AYLAN KURDI, UMA DAS 423 CRIANÇAS REFUGIADAS DO ORIENTE MÉDIO MORTAS EM ACIDENTES DURANTE TRAVESSIA PARA A EUROPA.
"Não julgueis para não serdes julgados", dizia o ensinamento de Jesus. Pegando carona, o anti-médium mineiro Francisco Cândido Xavier criou um arremedo da mesma ideia: "Não julgueis quem quer que fosse". Mas desobedeceu o que ele mesmo disse.
Em 1966, o pior julgamento de valor que se pode dar contra multidões humildes foi dado por Chico Xavier. No livro Cartas e Crônicas, Xavier acusou de terem sido "romanos sanguinários" os pobres cidadãos que, de várias partes do Grande Rio, foram assistir alegremente um espetáculo circense em Niterói, em dezembro de 1961, e foram vítimas de um incêndio criminoso.
O agravante da infundada acusação - feita sem provas documentais, de maneira generalizada, sem estudo da Ciência Espírita e preocupada com suposta encarnação longínqua e superada - é que Chico Xavier, para se livrar de culpa, botou a responsabilidade no pretenso autor espiritual, Humberto de Campos, muito mal disfarçado pelo codinome Irmão X.
Só neste episódio, Chico Xavier cometeu várias perversidades. Tido como "símbolo máximo de humildade", o anti-médium mineiro acusou pessoas humildes de terem sido pessoas sanguinárias que "pagaram pelo que fizeram". Segundo, botou a responsabilidade em um escritor já falecido há décadas, ofendendo ele e seus herdeiros, não adiantando aquele teatrinho de "bondade" para aliciar o produtor Humberto de Campos Filho, anos antes.
Se verificarmos, no entanto, que, em 2009, caso semelhante ao de Xavier rendeu processo por danos morais, a coisa piora para Xavier. Sabe-se que, no livro O Voo da Esperança, que o suposto médium Woyne Figner Sacchetin atribuiu levianamente ao engenheiro Alberto Santos Dumont, pioneiro da aviação brasileira, as vítimas do famoso acidente da TAM no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, há dez anos, foram acusadas de terem sido "romanos sanguinários".
É exatamente a mesma acusação de Chico Xavier em Cartas e Crônicas, com os mesmos artifícios. Mas, com um aspecto gravíssimo. As vítimas do acidente da TAM tiveram dinheiro para pagar advogados e processar Woyne por danos morais e o livro teve que ser retirado das livrarias. No caso de Chico Xavier, são famílias pobres que não tinham recursos para pagar advogados, e por isso a crueldade teve um peso muitíssimo maior.
Recentemente, em dezembro de 2016, durante uma entrevista depois de um "congresso espírita" na Espanha, o anti-médium baiano Divaldo Franco, perguntado sobre as mortes de refugiados do Oriente Médio na travessia para a Europa, também deu um comentário extremamente infeliz:
"No campo das deduções e de acordo com o meu pensamento, penso que aqueles que estão hoje, de volta à Europa, são os antigos colonizadores que deixaram, até hoje, a América Latina na miséria.
Como foi negado todo o direito aos seus residentes, como aculturaram os selvícolas, destruindo culturas veneráveis, pela Lei de Causa e Efeito aqueles estão retornando hoje à pátria, no estado de miséria, e que ameaçam os próprios países de onde saíram, para, um dia, buscarem a fortuna para o conforto europeu".
Se valendo de seu prestígio religioso, Divaldo Franco feriu com palavras doces, como uma mancenilheira de palavras com sabor de mel mas que atingem feito um punhal dos mais afiados as costas de alguém.
Imagine o sacrifício que muitos cidadãos, não suportando mais viver em áreas de conflitos bélicos dos mais violentos, com bombas e mísseis capazes de cair em qualquer residência, atingindo dezenas de pessoas diariamente, terem, portanto, que se mudar para a Europa, onde esperam ter um mínimo de paz e dignidade, não raro enfrentando tragédias e dificuldades extremas.
Consta-se que cerca de 423 crianças, talvez mais, morreram nessa travessia longa, demorada e feita em muitas etapas. O menino Aylan Kurdi, de três anos, o da foto desta postagem, é um desses exemplos e cujo corpo, encontrado no Mediterrâneo, chocou o mundo inteiro, criando uma grande comoção sobre o drama dos refugiados.
Se considerarmos o juízo de valor de Divaldo Franco, beneficiado pelo confortável status do prestígio religioso, que lhe dá o aparente privilégio de sabedoria, sensatez e humanidade - em um DVD, Divaldo é classificado no título como "humanista" - , o pobre menino teria sido um sanguinário colonizador que tinha prazer de mandar condenados para se afogarem em alto mar.
Que fundamento Divaldo Franco teve para fazer tal acusação? Nenhum, pelo fato dele ter tido formação roustanguista e ser um grave deturpador da Doutrina Espírita, incompetente quanto ao rigor da Ciência Espírita. Além disso, se preocupar com uma encarnação antiga e já superada, de uns mais de 500 anos, é uma leviandade sem tamanho.
A declaração demonstra a soberba de alguém que há muito faz palestras para gente rica e se compraz com uma visão eurocêntrica que revela o temor de uma Europa descaraterizada por pessoas erroneamente associadas ao terrorismo. Muito poucas pessoas que fogem dos países do Oriente Médio são ameaçadoras. A coisa é muito diferente, por exemplo, do que se fez no Brasil colonial, quando bandidos, arruaceiros e outras pessoas desagradáveis foram jogadas para cá por Portugal.
São pessoas praticamente sem condições financeiras expressivas, famílias não raro numerosas, indivíduos recorrendo a seu próprio sacrifício, de fugirem para a Europa, andando quilômetros de distância, se instalando em sucessivos alojamentos, enfrentando embarcações apertadas, com a alma triste e traumatizada.
É possível que Divaldo Franco peça desculpas pelo comentário infeliz e, naquele seu discurso, dizer que os refugiados "merecem toda consideração". Mas aí é tarde demais. Afinal, a cada vez mais os palestrantes "espíritas" primeiro fazem comentários e alegações cruéis, para depois pedirem desculpas. Como se não bastasse traírem os ensinamentos de Allan Kardec o tempo inteiro e depois se autoproclamarem "rigorosamente fiéis" a ele.
O prestígio religioso não pode permitir tais julgamentos. Ninguém está acima de tudo. O "amor" do "movimento espírita" não pode estar acima da Lógica e do Bom Senso. Não há como promover a fraternidade do Bom Senso com o Contrassenso e usar conceitos duvidosos, refutados por Kardec, como "resgates coletivos" (uma multidão vista como "gado expiatório" de ocorrências infelizes e, por vezes, funestas).
Na verdade, a sociedade paga um preço caríssimo por se apegar às paixões religiosas e dar crédito aos deturpadores do Espiritismo, que usam a "caridade" e todo um artifício de belas palavras e uma filantropia que nunca ajudou de verdade - a Mansão do Caminho de Divaldo Franco não ajudou 0,1% da população brasileira e ele é "o maior filantropo do Brasil"? - e que serve mais para a promoção pessoal dos supostos médiuns, já beneficiados pelo culto à personalidade.
segunda-feira, 17 de abril de 2017
domingo, 16 de abril de 2017
Por que o "espiritismo" brasileiro atraiu energias maléficas
TABULEIRO OUIJA E A SUPOSTA MEDIUNIDADE DE CHICO XAVIER - O mesmo entretenimento fútil e sensacionalista.
O "espiritismo" brasileiro é uma religião negativamente peculiar. Diferente das religiões católica e evangélica, que podem ser mistificadoras mas são honestas em sua estrutura doutrinária, o "espiritismo" brasileiro tem a marca da dissimulação: pratica igrejismo barato e mediunidade de faz-de-conta, mas diz que "mantém respeito rigoroso" aos postulados kardecianos.
Com DNA roustanguista, ou seja, com sua estrutura doutrinária fundamentada no igrejismo medieval de Jean-Baptiste Roustaing, o "espiritismo" feito no Brasil está pagando o preço caro de suas contradições, e a "fase dúbia" está vivendo a mais aguda crise, depois que ela se instituiu após a morte do ex-presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas.
O legado de Wantuil continuou. Ele criou o mito de Chico Xavier, quando o suposto médium Francisco Cândido Xavier, um católico ortodoxo, de crenças medievais próprias de caipira do interior, afirmou possui paranormalidade. Foi como se Wantuil tivesse investido na criação de um popstar, alçado para popularizar uma doutrina já desfigurada, que nada tinha da essência original das obras do pedagogo francês Allan Kardec.
A desonestidade doutrinária do "espiritismo", que depois de assumir um roustanguismo entusiasmado, a ponto de forjar falsas mensagens espirituais de um caricato "Allan Kardec" falando como se fosse um padre brasileiro e pedindo para conhecer "a Revelação da Revelação" (subtítulo de Os Quatro Evangelhos de Roustaing), passou a prometer "rigor absoluto" aos postulados kardecianos, atraiu espíritos levianos, identificados com todo tipo de dissimulação.
A mediunidade de faz-de-conta, que faz supostos mortos "pensarem" e "escreverem" igual ao "médium" de ocasião, o igrejismo velho calcado no jesuitismo do Brasil-colônia, as tentativas de desmentir e omitir atitudes e posturas gravíssimas adotadas por seus praticantes, alguns deles palestrantes tidos como de "mais alto gabarito", tudo isso transformou o "espiritismo" numa doutrina com energias maléficas.
Nem passando debaixo de escada ou quebrando espelhos se consegue tamanho azar. E, coitados dos gatos pretos, que podem ser adoráveis e fontes de muita boa sorte, tidos injustamente como animais de mau agouro! Ler, por exemplo, um livro de Emmanuel vale, não obstante, um azar dos mais graves, e não raro uma simples adoração a Chico Xavier por uma exposição de meia-hora pode significar um azar de uma vida inteira!
Os seguidores do "espiritismo" se chocam quando se chega a essa constatação. Mesmo alguns críticos da deturpação da Doutrina Espírita acham isso "um exagero". Não raro se vê gente comentando: "Que o espiritismo no Brasil é igrejista, mistificador e ritualista, tudo bem, mas não acho que isso cause azar", apelando para a culpabilidade da vítima pelo azar contraído.
Mas muitas vezes esse azar vem do nada. Os infortunados fazem sua parte: vão para uma "casa espírita" com o melhor dos humores. Assistem com paciência doutrinárias que soam maçantes, esperam longas filas para recorrer ao auxílio fraterno, vêm de lugares distantes para fazer tratamentos espirituais, seguem todas as recomendações, prestam respeito aos figurões "espíritas", se envolvem em bons sentimentos e obtém simpatia.
Portanto não é a vítima que é culpada pelo azar. É muito fácil acusar a vítima de sofrimento de ser culpada pelo seu próprio mal. O sofredor faz sua parte para superar suas aflições, e até evita suicídio, embora os "espíritas" pensem que se suicide por pura diversão, talvez para ver se a faca está afiada ou se a bala de revólver pergura mesmo o corpo humano.
O "espiritismo" é que não faz sua parte. E a doutrina já começou infectada de más energias, que fez a seita brasileira ser tomada de espíritos atrasados de várias espécies: uns vindo das elites do Império Romano, outros das tirânicas fileiras católicas da Idade Média, outros do jesuitismo autoritário e sociopata do Brasil-colônia e outros do período macartista dos EUA.
TÁBUA OUIJA
São energias maléficas trabalhadas por ações dissimuladas ou fingidas, e por posturas retrógradas tomadas. Uma "mediunidade" em que, na prática, o "médium" fala pelos mortos - não na saudável metáfora do porta-voz, mas pelo pastiche e pela imitação grosseiras que desrespeita a individualidade alheia - , acaba equivalendo à prática perigosa da Tábua Ouija que entretinha levianamente muitas pessoas.
Sim. Chico Xavier e Divaldo Franco, e, mais recentemente, João de Deus, entre tantos outros, acabam rebaixando a mediunidade a uma diversão fútil e extremamente perigosa nos níveis da Tábua Ouija, em que pessoas pediam para copos e mesas se moverem para ver se são os espíritos do além-túmulo, popularmente conhecidos como "fantasmas", estão dando algum recado.
O que se vê, em espetáculos "mediúnicos" como os que marcaram a trajetória de Chico Xavier, ele mesmo uma personalidade sem um pingo de confiabilidade e que, em fotos mais antigas, mostrava claramente seu semblante pesado e diabólico, algo que o anti-médium baiano teve que esconder através dos óculos escuros, porque, sem eles, o olhar do "médium" poderia até matar alguém, de tão maligno.
Quanta ambição arrivista, quantas confusões armadas, quanta mistificação, quanto conservadorismo, quanta leviandade! E os espetáculos "mediúnicos", que as pessoas estão acostumadas a ver como atividades "saudáveis" de "solidariedade" e "humildade" porque os noticiários da Rede Globo - a atuação da Globo na reciclagem do mito de Chico Xavier, para enfrentar os "pastores eletrônicos" neopentecostais, não pode ser ignorada - , se tornaram passatempos fúteis e levianos.
Primeiro, porque evoca-se um morto sem muita necessidade, e na ostentação de plateias numa "casa espírita". Chama-se um morto, mas ele não pode se manifestar, porque o "médium" é que se manifesta em nome dele. Cria-se muito sensacionalismo, e há também as paixões igrejeiras que só complicam as coisas, criando um sentimentalismo exagerado, mórbido, alucinado.
O "espiritismo" virou, portanto, uma mera diversão fútil, um balé de palavras bonitas, um desfile de estórias de gente que sofreu derrotas pesadas na vida, obteve bênçãos e viveu feliz, arremedos grotescos dos contos de fadas da infância. Livros "espíritas" cheios de erros históricos grotescos, romances "espíritas" ruins, livros "científicos" cheios de invencionices, pedantismo e esoterismo, em que se encontra mais Horóscopo do que a verdadeira Filosofia.
E tudo isso gerando também uma orgia religiosa. Muitos ignoram que as paixões religiosas podem revelar uma morbidez psicológica semelhante à das orgias do sexo, do dinheiro e das drogas. Quantas trevas se vê nas "casas espíritas" do espetáculo sensacionalista da pretensa mediunidade, diferente dos serviços mediúnicos dos tempos de Kardec. E que masturbação com os olhos se observa no recreio das comoções fáceis diante da água-com-açúcar dos dramalhões "espíritas"!
Essa "atmosfera" não afasta os espíritos inferiores, mesmo os maléficos. Os faz apenas se controlarem, como aquelas pessoas que ficam humilhando os outros na Internet e, pessoalmente, se comportam de maneira civilizada nos eventos sociais. Quantos mafiosos também não se comportaram de maneira elegante em festas de gala! E os espíritos inferiores são os que mais gostam de palavras adocicadas, melodias melífluas e igrejismo piegas, bem mais do que possamos imaginar.
O "espiritismo" brasileiro é uma religião negativamente peculiar. Diferente das religiões católica e evangélica, que podem ser mistificadoras mas são honestas em sua estrutura doutrinária, o "espiritismo" brasileiro tem a marca da dissimulação: pratica igrejismo barato e mediunidade de faz-de-conta, mas diz que "mantém respeito rigoroso" aos postulados kardecianos.
Com DNA roustanguista, ou seja, com sua estrutura doutrinária fundamentada no igrejismo medieval de Jean-Baptiste Roustaing, o "espiritismo" feito no Brasil está pagando o preço caro de suas contradições, e a "fase dúbia" está vivendo a mais aguda crise, depois que ela se instituiu após a morte do ex-presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas.
O legado de Wantuil continuou. Ele criou o mito de Chico Xavier, quando o suposto médium Francisco Cândido Xavier, um católico ortodoxo, de crenças medievais próprias de caipira do interior, afirmou possui paranormalidade. Foi como se Wantuil tivesse investido na criação de um popstar, alçado para popularizar uma doutrina já desfigurada, que nada tinha da essência original das obras do pedagogo francês Allan Kardec.
A desonestidade doutrinária do "espiritismo", que depois de assumir um roustanguismo entusiasmado, a ponto de forjar falsas mensagens espirituais de um caricato "Allan Kardec" falando como se fosse um padre brasileiro e pedindo para conhecer "a Revelação da Revelação" (subtítulo de Os Quatro Evangelhos de Roustaing), passou a prometer "rigor absoluto" aos postulados kardecianos, atraiu espíritos levianos, identificados com todo tipo de dissimulação.
A mediunidade de faz-de-conta, que faz supostos mortos "pensarem" e "escreverem" igual ao "médium" de ocasião, o igrejismo velho calcado no jesuitismo do Brasil-colônia, as tentativas de desmentir e omitir atitudes e posturas gravíssimas adotadas por seus praticantes, alguns deles palestrantes tidos como de "mais alto gabarito", tudo isso transformou o "espiritismo" numa doutrina com energias maléficas.
Nem passando debaixo de escada ou quebrando espelhos se consegue tamanho azar. E, coitados dos gatos pretos, que podem ser adoráveis e fontes de muita boa sorte, tidos injustamente como animais de mau agouro! Ler, por exemplo, um livro de Emmanuel vale, não obstante, um azar dos mais graves, e não raro uma simples adoração a Chico Xavier por uma exposição de meia-hora pode significar um azar de uma vida inteira!
Os seguidores do "espiritismo" se chocam quando se chega a essa constatação. Mesmo alguns críticos da deturpação da Doutrina Espírita acham isso "um exagero". Não raro se vê gente comentando: "Que o espiritismo no Brasil é igrejista, mistificador e ritualista, tudo bem, mas não acho que isso cause azar", apelando para a culpabilidade da vítima pelo azar contraído.
Mas muitas vezes esse azar vem do nada. Os infortunados fazem sua parte: vão para uma "casa espírita" com o melhor dos humores. Assistem com paciência doutrinárias que soam maçantes, esperam longas filas para recorrer ao auxílio fraterno, vêm de lugares distantes para fazer tratamentos espirituais, seguem todas as recomendações, prestam respeito aos figurões "espíritas", se envolvem em bons sentimentos e obtém simpatia.
Portanto não é a vítima que é culpada pelo azar. É muito fácil acusar a vítima de sofrimento de ser culpada pelo seu próprio mal. O sofredor faz sua parte para superar suas aflições, e até evita suicídio, embora os "espíritas" pensem que se suicide por pura diversão, talvez para ver se a faca está afiada ou se a bala de revólver pergura mesmo o corpo humano.
O "espiritismo" é que não faz sua parte. E a doutrina já começou infectada de más energias, que fez a seita brasileira ser tomada de espíritos atrasados de várias espécies: uns vindo das elites do Império Romano, outros das tirânicas fileiras católicas da Idade Média, outros do jesuitismo autoritário e sociopata do Brasil-colônia e outros do período macartista dos EUA.
TÁBUA OUIJA
São energias maléficas trabalhadas por ações dissimuladas ou fingidas, e por posturas retrógradas tomadas. Uma "mediunidade" em que, na prática, o "médium" fala pelos mortos - não na saudável metáfora do porta-voz, mas pelo pastiche e pela imitação grosseiras que desrespeita a individualidade alheia - , acaba equivalendo à prática perigosa da Tábua Ouija que entretinha levianamente muitas pessoas.
Sim. Chico Xavier e Divaldo Franco, e, mais recentemente, João de Deus, entre tantos outros, acabam rebaixando a mediunidade a uma diversão fútil e extremamente perigosa nos níveis da Tábua Ouija, em que pessoas pediam para copos e mesas se moverem para ver se são os espíritos do além-túmulo, popularmente conhecidos como "fantasmas", estão dando algum recado.
O que se vê, em espetáculos "mediúnicos" como os que marcaram a trajetória de Chico Xavier, ele mesmo uma personalidade sem um pingo de confiabilidade e que, em fotos mais antigas, mostrava claramente seu semblante pesado e diabólico, algo que o anti-médium baiano teve que esconder através dos óculos escuros, porque, sem eles, o olhar do "médium" poderia até matar alguém, de tão maligno.
Quanta ambição arrivista, quantas confusões armadas, quanta mistificação, quanto conservadorismo, quanta leviandade! E os espetáculos "mediúnicos", que as pessoas estão acostumadas a ver como atividades "saudáveis" de "solidariedade" e "humildade" porque os noticiários da Rede Globo - a atuação da Globo na reciclagem do mito de Chico Xavier, para enfrentar os "pastores eletrônicos" neopentecostais, não pode ser ignorada - , se tornaram passatempos fúteis e levianos.
Primeiro, porque evoca-se um morto sem muita necessidade, e na ostentação de plateias numa "casa espírita". Chama-se um morto, mas ele não pode se manifestar, porque o "médium" é que se manifesta em nome dele. Cria-se muito sensacionalismo, e há também as paixões igrejeiras que só complicam as coisas, criando um sentimentalismo exagerado, mórbido, alucinado.
O "espiritismo" virou, portanto, uma mera diversão fútil, um balé de palavras bonitas, um desfile de estórias de gente que sofreu derrotas pesadas na vida, obteve bênçãos e viveu feliz, arremedos grotescos dos contos de fadas da infância. Livros "espíritas" cheios de erros históricos grotescos, romances "espíritas" ruins, livros "científicos" cheios de invencionices, pedantismo e esoterismo, em que se encontra mais Horóscopo do que a verdadeira Filosofia.
E tudo isso gerando também uma orgia religiosa. Muitos ignoram que as paixões religiosas podem revelar uma morbidez psicológica semelhante à das orgias do sexo, do dinheiro e das drogas. Quantas trevas se vê nas "casas espíritas" do espetáculo sensacionalista da pretensa mediunidade, diferente dos serviços mediúnicos dos tempos de Kardec. E que masturbação com os olhos se observa no recreio das comoções fáceis diante da água-com-açúcar dos dramalhões "espíritas"!
Essa "atmosfera" não afasta os espíritos inferiores, mesmo os maléficos. Os faz apenas se controlarem, como aquelas pessoas que ficam humilhando os outros na Internet e, pessoalmente, se comportam de maneira civilizada nos eventos sociais. Quantos mafiosos também não se comportaram de maneira elegante em festas de gala! E os espíritos inferiores são os que mais gostam de palavras adocicadas, melodias melífluas e igrejismo piegas, bem mais do que possamos imaginar.
sábado, 15 de abril de 2017
Por que no Brasil os privilegiados acham que podem tudo?
O que tem em comum Michel Temer, Fernando Collor, Guilherme de Pádua, Alexandre de Moraes, Luciano Huck, Jair Bolsonaro, Aécio Neves, Jaime Lerner, Sérgio Moro, a CIA, Divaldo Franco, George Soros, os irmãos Marinho das Organizações Globo, entre outros?
Eles são alguns dos privilegiados que acham que, de alguma forma, podem tudo. Hoje vivemos o auge, ou talvez o canto-de-cisne, desses privilegiados que vivem a ilusão de poderem passar por cima de escândalos e ter um prestígio acima de seus erros. Todos acham que o Céu está garantido a eles e que nada irá deter seus privilégios e benefícios.
Há muito alertamos para a supremacia do status quo, o "alto da pirâmide" que agora sofre um incêndio devastador. Em primeiro momento, as elites detentoras de privilégios contam com garrafas de água para apagarem seus incêndios, até que o estoque se acabe e, por engano, recorram a uma garrafa de querosene ou água inflamável para jogarem o líquido na fogueira.
Os privilégios são diversos. Desde o porte de arma, que faz do assassino rico um "deus" que impõe tragédias aos outros e não pode sofrer a sua, até o prestígio religioso, que forja pretensos sábios diante da coreografia fácil das palavras bonitas. Mas outros privilégios, mais conhecidos, como a fama, a fortuna, o diploma, a visibilidade, a tecnocracia, o carisma, a política etc, também revelam essa situação dos "que podem tudo".
É um Brasil que, na Academia Brasileira de Letras, que deveria ser a instituição máxima da intelectualidade literária, conta com uma nulidade como Merval Pereira, que só entrou lá pelo lobby da Rede Globo. E que, na alta corte do Supremo Tribunal Federal, que deveria ser o órgão máximo de regulação das leis brasileiras, há figuras mesquinhas como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.
Vivemos a crise do "alto da pirâmide", que poucos levam a sério. E que faz com que as elites saiam do armário e adotem posturas e posições antissociais, o que fez com que pessoas antes de alto prestígio como a atriz Regina Duarte, o publicitário Nizan Guanaes, o empresário Flávio Rocha (dono da rede de lojas de moda Riachuelo), o roqueiro Lobão (que teve sua música "Me Chama" gravada por João Gilberto), e, recentemente, o navegador Amyr Klink.
Na carona desse surto desumano, nem Divaldo Franco escapou. Numa entrevista após um "congresso espírita", ele acusou os pobres refugiados do Oriente Médio de terem sido "tiranos colonizadores" em outras vidas, insensível ao esforço de pessoas e até famílias de saírem de áreas em guerra. Mas que diferença tem um Divaldo Franco acusando refugiados de serem tiranos e seu conterrâneo da Bahia, Nizan Guanaes, pedindo para Michel Temer trabalhar contra o povo brasileiro?
As pessoas ainda estão iludidas. É assustador que, nas ruas das regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo, as pessoas estejam tão despreocupadas que parecem viver anos dourados, com uma felicidade acima do normal que as faz se manterem na euforia consumista e festeira como se vivessem os melhores dias de todos os tempos.
Elas não sabem que a catástrofe sócio-política está à sua porta. Há uma espécie de "tsunami social" que atingirá tudo e todos e é ilustrativo que, um ano depois das manifestações "contra a corrupção" que derrubaram Dilma Rousseff, a lista de suspeitos de esquemas de corrupção política divulgados pelo procurador Rodrigo Janot com base em delações da Odebrecht é ilustrativa.
Evidentemente, a coisa ainda não se resolverá. A crença de que "aventureiros" como Jair Bolsonaro possam chegar ao poder é muito grande e grave. A histeria cega de muitos brasileiros ditos "revoltados", iludidos por acreditarem que um "aventureiro" político possa "salvar o Brasil" (foi essa ilusão que gerou governos autoritários e sanguinários pelo mundo afora), preocupa.
Mas se até Jair Bolsonaro é citado em delações, como um dos beneficiados do escândalo de Furnas - o maior episódio de corrupção envolvendo o senador Aécio Neves - , não bastasse os crimes que ele fez em incitação ao estupro e ao racismo, a coisa então está muito, muito feia.
Na cultura, com movimentos cada vez mais decadentes de música brasileira e com o império das subcelebridades, na mobilidade urbana, com os ônibus "padronizados", todos iguaizinhos, escondendo a corrupção das empresas de ônibus ocultas pela "pintura de consórcio", nas redes sociais, com a atuação de "fascistas mirins" cometendo cyberbullying e criando páginas ofensivas contra seus desafetos.
O Brasil terá que rever muito e muito os prestígios sociais. Se um ídolo religioso usa seu prestígio para fazer juízo de valor contra miseráveis, então nem isso está a salvo de qualquer desgaste nas altas posições da pirâmide social. E se hoje empresários e políticos começam a se desgastar em escândalos de corrupção, juristas, religiosos e empresários de mídia, também dotados de muitos graves defeitos, também chegarão ao ponto de não empurrarem mais seus escândalos com a barriga.
Será um processo de convulsões do "alto", e é bom que as pessoas tenham que mudar suas percepções, seus sonhos, suas perspectivas, de forma a abandonar, se preciso, antigos ídolos, antigos totens, antigos dogmas. Depois que as elites, em 2016, tentaram uma volta para 1974, nota-se que o alto da pirâmide social, no Brasil ou nos setores estrangeiros aqui influentes (como no caso do especulador George Soros), está corroendo de mofo e cupins, além de sofrer um grave incêndio.
Se as pessoas não abrirem mão de velhos totens e dogmas, é bem provável que um grande trauma virá, porque não dá para retroceder o tempo, como os arautos da terceirização e das reformas trabalhista e previdenciária do retrógrado governo Michel Temer querem. Querer voltar a sociedade para parâmetros sociais de 1974, com alguns aspectos de República Velha ou Brasil-colônia, é querer forçar uma volta ao passado que não faz sentido hoje em dia.
sexta-feira, 14 de abril de 2017
A diferença entre noção do erro e consciência do erro
Há uma grande diferença entre a noção do erro e a consciência do erro. Muitos dizem assumir que erraram, mas o que fazem é apenas ter noção do erro, mas não consciência dele. Mesmo afirmando que erraram, não querem sofrer os efeitos de seus atos equivocados e de suas decisões desastradas, não raro com consequências funestas aqui e ali.
O "espiritismo" é um exemplo ilustrativo, embora se veja exemplos de mera noção de erro entre aqueles que pertencem a elites abastadas e cometem crimes graves, como corrupção e assassinato. Diz-se, diante da constatação de culpa, que as pessoas "erraram" e "erraram muito", mas isso é insuficiente para livrar as pessoas dos efeitos de seus atos danosos.
Os "espíritas", que desde o começo optaram pelo igrejismo de Jean-Baptiste Roustaing, estão pagando o preço de tantas atitudes equivocadas, confusas, contraditórias e desastradas. O que há de palestrante e escritor "espírita" dizendo "nós somos os que mais erram", citando até a máxima de Jesus, "quem nunca errou que atire a primeira pedra", é de uma frequência surpreendente.
Aliás, o próprio fato de usar um ensinamento de Jesus revela arrogância. Afinal, o bordão "quem nunca errou na vida?" repercutiu mal de tal maneira que virou mais propaganda do erro do que algum esboço de arrependimento. que já tem gente começando a falar frases irônicas dizendo "lá vem o quenunca". E usar Jesus para essa verdadeira combinação de vitimismo e arrogância é dose para os leões das arenas romanas.
Em muitos casos, a pessoa que diz que "sabe que errou" é como um competidor que, denunciado por trapaça, não quer ser desclassificado. "Sei, fiz trapaça. Foi feio. Desculpem", diz o trapaceiro, na esperança de continuar como virtual campeão da prova, ou próximo disso.
Quantas pessoas "assumem seus erros" para não perder privilégios aqui e ali. A noção de erro nem de longe consiste numa demonstração de humildade, porque é apenas um esforço desesperado da pessoa que errou não ser responsabilizada pelos danos causados.
Os "espíritas", que mergulharam fundo na deturpação, não querem se afogar no mar de igrejismo. Apavorados, passam a bajular todo mundo: ateus, ativistas sociais, esquerdistas, religiosos de personalidade mais arrojada, pedagogos etc etc etc.
Metidos em sérias contradições, os "espíritas" estão tão perdidos na "floresta escura" da deturpação que a única solução que têm em mãos é justamente aquela que foi adotada há quatro décadas e que resultou na "fase dúbia" e suas contradições que provocam essa crise. É como se usasse a própria doença para curar os seus sintomas.
Pois foi na "fase dúbia" do "movimento espírita", surgida após a morte do ex-presidente da FEB, Antônio Wantuil de Freitas, que também se falou nos erros da deturpação da Doutrina Espírita, que geraram escândalos graves, e seus membros prometeram se esforçar na recuperação das bases doutrinárias de Allan Kardec.
E ai tudo se resultou nesse cenário que temos. Gente praticando igrejismo e dizendo que é "fiel a Kardec". Gente defendendo ideias que Kardec reprovaria, mas cobrando "coerência aos princípios da Codificação". Gente bajulando Erasto, mas contraditoriamente exaltando Emmanuel.
E aí, quando se critica os "espíritas", eles choramingam, dizem que "falharam", baixam a cabeça em silêncio esperando que alguma mão lhes passasse na cabeça, já que os "espíritas", mesmo deturpadores, têm sua imagem voltada ao "bom mocismo".
A noção de ter cometido um erro difere da consciência do erro porque esta pressupõe humildade e aceitação dos efeitos danosos para si. O sujeito que admite realmente um erro sabe dos prejuízos que causou, deixa de cometer o erro com a exata consciência do mal cometido. Já o sujeito que apenas diz que "reconhece seus erros", sem demonstrar um remorso de verdade, é aquele que não quer sofrer os efeitos do prejuízo causado.
O sujeito que realmente admite seu erro é um perdedor que assumiu sua derrota. O sujeito que apenas diz que "errou", como quem pergunta "quem nunca errou na vida?", é o competidor que não quer perder nem ser desclassificado.
E nós vemos o quanto os "espíritas" não querem perder a posse da palavra final. Roustanguistas nunca assumidos, acham que podem ser mais kardecianos que o próprio Kardec. Cometendo sérias e gravíssimas contradições, não querem sofrer os efeitos de suas posturas dúbias, nas quais dizem uma coisa ou fazem outra, ou dizem uma coisa e dizem outra.
Quão vergonhoso, por exemplo, é evocar o rigor metodológico de O Livro dos Médiuns e depois migrar para as invencionices delirantes de Nos Domínios da Mediunidade. Ou praticar o igrejismo para depois exaltar a ciência. Só um desfile de palavras bonitas e textos enfeitados com "boas mensagens" torna-se inútil, quando tudo isso é feito para acobertar um engodo de ideias sem nexo, contrárias à lógica e feitas ao capricho de fantasias igrejeiras.
O amor não pode servir para unir o bom senso ao contrassenso. Não dá para promover a fraternidade entre a Lógica e a Mistificação. Se fosse assim, então teríamos que obter a conciliação da inteligência com a burrice, e estaríamos vivendo numa completa estupidez, contradizendo tudo aquilo que se diz ou faz antes e ainda estufar o peito e falar em "coerência espírita".
quinta-feira, 13 de abril de 2017
O maior drama dos "espíritas" brasileiros
O "movimento espírita" brasileiro fez o que quis com o legado de Allan Kardec e continua fazendo. Desfigura seus postulados com igrejismo extremado e, mesmo assim, se arroga em se autoproclamar "absolutamente fiel" aos ensinamentos kardecianos.
A falsa sabedoria, a presunção de posse da verdade, o moralismo, a ilusão de se achar que sabe tudo, esses vícios todos não são privilégio de "casas espíritas" de quinto escalão, mas de gente tida como "tarimbada", "sábia" e "verdadeira unanimidade".
É só perceber, por exemplo, a grande aberração dos "médiuns" que se dotam de culto à personalidade. Muita gente ingênua imagina que o "culto à personalidade" se limita só às pessoas que adotam postura agressiva e riem como se fossem candidatos políticos se achando vencedores por antecipação.
Não. O trabalho de médium foi deturpado violentamente por pessoas que oficialmente são tidas como "sábias" e "do mais elevado caráter". Nos tempos de Allan Kardec, médium era apenas um ofício eventual de aristocratas modestos que apenas faziam a tarefa de se comunicar com os mortos e transmitir mensagens deles aos interessados em recebê-las.
Os médiuns do tempo de Kardec eram discretíssimos, quase anônimos. Mas o que vieram a ser "médiuns" no Brasil têm o maior cartaz, alimentam o sensacionalismo, se aproveitam do assistencialismo (um tipo de atitude socialmente condenável, por ser uma "caridade" tendenciosa) e dos apelos à emoção (Ad Passiones, tipo de falácia) para convencer com surpreendente facilidade a opinião pública.
Infelizmente, esse trabalho de manipulação foi bem-sucedido. Tanto que os "médiuns" viraram as maiores vitrines da deturpação do "movimento espírita", garotos-propaganda do igrejismo manifesto propositalmente em livros, até porque ninguém deturpa o Espiritismo sem querer com centenas de livros e palestras.
Os brasileiros se esqueceram dos alertas do espírito Erasto, sobre o fato de que os deturpadores farão apelos "em prol do amor e da caridade" para convencer as pessoas a aceitar suas ideias mistificadoras. Em vez disso, invertem os avisos do discípulo de Paulo de Tarso, alegando que "é certo que eles entendem mal o legado de Kardec, mas pelo menos praticam bondade".
É aquela coisa de prestar um mau serviço e depois apelar para uma aparente filantropia, que pouco realiza na transformação das pessoas. É um trabalho medíocre, que só serve de propaganda para o prestígio religioso dos anti-médiuns, é uma "caridade" mais para estimular a adoração dos fanáticos do que para realizar algum benefício porque, se tivesse causado, o Brasil não estaria nesta catástrofe social que hoje se vive.
Os deslumbrados seguidores dos "médiuns" até tentam separar a caridade da qualidade de vida, como se caridade não tivesse responsabilidade de trazer a prosperidade sócio-econômica das pessoas. Como assim? Caridade melhora a vida das pessoas ou não melhora? É uma grave contradição que desmascara a idolatria barata que elas sentem aos "médiuns" brasileiros.
ILUSÃO DE PRETENSA SABEDORIA E POSSE DA VERDADE
O grande mal do "espiritismo" como um todo é a ilusão de superioridade que corrompeu a doutrina, já manchada pela deturpação igrejista, com uma catolicização que no conjunto da obra desqualifica os ensinamentos kardecianos.
A "fase dúbia" não resolveu a situação e a ideia de criar um falso equilíbrio entre o igrejismo "espírita" - herdado de Jean-Baptiste Roustaing - e um suposto respeito aos postulados kardecianos, só fez piorar as coisas. Muitas vezes o igrejismo predominava na prática, por mais que, na teoria e nas letras "desencarnadas", se apele para o "respeito rigoroso aos ensinamentos da Codificação".
O maior drama do "movimento espírita" tornou-se a ilusão de pretensa sabedoria e posse da verdade. Os juízos de valor aos sofrimentos alheios, sob a desculpa dos "reajustes espirituais", já causaram danos morais e processos na Justiça. A pretensa sabedoria cria aberrações como os livros "Divaldo Responde" que não raro apontam "pretensas certezas" que depois são desmentidas sem dificuldade.
Palestrantes "espíritas" que num momento estufam o peito, "cobrando coerência de conduta" aos outros e, quanto a si, se considerando "exemplos de lucidez", se embaraçam depois e tentam desmentir o tempo todo o que disseram, e, na última esperança de não perder a posse da verdade, admitem que "erraram" como se isso lhe garantisse o passaporte para o Céu por tão tendenciosa mea culpa.
Esses palestrantes, em primeiro momento, são rígidos e taxativos na defesa do sofrimento alheio. "Aceite o sofrimento sem queixumes, ame o seu próprio prejuízo, porque assim obterá as graças futuras". Mas, depois, tentam enrolar dizendo que "não defendiam o sofrimento", que "queriam dizer apenas" que "as dificuldades extremas são desafios e aprendizados".
Esse drama, que revela a crise aguda da "fase dúbia" do "movimento espírita", causa um enorme desespero. "Espíritas" que faziam altos elogios a Emmanuel, ao igrejismo e à Teologia do Sofrimento agora apelam até para Paulo Freire, para espíritas autênticos como Deolindo Amorim, José Herculano Pires, Carlos Imbassahy, tentando se salvar da decadência.
Recorrendo aos mesmos apelos que geraram a "fase dúbia", o que indica que o "movimento espírita" hoje corre atrás do próprio rabo, seus palestrantes e escrevinhadores tentam evocar espíritas autênticos na tentativa de se salvarem da má reputação de deturpadores, e no pânico de perderem a credibilidade que obtém em suas bem remuneradas palestras e lucrativos livros, todos em tese "destinados à caridade".
A situação está insustentável, principalmente quando a única solução cai sempre na "fase dúbia", que é bajular Kardec e praticar igrejismo. Combater a deturpação e recuperar os postulados originais do Espiritismo já foi uma promessa de 40 anos atrás. Não deu certo e causou problemas. Usar a fórmula fracassada como solução dará sempre na mesma coisa. Não seria melhor os "espíritas" brasileiros, ao menos, assumirem seu vínculo com as ideias de Jean-Baptiste Roustaing?
quarta-feira, 12 de abril de 2017
O perigo que o "espiritismo" brasileiro representa até na crise
O "espiritismo" brasileiro está numa séria crise, mas nem por isso a doutrina igrejeira deixa de oferecer perigo. O Brasil é refém dos deturpadores que controlam a Doutrina Espírita e mesmo seu discurso de "fraternidade" não pode atenuar seu caráter traiçoeiro e mesquinho.
O desespero com que os palestrantes e ideólogos "espíritas" sofrem, com aquilo que entendem como a perda da posse da verdade e a perda do passaporte para o Céu, os faz apelar para tudo. Passam a exaltar os ativistas sociais autênticos, bajulam também os espíritas autênticos, e, acuados, ainda fazem falsas promessas de que "entendem seus erros e por isso irão aprender melhor a obra de Allan Kardec".
Foi esse papo furado que fez com que o "movimento espírita" entrasse na "fase dúbia" que, diante das pressões de um neo-roustanguismo calcado na Teologia do Sofrimento, não quer arredar a área. A demagogia de fingir assumir os erros e prometer "estudar Kardec" é a falácia usada principalmente por "grandes espíritas" que, na véspera, se achavam com a "verdade" em suas mãos.
A ideia é correr atrás do próprio rabo e fazer com que a deturpação se "resolva" mantendo a deturpação. Os "espíritas" seguem o vício brasileiro de ficar usando desculpa para tudo. Criam tantas contradições que se contradizem até quando tentam resolver - ou dizer que resolverão - as próprias contradições.
No primeiro momento, alegam que seu "espiritismo" é catolicizado por causa das "afinidades com os ensinamentos cristãos". Noutro, acham que exageraram na dose e prometem "entender melhor a ciência espírita". Num dia se acham seguros de seus pontos de vista. No outro, alegam que são "falíveis". Mas, no fundo, sempre arrumam rodeios para ficarem com a palavra final e se livrarem de qualquer impasse.
Temos que questionar até quando palavras como "amor", "caridade" e "fraternidade" saltam nas retóricas "espíritas". Isso porque nós preferimos o ódio a essas belas qualidades? Não, até porque, no fundo, a Teologia do Sofrimento que tanto ocupa os postulados dos "espíritas" brasileiros, mais próximos do imperador Constantino do que de Kardec, já começa a pregar o "remédio acima da dose", rogando ao sofredor uma cruz maior do que suas capacidades.
Essa overdose de desgraças que os "espíritas" tão sorridentemente defendem, alegando que o sofrimento de décadas é "pequeno" diante das "bênçãos à espera na eternidade", cria mais condições de ódio, já que o sofredor, além de encarar sobressaltos, frustrações, empecilhos e ameaças constantes, sem poder controlar seu próprio destino, perde qualquer motivação para ter paciência ou esperança para qualquer coisa.
A hipocrisia que representa a "fase dúbia" do "movimento espírita" e todo seu espetáculo de palavras bonitas se revela, infelizmente, o sucesso pleno daqueles que usurparam o legado kardeciano e hoje se acham donos do Espiritismo. A hipocrisia é tanta que são eles que esperam que a recuperação das bases espíritas originais sempre esteja nas mãos dos deturpadores, sob o pretexto da "fraternidade". Lamentável.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Desesperados, deturpadores do "espiritismo" apelam para espíritas autênticos
A deturpação da Doutrina Espírita tornou-se uma armação tão bem sucedida que, até certo ponto, todo um repertório de contradições é mantido coexistindo ideias antagônicas entre si apenas pela desculpa da "fraternidade" e do "equilíbrio".
Como lobos em pele de cordeiro, os deturpadores do Espiritismo podem ser roustanguistas e dizer que "são fiéis a Allan Kardec", praticando um igrejismo extremado que vai contra a Codificação. Têm a sorte da desinformação constante entre os brasileiros e o discurso de apelo à emoção que usa palavras agradáveis como "fraternidade".
Com o agravamento da crise no "movimento espírita", os seus membros mais prestigiados em seu meio tentam agora correr para evocar figuras realmente humanistas e, ironicamente, de outras religiões, como Dom Paulo Evaristo Arns e Martin Luther King, e espíritas autênticos como Deolindo Amorim (pai do jornalista Paulo Henrique Amorim) e José Herculano Pires (sobrinho do contador caipira Cornélio Pires).
Apavorados ao ver que suas ideias foram identificadas como a leitura "espírita" da Teologia do Sofrimento e, por conseguinte, também ao moralismo de Jean-Baptiste Roustaing, os deturpadores não se satisfizeram em exaltar Allan Kardec, Jesus de Nazaré e Erasto, mas criar outros alvos de bajulação, dos mais diversos, atingindo personalidades íntegras e progressistas.
É muito constrangedor ver que tais palestrantes ora dizem para o povo "deixar de ser besta", fazendo de seu público um bando de bestas. Ou elogiar, em um momento, a "surpreendente atualidade" de Kardec e, em outro, exaltar a "luminosidade" de Chico Xavier. Ou reproduzir alertas de Erasto, num dia, e textos inteiros de Emmanuel, em outro.
Ser contraditório não é ter equilíbrio e ninguém é fraterno pela contradição. Não dá para costurar ideias antagônicas com o aparato da "solidariedade". É muito fácil criar um balé de belas palavras, misturando ideias antagônicas e argumentos confusos e dizer que faz "coerência espírita" apenas porque pronuncia palavras como "amor" e "fraternidade".
Mas isso vai contra os postulados de Allan Kardec e em seus livros há muitos alertas sobre os deturpadores, principalmente pelo fato destes apelarem para o "amor" e a "caridade" para impor sua mistificação, seduzindo facilmente as pessoas que se deixam levar pelo mel das palavras. Não foi por falta de aviso que o legado de Kardec foi desmontado no Brasil. E a hipocrisia só aumenta quando os deturpadores tentam se apoiar nos espíritas autênticos para sobreviver.
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