistas em defesa do sofrimento, sob a famosa desculpa dos "resgates espirituais". "Curtos-circuitos" ocorrem entre ideias "sábias" de Chico Xavier e Divaldo Franco e os postulados espíritas originais, algo facilmente comparável no confronto entre as bibliografias "espíritas" brasileiras e a de Kardec.
Será que, apesar disso, as pessoas irão atribuir coerência só por causa do apelo ideológico das belas palavras, das imagens de gente humilde, triste ou alegre, dos jardins floridos e dos céus azuis com nuvens brancas e a frequência com que se pronuncia a palavra "amor"?
Não. Isso é falta de coerência. Por mais agradável que seja sua ideia, o "amor" não está acima de tudo, até porque seu sentido só se mantém através da honestidade, da sinceridade e da coerência de ideias. Quando a ideia de "amor" está associada, pelo contrário, à desonestidade doutrinária de um "espiritismo" que evoca Kardec no discurso e o trai na prática, não assume o roustanguismo que no fundo professa e prega ideias truncadas e mistificadoras, o "amor" perde todo o sentido de ser.
As pessoas precisam parar com a emotividade cega, que trava a percepção das coisas, achando que "tudo é amor" e por isso vale jogar a coerência no lixo. Paciência, somos seres racionais e não se pode trair, mesmo sob a desculpa dos "bons sentimentos" e das "lindas emoções", nossa capacidade de raciocínio.
O Catolicismo já se perdeu porque jogou fora os escrúpulos da razão e o "espiritismo" está seguindo o mesmo caminho, de um vale tudo de "belas fantasias" e "palavras de amor". E isso, de maneira explícita, contraria seriamente os ensinamentos de Allan Kardec, que sempre recomendou o rigor da razão para examinarmos muito engodo que é inserido em nome da Doutrina Espírita.
terça-feira, 4 de abril de 2017
O sentido dos gozos das "bênçãos futuras"
OS PRAZERES MUNDANOS DA TERRA SÃO BEM CONHECIDOS. MAS OS PRAZERES MUNDANOS DO "OUTRO LADO" AINDA PRECISAMOS ENTENDER.
O prestígio religioso e as paixões religiosas são armadilhas das mais terríveis. Tentações das mais traiçoeiras, elas são como armadilhas camufladas com a relva do bosque, em que o buraco onde cairá a presa é totalmente coberto para dar a impressão de inexistência.
Desta forma, tantos gozos, prazeres e luxúrias se escondem pela roupagem da simplicidade, da humildade, do espiritualismo. Quantas mensagens cruéis se escondem no balé de lindas palavras, quanto prazer pela desgraça alheia se disfarça com lindas estórias de superação, nos fazendo acreditar que é muito fácil suportar desgraças que nos fazem bater o coração com tantos sobressaltos!...
A mancenilheira, árvore linda de belíssimas folhas, com um tronco modesto mas bonito de se ver, e cujas frutas parecem maçãs e, consta-se, têm sabor delicioso, é totalmente venenosa. O risco de morte existe num simples toque em seu tronco. Comer as frutas, então, é quase certeza de infecção generalizada e mortal.
Imagine alguém falar umas frases dotadas da mais perfumada beleza, de seus lindos vocábulos, com argumentos aparentemente coerentes. Imagine o quanto belas palavras podem ferir, defendendo que devamos abrir mão de tudo, em nome do prêmio dos céus, pouco importando se desperdiçamos nossa limitada encarnação com desgraças e fracassos retumbantes. Vejamos algumas frases hipotéticas:
"Se você desenvolveu seus talentos, desenvolva outros. Se tudo dá errado, aceite as derrotas e aproveite as circunstâncias infelizes para desenvolver outras habilidades".
"Aquela garota com quem você sentiu afinidade profunda representa suas ilusões. Agradeça a circunstância dela ter se afastado de você e ter se desposado com outro homem. Aceite a outra, com a qual você não se identifica e até sente repulsa, grande oportunidade para resolver as diferenças".
"A empresa onde você trabalha é corrupta? Semeie a honestidade nela, transforme-a num lugar de solidariedade e trabalho".
"Você, mulher, apanha do marido? Tenha paciência, sorria para ele e seja gentil, para que ele possa de repente sentir alguma compaixão por você".
"Perdeu tudo na vida? Agradeça, porque você terá ganhos melhores e mais duradouros!".
Você é induzido a acreditar que esse balé de palavras lindas seja sempre benéfico e instrutivo para sua vida. Tudo parece lindo, mas quem sabe se não há juízos de valor, preconceitos, recados cruéis e sádicos por trás de palavras que parecem, à primeira vista, tão confortadoras?
Nas décadas de 1940 e 1950, fez muito sucesso um personagem de cartum chamado Amigo da Onça. Criação de Péricles Maranhão, consistia num sujeito franzino, vestido smoking branco, com cabelo engomado e bigode fininho, que sempre se comportava de maneira gentil com as pessoas que sofrem ou estão a sofrer alguma desgraça. Cada charge mostrava uma frase descontraída e simpática do Amigo da Onça, cruel com sua simpatia e palavras cordiais.
Esquecemos o quanto a religião, que precisa de uma "reserva" de sofredores para forjar caridade, usa palavras bonitas e todo um aparato de simpatia e cordialidade para forçar a aceitação da desgraça. É aquela coisa: "para inventar uma caridade, inventam-se primeiro os desgraçados".
Os "espíritas" tentam, com seu balé de palavras, dizer que "ninguém nasceu para sofrer". No primeiro instante, dizem que o sofrimento é lindo e que acumular desgraças traz bênçãos para o futuro. Depois fazem rodeios e tentam argumentar que "não é pelo prazer de sofrer" , mas pela necessidade de "entender o sofrimento", e só o fazem isso depois de receberem críticas.
Imagine o caso do governo Temer. Ele queria cortar investimentos sociais quase que por completo e teve que recuar diante da pressão popular. Mas primeiro ele expôs sua intenção de cortar investimentos e deixar as populações carentes na mão.
Fala-se muito em "bênçãos futuras", como se isso fosse um prêmio de loteria. Ninguém sabe o que é essa tal de "bênção" e o acúmulo de desgraças humanas é defendido pelos "espíritas" como se fosse uma competição visando um troféu. Os "espíritas" tanto falam em abrir mão dos gozos materiais mas eles mesmos esperam os gozos simbólicos da "pátria espiritual".
Muitos que recorrem aos "centros espíritas" para fazer tratamento reclamam do azar que acabam contraindo. E não são em "centros" de fundo de quintal, de falsas médiuns escancaradas que só se comunicam com os mortos de mentira que vestem cobertores brancos. São em casas tidas como "conceituadas", pois os erros, no "espiritismo" brasileiro, são feitos por "peixe grande", mesmo.
Muitas pessoas recorrem a esses tratamentos visando justamente obter sorte para o trabalho, abrir mão de prazeres mundanos, buscar nova orientação de vida e o que ocorre? Atraem circunstâncias infelizes, se tornam reféns dos próprios prazeres mundanos dos quais querem fugir, as únicas oportunidades vitais que conseguem segue esse triste universo.
E, para piorar, ainda contraem animosidades por nada, num pequeno e leve debate inimigos perversos surgem do nada, criando páginas ofensivas na Internet, das quais é preciso muito esforço jurídico para bani-las, e isso quando a Justiça anda corrompida, tendo um valentão como Alexandre de Moraes na corte do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto os "espíritas" pouco se importam se os sofredores perdem encarnações inteiras com sofrimentos e desgraças que impedem até a justa ação da iniciativa, do trabalho e do esforço, machucando a paciência humana com humilhações, sobressaltos e ameaças, os próprios religiosos acham que podem reduzir o número de reencarnações necessárias para conquistar o "gozo maior" no "outro lado da vida".
Criam balés de palavras bonitas, expostas em palestras e em livros que vendem como água. Escondem a fortuna que pegam para si e só mostram as migalhas que transferirão para a "caridade". Fazem turismo espalhando a deturpação do Espiritismo e, quando entram em contato com as elites do poder e do dinheiro, não é para cobrar, mas para adular, em troca de medalhas, diplomas e outras condecorações.
Desta forma, há todo um teatrinho no qual os "espíritas" - sem excluir o "renomado" Divaldo Franco ou, em outros tempos, Chico Xavier - expõem sua linda coreografia de palavras aos públicos de elite, sob a ânsia de arrancar aplausos e posar ao lado de aristocratas nas colunas sociais. Isso em si já consiste em gozos terrenos, no qual a vaidade é uma tentação que aparece discretamente, mas com seu poder secreto ainda maior.
Diante desse mercado de palavras bonitas e atos filantrópicos de fachada, que mais servem para glorificar o benfeitor do que ajudar os necessitados - as ajudas até existem, mas são muito medíocres e sem eficiência definitiva - , vamos lembrar da lição presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, na tradução de José Herculano Pires.
Nele, há uma mensagem publicada no Capítulo 20, Trabalhadores de Última Hora, no item III, "Trabalhadores do Senhor", no qual o Espírito da Verdade, em mensagem enviada por um discreto médium a serviço de Kardec, em Paris, no ano de 1862, dá um recado que poucos imaginam ter serventia justamente aos vaidosos malabaristas das palavras dóceis do "movimento espírita":
"Mas infelizes os que, por suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade chegará e eles serão levados no turbilhão! Nessa hora clamarão: 'Graça! Graça!' Mas o Senhor lhes dirá: 'Por que pedis graça, se não tivestes piedade de vossos irmãos, se vos recusastes a lhes estender as mãos, e se esmagastes o fraco em vez de o socorrer? Por que pedis graça, se procurastes a recompensa nos prazeres da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebeste a vossa recompensa, de acordo com a vossa vontade. Nada mais tendes a pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido recompensas da Terra'".
Os que sofrem fazem sua parte para superar seus vícios e desenvolver novas habilidades. As confusas energias do "espiritismo" que deturpa o legado de Kardec é que não deixam, forçando os infelizes que querem deixar a superfície a seguirem a corrente que os empurrará de volta ao lugar onde querem deixar. E não raro se afogam e morrem na praia.
Mas, ainda assim, os sofredores se esforçam e um dia, ao se recusarem a aventura masoquista de seguir a corrente para se manter reféns das tentações mundanas que querem romper, terão algum benefício, trazido não pelo milagre disforme da "bênção futura", mas pelo resultado de algum raciocínio inusitado para resolver seus problemas.
Por outro lado, os "espíritas", apressados em obter o passaporte para o Céu, caprichando o máximo nas belas palavras e ações de fachada, já receberam as recompensas terrenas do prestígio religioso e conquistaram o céu imaginário das paixões religiosas. Eles que se contentem com a reputação terrena, aparentemente inabalável, de seus fanáticos seguidores, e com as ilusões que a magia do deslumbramento religioso envolve em torno de si.
O prestígio religioso e as paixões religiosas são armadilhas das mais terríveis. Tentações das mais traiçoeiras, elas são como armadilhas camufladas com a relva do bosque, em que o buraco onde cairá a presa é totalmente coberto para dar a impressão de inexistência.
Desta forma, tantos gozos, prazeres e luxúrias se escondem pela roupagem da simplicidade, da humildade, do espiritualismo. Quantas mensagens cruéis se escondem no balé de lindas palavras, quanto prazer pela desgraça alheia se disfarça com lindas estórias de superação, nos fazendo acreditar que é muito fácil suportar desgraças que nos fazem bater o coração com tantos sobressaltos!...
A mancenilheira, árvore linda de belíssimas folhas, com um tronco modesto mas bonito de se ver, e cujas frutas parecem maçãs e, consta-se, têm sabor delicioso, é totalmente venenosa. O risco de morte existe num simples toque em seu tronco. Comer as frutas, então, é quase certeza de infecção generalizada e mortal.
Imagine alguém falar umas frases dotadas da mais perfumada beleza, de seus lindos vocábulos, com argumentos aparentemente coerentes. Imagine o quanto belas palavras podem ferir, defendendo que devamos abrir mão de tudo, em nome do prêmio dos céus, pouco importando se desperdiçamos nossa limitada encarnação com desgraças e fracassos retumbantes. Vejamos algumas frases hipotéticas:
"Se você desenvolveu seus talentos, desenvolva outros. Se tudo dá errado, aceite as derrotas e aproveite as circunstâncias infelizes para desenvolver outras habilidades".
"Aquela garota com quem você sentiu afinidade profunda representa suas ilusões. Agradeça a circunstância dela ter se afastado de você e ter se desposado com outro homem. Aceite a outra, com a qual você não se identifica e até sente repulsa, grande oportunidade para resolver as diferenças".
"A empresa onde você trabalha é corrupta? Semeie a honestidade nela, transforme-a num lugar de solidariedade e trabalho".
"Você, mulher, apanha do marido? Tenha paciência, sorria para ele e seja gentil, para que ele possa de repente sentir alguma compaixão por você".
"Perdeu tudo na vida? Agradeça, porque você terá ganhos melhores e mais duradouros!".
Você é induzido a acreditar que esse balé de palavras lindas seja sempre benéfico e instrutivo para sua vida. Tudo parece lindo, mas quem sabe se não há juízos de valor, preconceitos, recados cruéis e sádicos por trás de palavras que parecem, à primeira vista, tão confortadoras?
Nas décadas de 1940 e 1950, fez muito sucesso um personagem de cartum chamado Amigo da Onça. Criação de Péricles Maranhão, consistia num sujeito franzino, vestido smoking branco, com cabelo engomado e bigode fininho, que sempre se comportava de maneira gentil com as pessoas que sofrem ou estão a sofrer alguma desgraça. Cada charge mostrava uma frase descontraída e simpática do Amigo da Onça, cruel com sua simpatia e palavras cordiais.
Esquecemos o quanto a religião, que precisa de uma "reserva" de sofredores para forjar caridade, usa palavras bonitas e todo um aparato de simpatia e cordialidade para forçar a aceitação da desgraça. É aquela coisa: "para inventar uma caridade, inventam-se primeiro os desgraçados".
Os "espíritas" tentam, com seu balé de palavras, dizer que "ninguém nasceu para sofrer". No primeiro instante, dizem que o sofrimento é lindo e que acumular desgraças traz bênçãos para o futuro. Depois fazem rodeios e tentam argumentar que "não é pelo prazer de sofrer" , mas pela necessidade de "entender o sofrimento", e só o fazem isso depois de receberem críticas.
Imagine o caso do governo Temer. Ele queria cortar investimentos sociais quase que por completo e teve que recuar diante da pressão popular. Mas primeiro ele expôs sua intenção de cortar investimentos e deixar as populações carentes na mão.
Fala-se muito em "bênçãos futuras", como se isso fosse um prêmio de loteria. Ninguém sabe o que é essa tal de "bênção" e o acúmulo de desgraças humanas é defendido pelos "espíritas" como se fosse uma competição visando um troféu. Os "espíritas" tanto falam em abrir mão dos gozos materiais mas eles mesmos esperam os gozos simbólicos da "pátria espiritual".
Muitos que recorrem aos "centros espíritas" para fazer tratamento reclamam do azar que acabam contraindo. E não são em "centros" de fundo de quintal, de falsas médiuns escancaradas que só se comunicam com os mortos de mentira que vestem cobertores brancos. São em casas tidas como "conceituadas", pois os erros, no "espiritismo" brasileiro, são feitos por "peixe grande", mesmo.
Muitas pessoas recorrem a esses tratamentos visando justamente obter sorte para o trabalho, abrir mão de prazeres mundanos, buscar nova orientação de vida e o que ocorre? Atraem circunstâncias infelizes, se tornam reféns dos próprios prazeres mundanos dos quais querem fugir, as únicas oportunidades vitais que conseguem segue esse triste universo.
E, para piorar, ainda contraem animosidades por nada, num pequeno e leve debate inimigos perversos surgem do nada, criando páginas ofensivas na Internet, das quais é preciso muito esforço jurídico para bani-las, e isso quando a Justiça anda corrompida, tendo um valentão como Alexandre de Moraes na corte do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto os "espíritas" pouco se importam se os sofredores perdem encarnações inteiras com sofrimentos e desgraças que impedem até a justa ação da iniciativa, do trabalho e do esforço, machucando a paciência humana com humilhações, sobressaltos e ameaças, os próprios religiosos acham que podem reduzir o número de reencarnações necessárias para conquistar o "gozo maior" no "outro lado da vida".
Criam balés de palavras bonitas, expostas em palestras e em livros que vendem como água. Escondem a fortuna que pegam para si e só mostram as migalhas que transferirão para a "caridade". Fazem turismo espalhando a deturpação do Espiritismo e, quando entram em contato com as elites do poder e do dinheiro, não é para cobrar, mas para adular, em troca de medalhas, diplomas e outras condecorações.
Desta forma, há todo um teatrinho no qual os "espíritas" - sem excluir o "renomado" Divaldo Franco ou, em outros tempos, Chico Xavier - expõem sua linda coreografia de palavras aos públicos de elite, sob a ânsia de arrancar aplausos e posar ao lado de aristocratas nas colunas sociais. Isso em si já consiste em gozos terrenos, no qual a vaidade é uma tentação que aparece discretamente, mas com seu poder secreto ainda maior.
Diante desse mercado de palavras bonitas e atos filantrópicos de fachada, que mais servem para glorificar o benfeitor do que ajudar os necessitados - as ajudas até existem, mas são muito medíocres e sem eficiência definitiva - , vamos lembrar da lição presente em O Evangelho Segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, na tradução de José Herculano Pires.
Nele, há uma mensagem publicada no Capítulo 20, Trabalhadores de Última Hora, no item III, "Trabalhadores do Senhor", no qual o Espírito da Verdade, em mensagem enviada por um discreto médium a serviço de Kardec, em Paris, no ano de 1862, dá um recado que poucos imaginam ter serventia justamente aos vaidosos malabaristas das palavras dóceis do "movimento espírita":
"Mas infelizes os que, por suas dissensões, houverem retardado a hora da colheita, porque a tempestade chegará e eles serão levados no turbilhão! Nessa hora clamarão: 'Graça! Graça!' Mas o Senhor lhes dirá: 'Por que pedis graça, se não tivestes piedade de vossos irmãos, se vos recusastes a lhes estender as mãos, e se esmagastes o fraco em vez de o socorrer? Por que pedis graça, se procurastes a recompensa nos prazeres da Terra e na satisfação do vosso orgulho? Já recebeste a vossa recompensa, de acordo com a vossa vontade. Nada mais tendes a pedir. As recompensas celestes são para aqueles que não houverem pedido recompensas da Terra'".
Os que sofrem fazem sua parte para superar seus vícios e desenvolver novas habilidades. As confusas energias do "espiritismo" que deturpa o legado de Kardec é que não deixam, forçando os infelizes que querem deixar a superfície a seguirem a corrente que os empurrará de volta ao lugar onde querem deixar. E não raro se afogam e morrem na praia.
Mas, ainda assim, os sofredores se esforçam e um dia, ao se recusarem a aventura masoquista de seguir a corrente para se manter reféns das tentações mundanas que querem romper, terão algum benefício, trazido não pelo milagre disforme da "bênção futura", mas pelo resultado de algum raciocínio inusitado para resolver seus problemas.
Por outro lado, os "espíritas", apressados em obter o passaporte para o Céu, caprichando o máximo nas belas palavras e ações de fachada, já receberam as recompensas terrenas do prestígio religioso e conquistaram o céu imaginário das paixões religiosas. Eles que se contentem com a reputação terrena, aparentemente inabalável, de seus fanáticos seguidores, e com as ilusões que a magia do deslumbramento religioso envolve em torno de si.
sexta-feira, 10 de março de 2017
As pessoas se esqueceram da lenda do "homem do saco"
Qual a relação entre a lenda do "homem do saco" e as tábuas Ouija? Muita coisa. Ver que a brincadeira das tábuas Ouija se resultou no "espiritismo" que temos no Brasil, revela o mito de armadilhas que podem se esconder por trás de belas palavras e lindas imagens.
As pessoas têm que compreender. Quando se fala que o "espiritismo" brasileiro sucumbiu à desonestidade doutrinária, não se trata de raiva contra o trabalho do bem, mas uma constatação baseada em práticas e ideias que entram em conflito sério com o legado deixado por Allan Kardec, que teve um trabalho dificílimo e angustiante para desenvolver os conhecimentos da Doutrina Espírita.
O legado kardeciano foi deturpado e o mais grave é que a "fase dúbia", vigente há quatro décadas, só fez piorar as coisas. O suposto equilíbrio entre "místicos" e "científicos" sob o nome de Espiritismo só rendeu contradições ainda piores e muito mais graves e preocupantes do que quando se assumia mais a inclinação abertamente igrejista inspirada na obra de Jean-Baptiste Roustaing.
Só mesmo os vícios do sentimentalismo religioso, com sua moral seletiva, suas complacências, sua teimosia infantil e sua falta de discernimento diante das circunstâncias é que permite que as contradições do "espiritismo" brasileiro sejam mantidas e até renovadas.
A desculpa da "afinidade com os ensinamentos cristãos" - na verdade, influenciada pelo Catolicismo medieval - é desculpa para permitir a deturpação da Doutrina Espírita, popularizada por supostos médiuns que, diferente dos médiuns consultados por Allan Kardec em seu tempo, são tomados do mais escancarado "culto à personalidade".
Um dos ganchos dessa argumentação falaciosa, que faz com que muitos críticos da deturpação espírita sejam tentados a incluírem Chico Xavier e Divaldo Franco no âmbito da recuperação dos postulados kardecianos originais, sem motivo e sem saber como incluir, são as "mensagens de amor".
A falácia do "apelo à emoção", o Argumentum Ad Passiones ou simplesmente Ad Passiones, garante o sucesso da deturpação. Distorce o legado de Allan Kardec com a desculpa da "adequação às tradições da religiosidade brasileira". Consolida-se essa tese pelo pretexto da "afinidade com os princípios cristãos". Para efetivar isso, usa-se um repertório marcado de "estórias lindas" e "palavras bonitas", explorando o frágil e vulnerável sentimentalismo popular brasileiro.
E aí, pronto. cria-se um "espiritismo" que é totalmente deturpado, com bases fundamentadas no igrejismo neo-medieval de Jean Baptiste Roustaing, mas que o "jeitinho brasileiro" fez com que se vinculasse aos "postulados originais de Kardec". Criam-se traduções distorcidas da obra de Kardec e essa manobra permite que se use até mesmo os alertas de Erasto para favorecer a deturpação.
Isso é grave. Deturpa-se o Espiritismo e os deturpadores ainda têm a cara-de-pau de reprovar a deturpação. Isso é o "jeitinho brasileiro" e a veiculação de ideias mistificadoras, que constrangeriam Kardec de imediato, são legitimadas pelo aparato de "belas palavras" e "sentimentos amorosos" que fazem a ação fraudulenta do "movimento espírita" ser blindada e impune.
É como no conto do "homem do saco", ou o Papa-Figo. Diz a lenda que se trata de um velho franzino e de ares sombrios, mas que prometia dar presentes e contar estórias maravilhosas para a criançada. Elas o ouviam e, de repente, desapareciam misteriosamente, na perdição das estórias ouvidas.
No Brasil, pessoas adultas esquecem que mantém traumas e teimosias infantis, além de tantos outros dilemas, dramas e impasses da infância e da juventude que chegam mal-resolvidos e até agravados na meia-idade. Daí a procura doentia de "estórias lindas" que lembram os contos de fadas antigos, mas diante do esquecimento do alerta do "homem do saco", que sempre povoou o imaginário infantil como um dos primeiros perigos da vida humana.
O "espiritismo" deturpado também vem com "palavras de amor" e as pessoas se comovem facilmente com os "médiuns-estrelas" ou anti-médiuns, porque, se eles são o centro das atenções, não podem ser considerados "intermediários" (médiuns). Ninguém desconfia do problema que é o "culto à personalidade" dos "médiuns" brasileiros e há quem defenda a "caridade" deles, que ajuda muito pouca gente, para manter a aura da vaidade pessoal e do estrelismo dessas pessoas.
As pessoas caem na falácia do Ad Passiones "espírita", como crianças que, felizes, vão acompanhar o "homem do saco" com suas "belas estórias". Acham que todo discurso de "palavras de amor" é maravilhoso e não sugere mistificação. E isso faz com que mesmo quem reprova a deturpação espírita caia na lábia de "médiuns" que viram dublês de pensadores e de filantropos.
Isso vai contra o alerta de Erasto, espírito que se comunicou por meio de um dos médiuns autênticos consultados por Kardec. O que ele alertou incluiu não apenas os deturpadores da Doutrina Espírita mais explícitos - como Jean-Baptiste Roustaing - , mas seus alertas, por antecipação, revelaram perigos trazidos pelas figuras de Chico Xavier, Divaldo Franco e companhia.
As pessoas se esqueceram desses alertas. E, em nome da carência emocional, preferem jogar a ética, a lógica e o bom senso no lixo, em nome da aceitação submissa e confortável das "estórias lindas" e das "mensagens de amor", além da exaltação de uma filantropia que a quase ninguém ajuda, só à vaidade dos "benfeitores".
sábado, 4 de fevereiro de 2017
Brasil precisa de um freio para deter as elites reacionárias
O reacionarismo social está intenso e o grau de humanidade zero se observa em pessoas que se dizem instruídas, de boa posição social e cujas vidas são conduzidas pela religiosidade. O terrível cenário dos últimos meses, em que as elites começaram a despejar preconceitos sociais escancarados, revela que o Brasil de Michel Temer é, na verdade, um gigantesco pesadelo social.
Temos moralistas sem moral, defendendo redução de salários, fim dos serviços públicos e gratuitos e que dão pitacos até nas relações amorosas dos outros. Pessoas que já não medem escrúpulos em defender a escravidão, o sucateamento das instituições públicas, em defender que as riquezas brasileiras sejam entregues aos estrangeiros etc. Vivemos um surto reacionário no qual as elites acham que podem fazer o que querem.
Empresários que já não escondem seus surtos elitistas. Juristas que não escondem seu moralismo medieval. E há até mesmo religiosos, como os "espíritas", que pedem para os sofredores aguentarem seu sofrimento "sem queixumes" e, de forma bem suspeita, "misericórdia" para os algozes que cometem seus abusos, porque estes "um dia terão o que merecem" (provavelmente na próxima encarnação - é o "fiado espírita").
Que a sociedade elitista tinha lá seus surtos de violência, como os assassinatos do campo e os crimes de feminicídio, movidos respectivamente pelo "direito à propriedade" e "legítima defesa da honra", é óbvio, mas hoje o reacionarismo social está indo longe demais.
Pessoas que pedem morte a petistas - reproduzimos, via Diário do Centro do Mundo, uma seleção de comentários no Facebook pedindo a morte da ex-primeira-dama Marisa Letícia, mulher do ex-presidente Lula, que sofreu acidente vascular cerebral - , se arrepiam quando se fala que um rico homem que matou a própria esposa ou namorada por ciúme doentio, possa, pelas próprias pressões emocionais que sente, sofrer um infarto fulminante, sobretudo antes de 50 anos.
A título de exemplo, quando se lembrou do antigo crime feminicida do empresário Doca Street (que matou a socialite Ângela Diniz em Búzios, por ciúme doentio), que no final do ano passado completou 40 anos, a imprensa relembrou o fato sem esclarecer os leitores se Doca morreu ou continua vivo.
Há rumores de que Doca ainda está vivo, mas realiza tratamento contra um câncer, contraído pelo seu passado de fumante inveterado. Por ironia, Doca atingiu em 2016 a mesma idade do músico canadense Leonard Cohen, 82 anos, que, depois que lançou seu derradeiro álbum, se declarou "pronto para morrer". E morreu. Independente do paradeiro de Doca, é doloroso demais para a sociedade patriarcalista saber que ele pode morrer um dia. Certos brasileiros "não podem morrer".
Há um grande medo, quando a tragédia chega nas portas das elites. O homem que é capaz de cercar sua própria esposa ou namorada num quarto doméstico para alvejá-la a tiros ou matá-la a facadas, é o mesmo que tem medo de morrer de repente, seja no leito de um hospital, seja infartando em casa, ou caindo na rua por algum mal súbito.
As mulheres podem ser mortas antes dos 40 anos ou até dos 30 ou 25, mas seus assassinos não podem morrer antes dos 85. Morrer aos 50, então, soa "ofensivo". Estes podem "reconstruir" suas vidas - na verdade, uma recuperação inútil de atributos materiais, uma reconstrução de suas vaidades e privilégios mundanos - , mas suas vítimas tiveram encarnações para sempre extintas, cabendo reencarnar do zero, porque o mundo nunca permanece o mesmo.
Isso mostra o tom da sociedade moralista em que vivemos. Uma sociedade surreal que já aceita que se mantenham as injustiças sociais por possuírem uma visão medieval de justiça social, revela o profundo atraso em que se vive o Brasil. Há espíritos atrasados que, dependendo do tipo, pensam que ainda vivem nos EUA macartistas ou no auge do Império Romano.
As elites no Brasil se mostram mofadas, emboloradas. Fazem a chamada "revolta do bolor", no qual há a indignação do bolor contra o fungicida. O Brasil sempre teve como cacoete negociar o novo com os padrões velhos, toda novidade era sempre filtrada por aspectos velhos, pois, em vez do novo combater o velho, o novo se adapta e se molda de acordo com o velho.
É isso que faz com que, por exemplo, o "espiritismo" brasileiro tenha se moldado não no cientificismo de legado iluminista de Allan Kardec, mas pelo Catolicismo jesuíta do Brasil colonial, herdeiro do Catolicismo português, de orientação medieval. Embora os "espíritas" tentem alegar que "repudiam" a teocracia medieval católica, demonstram terem herdado seus postulados. Um livro como Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho tem conteúdo puramente medieval.
O que ocorreu foram adaptações, como permitir que a expressão do pensamento científico e intelectual se limitasse às suas especialidades, ou agisse para confirmar ou sustentar as teses igrejeiras e misfiticadoras dos "espíritas". Quando a ciência se ajoelha aos pés do igrejismo "espírita", tudo bem. Quando se submete a apoiar a figura festejada, porém retrógrada, de Chico Xavier, os "espíritas" batem palmas para os cientistas e intelectuais.
Mas quando o "espiritismo" recebe, da Ciência e das demais atividades intelectuais, uma série de questionamentos sobre suas práticas e dogmas, investigando irregularidades e tudo, os "espíritas" mostram seu lado cruelmente medieval, criminalizando a ciência através de juízos de valor perversos por meio de expressões como "overdose de raciocínio" e "tóxico do intelectualismo".
A sociedade precisa se renovar e as estruturas de status quo estão sendo extremamente caducas, podres, obsoletas. Algum freio tem que ser imposto às elites que, protegidas pela "superioridade" material do dinheiro, da fama, do poder político, da posição empresarial, do diploma tecnocrático e do prestígio religioso, estão cometendo seus abusos e suas visões retrógradas da sociedade, tratando valores perecidos como se fossem "coisa nova".
Do empresário Flávio Rocha, da rede de lojas Riachuelo, que defendeu a precarização do mercado de trabalho, à pediatra "espírita" que se recusou a atender uma criança vítima de estupro alegando "resgates espirituais", passando por internautas reacionários que existem aos montes nas redes sociais, é preciso uma sacudida para evitar que tais abusos sejam cometidos.
Os retrocessos do Brasil são excessivos e estão deixando o resto do mundo de cabelos em pé. Mas pelo menos acabou-se a ilusão do "Coração do Mundo", porque, a dois anos da "data-limite", não há meios do Brasil retomar as condições determinadas para tal supremacia político-religiosa. Ainda bem. Afinal, queremos um Brasil mais justo, e não mais um império teocrático a mandar no planeta.
domingo, 29 de janeiro de 2017
Brasil é "balneário" para espíritos atrasados?
O Brasil é atrasado em todos os sentidos. Na complacência com os crimes de gente rica e na forma um tanto paternalista e espetacularizada de "caridade", observa-se um país viciado em muitos retrocessos. Os retrocessos são tantos que, no âmbito econômico, já assustam até os tecnocratas do conservador Fundo Monetário Internacional, boquiabertos com o radicalismo ultraconservador do presidente Michel Temer e sua "equipe de notáveis".
Nosso país está tão atolado em visões reacionárias ou retrógradas - que veem as necessidades humanas sob a ótica "pragmática" (limitada a motivos utilitaristas, como a mera sobrevivência, pouco importando desejos diferenciados de qualidade de vida e valorização do prazer) e os méritos mediante a noção material de relações de hierarquia - que o mundo fica estarrecido diante do Brasil que parece ter se perdido em algum período da Idade Média.
Preconceitos sociais liberados e trazidos por gente de elite, antes considerada "gabaritada". Veículos de mídia perdidos entre a libertinagem sexual quase troglodita e o moralismo punitivista severo. Aliás, a mídia que temos - Globo, Abril, Folha, Estadão, Jovem Pan etc, sem esquecer regionais como a gaúcha RBS e a baiana Metrópole - é simplesmente tão atrasada que até os sucessos musicais mais contemporâneos soltam um forte cheiro de mofo.
Tudo está velho no Brasil e a maioria das pessoas presa na zona de conforto de convicções, temores e neuroses que não fazem mais sentido. Paradigmas de valores morais, religiosidade, justiça social, punições humanas, méritos de toda espécie, parecem terem regredido para tempos de barbárie ou de profundo conservadorismo sócio-político na humanidade, deixando o Brasil numa preocupante situação de decadência social, que atinge até boa parte dos "esclarecidos".
Só para sentir o estranho moralismo em que vivemos, uma parcela da sociedade chega a ter medo de ver feminicidas ricos morrerem de repente ou então seitas religiosas entrarem em falência - os "espíritas", então, devem estar tremendo diante da crise de sua doutrina que só se agrava - , e a ignorância generalizada cria uma moral um tanto cambaleante que criminaliza ou inocenta conforme as conveniências.
O Brasil é um "balnerário" para espíritos atrasados? O que vemos são ecos diversos de sociedades ou grupos retrógrados: o Brasil foi tomado de patrícios do Império Romano, de medievais, de nazi-fascistas, de seguidores do apartheid, de macartistas, de absolutistas franceses. Até parece que, desde 1500, nosso país se tornou o depósito de lixo da humanidade.
É certo que o Brasil teve essa "missão" a partir da ideia concebida pelas autoridades portuguesas de mandar para longe do território lusitano prostitutas, ladrões, assassinos, desordeiros e loucos, que passaram a viver no território brasileiro e, provavelmente, a atravessar os séculos reencanando de maneira viciada, sempre de acordo com seus caprichos pessoais, ao mesmo tempo obscurantistas e extravagantes.
O Brasil é o sexto país mais ignorante do planeta, ocupando o primeiro lugar entre os sul-americanos. A estupidez viciada se reflete nas redes sociais, em que o ultraconservadorismo social é notado até em pessoas ditas "rebeldes", aparentemente modernas, mas cujas ideias que defendem deixariam um fidalgo medieval cair da cadeira de tão chocado.
Já tivemos tempos ultraconservadores que, todavia, obedeciam a uma lógica social e a uma certa coerência de contexto. Se abusos havia, eles obedeciam a um estágio de evolução institucional, que ainda estava atrasado. Se havia elitismos, eles pelo menos se manifestavam de maneira mais sutil ou controlada.
Hoje todos parecem ter surtado de vez. Práticas de clientelismo político que só seriam normais na República Velha estão sendo retomadas de forma escancarada pelo governo Michel Temer. O descaso político ficou institucionalizado, com os cortes de investimentos em Saúde e Educação, antes frutos da omissão política, virando leis de emenda constitucional. As empresas já estão livremente demitindo pessoas e querendo reduzir salários, sob a desculpa de se adaptar aos "novos (?!) tempos".
O machismo, não bastasse o medo de ver seus membros mais violentos "vestirem o paletó de madeira" (por mais que eles fumem ou usem drogas), tem também o dado surreal de contrapôr as mulheres-objetos com as "rainhas do lar", atribuindo às primeiras um falso feminismo, muito mal justificado pela "liberdade do corpo" e muito mal expresso por uma aparente solteirice das musas siliconadas.
O próprio "espiritismo" acompanha o "espírito do tempo" (olhe o trocadilho) e faz apelos para os sofredores aceitarem o sofrimento, não reclamarem e encararem tudo com fé e esperança. Expressando maior identificação com a Teologia do Sofrimento católica, o "movimento espírita", com tais apelos, demonstra subliminarmente seu apoio ao retrógrado governo Temer.
O Brasil está caótico, institucionalmente inseguro, socialmente viciado. O país vive uma catástrofe social sem precedentes, e as pessoas não percebem, como aqueles doentes da Síndrome de Riley-Day que são incapazes de sentir qualquer dor. Parecem até felizes, rindo dos problemas da vida. Não é à toa que, levando isso às últimas consequências, o Estado do Rio de Janeiro é agora conhecido como "Riley-Day Janeiro".
Isso é um alerta terrível. E já que fazem quatro anos de tragédia com a Boate Kiss, fruto da imprudência e intransigência de vários envolvidos - empresários, autoridades e banda musical, que soltou rojões que causaram o terrível incêndio - , quantas Boates Kiss vão acontecer, quantos voos da Chapecoense ocorrerão, para mostrar às pessoas que nem tudo é sonho e fantasia e que o Brasil está no caos e na desordem social?
Politicamente, o governo Temer é uma sucessão interminável de confusões, ameaças, retrocessos, recuos e tudo de ruim. É uma tragicomédia em que o lado trágico ainda é mais forte. E não é só a tragédia de Teori Zavascki, que, como ministro do STF e relator da Operação Lava Jato, deixou a seus envolvidos uma complicada lacuna, mas a tragédia da "normalidade" de seu governo, com ministros-problema como Eliseu Padilha, José Serra, Alexandre de Moraes e outros.
A grande mídia está cada vez mais retrógrada, com uma cultura musical plenamente abominável - em que os bregas mais antigos, como "pagodeiros" e "sertanejos" dos anos 90, agora são jogados para cantar clássicos da MPB, num oportunismo canastrão e pedante - cujo "maior acontecimento" é o Big Brother Brasil, já na 17ª edição.
Tudo isso revela ecos de todo tipo, desde a religiosidade medieval que faz muitos deslumbrados endeusarem Chico Xavier com uma emotividade piegas, até o erotismo compulsivo de uma Mulher Melão ou Solange Gomes que servem para as masturbações de machistas juvenis sexualmente descontrolados.
Até parece que o Brasil virou um "hotel" para espíritos retrógrados que perderam a sua razão de ser em outras áreas do planeta, e que agora tentam fazer o feitiço do tempo forçando o país a regredir mais ainda, a andar para trás desafiando as transformações dos tempos e criando um autismo isolacionista no qual uma considerável parcela de brasileiros ainda esnoba o resto do mundo, confundindo o atraso em que vive o Brasil com "originalidade". Coisa de quem pensa retrógrado.
segunda-feira, 23 de janeiro de 2017
A mensagem anti-kardeciana do "poeta alegre"
Certas práticas ou produtos do "movimento espírita" são risíveis de tão simplórios, resultantes de atitudes referentes à visão deturpada da Doutrina Espírita, frequentemente dissimuladas pelo bom-mocismo das "casas espíritas" e seus palestrantes mais festejados.
No "Artigos Espíritas", página portuguesa mas que representa a mesma deturpação brasileira da Doutrina Espírita, foi publicado um poema de um suposto espírito, chamado "poeta alegre", cujos poemas são tão toscos que há muitas dúvidas de que realmente se trata de um espírito. Os poemas publicados em seu nome mais parecem poeminhas de rima fácil, desses que se faz em exercícios de aula de Português no ensino fundamental.
Até aí, nada demais. O que chama a atenção, num poema recente, intitulado "Ciência e Paciência", supostamente psicografado por um tal de JC no "Centro de Cultura Espírita" na cidade portuguesa de Caldas da Rainha, é uma preocupação inútil com as relações entre ciência e impaciência. Segue o poema e, depois, mais comentários deste texto.
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Ciência e Paciência - Atribuído a poeta alegre
O Homem busca
Na Terra,
Muita ciência,
Mas não tem paciência.
O Homem vive
Na fartura ou indigência
Mas de pouco vale
Sem ter paciência
O Homem procura
Viver com decência
Mas isso é pouco
Se não tem paciência
O Homem pode
Ter muita valência
Mas a mais difícil
É ter paciência
A paciência
É a prova final
Dos estudos em curso
Na escola carnal
Procura, pois,
Estimular a paciência
E perante a adversidade
Treina essa “ciência”
Ciência sem paciência
É como espiritualidade sem fé
Não condiz uma com a outra
Não te mantém de pé….
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Embora o "autor espiritual" reconheça ser possível "ciência com paciência", é ridícula a preocupação dele com a "impaciência humana" na busca do Saber. É um texto anti-kardeciano, que traz uma mensagem desnecessária, atribuindo à Ciência os ranços de impaciência e intolerância que em verdade são muito raros e excepcionais.
O poema do "poeta alegre" demonstra que sutilmente entra em colisão com os ensinamentos de Allan Kardec, como se observa no "espiritismo" deturpado que tanto bajula o nome do pedagogo francês quanto despreza suas lições mais caras, ou apenas as aproveita de forma distorcida e de acordo com os interesses arrivistas dos "mensageiros espíritas".
Desde a Antiguidade, a paciência era companheira das atividades científicas. Embora haja casos de indignação diante de problemas e conceitos diversos, e polêmicas tensas diante de muitas teses, o trabalho científico e intelectual quase sempre buscou atuar de forma paciente, sobretudo quando o pensador pesquisa conceitos e ideias das quais sente algum incômodo, por discordá-las firmemente.
Esquece o "poeta alegre" de que a paciência é trabalhadora constante da Ciência, que as obras científicas são compostas de longos livros e fartas bibliografias, além de palestras e artigos longamente planejados, tudo resultante de análises em que ideias são postas à prova diante de argumentos dificilmente elaborados e um raciocínio minucioso e cuidadoso.
O próprio Allan Kardec era muito paciente e cuidadoso nos seus trabalhos. Era muito cético e por isso sempre perguntava para poder entender de forma concisa e correta determinado fenômeno. E sua paciência se deu também às oposições que eram feitas contra suas descobertas, além do fato de que, ainda muito doente, Kardec se dedicava pacientemente aos seus derradeiros trabalhos.
A paciência de Kardec se dava em longas viagens, pagas pelo dinheiro dele, sem qualquer patrocínio alheio. E se dava também nos artigos da Revista Espírita, nos quais procurava responder a argumentos contrários ou mesmo a ataques, com paciência cirúrgica e um esforço enorme em elaborar respostas lógicas e consistentes.
Outro aspecto anti-kardeciano do poema do "poeta alegre", devido à sua implicância com a "impaciência da Ciência", é que Allan Kardec havia dito que, se houvesse alguma coisa errada no Espiritismo que fosse provada pela Ciência, que se preferisse ficar com esta última. E que se houvesse argumentos lógicos que contradizessem as descobertas de Kardec, ele mesmo se disporia a reavaliar os conceitos e mudá-los.
E A IMPACIÊNCIA DA FÉ?
O que o "poeta alegre" se esquece é que a fé religiosa é que tem mais focos de impaciência do que o raciocínio científico. O cientista, quando busca o Saber, é mais paciente, analisa argumentos contrários, busca conceitos mais consistentes e dotados de sentido.
Já o religioso, não. Quando busca o Saber, é de maneira confusa, portanto, impaciente, misturando argumentos pedantes com devaneios de ordem mística, atendendo apenas a seus caprichos sonhadores, aos seus preconceitos e interesses pessoais.
Os "espíritas" se demonstram impacientes em tudo. Querem ser intelectualizados com seu igrejismo, e quando apelam para evocar a Filosofia, o fazem da pior maneira: criam um engodo esotérico, com pedantes abordagens de temas filosóficos abstratos, misturam com misticismo religioso e o resultado é uma colcha-de-retalhos nada filosófica e, portanto, mais próxima de crenças igrejeiras do que de qualquer promoção de Conhecimento.
Os próprios "espíritas" se revelam impacientes, na sua incapacidade de argumentar. Preferem que seus pontos de vista prevaleçam por "estarem acima da lógica e do bom senso". Nada mais anti-Kardec do que isso: estar acima da lógica e do bom senso por causa de "conceitos" que "escapam da razão humana", como as irregularidades em muitas supostas psicografias, que destoam dos aspectos pessoais dos autores mortos alegados.
Mas outra impaciência é ficar com a "palavra final". Como os palestrantes "espíritas" fazem um espetáculo de "palavras bonitas" e "lindas ações" - como a chamada "caridade paliativa", ou "assistencialismo", "bondade" feita mais para causar impressão do que promover ajuda e progresso social - , eles se acham com a posse da palavra final, a julgar pelo próprio ídolo Chico Xavier, ele mesmo considerado pelos seus seguidores o proprietário maior da verdade do Universo.
Diante disso, o "poeta alegre" escorregou de vez. Ele deu um recado desnecessário, porque os cientistas são os que mais lidam com a paciência na busca do Saber. Os "espíritas", sim, é que andam impacientes com sua chance de ingresso no "reino dos puros", e tentam a todo custo caprichar no balé de palavras e no espetáculo assistencialista, para que seu bom-mocismo pudesse lhes garantir a "divinização" ao sabor das paixões terrenas da fé religiosa.
terça-feira, 17 de janeiro de 2017
O "anjo Miguel" só jogou o Brasil nas trevas
A "psicografia coxinha" de Robson Pinheiro, através dos reacionários livros O Partido - Projeto Criminoso de Poder e A Quadrilha - Foro de São Paulo, que prometem estabelecer um elo entre os planos espirituais e abordagens mesquinhas de veículos midiáticos sociopatas como Veja e o jornalismo das Organizações Globo, a ninguém convenceu com seus "presságios".
A ideia de definir as passeatas de 13 de março de 2016 como "libertação" e "intuídas pela espiritualidade superior" foi por água abaixo, com organizações denominadas "Revoltados On Line", exibição de suásticas e apelos para morte de petistas, manifestantes exibindo nádegas como sarcasmo, faixas pedindo intervenção militar ou exibindo suásticas nazistas.
O "anjo Miguel" do livro O Partido, uma alusão sutil não a um espírito do além, mas a um senhor que ultrapassou metade da vida física e que assumiu a Presidência da República, Michel Temer - cujos primeiros nomes de batismo são Michel Miguel, na verdade duas variações do mesmo nome - , não conseguiu realizar a sua missão de "pacificação" e "progresso humanitário" que se supunham certas de acontecer.
Os livros de Robson Pinheiro, que apenas levam ao extremo o conservadorismo já presente em todo o "movimento espírita", mostravam um "Miguel" que supostamente se esforçava em trazer a luz para o povo brasileiro. A realidade mostrou que o "Miguel" que assumiu o comando do país em maio de 2016 só jogou o país nas trevas.
Pelo contrário. Diante da explosão da crise penitenciária, que expôs o desgaste de todo um modelo político e de toda uma estrutura ultraconservadora da sociedade brasileira, o governo Michel Temer foi o primeiro, na república brasileira, que nem chegou a esboçar, no sentimento do povo brasileiro, qualquer esperança de resolver a grave crise da sociedade brasileira.
Seriam precisos livros diversos para enumerar todos os desastres do governo Michel Temer e de setores aristocráticos associados: como as elites jurídicas de Curitiba, das quais se destacam o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dalagnol, os ministros "tucanizados" do Supremo Tribunal Federal (como Gilmar Mendes e Carmen Lúcia), partidos como PSDB, PMDB e PSC (este do extremista Jair Bolsonaro) e a grande mídia (Folha, Abril, Estadão e Globo).
O mais preocupante é a concentração das fortunas dos irmãos Marinho, donos da Rede Globo de Televisão. Donos de uma riqueza estratosférica, os magnatas se beneficiam pelo poder descomunal que exercem, quando a grande mídia ainda tem o descaramento de dizer que "recuperou a alta popularidade", com audiências individuais disfarçadas pela ostensiva transmissão em estabelecimentos coletivos, o mais recente truque de jabaculê em voga no país.
Todos esses e mais outros agentes do ultraconservadorismo político estão envolvidos em decisões nocivas à população, escândalos de corrupção, medidas atrapalhadas e até recuos de decisões, além de saídas de ministros por causa de denúncias graves - o próximo, dizem, será o da Justiça, Alexandre de Moraes, considerado truculento e falastrão - , que eliminam todo mito de que se trata de uma elite "responsável" só por ser, em tese, vinculada a atribuições "técnicas" ou de "moderação política".
Medidas como a PEC dos Gastos Públicos e as reformas da previdência e trabalhista, juntas, limitam gastos para Educação e Saúde, forçam os empregados a trabalhar mais e ganhar menos e adiam a aposentadoria para o fim da vida. Os "espíritas" devem adorar, porque a aposentadoria talvez chegue quando o beneficiado já está há um bom tempo na "pátria espiritual".
A crise penitenciária também revela uma das distorções do moralismo midiático. Os programas policialescos de televisão, verdadeiras "fábricas de criminosos", na medida em que espetacularizam a violência, são responsáveis pela superlotação de presídios, além da burocracia que coloca presos provisórios e acusados de cometer pequenos crimes em celas comandadas por bandidos de alta periculosidade.
As chacinas ocorridas em vários presídios do país, que servem como "filé" para os noticiários policialescos com apresentadores posando de "justiceiros", são um retrato de uma sociedade moralista e punitivista, capaz de manter presos acusados de crimes leves, em tese por prisão provisória, e soltar pessoas ricas condenadas por crimes graves, em tese condenadas à "prisão em regime semi-aberto" que mais parece uma absolvição dos crimes cometidos.
Mas outros aspectos mancham o Brasil de Temer, como a venda "aos poucos" das riquezas minerais brasileiras para empresas estrangeiras, fazendo o nosso país nunca fugir da triste tradição de entregar riquezas para os gringos, desde os tempos do pau-brasil, que por sinal inspirou o nome de tão sofrida nação.
A ganância privatista tão conhecida e temperada pela cegueira dos "investigadores" da Operação Lava Jato, que causaram um prejuízo de R$ 55 bilhões, paralizando obras de infraestrutura, urbanização e outros setores estratégicos, provocando desemprego em massa, tudo porque seus "magistrados" condenam empresas quando deveriam condenar apenas empresários acusados de corrupção.
Enquanto isso, a economia brasileira se desnacionaliza, se fragiliza e a população corre o risco até de ir antes da hora para o mundo espiritual, com muita coisa ainda a fazer, porque os hospitais públicos passarão oficialmente a ter investimentos limitados, algo que já acontecia na surdina do descaso político, mas hoje é lei resultante de emenda constitucional aprovada pelo Legislativo.
Com tudo isso e tantos desastres do governo Temer, o Brasil perdeu qualquer condição de ter algum destaque no mundo, pois voltará a ser uma pátria subordinada aos interesses dos EUA, por sinal a serem governados por um Donald Trump ainda mais pão-duro com os países pobres ou emergentes.
Também não precisa o Brasil ser Coração do Mundo. Até porque, pelo jeito, o "espiritismo" sempre apoiou governos conservadores e vários periódicos espíritas apoiaram as passeatas anti-PT, com seus apelos reacionários e vingativos.
Se Chico Xavier não mediu escrúpulos para falar, diante de milhões de espectadores, que apoiava a ditadura militar, então faz parte: o "espiritismo" brasileiro, a dois anos da "data-limite", só desejava mesmo é um país ultraconservador e igrejista, não estando aí para o verdadeiro progresso humanista e igualitário.
segunda-feira, 28 de novembro de 2016
O Brasil e a blindagem para poucos, não necessariamente os melhores
O Brasil vive uma situação surreal em que há todo um esquema de blindagem para poucos, um privilégio dado não necessariamente àqueles dotados de grandes virtudes, mas aos que cometem erros gravíssimos mas são protegidos por algum grande status social.
Há pessoas que, hoje, são completamente beneficiadas pela impunidade plena, fossem quem fossem os abusos cometidos. Pessoas que causam escândalos sérios, incidentes preocupantes, mas que nada consegue abalá-los.
Isso não quer dizer que tais pessoas tenham virtudes que se sobressaem aos defeitos, até porque os defeitos chegam a ser graves e as virtudes, superficiais ou inexpressivas. Mesmo assim, o respaldo da sociedade faz com que instituições ou pessoas se tornem "intocaveis" pelo status que representam devido aos valores conservadores e certos paradigmas hierárquicos.
No Poder Judiciário e no Ministério Público, temos exemplos de pessoas que são blindadas por mais que cometam erros graves e constrangedores. As atuações do juiz Sérgio Moro, do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, e do procurador Deltan Dalagnol são totalmente irregulares e gravíssimas, sob o ponto de vista do Direito, escapando muitas vezes do rigor metodológico e da imparcialidade.
Mesmo assim, eles são dotados de uma blindagem extrema e forte. São beneficiados por um prestígio e um status inabaláveis, nenhuma denúncia contra eles consegue derrubá-los, enquanto por outro lado seus seguidores os endeusam como se eles já tivessem o passaporte para o Paraíso, o "reino dos puros".
A Rede Globo de Televisão é principal veículo das Organizações Globo, empresa cujos donos, os irmãos Marinho (João Roberto, José Roberto e Roberto Irineu), são comprovadamente sonegadores de impostos, donos de algumas das maiores fortunas do mundo e ainda recebem verbas públicas que estão garantidas pelo governo de Michel Temer, o mesmo que pretende fazer um rigoroso congelamento de gastos públicos.
Nada abala da Rede Globo, que manipula a opinião pública e estabelece influência ideológica até em parcela de aparentes detratores. Gírias (como "balada" e "galera"), hábitos vestuários, gastronômicos etc, gostos musicais e tudo, penetram no inconsciente coletivo até de pessoas que pegam carona no bordão "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo". A Globo nunca é punida, não entra em falência e sua queda de público, além de longe de ser drástica, ainda não abala seriamente a empresa.
Da Rede Globo, o exemplo da blindagem mais extrema é o do apresentador Luciano Huck. Ele é sócio de uma marca de roupas que publicou mensagens de mau gosto que expressavam preconceitos sociais graves. Ele popularizou a gíria "balada", criada por DJs de boates para ricos com base no eufemismo "bala" (pílulas entorpecentes, como ecstasy).
Elitista, Luciano tenta se passar por "assistente social" num quadro do Caldeirão do Huck, Há denúncias de que ele mandava reformar carros velhos, fingia entregar aos beneficiários e depois os pegava de volta dando uma precária indenização. Sem falar que os quadros "assistenciais" são copiados de programas do gênero, de valor muito duvidoso, transmitidos nos EUA.
Huck também foi visto fumando cigarros suspeitos e apoia políticos retrógrados como João Dória Jr. (que tomou café de botequim fazendo cara de nojo) e Aécio Neves, ele enrolado em muitas denúncias de corrupção - só pela Operação Lava Jato Aécio é citado em pelo menos seis delações - e também beneficiado pela blindagem mais absoluta.
Aécio é do PSDB. O PSDB também é beneficiado pela blindagem da mídia e da sociedade. A Justiça, então, nem chega perto dos tucanos, a não ser os de "pequena plumagem" (os políticos menores), geralmente prefeitos do interior ou deputados e vereadores de menor expressão política.
Nomes como Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Geraldo Alckmin e Aécio Neves, ou mesmo os falecidos Sérgio Guerra e Mário Covas, estão citados em denúncias graves de corrupção, com muitas provas documentais e tendo desviado grandes somas de dinheiro público para suas contas pessoais e de seus familiares.
Apesar disso, os que estão vivos nem de longe vivem o ocaso político, estando até esperançosos em pôr a República em suas mãos. A Justiça não mexe no PSDB. Aécio Neves está citado em denúncias da Lava Jato e o jurista Gilmar Mendes - que o filho do espírita Deolindo Amorim, Paulo Henrique Amorim, definiu como "do PSDB do Mato Grosso" -
O "espiritismo" brasileiro também tem uma blindagem surpreendente. A religião nem está entre as mais populares do Brasil, mas goza de uma impunidade que nem mesmo católicos e evangélicos chegam a possuir. Nenhum questionamento oficial atinge os "espíritas" que, diante de denúncias, ainda reagem com vitimismo, no seu teatrinho de falsa modéstia.
Chico Xavier e Divaldo Franco se tornaram os piores deturpadores da Doutrina Espírita, produzindo livros e dando depoimentos cujo conteúdo, em que pese o suposto teor de "bondade", contrariam de maneira aberrante o pensamento trazido por Allan Kardec.
No entanto, os dois foram aproveitados pela doutrina dúbia, tendência ainda dominante no "movimento espírita", que prometeu a "recuperação das bases kardecianas" mas manteve o igrejismo herdado do roustanguismo. Há quem acredite numa recuperação "para valer" do pensamento kardeciano mantendo os dois "médiuns" deturpadores no pedestal.
O verniz de "bondade" dos dois "médiuns" criou uma linhagem de impunidade no "movimento espírita", em que verdadeiras fraudes "mediúnicas" são produzidas impunemente. Chico Xavier saiu impune na usurpação do nome de Humberto de Campos e, esperto, o "médium" ainda aliciou familiares do falecido escritor que, iludidos com a aparente "bondade" do mineiro, acabaram se rendendo a ele.
Chico Xavier fez pastiches literários grosseiros, incluindo vários plágios, usurpou identidades de pessoas mortas famosas ou não, defendeu e propagou valores moralistas retrógrados, defendeu a ditadura e enganou muita gente sob a capa da "bondade" e da "caridade".
Mesmo assim, o anti-médium morreu impune, blindado pela sociedade, endeusado pelas paixões terrenas de seus seguidores, cegos e enfeitiçados pelo deslumbramento religioso que santifica na Terra os ídolos religiosos que, no "outro lado da vida", recebem o choque das "santas ilusões" que mascaram vaidades imensas sob o disfarce da "humildade".
Isso fez com que outros seguidores "espíritas" também se beneficiassem com a impunidade. O rico "curandeiro" João Teixeira de Faria, o João de Deus, que não teve coragem de tentar auto-cirurgia de um câncer, é um poderoso latifundiário, cujos bens foram provavelmente desviados do dinheiro da caridade. Mas ninguém investiga.
Em vez disso, João de Deus ainda tem o benefício de ter a Rede Globo encomendando a uma atriz ateia a fazer uma "visita de agradecimento" por não ter sofrido uma tragédia que matou um colega de cena. E, o que é pior, poucos percebem que essa "visita espontânea" era um recurso da Globo de usar o "espiritismo" para reagir à Rede Record, cuja dona, a Igreja Universal do Reino de Deus, tem um "bispo" se preparando para assumir a Prefeitura do Rio de Janeiro após a virada do ano.
José Medrado é acusado de usar sem alvará um terreno da Cidade da Luz em Salvador, de manter os meninos pobres que aloja isolados durante as palestras. Além disso, Medrado costuma fazer piadas preconceituosas em suas exposições, e é cortejado pela alta sociedade soteropolitana, da qual o próprio "médium" faz parte, ostentando um carrão utilitário caro demais para alguém com currículo de funcionário público.
Mas o mais grave é que Medrado está associado a produção de quadros que nem de longe lembram os estilos dos pintores falecidos a quem se atribui tais pinturas. mas são parecidos entre si, lembrando mais o estilo pessoal do "médium", que não mede escrúpulos em usar uma mesma caligrafia para assinaturas tidas como "de diferentes autores".
E mesmo o "refinado" Divaldo Franco cometeu a gravidade de espalhar a deturpação da Doutrina Espírita para vários cantos do mundo, no esforço de destruir o legado de Allan Kardec espalhando mentiras e conceitos estranhos à doutrina kardeciana. Um dos aspectos mais preocupantes é a defesa de uma bobagem sensacionalista como as crianças-índigo, um modismo esotérico tão ridículo que resultou até na separação de um casal que criou essa farsa, por causa de disputas financeiras.
E ninguém investiga, ninguém questiona, ninguém analisa com severidade e rigor objetivo. Em vez disso, preferem adular esses ídolos "espíritas", e, quando muito, apenas criam-se simulacros de investigação sobre Chico Xavier, que praticamente dão em nada.
Ser "espírita" é se sentir no "paraíso" da Terra, podendo praticar desonestidade doutrinária e fraude mediúnica, que ninguém mexe. E quando há um risco, os "espíritas" e seus seguidores ainda reagem com coitadismo ou apelam para ostentar ações "filantrópicas", tidas como "transformadoras" mas que são extremamente inócuas e pouco expressivas. Vide o caso da Mansão do Caminho.
É triste ver que pessoas e instituições assim, como os "espíritas", o PSDB, a Rede Globo etc, são dotados da mais absoluta impunidade, podendo cometer seus abusos e desonestidades livremente, sem ver qualquer efeito drástico contra tais delitos ou crimes.
É constrangedor ver que o status quo blinda tais pessoas, não pelas virtudes que possuem, que são poucas e medianas, mas para protegê-los em seus erros graves, como se fosse possível fazer apologia do erro quando seu praticante goza de alto prestígio. O "paraíso" da Terra garante tais privilégios, dentro de um quadro em que multidões são vítimas diárias de tantas injustiças sociais.
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