quinta-feira, 7 de maio de 2015

O que deu na esquerda em apoiar Chico Xavier?


Algo está muito estranho. Um conhecido blogue de esquerda, ligado a um centro de mídia alternativa que leva o nome de Barão de Itararé, anda colocando como linque um texto de um blogue elogiando o filme As Mães de Chico Xavier e as figuras do anti-médium mineiro e de Divaldo Franco.

O que Francisco Cândido Xavier tem de "progressista"? Nada. Ele teve apenas a origem humilde, e só. Mas ele era ideologicamente conservador até a medula, preferindo o silêncio da prece do que o ativismo social.

Se dependesse de Chico Xavier, os professores de Curitiba não teriam sequer pensado em fazer passeata. Em vez disso, a classe teria se reunido apenas para orar em favor de Beto Richa, "benfeitor" da cidade, e pedisse a Deus para que o bondoso governador pensasse no amor ao próximo e agisse pela justiça social e em favor dos professores, os "segundos pais" da sociedade.

A ideia de Chico Xavier era rezar para que Beto Richa agisse de acordo com os "princípios cristãos" e resolvesse, à luz do seu livre arbítrio, medir os seus atos em prol da solidariedade, Quando a angústia dos professores pesar, basta apenas uma rezadeira e pronto.

A esquerda, ou melhor, as esquerdas brasileiras - sejam os moderados do PT e os quase radicais do PSOL, e no meio caminho o indeciso PC do B e os "zangados" PSB e PV escondidos nas calças da direita - , cometem suas contradições e omissões, e isso é compreensível porque o Brasil nunca teve tradição de ser um país socialista.

Quando se estava perto disso, vieram os militares e derrubaram o então presidente, João Goulart, contra o qual a sociedade pediu um golpe, com a Marcha da Família Unida com Deus pela Liberdade, que reuniu setores conservadores da sociedade civil e vários movimentos religiosos, dos "rosários" do padre estadunidense Patrick Peyton à Federação "Espírita" Brasileira.

Isso mesmo. A FEB, com Chico Xavier apoiando com entusiasmo, esteve no grande protesto contra João Goulart, pedindo a sua derrubada em março de 1964, processo que, sabemos, se concluiu no Primeiro de Abril. Curiosamente, no dia 02 de abril, aniversário do anti-médium, houve a Marcha da Família carioca, que seria de protesto mas, com o objetivo atingido, virou comemoração.

E quando boa parte da direita que apoiava o golpe militar passou para a oposição - como o jornal Correio da Manhã e figuras como Alceu Amoroso Lima, Sobral Pinto, Adhemar de Barros e até Carlos Lacerda - , Chico Xavier continuava com a mesma fúria golpista em 1971, como prova sua entrevista no Pinga-Fogo da TV Tupi paulista.

Ele despejava sua revolta contra camponeses, operários e sem-tetos, enquanto pedia para rezar pelos generais que construiriam o "reino de amor" para a humanidade futura. Sim, um "reino de amor" construído com o sangue de homens e mulheres presos, torturados, mortos e jogados em qualquer lugar. Um "coração do mundo" construído com banhos de sangue.

E vem, nos últimos anos, as esquerdas aplaudirem Chico Xavier, achando que ele, no seu fim da vida em 2002, iria se tornar socialista e comunista, apoiando PT, pedindo reforma agrária e apoiando o ativismo social. E a blogueira reclamando por que a grande mídia não divulgava As Mães de Chico Xavier, uma co-produção das Organizações Globo!

É claro que as esquerdas se tornam complacentes com certos fenômenos, instituições ou pessoas. Na Bahia, dois jornalistas se ferraram ao apoiar o antigo filhote da ditadura, Mário Kertèsz (que em sua Rádio Metrópole tem o anti-médium José Medrado como contratado), e o ex-prefeito de Salvador, num de seus surtos reacionários, esculhambou os dois escritores no ar em todo o Estado.

No âmbito nacional, as esquerdas acolheram jornalistas culturais vindos da Folha de São Paulo, do Estadão e até da Rede Brasil Sul, que inseriram seus preconceitos direitistas nas abordagens etnográficas, louvando mais a pseudo-cultura popular patrocinada pelo coronelismo midiático do que o verdadeiro folclore que continuava desprotegido e abandonado.

Exemplo disso é um Pedro Alexandre Sanches, que jogou visões de Francis Fukuyama e Fernando Henrique Cardoso na etnografia cultural, endeusava astros emergentes patrocinados pela Rede Globo e esculhambava o petista fiel Chico Buarque, para depois ser premiado com um cargo de reportagem no movimento chamado Jornalistas Livres, brincar de ser "inimigo" da grande mídia que o criou e treinou (o jornalista é uma das crias do horrendo Projeto Folha).

As esquerdas acabam perdendo a noção do que são realmente as classes populares. São os funqueiros apadrinhados pelos barões da mídia? Os grupos de "forró eletrônico" patrocinados por fazendeiros que mandam matar agricultores? Os axézeiros esquecidos que sentem saudade de Antônio Carlos Magalhães? Os ativistas digitais que recebem mesada do magnata George Soros?

É certo que a direita festiva de gente como Reinaldo Azevedo, Rodrigo Constantino, Rachel Sheherazade, Lobão e, sobretudo, o recluso Olavo de Carvalho, não entenderiam melhor de classes populares, como também não serão eles que apoiarão uma abordagem mais transparente da Doutrina Espírita.

Paladinos do capitalismo mais histérico, eles apenas estão bajulando as classes populares - apreciadas por eles de forma muito vaga - se aproveitando da crise que sofre o Partido dos Trabalhadores, mas é bom deixar claro que a identificação que eles têm com as classes populares é quase a mesma que, no âmbito da comédia, se conhece através de Justo Veríssimo, do saudoso Chico Anysio.

Não dá para entender, portanto, o que leva os esquerdistas agora a apreciar Chico Xavier, a divulgar até uma história em quadrinhos de Maurício de Souza - desenhista muito talentoso e argumentista ímpar, mas ideologicamente conservador - "ensinando o Espiritismo". O que deu neles em querer agora acariciar a FEB que cuspiu nas caras dos esquerdistas?

Será o verniz de humildade que o "espiritismo" brasileiro consegue simular? Talvez. O que se sabe é que o esquerdismo brasileiro não consegue conhecer o Brasil, não vendo diferença entre a oficina de artesanato e um escritório de um empresário de conjuntos de "forró eletrônico". Isso é o mesmo que não ver diferença entre a fruta natural e o chiclete de bola com sabor artificial desta fruta.

Ficamos perguntando por que isso acontece. Afinal, os sindicatos e entidades ativistas são feitos por pessoas que, em sua maioria, se originaram das classes populares, que vivem o cotidiano nos seus lugares de origem e por isso poderiam muito bem saber o significado do povo pobre fora dos estereótipos trazidos pela mídia coronelista.

Só que, em vez disso, eles parecem se iludir com uma visão "positiva" do povo pobre trazida pela mídia convencional (e reacionária), a caricatura exposta nos programas de auditório e entretenimento, carregada de preconceitos que herdaram ideias trazidas pelo pensamento neoliberal de Auguste Comte, Francis Fukuyama, Ortega y Gasset, Roberto Campos e Fernando Henrique Cardoso.

E aí eles não sabem mais o que é progresso. E acabam sendo "jantados" pela direita histérica, que com seus delírios golpistas são vistos como "paladinos do povo brasileiro", ocultando seus sentimentos justoverissimianos para falar em prol da Educação, da Cultura e da melhoria salarial.

A direita se aproveita disso para ter o apoio da "gente indignada". Na oposição, ela acaba defendendo ideais aparentemente progressistas, à primeira vista mais do que as esquerdas. Mas isso se dá até que um direitista conquiste o poder e faça o que Beto Richa fez com os professores, reprimindo-os diante de sua manifestação pedindo melhorias de vida.

E aí não dá para entender esse jogo ideológico. Mas, com toda a certeza, a esquerda adota uma postura perigosa defendendo Chico Xavier. Afinal, a realidade é dura, Chico Xavier apoiou a ditadura. Qualquer dúvida é só ver o Pinga-Fogo. Está no YouTube.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

A "data-limite" de Stephen Hawking

DO CONTRÁRIO DE CHICO XAVIER, STEPHEN HAWKING VIU PONTOS POSITIVOS NA VIAGEM À LUA.

Para o brasileiro médio, quem é Stephen Hawking? Um "primo" de Chico Xavier? Um homem esquisito que é tetraplegico e fala por vocoder (aparelho que "robotiza" o som de uma voz)? Um cientista que nada tem a ver com o cotidiano desse cidadão?

Bom, o que se sabe é que, para o "movimento espírita", Stephen Hawking é um "admirável cientista" que só tem o "lamentável pecado" de ser ateu. Tão bonzinhos os "espíritas" que ficam bajulando cientistas, quando sabemos que a doutrina brasileira está a léguas de distância do cientificismo de Allan Kardec, preferindo o mais retrógrado religiosismo de herança medieval.

Pois o cientista inglês, em uma de suas recentes palestras, transmitida em holograma, mas a partir de uma imagem dele próprio em sua casa na Inglaterra, ele acredita que a Terra não irá suportar a humanidade por mais de mil anos, daí crer que as expedições espaciais seriam fundamentais para a longevidade dos seres humanos.

"Não acredito que duremos outros mil anos sem sairmos de nosso frágil planeta. Por isso, lembrem-se de olhar para as estrelas, e não para os pés", disse Stephen, no seu habitual ceticismo, por intermédio do holograma, na conferência realizada na Sidney Opera House, em Sidney, Austrália, para uma plateia lotada.

Contrariando Francisco Cândido Xavier, que viu com apreensão a viagem de astronautas estadunidenses à Lua, em 20 de julho de 1969, vendo nele a raiz da Terceira Guerra Mundial, Hawking viu aspectos positivos na experiência, que abriu perspectivas para a colonização de outros planetas.

Hawking acredita que um dos fatores que está prejudicando a humanidade na Terra é a violência, admitindo que ela "pode ter feito a diferença para a sobrevivência dos homens das cavernas, para obter comida e território ou ainda parceira para se reproduzir, mas agora ela ameaça destruir a todos nós".

Hawking não é aquele que infantilmente acha que um grupo de astronautas chegando ao solo lunar iria impulsionar as disputas bélicas para depois despertar a ira da Natureza e destruir o Hemisfério Norte, com o "milagre" de deixar intata metade do Círculo de Fogo do Pacífico, de intensa e perigosa atividade vulcânica-sísmica com o mesmo grau dos "irmãos do norte".

O cientista inglês pode até ser controverso em sua tese, mas ele possui mais embasamento lógico do que o anti-médium mineiro que pensou nas "transformações futuras" através de uma combinação de moralismo religioso, pesquisas cartográficas e um constrangedor pedantismo científico.

Não sabemos se Hawking realmente está certo ou não a respeito da humanidade. Mas sabe-se que ele não falou em datas fixas, em castigos morais da Natureza, e mesmo sua ideia sobre a solidariedade humana se baseia apenas no processo simples de empatia, e não por uma doutrina religiosa que "despertará o interesse dos remanescentes dos povos extintos".

O que podemos afirmar, todavia, é que Hawking deu seu parecer com base em seus raciocínios lógicos, em sua visão de cientista e nas suas avaliações objetivas sobre os rumos da humanidade. Mas certamente Hawking é do tipo de pessoa que não expressou uma visão fechada desse futuro, até porque mil anos ainda é um período distante, conforme o contexto em que vivemos.

Com certeza, Hawking fez diferença em relação à equivocadíssima e cheia de erros e abordagens sociológicas e geográficas de Chico Xavier, pois a "profecia" do anti-médium mineiro, por trás de seu pedantismo pretensamente científico, esconde um retrógrado moralismo religioso. Para o "espiritismo", a ciência só serve para ser escrava da religião, fruto das paixões místicas de uns poucos homens.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Segundo Chico Xavier, ETs iriam compensar destruição do Hemisfério Norte


A "profecia" de Francisco Cândido Xavier é um relato cheio de estranhezas. Não bastassem erros de abordagens, que sugerem, por exemplo, que os eslavos deixariam seus países frios para viverem no calor do Nordeste, o anti-médium mineiro superestimava a missão de extraterrestres na Terra.

Segundo o relato de seu sonho de 1969, Chico Xavier dizia que, no século XX, a Terra teria recebido o aumento de visitas de naves extraterrestres, supondo que um breve contato com ETs iria influir diretamente no progresso da humanidade.

Juntando os diversos pontos de seus devaneios oníricos, Xavier, que acreditava que o Hemisfério Norte se tornaria uma região inabitável depois de 2019 e que o mundo remanescente entraria em contato com civilizações de outros planetas, que trariam conhecimentos úteis para o progresso da humanidade, então podemos fazer uma análise a respeito.

Segundo Chico Xavier, a destruição do "velho mundo", conhecido pelos avanços de caráter científico, cultural e intelectual - a próspera Escandinávia estaria incluída nessa "zona" - , seria compensada pela contribuição "valiosa" não só dos imigrantes remanescentes de áreas destruídas, como dos seres de outros planetas que visitariam a Terra.

Quer dizer, acreditava o católico caipira que o progresso da humanidade se daria através de algo que não conhecemos - a religião sempre toma o incerto como "certeza absoluta" - , o contato com extraterrestres, tão enigmático quanto o contato com espíritos do além.

Os "espíritas" têm essa certeza de que algo que não conhecemos ditará o nosso futuro, sem que possamos sequer prever algo mais consistente do que especulações de caráter místico e moralista, quando sabemos que sua religião, que no fundo desconhece completamente a Ciência Espírita, conhece ainda menos de Ufologia.

Além do mais, para um "espiritismo" inspirado nos dogmas católicos medievais - só descartou os aspectos mais coercitivos - tanto faz o "velho mundo" ser exterminado por completo, como a Antiguidade Clássica quase foi totalmente perdida com as guerras que depois constituíram o poderio do Império Romano.

O progresso intelectual, cultural e científico, que trabalhosamente era desenvolvido pela Grécia e Roma antigas, foi praticamente comprometido e só penosamente recuperado mais de mil anos depois. E, quando o "velho mundo" começa a pensar suas crises e seus dilemas, eis que um caipira mineiro roga o fim desse mundo experiente.

E aí ele aponta como solução o parcial legado do "velho mundo", através de réplicas existentes ou difundidas em países como Brasil e Austrália, incluindo traduções, ou da colaboração de remanescentes que imigrariam nos países do Hemisfério Sul.

Não se fala como se daria a Internet no caso, embora essa tecnologia tenha sido implantada justamente no mesmo ano da "profecia" de Chico Xavier, então conhecida como Arpanet, e restrita ao âmbito militar.

Ela salvaria o legado do "velho mundo"? Até que ponto haverá arquivos protegidos? Perderemos, por exemplo, documentos sobre a fundação de Paris e Londres, tal como se perderam os de Roma? E o armazenamento desses documentos, haverá tempo de todos serem carregados pelos "povos do Sul"?

Tudo isso acaba complicando a "profecia" de Chico Xavier, que costura moralismo religioso com delírios alienófilos, que fazem com que a ideologia chiquista sempre aposte no progresso de fora, enquanto a nós cabe sofrermos calados e conformados, e fazermos a tal "reforma íntima" para aceitar os absurdos e barbaridades que acontecem em nossas vidas.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Chico Xavier e a teimosia infantil de seus seguidores


Uma das coisas mais preocupantes existentes no Brasil é o apego desesperado de muitas pessoas pela figura de Chico Xavier, ele em si uma pessoa contraditória e alvo de idolatrias não menos contraditórias.

O falecido anti-médium, que personificou um jogo de opostos que leva seus seguidores ao delírio, apoiado em dicotomias como pobreza/riqueza, fraqueza/força, silêncio/voz e submissão/liderança, é uma espécie de obsessão que alimenta vaidades e fantasias dos brasileiros, quase que como um ícone ao mesmo tempo mórbido e sensual.

Chico Xavier é quase um brinquedo nas mãos dessas pessoas, que se dividem entre idealizar demais o anti-médium e fantasiá-lo dentro dos limites do aparente. Todos, porém, se alimentam do mito que se desenvolveu pelas mãos dos dirigentes da FEB, não sem uma dose grande de sensacionalismo e pieguice.

Os seguidores de Chico Xavier acabam se tornando um fenômeno à parte, já que são pessoas que parecem camuflar seus preconceitos, suas omissões, suas neuroses e defeitos, acomodados numa idolatria a alguém que nunca teve qualidades realmente especiais.

A pretensa e muito mal justificada unanimidade em torno dele faz camuflar seus graves defeitos e deixar passar uma doutrina confusa e tomada de erros tão sutis quanto graves, mas que pelo conjunto da obra colocam numa situação pior do que as chamadas "seitas neopentecostais".

Isso porque, pelos graves erros cometidos pelo "espiritismo" feito no Brasil, que reduzem a doutrina de Allan Kardec a um neo-Catolicismo que quase nada tem a ver com o pensamento kardeciano, a religião brasileira que queria ser a vanguarda das crenças espiritualistas periga e sucumbir a um patamar inferior às seitas de R. R. Soares, Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdomiro Santiago.

Sim, porque os erros que os "neopentecostais" cometem são muito grotescos e sem muita sutileza. Como os tais Gladiadores do Altar de Edir Macedo, espécie de "pitboys de Cristo" sugerindo um "UFC da fé". Já o "espiritismo" pode cometer erros pouco perceptíveis, mas que escondem graves efeitos que só se deixam passar pelo desconhecimento da maioria das pessoas.

O apego a Chico Xavier mostra o quanto as pessoas que o seguem são muito inseguras de si e que, com tal idolatria, não se tornam mais confiantes, antes camuflando seus defeitos diversos com uma falsa impressão de que está fazendo o bem admirando um mero estereótipo.

Afinal, o que está em jogo é a idolatria a um estereótipo do "velhinho humilde", que faz as pessoas ficarem na zona do conforto de sentimentos confusos que variam entre a permissividade de seus defeitos, a falsa modéstia e os preconceitos sociais diversos.

Chico Xavier torna-se então idealizado, fantasiado e tudo o mais. Seja dentro dos limites dos clichês do médium, religioso e filantrópico, seja pelas idealizações surreais que o fazem, em primeira instância, ser visto como um "filósofo" de um país sem grandes filósofos, e, em casos extremos, como um suposto intelectual que muitos querem ver reconhecido como "cientista".

As pessoas deixam de cuidar de suas realidades, porque a fantasia de Chico Xavier vale tudo. O apego à sua figura, às suas frases, seus livros, a hesitação em atribuir ou não a validade de Emmanuel, a condescendência de esquerdistas e até de kardecianos pouco contestadores à sua figura, dão a impressão de que Xavier, mesmo depois de morto, recebe todo tipo de blindagem.

A teimosia infantil dos chiquistas de várias correntes, uns só acreditando no que Chico Xavier realmente diz, outros querendo interpretar maravilhas ocultas pelo legado xavieriano, faz com que ele desvie as pessoas dos verdadeiros problemas que afetam o país.

Chico Xavier foi um mito alimentado pelas fraudes cometidas pela FEB e pelo próprio anti-médium (Xavier não é mais médium porque virou o centro das atenções, virou uma grife e não o intermediário da comunicação espírita), associado a plágios literários, falsa psicografia e ao apoio a fraudes de materialização.

Personificando ideais moralistas que agradam as famílias, Chico Xavier também expressa a imagem do velhinho frágil e gentil, que serve como álibi para adultos que desprezam e maltratam seus próprios idosos poderem passar uma "boa impressão" para amigos e colegas de trabalho.

O anti-médium personifica ideais conservadores, mas associados a estereótipos de uma bondade que as pessoas não compreendem bem o que significa. E as contradições de Chico Xavier também personificam a confusão mental de seus seguidores, que não sabem se são progressistas ou conservadores, moralistas ou libertinos, humildes ou elitistas, modernos ou retrógrados.

Chico Xavier, como mito, expõe seus seguidores a essas contradições e dilemas os quais todos querem manter mediante uma certa estabilidade. Na falta de um grande filósofo, ele virou dublê de pensador com suas frases dóceis.

Corrompendo o legado das crenças orientais, os chiquistas acham que ser contraditório é maravilhoso, interpretando mal a ideia de yin e yang, as ideias taoístas de dualidade e convívio de opostos. Com Chico Xavier, permite-se que as pessoas sejam e não-sejam ao mesmo tempo, criando um comodismo nas debilidades humanas.

E isso se torna muito perigoso, como perigosa foi a "psicografia" trazida pelo anti-médium, que explorava as tragédias familiares de modo sensacionalista, transformando a comoção familiar em espetáculo e evitando que as famílias chorem a perda de entes queridos no sossego necessário de suas privacidades.

As pessoas deixam de terem um conhecimento autocrítico e realista de si mesmas, apegadas à crença de um "velhinho humilde". Camuflam preconceitos, neuroses, debilidades, frustrações e discriminações, por causa de valores associados a Chico Xavier que variam entre um livre-arbítrio permissivista e um moralismo severo.

Daí a série de prejuízos, limitações, suplícios e outros problemas que os chiquistas e o "espiritismo" em geral acabam causando nos seus envolvidos. O apego a Chico Xavier acaba sendo uma barreira para as pessoas se desenvolverem de forma independente, pois todos acabam sendo submissos e dependentes do "bom velhinho".

Isso faz com que as pessoas se tornem escravas de seu mito, de seus estereótipos, do açúcar em doses diabéticas de suas "palavras de amor", de uma série de estigmas e paradigmas ligadas a valores que, no fundo, são conservadores e vitalmente restritivos.

Por isso, a solução para a vida das pessoas seria tirar Chico Xavier de seu pedestal e condená-lo ao esquecimento, após um grande questionamento de sua figura, o que não é prejuízo algum, uma vez que ele nunca fez em prol do ativismo social, da espiritualidade e do progresso humano. E existem milhares de pessoas que fizeram melhor e muito mais do que ele.

domingo, 3 de maio de 2015

Blogueira de esquerda endeusa Chico Xavier, que defendeu a ditadura

FRAGMENTO DE UMA POSTAGEM DE BLOGUE DEDICADA A CHICO XAVIER

Tem gente que é ingênua e age por boa-fé que não lhe permite o discernimento completo das coisas. Um blogue de esquerda, chamado Arte, Ciência e Política, publicou, em sua postagem de 15 de abril de 2011, um verdadeiro manifesto pró-Chico Xavier, com direito até a linque com entrevista de Divaldo Franco, outro anti-médium associado.

A blogueira se define como "petista, comunista, socialista" e parece não estar inclinada ao poderio da grande mídia, sendo provavelmente oposta à supremacia da Rede Globo, O blogue está inativo desde 2012, embora a blogueira continue com outras atividades. Ela escreveu o seguinte texto sobre Chico Xavier, reproduzido aqui na íntegra:

"* Meus caros *
A mídia está OMITINDO a divulgação do filme AS MÃES DE CHICO XAVIER. Todavia, o filme é muito consolador e instrutivo, beneficia a mentalidade humana, defende a vida e divulga o pensamento espírita. Face à omissão da mídia, as salas de cinema estão vazias. O compromisso é nosso de lotar os cinemas no fim de semana, para manter a bela e emocionante produção em exibição, divulgando a imortalidade da alma e o exemplo incomparável de Chico Xavier. Não havendo público, a exibição será retirada do circuito. Muito mais que o prejuízo financeiro na produção, está o prejuízo da mensagem consoladora que não chega a tantos corações angustiados e amargurados diante das perplexidades com que se defrontam as criaturas humanas no grave momento que atravessa a Humanidade. Portador de uma mensagem de esperança e renovação, defendendo a vida e exaltando a imortalidade, o filme merece o apoio maciço dos espíritas. Lotemos os cinemas Peço aos amigos repassarem essa mensagem para todos os seus contatos. Muito mais que isso, divulgar também em nossas reuniões públicas, face ao aspecto confortador que o filme apresenta, pela emoção e ensinos que transmite. ___"

O grande problema em sua abordagem é que o filme As Mães de Chico Xavier é uma co-produção da Globo Filmes, como o filme biográfico que o antecedeu. A grande mídia não omitiu a divulgação, se as pessoas pudessem ver os intervalos comerciais verá que houve divulgação do filme, sim, e que as Organizações Globo tornaram-se um dos braços estratégicos da Federação "Espírita" Brasileira.

Ou as pessoas não veem a Globo mesmo para observar suas armadilhas, ou simplesmente veem seus programas e vão fazer outras coisas durante o intervalo. A grande mídia deu cobertura, sim, ao referido filme, que contava com astros da Globo no elenco, a blogueira é que não percebeu, deve ter corrido, na hora do intervalo, para ver os blogues de esquerda e se esqueceu da TV.

É claro que as pessoas acabam não vendo muito a Rede Globo e sua aversão as deixa despercebidas em muitos processos. Como no "funk carioca", em que uma jornalista da Caros Amigos chegou a dizer que Mr. Catra, um de seus maiores ídolos, seguia "invisível às corporações da grande mídia", mesmo com muitas aparições no Caldeirão do Huck, apresentado pelo insuspeito Luciano Huck.

A falta de discernimento, quanto ao pano de fundo ideológico de Chico Xavier, é gritante. Ela se esqueceu de declarações de caráter conservador ditas pelo próprio anti-médium - para ninguém acusar que foi atribuição de terceiros que falavam "em nome de CX" - no programa Pinga-Fogo, da TV Tupi de São Paulo, em 28 de julho de 1971, com vídeo disponível no YouTube.

Em várias de suas declarações, Chico Xavier dizia para orarmos em favor dos generais que estavam "construindo o reino de amor" da humanidade futura. E nesse ano de 1971, a ditadura militar estava em sua fase mais violenta e havia perdido o apoio de boa parte da sociedade que reivindicou sua implantação.

Uma das frases ilustrativas de Chico Xavier dadas no programa - portanto, ditas por ele mesmo - demonstra não só a defesa da ditadura militar, como corrobora um discurso golpista que em 1971 deixava de ser usado por muitos que pediram a queda do presidente João Goulart anos antes:

"Temos que convir (...) que os militares, em 3l de março de 1964, só deram o golpe para tomar o Poder Federal, atendendo a um apelo veemente, dramático, das famílias católicas brasileiras, tendo à frente os cardeais e os bispos. E, na verdade, com justa razão, ou melhor, com grande dose de patriotismo, porque o governo do Presidente João Goulart, de tendência francamente esquerdista, deixou instalar-se aqui no Brasil um verdadeiro caos, não só nos campos, onde as ligas camponesas (os “Sem Terra” de hoje), desrespeitando o direito sagrado da propriedade, invadiam e tomavam à força as fazendas do interior. Da mesma forma os “sem teto”, apoderavam-se das casas e edifícios desocupados, como, infelizmente, ainda se faz  hoje em dia, e ali ficavam, por tempo indeterminado. Faziam isto dirigidos e orientados pelos comunistas, que, tomando como exemplo a União Soviética e o Regime Cubano de Fidel Castro, queriam também criar aqui em nossa pátria a República do Proletariado, formada pelos trabalhadores dos campos e das cidades".

Para uma blogueira que se acha comunista, é estarrecedor o respaldo dela a uma personalidade que ainda apoiava um regime político o qual a blogueira, se vivesse naquela época, teria sido simplesmente presa, estuprada, torturada e depois assassinada, às vezes até usada como cobaia em amostras de tortura que o DOI-CODI exibia em seminários feitos para militares em parceria com a CIA, órgão do Departamento de Estado dos EUA.

A título de comparação, um dos apoiadores do golpe militar de 1964, o líder católico Alceu Amoroso Lima (famoso pelo pseudônimo Tristão de Athayde), que acusou Parnaso de Além-Túmulo de ter sido um pastiche forjado por editores da FEB, já havia passado para a oposição naquele meado de 1971.

Até Carlos Lacerda, o antigo líder udenista, ex-governador do Estado da Guanabara e que foi um dos maiores defensores do golpe militar, passou para a oposição e comandou até um movimento pela redemocratização, a Frente Ampla.

Chico Xavier era o anti-ativista, porque preferia o silêncio da prece e reprovava a mobilização social. Preferia conciliar com os tiranos do que lutar contra seu poder. No parágrafo que destacamos, o anti-médium esculhambou, com palavras abertamente reacionárias, os trabalhadores, desabrigados e camponeses, "orientados pelos comunistas", o que faz a blogueira acender a vela para duas forças antagônicas. E são palavras próprias do "homem chamado Amor"!!

São posturas assim um tanto cordeirinhas da nossa esquerda que permitem que os reacionários retornem às custas dos pontos fracos das forças progressistas, condescendentes e complacentes conforme as circunstâncias, perdendo a firmeza e o discernimento nos momentos em que se deveria ser mais firme e observador.

sábado, 2 de maio de 2015

Parte dos chiquistas não aceita tese da "Data-Limite"

UMA CORRENTE DE CHIQUISTAS NÃO LEGITIMA RELATOS DIVULGADOS POR GERALDO LEMOS NETO (FOTO).

Outro problema que complica a situação da suposta "profecia" de Francisco Cândido Xavier é o fato de que o relato teria sido dado por outra pessoa, aparentemente sem registro do que o próprio anti-médium mineiro havia dito de sua própria voz.

Existe uma corrente dos chamados "chiquistas" - seguidores e adeptos de Chico Xavier - que mantém o que eles acreditam de "rigor realista" de sua pessoa. Essa corrente se limita a ver o anti-médium como uma figura "bondosa" e restrita apenas ao que ele havia dito ou feito de forma supostamente mais evidente.

Segundo essa corrente, a dos "chiquistas puros", Chico Xavier não pode ser usado para atribuições além de sua função de "médium" e "filantropo". Ele estaria limitado apenas a atos de caridade, divulgação de mensagens e ao que ele disse ou escreveu de maneira mais evidente.

Isso significa que essa corrente não admite que Xavier seja usado para virtudes além das mais evidentes, não aceitando qualquer tipo de mensagem subliminar, seja ela de caráter positivo ou negativo, e mesmo aquelas que exaltassem a sua figura em prol de qualidades "excepcionais".

A tese que eles defendem é a de que Chico Xavier seria uma figura ao mesmo tempo "inocente e pura", "simples e humilde", e definem sua imagem aos limites de sua origem humilde e sua missão aparentemente filantrópica.

Com isso, eles não aceitam que Chico Xavier seja definido através de interpretações de terceiros, da mesma forma que se recusam a interpretá-lo fora do seu discurso aparente, mesmo que seja para colocá-lo no clube de grandes cientistas.

Eles são capazes de questionar tanto o suposto milagre da "estátua que chora", como se atribuiu ao busto em homenagem ao anti-médium no seu mausoléu em Uberaba, que exagera na sua reputação religiosa, como nas alegações de "antecipação científica" das obras atribuídas a "André Luiz".

Da mesma maneira, os "chiquistas puros" acham ofensivo dizer que Chico Xavier apoiou fraudes de materialização, fez plágios literários, cometeu "leitura fria" para colher dados para supostas psicografias e fez julgamentos cruéis como no caso das vítimas da tragédia do circo de Niterói, acusadas de terem sido "cidadãos sanguinários" que viveram na Gália (atual França).

CONTRADIÇÕES

Os "chiquistas puros" afirmam que só defendem uma imagem "mais realista e coerente" de Chico Xavier, e, embora eles acertem ao se recusarem a reconhecer no anti-médium qualidades que nunca lhe existiram, como de "cientista" e "analista político", erram pelo fato de ignorarem que mesmo os aspectos mais "realistas" de seu ídolo também são mistificação.

Em primeiro lugar, eles se sentem ofendidos quando veem terceiros afirmarem "Chico Xavier disse", "segundo Chico Xavier", quando não há registro do anti-médium dizendo tais ideias pelas próprias palavras. Como no caso de Geraldo Lemos Neto atribuir ao religioso de Pedro Leopoldo a ideia de que seríamos salvos por extraterrestres, que os "chiquistas puros" acham "um absurdo".

Mas eles não fazem o menor questionamento sobre, por exemplo, os livros atribuídos ao espírito de Humberto de Campos, que uma observação cautelosa reconheceria disparates em relação à obra que o autor maranhense produziu em vida. Eles não questionam que Chico Xavier pusesse sob a responsabilidade de Humberto ideias e narrativas que o escritor e acadêmico nunca escreveria.

Um livro como Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, para citar o mais famoso livro dos que se atribuem oficialmente ao espírito de Humberto de Campos, nunca teria sido escrito pelo autor maranhense, pelos constantes erros históricos, pela narrativa confusa e fabulosa e pelo tom melancólico que Chico Xavier produziu para o "espírito Humberto".

Essas pessoas ficam ofendidas quando outros "falam por Chico Xavier", mas não se cuidam que Chico Xavier também usou outros nomes para lançar suas ideias, sobretudo Humberto de Campos, mas também Olavo Bilac, Castro Alves e até Auta de Souza, os quais se notam aberrantes contradições de estilo e ideias nos supostos poemas espirituais.

Será que não ficariam ofendidas quando Chico Xavier vinha com "Humberto de Campos disse", "segundo Olavo Bilac", "como dizia Auta de Souza" e coisa parecida? Com lágrimas, reclamam que Chico Xavier "não está aí para reclamar", quando veem terceiros falando em nome do anti-médium.

Mas essas mesmas pessoas agem com profunda indiferença quando também se fala que Humberto de Campos, Auta de Souza, Olavo Bilac e tantos outros não estão aí para reclamar o uso leviano de seus nomes pela pena tendenciosa de Chico Xavier.

Achando que estão defendendo a visão de Chico Xavier "fiel" à realidade, os "chiquistas puros" na verdade defendem um mito e uma fantasia. Isso porque a trajetória de Chico Xavier não passou disso mesmo: sua mistificação e mitificação, como propaganda para o religiosismo do "movimento espírita" de herança católica-medieval.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

E se a "profecia" de Chico Xavier for uma mentira?

GERALDO LEMOS NETO COM FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER

Muito se fala da suposta "profecia" de Chico Xavier, e observa-se uma porção de equívocos que simplesmente desqualificam o relato do sonho que o anti-médium mineiro teve em 1969 e que foi relatado por Geraldo Lemos Neto que o divulgou a partir de 1986.

No entanto, há também uma outra hipótese que aumenta ainda mais o rol de confusões causadas por esse relato, que resultou no livro Não Será em 2012 e no documentário Data-Limite Segundo Chico Xavier. A de que a suposta "profecia" ter sido uma mentira.

E de onde teria partido essa mentira? De Geraldo Lemos Neto querendo se autopromover com tamanho sensacionalismo? Por que ele levou 17 anos para divulgar as supostas previsões? E com que finalidade ele queria com isso?

Ou o relato do sonho teria sido uma mentira contada pelo esperto Francisco Cândido Xavier? Ele era conhecido plagiador de livros, católico fervoroso e ideologicamente ultraconservador - ele seria alinhado entre os religiosos de direita - que se apropriou da fachada "espírita" para jogar Allan Kardec no lixo das boas ideias nunca devidamente aproveitadas no Brasil.

A nosso ver, não acreditamos que Geraldinho, como era conhecido o homem que recebeu os relatos oníricos de Xavier, tenha inventado tamanhos desvario. Acredita-se que ele, amigo e entusiasmado fã do anti-médium, tenha agido em total respeito e admiração à sua figura.

Se Geraldo Lemos Neto exagerou em alguma coisa, foi na idolatria e no seu desejo em ver Chico Xavier visto como "cientista" e "estrategista político", conduzindo toda a sua interpretação do tal sonho para este sentido.

Um desses exageros seria Geraldo atribuir, equivocadamente, relatos de militares sobre naves extraterrestres em 1964 e 1967 como uma "confirmação" da suposta "profecia" de Chico Xavier. Nunca fatos passados antes iriam confirmar uma profecia, porque a profecia se dirige ao futuro, nunca se destinando a comprovar o que já ocorreu e que foi comprovado pelos fatos em si.

O que provavelmente podemos inferir é que, se há alguma mentira, ela partiu de Chico Xavier, um homem supostamente frágil mas que, de acordo com as conveniências, era capaz de fazer julgamentos ferinos, fraudes e outros tipos de espertezas.

Se usarmos a hipótese de que a "profecia" da "data-limite" teria sido uma mentira, então ela se constituiu quando Chico Xavier, ao relatar o sonho, inventou com base em algumas crendices suas e em alguns devaneios de ordem política, geológica e humanitária para causar impressão ao jovem Geraldinho e seduzi-lo na sua boa-fé, atraindo sua confiança.

O sonho é complexo demais para render uma "profecia" tão minuciosa, sobretudo em se tratando de um relato de um católico fervoroso, dotada de pedantismo geopolítico-científico, o que pode fazer sentido na hipótese de muita coisa ter sido inventada por Chico Xavier sem que ele tivesse sonhado com boa parte de seus relatos.

Em todo caso, é muito estranha a atribuição como "profecia" de um sonho que os "espíritas" definem como "desdobramento da alma". Para a maioria dos chiquistas, Chico Xavier "não" sonhava, mas se "transportava" para o mundo espiritual, como figura "especial" que atribuem até hoje a ele.

As contradições, equívocos e exageros do sonho, em si, já põem em xeque o caráter de "profecia". Sem falar que o próprio Allan Kardec reprovava com muita firmeza a ideia de determinar datas fixas para acontecimentos futuros. Para ele, a ideia de "Data-Limite" é, por si mesma, natimorta.