quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Governo Federal sanciona Dia do Evangelho para favorecer igrejas
A presidenta Dilma Rousseff sancionou, ontem, a Lei 13.246, que institui o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho, "sem qualquer discriminação de credo entre igrejas cristãs". Já existe um outro Dia Nacional do Evangelho, celebrado em 30 de novembro. A data da nova efeméride, 31 de outubro, coincide com o Dia das Bruxas, conhecido no exterior como Halloween.
Embora aparentemente seja uma ótima notícia, sobretudo para aqueles que estão acostumados com a fé religiosa e com a associação da mesma a tudo de bom que acreditam, o Dia Nacional da Proclamação do Evangelho reflete o lobby da bancada evangélica no Congresso Nacional.
Embora a palavra "evangelho" venha do grego "euangelion", que quer dizer "boa nova", o termo ficou banalizado pelo Catolicismo medieval como um repertório de mensagens mistificadoras na qual se destaca a submissão pela fé aos dogmas e ritos religiosos.
Evangelizar é, portanto, fazer proselitismo religioso, envolver as pessoas num repertório ideológico que envolve mitos surreais, ideias místicas e pregações moralistas. Embora a palavra "evangelho" fascine muitas pessoas, por representar uma ideia que acreditam "boa", como se fosse a "mensagem da bondade", ela tornou-se um processo de manipulação e dominação ideológica pela religião.
COMPETIÇÃO
O grande problema é que, embora haja a promessa de "não promover a discriminação", a iniciativa fortalece a já acirrada competição entre a Igreja Católica, as seitas neopentecostais e o "movimento espírita".
A ideia, portanto, que está por trás disso tudo não é a transmissão da "boa palavra" ou das "mensagens de amor e paz", mas na disputa de "rebanhos" dos três movimentos, como uma forma de estabelecer um poder teocrático no Brasil.
A influência da "bancada da Bíblia", fortalecida com a escolha do deputado carioca Eduardo Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados, ele que é membro da Assembleia de Deus, põe as seitas neopentecostais, consideradas "evangélicas", em posição de vantagem na concorrência religiosa.
No entanto, observa-se também o entusiasmo do "movimento espírita", que com sua vocação igrejista sempre pautou pela "evangelização" como forma atualizada do antigo catecismo, aproveitando a influência do padre jesuíta Manuel da Nóbrega, que havia sido mentor de Francisco Cândido Xavier.
É notória a maneira com que Chico Xavier exaltava os dogmas religiosos, e a palavra "evangelho", no sentido em que foi trazido pelo Catolicismo medieval - base ideológica do "espiritismo" brasileiro - , lhe soa como uma música para seus ouvidos.
A própria ideia de "Pátria do Evangelho" inspira a comemoração dos "espíritas" quanto ao decreto da referida data, e imagina quantas palestras "encantadoras" serão feitas nos "centros espíritas" e quantos artigos em nos periódicos dessa doutrina, celebrando a efeméride, que sob a ótica "espírita" seria o primeiro passo para o que acreditam ser o cumprimento da "profecia de Chico Xavier" para o Brasil.
ALLAN KARDEC QUERIA ESTUDAR E NÃO ADORAR
O "espiritismo" brasileiro, no seu discurso ideológico, tenta confundir as ideias de estudo e culto, para garantir seu igrejismo dissimulado por um falso cientificismo. E definem, equivocadamente, o pedagogo Allan Kardec como "evangelizador", sem atentar sobre o verdadeiro histórico de um de seus principais livros.
O livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, de 1864, cujo título francês é L'Évangile selon le spiritisme, inicialmente se intitularia Imitation de L'Évangile selon le spiritisme. Embora a palavra francesa "imitation" possa ser traduzida como "imitação", o termo, neste caso, é um falso cognato, por apresentar um outro significado, "interpretação".
Kardec estudava os evangelhos apócrifos do Novo Testamento, a partir de uma tradução francesa, de Leimastre de Sacy, mas considerando também as traduções em grego e hebraico. Ele também dedicava um capítulo para analisar o pensamento de Sócrates e Platão e, além disso, dedica um capítulo, no começo do livro, para o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos.
Portanto, é uma obra de questionamentos e argumentações, e não uma obra de louvor ou uma "Bíblia espírita". Kardec queria estudar, não adorar o Evangelho. O termo "evangelho" pouco tem da forma glamourosa que se conhece, e serve apenas para as análises de conteúdo trazidas pelo pedagogo francês.
Se os "espíritas" passaram a adotar o termo "evangelho" no sentido igrejista, é porque tomaram como partida a fonte de toda a catolicização do "espiritismo" brasileiro, o livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing, autor que, embora seja visto pelos "espíritas" como se fosse um "bicho-papão", forneceu as diretrizes que a doutrina brasileira adota até hoje.
Portanto, a "evangelização espírita" segue esse princípio de um "roustanguismo sem Roustaing" da fase dúbia do "espiritismo", em que o igrejismo se traveste de ciência para seduzir e ludibriar as pessoas, competindo com católicos e neopentecostais para ver quem promove a Teocracia no Brasil.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2016
"Espiritismo" e a manobra ideológica da "união fraterna"
O "movimento espírita", nos momentos em que a discordância e o conflito batem à sua porta e nas ocasiões em que as contestações a ele se tornam mais rigorosas, faz jogo de cena e, sob o pretexto de ser vítima de "lamentáveis campanhas de ódio", pede "união" e "solidariedade" ante "tamanhas tempestades".
Com isso, investe em declarações chorosas, reforçando seu igrejismo, pedindo "mais fé em Deus" e "mais amor em Cristo", e pregam a "união fraterna" e a "solidariedade" como forma de superar tais turbulências.
Só que a gente sabe que esse discurso de "união", tão vago quanto carregado de muita pieguice, é completamente inócuo. Afinal, de que forma nos "uniremos"? Para que causa iremos "nos solidarizar" que não sejam as causas abstratas da "fé em Deus" e do "amor em Cristo"?
Isso os "espíritas" não sabem explicar. É bem provável que não queiram. E, como o "espiritismo" brasileiro é movido por conceitos herdados do Catolicismo português, de herança medieval, a ideia que temos é a "união" no sentido de "juntar o rebanho", de "não deixar o gado se perder".
A ideia de "união", trazida por ideologias manipuladoras e com tendência dominante, esconde, na verdade, um mecanismo de juntar pessoas para obedecerem a alguma causa em jogo, atraindo o maior respaldo possível a alguma causa em jogo, no caso a deturpação "espírita".
Na história do "movimento espírita", campanhas de "união" e "solidariedade" sempre tiveram como propósito a supremacia da tendência religiosista da doutrina, e isso é coisa que vem desde os primeiros anos da Federação "Espírita" Brasileira.
O então presidente da FEB, o médico Adolfo Bezerra de Menezes - que ainda necessita de uma biografia imparcial e realista, despida de deslumbramentos religiosos e idolatrias sem nexo - é oficialmente tido como "unificador", resolvendo as discordâncias de forma que prevalecesse a causa roustanguista que transformou a Doutrina Espírita num engodo igrejista.
Com os incidentes e impasses ao longo dos anos, é risível o decorrer das manobras "unificadoras" do "movimento espírita". Em 1884, um falso Allan Kardec, em mensagem "espiritual" trazida estranhamente em língua portuguesa, pedia para as pessoas se unirem em torno da "Revelação da Revelação", alusão ao subtítulo do livro Os Quatro Evangelhos, de Jean-Baptiste Roustaing.
Na crise do roustanguismo, que se acentuou sobretudo com a aposentadoria de Antônio Wantuil de Freitas, que no começo dos anos 1970 saiu da presidência da FEB e, doente, faleceu em 1974, um falso Bezerra de Menezes, em mensagem também tida como "espiritual", afirmava seu "arrependimento" pela postura roustanguista e pedia para as pessoas se unirem em torno de Allan Kardec e apelava para que todos se "kardequizarem".
Era, na verdade, uma postura tendenciosa. Dr. Bezerra "reaparecia" em mensagens diversas divulgadas por Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco. Roustanguistas, Chico Xavier e Divaldo Franco viram o navio da cúpula da FEB se naufragar e, portanto, tinham que "mudar de barco" e se aliarem aos "espíritas" tidos como "kardecistas autênticos".
Desconfiado, Carlos Imbassahy, o pai, um dos críticos mais enérgicos da deturpação "espírita", havia denunciado esta corrente do "movimento espírita", pelo oportunismo que representavam alguns roustanguistas "dissidentes". Também chama-se a atenção quanto ao verbo "kardequizar" (e não "kardecizar", que sugere um igrejismo sutil, por ser uma corruptela do termo "catequizar".
O verbo "catequizar", que corresponde à educação feita para converter laicos, pagãos e hereges à Igreja Católica, foi uma prática que a História do Brasil registra como o método de ensino dos jesuítas. Um dos jesuítas conhecidos, o padre Manuel da Nóbrega, reapareceu no "movimento espírita" através de Chico Xavier e usando o codinome Emmanuel, referente a "Ermano Manuel" ("Irmão Manuel", em português arcaico) dos tempos coloniais.
Foi a corrente dos "kardecistas autênticos" que passou a prevalecer no "movimento espírita" a partir dos meados da década de 1970. Uma corrente contraditória, da qual seus seguidores e ideólogos juravam a "fidelidade absoluta" a Allan Kardec, mas expressavam um igrejismo evidentemente de influência católica, que seus malabarismos discursivos tentaram, em vão, esconder.
Essa corrente se tornou traiçoeira porque seus ideólogos faziam de tudo para manter a aparência "kardeciana". permitindo que se façam textos com ligeiras abordagens "científicas" e que se até se use, desde que de maneira tendenciosa, os alertas de Erasto contra os "inimigos internos" do Espiritismo.
Essa apropriação era uma amostra da astúcia dos "kardecistas autênticos" que escondiam sua própria condição de deturpadores do Espiritismo. Eles, os verdadeiros inimigos internos, como lobos em pele de cordeiro, se passariam por "fiéis seguidores de Allan Kardec" ao "denunciar" os "outros inimigos", enquanto eles mancham o Espiritismo com seu igrejismo mal disfarçado de "espiritismo de verdade".
E aí é o que vemos na fase atual do "movimento espírita". Prevalece uma abordagem igrejista, de inspiração roustanguista, mas muito mal disfarçada na pretensa combinação entre Ciência, Filosofia e Moral. E, o que é pior, com os espertalhões "espíritas" fingindo "respeito rigoroso ao pensamento de Kardec" e até fazendo que "denunciam" os "igrejismos" e "vaticanizações" da Doutrina Espírita.
E é isso que o "movimento espírita" quer. Que nos "unamos" na deturpação dissimulada que eles fazem. Que aceitemos suas contradições e seus erros, seu moralismo, seu igrejismo, e fiquemos felizes porque eles são "bonzinhos" e ilustram seus textos e palestras com coraçõezinhos, crianças alegres ou ilustrações pseudo-científicas de seres humanos.
Daí que existem armadilhas até no discurso "unificador", em que a demagogia esconde processos de dominação e manipulação. A ideia é "unir as pessoas" como se fosse juntar um gado, um rebanho, para que sofrêssemos "felizes", como "ensinou" Chico Xavier, unidos num mesmo deslumbramento religioso e num modo de vida "qualquer nota".
Fora das felizes alegorias, isso quer dizer que, como na canção de Zé Ramalho, tenhamos que viver uma "vida de gado". Povo marcado, povo "feliz".
terça-feira, 12 de janeiro de 2016
Falecimento de David Bowie e o fracasso das predições "espíritas"
ÚLTIMO VÍDEO MUSICAL DE DAVID BOWIE, DA MÚSICA "LAZARUS".
O falecimento de David Bowie, pelo que ele representou para a humanidade nas últimas décadas, surpreendeu o mundo. Ele havia lançado um novo disco, Blackstar, e havia completado 69 anos no último dia 08, mas faleceu vítima de câncer dois dias depois.
Bowie era uma das personalidades mais avançadas que passaram na Terra, pela sua carreira artística bastante criativa e versátil, com trabalhos fundamentais como cantor, músico, compositor e até ator. Ele está associado a muitos trabalhos de vanguarda que produziu em sua carreira, como os álbuns Space Oddity (1969), The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), Low (1977), Heroes (também 1977) e Lodger (1979).
O impacto causado pela morte do "camaleão do rock" significa não apenas a perda de um músico ímpar, que deixa a música cada vez mais órfã e mais entregue à canastrice comercial que já domina nos últimos 25 anos, mas também a queda de um mito tão alardeado pelo "movimento espírita" brasileiro - sobretudo Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco - , a de que pessoas atrasadas estariam morrendo mais cedo que pessoas de perfil mais avançado.
É certo que há, no Brasil e no exterior, homicidas famosíssimos que, já idosos, estejam perto de morrer, e alguns deles, psicopatas, feminicidas ou assassinos de ativistas ambientais, mostram históricos que variam da combinação de intenso tabagismo, álcool e cocaína ou graves problemas de úlcera, passando por overdose de remédios.
Mas, descontando o medo da sociedade moralista, da qual a grande mídia é representante, de se preparar para as mortes desses assassinos, a tendência também não chega a ser comum, se comparado com tantas pessoas de brilhante talento que se vão, se não prematuramente, pelo menos no auge de sua produção artística e cultural.
E David Bowie faleceu em péssima hora, quando o entretenimento é cada vez mais dominado por ídolos musicais canastrões, mulheres "sensuais" que não tem o que dizer e só vivem de mostrar o corpo e subcelebridades que só querem saber de noitadas e curtição. A arte morre aos poucos e isso diz muito para a fracasso que, no Brasil, atinge as predições de "espíritas" quanto aos acontecimentos no país e no restante do planeta.
Eles afirmam que o que vai imperar são pessoas de grande elevação moral e intelectual, que haverá manifestações culturais e artísticas de alto conceito, já nestes anos. Mas, a ver como é essa doutrina brasileira que se baseia na herança do Catolicismo medieval, isso não passa de conversa para boi dormir.
Com suas apostas fantasiosas de datas fixas, os "espíritas" fracassam em suas apostas e inventam que imprevistos aconteceram e por isso "reuniões" com "autoridades espirituais" são feitas para "decidir uma nova data" para a recuperação moral da Terra. Algo que soa muito patético, e revela a insegurança que os próprios "espíritas" em não poder encarar a realidade dos fatos imprevisíveis.
Desde o ano 2000, uma série de óbitos relativamente precoces ou precipitados (quando pessoas com mais idade ainda estão com muitos projetos de atividade pela frente) deixou a humanidade da Terra quase acéfala, com várias lacunas de talentos que poderiam frear o avanço da mediocrização.
Enquanto isso, a mediocridade cultural atinge a música, entregue à canastrice dos ídolos "populares", a literatura, com seus livros fúteis que fazem dar pena chamar os antigos almanaques de "cultura inútil", na televisão, com as baixarias que conhecemos etc.
A mediocrização acontece de tal forma que uma banda como Guns N'Roses - pálido pastiche do Led Zeppelin - , ao anunciar sua presença no festival Coachella, fez seus ingressos se esgotarem rapidamente. Na sociedade do espetáculo e das subcelebridades, o poser metal acabou tendo o pretenso status de "rock clássico", até para atender aos interesses comerciais das revistas de rock pesado, que vendem mais com essa estética Menudo traduzida para nomes medianos do rock pesado.
É verdade que pessoas mais evoluídas nascem, mas as mudanças são lentas e graduais e não há tendência que alguma melhoria grande possa se efetivar em 2019, 2052 e 2057. As "profecias" de Chico Xavier e Divaldo Franco simplesmente não têm qualquer fundamento na realidade.
E a situação de crise mundial, na qual o Brasil e, acima de tudo, o Rio de Janeiro, estão sofrendo, marcadas pela estupidez política, pelo pedantismo tecnocrático e acadêmico e pela imbecilização cultural, parece estar muito forte para ser extinto a médio prazo.
Isso porque os maiores retrocessos sociais, culturais, políticos e acadêmicos acontecem sob o patrocínio de pessoas dotadas de poder de influência e decisão. E é a partir disso que, no plano artístico-cultural, torna-se mais raro haverem pessoas dotadas de personalidade e grande talento como David Bowie, e sejam mais comuns pessoas que não têm personalidade nem muito talento e se sobressaem pelo marketing e pelo sucesso financeiramente efetivado.
Resta pensarmos no problema da mediocridade cultural, no consumismo, nas futilidades, e em tantos problemas sócio-culturais. A perda de David Bowie mostra que o mundo ainda se encontra bastante atrasado e defasado. Espera-se que, pelo menos, seu legado sinalize novos talentos que possam ao menos reduzir o poder avassalador da canastrice cultural.
Na análise "espírita", a morte de David Bowie significa a falência de um otimismo confuso que tem a mania de fixar datas com o apetite de quem faz apostas em cassinos, como também derruba farsas tipo "crianças-índigo", "planetas chupões" e "culturas astrais".
O falecimento de David Bowie, pelo que ele representou para a humanidade nas últimas décadas, surpreendeu o mundo. Ele havia lançado um novo disco, Blackstar, e havia completado 69 anos no último dia 08, mas faleceu vítima de câncer dois dias depois.
Bowie era uma das personalidades mais avançadas que passaram na Terra, pela sua carreira artística bastante criativa e versátil, com trabalhos fundamentais como cantor, músico, compositor e até ator. Ele está associado a muitos trabalhos de vanguarda que produziu em sua carreira, como os álbuns Space Oddity (1969), The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars (1972), Low (1977), Heroes (também 1977) e Lodger (1979).
O impacto causado pela morte do "camaleão do rock" significa não apenas a perda de um músico ímpar, que deixa a música cada vez mais órfã e mais entregue à canastrice comercial que já domina nos últimos 25 anos, mas também a queda de um mito tão alardeado pelo "movimento espírita" brasileiro - sobretudo Francisco Cândido Xavier e Divaldo Pereira Franco - , a de que pessoas atrasadas estariam morrendo mais cedo que pessoas de perfil mais avançado.
É certo que há, no Brasil e no exterior, homicidas famosíssimos que, já idosos, estejam perto de morrer, e alguns deles, psicopatas, feminicidas ou assassinos de ativistas ambientais, mostram históricos que variam da combinação de intenso tabagismo, álcool e cocaína ou graves problemas de úlcera, passando por overdose de remédios.
Mas, descontando o medo da sociedade moralista, da qual a grande mídia é representante, de se preparar para as mortes desses assassinos, a tendência também não chega a ser comum, se comparado com tantas pessoas de brilhante talento que se vão, se não prematuramente, pelo menos no auge de sua produção artística e cultural.
E David Bowie faleceu em péssima hora, quando o entretenimento é cada vez mais dominado por ídolos musicais canastrões, mulheres "sensuais" que não tem o que dizer e só vivem de mostrar o corpo e subcelebridades que só querem saber de noitadas e curtição. A arte morre aos poucos e isso diz muito para a fracasso que, no Brasil, atinge as predições de "espíritas" quanto aos acontecimentos no país e no restante do planeta.
Eles afirmam que o que vai imperar são pessoas de grande elevação moral e intelectual, que haverá manifestações culturais e artísticas de alto conceito, já nestes anos. Mas, a ver como é essa doutrina brasileira que se baseia na herança do Catolicismo medieval, isso não passa de conversa para boi dormir.
Com suas apostas fantasiosas de datas fixas, os "espíritas" fracassam em suas apostas e inventam que imprevistos aconteceram e por isso "reuniões" com "autoridades espirituais" são feitas para "decidir uma nova data" para a recuperação moral da Terra. Algo que soa muito patético, e revela a insegurança que os próprios "espíritas" em não poder encarar a realidade dos fatos imprevisíveis.
Desde o ano 2000, uma série de óbitos relativamente precoces ou precipitados (quando pessoas com mais idade ainda estão com muitos projetos de atividade pela frente) deixou a humanidade da Terra quase acéfala, com várias lacunas de talentos que poderiam frear o avanço da mediocrização.
Enquanto isso, a mediocridade cultural atinge a música, entregue à canastrice dos ídolos "populares", a literatura, com seus livros fúteis que fazem dar pena chamar os antigos almanaques de "cultura inútil", na televisão, com as baixarias que conhecemos etc.
A mediocrização acontece de tal forma que uma banda como Guns N'Roses - pálido pastiche do Led Zeppelin - , ao anunciar sua presença no festival Coachella, fez seus ingressos se esgotarem rapidamente. Na sociedade do espetáculo e das subcelebridades, o poser metal acabou tendo o pretenso status de "rock clássico", até para atender aos interesses comerciais das revistas de rock pesado, que vendem mais com essa estética Menudo traduzida para nomes medianos do rock pesado.
É verdade que pessoas mais evoluídas nascem, mas as mudanças são lentas e graduais e não há tendência que alguma melhoria grande possa se efetivar em 2019, 2052 e 2057. As "profecias" de Chico Xavier e Divaldo Franco simplesmente não têm qualquer fundamento na realidade.
E a situação de crise mundial, na qual o Brasil e, acima de tudo, o Rio de Janeiro, estão sofrendo, marcadas pela estupidez política, pelo pedantismo tecnocrático e acadêmico e pela imbecilização cultural, parece estar muito forte para ser extinto a médio prazo.
Isso porque os maiores retrocessos sociais, culturais, políticos e acadêmicos acontecem sob o patrocínio de pessoas dotadas de poder de influência e decisão. E é a partir disso que, no plano artístico-cultural, torna-se mais raro haverem pessoas dotadas de personalidade e grande talento como David Bowie, e sejam mais comuns pessoas que não têm personalidade nem muito talento e se sobressaem pelo marketing e pelo sucesso financeiramente efetivado.
Resta pensarmos no problema da mediocridade cultural, no consumismo, nas futilidades, e em tantos problemas sócio-culturais. A perda de David Bowie mostra que o mundo ainda se encontra bastante atrasado e defasado. Espera-se que, pelo menos, seu legado sinalize novos talentos que possam ao menos reduzir o poder avassalador da canastrice cultural.
Na análise "espírita", a morte de David Bowie significa a falência de um otimismo confuso que tem a mania de fixar datas com o apetite de quem faz apostas em cassinos, como também derruba farsas tipo "crianças-índigo", "planetas chupões" e "culturas astrais".
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
Frases de Chico Xavier sobre humildade não têm pé nem cabeça
Só um país marcado pela mediocrização cultural e tomado pela supremacia da imbecilização para chamar ídolos religiosos confusos, como Francisco Cândido Xavier e Divaldo Franco, são "filósofos", e isso levando em conta que o Brasil não teve filósofos da envergadura dos que existiram no "velho mundo".
O deslumbramento de Chico Xavier é bastante ilustrativo desta situação, e observa-se entre seus seguidores, gente que não tem o hábito de ler bons livros e só fica "colecionando" frases soltas deixadas por personalidades famosas colhidas aqui e ali na Internet, que sua compreensão sobre o que é filosofia é das mais risíveis e constrangedoras possíveis.
Essas pessoas imaginam ser "filosofia" um amontoado de ideias "boazinhas" trazidas em trechos de entrevistas e livros, uma forma preguiçosa de obter "sabedoria" vinda de pessoas com preguiça e aversão ao raciocínio, embora sejam capazes de argumentar com desculpas habilidosas e politicamente corretas.
Um exemplo desta postura equivocada é quanto às frases de Chico Xavier, que alternam ideias apenas "corretas" com tolices e declarações moralistas retrógradas, cheias de recursos de contradição - "silêncio" com "voz", "fraqueza" com "força", "submissão" com "coragem", muitas vezes dentro do ideário da Teologia do Sofrimento.
Destacamos o sentido de duas frases trazidas por Chico Xavier a respeito da humildade. É bom deixar claro que a "sabedoria" de Chico Xavier é um arremedo que foi copiado do mito de Madre Teresa de Calcutá, alimentado pelo jornalista católico inglês Malcolm Muggeridge e fortalecido pelos barões da grande mídia do Primeiro Mundo, que as Organizações Globo adaptaram de forma habilidosa para relançar o mito do "médium" mineiro. Aqui vão elas:
"A humildade não está na pobreza, não está na indigência na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome. A humildade está na pessoa que tendo o direito de reclamar, julgar, reprovar e tomar qualquer atitude compreensível no brio pessoal, APENAS ABENÇOA". (grifo nosso)
A ideia não tem pé nem cabeça. É evidente que a humildade não pode ser relacionada com a pobreza e a fome. Na música brasileira, por exemplo, existem cantores de Bossa Nova que, nascidos em classes abastadas, têm uma simplicidade que os ídolos do "sertanejo" e "funk", associados às classes populares, não possuem.
No entanto, definir "humildade" como "ato de abençoar" soa ridículo, patético e estúpido. Sobretudo quando Chico Xavier afirma "docilmente" sua reprovação ao ato de questionar e reprovar certas coisas, porque o melhor é "abençoar", uma ideia que, no contexto deste depoimento, mostra diversos equívocos.
Primeiro, pelo fato de que Chico Xavier sempre apelava para as pessoas não julgarem. Mas em sua trajetória, o "médium" fez um dos mais perversos juízos de valor, dos mais cruéis e ofensivos, feitos contra cidadãos humildes: é de atribuir os inocentes fluminenses que foram assistir a um espetáculo circense em Niterói, no final de 1961, e morreram ou saíram feridos e queimados num incêndio criminoso, de terem sido romanos sanguinários no passado.
Segundo, pela ideia católica de que "abençoar" é um ato privativo dos chamados profissionais da religião, como padres, párocos, sacerdotes, bispos, freiras, sorores. Neste sentido, o ato de abençoar é uma espécie de semi-santificação para aqueles que não são santos, uma espécie de atestado de benefício humano dado pela religião católica, da qual Chico Xavier foi adepto até o fim da vida.
Mas "abençoar", pelo discurso ideológico de Chico Xavier, é uma combinação de sentimentos que envolvem tanto gratidão quanto submissão e conformismo. É uma espécie de masoquismo na atitude, um prazer pelo sofrimento e pela angústia, encarados como "presentes de Deus", conforme teria dito Madre Teresa de Calcutá, colega de Chico nas adorações à Teologia do Sofrimento.
Terceiro, porque a ideia de humildade não corresponde ao ato de dar bênçãos. Isso é, repetimos, ridículo, patético e estúpido. O verdadeiro sentido de humildade é reconhecer potenciais e limites, é a consciência da pessoa em saber seus lugares, suas capacidades, seus dons e debilidades.
E isso os seguidores de Chico Xavier não percebem. Eles mesmos não medem limites para defender Chico Xavier, havendo até desentendimentos diversos entre várias atribuições, como a do pretenso "profeta" que "previu a data-limite para a Terra", que divide os chiquistas.
Por outro lado, os chiquistas também não sabem o lugar certo de Chico Xavier, que é num lugar menor como paranormal católico. Ele nunca serviu o Espiritismo e nunca serviu para ele. Seus livros são aberrações que ofendem o legado de Allan Kardec. Mas até alguns kardecianos autênticos andam complacentes com Chico Xavier e há quem queira mantê-lo ocioso na galeria dos grandes espíritas autênticos.
Concluindo. Essa frase nada tem de sabedoria, e foi apenas mais uma em que Chico Xavier pregava o conformismo humano diante das dificuldades da vida, o que nos faz ver no "médium" brasileiro um outro "anjo do inferno", ou "anjo do umbral" que iludiu e enganou as pessoas com suas fraudes e seu conservadorismo ideológico travestido de "caridade".
O deslumbramento de Chico Xavier é bastante ilustrativo desta situação, e observa-se entre seus seguidores, gente que não tem o hábito de ler bons livros e só fica "colecionando" frases soltas deixadas por personalidades famosas colhidas aqui e ali na Internet, que sua compreensão sobre o que é filosofia é das mais risíveis e constrangedoras possíveis.
Essas pessoas imaginam ser "filosofia" um amontoado de ideias "boazinhas" trazidas em trechos de entrevistas e livros, uma forma preguiçosa de obter "sabedoria" vinda de pessoas com preguiça e aversão ao raciocínio, embora sejam capazes de argumentar com desculpas habilidosas e politicamente corretas.
Um exemplo desta postura equivocada é quanto às frases de Chico Xavier, que alternam ideias apenas "corretas" com tolices e declarações moralistas retrógradas, cheias de recursos de contradição - "silêncio" com "voz", "fraqueza" com "força", "submissão" com "coragem", muitas vezes dentro do ideário da Teologia do Sofrimento.
Destacamos o sentido de duas frases trazidas por Chico Xavier a respeito da humildade. É bom deixar claro que a "sabedoria" de Chico Xavier é um arremedo que foi copiado do mito de Madre Teresa de Calcutá, alimentado pelo jornalista católico inglês Malcolm Muggeridge e fortalecido pelos barões da grande mídia do Primeiro Mundo, que as Organizações Globo adaptaram de forma habilidosa para relançar o mito do "médium" mineiro. Aqui vão elas:
"A humildade não está na pobreza, não está na indigência na penúria, na necessidade, na nudez e nem na fome. A humildade está na pessoa que tendo o direito de reclamar, julgar, reprovar e tomar qualquer atitude compreensível no brio pessoal, APENAS ABENÇOA". (grifo nosso)
A ideia não tem pé nem cabeça. É evidente que a humildade não pode ser relacionada com a pobreza e a fome. Na música brasileira, por exemplo, existem cantores de Bossa Nova que, nascidos em classes abastadas, têm uma simplicidade que os ídolos do "sertanejo" e "funk", associados às classes populares, não possuem.
No entanto, definir "humildade" como "ato de abençoar" soa ridículo, patético e estúpido. Sobretudo quando Chico Xavier afirma "docilmente" sua reprovação ao ato de questionar e reprovar certas coisas, porque o melhor é "abençoar", uma ideia que, no contexto deste depoimento, mostra diversos equívocos.
Primeiro, pelo fato de que Chico Xavier sempre apelava para as pessoas não julgarem. Mas em sua trajetória, o "médium" fez um dos mais perversos juízos de valor, dos mais cruéis e ofensivos, feitos contra cidadãos humildes: é de atribuir os inocentes fluminenses que foram assistir a um espetáculo circense em Niterói, no final de 1961, e morreram ou saíram feridos e queimados num incêndio criminoso, de terem sido romanos sanguinários no passado.
Segundo, pela ideia católica de que "abençoar" é um ato privativo dos chamados profissionais da religião, como padres, párocos, sacerdotes, bispos, freiras, sorores. Neste sentido, o ato de abençoar é uma espécie de semi-santificação para aqueles que não são santos, uma espécie de atestado de benefício humano dado pela religião católica, da qual Chico Xavier foi adepto até o fim da vida.
Mas "abençoar", pelo discurso ideológico de Chico Xavier, é uma combinação de sentimentos que envolvem tanto gratidão quanto submissão e conformismo. É uma espécie de masoquismo na atitude, um prazer pelo sofrimento e pela angústia, encarados como "presentes de Deus", conforme teria dito Madre Teresa de Calcutá, colega de Chico nas adorações à Teologia do Sofrimento.
Terceiro, porque a ideia de humildade não corresponde ao ato de dar bênçãos. Isso é, repetimos, ridículo, patético e estúpido. O verdadeiro sentido de humildade é reconhecer potenciais e limites, é a consciência da pessoa em saber seus lugares, suas capacidades, seus dons e debilidades.
E isso os seguidores de Chico Xavier não percebem. Eles mesmos não medem limites para defender Chico Xavier, havendo até desentendimentos diversos entre várias atribuições, como a do pretenso "profeta" que "previu a data-limite para a Terra", que divide os chiquistas.
Por outro lado, os chiquistas também não sabem o lugar certo de Chico Xavier, que é num lugar menor como paranormal católico. Ele nunca serviu o Espiritismo e nunca serviu para ele. Seus livros são aberrações que ofendem o legado de Allan Kardec. Mas até alguns kardecianos autênticos andam complacentes com Chico Xavier e há quem queira mantê-lo ocioso na galeria dos grandes espíritas autênticos.
Concluindo. Essa frase nada tem de sabedoria, e foi apenas mais uma em que Chico Xavier pregava o conformismo humano diante das dificuldades da vida, o que nos faz ver no "médium" brasileiro um outro "anjo do inferno", ou "anjo do umbral" que iludiu e enganou as pessoas com suas fraudes e seu conservadorismo ideológico travestido de "caridade".
domingo, 10 de janeiro de 2016
Unirmos para quê?
A religião "espírita" sempre vem com um discurso igrejista. apelando para a solidariedade e a união como fins em si mesmos, mas sem poder verificar diferenças e tensões, apenas se limitando a pedir "paz" sem dizer como e para quê.
É verdade que o Brasil vive uma série de crises, bastante turbulentas e violentas, de uma maneira peculiar e, em certos aspectos, mais aberrante que o do "velho mundo" (claro, descontando o terrorismo no Oriente Médio, um cenário insuperável).
É muito fácil pedir para que nos demos as mãos, que acreditemos em Deus - nem todos acreditam em sua existência - , que ouçamos Jesus etc etc etc. Para uma doutrina, como o "espiritismo", que ignora individualidades e necessidades humanas, a forma com que ela defende a "paz" é ao mesmo tempo inócua e insossa.
Afinal, de onde vem as crises que geram tantos conflitos? Evidentemente, há os processos de uns quererem demais e outros não terem o que mais precisam. Há pretensões, jogos de interesses, relações de conveniências, que criam uniões forçadas, em que a mínima faísca de discórdia pode gerar conflitos dramáticos e até trágicos.
O "espiritismo" ignora as individualidades humanas e não percebe os problemas e tensões existentes. Tenta apenas argumentar que "existem tempestades" e que, por isso, temos que "nos unir". Apenas isso, sem qualquer motivação ou discernimento.
Daí que seu discurso "unificador" e "pacificador" é feito em vão, mais para tocar as emoções de seus seguidores, que não parecem causar efeitos positivos e definitivos. A pieguice de seus apelos pela "paz" e pela "união" acaba entediando e até irritando muitos, porque são coisas feitas vagamente e que, na complexidade da vida, se tornam apelos inúteis e fracassados.
A união não se trata de uma questão de ter mais fé e darmos as mãos, mas buscar resolver tensões, regular desejos e necessidades, verificar tanto a igualdade dos direitos quanto a diversidade das diferenças humanas, e verificar os espaços dos outros, tarefa muito difícil nesse turbilhão de pretensiosismos, oportunismos e conveniências.
É isso que o "espiritismo" não percebe. E, através desses apelos piegas de "paz e solidariedade", acaba reforçando mais os conflitos, por não conhecer individualidades nem diversidades, tratando pessoas dos mais diversos tipos como meros bonecos de brinquedo de um ente chamado Deus, e, em vez de promover o diálogo das diferenças, prefere o silêncio sorridente das igualdades forçadas e fora da realidade. Com isso, o "espiritismo" quer desunir pela "união".
sábado, 9 de janeiro de 2016
"Centros espíritas" não estudam vida espiritual e falam mais em Família
Os "centros espíritas" existentes no Brasil nunca se dedicam de forma adequada ao legado deixado por Allan Kardec. Muito pelo contrário, são instituições que preferem se manter na difusão de valores deturpados lançados a partir da Federação "Espírita" Brasileira, que controla quase todos esses locais.
Experimente qualquer um verificar o programa de palestras desses centros. Verá que as palestras são quase sempre de assuntos familiares; "Honrai vosso pai e vossa mãe", "Velhos e jovens", "Família e moral", "A missão da família", "Como resolver brigas familiares" e tantos e tantos similares.
A impressão que se tem é que os "centros" não praticam Espiritismo, mas Familiarismo, e a ênfase nas relações familiares, embora seja vista como "natural" pelos "espíritas", mostra uma série de equívocos e exageros.
Primeiro, por se tratar a instituição Família de uma organização material e provisória. As relações pessoais entre os envolvidos podem até ir além dos limites da encarnação, e realmente vão, mas a perspectiva "espírita" se concentra apenas nos contextos materiais, sobretudo levando em conta relações de hierarquia etc.
Segundo, pelo fato de que se trata de uma relação apenas complementar na experiência espiritual, o que significa que a ênfase é desnecessária, até pelo fato de que um dia as pessoas deixarão a casa dos pais e se dedicarão a outras relações sociais.
Em muitos casos, a abordagem da Família pelos "espíritas" segue o mesmo receituário católico, estabelecendo uma relação entre aspectos moralistas, hierárquicos e as relações materiais que dão a impressão de que pais serão sempre pais e filhos serão sempre filhos. É como se levasse o critério biológico como se fosse algo inerente à natureza do espírito, o que é um erro.
Enquanto isso, o assunto da vida espiritual não é estudado. Quando o é, sempre é da forma mistificada e deturpada trazida pelos livros de Francisco Cândido Xavier. Através de livros diversos como Nosso Lar e Há Dois Mil Anos, Chico Xavier estabelece visões de encarnações do espírito completamente pedantes, especulativas e totalmente fora da realidade.
E é assim que os "centros espíritas" se tornam inúteis no seu conteúdo de palestras, e mostra o preço que as pessoas têm que pagar diante de exposições aparentemente gratuitas, mas que trazem o prejuízo de sermos muito mal doutrinados através da transmissão de valores deturpados e visões irreais da natureza espírita.
sexta-feira, 8 de janeiro de 2016
"Espiritismo" brasileiro defende a desigualdade social
Notaram que o "espiritismo" brasileiro defende a desigualdade social? A defesa dessa desigualdade não é o mesmo de querer a disparidade de renda por si só, mas em manter as estruturas de privilégios e infortúnios e apenas amenizá-las com a chamada "caridade" que não vai além de aspectos paliativos.
Não se trata de defender que ricos fiquem mais ricos ou que pobres fiquem mais pobres, mas de estabelecer que algumas pessoas "merecem" ser mais privilegiadas que outras, e é isso que se constata quando se leva em conta a "filosofia" trazida por Francisco Cândido Xavier.
Ele era devoto da Teologia do Sofrimento, ideologia que define o sofrimento humano como "caminho para Deus" e prega que aceitemos as piores coisas na vida visando atingir o prêmio do "paraíso". A ideia de "paraíso" trazida por essa ideologia, originária do Catolicismo medieval, pode variar entre a "vida eterna" do Catolicismo atual e a "vida futura" do "movimento espírita".
A ideologia de Chico Xavier sempre apelou para isso. Ele dizia para sofrêssemos em silêncio, sem reclamar, sem se queixar. Condenava o ativismo e preferia a servidão e a prece, ainda que a pessoa tenha que aguentar as piores situações da vida. Antes ser humilhado e viver a vida como num pesadelo do que lutar por qualquer melhoria de vida.
Ele dizia para não questionarmos, não mostrarmos nosso sofrimento para os outros, e tínhamos que sofrer e fingir para os outros que estava tudo bem. E isso, embora esteja associado a mitos supostamente ligados à justiça social, revela um consentimento com a desigualdade humana.
A julgar pelo que se questiona a respeito de Madre Teresa de Calcutá, definida como "anjo do inferno" por aqueles que denunciam que ela defendeu as mesmas ideias de "resignação ante o sofrimento" de Chico Xavier, nota-se que a Teologia do Sofrimento, um dos pilares do "espiritismo" brasileiro, é complacente com as desigualdades humanas existentes no país.
O que a doutrina brasileira quer é apenas evitar seus efeitos mais danosos, seus prejuízos extremos. Mas seu ideal de "filantropia", "caridade" e "transformação social" sempre é defendido e praticado de forma que não se mexa no "vespeiro" dos privilegiados, apenas minimizando o sofrimento dos miseráveis e angustiados, sem que se interfira nos que já vivem em pleno conforto.
Mesmo projetos educacionais respaldados pelo "movimento espírita" apenas ensinam a ler e escrever e viver com um mínimo de dignidade, mas sem transformar o beneficiado numa pessoa que possa ter uma visão crítica do mundo e possa interferir contra os graves problemas existentes, pelo menos de maneira espontânea e sem se prender às convenções sociais nem sempre justas.
A defesa da desigualdade social se manifesta porque, para o "espiritismo" brasileiro, não interessa romper com estruturas de dominação e exploração humana. Mantém-se privilégios sociais vigentes, apenas "diminuindo" seus efeitos mais drásticos, mas sem ameaçar a essência do quadro vigente em que uma minoria tem demais sem necessidade e uma maioria não tem sequer o que mais precisa.
Há alguns pontos a considerar. O desprezo da vida material como um meio de progresso humano através da intervenção de suas limitações, uma visão materialista que obriga o homem a ter uma vida "qualquer nota" e aceitar qualquer absurdo, mantendo a natureza material / animal da realidade dominante, é um dos pontos que fazem o "espiritismo" não agir de maneira firme contra as desigualdades sociais.
Além disso, os líderes "espíritas" precisam também ser cortejados pelas elites. Como a Madre Teresa de Calcutá, que desfilava diante dos ricos, recebendo elogios e prêmios, e que no Brasil têm equivalência em muitos ídolos religiosos. Mesmo Chico Xavier e Divaldo Franco precisam dos "remediados" para lhes darem elogios e prêmios. As elites são ótimas alimentadoras das vaidades pessoais dos líderes religiosos, as elites são suas devotas mais decisivas.
Já para os pobres e miseráveis, ou mesmo os infortunados de qualquer natureza - ainda que seja um nerd incapaz de conquistar uma mulher de sua afinidade - , não há um benefício extra em idolatrar um religioso. E os líderes religiosos não se acham triunfantes com essa adoração em si, eles acham mais interessante serem adorados pelos ricos e privilegiados, e até criam como pretexto a ideia de que "os ricos se renderam aos humildes benfeitores da fé".
Os ricos podem até mesmo compartilhar seus privilégios com os ídolos religiosos. Vide Madre Teresa viajando de avião com magnatas corruptos. E é isso que a Teologia do Sofrimento esconde: quando ela diz que o "sofrimento é lindo", ela na verdade pede para que quem está sofrendo que se comporte direitinho e aceite sua situação, em vez de se irritar com o privilégio que os confortáveis possuem.
A desculpa, vista no "espiritismo" brasileiro, é que os ricos e privilegiados "já tiveram seu prêmio", e o "perderão" em breve, enquanto os pobres e desafortunados em geral "ganharão em breve" o seu "verdadeiro e eterno prêmio", daí a ideia de querer que as pessoas que sofrem aceitem seu sofrimento caladas e conformadas, sob o pretexto de conquistarem seu "prêmio" no "porvir".
E é assim que se mantém as desigualdades sociais, com este discurso que tem um quê de moralismo e fatalismo, e que prende os infelizes e desafortunados num pretexto de religiosidade que cria uma "indústria de infelizes" que alimentará as fortunas dos ídolos religiosos, que assim podem pedir aos ricos grandes somas de dinheiro e bens das quais só parte delas vai para a caridade, enquanto outra vai para a vida confortável dos religiosos.
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