quarta-feira, 7 de junho de 2017

Teor da mensagem derruba de uma vez o mito de que Zílio foi Raul Seixas

RAUL SEIXAS CANTANDO "CARIMBADOR MALUCO" NO ESPECIAL 'PLUNCT, PLACT ZUM' DA REDE GLOBO.

Observando o teor das supostas mensagens de Raul Seixas, que, segundo o "médium" e radialista Nelson Moraes, teria adotado, no mundo espiritual, o pseudônimo Zílio, concluímos que a atribuição não é verdadeira, ao verificarmos análises de conteúdo e pesquisarmos os contextos relacionados com seus últimos anos de vida e a natureza da personalidade do roqueiro baiano.

O que se vê, em tais mensagens, narradas num tom infantilizado e com um apelo igrejeiro que nunca seria próprio de Raul, é um apelo moralista que contraria severamente o pensamento pessoal consagrado pelo músico, que, se vivo estivesse, iria divergir até dos "ventos direitistas" que atingem uma parcela do Rock Brasil, principalmente da parte dos músicos Lobão e Roger Rocha Moreira (Ultraje a Rigor, banda de apoio do programa The Noite, do reacionário comediante Danilo Gentili).

Reproduzimos a imagem abaixo, que com certeza destoa do recente ceticismo cáustico que Raul Seixas teve no final de sua vida. Em suas últimas entrevistas, Raul Seixas combinava lucidez e senso crítico, desconfiado dos rumos do Brasil que se preparava para eleger Fernando Collor de Mello. Raul questionava a hipocrisia da vida política, da mídia e do show business, fato comprovado em registros lançados pela imprensa entre 1987 e 1989.

O "Raul Seixas" construído pela mente de Nelson Moraes se revela moralista, conservador e expressa uma linguagem mais ingênua e até tola em relação ao que Raul realmente foi. E o trecho final da mensagem - que até o portal de rock Whiplash publicou - , que fala no "inimigo de si mesmo", derruba de vez qualquer tese, por mais condescendente e relativizadora que fosse, de que o suposto espírito Zílio era realmente Raul Seixas.

Raul nunca falaria coisas como "inimigo de si mesmo", um conceito oriundo da Teologia do Sofrimento, corrente medieval da Igreja Católica que foi assimilada pelo "espiritismo" brasileiro. Isso em si já é uma ofensa ao legado de Raul, pensar numa leviandade medieval dessas, que em nada ajuda no desenvolvimento da autoestima humana.

A mensagem abaixo causa desconfiança pela construção de trocadilhos fáceis, pela citação aleatória e fora de contexto dos sucessos de Raul e pelo apelo igrejeiro que o faz mais próximo de um católico (seria relação com a paródia brega de Raul, o cantor Sílvio Brito, mais tarde militante católico?) do que de um roqueiro rebelde que chegou a romper com a idolatria a Elvis Presley ao saber que ele se inscreveu no serviço militar dos EUA.

A impressão que se tem é que Nelson Moraes "construiu" um Raul Seixas fictício, a partir das impressões que o "médium" teve ao ver as coberturas da morte do músico baiano em programas como Fantástico, da Rede Globo de Televisão, da divulgação banalizada de seus sucessos e da abordagem um tanto preconceituosa dada por revistas como Contigo e Amiga. Portanto, Zílio se mostra muito falso como uma suposta representação espiritual de Raul Seixas.

Leiam a mensagem com atenção e com muito cuidado para não sucumbir às tentações das paixões religiosas, que entorpecem os instintos emotivos e bloqueiam o raciocínio. A mensagem deixa claro que foge completamente da natureza pessoal de Raul Seixas, parecendo mais um pastiche igrejeiro e moralista sem qualquer relação sequer com a superada aventura mística que o roqueiro baiano teve em vida.

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Mensagem atribuída ao espírito Zílio

Por Nelson Moraes

“Frente à realidade que me surpreendeu, a metamorfose agora é outra! A Sociedade Alternativa não acontece no embalo dos sonhos mal sonhados, nasce na individualidade daqueles que vivem na real.

Vivi como um cometa que passa e causa espanto, não consegui ajustar-me na órbita que poderia sustentar-me na trajetória rumo a felicidade que sonhei para mim e para os outros. Porém, ainda não apaguei, vou continuar entre a luz e a sombra, procurando minha própria luz em constante metamorfose.

Voltei sem alarde, faço da mente do médium o meu telégrafo para revelar ao mundo das ilusões a verdadeira Sociedade Alternativa, que nos aguarda no universo infinito e que deve ser construída no universo íntimo de cada um, aí e agora.

Depois de atravessar os vales escuros da dor e do sofrimento, minha visão ampliou-se e pude compreender que aqueles que buscam afogar suas ansiedades e frustrações nas drogas químicas e alcoólicas são como epiléticos criados artificialmente, os quais sofrem e fazem sofrer. Por isso, vejo-me na obrigação consciencial de informar aos companheiros que estão a caminho que o sofrimento não pára aí, ele se estende pelos vales espirituais, onde a epilepsia se torna real, processando a duras penas os elementos venenosos inseridos no corpo perispiritual.

Muitas vezes, embalados pelo sonho e pelo lirismo dos poetas e pelo modismo estimulado pela sociedade de consumo, deixamos de enxergar a realidade à nossa volta e buscamos distrair a nossa consciência das responsabilidades inerentes à verdadeira finalidade da vida. Conseqüentemente, alteramos o valor das coisas e os conceitos sobre juventude, lar, família e objetivos, deixando cair vertiginosamente o nosso amor próprio e o amor por aqueles que nos são caros.

Nesse conceito equivocado, tudo se torna lícito, até mesmo o que não convém. Os que viveram esse tipo de liberdade na Terra, como eu, hoje superlotam os vales das sombras à semelhança de larvas, arrastando-se entre o limo e as escarpas dos abismos espirituais, situação que, em alguns casos, pode se prolongar por longos séculos.

Antes de questionar a vida, questione a si mesmo, analise seus conceitos, seus sentimentos, sua gratidão por aqueles que o ajudaram a renascer na Terra e, com certeza, você encontrará uma grande razão para viver e lutar contra o único inimigo que pode derrotá-lo: você mesmo!”

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Médiuns" brasileiros erraram por cumplicidade a espíritos inferiores


Há uma ideia de que os maiores deturpadores da história de todo o Espiritismo, os "médiuns" Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco, "catolicizaram" a doutrina kardeciana por "acidente", "boa-fé" ou pelo "mau conselho" de espíritos inferiores.

Tal ideia é usada para proteger suas reputações de ídolos religiosos, associadas a uma suposta imagem de benevolência, humildade e caridade, que nunca passou de marketing para mascarar o charlatanismo pelo verniz da filantropia.

A atribuição de que Chico Xavier e Divaldo Franco deturparam "sem querer" o Espiritismo pode ser um aparente consenso entre os "espíritas" no Brasil, até com a adesão dos que questionam a deturpação espírita e não vão adiante, rendidos pela complacência fácil movida pelo medo de desafiar o "carisma" dos dois "médiuns" e quem estiver a eles associados.

Todavia, nota-se que essa atribuição apresenta sérios problemas, porque Chico e Divaldo nunca iriam deturpar "sem querer", por "boa-fé" ou pela "manipulação" de espíritos traiçoeiros se o resultado não fosse imenso, com centenas de livros ou palestras, longo, por durar muitos anos, e de grande alcance, atingindo um público de milhares de pessoas.

É muito difícil um "errinho de nada" ter grandes dimensões, até porque não é de hoje que Chico e Divaldo foram advertidos de deturparem o legado do Espiritismo, já que denúncias neste sentido ocorrem, pelo menos, desde os anos 1940, da parte de Chico, e, da parte de Divaldo, desde a década de 1960.

Apresentamos então algumas alegações de que os dois teriam feito a deturpação "sem querer" e os problemas relacionados a isso, o que faz com que tais alegações, por mais que recebam adesões amplas de muitos seguidores e simpatizantes, percam completamente o sentido. Vejamos:

1) CHICO XAVIER E DIVALDO FRANCO DETURPARAM O ESPIRITISMO SEM QUERER PORQUE TINHAM FORMAÇÃO CATÓLICA.

A ideia em questão corresponde à ilusão de que os dois "médiuns", por terem nascido em famílias que optaram pelo Catolicismo, teriam "entendido mal" o Espiritismo pela suposta boa-fé de que poderiam inserir conceitos do Cristianismo na nova doutrina.

O problema é que a catolicização do Espiritismo por Chico e Divaldo foi introduzida de maneira convicta e com exata consciência de seus atos, o que não é saudável, porque os dois "médiuns" souberam, sim, o que estavam fazendo, e têm que ser responsabilizados pelo grave erro de desfigurar uma doutrina que originalmente era muito distinta ao Catolicismo que os dois sempre professaram.

2) CHICO XAVIER E DIVALDO FRANCO NÃO TINHAM TEMPO HÁBIL PARA ESTUDAR E CONHECER COM PROFUNDIDADE A DOUTRINA ESPÍRITA E, POR ISSO, PUBLICARAM OBRAS DE CLARO APELO IGREJEIRO.

A alegação é falaciosa, mas à primeira vista verossímil. Os dois "médiuns", pelos compromissos de receber multidões e dar entrevistas, supostamente "não tinham tempo" para um estudo "mais adequado" para entender melhor a Doutrina Espírita. Mas, se observarmos bem, eles passaram longos anos expressando ideias igrejeiras mesmo depois de "prometerem entender Allan Kardec" e após alegarem pretensa identificação com a obra do pedagogo francês.

3) CHICO XAVIER E DIVALDO FRANCO FORAM TENTADOS POR MAUS ESPÍRITOS A DESVIAR OS ENSINAMENTOS ORIGINAIS DO ESPIRITISMO PARA A MISTIFICAÇÃO CATÓLICA MEDIEVAL.

Outra falácia. Afinal, eles não foram tentados. Fizeram com muito gosto. Começaram como adeptos assumidos de Jean-Baptiste Roustaing, o pioneiro deturpador do Espiritismo, para depois se tornarem enrustidos e se autoproclamarem "rigorosamente fiéis a Kardec". Não era algo "involuntariamente" intuído por espíritos inferiores, porque, neste caso, há a "lei de atração".

Chico e Divaldo sempre se identificaram com o Catolicismo ortodoxo medieval, e assimilaram seus conceitos com muito gosto. Souberam do que estavam fazendo e levavam tudo isso adiante numa obra bastante produtiva, longeva e de imensa repercussão. Isso não era feito "contra sua vontade" até porque centenas de livros e palestras que atingiram enormes demandas de público mostram que a deturpação espírita pelos dois "médiuns" foram feitas de propósito e com muita vontade própria.

OS EFEITOS FORAM MUITOS E DANOSOS

Os efeitos dessa postura adotada pelos dois "médiuns" foram muitos e danosos. De maneira comprovada, Chico e Divaldo foram espontâneos e conscientes na sua tarefa de deturpar o legado kardeciano, e diante de uma longa e ampla trajetória de trabalhos neste sentido, eles simplesmente desmoralizaram a obra de Kardec, causando consequências sérias e de extrema gravidade.

Os dois "médiuns" passaram a defender conceitos e práticas que eram claramente condenados pelos mais diversos capítulos de O Livro dos Espíritos e, principalmente, O Livro dos Médiuns, assim como outras obras kardecianas que apontam dados sobre possíveis deturpações. Em vários deles, aparecem aspectos condenáveis que mais tarde foram observados nas obras dos dois "médiuns".

Chico e Divaldo rebaixaram o Espiritismo a um sub-Catolicismo, o que mostra um ato de desonestidade doutrinária, algo que, por ser longo, amplo e de grande repercussão, não pode ser visto como "acidental".

Os dois deturparam o Espiritismo de propósito e com exata consciência do que faziam, e devem ser responsabilizados por esse grave erro, e não escondidos sob a máscara da pretensa caridade, que sabemos não ser mais do que o Assistencialismo, prática de baixa eficácia que só serve para a promoção pessoal do "benfeitor" e condenada por especialistas sérios por ser considerado um ato de oportunismo.

Além disso, Chico e Divaldo atraíram para si espíritos brincalhões e traiçoeiros, até pela falta de sinceridade que os dois "médiuns" exerceram em suas trajetórias, desenvolvendo falso Espiritismo enquanto bajulavam o Codificador, desfigurando a doutrina de Kardec que, no Brasil, é uma coisa completamente diferente e divergente da original.

Isso significa que Chico e Divaldo devem ser considerados culpados por seus atos, agindo de propósito e causando inúmeras confusões e conflitos. As vidas dos dois destoam das de Kardec, este um sujeito de trajetória marcada pela honestidade e pela coerência, diferente da dissimulação e falsidade que se faz no Brasil e que se torna permitido por conta das paixões religiosas que dominam e corrompem as consciências de muitas pessoas.

segunda-feira, 5 de junho de 2017

"Espiritismo" faz pouca caridade, mas palestrantes viajam muito


"Ninguém veio aqui para turismo", disse um tal de "poeta alegre" que certa página "espírita" portuguesa publica. Mas a gente vê o quanto os palestrantes "espíritas" viajam muito para lançar livros e fazer palestras.

Quanto turismo é feito. "Médiuns" participando de eventos em Roma, Paris, Nova York, Madri, Atenas, Londres. Congressos "espíritas" ocorrem, mesmo dentro do Brasil, em hotéis de luxo, com ingressos caros e um elenco pomposo de patrocinadores, fora os próprios hotéis, é claro.

Que dinheiro é esse que é tão abundante na realização de palestras "espíritas"? E as festas de lançamento de livros de autores "espíritas", cheias de muita pompa e destacadas em colunas sociais? Enquanto isso, a tão festejada "caridade", supostamente a maior virtude do "espiritismo" brasileiro, traz muitos poucos resultados, entre realizações medíocres e benefícios provisórios.

O que se observa, nas redes sociais, é que toda essa apologia da "caridade espírita" só serve para promover a imagem pessoal do "médium". É triste ver que os benefícios ficam sempre em segundo plano, "confirmados" em vagas alegações do tipo "fulano ajudou muita gente", "muitas pessoas foram beneficiadas pela caridade do sicrano", "beltrano deu qualidade de vida para muitos necessitados", ditas assim sem dados concretos.

Mas, mesmo quando dados concretos são divulgados, a decepção é inevitável. No caso da Mansão do Caminho, de Divaldo Franco, o número de 163 mil beneficiados em 63 anos, segundo dados de 2015, parece um número gigantesco, mas é extremamente medíocre e até inexpressivo se verificarmos o decorrer de muitos anos e a dimensão populacional do Brasil. Isso equivale a uma média anual inferior a 1% de toda população de Salvador.

Portanto, é uma "caridade" que só ajuda a imagem endeusada do "médium" tido como "salvador da pátria", "semi-deus" e pretenso sábio. E só mesmo no Brasil marcado pela desinformação e pela emotividade fácil para que "médiuns" deturpadores do legado de Allan Kardec sejam tão festejados por uma "caridade" que só serve para alimentar a imagem divinizada de um ídolo religioso. Os "beneficiados" são só um detalhe.

E isso quando os "médiuns" passeiam pelo mundo não para espalhar a "boa nova", como eles tanto dizem, mas a visão deturpada e distorcida do Espiritismo, fazendo até mais prejuízos do que benefícios, sobretudo Divaldo Franco, que tantas vezes esteve no exterior, fazendo palestras para ricos em troca de prêmios e condecorações, praticamente depreciando o legado kardeciano.

Portanto, é uma ação duplamente deplorável. O uso do dinheiro da caridade para passear pelo mundo em palestras milionárias, em troca de prêmios que não refletem para o pão dos necessitados. Se realmente refletisse, lugares como Uberaba, Pedro Leopoldo, o bairro de Pau da Lima em Salvador e a cidade goiana de Abadiânia teriam padrões escandinavos de vida. Mas essas cidades não têm, restritas elas a um padrão medíocre de cidades provincianas ou à cruel violência suburbana.

domingo, 4 de junho de 2017

Brasileiros surdos aos apelos de Erasto


Até agora, os questionamentos quanto à deturpação da Doutrina Espírita paravam no meio do caminho. Quando eles chegavam aos tais "médiuns", apontando-lhes táticas oportunistas como Ad Passiones, Assistencialismo e viviam do culto à personalidade, vinha logo a turma do "não é bem assim" que, embora diga "também questionar certos problemas do Espiritismo no Brasil", mais parecem zelar pelos deturpadores do que questionar a deturpação.

A crise vivida pelo "movimento espírita" se torna mais aguda porque a sujeira toda acumulada em mais de 130 anos foi toda revelada na Internet. E, como sempre, é o faxineiro que se torna o culpado pela sujeira que tira, e os questionadores da deturpação ainda são alvos de duras críticas ou simplesmente não são levados a sério.

O "espiritismo" brasileiro criou problemas que o seu aparato de respeitabilidade - é a única religião que goza dessa aparência - não consegue resolver. A série de confusões e contradições e a fingida apreciação do pensamento de Allan Kardec, acrescido de uma aparente filantropia que não traz resultados profundos, praticamente deixa a doutrina brasileira em maus lençóis.

Já não se trata mais de deixar para lá as irregularidades ou pôr debaixo do tapete personalidades incômodas dos dois lados, como o francês Jean-Baptiste Roustaing (primeiro deturpador da Doutrina Espírita), Antônio Wantuil de Freitas (que "vaticanizou" o Espiritismo no Brasil) e o misteriosamente falecido Amauri Xavier, sobrinho de Francisco Cândido Xavier, sabendo que Amauri pretendia denunciar os bastidores do "movimento espírita" com muitos detalhes.

Tudo isso sempre volta à tona. No primeiro momento, se esquecem as divergências diversas e graves, se ignoram as irregularidades e todos viram "irmãos" em torno da promessa de "entender melhor Kardec" e tudo vive na "santa paz". Mas depois as mesmas divergências voltam, com os mesmos atritos e confusões, que a gente pergunta se vale a pena ignorar um problema que sempre volta.

Mesmo os brasileiros que questionam a deturpação do Espiritismo subestimam os avisos de Erasto, contidos em O Livro dos Médiuns na sua devida tradução por José Herculano Pires publicada pela editora LAKE. Os questionadores da deturpação não vão adiante e praticamente empacam quando os "médiuns" mistificadores apelam para imagens de coraçõezinhos e de crianças pobre sorrindo.

Erasto pedia para que se questionasse com rigor a deturpação do Espiritismo e não cair em armadilhas discursivas como "amor, caridade e Deus", sob pena de sucumbir às mistificações dos espíritos inferiores. Embora Erasto falasse sobre a relação dos espíritos inferiores com os médiuns, os avisos valem, seguramente, para todo tipo de pessoa que se sujeitar às seduções maliciosas dos deturpadores do Espiritismo em geral, mesmo entre médiuns e seus admiradores.

Erasto havia dito que, às vezes, os deturpadores podem falar ou fazer "coisas boas", e aí ele recomendou maior cautela, porque as "coisas boas" podem parecer agradáveis, mas servem de isca para a dominação de pessoas ingênuas e invigilantes. Um exemplo disso é o aparato de "caridade" e as "belas palavras" dos "médiuns" brasileiros, apenas ganchos para mistificações que praticamente desfiguram o legado de Kardec.

Ignoramos esse aviso e as pessoas acabam se revelando não só ingênuas, mas também complacentes, em relação à sordidez a que se tornou o "espiritismo" nos bastidores, desmentindo toda a embalagem que se apresenta aos leigos, como religião "despretensiosa" e supostamente marcada pelas mais elevadas qualidades humanas.

Pior: o estereótipo dado a Chico Xavier, do "velhinho frágil, humilde mas triunfante", acaba ocultando a perversidade e o egoísmo de seus seguidores, que precisam de um "símbolo" de suposta fraternidade para que pessoas comuns não sejam responsabilizadas para atuar de maneira profunda no combate às desigualdades sociais, mas apenas se limitando a serem reles colaboradoras de um Assistencialismo que só serve para a promoção pessoal dos "médiuns".

A crise do "espiritismo" vai sempre revelar escândalos que, provisoriamente, aparecem adormecidos num pretenso ambiente de concórdia e esquecimento momentâneo de desavenças. Mas em dado momento sempre aparecem mentiras, fraudes, dissimulações, traições e intrigas, vindas até mesmo de quem muitos consideram "tarimbado" e "acima de qualquer suspeita", que ferem o legado de Kardec mais uma vez e causam confusões e conflitos que pegam os desavisados de surpresa.

E assim nada se resolve e os problemas são mais uma vez escondidos debaixo do tapete. Mas a repetição dessa mesma postura confortável e falsamente "harmoniosa" e "equilibrada" só mascara as irregularidades e falsidades do "movimento espírita", acumulando uma sujeira de décadas e décadas que só revelará uma podridão que não pode mais ser mascarada pelo bálsamo das retóricas "fraternas". A crise no "movimento espírita" só tende a aumentar, surdo estão os brasileiros aos avisos de Erasto.

sábado, 3 de junho de 2017

"Espiritismo" brasileiro e a turma do "não é bem assim"


A deturpação do Espiritismo também tem seus "cães de guarda". Eles se inserem em fóruns questioandores e fingem concordar com "certos equívocos" feitos pelo "movimento espírita". Tentam relativizar os questionamentos, mas também tentam dar a impressão de que não estão sendo tão complacentes com o "movimento espírita".

Sabemos que o "movimento espírita", no fundo, não passa de uma Torre de Babel em que "médiuns" e "pensadores" (não nos esqueçamos que os próprios "médiuns" bancam dublês de pensadores) tentam alcançar o céu através de uma carreira em que táticas de manipulação discursiva, o Ad Passiones (através de textos com "belas palavras" e "mensagens de amor") e Assistencialismo (caridade espetacularizada, mas de resultados medíocres), são feitas para impressionar o público.

E aí sabemos o que se deu na deturpação, que causou muita confusão entre os próprios "espíritas" que, não satisfeitos em desfigurar o trabalhoso legado de Allan Kardec, ainda se contradizem entre si. São tantas confusões que hoje o "espiritismo", além de reduzido a um sub-Catolicismo de moldes medievais, ainda virou um lodo de ideias desconexas que se contradizem umas às outras.

Uma delas é o endeusamento de Francisco Cândido Xavier, o suposto médium que, ele mesmo, causou inúmeras confusões, como a literatura fake de Parnaso de Além-Túmulo, de 1932. Uns endeusam Chico Xavier tratando-o como um semi-deus, outros tentam exaltar sua suposta imagem de humilde (mas igualmente espetacularizada e mitológica), outros o definem como "profeta", outros apenas como "mensageiro", há quem o considere "filósofo" etc etc etc.

Há roustanguistas assumidos e outros envergonhados, há um igrejismo extremo de gente que, no entanto, adora bajular personalidades associadas ao Espiritismo autêntico, de Erasto a Deolindo Amorim. E todo esse clima de "casa da mãe Joana" que se reduziu o "movimento espírita", espécie de PSDB das religiões, se esconde por trás da encantadora embalagem de "religião modesta, iluminada e despretensiosa".

E aí questiona-se tudo de irregularidades no "espiritismo" e surgem pessoas que querem puxar para trás. Temos sempre esse cacoete: sempre que andamos adiante com uma causa, há gente querendo dar o freio. Não por acaso as novidades só são assimiladas no Brasil quando são banalizadas demais e mesmo assim sacrificando sua essência em respeito a valores velhos e obsoletos, mas que precisam ser mantidos para o bem dos interessados.

A turma do "não é bem assim" sempre faz uma patrulha em torno da contestação da deturpação espírita. Querem sempre barrar o avanço dos questionamentos para coisas menos óbvias. E isso se dá por razões bastante evidentes.

Eles apenas aceitam quando os questionamentos à deturpação do Espiritismo se limitam ao que já foi feito por gente como José Herculano Pires ou à comparação mais manjada dos livros de Allan Kardec e de Chico Xavier. Um clichê dessa permissão é que praticamente é quase um consenso a baixa validade dos livros que levam o crédito de Emmanuel, por apresentar um igrejismo escancarado até demais.

Mas diante de outros problemas como o caso Zílio, em que um suposto espírito de Raul Seixas aparece abobalhado e místico através dos livros do "médium" Nelson Moraes, a turma do "não é bem assim" abre guarda. "Você tem que entender que Raul parecia patético por morrer fragilizado e retomou a fé para se consolar das dores da morte prematura", poderia dizer, em hábil falácia, algum "espírita" com mania de argumentar sem lógica.

Porém, é só rever as últimas aparições e entrevistas de Raul Seixas, entre 1987 e 1989, para ver que a atribuição do suposto Zílio ao espírito do cantor é falsa. No final da vida, Raul poderia estar muito doente, mas espiritualmente ele largou o antigo misticismo e passou a ver a realidade com cinismo e um certo humor corrosivo, que lhe rendeu letras divertidas mas ácidas como "Muita Estrela, Pouca Constelação" e declarações como "o Brasil virou uma charrete que perdeu o condutor".

Ele nunca reapareceria, como espírito, como um esotérico manipulador de trocadilhos ("o mundo só é uma droga para quem se droga no mundo"), um igrejista ingênuo e quase debiloide, muito diferente do roqueiro desconfiado com os rumos do Brasil, que nunca iria largar sua visão crítica e analítica quando, se desfazendo dos laços materiais, retomaria a visão mais aguçada que os limites da matéria física costumam ocultar.

Geralmente a turma do "não é bem assim" tem muito medo de questionar a autenticidade de supostas mensagens espirituais, temendo arruinar a reputação dos "médiuns". Quando muito, tentam uma abstenção, alegando "incapacidade" de reconhecerem se as mensagens são verdadeiras ou não ou defini-las como "autênticas" apenas pela "boa moral" que elas apresentam.

A turma do "não é bem assim" mais parece proteger os deturpadores e reduzir as críticas à deturpação a uma análise do crime sem identificar o criminoso. Ou seja, investiga-se o crime, o reconstitui e tudo o mais, mas sem identificar os culpados. Algo inverso ao que a mídia reacionária faz em relação aos políticos do PT: identificam os "criminosos" sem se preocuparem com as provas do crime.

Os critérios que a turma do "não é bem assim" usam para evitar o avanço dos questionamentos da deturpação espírita são esses:

1) Só admitem que as irregularidades do "espiritismo" brasileiro sejam investigadas por alguém dotado de muita visibilidade e prestígio, ainda que fosse um espírita autêntico dotado de opiniões bastante polêmicas;

2) Questionar a deturpação, entre pessoas comuns, só devem ser feitas dentro dos limites do que já foi questionado e na comparação textual entre as obras kardecianas e as que os "médiuns" brasileiros publicam expressando seu igrejismo;

3) Não se pode questionar o caráter fake das mensagens "mediúnicas" pelo suposto "mistério" das "mensagens espirituais". Para todo o caso, aceita-se que um suposto autor espiritual abriu mão de seu estilo pessoal em nome da "linguagem universal do amor";

4) Cobra-se excessivo rigor científico, seja nos argumentos, seja na forma textual (a mais formal, erudita e objetiva possível), nos questionamentos da deturpação espírita, de forma a apresentar um discurso supostamente imparcial e um número excessivo de provas de uma irregularidade "espírita".

Quanto a este último item, uma coisa engraçada ocorre. A turma do "não é bem assim" pede que, para questionar obras de Chico Xavier, Divaldo Franco e similares, se tenha "embasamento científico" e "extremo rigor" nas argumentações. Mas, quando um internauta comum escreve um texto com muitos argumentos lógicos e expressa uma coerência impecável nas provas apresentadas, a turma do "não é bem assim" não gosta, invalidando a argumentação sem dar explicações lógicas para isso.

Por outro lado, se eles pedem para que se tenha "embasamento científico" e "bases lógicas rigorosas" para questionar os "médiuns espíritas", mas não exige disso quando algum aventureiro da doutrina igrejeira venha com um fake atribuído a uma mensagem do além-túmulo, ainda mais se esse aventureiro for algum "médium" badalado por setores privilegiados da sociedade brasileira.

Um exemplo é se surgir uma suposta mensagem espiritual de Getúlio Vargas pedindo para que orássemos em favor de Michel Temer, como se o falecido governante o apoiasse. Sabe-se que isso é ilógico, porque Temer está comprometido com o desmonte de muitos progressos trazidos pelo próprio Vargas.

No entanto, para agradar a turma do "não é bem assim" (que pode aceitar uma hipotética mudança de posição de Getúlio), seria preciso ter muita visibilidade, prestígio e, se preciso, uma coleção de diplomas para dizer que a mensagem do "espírito de Getúlio Vargas" é fake e ainda assim através de um cansativo discurso monográfico de uma retórica de aparência científica e, de preferência, com questionamentos muito pálidos e hesitantes, forjando falsa imparcialidade.

A turma do "não é bem assim" mais parece zelar pela deturpação do que questioná-la. E eles vão na contramão das recomendações do espírito Erasto, publicadas em O Livro dos Médiuns, que pediu rigor e firmeza nos questionamentos à deturpação espírita e não estabeleceu critérios de visibilidade e diploma para quem se encorajar a fazer tais questionamentos. Neste caso, o Brasil permanece surdo aos conselhos de Erasto, que Allan Kardec define como espírito com significativo grau de evolução.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A preocupante "conciliação do alto" pelo "movimento espírita"

OS DETURPADORES DO ESPIRITISMO SE ESFORÇAM PARA BAJULAR ESPÍRITAS AUTÊNTICOS COMO JOSÉ HERCULANO PIRES.

O "movimento espírita" no Brasil, comprovadamente, está distanciado de Allan Kardec. Seu nome pode ser bajulado um milhão de vezes por dia, seus textos citados pela letra "desencarnada" dos "espíritas" brasileiros, suas ideias apreciadas, ainda que tendenciosamente, e nomes como Jesus de Nazaré, Erasto, Espírito da Verdade e até o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos sejam citados ad nauseam, que tudo isso, se sabe, é em vão.

A "fase dúbia" do "movimento espírita", que se deu com a crise da FEB e uma série de incidentes envolvendo o "movimento espírita" - como, por exemplo, o rompimento de Waldo Vieira com Francisco Cândido Xavier diante da má repercussão do caso Otília Diogo - , vive a sua mais aguda crise e o que o "movimento espírita" faz é correr atrás do próprio rabo.

Hoje, nos bastidores do "movimento espírita", além da investida de atividades "sociais" como a suposta filantropia (na verdade, Assistencialismo ou "caridade paliativa") e os cancioneiros "espíritas", se apela para a mesma conversa mole que se viu depois que Antônio Wantuil de Freitas encerrou suas atividades na FEB, há mais de 45 anos: a promessa de "entender melhor Kardec".

De maneira tendenciosa, os dirigentes "espíritas" ligados a federações regionais - bem longe do roustanguismo explícito da cúpula da FEB, pois se trata de um roustanguismo mais dissimulado - apelam para seus membros "kardequizarem mais", "viverem Kardec" e outras falácias, enquanto ficam contentes em ver o igrejismo sendo expresso nas casas e publicações "espíritas".

Até agora, a "fase dúbia" do "espiritismo" brasileiro só usou a promessa de "viver Kardec" como uma conversa para boi dormir. Mas também não serão os próprios deturpadores do Espiritismo que irão recuperar as bases doutrinárias originais. Infelizmente, mesmo parte dos contestadores da deturpação esperam que os próprios deturpadores comandem a recuperação dos postulados espíritas originais.

A retórica dos dirigentes "espíritas" tenta desenvolver um tom "conciliador". Isso se dá em palestras, artigos e tudo o mais. Uma suposta "fraternidade" que mais parece um balaio de gatos, em que um grande leque de aparentes espíritas, do pior deturpador ao mais severo crítico da deturpação, é igualmente alvo de elogios entusiasmados.

De um lado, Emmanuel, Chico Xavier, às vezes Jean-Baptiste Roustaing. De outro, Erasto, Kardec e José Herculano Pires. Uma cordialidade hipócrita, um falso apelo de concordância de juntar forças antagônicas sob o pretexto de reunir tudo "num só espiritismo", supostamente movido pelos "ensinamentos cristãos".

Poucos conseguem perceber que esse "belo discurso" é uma "conciliação do alto". Afinal, o que está em jogo é promover o falso bom-mocismo dos deturpadores, que são igrejeiros e medievais. "Vaticanizadores" que, de forma contraditória, dizem reprovar a "vaticanização". Pretensos espíritas que evocam Erasto como se o alerta dele sobre os "inimigos internos do Espiritismo" não se referisse aos deturpadores brasileiros.

E a quem interessa essa "conciliação", essa "fraternidade", um embuste tão antigo e vindo desde os tempos do dr. Adolfo Bezerra de Menezes, mas radicalizado na "fase dúbia" do "movimento espírita"? Interessa a "todos", numa "missão de paz, fraternidade e concordância num único propósito, que é o amor de Deus e do Cristo"? Tolos seriam os que acreditassem nisso.

O interesse sempre está nos deturpadores que querem sempre tomar as rédeas no Espiritismo de Kardec, como raposas governando o galinheiro. A "fraternidade" tem um caminho, e não é o da paz entre "irmãos", mas numa concordância com o igrejismo praticado pelos deturpadores, com seu roustanguismo nunca devidamente assumido e sua vaticanização que eles tão cinicamente praticam e dizem reprovar.

Isso é muito preocupante, e essa promessa toda de "conciliação", de "promoção de um único Espiritismo, o de Kardec", e outras retóricas um tanto hipócritas, nunca contribuiu para valorizar, de verdade, o legado do pedagogo francês.

Muito pelo contrário, o que não só Chico Xavier e Divaldo Franco, mas os Medrado, Alamar, Orson e Simonetti da vida também pregam gera um engodo cheio de contradições, em que ideias e práticas se chocam o tempo todo, em que a ideia de "coerência" é apenas uma desculpa para ficarmos calados e aceitar tudo de bandeja.

Esse engodo só faz sentido porque os brasileiros têm um longo histórico de desinformação e distorção dos fatos. Isso cria uma compreensão de mundo bastante equivocada em muitos aspectos, movido principalmente pelo controle da mídia corporativa, que por sinal é a que mais protege os "espíritas". Principalmente a Rede Globo, que se identifica muito bem com o caráter tendencioso e pretensioso do "espiritismo", uma religião medieval mas hábil em dissimulações.

Com isso, o que se observa é que o "espiritismo" brasileiro tenta resistir com suas contradições, respaldado pelo poder midiático e usando o Assistencialismo para criar uma "caridade de fachada", que nunca trouxe transformações sociais profundas nas classes mais pobres, apenas se limitando a ser uma "caridade" que só serve para promover a imagem pessoal dos "médiuns" que deturpam gravemente o legado kardeciano.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Texto de palestrante "espírita", mesmo contraditório, traz revelações sobre Chico Xavier


O texto que veremos a seguir é de um integrante do "espiritismo" brasileiro bem afeiçoado com a deturpação. O palestrante Alamar Régis Carvalho, um dos astros da "fase dúbia" - prega "rigoroso respeito" às bases kardecianas mas aprecia o igrejismo - , neste texto bastante longo, revela algumas coisas sobre os bastidores do "movimento espírita". O artigo foi publicado em 2013.

Evidentemente Alamar comete contradições. Enquanto elogia a obra Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing, bajula figuras como Deolindo Amorim e Herculano Pires, numa falsa postura conciliadora que sempre transformou o "movimento espírita" num balaio de gatos e que, numa pretensa "fraternidade", sempre colocou o igrejismo acima do cientificismo, por mais que os dois supostamente coexistissem.

Outra contradição que Alamar faz são as habituais críticas que ele faz à "vaticanização do Espiritismo", e aos "Constantinos" que querem dominar o "movimento espírita". No entanto, Alamar sempre exaltou nomes como Divaldo Franco, que tanto Luciano dos Anjos quanto Herculano Pires definiram como "roustanguista convicto".

Mesmo assim, o texto serve para as pessoas verem as confusões do próprio "movimento espírita" e os inúmeros conflitos de interesses, até para ver o quanto é caótico o cenário do "espiritismo" brasileiro que, com toda a bajulação em torno de Allan Kardec, comete traições muito graves ao seu trabalhoso legado.

Alamar, conhecido também por artigos e canais de TV "espíritas", também revela as razões que fizeram o "médium" Francisco Cândido Xavier deixar de ter seus livros publicados pela FEB, dando informações sobre a crise da cúpula da federação, com a aposentadoria e morte de seu presidente Antônio Wantuil de Freitas, que mostram as origens da "fase dúbia" que vigora hoje no "movimento espírita".

Portanto, leiam este longo texto com muita paciência, observação e sem deslumbramentos, sem esperar que este longo artigo traga alguma lição de sabedoria e coerência, até por ser escrito por um colaborador da deturpação do Espiritismo.

DECEPÇÃO DO CHICO CONTINUA

Por Alamar Régis Carvalho - Reproduzido do portal da Associação "Espírita" de Caridade André Luiz

A matéria que escrevi, com o título “O arrependimento e a decepção de Chico Xavier”, falando sobre a questão das traduções dos livros para o Inglês, não se encerra naquele primeiro escrito; parou ali porque o email já estava grande demais e não dava para entrar em mais detalhes no momento, considerando que as pessoas se acostumaram com algo que eu chamo de “cultura do resumismo”, que é aquela que determina que nós temos que escrever pouco, porque as pessoas não gostam de ler textos grandes.
Conforme todos sabem, o brasileiro quando se prepara para o vestibular, estuda em apostilas e não em livros, e os considerados “melhores” cursinhos são aqueles que ensinam MACETES para passar no concurso e não os que ensinam mesmo as matérias, com detalhes e com boa formação de base para que os concursandos passem SABENDO e não apenas conhecendo macetes.
Mas… o que se há de fazer? Se as pessoas insistem em querer ler pouco, é óbvio que elas não poderão saber detalhadamente sobre nada. O pior de tudo é que aqueles insistem em saber das coisas apenas por alto e superficialmente, ainda se acham no direito de dar opiniões e tirar conclusões sobre determinados assuntos discutidos, sobre o qual não fez o menor esforço em se aprofundar.
A verdadeira humildade pratica recomendaria: “Não quero e nem devo emitir opinião, porque o meu conhecimento sobre o tema é muito superficial”.
Mas vamos lá.
Não é a primeira vez que eu escrevo sobre isto, para os meus leitores da internet. Já falei sobre este mesmo assunto, há mais ou menos uns seis anos, e logo recebi um e-mail do mesmo Luciano dos Anjos, que para mim é um dos mais respeitáveis, admiráveis e sérios nomes da história do Espiritismo em nosso país.
Se fosse um “espiritinha” qualquer que me mandasse um email, apenas contestando-me por contestar, como alguns fazem, simplesmente dizendo que tudo aquilo era mentira e que o Chico jamais seria capaz de tal coisa, eu não daria bola. Apenas o responderia a altura, conforme o tom que esse me escrevesse, como muito eu faço com alguns. Mas já que se tratava de um e-mail vindo de um Luciano dos Anjos…. Opaaaaaa, pare aí, Alamar… sente-se e leia com calma o que o mestre escreveu.
Foi o que eu fiz, considerando o nível de respeito que tenho por esse homem que, por sinal, é um dos espíritas mais discriminados que já conheci, por conta da defesa que faz da obra de J. B. Roustaing, que para muitos espíritas é uma obra demoníaca, de autoria do próprio Satanás. Eu já a li e não vi nada de demoníaco nela, muito pelo contrário, achei uma obra extraordinária, em que pese a minha dificuldade de aceitar algumas coisas que constam ali. Para mim, quando alguém condena integralmente uma obra, só porque 2 ou 3 por cento dela na batem exatamente conforme a concepção que tenho, desculpem, mas acho que é burrice. Será que 98% de coisas boas não valem nada, só porque 2% me deixam dúvidas ou apenas não estejam de acordo com a minha maneira de ver?
Mas não é o que vem ao caso aqui. O importante é que a observação do Luciano foi muito importante para que eu procurasse fuçar um pouquinho mais a coisa, pois adoro investigar, checar, averiguar, ir a fundo e procurar pelos detalhes e intimidades de tudo aquilo que eu me meto.
Em razão dos meus programas de televisão, que me fizeram ser conhecido por gente de todo o país e também conhecer muita gente, consegui fazer amizades com espíritas notáveis de tudo quanto é canto, inclusive de Uberaba e Pedro Leopoldo.
Uma das razões que me fez dar credibilidade ao que o Luciano dos Anjos escreveu não é só o respeito que tenho pelos seus cabelos brancos e pelo respeitável jornalista e escritor que ele é, é porque sei que ele passou uma vida inteira dentro da FEB, no Rio de Janeiro, inclusive na condição de um dos seus conselheiros, sendo um dos nomes mais ouvidos nas decisões tomadas pela casa mater.
É por isto que digo que não se trata de um espiritinha qualquer.
Só que, consultando a minha inteligência, cheguei a seguinte conclusão:
Quero ouvir, com respeito, o nosso querido Luciano, mas vou querer ouvir, também, outros “cabeças brancas” e até alguns carecas mais idosos, que também conviveram com o Chico, que também receberam o Chico por muito tempo aqui em São Paulo, que também acompanharam muitas histórias, principalmente companheiros de Uberaba, que viveram mais ao lado do consagrado médium do que os seus amigos residentes em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Foi o que eu fiz:
Pra começar, o Teodoro Lausi Sacco, para mim, não era um maluco que simplesmente inventou uma estória, era um homem da mais alta dignidade, seríssimo e muito respeitado, ele me mostrou documentos, várias fotos, inclusive escritos do próprio Chico demonstrando a sua irritação. É uma pena que eu não peguei cópias, de preferência autenticadas, daqueles documentos e nem sei onde eles estão hoje.
Eu fiquei perplexo, na época, e não estava entendendo o porquê Teodoro estava falando sobre algo extremamente grave exatamente para mim. Eu não ficaria a vontade para pedir cópias do acervo pra mim, pois ainda vivia um pouco tímido em relação ao movimento espírita.

Vamos, então, às argumentações do nosso querido Luciano dos Anjos:

Wantuil de Freitas, então presidente da FEB:

Diz o Luciano: “Um homem que dedicou sua vida ao espiritismo e exercia aquele cargo com segurança e bastante competência. Ao mesmo tempo era compreensivo em momentos importantes e gostava de ouvir seus auxiliares mais próximos”.
Eu não conheci o Wantuil de Freitas, porque não vivi o espiritismo naquela época, mas já estudei sobre os ex-presidentes da FEB e o que li sobre ele está de acordo com a qualificação que o Luciano faz. Todavia, tenho algumas considerações que acho bastante relevantes fazer aqui:
Quem foi que disse que os presidentes das instituições espíritas têm força, autonomia e poder para decidir alguma coisa?
Afinal de contas, eles são apenas figuras decorativas, porque quem manda mesmo são os membros dos conselhos deliberativos. Caso um presidente de uma instituição espírita resolva ter a audácia de tomar alguma decisão que vá de encontro ao conselho, ele estará frito. Todo mundo sabe disto.
Só que os chamados conselhos deliberativos das instituições, inclusive as espíritas, não são transparentes para o público acerca das suas decisões. O correto, o decente, o honesto, o coerente e o sensato seria que cada membro constituinte de um conselho desses assumisse o seu voto e a sua decisão em tudo que for decidido por ele.
Se nós lutamos, por exemplo, para que os votos dos parlamentares do Congresso Nacional sejam abertos, para que todo brasileiro possa saber como vota e em que vota cada deputado e senador, é porque a gente quer transparência, decência e dignidade nos seus votos, exigência essa que acontece em razão do elevado índice de imoralidade, indecência e falta de vergonha na cara que existe em muitas votações no meio político, já que quem é safado não quer que o povo saiba das suas safadezas.
Não é isto que acontece?
Pois bem. Em outros segmentos da sociedade, onde existem os chamados conselhos deliberativos, acontece exatamente a mesma coisa. Os seus membros não assumem e não querem que as pessoas conheçam os seus votos, exatamente para ficarem a vontade para tomadas de decisões, sem qualquer compromisso com os princípios elementares de moralidade e decência.
No meio espírita, também constituído por homens, acontece também a mesma coisa, com o mesmo nível de descaramento: Pessoas são condenadas, proibições são estabelecidas, boicotes são recomendados, livros são proibidos, companheiros são afastados dos trabalhos e muita decisão é tomada, sem que o condenado saiba quem condenou e sem que tenha o menor direito de defesa.
O próprio Luciano dos Anjos é vítima disto, pela sua posição de ser o mais notável roustanguista do País. Tudo que vier dele é proibido em muitos centros espíritas do Brasil e do exterior, principalmente febeanos, onde o seu nome inclusive é proibido de ser pronunciado.
Inclusive eu tive uma experiência triste, há alguns anos, no Rio de Janeiro, por ocasião do funeral do notável Altivo Pamphiro, onde se reuniam centenas de pessoas amigas dele, dentre elas o próprio Luciano.
Já que eu era doido para conhecê-lo, pela admiração que tenho por ele, dirigi-me ao seu encontro, numa roda de conversa com outras pessoas.
Quando os amigos que já estavam comigo, antes, perceberam-me ao lado dele, começaram a fazer sinais desesperados para mim, como se eu estivesse correndo um perigo enorme, sem que eu entendesse que diabo que estava acontecendo, até que um deles puxou-me pelo braço e, em coro com mais dois, perguntaram com as caras muito assustadas:
– “Alamar, você sabe quem é esse cara que você estava conversando!?”
Eu cheguei a imaginar que deveria ser algum emissário do Satanás, tamanha era a preocupação dos amigos.
– “Ué, é o Luciano dos Anjos”.
– “Você é louco, cara? Você conhece bem o Luciano dos Anjos? Ele é roustanguista e essa sua aproximação com ele pode lhe prejudicar muito”.
– “Ah, meus amigos, não se preocupem com isto não, que eu não tenho a menor preocupação com essas coisas, já que não consigo e nem pretendo discriminar nenhum companheiro espírita”.
Foi um “Deus nos acuda”, gente! Eles me falaram coisas horrorosas do Luciano, obviamente falando como fantoches de um sistema estabelecido e implantado no movimento contra ele, para diminuir o seu nome, e contra qualquer outro que pudesse ser leitor ou defensor da obra de J. B. Roustaing. O meio espírita adora fazer isto.
Vejam a que ponto chega o movimento espírita.
Não vamos muito longe e relato aqui, como outro exemplo, o meu próprio caso em relação a TV Mundo Maior, que é a TV Espírita que hoje funciona via satélite, 24 horas no ar, colocando em prática um projeto que foi criado por mim e que fui eu quem colocou, de forma pioneira, a primeira televisão do gênero no mundo.
Queiram ou não, tenho consciência de que sou o pioneiro nesse tipo de coisa no meio espírita mundial, tenho uma gigantesca experiência na comunicação espírita pela televisão, falando sobre espiritismo, e o Brasil inteiro sabe disto. Conheço demais sobre televisão, ou melhor, conheço quase tudo, porque fui diretor de uma afiliada da Rede Globo, não me conformando em ser apenas um diretor de gabinete, mas um elemento que optou por conhecer de áudio e de vídeo, opero com mesas de áudio e de vídeo, opero com câmeras, com edição de vídeo, com produção, com iluminação, com transmissões tanto em micro ondas como satélite, a ponto até de subir em torres com mais de cem metros de altura e instalar equipamentos, conhecendo inclusive como instalar um up link para transmissão via satélite.
Desculpem, mas, felizmente, todo mundo sabe que eu não sou adepto da sem vergonha falsa humildade tão praticada no meio espírita, mas de televisão eu conheço, e muito, como um verdadeiro coringa.
Ter duas caras é terrível.
Sei que tenho um “problema” muito sério: Sei fazer a coisa a custo bem mais baixo, que o comum, sem prejuízo para a qualidade, característica esta que incomoda aos interesses de muitas pessoas em várias áreas da sociedade. Não quero dizer que se aplica ali.
Moro perto da TV Mundo Maior, todo mundo sabe disto, e agora vejam só outro detalhe:
O Presidente da FEAL, Fundação Espírita André Luiz, que é a maior autoridade da instituição a qual a TV Mundo Maior pertence, Senhor Onofre Astínfero Batista, é meu amigo, é um homem de elevada dignidade, que gosta de mim, sempre teve o maior carinho por mim, era um dos maiores admiradores do meu projeto de televisão, hoje continua dizendo pra todo mundo, sem medir palavras, que eu sou o grande responsável por tudo aquilo existir, faz questão de reconhecer e enaltecer o meu nome em todo lugar onde chega, sempre disse que gostaria que eu estive lá junto com eles, fazendo aquela televisão…
No entanto, o Alamar é proibido na TV Mundo Maior, porque outro grupo lá, que esconde a mão, determinou que não quer o Alamar lá de jeito nenhum, e não tem santo que faça o Onofre conseguir ter com a ajuda que posso dar, porque, modéstia a parte, eu poderia dar muito mais àquela televisão do que ela a mim, tenho certeza disto. Mas nada disto importa, porque os caprichos e os ódios espíritas falam mais alto que a razão.
Deveriam dizer isto para o público que assiste a televisão. Por que não dizem? Será porquê?
Eu tive que contar estas histórias para, finalmente, chegar à conclusão que se aplica ao tema aqui:
Não é porque o Wantuil de Freitas foi um grande homem, como relatada com segurança o nosso Luciano, que implicitamente todas as decisões da FEB tenham sido sempre sábias e racionais.
A incoerência, a irracionalidade, o comodismo, a preguiça, a indiferença e até mesmo a inveja são fatores que sempre estiveram presentes em muitas pessoas à frente de grandes instituições espíritas e não podemos querer imaginar que a FEB não estivesse inserida nesse contexto. Quem sempre mandou ali foram os cardeais que constituem a alta cúpula febeana. Eu sei o que o Nestor Masotti passou ali, com a sua idéia de apoiar a TV CEI, via satélite. Tanto é que tiraram do ar. Morro de pena do Cezar Perri.

Sobre a matéria publicada em “O Reformador”

Vale lembrar que “O Reformador” é uma revista da FEB, que obviamente só publica coisas conforme as conveniências da FEB e ali só escrevem aqueles que são autorizados. Portanto, uma matéria publicada no referido periódico, obviamente, só poderia estampar a versão da própria FEB. Os que estão no índex jamais chegarão às suas páginas.

Quanto aos americanos irem a Brasília

Este detalhe aqui eu quero corrigir:
Na sua contestação Luciano dos Anjos tem razão quando diz que em 1969 a FEB não era ainda em Brasília e sim no Rio de Janeiro, eu sei disto, não tenho o que contestar. O erro foi meu, ao escrever Brasília, mas explico o porquê:
É porque dentro desta história eu me vi dentro da FEB de Brasília, várias vezes, conversando sobre o assunto, vendo a cara do Nestor Masotti, do Juvanir Borges, da Cecília Rocha, do Altivo Ferreira e de toda aquela gente de lá. Então, quando pronuncio FEB, automaticamente me vem na cabeça apenas Brasília, Brasília e Brasília… e não a FEB do centro do Rio, que não tive convivência nenhuma, mas o Luciano teve, por uma vida inteira dedicada.
Então, neste caso, o lapso não foi do Teodoro, foi de falta de atenção minha mesmo, na hora de redigir.
Portanto ele tem razão nesta observação.

Tradução horrorosa dos livros do André Luiz

Eu também tomei conhecimento disto, não somente as obras do André Luiz tiveram problemas de tradução, como a própria Obra Básica do Espiritismo. Não entrarei em detalhes aqui para evitar problemas maiores com editoras, por isto que sempre recomendo aos meus amigos, os que se dispõem a estudarem a doutrina, que procurem fazer sempre em mais de uma tradução. Quem seguiu a minha dica já identificou o porquê da recomendação.

Americanos eram empresários

Ué, qual o mal que existe nisto?
Por acaso, a visão empresarial é necessariamente a visão do diabo?
Nosso amigo Luciano dos Anjos coloca que os norte-americanos eram empresários, o que é verdade, e eles queriam dar tratamento ao assunto como empresários, como uma editora qualquer e não como o velho costume espírita, absolutamente equivocado, que determinou que livro espírita tem que ser, sempre, vendido bem baratinho, em nome da humildade (só Deus sabe que diabo de humildade é essa), inclusive contrariando ao próprio Allan Kardec que sempre foi contra isto. Eles queriam produzir em larga escala e visualizarem o livro espírita como qualquer outro livro, da cultura mundial, como obras boas que vendessem pelo seu conteúdo, que dessem lucro, que virassem Best Sellers em todo o mundo.
Qual o mal que há nisto?
Chico sabia disto, eles disseram isto para ele que, por sua vez, não fez qualquer objeção.
Sabem qual é o grande problema?
Estabeleceram-se vários paradigmas no meio espírita:
Livro espírita tem que ser vendido baratinho.
Toda receita de livro espírita TEM QUE SER para os centros.
Editora não pode ver livro espírita como os demais livros.
Qualquer livro pode trazer lucro para sua editora, livro espírita não.
Autor de livro espírita TEM QUE doar os seus direitos para centro espírita.
Então, gente, nós vivemos uma doutrina do TEM QUE SER ASSIM, NÃO PODE SER DIFERENTE DISTO, NÃO PODE MUDAR NUNCA O QUE FOI ESTABELECIDO e pronto.
Dinheiro, para a maior parte do movimento espírita, é coisa demoníaca, certamente inventada pelo Satanás, lá nas profundezas do inferno.
É claro que os americanos queriam AUTORIZAÇÃO e não a transferência dos direitos, para fazer a doutrina espírita chegar ao mundo inteiro.
Autorização para publicar e vender é uma coisa, transferência exclusiva de direitos autorais é outra totalmente diferente.
Vamos raciocinar de novo?
Poderia existir proposta melhor do que esta?
Existe alguma idéia melhor para o espírita que raciocina e entende os ideais de Kardec do que a doutrina conseguir chegar ao mundo inteiro?
Questionemos de novo:
Por que a FEB fazia tanta questão assim de ter lucros com os livros editados pelos americanos?
Por que ela não autorizaria as traduções para que os americanos, TAMBÉM, tivessem os seus lucros com os livros que editariam e distribuiriam para o mundo?
É aí que concluímos: Será que é mesmo a Dona Zíbia, só a Dona Zíbia, quem gosta de ter lucros com os livros que edita pela sua editora? Será ela a mercenária?
Eu não sou contra a FEB se preocupar com o retorno financeiro que tem dos seus livros, porque não sofro da grave enfermidade que muitos espíritas têm em relação ao dinheiro; por isto não condeno a comercialização natural de livros espíritas, de CDs e DVDs espíritas e nem de produto nenhum, cuja produção a gente não consegue de graça. Eu seria contra se ela oferecesse sessões de passes pagos, se vendesse garrafas com água magnetizada ou se vendesse produtos cujo TOTAL da sua produção fosse absolutamente gratuito.
O que me causa estranheza é o julgamento com dois pesos e duas medidas:
Por que Dona Zíbia é acusada de mercenária, porque vende livros produzidos pela sua editora e a FEB não recebe a mesma acusação, por fazer exatamente a mesma coisa?
Alguém, lúcido, pode me responder?

O Chico Xavier soube disto depois

O Chico nunca negou que ficava triste, diante das ofensas, pois sempre se considerou humano. No primeiro momento ele só soube que a FEB havia recusado dar a autorização, e aí ele já ficou danado da vida e muito decepcionado.
Tempo depois, alguém levou para ele as informações mais detalhadas sobre o que detalhadamente aconteceu, creio que a informação fora conforme o Luciano coloca para nós.
Inclusive o detalhe de que os americanos quiseram produzir, distribuir e vender para o mundo os livros, eles mesmos, e obviamente, obterem os lucros sobre o material, e que a FEB não quis, já que ela queria produzir ela mesma, ficar com os lucros e repassar para os americanos apenas uma comissão, na condição de distribuidores.
Consta que o Chico, quando soube disto, disse:
– “Uai. Se eu passei os direitos das obras para a FEB, de graça, sem exigir um centavo pelo que fosse vendido, porque ela não fez o mesmo para com os americanos?”
E aí ficou mais danado ainda.
Gente, Chico nasceu humano, viveu humano e morreu humano! Por que muitos espíritas gostam tanto de canonizá-lo?
Chico sentava em privada, soava nariz, tinha diarréia, comia feijão, tossia, espirrava, urinava, soltava flatos, etc… Qual o problema? Será que essa sua característica humana diminui a sua obra?
O questionamento do Chico foi sensato e racional. Se ele deu de graça, para a FEB, sem querer nada em troca, por que ela não deu, também de graça, para os americanos?
Afinal, o espiritismo, com Jesus, não ensina que devemos dar de graça o que DE GRAÇA nós recebemos?
Será que alguém tem alguma dificuldade em entender isto?
Será que alguém vai querer aparecer para dizer que a história não foi bem esta, em que pese o questionamento do Chico, a ter sido desse jeito, ser absolutamente coerente?

Sobre a irritação do Chico

Luciano afirma que Chico Xavier não se irritou, mas outros amigos os quais eu consultei disseram que não apenas ele se irritou, mas que quase tem um infarto, chegou até a falar palavrão e que ficou aborrecidíssimo por muito tempo.
Gente, não vamos muito longe, mas as provas disto estão aí, explícitas, quando constatamos que a partir de 1969 nunca mais Chico Xavier deu direitos de livro nenhum para a FEB e nem permitiu mais que ela publicasse nada que viesse através dele.
Basta olhar na relação dos seus mais de 400 livros, na seqüência das publicações, e verificar os nomes das editoras.
Será que isto aconteceu sem motivo algum?
Foi obra do acaso?
Foi apenas uma coincidência?
Vamos partir da hipótese que o Chico tenha ficado com raiva por um ano apenas e que, depois desse tempo, considerando a santidade que emprestamos a ele, partamos do princípio que ele viesse a ter certa compreensão e tolerância especial pela FEB, considerando também que não poderia condená-la definitivamente, já que “errar é humano” e que devemos sempre compreender os momentos de fraqueza dos outros.
Ótimo, faz sentido.
Esperar-se-ia, então, que depois de um, dois ou três anos ele voltasse a doar direitos de livros para a FEB.
Uai, por que não doou?
Por que não doou NUNCA MAIS?
Daí perguntemos, mais uma vez: Será que esse episódio foi mesmo insignificante, foi coisinha boba e não foi conforme o Teodoro Lausi Sacco contou para o Alamar?
O próprio Nestor João Masotti, ex-presidente da FEB, dentro do nível moral e da honestidade que sempre lhe foram peculiares, consultou os livros antigos da instituição e me confessou que de fato isto aconteceu, num momento de certa infelicidade da FEB.

Sobre a amizade dele com o Armando de Assis

Consta que, também, é fato verdadeiro, conforme relata Luciano, e que, de fato, contribuiu para a animosidade dele em relação a FEB, pela decisão do Armando não querer mais se candidatar à reeleição à sua presidência, em razão das lamentáveis ocorrências de ordem interna.
Façamos então duas perguntas:
1) Que lamentáveis ocorrências de ordem internas seriam essas?
2) Será que o simples motivo de um amigo não querer mais se candidatar a reeleição da presidência, seria motivo tão relevante assim para o Chico NUNCA MAIS doar livro nenhum para a FEB?
3) Foi só uma questão de solidariedade, levar a FEB a ter uma punição tão rigorosa?
4) Será que não fica parecendo a tal irritação do Deus da Bíblia, que condenou a humanidade inteira, por toda a eternidade, só por causa de uma maçã comida pela Eva?

Conclusão

O objetivo do Alamar não é colocar verdade absoluta e inquestionável nenhuma aqui, é colocar o acesso a informação para que você a processe, utilizando a sua própria inteligência. Ouvir Luciano dos Anjos, assim como outros que contestem, é absolutamente saudável e necessário, mesmo em um meio onde determinadas pessoas não querem que ninguém conteste nada, sob pena de ser qualificado apenas como polêmico.
O Alamar, há muitos anos, vem lutando contra a mania que muitos espíritas têm em subestimar a inteligência dos outros, quando se acha no direito de determinar que tipo de livros a pessoa deve ler e quais são os expositores que ela deve escutar.
Eu não aceito isto e jamais admito que alguém venha me fazer fantoche das suas conveniências. Eu quero ter acesso a TODAS AS INFORMAÇÕES, EU EXIJO ISTO e quero, eu mesmo, tirar as minhas conclusões.
É por isto que eu criei o Canal 500, para mostrar as pessoas informações que com certeza o movimento espírita chamado “organizado” não vai passar mesmo. O canal 500 foi feito para mostrar Hernani Guimarães Andrade, Henrique Rodrigues, Wladimir Sanches, Clovis Nunes e muitos outros nomes que são “queimados” pelos donos da verdade espírita. Quero mostrar inclusive o Luciano dos Anjos com o seu arsenal de informações valiosas, sem censura nenhuma.
É necessário, também, que mostre para a geração espírita atual nomes extraordinários como Deolindo Amorim, Newton Boechat, Hermínio Miranda, Carlos Imbassahy, Herculano Pires, Júlio Cezar Grande Ribeiro, Jerônimo Mendonça, Nazareno Tourinho e inúmeros outros que foram praticamente apagados e quase ninguém mais fala.
É necessário fazer com que os espíritas conheçam o KARDEC TOTAL, que só pode ser entendido a partir do estudo criterioso da REVISTA ESPÍRITA, quando será percebido que o que se faz na maioria dos centros é totalmente diferente do modelo que ele praticou. Por acaso, nas mediúnicas que Kardec realizava, 75% do tempo era utilizado para atender espíritos sofredores ou o tempo integral era utilizando prioritariamente para conversar com os espíritos amigos e orientadores?
Constantino desviou totalmente o Cristianismo daquilo que o Cristo ensinou e que era praticado pelos primeiros cristãos. Não vamos permitir que outros Constantinos desviem o espiritismo daquilo que Kardec nos ensinou.

Beijão a todos.

Alamar Régis Carvalho
Analista de Sistemas, Escritor e Antares DINASTIA