quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Artigo de O Semanário tenta defender Chico Xavier - I


Esse texto, dividido em três partes conforme originalmente publicado, é um artigo do dirigente "espírita" Olívio Novaes, que define seu texto como "reportagem", embora mais pareça um artigo com alguns tons panfletários.

O texto foi publicado em reação à nota, aqui reproduzida em postagem anterior, do jornal O Globo, com a natural indignação dos líderes "espíritas", mas de maneira comedida e claramente bajulatória ao "movimento espírita" e à pessoa de Chico Xavier, ao qual são reservados elogios tanto entusiasmados quanto exagerados.

A série foi publicada na coluna Movimento Espiritualista Brasileiro, uma página "espírita" publicada no jornal mineiro O Semanário, um periódico de centro-esquerda, embora o "espiritismo" brasileiro esteja mais alinhado com o pensamento conservador e com valores moralistas. A foto de Chico Xavier acima foi publicada na série de artigos.

CAMPANHA INJUSTA E PRIMÁRIA CONTRA CHICO XAVIER

Por Olívio Novaes - O Semanário, Belo Horizonte 

Edição 132 - Semana de 16 a 23 de outubro de 1958

COLUNA MOVIMENTO ESPIRITUALISTA BRASILEIRO - Dirigida por José Alvares Pessoa

Em 16 de julho do ano em curso, o órgão de imprensa carioca que se diz "o maior jornal do país", publicou, no alto de sua primeira página, com destaque próprio ao sensacionalismo, uma notícia de Belo Horizonte, segundo a qual o jovem Amauri Pena, sobrinho de Chico Xavier, ao procurar a redação de um jornal daquela cidade, declarara o seguinte: "Estou aqui para proclamar alto e bom som que tudo aquilo que tenho escrito, apesar das diferenças de estilo, foi criado pela minha própria imaginação, sem que para isso houvesse qualquer interferência de almas-do-outro-mundo ou qualquer outro fenômeno miraculoso". Isso, e tão somente isso, é que está entre aspas na notícia transcrita pelo jornal desta capital. E se mais não disse Amauri, segue-se que o resto do que ali está é de responsabilidade de quem redigiu a nota no Rio de Janeiro. E não é difícil descobrir-se o autor, sabendo-se que sacerdotes católicos fazem parte da redação de "O Globo".

O sr. Roberto Marinho declarou, certa vez, que nada saía pelas colunas do jornal que dirige, sem o seu conhecimento. Assim sendo, não lhe assiste o direito de ignorar tal publicação, elaborada, sem dúvida, com o único objetivo gratuito de enxovalhar, não a pessoa do famoso médium de Pedro Leopoldo, cuja ilibada conduta e elevada envergadura moral estão a coberto de baba peçonhenta de qualquer batráquio, mas as convicções religiosas de quem não pertence à religião católica. Pergunta-se então: Qual o interesse do sr. Marinho em estimular, com as colunas do seu jornal, o combate às demais religiões? Nenhum, evidentemente. Será crime, porventura, não ser católico? Segue-se, pois, que, se a Constituição Brasileira (de 1946) assegura o direito de crença a todos quantos residam no País, qualquer campanha visando a difamar as convicções alheias é fato punível. Estamos, assim, diante de grave infração aos direitos e garantias constitucionais outorgados por nossa Carta Magna.

CAMPANHA ORGANIZADA

Não são apenas os espíritas as vítimas dessa torpe campanha. Os evangélicos, os umbandistas etc. também. Ainda há pouco tempo, das colunas de O SEMANÁRIO, divulgamos ocorrências vandálicas registradas em vário pontos do País em que eram protagonistas ativos representantes do clero católico. Nós que sempre mantivemos e continuaremos a manter a maior atitude de respeito para com o catolicismo bem assim as demais religiões, lamentamos ter de relacionar sacerdotes romanos como principais responsáveis por essas inomináveis bravatas. Admiramos a obra cultural da Igreja. Identificamos, jubilosamente, vários de seus ilustres membros nos movimentos nacionalistas pela nossa independência. Registramos os gestos nobilíssimos de filantropia de alguns dos seus chefes nos momentos de calamidade pública. Proclamamos, mesmo, quando necessário se faz praticar justiça, o relevante papel da Igreja na formação de nossa Nacionalidade. Mas não podemos concordar que se prevaleça dessas glórias para organizar e desencadear campanhas contra os que não pensam pela sua cartilha.

CONDUTA ESPÍRITA

Jamais os espíritas vieram a tempo, spont sua, para profligar a conduta dos sacerdotes católicos ou dos que praticam essa ou qualquer outra religião. Outro é o comportamento espírita. Vivem eles preocupados com o bem público, com as dificuldades dos desprovidos de riqueza, com os sofrimentos dos que jazem nos leitos dos hospitais, nos manicômios, nas penitenciárias. Não têm tempo, por isso, para provocar ataques religiosos ou políticos que, além de ilegais, são contraproducentes.

Ainda há dias, assistimos em um conceituado colégio católico desta capital, por um Irmão Marista, a um espetáculo de letargia aplicada à medicina operatória e que ele próprio chamou de científico. E, quando tudo parecia terminar como começara, eis que vem à baila o nome do Espiritismo, sem nenhuma razão ou oportunidade. Outros espetáculos desse gênero realizou ele, sempre com o mesmo pretexto: atrair plateias que queiram divertir-se para, no final, focalizar o nome do Espiritismo, atribuindo-lhe a defesa do sobrenatural. É preciso ser profundamente primário para não saber que o Espiritismo prega exatamente a não existência do sobrenatural. o caso é que os adversários da Doutrina dos Espíritos não a leem, não a conhecem, e querem combatê-la ignorando-a. Ainda nas colunas do próprio "O Globo" encontramos um anúncio convidando a quem quiser combater o Espiritismo, apresentar-se a um tal Sr. MIL, numa Liga por ele fundada e que funciona à Rua D. Francisca, 213, casa 11, na Boca do Mato. Dizia o anúncio que ao candidato não era exigido conhecimento do assunto. Portanto, qualquer ignorante da matéria estará em condições de combatê-la. Estamos assim diante de uma campanha organizada, gratuitamente, já se vê. Enquanto isso, a Infância e a Mocidade se acham, em grande parte, abandonadas. Pelo menos religiosamente falando. Se indagarem da religião desses rapazes da chamada "juventude transviada", é quase certo que se declararão católicos. Para nós, porém, eles nada mais são do que uns desassistidos por qualquer religião. Todavia, isso desacredita qualquer crença que se diga da maioria do povo brasileiro. Vejamos, agora, onde se manifesta a conduta espírita: temos um movimento organizado de dezenas de milhares de Mocidades Espíritas, onde os rapazes, em suas horas de lazer, estudam e aprendem amar o próximo, respeitar as leis, as instituições e a liberdade de seus semelhantes. Estudam e aprendem a praticar a caridade e fazer aos outros tão somente aquilo que gostariam lhes fizessem. Mercê desse trabalho diuturno na preparação dos caráteres nobres para uma convivência limpa e decente na sociedade a que pertencem, não se encontrou jamais e dificilmente se encontrará, entre esses pobres moços desamparados, algum que se diga professar o Espiritismo. O combate que se verifica é, pois, injusto, deselegante e sobretudo inoportuno, por dividir os cristãos precisamente numa hora em que necessitamos estar unidos contra as ideias dissolventes do materialismo.

"DECLARAÇÃO DE BRASÍLIA"

Agora mesmo, a nota conjunta, assinada pelo presidente da República do Brasil (Juscelino Kubitschek) e pelo sr. John Foster Dulles, e que ficou conhecida como "Declaração de Brasília", em seu item 5, após reafirmar "que se tornou necessário lutar decididamente pelos princípios religiosos e democráticos, pelo direito à liberdade das nações e pelo respeito à dignidade individual do homem, valores esses que integram o patrimônio da civilização e da cultura ocidental", diz que, "nesse sentido, seriam tomadas, com urgência, providências que garantissem, de forma efetiva, a defesa desses objetivos". (Os grifos são nossos). Os dois eventuais representantes das duas maiores nações do Continente reconhecem, pois, em documento assinado e que servirá com o paradigma às futuras atitudes dos países da América Latina perante o mundo, a necessidade, urgente, da manutenção dos princípios religiosos e dos demais direitos e garantias individuais, pelo menos nesta parte abençoada do planeta. Como pôr em prática tão salutar recomendação, assistindo-se atitudes vandálicas de depredações de tempos evangélicos, de perseguições de tendas umbandistas, de ataques aos maçons e de enxovalhamento à dignidade de homens de comprovada virtude e de honestidade inconspurcável, como é o caso de Chico Xavier? É de justiça proclamar que tais procedimentos não emanarão, evidentemente, do supremo responsável pelo catolicismo - um dos maiores papas que já teve a Igreja, em todos os tempos - senão de quem pensa servir bem a Sua Santidade, mediante a prática de atos incompatíveis com o próprio espírito do Cristianismo e com as consciências bem formadas.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O artigo de O Globo sobre a denúncia de Amauri Xavier


Reproduzimos na íntegra a nota do jornal O Globo sobre a denúncia de Amauri Xavier de que a mediunidade dele e de seu tio, Francisco Cândido Xavier, não haviam passado de mistificação e que os livros eram escritos pela própria imaginação de cada um, sem interferência de espíritos.

Foi uma pequena nota, publicada apenas na primeira página. Dentro do jornal não há outra menção do assunto, como se esperaria de um periódico do nível do famoso jornal carioca, e nele também não há uma foto de Amauri, até agora sem imagens publicadas na Internet.

O Globo - cuja empresa, as Organizações Globo, estaria depois às boas com o "espiritismo" da FEB, vide os filmes "espíritas" da Globo Filmes, entre eles a própria biografia de Xavier, na qual Amauri é vagamente tratado como "um traidor" - tinha colaboradores católicos em sua equipe, entre os quais o ultraconservador Gustavo Corção.

A FEB sempre explorou esse falso maniqueísmo entre Espiritismo e Catolicismo no Brasil, quando se sabe que o "espiritismo" trabalhado pela federação sempre se convergiu na adaptação de dogmas, procedimentos e crenças católicas por meio de um espiritualismo místico e religioso.

A nota não apresenta novidades em relação ao que se divulga de Amauri - seria preciso uma pesquisa no Diário de Minas, que é o que traz de mais detalhes sobre o caso - , mas vale aqui reproduzir todas as palavras do texto, a título de informação.

Vale observar que a nota, datada de 16 de julho de 1958 (16.07.1958), aparece abaixo do logotipo de O Globo, o que parece um chamariz, embora tenha sido, provavelmente, uma mera coincidência na diagramação de página.

DESMASCARADO CHICO XAVIER PELO SOBRINHO E AUXILIAR!

O Globo - 16 de julho de 1958 - primeira página

BELO HORIZONTE, 16 (Especial para O GLOBO) - O jovem Amauri Pena, sobrinho de Chico Xavier, procurou a redação de um jornal de Belo Horizonte para declarar que não passam de mistificação as obras literárias psicografadas pelo famoso médium de Pedro Leopoldo. "Estou aqui para proclamar alto e bom som que tudo aquilo que tenho escrito apesar das diferenças de estilo, foi criado pela minha própria imaginação, sem que para isso houvesse qualquer interferência de almas-do-outro-mundo ou qualquer outro fenômeno miraculoso" - afirmou Amauri Pena. O sobrinho de Francisco Cândido Xavier sempre participou de sessões espíritas, durante as quais psicografava textos de poetas falecidos. Depois de submeter-se a esse papel de mistificador durante muitos anos, usando apenas faculdades literárias que exercitou, resolveu, por uma questão de consciência, revelar toda a verdade. Disse Amauri que Chico Xavier desde muito cedo era um devorador de livros, não sendo verdade, portanto, asseverar que se trata de um homem inculto.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Divaldo Franco: a personificação do pretenso sábio "espírita"


Além de Francisco Cândido Xavier, outro figurão do "movimento espírita" que se destaca como anti-médium dotado de muito carisma e popularidade é o baiano Divaldo Pereira Franco, que encerra suas atividades aparentemente mediúnicas neste ano, quando supostamente sua orientadora Joana de Angelis anuncia que vai reencarnar no corrente ano de 2015.

Divaldo Franco é responsável pela Mansão do Caminho, misto de "centro espírita" e internato escolar que, inicialmente, funcionou na Cidade Baixa, na altura da península de Itapagipe, próximo à Ribeira, em 1952. Divaldo fundou a instituição com seu amigo Nilson Pereira, o "tio Nilson", falecido em 2013. Pouco depois da fundação, a Mansão do Caminho se mudou para o bairro do Pau da Lima, subúrbio central de Salvador - numa região que inclui Cajazeiras e Castelo Branco - , onde está até hoje.

Palestrante e suposto médium, Divaldo, ainda na década de 1950, torna-se amigo de Francisco Cândido Xavier. No entanto, um incidente quase põe a perder a relação de amizade, quando Divaldo é acusado por Chico Xavier de ter feito plágio de uma suposta mediunidade que o anti-médium mineiro havia produzido em 1951, atribuído ao espírito de Isabel de Castro.

A denúncia foi feita em 1962 e o caso foi relembrado pelo Fantástico, programa da Rede Globo, em 2004, através de reportagem do jornalista mineiro Luiz Gustavo. Divaldo teria feito um texto atribuído a Vianna de Carvalho, que apresentava pontos comuns com os do texto de Chico Xavier atribuído a Isabel de Castro, apenas com algumas variações de nomes. Os textos têm o mesmo título, "Um Dia", e a mesma estrutura textual.

As abordagens são idênticas, evocando a conversão de mentes pecaminosas ao Cristianismo, com a menção tendenciosa e oportunista de personagens e fatos científicos. Se um texto menciona Sócrates, outro cita Arquimedes. Se um cita Maria de Magdala (a Maria Madalena que conviveu com Jesus), outro cita Saulo de Tarso (o "São Paulo" dos católicos), mas o contexto das citações é o mesmo.

Os referidos textos são reproduzidos a seguir, surpreendendo pelas semelhanças e trazendo dúvidas se, lá do além, Vianna de Carvalho teria coragem de plagiar Isabel de Castro, e, pelo que conhecemos das artimanhas "mediúnicas", nenhum dos dois está ligado sequer aos textos atribuídos a eles.

UM DIA - CHICO XAVIER, pelo espírito Isabel de Castro. FEB, 1951

Um dia, Sócrates deliberou sair de si mesmo, apresentando alguns aspectos da verdade, e imortalizou-se.

Um dia, Colombo resolveu empreender a viagem ao Mundo Novo e desvelou o caminho para a América.

A gloriosa missão de Jesus começou para os homens no dia da Manjedoura.

O ministério dos Apóstolos foi definitivamente homologado pelos Poderes Divinos no dia de Pentecostes.

Tudo no Universo começa num dia.

O bem e o mal, a felicidade e o infortúnio, a alegria e a dor, invocados por nossa alma, guardam o exato momento de início.

Quando plantamos, sabemos que a produção surgirá certo dia. Se encetamos uma jornada, não ignoramos que, em certo momento, ela terminará.

Um dia criamos, um dia recolheremos.

Não olvides, porém, que a semente não germinará sem cuidado, em tua quinta.

Se deres teu dia à erva ingrata, ela se alastrará, sufocando-te o horto amigo. Se abandonares teus minutos aos vermes daninhos, multiplicar-se-ão eles, indefinidamente, impedindo a colheita.

Ocupa-te com o dia, de olhos voltados para a eternidade.

Das resoluções de uma hora podem sobrevir acontecimentos para mil anos.

Tudo depende de tua atitude na intimidade do tempo.

Judas era um discípulo fiel a Jesus, mas, um dia, acreditou mais no poder frágil da Terra que na administração do Céu, e traiu a si mesmo.

Madalena era estranha mulher, possessa de sete demônios; um dia, no entanto, ofereceu-se à virtude e inscreveu seu nome na História, figurando no cânone das almas inesquecíveis.

O amanhã será o que hoje projetamos.

Alcançarás o que procuras.

Serás o que desejas.

Acorda para a realidade do momento e amontoa bênçãos pelos serviços que prestaste e pelo conhecimento que difundiste em tuas horas.

O Tempo é o rio da vida cujas águas nos devolvem o que lhe atiramos.

Enquanto dispões das horas de trabalho, dedica-te às boas obras.

Se acreditas no bem e a ele atendes, cedo atingirás a messe da felicidade perfeita; mas se agora mofas do dia, entre a indiferença e o sarcasmo, guarda a certeza de que, a seu turno, o dia se rirá de ti.

UM DIA - DIVALDO PEREIRA FRANCO - Pelo espírito Vianna de Carvalho. FEB, 1962.

Um dia em que tomava banho, percebeu Arquimedes que os seus membros, mergulhados na água, perdiam considerável parte do seu peso, descobrindo, então, o princípio que o imortalizou.

Um dia, observando a queda de u’a maçã, Newton abriu as portas do pensamento para as leis da gravitação universal.

Um dia, resolvendo lutar contra o pessimismo das cortes européias e do povo, Colombo descobriu a América.

Um dia, após exaustivas experiências, a Sra. Curie descobriu o rádio.

Um dia, insistindo no ideal de bem servir à Humanidade, Zamenhof favoreceu a comunicação entre os povos com a língua Esperanto.

Um dia, Saulo de Tarso, tomado de radical anseio de fé legítima, transformou a concepção da vida e se fêz a maior carta-viva do Cristo.

Um dia, resolvendo viver para Jesus, Francisco de Assis fomentou o amor na Terra, renovando a conceituação vigente a respeito da Caridade.

Um dia, Gêngis Khan. disputando brutalidade, fez-se comandante de exércitos bárbaros e apavorou o mundo.

Um dia mentiste e todo um programa nefando teve início.

Um dia prometeste, olvidando logo mais a palavra empenhada, e o caráter foi afetado.

Um dia resolveste ajudar e uma vida nova começou.

Em todas as vidas existe sempre um dia, antecedendo a transformação do homem.

Um dia que dá origem a outros dias; um êxito que produz outros êxitos; um dano que assinala outros desvarios.

Examina teus pensamentos e atitudes cada dia. Age, mas pensa com cuidado.

Um dia, que pode ser hoje, dispõe-te à transformação para melhor, e assinalarás uma alegria estranha na tua existência.

Se num dia planejas o mal, logo sintonizas com os Espíritos maléficos que se comprazem com a leviandade e o crime.

Se num dia pensas o bem, cobrarás alento novo para fixar os marcos positivos do trabalho, afinando-te com as Inteligências superiores.

Pensa no dever, um dia, e, logo no dia seguinte, o pensamento nobre voltará ao teu cérebro.

Fixa a ilusão mentirosa e despertarás amanhã na decepção ultrajante.

Um dia, na vida, pode constituir-se início de um milênio diferente para tua alma.

Como a reflexão é a mãe de todas as virtudes, pensa bem e o teu caminho atravessará o portal de luz para a imortalidade.

A VERDADEIRA JOANA ANGÉLICA - Sem relação com a autoritária mentora de Divaldo Franco.

JOANA DE ANGELIS NÃO FOI JOANA ANGÉLICA

Uma diferença pode ser observada entre Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco. Se o mentor de Chico, Emmanuel, realmente foi o padre jesuíta Manuel da Nóbrega, no entanto Joana de Angelis não teria sido a sóror Joana Angélica que havia sido professora no Convento da Lapa, em Salvador (onde hoje funciona o Campus da Lapa da Universidade Católica do Salvador, UCSal), onde morreu tentando salvar suas alunas do ataque de um grupo de soldados arruaceiros.

A constatação dos dois casos toma como critério as obras e o estilo de personalidade e temperamento apresentados pelos mentores, em que um dos casos coincide perfeitamente com o personagem histórico evocado, mas no outro caso, essa semelhança não existe.

Joana Angélica e Joana de Angelis só se afinavam na energia com que reagiam às dificuldades da vida. Mas isso para por aí. A mentora de Divaldo, diferente da sóror baiana do Convento da Lapa, era autoritária, prepotente, extravagante e não suportava ver pessoas tristes. É conhecido de Joana de Angelis a sua ideia de que ninguém deve ficar triste por mais de quinze minutos.

Joana Angélica, por sua vez, teria sido mais tolerante, mais humilde e bem mais idealista. Sua formação católica a fazia, evidentemente, ensinar os dogmas e crenças próprios da religião, mas, em vez do pedantismo pseudo-científico da mentora de Divaldo, a sóror do Convento da Lapa tinha mais consciência moral e política, que a fez enfrentar os soldados embriagados que queriam estuprar as noviças.

As diferenças podem não serem claras à primeira vista, mas observando bem, a combativa, engajada e tolerante Joana Angélica destoa, e muito, da autoritária, extravagante e moralista Joana de Angelis, que ainda por cima deveria se enfurecer, tal qual matrona megera, a cada choro de criança que durasse mais do que um quarto de hora.

"MOVIMENTO VOCÊ E A PAZ" - Principal "arena" para a verborragia de Divaldo Franco.

O ESTEREÓTIPO DE DIVALDO FRANCO

Quanto ao estereótipo e ao perfil ideológico de Divaldo Franco, observa-se que ele personifica uma imagem bem diferente da de Chico Xavier. Se o anti-médium mineiro trabalha estereótipos que exploram contrastes ideológicos entre pobreza e riqueza, ignorância e sabedoria, fraqueza e força, silêncio e voz e emoção e razão, Divaldo, sem ir contra tais estigmas, trabalha uma imagem completamente diferente.

Ele trabalha a suposta reputação de "sábio" atribuída a Chico Xavier de maneira diferente. Chico é o "conselheiro emocional" que às vezes é promovido a profeta e a cientista às custas de sonhos confusos, cartas, depoimentos na mídia ou livros apócrifos ou mensagens diversas atribuídas a "outrem do além".

Já Divaldo Franco adota um tom professoral, nem tanto se aproveitando de contrastes, mas adotando um discurso erudito e uma verborragia acadêmica e por vezes rebuscada, além de uma dicção altamente articulada. É o típico orador de auto-ajuda, com seus malabarismos discursivos e seu exército organizado e coeso de palavras, distribuídas em entonações, ora serenas, ora dramáticas.

Chico Xavier é um falso sábio no sentido de que se transforma em dublê de filósofo através de um discurso mais sentimental e retoricamente confuso, embora com sua peculiar organização de palavras. Conquista mais por tocar na emotividade religiosa de seus seguidores e adeptos.

Já Divaldo Franco é um falso sábio pelo seu discurso rebuscado, pela ilusão que ele oferece de que pode responder a todas e às mais complicadas questões da vida, como se fosse a voz do inconsciente coletivo a dar a palavra final para todos os problemas.

O principal estigma dele é a erudição, tanto que em suas palestras, Divaldo hipnotiza as plateias com um grande desfile de referenciais diversos, dos quais variam de personalidades religiosas a celebridades atuais, de pessoas comuns a cientistas, dentro de um discurso que procura costurar narrativas de fatos diversos, que nas palestras enfatiza o tom dramático, enquanto na TV enfatiza o tom sereno e erudito.

Divaldo é mais místico do que religioso, no sentido estrito do termo. Difere de Chico por este personificar ainda a devoção católica travestida de "vocação espírita". O anti-médium baiano é mais esotérico e acredita, entre outras coisas, nas "crianças-índigo", estereótipo de "crianças superdotadas" inventado por um casal movido por interesses financeiros. É dado também a fazer supostas previsões, com datas marcadas para a evolução da humanidade.

A "religiosidade" de Divaldo torna-se, então, diferente da de Chico, porque no anti-médium mineiro ela evoca uma emotividade baseada em imagens do "bom velhinho" (obtida nos últimos anos e válida até hoje anos após o falecimento do anti-médium) e do "caipira simpático" que o sensacionalismo místico converte em "mestre" e "consultor sentimental".

No caso de Divaldo, a "religiosidade" é mais uma questão de evocar estereótipos como "erudição", "bom gosto", "mansuetude" e "serenidade", sem aparentemente enfrentar, com eventuais momentos de tensão, situações polêmicas severíssimas. Claro que Divaldo enfrenta suas polêmicas, mas ele encontra melhor contexto de reagir com o "silêncio da prece" do que o próprio Chico que a defendia.

Afinal, nas situações de polêmica mais agressiva, ainda que Chico, chorosamente, afirmava estar preocupado com a "fogueira das opiniões" e prometia "se recolher no silêncio da prece", seus partidários reagiam como "cães de guarda", Divaldo aparentemente parece ter maior jogo de cintura, reagindo com aparente serenidade até quando é acusado de plágio.

Bastante esperto, Divaldo Franco tentou driblar a situação, no caso das acusações de que teria plagiado Xavier. Oportunista, o anti-médium baiano pegou carona num dos princípios defendidos por Allan Kardec - de quem Divaldo trai nos seus fundamentos - , o da atividade de diferentes médiuns, distantes e sem relação entre si, para a consideração (e não o reconhecimento definitivo, mas preliminar) de uma mensagem espiritual. Eis o que disse Divaldo:

"O espiritismo explica que uma mensagem tem valor quando ela é recebida por diversos médiuns sem que eles tenham contato uns com os outros. Isso se chama ‘universalidade do ensinamento’. E eu psicografei essas mensagens sem nunca haver copiado ou me louvado em qualquer uma delas. À época, eu lia as mensagens do Chico Xavier como todos os brasileiros espíritas. Líamos com muito ardor, com muito interesse. Era natural, pois ele era o nosso líder. Se houve realmente qualquer manifestação de identidade, deve ter sido ou traição do inconsciente ou um fenômeno de corroboração".

CRIANÇAS-ÍNDIGO - Farsa criada por um casal norte-americano visando faturar às custas de misticismo pseudo-científico.

GOSTO DE "PREVER" AS COISAS

Divaldo Franco foi um dos entrevistados principais do documentário Data-Limite Segundo Chico Xavier, por ser um dos passatempos seus prever as coisas. Divaldo, em seu discurso verborrágico, chegou a marcar a "sua data" para a transformação da humanidade planetária. Divaldo apostou em 2052, mas fez suas considerações sobre o 2019 do sonho de Chico Xavier, alegando que "muitas transformações" apareceriam "em benefício do Brasil".

Divaldo e suas "crianças-índigo", seu "Alcione" (não a cantora, mas a estrela cósmica) e sua retórica quanto às transformações terrestres, distorcendo o que Kardec havia dito no livro "A Gênese", já que o professor francês nunca afirmou que evoluções humanas teriam datas determinadas ou elas ocorreriam mediante ascensões de países, quais eles sejam.

Mas o que é o bom senso e a coerência de Kardec, para um país esquizofrênico e ainda bisonho como o Brasil, diante do espetáculo verborrágico de um Divaldo Franco que complementa o desserviço já feito pelo sentimentalismo confuso de Chico Xavier...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Chico Xavier plagiou até o Amigo da Onça!


Isso nem de longe é uma ironia ou uma piada jocosa. É algo grave, sério, talvez nem seja para rir. Francisco Cândido Xavier, nos seus relatos sobre o sofrimento humano, imitava ninguém menos que o personagem Amigo da Onça, muito popular na mesma época em que o anti-médium mineiro se tornava um fenômeno controverso que encarava acusações de plágio e processos judiciais.

Muitos nem se lembram do Amigo da Onça, mas ele foi um dos personagens de histórias em quadrinhos mais populares do século XX, Criado pelo cartunista pernambucano Péricles Maranhão (1924-1961), sob encomenda dos Diários Associados, o personagem tinha uma página, geralmente a última, da revista O Cruzeiro, com suas famosas tiradas.

O nome Amigo da Onça se baseou numa antiga anedota popular, que era narrada mais ou menos assim:

Dois caçadores conversam em seu acampamento:
— O que você faria se estivesse agora na selva e uma onça aparecesse na sua frente?
— Ora, dava um tiro nela.
— Mas se você não tivesse nenhuma arma de fogo?
— Bom, então eu matava ela com meu facão.
— E se você estivesse sem o facão?
— Apanhava um pedaço de pau.
— E se não tivesse nenhum pedaço de pau?
— Subiria na árvore mais próxima!
— E se não tivesse nenhuma árvore?
— Sairia correndo.
— E se você estivesse paralisado pelo medo?
Então, o outro, já irritado, retruca:
— Mas, afinal, você é meu amigo ou amigo da onça?

O personagem virou um símbolo da hipocrisia humana, da insensibilidade das pessoas, da existência daqueles que sentem prazer pelo sofrimento alheio e não percebem a enrascada que os outros entram, a ponto de entregá-las a situações humilhantes, se a ocasião permitir.


E como Chico Xavier entra nessa, ele que é visto como "acima de qualquer suspeita", em que pesem as situações sombrias de sua trajetória, que envolveram acusação de plágio, processos judiciais, participação de fraudes, defesa do golpe de 1964, da ditadura militar, do AI-5 e até da eleição de Fernando Collor, e até numa possível "queima de arquivo" do próprio sobrinho.


Chico, o criador de frases bonitinhas, o artífice da falsa modéstia transformada num arremedo de "autêntica humildade", na verdade um jogo de palavras em que se trabalham dicotomias como "sabedoria / ignorância", "voz / silêncio", "riqueza / pobreza" e "força / fraqueza", era também dado a comprazer-se do sofrimento alheio.

Ele, o dócil censor das críticas e dos questionamentos, sempre reprovava o exame, a contestação, a queixa, tendo sido um dos maiores anti-ativistas sociais do Brasil, porque Chico Xavier é o símbolo máximo do "ativismo às avessas", aquele em que a ação é substituída pela oração, a voz pelo silêncio e o raciocínio pelo amor.


Algumas frases de Chico Xavier são bem Amigo da Onça, e seu desfile de "palavras de amor" eventualmente era colocado em nome de outros, como Meimei, Humberto de Campos e Auta de Souza, "sequestrados" pela "mediunidade" obsessiva de Chico.

Em outros casos, há também as palavras de Emmanuel, único espírito que teria mesmo se manifestado sobre Chico, ou de André Luiz, na verdade personagem fictício do amigo Waldo Vieira, do qual descreveremos depois, e cujos livros contou com a colaboração de Chico.

Mas vamos a frases de Chico Xavier como ele mesmo, e uma delas é um daqueles apelos que ele faz: se você sofre e tudo ocorre de errado em sua vida, fique em silêncio, sorria, ame e ore. Vejamos uma delas?

"Se o momento é de crise, não te perturbes, segue... Serve e ora, esperando que suceda o melhor. Queixas, gritos e mágoas são golpes em ti mesmo. Silencia e abençoa, a verdade tem voz".

Outra frase é um retrato do conformismo que se tornou a bandeira ideológica de Chico Xavier, que no fundo não aguentava questionamentos e achava que era melhor vivêssemos calados e orando, do que lutar para superar ou mesmo eliminar a razão de nossos sofrimentos

"A sabedoria superior tolera, a inferior julga; a superior perdoa, a inferior condena. Tem coisas que o coração só fala para quem sabe escutar!"

Aguentar tudo, aceitar tudo, se conformar, não falar, não reclamar, não contestar. Se tudo dá errado, fiquemos na prece em silêncio. Se somos maltratados, falemos docilmente aos nossos algozes para moderar, maltratar menos, ainda que eles reajam com mais fúria. Mas aí fiquemos em silêncio, orando, orando, orando, e se terminamos mal, temos ainda que sorrir.

Seria preciso percorrer os vários livros de Chico Xavier para colher mais exemplos. Muitos livros prolixos, outros mistificadores, e outros bastante moralistas. Todo um receituário para defender o masoquismo espiritual dos brasileiros, famosos por aceitar as coisas de bandeja, sobretudo as que vêm "de cima", seja de Chico Xavier, do general Médici, de Jaime Lerner ou do Luciano Huck.

PÉRICLES MARANHÃO, CARTUNISTA QUE, AOS OLHOS DO "ESPIRITISMO" BRASILEIRO, COMETEU O "CRIME HEDIONDO" DE TER-SE SUICIDADO.

É a mesma coisa que se vê no Amigo da Onça, em que o sofrimento humano é visto com alegria pelo famoso personagem, gentil diante do sofrimento das pessoas. Só faltou o Amigo da Onça, ao ver uma pessoa no precipício, vendo seu único galho de sustentação se rachar, dizer tão bondosamente para a pessoa não gritar e orar com silêncio e resignação na hora da queda fatal.

Péricles Maranhão passou quase duas décadas criando tiras com o Amigo da Onça. Mas o sucesso acabou repercutindo de tal maneira que Péricles começou a receber gozações por causa do seu personagem, através de piadas maliciosas que as pessoas lhe dirigiam nas ruas.

Deprimido, Péricles, em sua casa no Rio de Janeiro, decidiu se matar inalando gás de cozinha, deixando um bilhete avisando para a família não riscar fósforos. Foi em 31 de dezembro de 1961, duas semanas da tragédia do Gran Circo Norte-Americano, em Niterói, que comoveu o mundo inteiro e cujo impacto emocional ainda era vivido na época.

Péricles foi substituído por Carlos Estevão, cartunista de muito sucesso na época, autor de personagens como Dr. Macarra, também publicado em O Cruzeiro. Estevão conseguiu herdar o espírito criativo do colega em O Amigo da Onça, que sobreviveu vários anos até a morte do outro cartunista, em 1972.

NOSSA CHARGE.

Na ótica do "espiritismo" da FEB e de Chico Xavier, Péricles teria cometido um "crime hediondo", o de cometer suicídio, que o moralismo "espírita" define como crime pior do que o homicídio, uma postura bastante surreal, porque muito mais grave é tirar a vida de outro, criando prejuízos alheios, do que investir no prejuízo próprio de tirar a própria vida.

Aí nos lembramos da herança de Jean-Baptiste Roustaing sempre vivo no "espiritismo" brasileiro mas agora redivivo e adaptado ao contexto brasileiro por Chico Xavier, do qual o homicídio tem um suposto atenuante baseado no mito dos "resgates espirituais", que fazem o homicida ser visto como um "justiceiro da Lei de Causa e Efeito". Espécie de jagunço terreno dos interesses dos "coronéis do além".

A um Chico Xavier que dizia que a "sabedoria superior" não julga nem condena, símbolo máximo de "sabedoria", "caridade" e "consolação", se esqueceu de tudo isso quando, em 1966, no livro Cartas e Crônicas, usando o nome de Irmão X (não podia mais usar o nome Humberto de Campos para evitar "novos dissabores", ou seja, novas ações judiciais).

Xavier julgou e acusou as vítimas sofredoras de terem sido romanos sanguinários, que viveram na Gália (atual França) e tiveram prazer em ver pessoas sendo tiradas de casas para, amontoadas em estádios, serem queimadas em cerimônias sanguinárias.

O "caridoso" Xavier foi derrotado pelo humanismo do "louco" Profeta Gentileza, que preferiu ajudar as pessoas sem fazer acusações, assistindo os familiares das vítimas do incêndio do circo de Niterói, ocorrido no final de 1961, apenas pelo interesse de ajudar.

Como um verdadeiro Amigo da Onça. Sem o lado cômico e divertido da criação imortal de Péricles Maranhão.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Chico Xavier apoiou a ditadura militar

ENQUANTO CHICO XAVIER PEDIA QUE OREMOS PELA DITADURA, PRÁTICAS DE TORTURA ERAM PROMOVIDAS PELOS MILITARES QUE GOVERNAVAM A ÉPOCA.

Francisco Cândido Xavier apoiou a ditadura militar. E isso ele deixou claro quando deu a entrevista histórica no programa Pinga Fogo, na TV Tupi de São Paulo, em 28 de julho de 1971, cujo vídeo foi preservado e que gerou e continua gerando grande repercussão no público de todo o país, com reflexos em várias partes do mundo.

Tido como "o mais avançado homem do Brasil", Chico era de posições tão conservadoras que atraiu para si o convívio pessoal do jesuíta Manuel da Nóbrega, padre que se tornou o espírito Emmanuel e que, na visão oficial do "espiritismo" brasileiro, teria supostamente reencarnado num adolescente do interior paulista, a partir de 2000.

O Chico que muitos acreditam "progressista" era capaz de dizer palavras como o referido trecho que reproduzimos a seguir, ditos numa época em que muitos inocentes eram sacrificados, presos por acusações infundadas, sem julgamentos e provas, torturados da maneira mais cruel e até mortos e enterrados de forma clandestina naqueles tempos. Note o teor do "maravilhoso" texto:

"Temos que convir (...) que os militares, em 3l de março de 1964, só deram o golpe para tomar o Poder Federal, atendendo a um apelo veemente, dramático, das famílias católicas brasileiras, tendo à frente os cardeais e os bispos. E, na verdade, com justa razão, ou melhor, com grande dose de patriotismo, porque o governo do Presidente João Goulart, de tendência francamente esquerdista, deixou instalar-se aqui no Brasil um verdadeiro caos, não só nos campos, onde as ligas camponesas (os “Sem Terra” de hoje), desrespeitando o direito sagrado da propriedade, invadiam e tomavam à força as fazendas do interior. Da mesma forma os “sem teto”, apoderavam-se das casas e edifícios desocupados, como, infelizmente, ainda se faz  hoje em dia, e ali ficavam, por tempo indeterminado. Faziam isto dirigidos e orientados pelos comunistas, que, tomando como exemplo a União Soviética e o Regime Cubano de Fidel Castro, queriam também criar aqui em nossa pátria a República do Proletariado, formada pelos trabalhadores dos campos e das cidades".

A postura de Chico Xavier é confirmada quando o historiador da Universidade Federal Fluminense e biógrafo de João Goulart, Jorge Ferreira, afirma que "espíritas kardecistas" - eufemismo para seguidores do "espiritismo" da FEB - haviam participado da Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, ocorrida em São Paulo em 19 de março de 1964 e que pedia o famoso golpe militar.

Chico expressa, nesse texto, os mesmos pontos de vista das forças reacionárias, e nota-se, nesse texto, que Chico exaltava o Catolicismo e creditava a data do golpe - termo difundido pela oposição, porque naquele momento a ditadura ainda se autoproclamava "revolução" - como 31 de março, e não 01 de abril, o verdadeiro dia, já que os militares queriam evitar trocadilhos com o Dia da Mentira.

Tentando justificar suas convicções, Chico tenta uma argumentação supostamente coerente e pretensamente legalista, para defender a ditadura militar e condenar qualquer reação de protesto a ela. Vejamos:

"O espiritismo nos pede paciência para esperar os processos da evolução e as realizações dos homens dignos que presidem os governos, cooperando de nossa parte, tanto quanto possível, para que as leis desses mesmos governos sejam executadas".

Pois os "homens dignos" que governavam na época decretaram como "lei principal" o quinto de seus Atos Institucionais - cujas primeiras edições extinguiram partidos e instituições representativas da sociedade e cassaram mandatos políticos - , que propiciaram a prisão, tortura e assassinato de muitos inocentes, que eram presos pela força do menor boato lançado contra eles.

A ilegalidade da ditadura militar e seus arbitrios são hoje investigados pela Comissão da Verdade, movimento composto de parlamentares, acadêmicos e ativistas sociais empenhados em analisar os abusos e crueldades cometidos durante o período militar, mas também incluindo o estado de sítio que o governador da Guanabara havia promovido em 1961, durante a crise da renúncia de Jânio Quadros.

Chico Xavier, ignorando a gravidade da situação - logo ele, considerada "figura máxima do amor e da fraternidade" - , ainda pediu para que os brasileiros orassem pelos generais da ditadura, porque eles estavam construindo o "reino de amor" da humanidade futura, cabendo a eles todo apoio e compaixão.

"NÃO CENSURES" NÃO FOI FEITO PARA CONDENAR A CENSURA

O traiçoeiro Emmanuel havia lançado, por intermédio de Chico Xavier, o texto de um capítulo do livro Rumo Certo, Não Censures. O livro foi lançado naquele mesmo ano de 1971 em que pessoas diversas como o guerrilheiro Carlos Lamarca e o deputado Rubens Paiva eram mortos pelas forças da ditadura.

A primeira vista, o título parece ser um manifesto contra a censura do regime militar, e um retrato do mais elevado humanismo em mensagens de libertação e profunda defesa do progresso humano e do fim das injustiças sociais. Mas seu conteúdo desmente o contrário.

O livro não foi apreendido pela Censura Federal nem Chico Xavier, que em 1970 havia sido abalado pela revelação do escândalo da falsa médium Otília Diogo, do qual o mineiro foi cúmplice, representou perigo para os generais. Tanto que ele foi numa boa ser entrevistado na TV Tupi de São Paulo e o anti-médium ainda elogiou os generais que estavam no poder!

Não Censures, que nem de longe foi considerado um livro subversivo, na verdade era um manifesto em favor da censura. Emmanuel, autoritário e socialmente retrógrado - só diferiu de Jair Bolsonaro pela habilidade de traduzir pontos de vista trevosos com "palavras dóceis" - , não iria ser contrário ao nível ideológico pelo qual se conduzia a ditadura militar, indo no mesmo caminho.

O que Emmanuel quis dizer é "Não Questiones". Usou o termo "censures" por simples oportunismo, mas o que ele quis fazer foi justamente censurar os questionamentos contra a forma que é feito o "espiritismo" brasileiro. O livro, na verdade, era uma "doce" revanche contra as investigações que levaram o escândalo de Otília Diogo e que quase botaram ela e Chico Xavier na cadeia.

"Não Censures" se traduz como "Não Questiones", "Não Protestes", "Não Raciocines", "Não Contestes", "Não Perguntes". Emmanuel, contrariando Allan Kardec, condenava o raciocínio crítico, a investigação, o questionamento e o debate, preferindo apenas que "oremos", "acreditemos" e "amemos", como atestam essas frases de doce cinismo:

"Onde o mal apareça, retifiquemos amando, empreendendo semelhante trabalho a partir de nós mesmos".

Claro, talvez o máximo que uma família poderá dizer, ao saber que seu ente querido foi assassinado pelos miliates, é dizer bondosamente: "Puxa, seus militares, pelo menos vocês poderiam ter avisado de que nosso ente querido iria morrer, para que possamos preparar nossas melhores orações". E talvez tenhamos que pedir bênçãos àqueles que governavam sob o instrumento férreo do AI-5.

Outro trecho:

"(...) sempre que nos vejamos defrontados por dificuldades e incompreensões, saibamos servir com paciência e aprenderemos que, à frente dos problemas da vida, sejam eles quais forem, não existem razões para que venhamos a esmorecer ou desesperar".

Se os preços de produtos, alimentos, contas, aluguéis etc, aumentam e há um congelamento salarial que diminui o poder aquisitivo, criando limitações severas a nossa qualidade de vida, as famílias precisariam apenas evitar a aflição e substituir as cestas básicas pelos livrinhos de Chico Xavier, que seus partidários dizem ser "excelente alimento para a alma".

O "espiritismo" brasileiro, do qual Chico Xavier foi seu mais típico porta-voz, pregava o conformismo e glamourizava o sofrimento humano. Quando podia, defendia medidas arbitrárias e nocivas à população.

Pois é este Chico Xavier, que defendeu a ditadura militar, que, na visão de muitos, têm nas mãos o destino da humanidade futura no planeta. E muita gente acreditando piamente nisso, sem saber o risco que está por trás desse "maravilhoso ideal" do "coração do mundo"...

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O perigoso ufanismo de Chico Xavier

ILUSTRAÇÃO PIEGAS EVOCA A PATRIOTADA DO ANTI-MÉDIUM MINEIRO.

Ufanismos são muito perigosos. Evocar a supremacia de uma pátria, levando-se em conta que países são construções materiais resultantes de critérios sócio-políticos específicos, é muito perigoso. Pode ser na Alemanha, nos Estados Unidos da América ou até mesmo no Brasil.

O problema é que os seguidores de Chico Xavier são entorpecidos pelo fanatismo dócil obtido pelas "palavras de amor". Tudo é "lindo", até mesmo a ideia de que o Brasil será o "coração do mundo", a nação mais poderosa do planeta e o "reino de luz" que irá guiar a humanidade planetária nos tempos futuros.

Isso é conversa para boi dormir, talvez o gado bovino que muitos acreditam existirem em Nosso Lar, nos lindos pastoreios de paisagens frondosas onde os passarinhos cantam melodiosamente e onde os rios correm com águas límpidas e transparentes.

Nada impede que fantasias ligadas a tudo o que é maravilhoso e belo possam gerar ideologias fanáticas, perigosas, cruéis e nocivas, já que, de um lado, existe um processo de construção de uma nação hegemônica, e, de outro, a destruição de tudo quanto é obstáculo para a conquista dessa posição hegemônica.

Em outra oportunidade, vamos explicar como se dá esse processo, em que o "lado mais lindo" está no projeto de nação ou de povo hegemônico, enquanto os "vilões" do outro lado representam o "lado mais sórdido", que deve ser eliminado.

Os "melhores julgamentos" se encontram no "eu", enquanto ao "outro" se reservam os piores estigmas, associado a qualidades supostamente negativas que justificam até mesmo atrocidades que podem ser cometidas porque "eu é que tenho o melhor projeto para o planeta" e "o outro precisa ser eliminado porque representa aquilo que não serve para meu projeto".

O SENTIDO DA PATRIOTADA DE CHICO XAVIER

Francisco Cândido Xavier era um homem de muitas manias. Católico fervoroso mas excêntrico, tinha manias que irritavam os católicos ortodoxos. Por algum arranjo de situações oportunistas diversas, Chico passou a ser o "líder do espiritismo" às custas da adoração mórbida de mortos prematuros e da interpretação preciosista de sonhos banais.

Uma de suas manias é querer que o Brasil fosse a nação hegemônica do planeta Terra. A nação mais poderosa do planeta, um novo império político e teocrático, que supostamente irá aglutinar diferentes culturas e povos em "perfeita harmonia". Aglutinar? Não seria cooptar e dominar pela inculturação jesuíta?

Isso é um desejo pessoal de Chico que se afinou com as pretensões ufanistas que as elites dominantes têm em relação ao país. Um desejo que encaixou no sentimentalismo fácil e frágil de muitas pessoas, achando que um mero destaque geopolítico possa representar melhorias de vida e muita felicidade.

Já no livro Parnaso de Além-Túmulo, Chico Xavier, usando o nome de Olavo Bilac para um poema que, sob o título "Brasil", destoa completamente do estilo original do autor, já mencionava o "coração do mundo e a pátria do evangelho" que intitularia um livro que Chico lançaria, anos depois, sob o nome de Humberto de Campos.

Chico tinha essa obsessão. Queria que o Brasil fosse líder do círculo das nações. Um ufanismo exagerado que não é só dele, mas de muita gente, e que é uma "patriotada" que deveria ser tão ridícula (e é mesmo) quando a do locutor de TV Galvão Bueno, mas, pelo status de "bom velhinho" e de pretenso sábio de Chico, foi elevado a "causa nobre e indiscutível".

Por isso o anti-médium mineiro, ao longo de sua carreira, insistiu com essa missão em vários momentos. Seduzia as pessoas com suas "palavras de amor" enquanto divulgava o projeto totalitário de nação hegemônica para o Brasil, se promovendo às custas da boa-fé esperançosa de muitos de seus seguidores e simpatizantes.

E, de repente, veio "aquele sonho" de 1969, após a chegada de uma tripulação de astronautas estadunidenses ao solo lunar, e criou-se a "esperança" de que o Brasil, então mergulhado nas trevas do AI-5, seria o "reino de amor e fraternidade" a conduzir o planeta nos tempos futuros.

Um Brasil ainda problemático, que mal consegue resolver seus próprios transtornos, debilidades e injustiças, de uma cultura frágil, uma mídia retrograda e do qual figuras nefastas como o deputado federal Jair Bolsonaro gozam de grande reputação, e que já reabilitou politicamente o corrupto Paulo Maluf, é que irá comandar a comunidade das nações e ditar o futuro da humanidade na Terra.

Tudo é lindo e maravilhoso no discurso, que qualquer questionamento gera indignação e tristeza. Mas, na teoria, projetos como o Império Romano, guiado a princípio por um politeísmo copiado da Grécia Antiga e depois elaborando uma teocracia hoje conhecida como Igreja Católica, e da Alemanha nazista, também eram anunciados como "lindos projetos de grandes nações".

Na prática, porém, os "projetos lindos" precisam ser concretizados com o expurgo de "forças incômodas", e aí é que está o perigo. Quem serão os "inimigos" do "coração do mundo"? Falar é fácil, e muitos dirão que esse "inimigo" não existe. Mas quem garante que suas paixões não irão se voltar contra alguma força contrária, seja qual for, e sobre ela cometer atrocidades?

O tempo é imprevisível e muitas práticas escapam ao doce desfile das palavras. Daí que o medo do Brasil ser uma nação hegemônica no futuro não é uma paranoia de uns descontentes, mas o temor de que algo imprevisto possa acontecer, vide os jogos de interesses nem sempre generosos que estarão por trás de seus diversos mecanismos. Daí o perigo do ufanismo de Chico Xavier.

sábado, 3 de janeiro de 2015

O "conceituado" sanatório que "não salvou" Amauri Xavier


O "espiritismo" brasileiro cria graves contradições a si mesmos. Por isso o temor do senso crítico, a demonização que seus líderes fizeram e fazem do questionamento público, atribuído a uma "temerosa fogueira", e sua ideologia prega apenas o "silêncio da prece" e a "aceitação serena e devota" do sofrimento, já que o "espiritismo" brasileiro tem como hábito glamourizar o sofrimento humano.

Uma séria contradição, relacionada a Amauri Xavier, sobrinho de Chico Xavier, é que a religião que tanto se define "a mais dedicada na pregação do amor e da fraternidade" se lançar, contra o jovem que denunciou o tio, uma carga de ódio e fúria tão estarrecedoras. É como diz o ditado popular: "faça o que lhes digo, não o que faço".

Como um pobre coitado indefeso numa arena de leões famintos, nós tivemos que observar, espantados e chocados, que os leões em questão são justamente aqueles que adoçam suas bocas com palavras dotadas de puro sabor de mel. "Palavras de amor", que se abundam em palestras, livros e tantos outros documentos e atividades, mas que escondem o veneno que as luzes do "movimento espírita", tão "maravilhosas", só escondem.

E aí vemos o caso de Amauri. Em 1958, ele denunciou Chico Xavier porque a mediunidade deste seria, na verdade, uma fraude. Em vez de investigar as denúncias de Amauri como seria correto, por mais que discordemos ou víssemos algo duvidoso de suas denúncias, o menino foi vítima das mais torpes reações de ódio, da mais abjeta falta de perdão por parte daqueles que justamente pregam o "perdão incondicional" e a "eliminação de todo ódio do coração".

Amauri foi chamado de delinquente para baixo. Tratado como se fosse um mau-caráter, um lixo em forma de homem. Uma espécie de encarnação de um "espírito obsessor" (eufemismo para a personificação do "demônio" católico), sem que se dessem ouvidos ao que o jovem tentava dizer.

E aí o ódio expresso pelos amigos e seguidores de Francisco Cândido Xavier contra Amauri, um ódio muito mal disfarçado que destoa de todas suas pregações de "amor e misericórdia", e se voltou da forma mais cruel possível contra um jovem que, primeiro, foi expulso de Sabará, onde ele vivia, acusado de "muitos crimes" e de "personalidade difícil" e foi para um sanatório bem distante.

SANATÓRIO EXISTE ATÉ HOJE

Definido como "hospital psiquiátrico" ou "instituto espírita", o Sanatório Bezerra de Menezes existe até hoje e é localizado na cidade de Espírito Santo do Pinhal, um município pouco conhecido do interior paulista. É tido como conceituado e recebeu seu nome em homenagem ao médico tido como uma "unanimidade" positiva entre os seguidores do "espiritismo" brasileiro.

Lá Amauri Xavier teria vivido seus últimos anos, até ser socorrido, "muito doente", para Sabará, onde morreu, aparentemente, de hepatite, em 1961, antes de completar 28 anos de idade, supostamente "irredutível" e "rebelde", até além do que se pode esperar de um rapaz como ele.

Há aspectos muito estranhos. Espera-se que um sanatório "espírita" pudesse, com todo o amor e compaixão que julgaria ter, alcançar algum êxito no tratamento de Amauri, pois, mesmo quando se consideram as ações do livre arbítrio, seus responsáveis poderiam ao menos ter ajudado na cura dos vícios de Amauri, se é que os vícios do jovem eram tantos assim.

É até estranho que ele tenha, justamente quando teria recebido a assistência fraternal do sanatório, passado a beber o dia inteiro e, de repente, morrer numa idade ainda mais prematura do que se imagina que alguém com tais vícios possa morrer, já que era provável que Amauri pudesse morrer por volta dos 35 aos 50 anos de idade. Raramente uma pessoa que só consuma álcool possa morrer tão cedo, e, mesmo assim, acrescido de algum outro consumo vicioso.

A título de exemplo, o jogador Manuel Francisco dos Santos, o célebre Mané Garrincha, era um dos maiores ídolos de futebol brasileiro daquela época, e seu consumo de bebidas alcoólicas era notório já naqueles tempos. No entanto, ele faleceu apenas poucos meses antes de completar 50 anos.

Numa outra comparação menos específica, o empresário Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, símbolo da "defesa da honra" machista depois que matou a namorada Ângela Diniz, chegou aos 80 anos no ano passado com um histórico de tabaco, álcool e cocaína que afligia seus melhores amigos, embora as leis naturais indiquem que Doca hoje esteja perto de morrer, já sem um dos rins e talvez com algum tipo de câncer.

Portanto, é algo muito estranho que Amauri tenha falecido tão moço, se juntarmos as circunstâncias de atendimento fraternal que, em tese, teria dado o sanatório, e, contraditoriamente, o agravamento dos vícios do jovem, quando já se pensava na época em promover atividades de ressocialização. Quando muito, Amauri escrevia livros ou mensagens que, supostamente, se atribuiu a espíritos.

O drama de Amauri parece uma história muitíssimo mal contada. Até mesmo a morte e o local de falecimento de Amauri eram misteriosos, havendo rumores de que ele havia sido morto por atropelamento ou que seu falecimento havia ocorrido em Espírito Santo do Pinhal.

O misterioso sobrinho de Chico Xavier era vítima de uma campanha difamatória sem precedentes, despertando as antigas lavas do vulcão do Catolicismo medieval romano adormecido no "espiritismo" brasileiro, em surpreendentes explosões de ódio vindas justamente de quem "prega o amor".

Ou o "espiritismo", através do "conceituado hospital" de Espírito Santo do Pinhal, foi fraco demais na assistência ao Amauri, e deixou-o sucumbir a uma autodestruição rápida demais, ou então houve alguma coisa estranha. Ninguém deu ouvidos ao Amauri para coisa alguma. Ninguém investigou, e ele foi vítima de uma campanha de ódio e difamação por parte dos mesmos que juram "trabalhar sempre em favor do amor e da misericórdia".

Estranho que pessoas caridosas deixem uma pessoa sucumbir tão rapidamente. Fraqueza e incapacidade de ação, dentro de um sanatório "muito bem conceituado" e até hoje em funcionamento? Que "espiritismo" é esse que afirma sua força através de fraquezas e hesitações em momentos como esses?

O ódio que se deu no "movimento espírita" contra Amauri Xavier Pena, que iria colocar Chico Xavier mais uma vez nos tribunais, não bastasse os comentários, na época, de críticos indignados com as irregularidades de qualidade literária das "obras espirituais", sobretudo um Osório Borba que chegou a prometer uma devassa nos poemas e prosas "espirituais" trazidos ao público pelo anti-médium mineiro.

Daí que Amauri Xavier merece uma nova investigação. Suspeitas de maus tratos, envenenamento ou mesmo de que alguém teria incitado o jovem a se embriagar mais, mesmo dentro do "movimento espírita", são muito fortes, porque tudo se tornou muito estranho. Foi um jovem denunciar irregularidades no "trabalho espírita" de um tio e, sem que alguma investigação fosse feita, o jovem foi vítima de ódio e difamação, e morreu cedo demais para quem era apenas "bebedor inveterado".

Amauri talvez pudesse ter dado informações sobre os bastidores do "movimento espírita" mineiro e até da FEB que poderiam revelar escândalos piores. Sua morte misteriosa teria sido motivada como "queima de arquivo".

Para piorar, nos exatos dez anos após Amauri ter falecido, foi Chico Xavier em um programa de TV pedir aos brasileiros que orassem em favor dos generais que também condenavam outros brasileiros inocentes a sofrerem mortes igualmente misteriosas.