quarta-feira, 27 de julho de 2016
"Espíritas" ficam de fora na Rio 2016. Não faz mal, se unam aos católicos
Mesmo com a recomendação do Ministério Público Federal para que se amplie a contemplação de religiões durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o comitê organizador da Rio 2016 se omitiu em responder sobre o caso, fazendo com que religiões de matriz africana e outras seitas como o "espiritismo" não tenham representação nas cerimônias a serem realizadas durante o evento.
Religiões como cristianismo, budismo, hinduísmo, judaísmo e islamismo terão representantes em plantão durante a realização de cerimônias, a serem feitas em português, espanhol e inglês. Não houve informação se tendências evangélicas estão incluídas no critério de cristianismo, já que o termo costuma estar associado à Igreja Católica.
O que se observa é a exclusão do "espiritismo" nas cerimônias. A religião, segundo dados estatísticos, tem, oficialmente, 2% de adeptos em toda a população brasileira, mas ela não terá representante de plantão para realizar cultos ou rituais específicos no evento.
Apesar de não ter havido uma resposta ao Ministério Público, representantes dos organizadores da Rio 2016 afirmaram que o Centro Olímpico estará aberto a todas as religiões e que as cinco religiões escolhidas se baseiam nas crenças da maioria dos atletas olímpicos e paralímpicos participantes.
Diante disso, a sugestão que se dá aos "espíritas", que tanto falam em resignação e perseverança, para eles deixarem de tristeza nesta ocasião e, em vez de tentar explicar o cientificismo de Allan Kardec para os organizadores olímpicos, seria melhor os "espíritas" se unirem aos católicos.
Isso porque o "espiritismo" brasileiro nunca se lembrou de Allan Kardec nos momentos mais necessários, preferindo a influência jesuíta do Catolicismo do Brasil-colônia - de origem portuguesa e de conteúdo medieval - e tanto preferiu criar práticas análogas às da Igreja Católica.
Vide a "água fluidificada" (água benta), o "auxílio fraterno" (confessionário), os "centros espíritas" e suas "doutrinárias" (igreja e missa), a concepção de "colônia espiritual" e "umbral" (Paraíso e Inferno), de "resgates espirituais" (pecado original) e de "espíritos benfeitores" (santos). Para cada atividade ou conceito católico, um equivalente "espírita".
E como os "espíritas" não parecem ter problemas em conciliar com este ou aquele segmento da sociedade, nada melhor do que eles se relaxarem e se integrarem aos católicos, porque a história do "movimento espírita" sempre esteve ligada a práticas e procedimentos que minimizassem os conflitos iniciais com os católicos, atitude que tão cedo culminou numa verdadeira vaticanização do Espiritismo realizada no Brasil. Agora é assumir isso de vez na Rio 2016.
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Muito fácil os "espíritas" exigirem paciência dos outros
No "espiritismo", há uma grande manobra discursiva. Você, que não é palestrante, não é conselheiro, não é o anti-médium dotado de fama e prestígio, está na plateia e não no plenário dos "centros espíritas" você é o "eu" que os "espíritas" dizem para deixar os desejos e os anseios de lado, mudar totalmente os planos de vida e aguentar alegremente todo tipo de desgraça.
Você é que tem que abrir mão dos talentos, das necessidades, dos planos de vida tão trabalhosamente feitos. Jogue tudo fora e, depois que você aprendeu as lições amargas das desilusões da vida, que lhe fez abandonar muitas ilusões, é a vez de você ser escravo das ilusões dos outros, o que faz com que suas desilusões tivessem sido em vão.
É como se você tivesse sido vítima de uma brincadeira. E o "espírita", com discurso "benevolente", diz que você está "sendo testado a todo momento", e tudo o que você deve ter é paciência, disciplina, aguentar a barra pesada não se sabe até quando, ceder em tudo, até mesmo nas suas habilidades.
Há uma grande diferença entre encontrar desafios e suportar desgraças. No primeiro caso, os desafios não vão contra anseios nem talentos, antes os remodelassem e aperfeiçoassem. E, quando a pessoa é tomada de vontades e interesses que no fundo não lhes beneficiam, os desafios surgem por meio de desilusões que regulam desejos e vontades estabelecendo limites, como um remédio dado em doses moderadas pela receita médica.
No segundo caso, o remédio é dado acima da dose necessária. As desgraças sucessivas desafiam qualquer esforço, afrontam qualquer esperança, violentam qualquer perseverança em superar uma dificuldade. Obrigam a pessoa a abrir mão do que mais precisa, obrigando-a a fazer o que não sabe, a amar o que não gosta, já que a vontade e a vocação são combatidos como se males fossem.
"TER" E "SER"?
A traiçoeira Teologia do Sofrimento, originária dos tempos medievais do Catolicismo, em que o legado de Jesus de Nazaré foi deturpado ao extremo - chegaram a promovê-lo como um suposto "senhor dos exércitos", para justificar a carnificina das Cruzadas - , pedia para as pessoas aguentarem o sofrimento "com paciência", porque esse é o caminho das "bênçãos futuras".
Um texto é ilustrativo da Teologia do Sofrimento "espírita", com todos os clichês discursivos desta ideologia, como a ideia de que você tem que aguentar todo tipo de desgraça - descrita sob o eufemismo de "desafios" e "testes" - , acima da dose necessária, ainda que desperdice uma encarnação inteira sem poder trabalhar seus talentos nem habilidades.
A ideia de "ter" e "ser" chega a ser hipócrita, porque há muitos casos de pessoas que fazem os tais "tratamentos espirituais" para resolver os problemas da vida e contrair benefícios menos materialistas e o que recebe são justamente "oportunidades" ligadas a caprichos materialistas.
O sujeito quer trabalhar numa autarquia, tendo um projeto humanista para a sociedade, e a "oportunidade" que aparece é trabalhar numa empresa privada corrupta, que lhe oferece mais fama e vantagens materiais do que oportunidade para ajudar as pessoas.
A mulher quer se casar com um homem de caráter, acaba se casando com um empresário arrivista, que lhe garante mais bens materiais do que amor. E o homem que quer se casar com uma mulher de caráter acaba somente atraindo mulheres-objeto, símbolos justamente do "sensualismo" tão condenado pelo "espiritismo" brasileiro.
Independente de querer ter ou não alguma coisa, o próprio "espiritismo", pelas suas energias confusas, não prece medir a dose certa para o sofrimento humano. Sua falta de noção do tempo limitado de uma encarnação e sua falta de discernimento quanto à vida futura faz com que seus pregadores façam juízos de valor aqui e ali, vendo como "frescura" a agonia do outro, que aos olhos "espíritas" deve continuar sofrendo com paciência e ficar sorrindo o tempo todo.
O MITO DE "VENCER A SI MESMO"
É muito, muito perversa a ideia que os "espíritas", tão "bondosamente", falam do mito de "vencer a si mesmo". Isso denota a influência maligna da Teologia do Sofrimento no "espiritismo" brasileiro, através de Francisco Cândido Xavier.
O texto que referimos se refere a Chico Xavier como "vencedor de si mesmo" e as "recomendações" são sempre de "combater a arrogância e teimosia". E mais uma vez o "espiritismo" se contradiz em tantas e tantas coisas.
A pessoa que quer um trabalho digno, mas obtém um emprego que traz fama e prestígio e não dignidade, obtendo visibilidade mas não podendo dar uma contribuição honesta para o próximo, de nenhum modo pode ser considerada uma pessoa que vive desafios para superar a busca de autopromoção.
Da mesma forma, não se pode dizer que está combatendo o "sensualismo" se o modesto rapaz nerd que é impedido de namorar uma destacada moça da sala, que ele considera não só bela, mas de personalidade interessante, consegue atrair uma moça vulgar e grosseira, tipo "periguete", cobiçada por outros homens e que acaba de encerrar uma relação de namoro com um valentão ciumento e vingativo.
Os "espíritas" vão tentar argumentar que são "oportunidades insólitas", que o patrão corrupto é que mais precisa de ajuda, que a "boazuda" precisa de carinho, que o nerd que é agredido pelo ex-namorado da "boazuda" cumpre "reajuste espiritual" etc. Os "espíritas" são verdadeiros malabaristas discursivos. Vide a verborragia de Divaldo Franco.
É um grande perigo esse mito de "vencer a si mesmo" de abrir mão, se "preciso", até das próprias necessidades, transformando a vida humana numa asfixia existencial, é o duplo sentido dessa palavra, tão tida como "confortadora", mas dotada da mais aberrante crueldade.
Afinal, "vencer a si mesmo" tem um significado oculto, mas muito mais verdadeiro: "derrotar a si mesmo". É a linguagem usada em todo tipo de competição: "vencer" é "derrotar". "Derrote-se", "derrube-se", "lute contra o pior inimigo que é você mesmo". Essa ideia vem da Teologia do Sofrimento e não há sentido lógico que faça os "espíritas" negarem essa herança.
Isso nada diz quem vive no mau-caratismo e está mergulhado em arrogâncias e privilégios abusivos. Até porque o próprio "espiritismo" apela para nunca reclamarmos nem maldizermos, mas esses apelos se dirigem mais aos sofredores.
Quem está "em cima" vive tranquilo e nem está aí para pensar se está sendo humilde ou arrogante. Até porque o "espiritismo" prega o "fiado espírita", a pessoa pode abusar hoje que só pagará "pelo que fez" nas próximas encarnações. Uma lógica materialista de pagar os erros cometidos.
E OS "ESPÍRITAS"?
Aí entra a questão do "eu" e do "outro". Muito fácil você, que não é o palestrante nem o escritor de livros, ser aconselhado a aguentar o sofrimento sem reclamar, sem maldizer, sem pedir qualquer coisa, mesmo que seja uma coisa digna. Antes a pessoa nadasse em dinheiro por causa de um trabalho indigno cujo patrão é amigo de "espíritas iluminados".
Mais fácil ainda é o palestrante "espírita", ele que se julga detentor da "boa palavra", o que parece fascinante, mas não obstante tais pessoas que agem assim não são mais do que versões humanas da mancenilheira, considerada a árvore mais venenosa do mundo.
Ele diz para os "outros" abrirem mão de desejos, de vontades, de talentos, mudar constantemente os planos de vida para muitas vezes abrir mão do necessário, embora em certos casos o fútil e o supérfluo possam prevalecer.
Para o "espírita", é muito fácil, no seu juízo de valor, acreditar que o sofredor tenha que perder uma encarnação inteira sem fazer algo de proveitoso. Quando muito, só de aceita a oferta de sopinhas para os pobres, como se isso adiantasse muita coisa. De resto, que ele fique no "sensualismo" do "funk", dos espetáculos de UFC, na fama fácil da empresa corrupta, e brinque de ser "caridoso" nesses ambientes em que a futilidade cega as almas.
Mas o "espírita" não imagina que ele é o que reclama mais, é maledicente, é orgulhoso, vaidoso, teimoso. Ele pede para outrem ceder em suas teimosias e caprichos, mas é justamente o palestrante "espírita" que mantém a teimosia de exaltar dois senhores antagônicos, Allan Kardec e Chico Xavier, sob os opulentos prêmios das condecorações, muitas vezes dadas por aristocratas e corruptos embriagados de orgulho, arrogância e intransigência.
Os sofredores que recebem os "sábios conselhos" é que tem que aguentar uma realidade que sucumbe aos níveis surreais, em que os privilegiados agora desafiam a realidade, a ética, a lógica para proteger seus benefícios e vantagens e os sofredores aguentam desgraças além das doses necessárias para a evolução e reestruturação moral de suas vidas.
É fácil o "espírita" dizer em palestras, blogues e livros para o sofredor suportar as dificuldades, mesmo as mais pesadas. Fácil pedir ao "outro" paciência e apelar para ele não reclamar. Mas o "espírita" que recebe prêmios e medalhas das elites corruptas e opulentas não vê que, neste caso, sua "boa palavra" não é mais do que a mancenilheira na vida dos outros, lindos discursos que arruínam as vidas das pessoas com base na visão "espírita" da Teologia do Sofrimento católica.
sábado, 23 de julho de 2016
A preocupante resignação dos cariocas
O carioca sai de casa para pegar um ônibus para ir ao trabalho. Vai para uma avenida geral, mal recuperado do sono e cheio de coisas a fazer, mas é obrigado a ter a atenção redobrada por causa da pintura padronizada que faz as diferentes empresas serem visualmente iguais, umas às outras.
Isso já é um grande transtorno. No ir e vir, isso revela o quanto os cariocas estão conformados com medidas nocivas, prejudiciais, como um simples fato de pegar um ônibus com pintura padronizada, já que o autoritarismo do PMDB carioca - o mesmo do deputado afastado Eduardo Cunha - fez proibir que cada empresa de ônibus tivesse a sua identidade visual própria.
As autoridades impõem a medida usando desculpas de caráter "técnico" e o povo aceita. Empresas mudam de nome, linhas trocam de empresa e a pessoa acredita que voltará para casa sã e salva, quando os noticiários confirmam que só esta medida, na verdade um mershandising não assumido da Prefeitura do Rio de Janeiro (é ela que fica com o vínculo de imagem das frotas de ônibus, como se estas fossem um gado do secretário de Transportes), causou decadência no transporte público.
E é uma decadência trágica, terrível, de ônibus sucateados que frequentemente se envolvem em acidentes de trânsito de arrepiar. É claro que isso acontecia antes de haver pintura padronizada, mas naquela época não era tão frequente assim e o sucateamento dos ônibus revela a confusão de representatividade do sistema implantado em 2010.
É um sistema em que a Secretaria de Transportes (representada pela pomposa sigla SMTR) tem poder concentrado no serviço de ônibus, sendo o secretário não o fiscal do sistema, como deveria ser, mas um tirano dotado de um discurso pseudo-racional. Em contrapartida, as empresas de ônibus não podem exibir suas identidades visuais, mas interferem no jogo eleitoral, financiando seus candidatos e até recorrendo a fraudes para que estes sejam eleitos.
Quem fica perdendo é o cidadão. O cidadão que não pode eleger o candidato que quiser porque a "máquina eleitoral", esse cabresto eletrônico chamado "urna eletrônica" - um instrumento "futurista" que não é adotado por países mais evoluídos do mundo, pelo risco de fraude que isso representa - , também sente dificuldades em pegar um ônibus.
O que assusta é que o carioca está disposto a aguentar todo tipo de retrocesso. Parece um portador da Síndrome de Riley Day, doença que impede as pessoas de sentir dor. As pessoas perdem a noção de seus próprios prejuízos e são manipuladas pela mídia para defender isso ou aquilo.
No Rio de Janeiro, os retrocessos não se dão somente pelos rombos dos cofres públicos, pelo aumento da violência nas ruas, mas por muitas outras coisas. Por exemplo, a ironia do Rio de Janeiro, um dos centros de fabricação e distribuição de produtos, demorar a renovar estoques, já que os produtos desaparecem das prateleiras e ficam pelo menos duas semanas sem reposição.
Mas mesmo atitudes "positivas" como haver, em tese, "rádio de rock", para o público voltado para este estilo, revela um retrocesso: a supremacia de uma FM incompetente, a Rádio Cidade, sem pessoal especializado no gênero, com uma programação que só toca os "sucessos" (hits) e que nem de longe aborda o básico da cultura rock, já que sua grade é literalmente chupada de rádios pop como Mix e Jovem Pan.
A rádio só irá sair do ar em 31 de julho por conta da baixa audiência, mas mesmo assim a tristeza do público soa como uma ingenuidade, afinal a Rádio Cidade não tinha 1% da competência das rádios de rock originais e seus locutores, de tão perdidos, esperavam que os ouvintes lhes mostrassem o que deveriam tocar a mais de músicas de rock. Só que os locutores têm formação pop e, com ela, seus preconceitos, e dificilmente aceitariam tocar o rock que não rola nas paradas de sucesso.
E aí entrou também a resignação: roqueiros que conheceram o legado da Fluminense FM, rádio de rock que marcou o dial do Grande Rio, não parecem se indignar com a incompetente Rádio Cidade, aceitando sua existência em troca de um hipotético fortalecimento do mercado roqueiro, aguentando uma FM coordenada por um fã de "sertanejo" (!) e cujos programas tratam o ouvinte como um idiota, só pela garantia de ter medalhões do rock tocando no Rio todo ano.
A resignação se estende também na aceitação do "funk", um pastiche de folclore popular carioca, como paradigma de "cultura popular", mesmo sendo o ritmo um subproduto do poder midiático (sua popularidade só se deu sob o apoio da Rede Globo de Televisão, Folha de São Paulo e afins), mesmo quando o ritmo aborda o povo pobre de maneira caricatural e sutilmente pejorativa.
Mas o conformismo está também nas pessoas ouvirem sempre as mesmas músicas do pop adulto, fazerem sempre as mesmas festas, irem às boates com o prazer que lhes foge como um gato assustado, terem um injustificado fanatismo pelo futebol carioca, cada vez mais sem graça, e pouco se incomodar se a cerveja produzida hoje tem mais gosto de urina espumante.
É esse conformismo que transforma o carioca num masoquista, que permite que o Rio de Janeiro sofra a decadência vertiginosa que está sofrendo, pois o referido Estado, cuja capital é sede das Olimpíadas de 2016, passou por um retrocesso tão imenso que sua situação hoje é nivelada ao dos piores momentos dos Estados do Norte e Nordeste no período da ditadura militar.
Muitos cariocas ainda se encontram em estado de choque diante dessa constatação. Não acreditam que o Estado do Rio de Janeiro e a ex-Cidade Maravilhosa estejam em situação tão decadente. Alguns até esnobam, desde os senhores de idade que com sarcasmo hipócrita leem jornal e dizem que "não tem mais jeito", tratando a desgraça carioca como se fosse piada, até os "coxinhas" que se reúnem nas praias cariocas para contar piadas, como se tudo "estivesse bem".
Só que a situação é séria e boa parte da culpa está nessa resignação dos cariocas com os próprios retrocessos. O carioca perdeu o antigo espírito de resistência, substituindo-o pela desistência. Fora uma minoria que faz o contrário, pratica trolagem e cyberbullying para defender justamente os retrocessos estabelecidos, o clima do Rio de Janeiro é de uma apatia masoquista.
As pessoas acham que, em troca de supostos benefícios, aceitam transtornos diversos, tanto pela resignação ao que lhes é imposto - muitas vezes movido pelo status quo de quem decide - , tanto pela ilusão das próprias pessoas em serem capazes de encarar dificuldades. Vai que elas aceitam pegar um ônibus padronizado e vão parar no hospital, depois de um acidente "daqueles".
E assim os cariocas vão aceitando, aceitando, aceitando as coisas, esperando que um Jornal Nacional ou O Dia lhe digam o que devem aceitar ou não. Eduardo Cunha só se tornou odiado pelos cariocas depois de tanta campanha midiática.
É perigoso depender disso para se indignar dos problemas. De aceitação em aceitação, os cariocas correm o risco de parar um dia num campo de concentração. E aí, no dia do sol vai pintar uma vontade de ir à praia de Copacabana ou Ipanema e não vai dar, porque o alojamento está trancado e ocorre um vazamento de gás mortal. Será que teremos que chegar a esse ponto para acordarmos?
quinta-feira, 21 de julho de 2016
Por que triunfalismo não é humildade nem perseverança?
"Quanto mais ataques sofro, mais sinto fortalecido". "Quanto maior é o sofrimento, mais abençoado sinto". "A cada derrota que sofro na vida, é uma vitória conquistada". "Diante das severas críticas que me derrubam, é porque me reergui sobre elas".
Existem tantos exemplos de triunfalismo. A mania de se julgar vencedor, não apenas na situação de vitória, mas sobretudo na situação de derrota. O que muitos pensam ser humildade e perseverança é na verdade uma das piores demonstrações de arrogância e teimosia do ser humano.
Já descrevemos o triunfalismo "espírita" e ficamos preocupados com essa mania dos "espíritas" de se acharem acima de qualquer adversidade. Sobretudo o exemplo deixado por Francisco Cândido Xavier, que fez coisas terríveis usando de sua esperteza para se travestir com o verniz de "amor e bondade" de sua aparência fisicamente frágil.
Os escândalos que envolveram Chico Xavier não eram fruto da fúria de perseguidores. Chico fez, mesmo, pastiches literários e plágios de trechos de obras literárias. Isso se observa de maneira isenta, sem paixões de toda ordem, já que é fácil verificar, desde que prestando atenção, que as obras literárias que Chico Xavier trouxe atribuídas ao além destoam severamente dos estilos originais dos autores alegados.
Portanto são escândalos que tiveram uma única razão: a irresponsabilidade e o oportunismo do "médium". Não é porque Chico Xavier tinha aparência de caipira molenga e, depois, de velhinho frágil, e era associado a clichês do deslumbramento religioso, que será poupado de ser culpado pelo que fez.
E ele tornou-se o pior dos culpados, e mais grave ainda porque tentou se proteger pelo véu da mística religiosa. Ele combinou coitadismo com triunfalismo, que é o complexo de superioridade às avessas, dentro de elementos ideológicos que deram certo porque agradaram muita gente.
E por que agradaram muita gente? Porque era uma rosa de perfeição entre espinhos de imperfeição? Não. Deixemos de ser infantis. O que fez Chico Xavier agradar muita gente é a junção de ingredientes acumulados como, por exemplo, se acumula em uma obra de ficção de grande sucesso.
Junte-se uma retórica dócil, fantasias infantis dignas de contos de fadas, valores da fé religiosa, visões paternalistas de caridade e elementos místicos e messiânicos e, pronto: o mito Chico Xavier está embalado para consumo.
A adoração vira um espetáculo de entretenimento, as "boas palavras" um produto a ser publicado como marketing de cada pessoa que queira se passar por "boazinha" mostrando frases dóceis ditas por um ídolo religioso e ilustrada por céus azuis e jardins floridos.
As pessoas ficam por demais ingênuas achando que suas fantasias infantis são imperecíveis. O triunfalismo coitadista de Chico Xavier, que para confundir seus contestadores se passava por choroso e "ameaçava" reagir em silêncio às adversidades que lhe vinham.
As pessoas deliravam e se comoviam à toa com isso, porque o que elas imaginavam ser uma demonstração de humildade e perseverança era uma arrogância às avessas. É como se Chico Xavier, astucioso que era, quisesse dizer "eu sou maioral" de forma diferente: criticado severamente, fazia cara de choro e ficava quieto e cabisbaixo, mas por trás de tudo isso ele tentava intimidar as pessoas com esse coitadismo oportunista.
Ele foi o que mais divulgou frases e posturas triunfalistas. Isso era uma manobra que a própria Teologia do Sofrimento, aquela que diz que "sofrer é bonito" e que a "desgraça é o caminho para o Céu", garante a quem detém privilégios de poder. E ser ídolo religioso é um tipo de privilégio de poder, o ídolo religioso é um privilegiado fantasiado de humilde. Domina os outros "com categoria".
O triunfalismo é um tipo de arrogância. Ficar em silêncio e fazer cara de choro não é demonstração de humildade. Muitas pessoas fazem isso por chantagem ou por jogo de cena. Quantos assassinos perversos, quando estão nos bancos dos réus, fazem caras de tristonhos diante dos tribunais, tentando mostrar uma fragilidade que nunca tiveram no momento de seus crimes?
Quantos arrogantes são desprovidos de autocrítica quando, diante de tantas derrotas, ainda se consideram "vencedores"? Quantos orgulhosos se escondem no verniz da aparente choradeira, da pretensa fragilidade, da suposta humildade?
É típico de caipiras traiçoeiros que reajam em silêncio, deixam seu interlocutor ficar com a palavra final, fingem resignação e, se passando por infelizes resignados, armam alguma coisa contra o outro. Há os que não cobram dinheiro, mas cobram outras coisas, e nessa religião confusa que é o "espiritismo", as pessoas podem não pagar com dinheiro, mas pagam com os cadáveres de seus filhos mais queridos.
São energias maléficas que vem desde a influência do traiçoeiro Jean-Baptiste Roustaing, que continua firme no "movimento espírita", por mais que seus membros o reneguem em nome de uma bajulação oportunista a Kardec.
Além do mais, Chico Xavier é Roustaing redivivo, e tal constatação não é fruto de ódio nem calúnia. Comparem os livros de Xavier e a obra de Roustaing: são essencialmente a mesma coisa e a única diferença que existe é a adaptação, por Xavier, para o contexto brasileiro, ou seja, Chico Xavier "abrasileirou" Jean-Baptiste Roustaing.
Quanto ao triunfalismo, ele não é demonstração de humildade nem perseverança porque o triunfalista não aceita a derrota e se acha um vencedor. Ele apenas se passa por humilde e diz que a cada derrota se sente um vencedor. As pessoas adoram essa abordagem, sem saber que isso tem muito mais a ver com arrogância e falta de autocrítica do que com humildade e perseverança.
terça-feira, 19 de julho de 2016
Brasileiros estão brincando com fogo, politicamente falando
Nunca antes na história do nosso país determinados políticos podiam ser livremente caluniados e acusados levianamente, com mentiras grosseiras e sem provas. A catarse coletiva que expressa rancor ao PT e tudo que está a ele relacionado - sobretudo o Método Paulo Freire, só para citar o caso da Educação - e a tranquilidade diante da esperança de que "Temer veio pra ficar" é preocupante.
Os brasileiros estão brincando com fogo. Defendem um governo instaurado por políticos corruptos, através de um impedimento de uma titular da República feito por votações na qual a maioria de deputados e senadores é comprovadamente acusada de crimes graves, de crimes eleitorais a homicídio, de corrupção a crimes ambientais.
Mas não é só isso. Hoje as pessoas estão apoiando um governo que promete acabar com as conquistas sociais e fazer a vida do brasileiro virar um inferno. Um governo representado por entidades, instituições e setores da sociedade que defendem valores machistas, racistas, religiões medievais, preconceitos elitistas e tudo o mais de pior.
A alegre esperança das pessoas de que o presidente interino Michel Temer irá "melhorar o país" caso se torne efetivo - o meio político, a grande mídia empresarial e o mercado estão lutando para que haja o afastamento definitivo de Dilma Rousseff - é uma grande ilusão, na medida em que sua agenda política não consegue esconder que se destina aos mesmos privilegiados de sempre.
O papo do "Estado mínimo", das privatizações desvairadas, dos cortes aos gastos sociais, da precarização do trabalho e outras medidas amargas para "combater a crise" só resultou num desastre, em níveis devastadores, da Economia no Brasil, não com os governos do PT, mas com os do PSDB, os dois governos de Fernando Henrique Cardoso.
Diferente do PT, em que as denúncias são rumores e declarações muito mal esclarecidos, mas que o contexto sempre toma como "verdades indiscutíveis" só para desmoralizar o partido, as denúncias contra o PSDB se fundamentam em provas documentais sérias e na averiguação de acusações sobre crimes diversos contra a Economia e o patrimônio público.
Não há como dar o mesmo peso a jornalistas sérios como Aloísio Biondi e Milton Severiano, já falecidos, Amauri Ribeiro Jr. e Palmério Dória, que investigam os escândalos do PT, e a brutamontes da palavra, como Reinaldo Azevedo, Merval Pereira, Diogo Mainardi e Eliane Cantanhede, que despejam entulhos verbais contra os políticos do PT às custas de muita boataria e mentiras.
Não se está aqui querendo ser petista, pois o PT cometeu erros, sim, mas o que se percebe é que há uma diferença muito grande entre criticar o partido pelo que fez ou deixou de fazer e disparar calúnias e mentiras escancaradas, se servindo até de foto montagens e tudo.
Lula vestindo roupa de presidiário, publicada pela "insuspeita" revista Veja. A revista Isto É, agora numa linha editorial psicopata, dizendo que Dilma Rousseff "enlouqueceu". Na Internet, houve montagem até com Dilma Rousseff e Lula se "reunindo" com Pablo Escobar, chefe do narcotráfico colombiano falecido em 1993! E o pessoal acredita, como sendo "verdade absoluta".
Enquanto isso, um governo composto de maneira surreal, através de votações de parlamentares corruptos, de um juiz que sofre de miopia jurídica, Sérgio Moro, que só enxerga as leis com o umbigo, apoiado pelo fanfarrão jurídico, Gilmar Mendes e outros ministros e juízes hesitantes, é encarado com otimismo e esperança por muitos brasileiros incautos.
"ESPÍRITAS" ESTÃO COM TEMER
O "espiritismo", que cada vez mais comprova ser a Teologia do Sofrimento rediviva, algo que não consegue mais ser escondido pelos Alamar, Carrara e Simonetti da vida e muito menos por um verborrágico Divaldo Franco prometendo "felicidade", provou que seu partido é o partido da plutocracia, é o partido de Michel Temer.
Também, para o "espiritismo", valem duas ideias: a vítima é a "culpada" e pimenta nos olhos dos outros é refresco. Tanto faz a pessoa sofrer demais, suportar desgraças o tempo todo, se sacrificar em vão por uma oportunidade e o palestrante "espírita" fazer pouco caso, dizendo que a pessoa "não se sacrificou o bastante" para superar uma dificuldade.
Esse recado de que a pessoa "não se sacrificou o bastante" lembra muito os velhos sacerdotes medievais, ou os antigos católicos jesuítas que, no além-túmulo, voaram como pombos famintos para o milharal "espírita", que desde o começo rasgou o legado de Allan Kardec mas, nas últimas quatro décadas, tenta juntar alguns pedaços rasgados e colar de qualquer jeito para compor o "kardecismo autêntico" de hoje.
Recentemente, alguns "espíritas", com o atraso de uns três meses, foram classificar as terríveis passeatas de 13 de março passado como "sinais de regeneração da humanidade", o que revela uma visão muito absurda e até ridícula.
Afinal, as passeatas do 13 de Março, na verdade, eram manifestos de ódio e revolta, qualidades tão condenadas aparentemente pelos "espíritas", nas quais se exibiam até suásticas nazistas, se pedia o golpe militar e rogava pena de morte para Lula e Dilma Rousseff, com raivosos manifestantes no trio elétrico despejando mentiras e ofensas anti-PT aqui e ali.
Os "espíritas" deram um tiro no pé, mas neste caso agiram em coerência com seu conservadorismo adormecido (recentemente, o presidente da Federação "Espírita" Brasileira apareceu ao lado de Dilma Rousseff com "diplomacia").
O "movimento espírita" esteve na Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, a passeata que pediu o golpe militar em 1964. Francisco Cândido Xavier, o tão festejado Chico Xavier, apoiava a ditadura militar em 1971, numa época em que nem Carlos Lacerda, o maior defensor do golpe de 1964, apoiava mais este regime.
Isso sem falar que o mito "filantrópico" de Chico Xavier, fabricado para fazer frente à ascensão dos pastores eletrônicos R. R. Soares e Edir Macedo, no final dos anos 1970, foi uma tarefa da Rede Globo de Televisão, a mesma que divulga mentiras contra Lula e Dilma e que acumula um histórico de fraudes e farsas feitos para manipular o inconsciente coletivo dos brasileiros, mesmo uma parcela dos que acreditam não serem influenciados nem seguidores da emissora.
Faz parte. Afinal, o conservadorismo do "movimento espírita" se torna cada vez mais acentuado, caindo a máscara de uma doutrina que muitos incautos acreditavam ser "futurista", "progressista", "científica" e "moderna".
A cada vez mais o "espiritismo" mostra que nunca passou de uma adaptação paranormal do Catolicismo português da Idade Média, acolhendo, mais do que a Igreja Católica atual, os velhos jesuítas do Brasil colônia que, com seus preconceitos medievais, desnortearam a doutrina de Allan Kardec em prol de um igrejismo velho, gosmento e extremamente moralista.
E é esse igrejismo com cheiro de mofo que movimenta o "espiritismo" brasileiro que aposta todas as fichas do governo retrógrado de Michel Temer, seguindo o "espírito do tempo" de uma sociedade neurótica que é capaz de abrir mão da ética, da lógica e do bem-estar coletivo para se manterem em suas convicções pessoais.
domingo, 17 de julho de 2016
A grande imprensa brasileira de um Brasil em ruínas
REINALDO AZEVEDO E MERVAL PEREIRA - Jornalistas que, por suas convicções pessoais, são capazes de expressar desequilíbrio emocional.
Um alerta para as pessoas que veem Rede Globo e Globo News tranquilamente, compram Folha de São Paulo, Veja, Época e Isto É acreditando que se servem do melhor jornalismo, que recebem uma visão transparente e objetiva do mundo.
A chamada grande imprensa, ou, num âmbito geral, a grande mídia, sofre uma crise avassaladora. Uma decadência que põe o jornalismo trabalhado por elas em ruínas, e, salvo exceções que cada vez mais se tornam raras, a grande imprensa comercial simplesmente rompeu com os princípios de ética, objetividade e profissionalismo que antes fizeram o nome do jornalismo.
Há denúncias de várias pessoas de que jornalistas da revista Veja e do canal de TV noticioso Globo News já sofrem desequilíbrio emocional. Aqui temos que chamar atenção de uma diferença entre o direito de um jornalista se emocionar, quando a situação é realmente comovente, e um jornalista perder a cabeça porque os fatos não ocorrem em seu agrado.
Quando Romero Jucá, então ministro do Planejamento do desastrado governo Michel Temer, foi denunciado por uma gravação de meses atrás feita pelo aliado e ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras), Sérgio Machado, o comentarista do canal Globo News, Merval Pereira, se demonstrava visivelmente irritado.
Mas isso é fichinha se observarmos que, nas páginas de Veja, nomes como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi escreviam com fúria, consagrando o chamado "ódiojornalismo" que vem de carona na partidarização da grande imprensa comercial, cada vez mais solidária ao PSDB e derivados e cada vez mais hostil ao Partido dos Trabalhadores.
A grande imprensa, no conjunto da obra, decaiu de forma humilhante e vergonhosa. Contratou profissionais cada vez menos competentes, a princípio em nome de interesses comerciais em prol de um jornalismo que "não conteste demais" e seja feito "para agradar o leitor". Só que isso virou um eufemismo para um jornalismo asséptico, sem gosto, sem cara, conservador, acomodado, fútil e até muito mal escrito e desinformado.
Noticiários qualquer nota sobre a mesmice cotidiana, sem um pingo de bons textos, boas informações, nenhum quesitonamento reflexivo. Tão mal escritos e desinformados que nem mesmo informações transmitidas por um mesmo periódico podem ser cruzadas.
Segundo uma mensagem de um internauta que recebemos, um jornal de Niterói, O Fluminense, tão preocupado em desenvolver um jornalismo asséptico, não conseguiu estabelecer a relação díspare entre um prefeito, Rodrigo Neves, recebendo um prêmio de "empreendedor", e o espantoso fechamento de estabelecimentos comerciais na cidade fluminense. Nem para chamar diferentes repórteres para juntarem as informações foi feito.
O jornalismo investigativo, pelo menos o que se pratica na chamada grande imprensa, é uma prática em extinção, de tal forma que um dos principais jornalistas investigativos que trabalha para a grande mídia atuantes no Brasil é o correspondente Glenn Greenwald, jornalista e advogado inglês radicado no Brasil.
Jornalista que revelou as informações secretas de Edward Snowden, a respeito dos bastidores da CIA, Greenwald também denunciou o processo irregular que se deu da votação na Câmara dos Deputados ao decorrer do governo Michel Temer, com muitos corruptos envolvidos na campanha pela derrubada do PT com sua saída do Governo Federal.
A grande imprensa é culpada pelo cenário político caótico que se vive. Ela foi capaz de publicar mentiras e tratar boatos contra petistas como se fossem "verdades indiscutíveis". Recentemente, comemoraram a prisão de um ex-ministro dos governos petistas, Paulo Bernardo. Tudo por conta de acusações mal-formuladas.
Dilma Rousseff foi afastada do poder acusada de operações financeiras que são consideradas normais no meio político. Em compensação, há muito mais provas de corrupção contra Aécio Neves, acusado de envolvimento tanto com o Mensalão quanto a Lava-Jato, fora outros escândalos (como desvio de dinheiro público para sustentar aeroportos particulares e uma emissora FM do interior), e a imprensa coloca essas sujeiras debaixo do tapete, protegendo o senador mineiro do PSDB.
O Brasil está desgovernado por culpa das pregações ideológicas da grande imprensa, que sempre desejou um projeto político retrógrado, que mais favoreça as elites e o empresariado. A decadência vergonhosa das elites, representada em âmbito geral pelo declínio vertiginoso e de níveis catastróficos do Sul e Sudeste, sobretudo Rio de Janeiro, mostra o quanto os "de cima" estão vendo o topo da pirâmide ruir como um precipício se rachando sobre o abismo.
O Estado do Rio de Janeiro sofre violência e sucumbiu a decadências em todos os aspectos. Algo que já não pode ser mais escondido, pois é uma decadência que coloca o Estado aos níveis abaixo das unidades federativas mais provincianas. Perto do que está o Estado do Rio de Janeiro hoje, o Acre parece a Suíça.
Mas outros Estados, como São Paulo e Paraná, mas sem esquecer Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a decadência é alarmante, e acima dos índices considerados esperados pela chamada "complexidade da vida moderna".
A Minas Gerais de uma tragédia ambiental preocupante, causada pelo descaso empresarial, que fez estourar uma barragem situada em Mariana e despejou o lodo contaminado por um longo caminho até o mar, passando pelo Espírito Santo e atingindo várias cidades, além de ter causado várias mortes, é a terra natal de Aécio Neves, que está ameaçado de ser enquadrado em um dos piores escândalos a ser denunciado pelo publicitário Marcos Valério, que admite fazer em breve delação premiada.
São Paulo viveu a contradição de, sofrendo enchentes em sucessivos dias chuvosos, ter que conviver com a falta d'água meses depois. A capital paulista perdeu a batalha entre o provincianismo e o cosmpolitismo e a maior capital da América Latina sofreu sua queda quando se reduziu a um quintal privativo de chefões de mídia, empresários do entretenimento brega e políticos tucanos.
O Paraná, que antes tinha em Curitiba um modelo virtual de cidade moderna, como se fosse uma "Estocolmo dos trópicos", também decai e não só por ser reduto dos golpistas que queriam derrubar Dilma Rousseff, através dos juristas comprados pelo tucanato e pelo poder midiático, como Sérgio Moro (que é duro demais para combater petistas, mas hesitante até para investigar tucanos e aliados), mas pela crise social que sofre no âmbito local.
É um reduto de degradação cultural - a mediocridade cultural puxada pela dupla Chitãozinho & Xororó e pelo apresentador Carlos "Ratinho" Massa, é notória - , da imprensa (a CBN é um claro exemplo disso), temperada pelo episódio da perseguição de juristas contra jornalistas independentes que denunciaram os salários exorbitantes do Judiciário local, e em suas "modernas" cidades já ocorrem assassinatos à luz do dia, assustando a população.
É em Curitiba que está ocorrendo o esgotamento definitivo e irreversível de um modelo de transporte coletivo lançado, no auge da ditadura militar, por Jaime Lerner. Um modelo cujas medidas de pintura padronizada nos ônibus, dupla função de motorista-cobrador e redução de percursos para forçar a baldeação usando o Bilhete Único, se revelam definitivamente obsoletas e prejudiciais.
Mas tudo isso é reflexo de uma crise de valores generalizada que tem na grande imprensa seu quadro mais dramático, uma imprensa decadente de um Brasil em ruínas. Pois as pessoas são desafiadas pelas circunstâncias em admitir a crise em que vivem, e hoje o sobressalto da chamada "boa sociedade" é tanto que ela se recusa a admitir essa crise.
Essas pessoas "de bem com a vida" preferem viver isoladas nas redes sociais - o WhatsApp se revela até mais decadente que o Facebook e o antigo Orkut, já notórios redutos de brasileiros reacionários e desinformados - e aceitar essas crises como "algo normal". Acham que a coleção de escândalos do governo Michel Temer é "natural" e ainda apelam para o bordão hipócrita "Quem Nunca Erra?" que só serve para fazer apologia aos erros graves cometidos por gente privilegiada.
E assim as pessoas têm que conviver com a decadência, com as gafes, com os transtornos, com as tragédias, e não há como ver normalidade nisso. Sobretudo diante de uma imprensa que cada vez informa menos, reduzida a meros panfletos das elites empresariais e porta-voz de causas e propostas cada vez mais anti-democráticas. Será que as pessoas estão esperando haver um holocausto para se mexerem?
Um alerta para as pessoas que veem Rede Globo e Globo News tranquilamente, compram Folha de São Paulo, Veja, Época e Isto É acreditando que se servem do melhor jornalismo, que recebem uma visão transparente e objetiva do mundo.
A chamada grande imprensa, ou, num âmbito geral, a grande mídia, sofre uma crise avassaladora. Uma decadência que põe o jornalismo trabalhado por elas em ruínas, e, salvo exceções que cada vez mais se tornam raras, a grande imprensa comercial simplesmente rompeu com os princípios de ética, objetividade e profissionalismo que antes fizeram o nome do jornalismo.
Há denúncias de várias pessoas de que jornalistas da revista Veja e do canal de TV noticioso Globo News já sofrem desequilíbrio emocional. Aqui temos que chamar atenção de uma diferença entre o direito de um jornalista se emocionar, quando a situação é realmente comovente, e um jornalista perder a cabeça porque os fatos não ocorrem em seu agrado.
Quando Romero Jucá, então ministro do Planejamento do desastrado governo Michel Temer, foi denunciado por uma gravação de meses atrás feita pelo aliado e ex-presidente da Transpetro (subsidiária da Petrobras), Sérgio Machado, o comentarista do canal Globo News, Merval Pereira, se demonstrava visivelmente irritado.
Mas isso é fichinha se observarmos que, nas páginas de Veja, nomes como Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi escreviam com fúria, consagrando o chamado "ódiojornalismo" que vem de carona na partidarização da grande imprensa comercial, cada vez mais solidária ao PSDB e derivados e cada vez mais hostil ao Partido dos Trabalhadores.
A grande imprensa, no conjunto da obra, decaiu de forma humilhante e vergonhosa. Contratou profissionais cada vez menos competentes, a princípio em nome de interesses comerciais em prol de um jornalismo que "não conteste demais" e seja feito "para agradar o leitor". Só que isso virou um eufemismo para um jornalismo asséptico, sem gosto, sem cara, conservador, acomodado, fútil e até muito mal escrito e desinformado.
Noticiários qualquer nota sobre a mesmice cotidiana, sem um pingo de bons textos, boas informações, nenhum quesitonamento reflexivo. Tão mal escritos e desinformados que nem mesmo informações transmitidas por um mesmo periódico podem ser cruzadas.
Segundo uma mensagem de um internauta que recebemos, um jornal de Niterói, O Fluminense, tão preocupado em desenvolver um jornalismo asséptico, não conseguiu estabelecer a relação díspare entre um prefeito, Rodrigo Neves, recebendo um prêmio de "empreendedor", e o espantoso fechamento de estabelecimentos comerciais na cidade fluminense. Nem para chamar diferentes repórteres para juntarem as informações foi feito.
O jornalismo investigativo, pelo menos o que se pratica na chamada grande imprensa, é uma prática em extinção, de tal forma que um dos principais jornalistas investigativos que trabalha para a grande mídia atuantes no Brasil é o correspondente Glenn Greenwald, jornalista e advogado inglês radicado no Brasil.
Jornalista que revelou as informações secretas de Edward Snowden, a respeito dos bastidores da CIA, Greenwald também denunciou o processo irregular que se deu da votação na Câmara dos Deputados ao decorrer do governo Michel Temer, com muitos corruptos envolvidos na campanha pela derrubada do PT com sua saída do Governo Federal.
A grande imprensa é culpada pelo cenário político caótico que se vive. Ela foi capaz de publicar mentiras e tratar boatos contra petistas como se fossem "verdades indiscutíveis". Recentemente, comemoraram a prisão de um ex-ministro dos governos petistas, Paulo Bernardo. Tudo por conta de acusações mal-formuladas.
Dilma Rousseff foi afastada do poder acusada de operações financeiras que são consideradas normais no meio político. Em compensação, há muito mais provas de corrupção contra Aécio Neves, acusado de envolvimento tanto com o Mensalão quanto a Lava-Jato, fora outros escândalos (como desvio de dinheiro público para sustentar aeroportos particulares e uma emissora FM do interior), e a imprensa coloca essas sujeiras debaixo do tapete, protegendo o senador mineiro do PSDB.
O Brasil está desgovernado por culpa das pregações ideológicas da grande imprensa, que sempre desejou um projeto político retrógrado, que mais favoreça as elites e o empresariado. A decadência vergonhosa das elites, representada em âmbito geral pelo declínio vertiginoso e de níveis catastróficos do Sul e Sudeste, sobretudo Rio de Janeiro, mostra o quanto os "de cima" estão vendo o topo da pirâmide ruir como um precipício se rachando sobre o abismo.
O Estado do Rio de Janeiro sofre violência e sucumbiu a decadências em todos os aspectos. Algo que já não pode ser mais escondido, pois é uma decadência que coloca o Estado aos níveis abaixo das unidades federativas mais provincianas. Perto do que está o Estado do Rio de Janeiro hoje, o Acre parece a Suíça.
Mas outros Estados, como São Paulo e Paraná, mas sem esquecer Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, a decadência é alarmante, e acima dos índices considerados esperados pela chamada "complexidade da vida moderna".
A Minas Gerais de uma tragédia ambiental preocupante, causada pelo descaso empresarial, que fez estourar uma barragem situada em Mariana e despejou o lodo contaminado por um longo caminho até o mar, passando pelo Espírito Santo e atingindo várias cidades, além de ter causado várias mortes, é a terra natal de Aécio Neves, que está ameaçado de ser enquadrado em um dos piores escândalos a ser denunciado pelo publicitário Marcos Valério, que admite fazer em breve delação premiada.
São Paulo viveu a contradição de, sofrendo enchentes em sucessivos dias chuvosos, ter que conviver com a falta d'água meses depois. A capital paulista perdeu a batalha entre o provincianismo e o cosmpolitismo e a maior capital da América Latina sofreu sua queda quando se reduziu a um quintal privativo de chefões de mídia, empresários do entretenimento brega e políticos tucanos.
O Paraná, que antes tinha em Curitiba um modelo virtual de cidade moderna, como se fosse uma "Estocolmo dos trópicos", também decai e não só por ser reduto dos golpistas que queriam derrubar Dilma Rousseff, através dos juristas comprados pelo tucanato e pelo poder midiático, como Sérgio Moro (que é duro demais para combater petistas, mas hesitante até para investigar tucanos e aliados), mas pela crise social que sofre no âmbito local.
É um reduto de degradação cultural - a mediocridade cultural puxada pela dupla Chitãozinho & Xororó e pelo apresentador Carlos "Ratinho" Massa, é notória - , da imprensa (a CBN é um claro exemplo disso), temperada pelo episódio da perseguição de juristas contra jornalistas independentes que denunciaram os salários exorbitantes do Judiciário local, e em suas "modernas" cidades já ocorrem assassinatos à luz do dia, assustando a população.
É em Curitiba que está ocorrendo o esgotamento definitivo e irreversível de um modelo de transporte coletivo lançado, no auge da ditadura militar, por Jaime Lerner. Um modelo cujas medidas de pintura padronizada nos ônibus, dupla função de motorista-cobrador e redução de percursos para forçar a baldeação usando o Bilhete Único, se revelam definitivamente obsoletas e prejudiciais.
Mas tudo isso é reflexo de uma crise de valores generalizada que tem na grande imprensa seu quadro mais dramático, uma imprensa decadente de um Brasil em ruínas. Pois as pessoas são desafiadas pelas circunstâncias em admitir a crise em que vivem, e hoje o sobressalto da chamada "boa sociedade" é tanto que ela se recusa a admitir essa crise.
Essas pessoas "de bem com a vida" preferem viver isoladas nas redes sociais - o WhatsApp se revela até mais decadente que o Facebook e o antigo Orkut, já notórios redutos de brasileiros reacionários e desinformados - e aceitar essas crises como "algo normal". Acham que a coleção de escândalos do governo Michel Temer é "natural" e ainda apelam para o bordão hipócrita "Quem Nunca Erra?" que só serve para fazer apologia aos erros graves cometidos por gente privilegiada.
E assim as pessoas têm que conviver com a decadência, com as gafes, com os transtornos, com as tragédias, e não há como ver normalidade nisso. Sobretudo diante de uma imprensa que cada vez informa menos, reduzida a meros panfletos das elites empresariais e porta-voz de causas e propostas cada vez mais anti-democráticas. Será que as pessoas estão esperando haver um holocausto para se mexerem?
sexta-feira, 15 de julho de 2016
Robson Pinheiro ainda usou Getúlio Vargas para falar da crise brasileira
GETÚLIO VARGAS DEVE ESTAR SE REVIRANDO NO ALÉM...
É moleza ser "médium espírita". Usurpa-se o nome de algum falecido, produz uma obra atribuída ao "espírito" da escolha pessoal do "médium" e tudo permanece de maneira impune, não apenas por causa da omissão das leis, mas pelo apoio estimulado da sociedade.
Chico Xavier foi para o além totalmente impune em relação à usurpação de uma porção de brasileiros, anônimos ou famosos, em mensagens que se demonstram fraudulentas com uma leitura mais atenciosa. Mesmo assim, o "médium" se tornou "intocável" e é um dos piores exemplos de impunidade verificados em toda a História do Brasil, sem exagero.
Virou uma farra. Se você imita algum famoso falecido, digamos o Chacrinha, e se diz "médium espírita", você pode se passar pelo saudoso apresentador de TV e inventar que ele retornou para falar para o público brasileiro. As leis não lhe punirão, a polícia não lhe pegará, a prisão torna-se um aposento remoto para passar uma boa parcela de sua vida.
E aí vemos a completa festa abusiva em que nomes que vão de Humberto de Campos a Raul Seixas, lesando qualquer um que encontrar pela frente. Recentemente, o ex-casal Nizo Neto e Márcia Brito receberam uma suposta mensagem do falecido filho Ryan Brito que apresentava irregularidades referentes ao Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos sistematizado por Allan Kardec.
Aqui temos os "donos dos mortos", que publicam sempre mensagens de apelo religioso. O "morto" se reduz a um anunciador de mershandising religioso, mesmo de maneira sutil, e o "médium" usa artifícios como a leitura fria e a citação de dados como o CPF e do telefone celular do ente que está vivo (mas que se esquece que forneceu tais informações quando preencheu uma ficha no "auxílio fraterno") para forjar "legitimidade". Algo que deixaria Kardec muito desconfiado.
E aí, como vemos, o establishment está corrompido. Hierarquias mostram erros e irregularidades graves e não poucas e tudo que a sociedade faz como reação é dizer "quem é que nunca errou na vida?". Uma complacência ao erro, quando ele vem de gente "de cima", dotada dos mais variados tipos de poder, mesmo um simples prestígio como celebridade ou religioso.
E aí temos o astro das "psicografias" e "psicofonias", Robson Pinheiro. Ele usou Ângelo Inácio para descrever um Cazuza caricato, quase um debiloide. Usou uma serena Madre Teresa de Calcutá que não parece assustada com as denúncias que, na Terra, a fizeram ser desmascarada por Christopher Hitchens. E estava usando o escritor Jules Verne (que os brasileiros conhecem como Júlio Verne) quando veio a urgência de "comentar" a crise brasileira.
Além da obra "coxinha" O Partido, pautada no que a grande mídia informa da Operação Lava-Jato, inspirando um enredo surreal de espíritos traiçoeiros que manipulam brasileiros com facilidade, enquanto define como "pacíficas e memoráveis" manifestações que pedem intervenção militar e exibem até suásticas nazistas, como os protestos anti-PT, Robson ainda usou Getúlio Vargas para uma suposta mensagem aos brasileiros.
O festivo "médium" já havia usado um Tancredo Neves com um conhecimento de mídias digitais típico de um adolescente - e isso quando seu neto, Aécio Neves, tem medo de consultar a Internet por causa da avalanche de textos que denunciam sua corrupção política, com provas e tudo - para "falar à nação". Agora faz o mesmo com Getúlio.
O falecido presidente já havia sido usado em uma risível "psicografia" lançada por uma "médium" já falecida, Wanda A. Canutti, intitulada Getúlio Vargas em Dois Mundos, atribuída ao espírito do escritor português Eça de Queiroz. A obra claramente destoa, no entanto, do estilo do autor de O Primo Basílio, com uma narrativa tediosa e cansativa que em nada lembra o texto ágil e quase cinematográfico do grande autor lusitano.
Agora, é a vez de Robson Pinheiro repetir a brincadeira, desta vez usando o próprio Vargas, imitando seu discurso solene mas apelando para um igrejismo desnecessário, dentro daquela visão ufanista que os "espíritas" tanto usam e que remetem tão somente aos piores livros didáticos. Eis o texto:
===========
Mensagem do suposto espírito Getúlio Vargas divulgada por Robson Pinheiro em reunião pública de Cartas Consoladoras, na Casa de Everilda Batista. Contagem, MG, 8 de maio de 2016.
Brasileiros e brasileiras,
Nós, os que herdamos a espada da justiça; nós, os que herdamos de Ismael o compromisso de levar avante o projeto e o futuro da nossa nação, clamamos, do lado de cá da barreira da vida, para os brasileiros não se descuidarem do seu futuro, não se esquecerem do fanal de liberdade, libertando-se das garras dos lobos vorazes, de corações empedernidos, que intentam destruir a fé do povo brasileiro no futuro promissor desta nação. Não entreguem o futuro do país ou da América Latina nas mãos daqueles que corroem os valores morais e éticos, tentando, de alguma forma, solapar os valores duramente conquistados ao longo dos séculos que transformaram a nossa nação num dos países mais promissores deste planeta.
Temos que dar as mãos dos dois lados da vida, pedindo àqueles que tutelam os destinos do país, pedindo a Jesus e a Maria de Nazaré, que utilizem dos seus instrumentos divinos a fim de interromper o círculo que tenta de alguma maneira fechar os caminhos do povo brasileiro e da América Latina.
Precisamos aprender com aquele que foi o maior revolucionário de todas as épocas e que hoje é cultuado por todos os povos do ocidente como representante de Deus, como representante do governo espiritual na Terra. Ele, que se envolveu, que se manifestou no meio da multidão lutando pela política divina de um reino superior, espera que cada um de nós que nos dizemos ou nos fazemos seus seguidores possa prosseguir pelo menos honrando o compromisso que ele depositou em nossos ombros, em nossas mãos.
Eu fui um falido espiritual e, num momento de ânsia, diante dos meus erros clamorosos como político brasileiro, entreguei a minha vida sem pensar. Eu, Getúlio Vargas, retorno aqui pela misericórdia divina que me pede: “Volta, Getúlio, e fala com o povo para não desistir como você desistiu, e fala com o povo que o Brasil tem jeito, e fala com o povo para resistir aos lobos que se alimentam da esperança da nação”.
Que Deus abençoe a todos nós! Que possamos levar nossas vozes e não desistir como um dia eu desisti, mas que continuemos, mesmo depois da morte, prosseguindo na certeza de que o Brasil será finalmente o coração do mundo, a pátria deste Evangelho que vocês tanto admiram, que tanto adoram, apesar das forças contrárias ao bem e à justiça.
Graças a Deus.
Getúlio Vargas (espírito) (sic)
É moleza ser "médium espírita". Usurpa-se o nome de algum falecido, produz uma obra atribuída ao "espírito" da escolha pessoal do "médium" e tudo permanece de maneira impune, não apenas por causa da omissão das leis, mas pelo apoio estimulado da sociedade.
Chico Xavier foi para o além totalmente impune em relação à usurpação de uma porção de brasileiros, anônimos ou famosos, em mensagens que se demonstram fraudulentas com uma leitura mais atenciosa. Mesmo assim, o "médium" se tornou "intocável" e é um dos piores exemplos de impunidade verificados em toda a História do Brasil, sem exagero.
Virou uma farra. Se você imita algum famoso falecido, digamos o Chacrinha, e se diz "médium espírita", você pode se passar pelo saudoso apresentador de TV e inventar que ele retornou para falar para o público brasileiro. As leis não lhe punirão, a polícia não lhe pegará, a prisão torna-se um aposento remoto para passar uma boa parcela de sua vida.
E aí vemos a completa festa abusiva em que nomes que vão de Humberto de Campos a Raul Seixas, lesando qualquer um que encontrar pela frente. Recentemente, o ex-casal Nizo Neto e Márcia Brito receberam uma suposta mensagem do falecido filho Ryan Brito que apresentava irregularidades referentes ao Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos sistematizado por Allan Kardec.
Aqui temos os "donos dos mortos", que publicam sempre mensagens de apelo religioso. O "morto" se reduz a um anunciador de mershandising religioso, mesmo de maneira sutil, e o "médium" usa artifícios como a leitura fria e a citação de dados como o CPF e do telefone celular do ente que está vivo (mas que se esquece que forneceu tais informações quando preencheu uma ficha no "auxílio fraterno") para forjar "legitimidade". Algo que deixaria Kardec muito desconfiado.
E aí, como vemos, o establishment está corrompido. Hierarquias mostram erros e irregularidades graves e não poucas e tudo que a sociedade faz como reação é dizer "quem é que nunca errou na vida?". Uma complacência ao erro, quando ele vem de gente "de cima", dotada dos mais variados tipos de poder, mesmo um simples prestígio como celebridade ou religioso.
E aí temos o astro das "psicografias" e "psicofonias", Robson Pinheiro. Ele usou Ângelo Inácio para descrever um Cazuza caricato, quase um debiloide. Usou uma serena Madre Teresa de Calcutá que não parece assustada com as denúncias que, na Terra, a fizeram ser desmascarada por Christopher Hitchens. E estava usando o escritor Jules Verne (que os brasileiros conhecem como Júlio Verne) quando veio a urgência de "comentar" a crise brasileira.
Além da obra "coxinha" O Partido, pautada no que a grande mídia informa da Operação Lava-Jato, inspirando um enredo surreal de espíritos traiçoeiros que manipulam brasileiros com facilidade, enquanto define como "pacíficas e memoráveis" manifestações que pedem intervenção militar e exibem até suásticas nazistas, como os protestos anti-PT, Robson ainda usou Getúlio Vargas para uma suposta mensagem aos brasileiros.
O festivo "médium" já havia usado um Tancredo Neves com um conhecimento de mídias digitais típico de um adolescente - e isso quando seu neto, Aécio Neves, tem medo de consultar a Internet por causa da avalanche de textos que denunciam sua corrupção política, com provas e tudo - para "falar à nação". Agora faz o mesmo com Getúlio.
O falecido presidente já havia sido usado em uma risível "psicografia" lançada por uma "médium" já falecida, Wanda A. Canutti, intitulada Getúlio Vargas em Dois Mundos, atribuída ao espírito do escritor português Eça de Queiroz. A obra claramente destoa, no entanto, do estilo do autor de O Primo Basílio, com uma narrativa tediosa e cansativa que em nada lembra o texto ágil e quase cinematográfico do grande autor lusitano.
Agora, é a vez de Robson Pinheiro repetir a brincadeira, desta vez usando o próprio Vargas, imitando seu discurso solene mas apelando para um igrejismo desnecessário, dentro daquela visão ufanista que os "espíritas" tanto usam e que remetem tão somente aos piores livros didáticos. Eis o texto:
===========
Mensagem do suposto espírito Getúlio Vargas divulgada por Robson Pinheiro em reunião pública de Cartas Consoladoras, na Casa de Everilda Batista. Contagem, MG, 8 de maio de 2016.
Brasileiros e brasileiras,
Nós, os que herdamos a espada da justiça; nós, os que herdamos de Ismael o compromisso de levar avante o projeto e o futuro da nossa nação, clamamos, do lado de cá da barreira da vida, para os brasileiros não se descuidarem do seu futuro, não se esquecerem do fanal de liberdade, libertando-se das garras dos lobos vorazes, de corações empedernidos, que intentam destruir a fé do povo brasileiro no futuro promissor desta nação. Não entreguem o futuro do país ou da América Latina nas mãos daqueles que corroem os valores morais e éticos, tentando, de alguma forma, solapar os valores duramente conquistados ao longo dos séculos que transformaram a nossa nação num dos países mais promissores deste planeta.
Temos que dar as mãos dos dois lados da vida, pedindo àqueles que tutelam os destinos do país, pedindo a Jesus e a Maria de Nazaré, que utilizem dos seus instrumentos divinos a fim de interromper o círculo que tenta de alguma maneira fechar os caminhos do povo brasileiro e da América Latina.
Precisamos aprender com aquele que foi o maior revolucionário de todas as épocas e que hoje é cultuado por todos os povos do ocidente como representante de Deus, como representante do governo espiritual na Terra. Ele, que se envolveu, que se manifestou no meio da multidão lutando pela política divina de um reino superior, espera que cada um de nós que nos dizemos ou nos fazemos seus seguidores possa prosseguir pelo menos honrando o compromisso que ele depositou em nossos ombros, em nossas mãos.
Eu fui um falido espiritual e, num momento de ânsia, diante dos meus erros clamorosos como político brasileiro, entreguei a minha vida sem pensar. Eu, Getúlio Vargas, retorno aqui pela misericórdia divina que me pede: “Volta, Getúlio, e fala com o povo para não desistir como você desistiu, e fala com o povo que o Brasil tem jeito, e fala com o povo para resistir aos lobos que se alimentam da esperança da nação”.
Que Deus abençoe a todos nós! Que possamos levar nossas vozes e não desistir como um dia eu desisti, mas que continuemos, mesmo depois da morte, prosseguindo na certeza de que o Brasil será finalmente o coração do mundo, a pátria deste Evangelho que vocês tanto admiram, que tanto adoram, apesar das forças contrárias ao bem e à justiça.
Graças a Deus.
Getúlio Vargas (espírito) (sic)
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